
Três ou quatro por dia (continuadas com Asterix). “Gostaste?”, “Adorei!”.
“Cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho dou-lhe o meu silêncio” (R. Nassar)
Outubro 4th, 2008 — Paternidade
Julho 29th, 2008 — Paternidade
Junho 13th, 2008 — Paternidade
Junho 4th, 2008 — Banda Desenhada, Paternidade
Asterix, Asterix e Cleopatra por René Goscinny e Albert Uderzo.
Pois dia da introdução. Antes de dormir as primeiras páginas, a primeira leitura de Asterix. Este. - Depois, quando eu saio do quarto fica a adormecer com um outro livro, de princesas. De outras princesas, não da Cleopatra.
Junho 1st, 2008 — Futebol, Paternidade, Sociedade portuguesa
Toca o telefone, um amigo a perguntar se estou a ver televisão. “Não?”, então que a ligue, vai-me anunciando os milhares à volta da selecção de partida para a Suíça, os motardes imigrados por lá também à espera no aeroporto, a RTP-A/I transmitindo em directo o delírio colectivo. Quem me telefona não é um inimigo da bola, a desculpa da chamada até foi o comentário à contratação do dia (”Postiga?, então o que achas?”), mas o que é demais tresanda, isto para não dizer que fede, que é mesmo isso, mas as homofonias são desagradáveis quando se quer manter o nível.
Bem, lá vou eu ligar a televisão. Ali está a Carolina (a minha filha que fez seis anos esta semana) a escrever uma carta - sua autonómica decisão - aos avós a dizer-lhes que tem saudades da família e de Portugal. Enquanto escreve eu fico a ver um avião da TAP na pista do aeroporto da Portela a preparar-se para levantar voo enquanto um locutor e o professor Marcelo, em mangas de camisa e de cachecol da selecção portuguesa, vão comentando sobre a importância do evento futuro e desta partida dos jogadores. Alguns minutos se vão arrastando e enquanto o avião (”um Airbus” modelo não sei quantos, avisam, sob o comando do “comandante Coutinho“, sossegam-nos) se vai posicionando o professor Marcelo - que um dia quis ser primeiro-ministro do país, imagine-se - anuncia o efeito bandeirístico que regressa, rejubila com a atenção nacional, etc. O tal Airbus do comandante Coutinho (mui decente profissional, estou certo, e que não tem culpa desta maluqueira toda) estanca no início da pista aguardando o sinal da torre do controle, explica-nos o locutor (para a gente não descrer que a selecção voará para o Euro, presumo), e dentro de pouco o professor Marcelo (insisto, que um dia quis ser primeiro-ministro, imagine-se) irá dizer-nos, preocupado, que o avião está a rolar tempo demais, a custar-lhe descolar, e repete-o, provocando-nos um pequeno frissonzito, “deus queira que tudo corra bem” pensará a pátria, e assim correu, vá lá, lá seguiram eles. Mas ainda antes disso, ainda com o comandante Coutinho, digníssimo profissional, esperando a “luz verde” para arrancar, e nós expectantes desse sempre arriscado momento, não é assim?, a Carolina - repito, em autonómica decisão de escrever uma patriótica carta, “cheia de saudades de Portugal” e “dos avós“, que a avó Marília “me deixa fazer tudo” e o “avô António faz maluquices” -, e a Carolina, dizia eu, interrompe o seu afã pátrio, vira-se para mim armando olhar crítico, e até surpreso de me ver a ver aquilo, e dispara com entoação “ó pai, os aviões não são importantes!”.
Fico-me a sorrir. Se se mantiver assim a esta, quando crescer, não há-de o professor Marcelo enganar com as suas vichyssoises. Palhaçada … ao que um homem desce. Ao que este desceu. E tantos com ele …
Abril 21st, 2008 — Paternidade, Yeats
Speech after long silence; it is right,
All other lovers being estranged or dead,
Unfriendly lamplight hid under its shade,
The curtains drawn upond unfriendly night,
That we descant and yet again descant
Upon the supreme theme of Art and Song:
Bodily decrepitude is wisdom; young
We loved each other and were ignorant.
(W.B. Yeats)
Abril 21st, 2008 — Paternidade
Janeiro 19th, 2008 — Paternidade
Janeiro 15th, 2008 — Paternidade, Roupa Velha
Partida para o natal familiar, eu e filha em Mavalane, controle de bagagem de mão e restante quinquilharia. Raio X para trás e o polícia pergunta-me quanto dinheiro levo, “dois mil e tal meticais” digo, o simples do hábito e do sem nada a esconder. De imediato ele e o colega crispam as caras, pobres réplicas do Motumbela, num “venha ali para o canto“. Lá vamos, eu e a miúda, a qual nos seus cinco anos se assusta num “papi, o que é que foi?”. Ainda não foi nada, mas vão ser dois ou três minutos de mímica e conversa de chacha - eles, vigorosos, apontam para o cartaz aquele do limite de metical exportável (500 meticais) num “não pode levar o dinheiro, tem que o deixar“. Eu, de carteira na mão num “nem são dois mil, são dois mil e duzentos” - a dizer-lhes do formalismo deles, que 500 meticais foi limite para quando o metical valia bem mais, que agora não é grande quantia, que os meus dois mil e picos equivalem a 80 dolares (bem mais, já agora, do que os dolares que poderia levar se os tivesse), coisa de ir aos ATMs levantar dinheiro e passeá-lo no bolso, nas compras de natal. Eles insistem, ilegalidade pura a obrigar-me a deixar o dinheiro, a miúda insiste, no caminho do chorosa, “papi, o que é que foi?“, eu começo a irritar-me (”por que é que não menti?”) e também insisto, no formalismo daquilo tudo, na desvalorização do dinheiro, no “daqui a quinze dias regresso de férias, precisarei de dinheiro no bolso, por isso é que o tenho“, no que não estou a exportar a moeda nacional - e nisso nunca desvalorizando a soberania naquela, óbvia, afirmação de que no meu destino ninguém quererá o metical que ali levo.Nada a fazer, a ilegalidade obrigar-me-á a largar o dinheiro. Cidadão cumpridor exponencia-se-me a irritação, as palavras vão respeitadoras mas o enfado nelas já não os engana do que estou a pensar: “isto é um exagero, há mais de dez anos que ando para trás e para a frente, nunca exportei nem capital, nem moeda“. Afinal nada mais do que o argumento da veterania - e com ele logo se lhe muda a expressão, esquecendo o assunto partem para um breve “Ok, faça boa viagem!”. Um ainda deixa “E boas festas“, ali ambíguas, se com ou sem interrogação. “Ahh!” resolvo-a, “obrigado“. Avançamos à sala de embarque, a Carolina ainda se interroga “papi, o que foi?” e eu “nada, querida“, que ela é muito nova para perceber estas coisas de mera veterania.
Não seria melhor mudar o limite de metical transportável? Apenas isso?
Dezembro 30th, 2007 — Paternidade
Novembro 9th, 2007 — Paternidade
Valores paternos? Incoerência a ser cobrada. Agora mesmo a princesa pergunta: “Mãe, por que é que o pai já anda nos cabeleireiros”?
Setembro 23rd, 2007 — Paternidade
Agosto 10th, 2007 — Paternidade

Não (nunca) esquecer o final, com os teus comovidissimos olhos marejados de lagrimas.
Agosto 9th, 2007 — Paternidade
Maio 20th, 2007 — Paternidade
Fim-de-semana, altura de pai a tempo inteiro. Só eu sei porque fico em casa …