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Maio 4th, 2008 — Antropologia, Hugh Tracey, Música Moçambique

Os interessados encontrarão o disco aqui, mais um dos trabalhos de Hugh Tracey [obra consultável na International Library of African Music]. Este disco - enquanto objecto muito prejudicado por uma inenarrável introdução histórica a Moçambique, pejada de grosseiras incorrecções, coisa óbvia de anglófono marxista dos 1960s, preconceituoso e ignorante - é um magestoso documento: 25 gravações, obtidas durante duas décadas em gravações em Moçambique ou na África do Sul. Oriundas de oito grupos linguísticos (Chopi, Ndau, Ronga, Hlanganu, Gitonga, Tswa, Hlengwe, Nyungwe) e de duas abordagens musicais (heptatónica Nyungwe Shona, a hexatónica de todos os outros). Peças únicas dos maestros lendários das décadas em causa da dança de timbila; de dança mandowa, da dança masesa, da dança ndzumba, da dança makarito, do cancioneiro kwaya, ecos da expansão da mbira, etc.
Um documento estimável. E inestimável. E de fruição … (dedicado ao aficionado 25 cms de Neve).
Abril 29th, 2008 — Hugh Tracey, Música Moçambique

Forgotten Guitars from Mozambique (1955, 56, 57) transcreve 21 gravações realizadas no sul de Moçambique por Hugh Tracey, célebre musicólogo que após quatro décadas de trabalho publicou mais de 200 discos de recolha musical na África sub-sahariana.
A recolha dos guitarristas deste contexto geográfico - “um estilo changana” - sublinhava para Tracey a presença de três pontos cruciais da introdução da guitarra de então (Cooperbelt zambiano, Katanga congolês, sul moçambicano). Ou seja, da modernidade: a “guitarrização” mineira, neste caso
Para aqueles que vão lendo algumas das actuais e espúrias querelas sobre a paternidade (e propriedade) da “marrabenta” será interessante detectar os ritmos aqui colocados (como por exemplo os duetos de Aurelio Kowano e Alberto Fulani, imediatamente associáveis) para além do testemunho sobre a excelência do grande Feliciano Muntano Gomes [Ngome] (foto da capa). Como corolário oferece a transcrição das letras cantadas, o que permite entender os tópicos poéticos de então.
Imprescindível. E acredito que acessível. (Entrada com particular destinatário.)
Abril 6th, 2008 — Música Moçambique

Imagem recolhida em Som África.
Zico é um cantor ligeiro, por ora basto popular. Como não lhe entendo as letras recuso-me a categorizá-lo de modo absoluto. Mas do que sobre elas me dizem e do que lhe (por vezes) ouço parece-me que será possível intitular a sua corrente musical como afro-pimba - algo bem presente no mundo da videomúsica africana, sempre associável ao enfoque visual nos traseiros femininos, normalmente apresentados em redor de piscinas.
Zico lançou agora o “Nakudjula Hi Doggystyle” (um elogio da posição sexual “canzana”) que se segue ao sucesso tornado ícone “Maboazuda” (onde anunciava a sua disponibilidade para se relacionar sexualmente com todas as mulheres de aparência aprazível mesmo se fossem albinas - característica esta normalmente associada à exclusão por motivos impureza, fealdade ou monstruosidade, e que até recentes décadas podia induzir infanticídio). Decerto impregnado pelo sucesso que vem obtendo, porventura entusiasmando-se na campanha publicitária deste seu novo trabalho, e decerto ecoando a sua (algo ordinária) visão do mundo, colocou na internet um filme onde ele próprio surge em cópula - do que li parece que é trabalho pouco nítido, mas no qual ele e companhia são reconhecíveis.
Logo caiu o Pott e a Mesquita Velha. Jornais e blogs incendiados contra o homem, uma telefónica arrastada na onda e rompendo o contrato publicitário com o cantor. A polícia compelindo-o a prestar declarações na esquadra, nas quais - narram os jornais - o artista chorou, arrependido e assustado. A moral pública em risco reagiu e cumpriu-se a catarse, a humilhação pública. Faltará ainda, mas prevê-se, a penitência ao vivo - porventura em cima do palco com a TV presente.
Quando eu cheguei a Moçambique (1994) falava-se muito de corrupção - mas no sentido de corrupção sexual. O corrupto era quem se escapava aos ditâmes da monogamia conjugalizada. Contavam-se (e contam-se ainda) histórias de gente conhecida e próxima do poder, dele afastada ou por ele punida, devido a comportamentos sexuais “desviantes” (adultério, separação, reacasamentos, sexo pré-matrimonial) e mesmo afectivos não desejados (no quadro da militância as relações afectivas eram escrutinadas e decididas pelo poder - aqui este denotando a sua dimensão totalitária, presente nos diversos âmbitos do real). Um poder puritano - explicável nas suas origens sociológicas e ideológicas. Uma sociedade urbano-burguesa de discurso puritano - explicável nas suas origens religiosas e na sua constante plasticidade face ao poder político. Valores que se anunciavam presentes (mas, claro, não se cumpriam) no quotidiano dos estratos seguintes da sociedade urbana.
Hoje em dia é o mesmo espectro moralista que se levanta. A extensão semântica do termo “corrupção” arreiga-se de novo no discurso político de aparência analítica. A censura pública eleva-se a mecanismo de desenvolvimento, de pedagogia (optimista). O ovo da mamba estala com estes sons. Um dia Brecht ecoou Niemoller sobre algo que tem a ver com as redes de repressão e da sua aceitação. Eu não sou pornógrafo (nem o Zico, coitado, que será quanto muito um rapaz meio tonto) mas como posso aceitar que o queiram censurar? Vieram-no buscar porque se afixou na internet a copular (qual o problema? é um anúncio de prostituição, ilegal? não. Já alguém andou na internet a ver o que por lá se passa de business de sexo? e nas ruas?). Vieram-no buscar e não se diz nada, para não se ser poluído pelo tom ordinário do homem. Para não chocar a mui justa indignação da sociedade bem-pensante. Um dia vir-me-ão buscar, ou a outro qualquer, porque tenho uma qualquer fotografia de nu. Ou porque olho para o rabo da vizinha. E quem dirá algo? Onde está o limite à censura? À dominação da boa moral?
Há quanto tempo, quantas vezes, que à hora da família a televisão pública e as privadas concessionadas passam filmes onde se esquartejam, explodem, esfacelam (e outras criativas formas de descontrução) pessoas de diversas índoles (os maus, os bons, os civis, as vítimas, os polícias, os criminosos)? Há alguma semiologia política irada contra essa moral pública? Nada - na prática a questão da produção e da reprodução de valores surge quando se põe em causa o primado da “posição de missionário”, das “públicas virtudes”. É mais “natural”, donde mais “universal”, é menos “ofensor” donde menos “disruptor”, encenar e transmitir o rebentamento de cabeças com calibres elevados do que mostrar indivíduos a consumarem relações sexuais? (Ainda por cima consentidas?) E mais ainda, estes colocados em canais fechados - de acesso por decisão consciente - como o é a internet? O que é esta ira, esta semiologia, esta vertigem censória, senão o eco do mais reaccionário puritanismo sexual, impensando as práticas e os valores que criticam e defendem. Ou, ainda pior, pensando-os…
Já agora, as aldeias, vilas e cidades para lá do Alto Maé estão cheias de cinemas populares onde abundam o porno (e a guerra, já agora) cujo acesso é generalizado. Alguém semiologiza? Alguém vai para a esquadra com a imprensa abutresca atrás? Ou o “povo” está muito longe?
Francamente, só me resta, e sobre a minha já deprimida libido, cantar com o Zico: “”Nakudjula Hi Doggystyle“!! Os outros que o façam só “à missionário”.
Adenda: I Modi, consultável na internet - para que daqui saia algo elevado.
Fevereiro 25th, 2008 — João Paulo, Música Moçambique
Excelente iniciativa no Mãos de Moçambique: divulgação de filmes de actuações de João Paulo.
Fevereiro 25th, 2008 — Música Moçambique, Portugal-Moçambique, Venâncio Mbande

(fotografia emprestada pelo Toix)
Quinta-feira passada houve sessão no Instituto Camões, homenagem a Venâncio Mbande, nome enorme da música moçambicana, maestro timbileiro, homem já alvo de um filme: Keep the Timbila Playng, de Frank Diamand
Casa cheia, que tinha havido mobilização via SMS. Cheia com o meio das artes e ainda mais de muitos expatriados, gente nova (estou a envelhecer, constato quotidianamente …), sem dúvida que mais ou menos recentes cá, com aquela curiosidade característica de quem chega e quer conhecer- dia bom para eles, a poderem ver e ouvir uma lenda.
Dia estranho para mim. Certo, a homenagem em vida é bonita. Mas o teor da homenagem talvez nem tanto. Mbande está doente (não terminal, atenção), envelhece (talvez 66 anos), está sem dinheiro para a subsistência, para os medicamentos - é diabético. Os amigos, neste caso os discípulos Timbila Muzimba e mais alguns, organizaram a sua vinda de Zavala, onde o grande maestro timbileiro reside. E fez-se a sessão de homenagem, antecâmara de uma que acontecerá dentro de dois meses, a ocorrer no Centro Cultural Franco-Moçambicano. E foi o perfil desta agora acontecida que me arrepiou - até porque dela se podem retirar ensinamentos para daqui a dois meses. E para um futuro mais estrutural ….
Discursos de homenagem, discurso do próprio, 3 músicas (10 minutos?). E peditório - “quem pode dar dinheiro entregue ali na mesa“. Um generalizado mal-estar. Algumas considerações sobre isto:
a. Solicitar ajuda aos amigos e aos admiradores não é errado. Dá-la também não o é. Ambas atitudes só enobrecem.
b. O Instituto Camões, representado pelo bibliotecário, saudou o homenageado e entregou-lhe um “diploma de mérito”, entre merecidos aplausos. Confesso, coisas de antropólogo a olhar o simbólico: haverá algo a dizer do downgrading protocolar, ou terá sido mero constrangimento do quotidiano? Mas o que é um “diploma de mérito” do Instituto Camões? É da sede, um grau oficial que o ICA tem? Se é disso que se trata é ao bibliotecário, ainda que indivíduo e posição mui dignos, que compete a entrega? O que significa isso? E se o é, outorga-se um diploma deste relevo e arruma-se a questão, ainda para mais numa situação humana destas?
Se não é desse grau que se trata, tal como a dimensão protocolar e o anúncio público me parecem configurar, qual a figura desta homenagem - é um “diploma” ad hoc atribuído pelas sucursais do Instituto Camões? Se sim quais são os critérios de escolha, de proposta, de candidatura, de entrega? Venâncio Mbande merece um diploma de mérito da instituição de representação cultural externa de Portugal? - em meu entender merece (e do oficial, se se confirmar a minha opinião de que não foi desse que aqui se tratou) pois a expressão legitimadora que o subjaz “…em reconhecimento da sua relevante acção em prol da defesa e da promoção da língua e da cultura portuguesas no mundo” deverá ser entendida apenas como sobrevivência de uma concepção reduzida da acção cultural externa, fruto de uma noção presumivelmente já ultrapassada (a legislação que instaura a outorga é do consulado guterrista). Mas ainda assim, repito, quais são os critérios de atribuição (necessarimente públicos e publicitados) destes diplomas, mesmo que meramente oficiosos, localmente consignados?
Ou seja, honestamente, o desenho pareceu-me excessivamente atabalhoado, desmerecendo a homenagem, desmerecendo o homenageado. Grave? Sim. Mbande estava ali também como símbolo. É símbolo, assim considerado. O estrangeiro em casa alheia respeita o símbolo. Ou, pelo menos, exime-se ao ritual que o vivencia.
Dramático? Não! Não faltarão momentos mais ou menos próximos de índole protocolar para emendar o passo (ou, caso eu esteja enganado, para o completar). Um apoio da “cooperação” portuguesa (em sentido lato) à questão da saúde do enorme artista (para os portugueses que lerem isto lembrem-se da figura de Carlos Paredes - ainda que este ao menos fosse arquivista de um hospital, se bem me lembro, o que lhe daria para pagar as sopas e a renda) caberia perfeitamente nos protocolos bilaterais existentes no domínio da saúde. Um projecto de musicologia poderá ser desenvolvido, com gravação extensa da arte e remuneração suficiente - a preços acessíveis, dada a facilidade de gravação actual. Basta vontade. E reconhecimento do “mérito cultural”…
2. Na cerimónia o vice-ministro da Educação e Cultura saudou o grande músico e a iniciativa. E disse algo que soou pouco simpático mas que é verdade - o Estado não pode apoiar tudo, “temos” que nos organizar nestas iniciativas solidárias. Eu não o ouvi, estava à porta dada a aglomeração de pessoas à minha frente. Mas ouvi os comentários - caíram mal as palavras de Luís Covane. É o problema dos políticos, quando não são demagogos as pessoas não gostam. Covane falou bem, é a minha opinião. Ainda que neste caso eu ache que o Estado tem possibilidades (e responsabilidades) para intervir.
Entenda-se: as timbilas de Zavala (núcleo territorial onde a prática é original, ainda que esteja algo disseminada até Zambeze acima e se tenha maputizado) são um dos itens que têm sido escolhidos pelo Estado e pela intelectualidade moçambicana como denotativos da identidade nacional. A sua excentricidade na África Oriental - porventura demonstrando a sua longínqua origem exógena, o que é interessante face à complexidade do argumento “autenticidade” no mecanismo identitário moçambicano actual - a isso ajuda. Por isso mesmo o Estado se empenhou na campanha para a eleição do ritmo musical chope timbila como património imaterial da humanidade - à imagem do que fez com as danças nyau. Deste modo não me parece muito curial que o mesmo Estado não tenha capacidade para intervir num momento de dificuldades do grande músico identitário. Não tem recursos próprios? Acredito - mas com toda a certeza poderá fazer apelo às grandes empresas moçambicanas, públicas, privadas ou participadas, e com alguma imaginação encontrar formas de apoiar dignamente o músico, até baseando-se na muito em voga ideia da responsabilidade social empresarial. O tal projecto de gravação, uma escola financiada, uma pensão condigna, etc. - há múltiplas formas de abordar o assunto, sem que isso implique obrigatoriamente um dispêndio do orçamento estatal (sobre o qual eu, cidadão estrangeiro, não tenho muito a opinar, como é óbvio).
3. Algumas empresas patrocinaram a homenagem. De uma forma tímida. Um dos amigos de Mbande disse-me que um dos habituais grandes patrocinadores das “coisas” da cultura ofertou 200 USD. Isto demonstra (mais uma vez) que no seio das grandes e médias empresas aqui operando há uma enorme ausência de sensibilidade e conhecimento cultural. Pródigas em patrocínios, tanto mecenáticos como publicitários, nelas não se descortina uma verdadeira ideia do “como fazer”, do “que fazer”. Mostra-se, amiude, uma verdadeira ignorância nos quadros que decidem. Gastariam menos, recolheriam mais dividendos, acima de tudo estatutários e simbólicos, para não falar de comerciais, se tivessem verdadeiros assessores para estas matérias.
200 dolares para um aflito Mbande quando abundam os 500 e 1000s para as enésimas iguais exposições de pinturas de ocres e laranjas, em troca de quadros a serem amontoados em armazéns e aí esquecidos? Quando o afro-pimba é dourado em horários nobres e prémios rotundos? Alguém está enganado nestas andanças …
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Fevereiro 20th, 2008 — João Paulo, Maputo, Música Moçambique

Morreu o João Paulo. Foi-se o showman, o rasta bluesman, foi-se toda aquela atitude, suave como se imperscrutável, o rouco lento titubeando até ao palco e depois, quem diria? se não o conhecendo, a enchê-lo na voz cava, ela em tamborilar frenético. Foi-se o detachment aparente e o sor(riso) fundo no lá em cima.
Nós a deixarmos as noites correrem, num só mais um pouco, exagerando os copos, esperando-lhe as meias horas cantadas, vibrantes, também como se cínicas apesar de apaixonadas. Na paixão daquela fotogenia, na raiva do ritmo, a descortinar o que ali resistia, o tanto que se desmascarava. “Espessa é a noite”, espessa como a voz do homem, contorcida como a face do homem, sofrida como a angústia do homem. Espessa é a vida, assim mesmo. A pedir o lembrar disso, as luzes nessas noites assim alvoradas, os tons desse molde. A pedir mais um copo com o homem do voz cava e do sorriso selvagem…
João Paulo (jornal Notícias); João Paulo, no Mãos de Moçambique, João Paulo (fotos no Mãos de Moçambique). Fotografia retirada do Gil Vicente Café Bar
Dezembro 12th, 2007 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Hoje e amanhã mini Karama do Anuaril Hassanate Bairro 16 de Junho (aldeia Mesquita Gulamo), com visita do Anuaril Hassanate de Angoche. O festival na Ilha será no sábado. (que faço eu aqui?).
Novembro 20th, 2007 — Arte Moçambique, Idasse, Música Moçambique

Que fique como memória, ou para conhecimento de quem não acompanhou. No passado mês decorreu em Madrid, em organização da embaixada moçambicana local, a comemoração dos 30 anos de relações diplomáticas entre os dois países. Para a ocasião agendou-se um conjunto de actividades culturais, uma “embaixada”, na qual se inseriram a Companhia Nacional de Canto e Dança, Ghorwane, Sónia Mocumbi, José Mucavele e Wi.
Ídasse comissariou uma exposição de pintura que integrou obras de dez artistas - algumas das quais abaixo retratadas.
Diz quem acompanhou a sucessão de eventos que tudo correu a preceito. Entenda-se, agrado geral.

Agosto 10th, 2007 — Literatura Moçambique, Música Moçambique
“Atirei o Pau ao Pato”: Eduardo White , Wantsongo, Chico António e Paíto Tcheco.
CREISPU na sexta-feira , dia 10 de Agosto , pelas 19.30 horas.
Junho 4th, 2007 — Música Moçambique

(Orlando e os Kinamatha)

(Jose Mucavele)

(Hortencio Langa, Carlos Te - que cantou -, Jose Mucavele, Rui Veloso)
- Outubro 1997, Tchova Xita Duma, fotografias anonimas.

(Ze Nabo)

(Rui Veloso)
- Maio 2007, Coconuts, fotografias de Luis Abelard
Maio 1st, 2007 — Música Moçambique
Zico é um músico moçambicano, pop dir-se-ia se ainda se dissesse pop, que fez uma música sobre as “boazonas”, uma qualquer coisa como “marcham todas, pretas, mulatas, verdes, amarelas” e culminava num fantástico “
até as albinas“.
Bem, foi um fartote, o pessoal do politicamente correcto (tão voraz como em qualquer outro local do mundo, na pressa de “afirmar o certo” e com isso com pouco tempo para parar e ver) caiu-lhe em cima, protestando a desvalorização das pobres albinas, o preconceito, o etc. e tal - que me lembre nenhuma pobre alma pensou no integrativo da expressão, ainda para mais se se pensar na histórica exclusão dos albinos em tantos contextos moçambicanos. E já nem digo no expressar livre do sentir estético, que isso então teria contornos ainda mais vastos.
Hoje, refugiado lá para Goba, contam-me, enquanto se ouve, que Zico, o músico pop moçambicano, se pop ainda se dissesse, respondeu à rapaziada da justiça moral e do “sempre certo”, numa tirada de grande estilo. Pois dizem-me que saíu uma nova canção tipo “eu como todas”, sejam elas do Chamanculo, do Infulene, da Mafalala … “até da Sommerschield“. E agora, o que vão dizer os justos pensadores? Estou a gargalhar desde o almoço.
Março 12th, 2007 — Música Moçambique
Tony Cox, Passada sexta-feira, no Ka Mpfumo (estação dos CFM). Já sem hábito de ouvir/ver músicos deste quilate.
Dezembro 6th, 2006 — História Moçambique, Música Moçambique
No A Matéria do Tempo lembra-se o O Cancioneiro do Niassa, com ligações a páginas sobre o assunto.
Lembro que João Maria Pinto aqui esteve há alguns anos, poucos. Veio a convite do ACERT para o Festival de Teatro de Maputo, então apresentar o “Canções Proibidas”, o cd do Cancioneiro. E da minha sensação do tempo ter passado, do nenhum eco aqui sobre tal presença.
Outubro 12th, 2006 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Festival Cultural da Ilha de Moçambique: Tufo.


[o grande Estrela Vermelha]






[Anuaril Hassanate]

[O direito à dança - a dançarina apoiada no cajado, do Hassanate Continente, é a epítome dessa afirmação]





Outubro 12th, 2006 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Festival Cultural da Ilha de Moçambique: a tensão do olhando os outros grupos de Tufo.




Outubro 12th, 2006 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Festival Cultural da Ilha de Moçambique: esperando a actuação de Tufo.





Outubro 12th, 2006 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Produção para o Tufo: Zinha, primeira dançarina do grupo Associação Forte Amizade
Véspera:

Durante:

(Anterior actuação da Associação Forte Amizade registada aqui)
Outubro 11th, 2006 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Festival Cultural da Ilha de Moçambique: exposição-venda de artesanato.

Origem variada, dos Grandes Lagos (presença residente já referida aqui) a maconde de Nampula e, evidentemente, local. Destaco Hallu A Berta (antes Mustafa Juma), grande bordador de cofiós. Dele destaco




Hallu A Berta é também poeta, o maior letrista de Tufo da Ilha

Da sua extensíssima obra ocorre-me esta canção, feita para o grupo Beira-Mar há pelo menos década e meia, e que vem muito a propósito desta ocasião - sem que com isso queira apagar conflitos que estes eventos, e o turismo que há-de (há-de?) chegar, provocam e provocarão.
Zorrera phia zimphelia
Zinlompa pinadamo onkala etunia
Hinnho Beira-Mar nofurahia
Amaka zuwelani nihuku nalelo otikiniha makalelo
Echerehe ziniphwanhalé zinnithimaka mirima
Owá achulupale elapho zikhina
En’hipiti yotene enathithima
Nakhumaka olumbo
Nawaka mpaporo
Khumphwanha mwanaevela
Onemelale ny ekhantiero
Nhakumaka m´paporo
Khukela n’rikicho
Kiarowa nsarrero
Paketi awaka Akela nipiloto
Aphiaka ekissirwa takhua
Apazeraka oweha elapo
Yanqueliha ekhantiero
Yossunkhulo wa morcado
(Eis o que é belo neste mundo
Eis o que um homem roga acontecer dia após dia
Nós de Beira-Mar gostamos imenso
A nossa alegria de hoje é incomparável, pela vinda destes
amigos de outros países
Toda a Ilha hoje está a abalar.
Naqueles tempos, tempos que já lá vão,
quando vínhamos do continente
Lumbo, o nosso transporte principal era o paporo [rebocador]
Ao pisarmos a Ilha, avistávamos primeiramente as estatuetas
das muralhas florindo um brilhante candeeiro
Da Ilha para os vários locais viajávamos de riquixós
Quando o paquete adragava era guiado por um piloto, um
farol que piscava da ponta do Mercado Sancul)
[versão (muito) livre, sem identificação do seu autor, publicado em “A Ilha de Moçambique Pela Voz dos Poetas”, compilação de Nelson Saúte e António Sopa, Lisboa, Edições 70, 1992. Aí publicada como anónima, e então assim a receberam os compiladores, como “canção popular”, coisas do vero-velho inolhar que anonimiza os chamados poetas “populares” enquanto eleva o nome de qualquer “poeta” burguês. Coisas de muitos lugares, não-só-daqui.]
Outubro 11th, 2006 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Festival Cultural da Ilha de Moçambique.



Tufo Infantil.
Outubro 11th, 2006 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Festival Cultural da Ilha de Moçambique:
[Ghorwane]

[Mitwedjethu]

[Kapadech]