[Guillermo Fariñas, jornalista cubano em greve de fome]
Ao comparar presos políticos cubanos com bandidos o presidente brasileiro Lula não está a fazer “política real”, benfazeja aos interesses do Brasil. Está, pura e simplesmente, a mostrar a sua matriz intelectual – adversa às liberdades individuais e colectivas. O velho-marxismo totalitário. Assassino. Do racismo de Lula já se sabia, disto também, nada surpreende. O que também não surpreende é a simpatia que a personagem – e todo este repelente pacote de ideias – colhe junto desses europeus travestidos no pop-guevarismo, maquilhado em guantanamices falsas como Judas.
O Carnaval é o que se sabe. Convém lembrar, sempre, que há crianças que só por estes tempos, encontram alguma alegria nas suas vidas (in)certas. Caso deste garoto (carioca do morro), sério e compenetrado no seu ensaio carnavalesco.
Agradeço ao recém – embaixador ( ao que julgo saber, promovido há poucos dias a título póstumo!!!) V de Moraes, a frase que sustenta a fotografia e post. Muito gosto eu de dizer “post” e/ ou “posts”
Cortesia de Hollywood e por apenas cerca de cinco dólares (excluindo uma lata de Coca Cola e uma dose de pipocas) o exmo leitor pode ver a mais recente versão do fim do mundo, que é suposto ocorrer no dia 21 de Dezembro de 2012, mais ou menos daqui a três anos.
O novo filme de Roland Emmerich, que custou “apenas” 260 milhões de dólares a produzir e que dura umas quase insustentáveis duas horas e quarenta minutos de ponta a ponta, parte de bases interessantes. Uma, que é mais do estilo “voodoo”, é que o calendário da mais ou menos extinta civilização meso-americana dos Maias, e que nas contas deles indica que o mundo começou há seis mil e tal anos, acaba precisamente no dia acima referido, em resultado de algum (não confirmado) alinhamento de corpos celestes, que eles viram mas que nós hoje não descrutinámos ainda.
Outra base, também comprovada, é que em 2012 haverá um ressurgimento da actividade solar, sendo nessa altura a terra assolada por uma dose acrescida de ventos solares. Isto acontece todos os 11 anos e qualquer vulgar mortal que tenha um rádio de onda curta, opere um satélite, ou faça a gestão de uma rede eléctrica sabe isso.
Uma terceira base é que parte desse vento solar inclui umas minúsculas partículas chamadas neutrinos, que só agora andam a ser estudadas, e que têm a particularidade de poderem atravessar, supõe-se, o planeta de um lado ao outro. Neste filme, o aumento nos neutrinos “ferve” o interior da terra, causando a novimentação das placas terrestres – onde assentam os continentes.
Com esses pressupostos, temos 260 milhões de dólares de fim do mundo, desta vez à escala global, com cenas longas e chatas para entreter meninas teenager californianas e as suas congéneres no resto do mundo. Isso inclui a Califórnia literalmente cair para o mar (o que, sendo do imobiliário mais caro do mundo, dá um certo gozo ver), as magníficas pinturas de Michelangelo na Capela Sistina a desfazerem-se em pó por cima do Papa e os seus acólitos, a gigantesca cratera vulcânica que se situa no que é hoje o parque norte-americano de Yellostone a explodir, o Cristo-Rei no Rio de Janeiro a cair, Nova Iorque a ser demolida mais uma vez, e o maior tsunami na história do cinema a subir até ao pico mais alto da cadeia de Everest, no Nepal.
Isto com a habitual dose de amor, choro, baba e ranho, traição, humanidade e egoísmo que acompanham estas mega-produções.
O que trai o filme são as sequências infindáveis de cenas de perigo em que os nossos heróis (apropriadamente, uma família “moderna” – pais divorciados, o namorado da mãe a reboque, filhos parvinhos mimados e ressabiados) sucessivamente escapam por um triz à mais certa destruição. Na vida real, à primeira pedrada morremos. Mas aqui é umas atrás das outras e sempre tudo a andar. O que me surpreende, pois gastarem-se milhões e milhões em efeitos especiais para emprestar maior credibilibidade às cenas e depois fazer isto é deitar bom atrás de mau dinheiro.
Para os moçambicanófilos, há mesmo mesmo no fim do filme uma cena que não sei se devo rir ou chorar mas que é interessante. Depois de toda a hecatombe, a coisa acalma e os sobreviventes deste fim do mundo rumam, de barco, para o que consideram o lugar mais seguro e com mais chance de vida no que restou da Terra – nomeadamente, a cadeia de montanhas Drakensberg, que percorre a actual África do Sul e que acaba nos Libombos na parte Sul de Moçambique. Como o nível do oceano subiu algumas centenas de metros, no filme vê-se vagamente a maior parte do Sul de Moçambique…debaixo do mar.
Quando saí do cinema só me ria a pensar no que seria os Zulus e os Khosas, depois de aturarem 300 anos de guerras com os boers e lutarem para voltarem a ser os donos daquilo, e de sobreviverem um apocalipse…verem aparecer no horizonte três barcos cheios de gente para colonizar novamente a sua terra.
Seria Vasco da Gama all over again.
Claro que há um elemento interessante a meditar aqui. A julgar pelos apóstolos da desgraça, o mar vai subir uns cem metros nos próximos séculos. E, nesse caso, se se observar um mapa topográfico de Moçambique, o Sul do país literalmente desapareceria debaixo do mar. Para o exmo. leitor perceber o que isso significa, experimente subir ao topo do prédio de 33 andares na baixa de Maputo, que tem cerca de cem metros de altura. Olhe à sua volta e imagine o que é que significa o mar estar a essa altura.
Mas nem é preciso ir tão longe. Até ao fim deste século o mar deverá subir 1 a 2 metros. E se isso acontecer, a maior parte do caminho entre Maputo e a Ponta do Ouro – que já esteve debaixo do mar, pois aquilo é quase tudo areia da praia – será completamente inundada. A marginal de Maputo e toda a orla marítima até junto de Marracuene serão permanentemente inundadas.
Com o JPT em trânsito para a Europa e a Sra Baronesa para o seu retiro de verão em Goa, a loja ficou mais vazia esta semana.
Mas o mundo não parou. Ontem, sentado enquanto bebericava um espesso café com leite, assisti ao vivo na BBC à cerimónia de entrega, pelo Comité Nobel, do Prémio da Paz ao actual presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama.
Como muitos dos exmos leitores, cresci com os sucessivos anúncios das entregas dos prémios Nobel a uma variedade de personalidades, quase sempre tudo boa gente, merecedoras dos mais rasgados elogios, nunca deixando de achar curiosa a particularidade de ser uma prerrogativa da Suécia, um relativamente pequeno país escandinavo mais conhecido pelo seu clima inclemente, pela beleza das suas mulheres e pela qualidade dos seus automóveis (Saab e Volvo), gerir e atribuir estes prémios em relação à nata da raça humana. Fazem-no há mais que cem anos e toda a gente leva aquilo muito a sério.
Uma curta pesquisa leva-nos ao seu criador, Alfred Nobel, que na primeira chance pirou-se da Suécia e foi viver para a mais mediterrânica San Remo, com uns saltos a Paris, e ao seu testamento, onde, para além de umas massas valentes para um conjunto de pessoas de que hoje não reza a história (incluindo uns pós para os seus criados e o seu jardineiro – simpático) deixou um fundo estimado, na moeda actual, em cerca de 250 milhões de USD.
Isto supostamente porque Nobel, que enriquecera obscenamente com o negócio dos armamentos e explosivos, ficara horrorizado com a constatação do que se pensava de si quando, aquando da morte do seu irmão Ludwig em 1888, um jornal de Paris por engano ter publicado o seu obituário, intitulando-o le marchand de la mort est mort, elogiando-o mordazmente pelo seu feito de ter “encontrado melhores formas de matar mais gente mais depressa que nunca dantes na história”.
Seja como for, Nobel canalizou a maior parte do seu património para instituir os prémios (apenas cinco no início) que, depois de uma série de peripécias, começaram a ser atribuídos em 1901.
A nomeação de Barack Obama para o prémio Nobel da Paz de 2009 a meu ver só pode ser contabilizada contra o credo que Obama defende desde que decidiu concorrer para a presidência dos Estados Unidos e o que a sua eleição significou para o mundo, após dois mandatos de George W. Bush e o seu quase narcisismo nacionalista (para não falar do resto, incluindo a actual recessão). Pois que – como o próprio ocupou boa parte do seu discurso de aceitação a explicar, algo eloquentemente – nem ele tem obra feita, nem se pode omitir que é um presidente e comandante-em-chefe de um dos mais poderosos exércitos na história do mundo, envolvido em duas guerras violentas neste momento e a congeminar outras tantas.
Mais do que tudo, Obama sobressai pelos valores internacionais que defendeu – internacionalismo, cooperação, de querer tentar fazer coisas novas, de promover valores fundamentais por que, aliás, os Estados Unidos se bateram praticamente desde que ascenderam à cena internacional entre a I e a II Guerras mundiais, tais como a democracia e os direitos humanos. E uma causa relativamente nova – a preservação do ambiente.
Num mundo cada vez mais globalizado e à beira de um ataque de nervos após oito anos de Bush, ainda por cima vindo do primeiro presidente mulato de um país que até recentemente lutava contra os demónios da descriminação racial e com uma história atribulada no cumprimento da sua promessa de igualdade para todos e ascendência com base no mérito, o surgimento algo inesperado deste homem na cena internacional – um mundo cada vez mais globalizado de cidadãos não brancos, terá sido uma inspiração para muitos. Vagamente reminiscente do que foi a atribuição do mesmo prémio ao grande Nelson Mandela (conjuntamente, para quem já não se lembra, a um muito menos celebrado mas igualmente meritório Frederick de Klerk) em 1993.
Mas, convenha-se dizer, se isto fossem os Prémios MTV, Obama nesta altura teria ganho apenas o prémio “Best New Song”.
Ademais, não sei se repararam que no seu longo discurso ele não disse praticamente nada sobre o Médio Oriente, a quase permanente dor de cabeça do mundo desde que acabou a II Guerra Mundial e que promete novas violências.
Lembram-se do Filipe da Mafalda? Aquele miúdo dentuça sempre com uma enorme angústia, que odeia os trabalhos de casa e que não sabe bem como se posicionar na vida? Pois nestas questões como a dos minaretes suíços é assim que me sinto – filipovada!
Se bem entendi, o referendo foi exigido pelo Swiss People’s Party de cariz nacionalista, que vê nos minaretes “o símbolo de um crescente poder político Muçulmano que poderá um dia transformar a Suíça numa nação Islâmica” (?!?!?!). Embora tal receio me pareça absurdo e eivado de xenofobia, acho que os suíços têm o direito de terem os medos que escolheram ter. Tal como acho que têm o direito de decidir o que põem ou não põem no seu país, quer agrade ou não aos outros. A democracia tem destas coisas e ou bem que se assume que o povo sabe escolher e se consulta em eleições e referendos; ou bem que se assume que o povo pouco ou nada sabe e, portanto, ignora-se e governa-se.
Pessoalmente acho que estão a dar tiros nos pés e que os receios de hoje semeiam os terrores de amanhã. Tem JPT razão quando menciona as questões importantes que este tema levantou, mas eu continuo filipovada! O que subjaz nisto tudo é a demonização de uma religião julgada exclusivamente pela lente do fundamentalismo, da burkha e da excisão feminina. É assim como julgar o catolicismo exclusivamente pela lente da inquisição. E neste processo também nos esquecemos que nos anos 70 o terror era irlandês, alemão e italiano; e que os MacVeighs actuais são evangelistas; e que cristãos e católicos também promovem a imposição do seu credo com as suas missões. E enquanto nos vamos esquecendo disto, esquecemos os milhões de muçulmanos que connosco convivem pacificamente e que cada vez têm menos espaço para expressar a sua dissidência. E assim alegremente, de amnésia em amnésia vamos radicando e fazendo radicar identidades e alimentando o fundamentalismo que tanto criticamos e receamos.
Clamamos agora que esta proibição é um atentado à liberdade religiosa. Mas a proibição dos minaretes não se estende à proibição de mesquitas (estas sim local de culto) que, de qualquer forma, já existem mesmo sem minaretes. E que, a proibição da construção de minaretes não implica a interdição da liberdade de culto que, neste caso, se pratica na mesquita e não no dito minarete. Minarete esse que nem existia nas mesquitas primordiais e continua a não existir em muitas das mesquitas modernas. Aliás a função do minarete é proporcionar um ponto alto de onde se possam chamar os fiéis para as orações. Assim como os campanários e os sinos nas igrejas de outras denominações religiosas e que em Portugal, por exemplo, tanta arrelia têm dado em certas freguesias. Gente haveria que certamente até votaria contra a existência dos campanários e dos sinos, houvesse ele um referendo semelhante em Portugal. E fosse ele assim, queria ver se a ONU e as Amnistias e os iluminados deste mundo também se pronunciariam sobre a intolerância das nossas beatas ou dos nossos médicos. Mas isto sou eu, claro!, que até sou parcial porque se me perguntassem, preferia mil vezes ser acordada pelo muezzin com a chamada do Ezan do que com o Ave-Maria fanhoso que pontua as badaladas horárias dos campanários das nossas igrejas:
Não sei quem são os dissidentes, críticos, apoiantes, delatores ou promotores deste debate do achobem/achomal, mas vistas bem as coisas apetece-me perguntar: “anda tudo parvo?” Desde quando é que a empena de um templo equaciona liberdade religiosa?
Quanto ao referendo, acho que os Suíços estão de parabéns! Parece-me muito bem que se façam referendos mesmo para questões que possam ser consideradas triviais; sempre é melhor que ir-se reduzindo a cidadania e a participação democrática ao acto eleitoral. E achava muito bem que por aqui se fizesse um referendo sobre a construção da bendita igreja do Restelo, cujo design me parece mais apropriado para um casino temático em Las Vegas, sei lá, com o nome de Noah’s Flood ou Biblical Waters, ou qualquer coisa no género. Senão soubesse melhor, diria mesmo que o projecto teria sido concebido pelo Sol Kerzner na ressaca de um episódio epifânico. Mas hey!, isto sou só eu; pelos vistos há quem goste! E já agora, o que está planeado para aquele campanário que tão alto se elevará sobre Lisboa? Uma aparelhagem capaz de atirar decibéis até Moscavide? E não acham que o campanário até parece um minarete disfarçado? Será que vem aí uma conspiração de surdos ou estará aqui o símbolo de um ecumenismo incipiente?
PS: Não querendo estragar a festa de anos da Maschamba tinha agendado este post, tendo-me esquecido no processo da diferença horária. Por lapso o post acabou por ser publicado ainda estava eu a editá-lo, facto para que fui alertada por ABM. Está agora acabado. Portanto, se já viu este post por aqui ligeiramente diferente não foi um poltergeist que invadiu o seu computador.
Há muitas reacções sobre o assunto. Algumas laudatórias e/ou contextualizadoras. Outras, a maioria, críticas da intolerância revelada. Não posso deixar de opinar sobre o que acho mais interessante deste episódio: mais uma vez são exactamente os sectores euro-ocidentais mais intolerantes para com a “cultura” euro-ocidental que mais defendem a tolerância para com a “cultura” exo-euro-ocidental.
Um paradoxo nada simples? Nem tanto, apenas a perenidade do “remorso do homem branco”. Em plena era neo-comunista, com todas as suas necessárias reformulações.
Sobre a tolerância democrática? A liberdade de culto religioso? O processo histórico que os originou? Os processos de formação e reprodução das identidades culturais e fisionomias políticas? Tudo questões importantíssimas. Mas questões a abordar independentemente dessas vertentes. Porque elas são, pura e simplesmente, poluentes. Nascidas e ornamentadas do culto contra a tolerância e a liberdade. Apesar das retóricas.
(por AL deprivada de sono e inspirada pelo The Independent em 24 Nov 2009) –
Foi o Reino Unido abalado há uns meses pelo chamado escândalo das despesas dos membros do Parlamento. Basicamente alguns destes terão abusado do sistema vigente, concebido para compensar os deputados britânicos de despesas incorridas enquanto no desempenho das suas funções.
Embora a maioria não tivesse cometido ilegalidades no sentido restrito do termo e tivesse reclamado despesas a que, em princípio, teriam tido direito, o que escandalizou e chocou a opinião pública foi a forma como esse direito foi distorcido para poder ser exercido. Deputados que, por exemplo, passaram a reclamar como residência principal uma localidade fora de Londres para assim poderem reclamar despesas de deslocação e alojamento. Ou que, como menciona o artigo cujo link aqui se fornece, não tenham na realidade ficado em hotéis mas sim em casa de amigos. E como souberam os eleitores de tais semi-legalidades (termo adorável!)? Através da publicação on-line no site do Parlamento das reclamações dessas mesmas despesas, claro! Enfim, coisas de anjinhos…
A crise institucional foi enorme e levou ao estabelecimento de uma comissão de supervisão e reforma do regulamento das despesas. Originou ainda um inquérito judicial que culmina agora, ao que parece, na recomendação para que certos deputados sejam criminalmente imputados. Deveriam talvez vir fazer uns estágios aqui para os lados de S Bento e aprendiam logo a cortar o mal pela raiz: arranjavam uns jornalistas dispostos a levantarem suspeitas de manipulação nos registos electrónicos das despesas por uma, sei lá, mão oculta; questionavam a legalidade da publicação das despesas num site público (sim, que o povo é ingrato!); criticavam veladamente e de mansinho o colectivo por comportamentos “menos correctos” (como fizeram com os que gostam muito de ir ao Dubai); faziam umas ligeiras alterações aos regulamentos vigentes e, mais importante ainda, passavam a proibir a publicação das despesas dos deputados. Enfim, estes britânicos não passam de uns amadores!
O Nobel da Literatura não foi para Roth – múltiplos cultos bloguistas se agitam pois “Roth não é vencedor apenas porque é americano”, maldita política, maldita ideologia. No dia seguinte o Nobel da Paz foi para Obama – múltiplos cultos bloguistas se agitam pois “Obama é o vencedor apenas porque é americano”. Raios partam … os múltiplos cultos bloguistas.
(Modifiquei o texto, amputando-lhe o que não é realmente importante) Escolhida que foi a sede dos Jogos Olímpicos sucedeu-se o júbilo. Primeiro ponto, e aí estou de corpo e alma, a virulenta canelada no infecto obamismo que a imbecilidade racista vem agitando nos dois últimos anos. Aleluia! Depois, bi-aleluia, viva a lusofonia – nossos “irmãos” brasileiros acolherão o mundial do futebol e as olimpíadas, e aí estou sem corpo nem alma. E, num terceiro aleluia, é o crescendo sul, o crescente sul. E aqui estou a rir-me do sulismo desnorteado.
O quarto aleluia, o meu aleluia, é que esta olimpíada pode fazer lembrar que o regime corrupto de Lula da Silva é grande incentivador – tal como anteriores títeres de Brasília – do abate amazónico. Sim, eu sei que a culpa é do Grande Capital. Mas como eles, os lulas, D’ele recebem jorna, pode ser altura para a gente lembrar isto. Sempre são as epistemologias do centro. Perdão, da humanidade.
(Transcrevo abaixo, para arquivo, pois estas ligações tendem a ser perecíveis):
“Tengo la impresión de que cada vez que los países caribeños y latinoamericanos se reúnen con el presidente de los Estados Unidos de América, es para pedirle cosas o para reclamarle cosas. Casi siempre, es para culpar a Estados Unidos de nuestros males pasados, presentes y futuros. No creo que eso sea del todo justo.
No podemos olvidar que América Latina tuvo universidades antes de que Estados Unidos creara Harvard y William & Mary, que son las primeras universidades de ese país. No podemos olvidar que en este continente, como en el mundo entero, por lo menos hasta 1750 todos los americanos eran más o menos iguales: todos eran pobres.
Cuando aparece la Revolución Industrial en Inglaterra, otros países se montan en ese vagón: Alemania, Francia, Estados Unidos, Canadá, Australia, Nueva Zelanda… y así la Revolución Industrial pasó por América Latina como un cometa, y no nos dimos cuenta. Ciertamente perdimos la oportunidad.
También hay una diferencia muy grande. Leyendo la historia de América Latina, comparada con la historia de Estados Unidos, uno comprende que Latinoamérica no tuvo un John Winthrop español, ni portugués, que viniera con la Biblia en su mano dispuesto a construir “una Ciudad sobre una Colina”, una ciudad que brillara, como fue la pretensión de los peregrinos que llegaron a Estados Unidos.
Hace 50 años, México era más rico que Portugal. En 1950, un país como Brasil tenía un ingreso per cápita más elevado que el de Corea del Sur. Hace 60 años, Honduras tenía más riqueza per cápita que Singapur, y hoy Singapur –en cuestión de 35 ó 40 años– es un país con $40.000 de ingreso anual por habitante. Bueno, algo hicimos mal los latinoamericanos.
¿Qué hicimos mal? No puedo enumerar todas las cosas que hemos hecho mal. Para comenzar, tenemos una escolaridad de 7 años. Esa es la escolaridad promedio de América Latina y no es el caso de la mayoría de los países asiáticos. Ciertamente no es el caso de países como Estados Unidos y Canadá, con la mejor educación del mundo, similar a la de los europeos. De cada 10 estudiantes que ingresan a la secundaria en América Latina, en algunos países solo uno termina esa secundaria. Hay países que tienen una mortalidad infantil de 50 niños por cada mil, cuando el promedio en los países asiáticos más avanzados es de 8, 9 ó 10.
Nosotros tenemos países donde la carga tributaria es del 12% del producto interno bruto, y no es responsabilidad de nadie, excepto la nuestra, que no le cobremos dinero a la gente más rica de nuestros países. Nadie tiene la culpa de eso, excepto nosotros mismos.
En 1950, cada ciudadano norteamericano era cuatro veces más rico que un ciudadano latinoamericano. Hoy en día, un ciudadano norteamericano es 10, 15 ó 20 veces más rico que un latinoamericano. Eso no es culpa de Estados Unidos, es culpa nuestra.
En mi intervención de esta mañana, me referí a un hecho que para mí es grotesco, y que lo único que demuestra es que el sistema de valores del siglo XX, que parece ser el que estamos poniendo en práctica también en el siglo XXI, es un sistema de valores equivocado. Porque no puede ser que el mundo rico dedique 100.000 millones de dólares para aliviar la pobreza del 80% de la población del mundo –en un planeta que tiene 2.500 millones de seres humanos con un ingreso de $2 por día– y que gaste 13 veces más ($1.300.000.000.000) en armas y soldados.
Como lo dije esta mañana, no puede ser que América Latina se gaste $50.000 millones en armas y soldados. Yo me pregunto: ¿quién es el enemigo nuestro? El enemigo nuestro, presidente Correa, de esa desigualdad que usted apunta con mucha razón, es la falta de educación; es el analfabetismo; es que no gastamos en la salud de nuestro pueblo; que no creamos la infraestructura necesaria, los caminos, las carreteras, los puertos, los aeropuertos; que no estamos dedicando los recursos necesarios para detener la degradación del medio ambiente; es la desigualdad que tenemos, que realmente nos avergüenza; es producto, entre muchas cosas, por supuesto, de que no estamos educando a nuestros hijos y a nuestras hijas.
Uno va a una universidad latinoamericana y todavía parece que estamos en los sesenta, setenta u ochenta. Parece que se nos olvidó que el 9 de noviembre de 1989 pasó algo muy importante, al caer el Muro de Berlín, y que el mundo cambió. Tenemos que aceptar que este es un mundo distinto, y en eso francamente pienso que todos los académicos, que toda la gente de pensamiento, que todos los economistas, que todos los historiadores, casi que coinciden en que el siglo XXI es el siglo de los asiáticos, no de los latinoamericanos. Y yo, lamentablemente, coincido con ellos. Porque mientras nosotros seguimos discutiendo sobre ideologías, seguimos discutiendo sobre todos los “ismos” (¿cuál es el mejor? capitalismo, socialismo, comunismo, liberalismo, neoliberalismo, socialcristianismo…), los asiáticos encontraron un “ismo” muy realista para el siglo XXI y el final del siglo XX, que es el pragmatismo . Para solo citar un ejemplo, recordemos que cuando Deng Xiaoping visitó Singapur y Corea del Sur, después de haberse dado cuenta de que sus propios vecinos se estaban enriqueciendo de una manera muy acelerada, regresó a Pekín y dijo a los viejos camaradas maoístas que lo habían acompañado en la Larga Marcha: “Bueno, la verdad, queridos camaradas, es que mí no me importa si el gato es blanco o negro, lo único que me interesa es que cace ratones” . Y si hubiera estado vivo Mao, se hubiera muerto de nuevo cuando dijo que “ la verdad es que enriquecerse es glorioso ”. Y mientras los chinos hacen esto, y desde el 79 a hoy crecen a un 11%, 12% o 13%, y han sacado a 300 millones de habitantes de la pobreza, nosotros seguimos discutiendo sobre ideologías que tuvimos que haber enterrado hace mucho tiempo atrás.
La buena noticia es que esto lo logró Deng Xioping cuando tenía 74 años. Viendo alrededor, queridos Presidentes, no veo a nadie que esté cerca de los 74 años. Por eso solo les pido que no esperemos a cumplirlos para hacer los cambios que tenemos que hacer.
Estava em férias e não li na altura, só hoje. Aqui fica o discurso de Obama no Gana, para consultas futuras. É um discurso presidencial. Mas é bem mais do que isso.
Há alguns meses a propósito dos atentados em Bombaim (Mumbai, como lhe chamam os fundamentalistas) o Lutz transcreveu um texto [via Os Tempos Que Correm] sobre os incidentes, da autoria de Suketu Mehta. Trocámos desacordos e eu lembrei-me de um belo texto de Mehta exactamente sobre os conflitos político-religiosos daquela região ["Mumbai", em Granta, nº 57, "India! The Golden Jubilee", 1997, pp. 97-126]. É uma reportagem reflexão muito esclarecedora. Mas, fundamentalmente, tem um fortíssimo e esperançoso final. Fica a transcrição:
Jantar com amigos, é a data que o convoca. Chegados, eles. Esforçada a mesa, em comes e bebes, o melhor que sabemos. E conversa variada, intensa e saltitante. Súbito – e por causa de quem por cá há pouco passou – meio minuto desse playoff mccain-obama, coisa breve a provocar-me como se fosse eu responsável pelo que cá passa num inquiritivo “Então e tu?”. Não sou americano, gosto (continuo a gostar) dos rolling stones, estou-me a cagar, e até no pop sou mais brit. E a isso tudo, que a idade provoca, prefiro jazz. “Tá bem, mas e tu?” a insistência a ver do (falso) cosmopolitismo. Ok, (um “foda-se!” que não o disse, estamos à mesa) “Internacional Socialista nunca“, venha o mccain.
A meu lado, ombro-a-ombro pois em mesa congestionada, uma boa amiga olha-me espantada, arregala os olhos nisso, perpassa-lhe a velha sombra da inferioridade moral alheia, que logo afasta em sorriso doce, imagino-lhe o “brincalhão!” se dominasse o português como nós.
Como explicar a este/as bela/os excitado/as que não será a merda de umas eleições americanas a destroçar a minha cosmologia. Ide, laicos, vítimas da moda.
(outro “rascunho” já antigo, coisa de uma exposição vista no Natal passado em Lisboa – que ainda assim coloco pois entrada prometida a alguns alunos, e se calhar por isso o tom um bocadinho pedagógico, até irritantemente pedagógico, noto agora no post-post)
Exposição sobre a Arte Islâmica, problematizando a pertinência da utilização desta denominação, tamanha a variedade de contextos históricos, artísticos, geográficos que nela se agrega, eurocentricamente [cristamente]. Em si a exposição (não o catálogo, muito interesante) é um pouco palavrosa, defeito não só do didáctico-problematizador, mas também de um trago de actualidade ideológica que a atravessa. Ainda assim é de visitar a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves (Lisboa, na Av. Fontes Pereira de Melo) e comprar o catálogo.
“Trago de actualidade ideológica”? Com efeito, por mais interessante que seja a questão da representação antroponómica nas artes dos contextos islâmicos e, muito em particular, a do profeta Maomé, esta problemática surge não diria desgarrada mas obviamente ligada à questão relativamente recente das “caricaturas dinamarquesas”, dando alguma estranheza (em meu modesto entender) ao conjunto exposto.
["Maomé com os Seus Netos na Mesquita"; "Fiéis Num Pátio" (da direita para a esquerda) - Ilustrações do Baharistan de Jami. Aguarela opaca, tinta e ouro sobre papel (33 cm de altura X 20 cm de largura), Uzebequistão Shaybanida, Bucara, completado em 1547-1548]
Estas representações iconográficas (ainda por cima em plena mesquita) – pertença do Museu Calouste Gulbenkian -, aquilo a que um leigo poderá chamar “arta sacra islâmica” são irresistíveis para um argumento. O do caracter construído de todos os dogmas, em especial daqueles que surgem como dotados de fundamentação sagrada ou absoluta. E de como eles são meras opções (mas não por isso ilegítimos) numa história sempre contraditória. E que a escolha racional de os respeitar significará, sempre e obrigatoriamente, o complemento do conhecimento da sua formulação.
Reparei devido à azáfama na rua. Isto de cada vez ler menos jornais e revistas e de ver ainda menos telejornais é uma realidade. Mas está visto, não dá para me fiar só no “rol d’ elos” – uma “blogosfera” [aderi ao epíteto] lusa tão atenta às “palinadas”, às crises, à globalização, às grã-causas, e tantas outras coisas, e nem uma nota, um “postito”, sobre estas coisas do Sul-Sul e isso.
É só escolher o calendário litúrgico, o rito e o anacronismo a que se quer aderir. Ou a ambos, já agora.
(Não deixa de ser interessante que para além da Igreja e do Estado haja também Empresa a dizer-me a que memória devo dedicar um pouco deste meu (dia-a-)dia. Não é pior nem melhor, é mesmo também).
1. Sim, tem toda a razão, a ocupação do Tibete não deve ser secundarizada só por alguma irritação bloguística. A esse respeito eu gosto desta entrada – passe o blogocentrismo.
2. A aproximação dos Jogos Olimpicos é uma boa época para a protestar. Cada indivíduo no seu modesto blog pode dar o seu contributo para apelar à atenção generalizada sobre o assunto. É legítimo, é digno. Mais, irrita-me o tão típico blaseísmo lisboeta do “não me estraguem os jogos olímpicos” (que li num blog que não recordo agora – bastaria um googlar para o esclarecer, mas para quê se tão típico é da “pequena-direita” pós-Independente?).
3. Acho exemplar sobre o bloguismo português politizado, sempre tão rápido no teclar sobre tanta micro-causa (como em tempos se disse) e querelas da “agenda política”, que não se tenha globalmente irado – como agora o vai fazendo – quando o poder português foi à China contribuindo à sua escala para a legitimação da ocupação colonial. Um apoio político ao poder colonial de Pequim. E isto não esquecendo que o PS de Sampaio - indivíduo agente de tal atitude abusiva da legitimidade constitucional que o ancorava, acto ao qual passou politicamente incólume - reclamava alguma identidade histórica e ideológica no discurso anti-colonial, (ainda que nunca tenhamos ouvido o político Manuel Alegre lembrar-se do poeta Manuel Alegre, criticando a posição ideológica do seu partido quando no poder – nem a maioria dos seus blogoapoiantes, sempre tão rápidos no afixar de dísticos de apoio. E tiveram uma campanha presidencial inteira para o fazer …).
Silêncio mais estranho ainda nas forças políticas que não apoiavam Sampaio – talvez pela estapafúrdia situação de que o Presidente da República não é tão criticado como outros políticos, dada a habitual e ignara confusão entre “representante” do país (“Nação”, no velho jargão) e “símbolo” do país (idem).
Ou seja, a II República recente (pós-Macau) que descolonizou apoia um regime colonial e o país (político e blogopolítico) nem repara no contrasenso.
4. Não me surpreende muito o silêncio moçambicano face aos actuais regimes coloniais. Não tanto, ou fundamentalmente, pela leveza contabilística da política externa chinesa. Mas sim pela presença da velha noção do “inimigo principal” – o “Ocidente”, neste caso. Pobre meio de entender. Forte meio de incompreender. Ainda mais forte meio de sossegar.
5. Cada um bloga como quer. E se se bloga reactivamente ao que se vai passando no mundo ainda bem que se reage a uma causa eminentemente justa. Mesmo que daqui a uns meses tantos desses mesmos estejam grudados na televisão a impregnar-se dos anunciantes que pagam os JO de Pequim.
6. Ainda assim é-me fastidioso o clicar para encontrar a “onda” do dia ou da semana. Ainda mais quando a encontro no ma-schamba. Que tantas vezes está nesse saco.
“Ai, Tibete“, canta-se no bloguismo português – os tantos bloguistas portugueses que nada disseram quando o Presidente português Sampaio se foi curvar a Pequim (parece que agora tem grafia diferente) – então demonstrando como o líder estudantil de 61 se tornou num mísero PS com o passar das décadas. Esses tantos bloguistas portugueses (em particular os socialistas, sempre capazes das maiores tropelias teclísticas em que nada, salvo a um ou outro barbeiro, os faz corar) que tão nada disseram quando o seu governo foi lá proclamar a mão-de-obra barata em Portugal – ou se o disseram foi por bem outras razões mais patrioteiras. “Ai, Timor“, perdão, “Ai, Tibete“, cantam agora em orgasmos de teclas – as putas portuguesas estão no cais do sodré, no técnico, nas casas de alterne e isso. Nunca, “ai timor“, perdão, “ai tibete” nas teclas (isto baixa-te os links, ó jpt)
“Ai, tibete” não se canta no bloguismo moçambicano – muito anti-colonialista, vs. as imposições portuguesas do passado tal como contra as os tugas de hoje (a palhaçada da “reversão” de cahora-bassa é um mero exemplo semântico da ignorante tresleitura ideológica da história, coisa de trazer por casa), e as neo-coloniais de hoje, europeias, britânicas, americanas (ditas “breton woods” pelos mais marxistas). Nunca, sublinho, nunca ouvi um anti-colonialista moçambicano falar do Tibete, nem os velhos da frelimo de 60s (alguns até escrevem livros para elogiar a China, imagine-se), nem os de hoje da alter-globalização … As putas moçambicanas, dizem, estão na Bagamoyo (até comentadores execráveis o dizem). [isso baixa-te os links, ó jpt]
“Ai, timor“, perdão “ai, tibete!” – esta merda de pensar é só por modas? ou por períodos, daqueles sanguinolentes, femininos? ditos “luas” pelos pobres líricos …
Vou ali beber um whisky – acho que os jogos olímpicos foram escolhidos há uns anos, poucos resmungaram – nem os socialistas bem-pensantes tugas nem os seus críticos, nem os camaradas da frelimo nem os seus críticos - que os chineses passam cheques sem os pruridos contabilísticos dos europeus, não esqueçamos. Vou ali beber um whisky, e fumar uns cigarros.Na Bagamoyo, no Cais do Sodré. Entre gente séria (isso baixa-te os links, ó jpt). Entre gente.
Um tipo mete uma peça no blog, apoia uma causa, fica contente, a mulher vem ler sobre o seu ombro e beija-lhe a testa, os filhos sabem que têm um pai que é homem decente, no emprego há até quem leia os seus devaneios, um amigo ou outro comenta-lhe com apreço (“li a tua coisa sobre a china” ou “a birmânia” ou “cuba” ou “o bush” ou “etc e tal”), os bloguistas companheiros “linkam-no” – é porreiro ter um blog!
[1; 2; 3; 4; 5; 6; 7; 8] – entre Fevereiro e Agosto de 2004 foram pelo menos estas as entradas que o pretencioso bloguista do Ma-schamba dedicou à situação em Darfur. Pelos vistos não resolvi a questão
Mas é claro como petróleo, “oil”. É que são pretos os que morrem no Sudão.”. Se cume desse concentrado de ingenuidade vaidosa, se única coisa certeira, não sei.
Sei que não me lembrei de escrever ao(s) meu(s) ministro(s). Bloguei …