Entries Tagged 'Maputografia' ↓


Cidade e Tecnologias de Informação Geográfica em Contexto Africano: modelação das transformações de uso do solo em Maputo”, um trabalho de Cristina Delgado Henriques, base da sua tese de doutoramento, foi ontem apresentado.Para quem quiser apreender um pouco mais sobre a utilização populacional do Maputo, e do como este vem sendo moldado nas últimas décadas - no seio, como frisa a autora, de uma radical desregulamentação implanificadora - aqui se deixa o sítio da autora, onde também abunda iconografia (mapas e fotografias) da cidade: Cristina Delgado Henriques.

Quarta-feira, dia 28 de Novembro, às 18 horas, no Instituto Camões, uma conferência: “Cidade e Tecnologias de Informação Geográfica em Contexto Africano: modelação das transformações de uso do solo em Maputo“, por Cristina Henriques, da Faculdade de Arquitectura de Lisboa. Mais um bom exemplo do regresso ao local para apresentar os frutos do trabalho realizado, neste caso inserido num amplo processo de doutoramento.

120 anos da cidade Maputo

Para além do feriado (ainda que sábado) uma boa forma de hoje comemorar os 120 anos da cidade será olhar este interessantíssimo estudo

[António Sopa, Bartolomeu Rungo, Maputo-Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade, Centro de Estudos Brasileiros, 2006, 56 pps.]

O livro foi realizado em 2005, para a produção das exposições “Xilunguine, as origens da cidade” e “Percurso histórico da cidade de Maputo”. Vasta iconografia, percorrendo as origens da povoação, passando pelo seu traçar colonial, até, e aqui muito se saúda, ao desenvolvimento do além-cimento. A cidade mesmo, sem os espartilhos conceptuais, conservadores - e quantas vezes saudosistas - de outras abordagens iconográficas.

(c. 1880)

(1960-1970)

(1996)

Como Era Lourenço Marques Há 50 Anos

“Como era Lourenço Marques há 50 anos”, memórias do colono José Correia da Veiga apresentadas pela mão do jornalista A. Rosado. Fotos de Louis Hilly, Lazarus, e do dr. Ângelo Ferreira. Uma edição de 1949 - portanto remontando à Lourenço Marques do início de XX - do jornal “Notícias”, integrada na série “As Grandes Reportagens do Notícias”. O livro é composto por um conjunto de textos inicialmente publicados no jornal.

Um detalhe sobre o início da cidade colona, arquitectura e vida nos finais do século XIX e alvores de XX. Pena que a impressão das várias fotos seja frágil, o que obsta à sua reprodução aqui. Aqui fica memória do início da cidade automobilizada.

O início da cidade colonial, um retrato da sociedade à época. E ainda presente a iconografia da conquista. Eis um grupo de cidadãos integrantes de uma “legião estrangeira defensores da cidade contra o Gungunhanha“. Nele pontifica o fotógrafo Louis Hilly (1º à esquerda), pelo que presumo que a fotografia seja um auto-retrato encenado, ou gostaria que assim fosse.

Daí que aqui fica pois os fotógrafos, tal como os vencidos, quase nunca são (re)vistos.

(entrada repetida, colocada em Maio de 2004)


Sobre esta edicao da Escola Portuguesa de Mocambique aqui deixei nota. Entretanto a directora da Escola, Albina Santos Silva, nela deixou comentario, informando ainda da segunda edicao de tal publicacao e, inclusive, reproduzindo o prefacio da obra. Agradeco a simpatia. E quando encontrar a nova publicacao logo aqui darei conta.

A Toponímia de Origem Portuguesa na Cidade de Maputo

A Toponímia de Origem Portuguesa da Cidade de Maputo. Alguns Apontamentos”, uma publicação da Escola Portuguesa de Moçambique, produzida pelo seu Centro de Recursos Educativos (2007).

Uma pequena edição, com alguns desenhos panorâmicos de Judite dos Santos (a lembrarem a célebre obra de Dana Michaelis) enquadrando o levantamento fotográfico das placas toponímicas de origem portuguesa em parte da cidade de Maputo.

O projecto tem interesse, mas a sua concretização ficará um pouco aquém das expectativas, de uma verdadeira contribuição para a maputografia. Certo que se está face a uma edição modesta, e resguardada como “alguns apontamentos”, e talvez se possa esperar que seja trampolim para um futuro desenvolvimento.

Alguns pontos de tristeza. Acima de tudo a definição do que é toponímia portuguesa, algo ligado a uma estreita definição do que é a cidade – por exemplo o Bairro do Jardim, com o seu quadriculado de nomeação vegetal é típico efeito de uma concepção urbanística da época (o “ajardinado”) e surge esquecido, porventura porque exógeno ao “cimento nobre” urbano.

Assim sendo fica o livro preso à apresentação fotográfica, pobre, de placas toponímicas apresentando nomes portugueses, eventos e personagens, por vezes instituições, mostra que se torna desinteressante, estética e historicamente. Interessante seria complementar cada conjunto de nomeações com algum enquadramento histórico, não tanto de meia dúzia de personagens ou eventos mais célebres (e alguns de sobrevivência pós-nacional curiosa) – e neste caso até seria mais interessante referir personagens menos célebres, para sua “apresentação” aos munícipes -, mas sim dos processos municipais que conduziram a específicas ondas toponómicas porventura associados a processos de formulação identitária lourenço-marquina e a características específicas dos responsáveis à época (como por exemplo as manchas no “bairro dos cronistas”, no “bairro dos reis”, na Malhangalene, etc.), bem como às já referidas concepções urbanísticas vigentes, para além das características sociológicas dos povoamentos. E isso poderia ser (e isto sem a arrogância de dizer aos colegas da Escola o que fazer com os alunos, era o que faltava, é mera ideia companheira) articulado por alunos. Penúltimo ponto de tristeza, e este a extravasar o livro, relaciona-se com o texto, da sua incapacidade de sair de casa. Não quero parecer policiesco, e se calhar estou a ser injusto para com uma publicação simpática, mas ler, aqui e hoje, sobre Fátima (a propósito da Rua de Fátima) que “Paulo VI, em 1967, e João Paulo, em 1982, vieram em peregrinação a Fátima …” faz-me um pouco de confusão. Confesso que carinhosa. O que é capaz de ser pior.

Finalmente, lamento mas não encontrei (meu defeito?) a placa da Rua Vianna da Mota (à 24 de Julho, cerca da Interfranca). Não que aqui critique, que o livro não tem a obrigação de ser exaustivo – mas esta era uma boa altura para lembrar que enquanto a TAP apagou do seu avião o nome do último aluno de Lizt, trocando-o pelo do King Eusébio (que tudo merece, mas talvez não à custa de um Eusébio artístico), Maputo manteve a sua memória - talvez por razões outras, mas isso é para uma história da toponímia moçambicana.

Carlos Alberto


Deste “Recordações de Lourenço Marques”, livro de fotografias de Carlos Alberto Vieira (Lisboa, Alêtheia, 2005) sobre a Lourenço Marques colonial (imagens recolhidas entre 1945-1975), já o Eduardo Pitta disse de sua justiça. Um álbum pobremente editado. (Convém mesmo ler o texto de EP). Apenas sublinho o penoso que é ler o seu preâmbulo, redacção chorosa que desmerece o património fotográfico que se lhe sucede.
Ainda assim o livro chegou às livrarias, está aí à venda, e justifica-se. Uma memória da cidade e de um grande fotógrafo. A Lourenço Marques branca ali deixada. E, assim, também memória de um olhar. Delimitado e delimitador. Coisa do seu tempo? Decerto, mas se então total espartilho do fotógrafo se hoje dos actuais organizadores, apenas “recordando”, não o sei.

Em 167 páginas (as fotografias não estão nem datadas nem numeradas) realça-se a total ausência da outra Lourenço Marques, a não-branca. Do “todo o resto”, como se então insignificante, sobra esta (pobre) fotografia e uma vista aérea de um trecho de caniço. Mas também muito pouco surge para além do registo do centro típico, paisagístico, monumental. Ou seja, a cidade-burguesa, o cerimonial oficial, o cartaz turístico/identitário, muito “aqui também é Portugal” - tudo isso é interessante, muito interessante mesmo, fundamental para quem quer conhecer ou recordar. Mas terá sido só isso que Carlos Alberto recolheu na cidade? Onde andarão fotos de Malhangalene ou Alto-Maé, p.ex.? Pois assim a sociedade branca (e o seu urbanismo) está também ausente do livro - é uma recorrente cosmética, a sociedade colonial como se homogénea: o idílico colono, em tons “africanos”, desprovido de conflitos, hierarquias e diferenças. Elucidativo da lente. Repito, se de então se de hoje fico na dúvida. Esta causada pelos estreitos critérios de selecção de fotografias e/ou por inexistência de texto explicitando que critérios assumidos e enquadrador, tanto da obra do fotógrafo como da agora selecção realizada.

Maputografia


[António Sopa, Bartolomeu Rungo, Maputo-Roteiro Histórico Iconográfico da Cidade, Centro de Estudos Brasileiros, 2006, 56 pps.]

Surpresa, a edição deste interessantíssimo livro (a muito contrastar com o habitual desprendimento de um dos autores num “tenho aqui um “folheto” para si”!!!) que julgo ainda não distribuído. O livro é fruto do trabalho realizado no ano passado, então destinado às exposições “Xilunguine, as origens da cidade” e “Percurso histórico da cidade de Maputo”. Vasta iconografia, percorrendo as origens da povoação, passando pelo seu traçar colonial, até, e aqui muito se saúda, ao desenvolvimento do além-cimento. A cidade mesmo, sem os espartilhos conceptuais de outras abordagens iconográficas.

(c. 1880)

(1960-1970)


(1996)

Maputografia

Aqui transcrevo artigo publicado no jornal Domingo (19 de Março de 2006), uma extrema peça de maputografia, da autoria de Guilherme Cabaço.

Restaurante Costa do Sol: história, respeito e carinho



Edifício Capitania, Lourenço Marques

Um belo postal, não-identificado. Anterior a 1911, como se reconhece pela inscrição manuscrita. Uma bela oferta do Marco. O qual se apresta para proporcionar grandes surpresas (e prazeres) aos leitores de blogs. Fico à espera.

Adenda: Machado da Graça acaba de deixar comentário a corrigir imprecisão, o qual aqui coloco pelo seu interesse: “O edificio chamava-se Predio Capitania mas creio que apenas por ser perto da dita cuja. Não creio que esses serviços alguma vez lá tenham funcionado. A sua última utilização, se bem recordo, foi como “casa de meninas“.”

O Balcão

O edifício dos Correios de Moçambique, na 25 de Setembro, é um dos mais antigos de Maputo. Brilha numa Baixa algo descaracterizada nas últimas décadas e que actualmente sofre alguma desqualificação, talvez inexorável, pois o centro da cidade dela se vai afastando. Até ao longo da própria avenida, algumas centenas de metros apenas, com a zona da FACIM animada durante os últimos anos por via de novas construções de uma arquitectura anódina.


Também por isso a manutenção do edifício dos Correios, bem como o muito similar que alberga a Biblioteca Nacional, assume particular importância, a preservação de uma memória arquitectónica, de uma identidade histórica da cidade.

Mas para além disso a sede dos Correios tem uma componente belissima. A sua enorme sala de atendimento é ladeada por dois antigos balcões em madeira, peças únicas e que lhe dão um insubstituível carisma.

Pois soube-se agora que uma parte de um dos balcões vai ser removido para possibilitar o acesso a uma sala pública de internet, a instalar.

O pressuposto é óbvio. Há a consciência da importância histórica, e até da beleza dos balcões. E da importância da sua manutenção. Mas esta não implica a sua completude. Ou seja, a ideia de que o património (identitário) se mantém ainda que fragmentário. Um compromisso letal, que assume a parcela como a coisa-em-si. Compromisso que não sente a estética, que não entende a função. Compromisso que desvaloriza os itens a preservar e que, em última instância, os condena ao desaparecimento, num futuro dia em que serão desvalorizados porque inúteis e, exactamente, fragmentários.

Pois um diferente, e mais esclarecido, entendimento do que é uma peça patrimonial poderá salvar a integridade destes balcões. Que um dia poderão orlar uma sala de visitas ou até núcleo museológico dos correios moçambicanos. Que por enquanto aconchegam e servem os utentes.

Os correios têm instalações amplas. Decerto que com alguma imaginação poderão encontrar uma opção, fácil e barata, para outra via de acesso à muito bem-vinda sala pública de internet.

Consta que nos finais dos anos 1980s houve um projecto de remoção destes balcões. Então os alunos de Arquitectura intervieram, assumindo a sua manutenção como causa. Será que os arquitectos de hoje e alunos de ontem ainda terão tempo e paciência (e energia) para colaborar numa outra solução?

Maputo. Desenrascar a Vida


Nelson Saúte (org.) Maputo. Desenrascar a Vida, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses / Ndjira, 1997

Confesso que por este livro tenho um particular carinho. 123 fotos que nos dão o Maputo que vive, que se “desenrasca” claro está. Uma cronologia da cidade dada pelo António Sopa. Belos textos do Nelson Saúte. Um livro muito bem conseguido.


(”Retrato de Mulher“, foto de Ana Rodrigues, 1994)

Há anos esgotado. Há anos procurado. A reeditar, claro.

Uma reedição que será complexa. Pois um editores desapareceu: a Comissão dos Descobrimentos. E quem assegura o seu espólio? Seus direitos? Mas talvez mais causas existam para tal inércia.

Mas seria tão racional (e lucrativo?) juntar todos os intervenientes e dar uma 2ª a tão bela edição.

Postal de Santos Rufino: Praça 7 de Março

“Lourenço Marques, Praça 7 de Março”. Edição de Santos Rufino (1928).
Nota: terça-feira, dia 13, no Varieta passaria “Danger Girl” com Priscilla Dean; no dia 20 seria “O Inferno” de Dante Aligheri.
[doação de António Botelho de Melo]

Postal de Santos Rufino: Avenida 5 de Outubro

Edição de Santos Rufino (1928).

[doação de António Botelho de Melo]

Postal de Santos Rufino: Estação Central dos Caminhos de Ferro


Gare da Estação Central dos Caminhos de Ferro, Maputo (ex-Lourenço Marques). Postal editado por Santos Rufino (1928).

[Doação de António Botelho de Melo]