
Luis Fernando Verissimo, Orgias (D. Quixote, 2008)
É a badana que o exalta, Verissimo é “autor de mais de 60 livros”. E isso nota-se, vários dos textos são inúteis, até falhos de humor, chegando a repetir-se - “Festa de aniversário” e “Festa de criança” são a mesma coisa -, livro nascido da falta de selecção nas recolhas, de um exaustivo injustificado em especial quando é óbvio que são textos de ocasião - obrigações de cronista?
Ainda assim há algum Verissimo à solta: sonhando um mundo sem celulares (aliás, telemóveis) em “Hipóteses”, absolutamente genial no seu Genesis “A Primeira Pessoa”, texto que só por si justifica comprar e ler o livro: “E Deus viu que eu me entediava, pois de que vale ser um nobre no seu parque se não existem os outros para nos invejar?” (105); corrosivo em “Vidão”, desse Gilmar que enjoava o champanhe e as ostras mas que sempre tentava pois esse era o “vidão” que sonhara ter. E crente no “Deus, o primeiro autocrata, fez o mundo como bem quis, sem ouvir as bases, sem plesbicito. O que, pensando bem, foi a nossa sorte, pois, se o Criador tivesse optado pelo método democrático, o universo não estaria pronto até hoje e estaríamos perdendo todos os bons seriados na TV. Vivemos no mundo como ele nos foi dado e ainda não ouvi ninguém chamar o processo de fascismo divino“. (36)
Verissimo avisa que “Pouca gente sabe que existia, na Roma Antiga, até a profissão de organizador de orgias, ou baccanum, profissional muito valorizado, tanto que é daí que vem a palavra “bacana” … Os baccanae funcionavam assim como os modernos bufês, que se encarregam de todos os detalhes de uma recepção.” (9). Neste “Orgias” não será muito “bacana”. Ainda que alguns “números” sejam bem divertidos.


