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Como Será Amar Um Filho Crescido e Gabiru?

perguntei, abaixo, pai quase recente e em inultrapassável enlevo. A Sara Monteiro, que faz o favor de me acompanhar neste estaminé, respondeu-me, se calhar elucidou-me:

Uma canção desnaturada

Por que creceste, curuminha
Assim depressa, e estabanada
Saíste maquilada
Dentro do meu vestido
Se fosse permitido
Eu revertia o tempo
Pra reviver a tempo
De poder
Te ver as pernas bambas, curuminha
Batendo com a moleira
Te emporcalhando inteira
E eu te negar meu colo
Recuperar as noites, curuminha
Que atravessei em claro
Ignorar teu choro
E cuidar só de mim
Deixar-te arder em febre, curuminha
Cinquenta graus, tossir, bater o queixo
Vestir-te com desleixo
Tratar uma ama-seca
Quebrar tua boneca, curuminha
Raspar os teus cabelos
E ir te exibindo pelos
Botequins

Tornar azeite o leite
Do peito que mirraste
No chão que engatinhaste, salpicar
Mil cacos de vidro
Pelo cordão perdido
Te recolher pra sempre
À escuridão do ventre, curuminha
De onde não deverias
Nunca ter saído

[Chico Buarque - esse que tocou ao jantar cá em casa, hoje sexta-feira, ainda mais dia de amigo(a)s] 

Com um mínimo de pudor, mais um tanto de ódio preservado, nossa amizade se consolidou; à diferença do amor, que extravasa a toda a hora, a amizade precisa ter seus diques.”

[Chico Buarque, Budapeste]

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