(Sobre o assunto tambem coloquei aqui algo)
Entries Tagged 'Machado da Graça' ↓
Março 30th, 2007 — Machado da Graça, Sociedade portuguesa
Agosto 6th, 2006 — Bloguismo Moçambique, Machado da Graça
Nasceu em Ílhavo, em 1908, estudou Medicina e acabou por ser formar em Farmácia, casou e teve um filho, veio para Moçambique, onde passou grande parte da sua vida, e regressou a Portugal, onde veio a falecer em 1981.
Publicou, ao longo da vida, muitos textos e gravuras em vários orgãos de informação. Tudo isso guardou, sob a forma de recortes, em sucessivos álbuns que foi intitulando de Esparsos. Já depois da sua morte foi publicada, em Maputo, uma pequena edição do seu livro “Falares de Ílhavo”.
Não viveu já a época dos blogs, mas, conhecendo-o como o conhecíamos, pensamos que, se estivesse hoje vivo, gostaria de ter um. Por isso aqui estamos a fazê-lo nós, o filho João e a neta Sara.”
Julho 31st, 2006 — Machado da Graça
Obras de Machado da Graça:
Machado da Graça (texto), Lurdes Faife (ilustração), Os Gémeos e os Ladrões de Tesouros, Maputo, Promédia, 2003
Machado da Graça (texto), Lurdes Faife (ilustração), Os Gémeos e a Feiticeira, Maputo, Promédia, 2005
Machado da Graça (texto), Lurdes Faife (ilustração), Os Gémeos e os Traficantes, Maputo, Promédia, 2003
Três volumes desta colecção “Os Gémeos” (bem lamento tê-la incompleta), com tiragens de 6000 exemplares, 5000 dos quais para distribuição gratuita nas escolas do norte do país. Apoiam este excelente projecto a CODE (cooperação canadiana), a NORAD (cooperação norueguesa) e a NOVIB (cooperação holandesa).
Abril 25th, 2006 — Machado da Graça
Machado oficial (de dia) de Abril.
Machado da Graça bem cartooniza sobre o Savana
Fevereiro 23rd, 2006 — Machado da Graça
Destaque: Recomendação de Novo Blog Moçambicano
Janeiro 17th, 2005 — Bloguismo Moçambique, Machado da Graça
O Ideias Para Debate quer-se local de debate (principalmente político) sobre Moçambique, algo que muito faz falta, e ainda para mais se e quando feito por gente de cá. Anuncia ainda ter porta aberta para participação alheia.
Apresenta-se, qual manifesto, com a publicação póstuma de “Testamento Político” de Leite de Vasconcelos, um texto com cerca de dez anos, polémico decerto, avassalador talvez. Uma visão explícita, profundamente ideológica, e sem pruridos dos tempos em que se fazia a paz aqui. E que ali se quer válido para o hoje. Um sonoro arranque.
Ao Machado da Graça, proponente deste moçambicano Ideias Para Debate, apresento-o de modo resumido. Cronista, hoje no semanário Savana e sei que também em jornal de fax (qual? Machado…), editor/proprietário da Promédia (cujas edições têm aqui vindo a ser referenciadas), editor do semanário sarcástico “Sacana” (incluso no Savana), homem de teatro, tradutor, premiado autor de literatura infantil (que a Carolina ainda não tem), ao que sei dado a bricolage, amante de BD. E decerto outras coisa mais, quem as souber denuncie sff.
Aqui deixo imagem daqueles dos seus livros que possuo, exceptuando a já aqui apresentada iconoclasta, deliciosa e rarissima edição de autor de “Lourenço Marques. Panoramas da Cidade. Vistos, em 1929, pelos fotógrafos ao serviço de Santos Rufino. Revistos, em 2001, por Machado da Graça”. Exceptuando apenas para não misturar registos, pequena auto-censura não desvalorizadora que o autor decerto me perdoará:
A Talhe de Foice, Maputo, Associação Cultural da Casa Velha, 1994 (crónicas radiofónicas, inéditas, comunicações, 1980-1992)
Até Ficar Rouco, Maputo, Ndjira, 1996 (crónicas radiofónicas, jornalísticas, inéditas e textos avulsos, 1992-1993)
A Cidade dos Meus Amigos, Maputo, Promédia, 2003 (crónicas radiofónicas, 1996-1997)
Acho que estão criadas as condições para um belo e barulhento blog. Assim sendo, desejos de muitos e bons visitantes. E de muitas ideias e debates! Machado, um abraço.
Ernesto Guevara: o "contraditório" do Machado da Graça
Outubro 12th, 2004 — Che Guevara, Icones, Machado da Graça
Aqui o deixo, cumprindo a obrigação, que o Ma-Schamba é blog democrático, ainda que por vezes mal-disposto e azedo. E também porque corrompido por esses “os frescos anos” com que o Machado me brinda…
O Ernesto
Machado da Graça
12 Outubro 2004
Há dias, no teu blog, desancaste violentamente o Ernesto. Chamaste-lhe tudo, de sanguinário para diante. Li e resolvi deixar passar. Os teus frescos anos não dão para compreender o que ele significou para a minha geração.
Dias depois uma dessas recolhas de efemérides lembrou-me que fazia não sei quantos anos que ele disse a um soldado meio aterrorizado: “Coragem, dispara, vais matar um homem”. Coisa que o soldadito fez, disparando-lhe uma rajada de metralhadora para cima. Isto numa pequena escola, atrás do sol posto, na Bolívia.
A decisão de lhe dispararem aquela rajada parece ter sido tomada muito mais a norte, provavelmente num gabinete alcatifado na sede da CIA. E veio, pelos canais hierarquicos do costume: CIA – Generais no poder na Bolívia – militares nas montanhas.
Aparentemente havia quem o quisesse manter vivo para ser julgado, mas a CIA não foi nisso. O Ernesto vivo continuaria a ser sempre uma dor de cabeça.
Era o tempo da guerra do Vietnam. Centenas de milhares de soldados americanos andavam atascados até aos tomates nos arrozais a levar tiros que vinham não se sabia bem de onde. E voltavam à América, limpos e bem fardados, em bonitas caixas de madeira cobertas por uma bandeira. E como se gastou madeira para fazer essas caixas naqueles anos…
E o Ernesto queria fazer dois, três, muitos Vietnams. Queria espalhar Vietnams por todo o lado, para multiplicar as caixas cobertas de bandeiras.
Sanguinário, portanto? Sim, como todos os militares. E ele, desde a Sierra Maestra tinha passado a ser um militar. Subiu para lá como médico mas um dia, no meio de um combate, teve que escolher entre salvar o saco dos medicamentos ou uma caixa de munições. E escolheu salvar as munições. Foi uma opção que continuou até à morte.
Mas é preciso pensarmos que há dois principais tipos de militares: os que são militares porque a isso são obrigados (serviços militares obrigatórios e quejandos) e os que o são por escolha própria. E, nestes últimos, os que o são seja qual for a guerra e os que só o são se estiverem de acordo com a guerra a travar.
E o Ernesto, é claro, era destes últimos. Era ele quem escolhia a guerra. Não era apanhado, desprevenido, no meio dela.
Escolheu ir para Cuba quando ele, argentino viajante, conheceu o Fidel no México. Escolheu vir para África para tentar pôr em prática a Teoria do Foco no Congo. Escolheu ir para a Bolívia pela mesma razão, julgando que conseguiria comunicar melhor com os sul-americanos do que com os africanos.
Mas porquê essa vontade permanente de fazer a guerra?
Porque o Ernesto verificou, em Cuba, que uns tiros dados no momento certo podem mudar um país de bordel dos americanos para qualquer coisa de decente. E de bordeis identicos estavam a África e a América Latina cheias. E não eram coisas que se mudassem com boas palavras e agitar de raminhos de oliveira.
Em África não foi o objectivo que esteve errado. Foi o método. Muito provavelmente na Bolívia também.
Agora que os regimes da altura só sairiam à porrada veio a comprovar-se pelas inúmeras gravuras juntas. Não foi porque um achasse que era necessária a guerra e outro não que o Ernesto e o Mondlane discordaram. Foi porque um queria fazer o foco no Congo, ganhar o controlo do país e espalhar a revolução pelos vizinhos e o outro queria fazer a guerra apenas no seu país, onde era mais fácil mobilizar os combatentes para uma guerra que lhes daria frutos imediatos.
`
De qualquer forma o Ernesto aparecia como o pequeno David que enfrentava, quase com as mãos nuas, o Golias americano, imponente e opressor.
Com as mãos nuas e limpas, porque podendo ter ficado no governo de Cuba a beneficiar das mordomias próprias dos cargos governamentais, preferiu voltar para o mato a arriscar o pêlo pelas coisas em que acreditava.
Por cima de tudo isso teve a sorte de ser fotogénico e ter encontrado fotógrafos que o imortalizaram (mesmo depois de morto, como bem notaste).
É por isto tudo que não concordo com a descrição que publicaste dele.
Talvez o Ernesto tivesse em si um pouco do D. Quichote, arremetendo, de Kalash em riste, contra os B 52.
Mas, que diabo, o D. Quichote continua a entusiasmar gente ao fim deste tempo todo.
E espero que o Ernesto também continue. Apesar de tudo continuo a achar que é preciso dizer aos jovens que devem lutar por aquilo em que acreditam em vez de fazer uma vida acomodadinha de discoteca e campo de futebol.
E o Ernesto continua a ser um modelo muito aceitável, na minha modesta opinião
Um emigrante de sucesso (adenda)
Outubro 7th, 2004 — Machado da Graça, Roupa Velha
Enquanto fui e vim o Machado da Graça fez o favor de aqui vir e ao ler o meu Emigrante de Sucesso, velho texto onde comemorei a minha vitória no totobola, mandou-me um belo naco (ou posta, fosse ele bloguista como o deveria ser). Aqui o transcrevo (e se alguém se lembrar da totalidade da canção…):Teixeira
Depois de umas semanas fora voltei, fui à tua machamba e soube que te tinha calhado o Totobola. Provavelmente és novo demais para te lembrares de uma cantiga que contava uma história igual à tua. O que me lembro da letra era assim:
Manuela, acertei no Totobola
agora sou um cartola
de carteira recheada.
Foi a lógica
não falhei um resultado
agora vou comprar
um foguetão dourado
para ir jogar na Lua
e acertar no resultado.
Continuava por ali além até descobrir que tinham sido milhares a acertar e lhe cabiam apenas uns trocos. Como vês não estás só…
Machado
Ainda os livros de Moçambique
Setembro 5th, 2004 — Livros Moçambique, Machado da Graça
Machado da Graça, o editor na Promedia, anuncia ter firmado contrato na passada semana (nem de propósito estas notas aqui) com a Moçambique Editora (Texto em Portugal) para que esta editora proceda à distribuição das suas edições em Moçambique - onde a distribuição também tem sido difícil. E que há ainda a promessa da referida Moçambique Editora proceder à distribuição pelos restantes países de língua portuguesa.Assim seja. Chegar a esses mercados é um passo fundamental, o prioritário. A seguir seria interessante ter recepção junto dos mercados institucionais. A ver vamos.
Quanto a reedições avisa ainda que a cooperação suíça não as financia, preferindo apostar em novas edições. Legítima opção. Aí talvez o mercado possa funcionar, espero eu. Ao que sei tanto “Espíritos Vivos, Tradições Modernas” e “Cem Anos de Economia na Família Rural Africana” se esgotaram, e com o crescente número de estudantes e quadros de ciências sociais decerto que haverá mercado interno para uma calculada reedição.
Agosto 6th, 2004 — Machado da Graça, Santos Rufino
Machado de Graça, reconhecido iconoclasta cujas tendências ímpias já aqui ecoei, teve então a extrema gentileza de me ofertar exemplar de rara e valiosíssima obra, “Lourenço Marques. Panoramas da Cidade. Vistos em 1929 pelos fotógrafos ao serviço de Santos Rufino. Revistos em 2001 por Machado da Graça“.
Raríssimo exemplar sublinho, pois desta edição só são conhecidos dois exemplares. Aqui o deixo ao conhecimento público, reproduzindo ainda dois dos postais nela incluídos. Considero que seria um crime deixá-la no limbo em que tem subsistido. O Ma-schamba presta pois um serviço público, internacional até.
“Um interessante grupo de tocadôras de “marimbas”, em Mocodoene“






