Archive for the ‘Livros Moçambique’ Category.

Livro sobre Reinata

 

O lançamento do necessário livro sobre Reinata Sadimba , a célebre escultora, verdadeiro ícone. Este “Reinata Sadimba. Esculturas/Cerâmicas” foi feito por Gianfranco Gandolfo, que tem produzido trabalhos de referência sobre as artes plásticas moçambicanas. Com toda a certeza que este será um daqueles imperdíveis. Acontecerá amanhã, às 18 horas, no Museu de História Natural.

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Feira de Livro de Maputo

Para quem ainda está com dinheiro para livros. Ou, como também é o caso, para quem gosta de espreitar, acariciar e folhear. Esta semana …

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A igreja, segundo José Luzia

 

Hoje mesmo, segunda-feira, às 16.30, no seminário S. Pio X (na Kim-Il-Sung, Maputo), será a apresentação deste livro do padre José Luzia, o “Uma Igreja de Todos e de Alguém“, editado recentemente em Portugal pela editora Paulinas. O Zé Luzia é um quasi-mítico padre, com quase quatro décadas de trabalho em Nampula. Há alguns anos regressou a Portugal, lá foi pároco cerca do Campo Grande e também na Bobadela. Mas, tinha que ser, está de volta, há cerca de meio ano regressou a Nampula.

Conhecendo-o torna-se impossível não estar curioso, atento à sua reflexão sobre a igreja católica e seus desafios. Eu, ateu confesso, lá estarei ao fim da tarde. Para o abraço, para comprar o livro, para me prometer a lê-lo.

A nota de imprensa diz assim: “Este texto não é apenas um relato ou descrição duma determinada realidade eclesial africana, vai mais longe: faz uma reflexão que pretende iluminar não só as suas virtualidades, como se transforma em convite a que outras Igreja locais, nomeadamente aquelas onde urge a nova evangelização, se deixem inspirar por tal realidade. Entre nós, esta obra constitui um oásis, num deserto onde praticamente não existem reflexões pastorais. Há um largo espaço de reflexão que vem ajudar a preencher.”

Até logo

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Beleza Albina

Dominique Andereggen e Solange dos Santos fizeram este livro “Filhos da Lua“, um verdadeiro acontecimento editorial em Moçambique (edição própria, via a sua Magmaphotography), ao qual juntam uma exposição fotográfica – com material diverso daquele que aparece na publicação. Trata-se de um provocatório livro objecto, mais de 200 páginas em boa impressão, retratos de albinos moçambicanos, em que cada retratado se apresenta através de pequenas excertos de entrevistas (realizadas por Filipa Embaló). O projecto segue um rumo, o da beleza albina. Só folheei o livro mas deu para entender: as personagens retratadas (há retratos deliciosos, diga-se) não são um cardápio de desgraça sanitária-identitária. Bem pelo contrário são uma afirmação da extrema e plural naturalidade dos albinos, das suas formas de vida – boas, más, assim-assim, como todos no fundo. Sendo o “mundo albino” um dos últimos redutos da radical desvalorização – as coisas vão mudando, mas o gerúndio nisto nunca é o suficiente – este conjunto livro e exposição é um momento. Ainda para mais ao evitar (e como é difícil e raro) o “coitadismo”.

Quarta-feira próxima, na Fortaleza, será o lançamento (livro) e a inauguração da exposição. Valerá a pena acompanhar.

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Adjunto de Pai Natal

 

Há algum tempo algum tempo aqui referi a rede Academia, um local para partilha profissional. Até agora por lá meti algumas poucas coisas. E nisso também alguns velhos postais aqui do ma-schamba. Não são coisas profissionais, mas apenas notas de leitura de alguns livros que viraram postais. Mas onde me parece que não é apenas o bloguista a blogar. Outras gostaria de lá ter colocado, qual arquivo, mas ainda não me organizei. Entretanto recebi duas mensagens, simpáticas, a dizerem o mesmo, que as notas tinham despertado a vontade de ler, num caso um livro de poesia, no outro um livro de banda desenhada.

Dado isso e porque estamos no Natal, altura das prendas, e das auto-prendas, armo-me rena do Pai Natal, seu adjunto.

E deixo aqui cópia das ligações aos velhos postais, sobre livros que me interessaram, e é um leque de coisas bem diferentes. Pode ser que alguém se interesse e seja induzido a escolher algum como (auto)prendas: “D’este viver aqui neste papel descripto”, de António Lobo Antunes; “Fagin, le juif”, de Will Eisner (algo verdadeiramente sumptuoso); “Le Vaisseau de Pierre”, de Bilal; “Marias Deste Mundo”, de Maria Helena Massena Ferreira; “Another Day of Life”, de Ryszard Kapuscinski; “Deogratias”, de Stassen; “Uma Noite na Guerra”, de Carlos Coutinho; “Inquérito em Moçambique”, de Vanessa Guerreiro; “Vou-me Embora Ficando”, de João Mosca; “Diagnóstico de Focos e Origem de Conflitos Sociais nas Comunidades Urbanas e Periféricas”, de António da Costa Gaspar; “O Deserto Acidental”, de António Mega Ferreira; “Persona”, de Eduardo Pitta; “Zabela”, de Bento Sitoe; “M. & U. Companhia Ilimitada”, de Isabella Oliveira; “Uma Viagem na Asa da Poesia”, de Cláudia Constance; “Ocidentalismo. Uma Breve História de Aversão ao Ocidente”, de Ian Buruma e Avishai Margalit; “Kináni? (Quem Vive?). Crónicas de Guerra no Norte de Moçambique”, de Cardoso Mirão (um livro delicioso, obrigatório e muito esquecido); “Foto-jornalismo ou foto-confusionismo” de Ricardo Rangel; “Bazarketing” de Thiago Fonseca; “Portugal, Hoje. O Medo de Existir”, de José Gil; “Os Cus de Judas”, de António Lobo Antunes; “A Viagem Profana”, de Nelson Saúte.

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“El Dorado Tete: os Mega Projectos de Mineração”, livro sobre o mito do carvão

Para a semana (30 de Novembro) será o lançamento deste “El Dorado Tete: os Mega Projectos de Mineração“, de João Mosca e Tomás Selemane, publicado pelo Centro de Integridade Pública. Fica o anúncio, mais do livro a ler do que do próprio lançamento (a experiência avisa-me que o lançamento de livros produzidos pela investigação social são muito parcos em chamussas, o que é filosoficamente interessante, uma sequela do dualismo platónico-cristão que aparta mente e corpo, mas enfim, há sempre obstáculos à reflexão). Aqui deixo um excerto da divulgação do livro, sobre o qual estou cheio de curiosidade:

Não existem em Tete, Moatize e suas redondezas sinais evidentes da redução da pobreza como resultado da implantação dos mega projectos de mineração da Vale e da Riversdale. … Esta é uma das constatações de uma pesquisa … levado a cabo em Tete e Moatize no decurso do ano de 2011. … analisa os efeitos locais da implantação dos dois principais mega projectos de carvão mineral (Vale e Riversdale) naquele ponto do país. A análise recai sobre o período que vai de 2007 ao primeiro semestre de 2011. … A pesquisa visava dois objectivos centrais: primeiro, contribuir para o debate da economia política e da política económica moçambicana através da compreensão e análise dos efeitos da concentração das mineradoras internacionais em Tete. E, segundo, sugerir boas práticas de implantação de mega projectos para o benefício do meio rural moçambicano e da economia nacional.

As conclusões da pesquisa podem ser resumidas nos seguintes termos: no período estudado, houve dinamização da economia local provocada pelo incremento de novas demandas, sobretudo nos sectores de serviços e na construção civil (habitação e infra-estruturas).

Não existem em Tete, Moatize e suas redondezas sinais evidentes da redução da pobreza como resultado da implantação dos mega projectos estudados. Pelo contrário, a imigração para Tete e Moatize em busca de emprego e oportunidades de pequenos negócios tem avolumado a população desempregada.

Os reassentamentos têm provocado redução de oportunidades de obtenção de rendimentos das famílias, obstaculizam a produção agrícola, dificultam a mobilidade das pessoas e bens e reduzem o acesso aos mercados.

Há no terreno evidências do enfraquecimento relativo das instituições públicas por não ajustamento na capacitação técnica e de poder de decisão face às novas exigências e comparativamente com as capacidades das empresas mineiras. Isso tem resultado em organizações centralizadas, concentradas, hierarquizadas e com relacionamentos e tipos de disciplina para-militarizados. 

O crescimento das actividades económicas é socialmente discriminatório, não inclusivo e com sinais de aprofundamento da pobreza (pelo menos nas populações mais directamente envolvidas nos reassentamentos) e das desigualdades sociais. Há sinais, até ao momento, de efeitos ambientais negativos sobre o solo, as pastagens e as florestas nos locais de reassentamento e sobre o ambiente urbano (ar, solo, ruído, etc.).

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137 Anos de Missões Suíças na África Austral

No campus da UEM, em organização conjunta do Centro Henri Junod e do Departamento de Arqueologia e Antropologia, está exposta uma história em cartazes de 125 anos da actividade missionária suíça na África Austral (a exposição original data já de 1999, para a efeméride), a propósito do conjunto de actividades dedicado a Henri Junod. Hoje, pelas 10 horas, Severino Ngoenha, agora também director do Centro Henri Junod, fará uma visita guiada.

Depois ver-se-á o filme “Ngwenya, o Crododilo”, realização de Isabel de Noronha dedicada a Malangatana, esse que sempre disse que a leitura de Junod o iluminou.

Pelo meio será lembrado o livro de Patrick Harries, “Junod e as Sociedades Africanas.”, aqui publicado pelas Paulinas já há 4 anos.

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O direito ao acesso à cultura


A propósito do pagamento de entradas nos museus portugueses
tenho lido várias interessantes notas em blogs portugueses. A ideia central é confusa mas sonante: o direito ao acesso à cultura é violado pela redução dos bilhetes grátis. Ideia confusa porque tudo o que ali está é discutível (no sentido de “discutível”, que não no sentido de “negado”): o “museu”, o “direito”, a “cultura”. Na prática a questão continua a ser a não equação “direito” igual a “grátis”. Siga. A minha questão é diferente mas igual. Anteontem vi duas publicações nas livrarias de Maputo, esta “edição fora-de-série” do Le Figaro, dedicada a Fra Angelico (575 meticais na Mabuko [16 euros, grosso modo]), e o último livro do arquitecto José Forjaz, “Ideias e Projectos” (1300 meticais, na Escolar Editora, sem imagem da capa na internet). Se pensarmos na qualidade das edições não se poderá dizer que são caras. Mas nos tempos que correm não tenho, pura e simplesmente, dinheiro para as comprar. A uma, a revista, folheio, nostálgico, sabendo que nunca mais a verei; a outra, o livro, irei vasculhar em casa de algum amigo. Houve um tempo em que comprava tudo o que era badana (uma vez em Bruxelas o livreiro, até assustado, perguntou-me “o senhor é de alguma instituição?”). Agora não dá. Estes duas publicações são a conta da electricidade mensal, há que optar.

Vim para casa a dizer imensos palavrões, a resmungar a vida, a minha falta de jeito para tomar conta de mim. Da minha família. Houve uma coisa que não me passou pela cabeça: a de que alguém me tenha retirado o direito do acesso à “cultura” (nem vou discutir o pobre uso que os “intelectuais” indignistas dão à palavra), por não ter dinheiro para “aceder” a estes produtos culturais.

As “coisas” custam (esse “custar” que tal como “cultura”, “direito”, “grátis”, etc. tem grande amplitude semântica). Bem mais do que umas “bocas” muito “de estação” nos blogs de cada um. Indigno-me, também, com a tralha que corre.

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O lançamento do Finta Finta, de Paola Rolletta

Foi ontem o lançamento do belo “Finta Finta” da Paola Rolletta, publicado em edição bilingue (português e inglês) pela Texto Editores. Curtas histórias de vida de 31 futebolistas moçambicanos, praticantes entre os anos 1950s e a actualidade, que “por obras valerosas se [foram] da lei da morte libertando” – e agora um bocado mais, através deste trabalho, amante e amável. Como escreveu no prefácio João Paulo Borges Coelho “é destes príncipes da bola que trata o livro. Destes príncipes que representam os muitos outros que não chegaram nunca a ser descobertos, e portanto cujos sonhos permaneceram no lugar onde moram os sonhos“. Quem são? Diz a Paola logo na entrada “Sabemos que arranjámos um trinta e um! Em terra de abundância é difícil escolher, mesmo trinta e um jogadores ...”

E que selecção História se fez? Ela sempre polémica, ainda para mais quando percorrendo um tempo longo entre Fernando Lage e Costa Pereira e Tico Tico e Abel Xavier – eu, livro fresco na mão, logo a resmungar onde está o “nosso” Manaca, o nosso Carlos Manaca, espantoso lateral-direito campeão em 1974 pelo “meu” Sporting? É também essa a riqueza, levantar o debate, avivar a memória. Convocar o prazer. Avivar as colecções de velhos cromos, tão lembrados foram estes no lançamento do livro.

O prefaciador, a autora, o primeiro-ministro, o editor, o jogador

Prazer que assim convocado compareceu em pleno na Mediateca do BCI neste fim de tarde. Casa cheia, cotovelos unidos, admiradores da bola. Um lançamento-festa, e nem todos o são. Vários dos futebolistas entrevistados e alguns familiares dos ausentes. Muitos amigos da autora. Corpo diplomático enquanto tal – o embaixador do Brasil, amigo porventura, mas nesta condição sempre visto como representante de uma das Pátrias da Finta. E o próprio primeiro-ministro, Aires Aly.

João Paulo Borges Coelho apresentou o livro e, jogando em souplesse, elaborou sobre a importância da memória, identitária enquanto problemática e talvez polémica, construída e sempre reconstruída. Avisou da importância dos “pelados” urbanos para o surgimento de jogadores, assim silvestres digo-os eu, e do quanto sofre o jogo dado o desaparecimento desses espaços, submersos pela construção. Nessa tão necessária polemização da memória avançou a sua tese (já defendida no prefácio) da primazia de Calton Banze nesta constelação, algo que defronta a velha dicotomia paradigmática, aquela que alterna entre o culto de Fernando Lage e o de Eusébio.

Joaquim João, esse esteio que o livro recorda ter sido tão amado que até alvo de uma música-elogio do grande Alexandre Langa, surgiu em pose de libero, e assim defendeu o livro enquanto mostruário dos serviços dos jogadores, lembrando a sua importância nos momentos difíceis do país, fazedores de sonhos quando estes tão árduos.

O primeiro-ministro Aires Aly, cuja presença muito significou o apreço geral pela produção, encarnou o playmaker, apontando a qualidade do livro como transmissor dos ídolos de antanho aos meninos (e às meninas) de hoje, livro então ele-próprio fazedor de sonhos, e também como necessário trampolim para mais obras sobre desporto e desportistas. Para memória, para incentivo, e para aprendizagem.

Seguidamente, e já quase em tempo de descontos, Paola Rolletta (re)afirmou-se uma verdadeira “carregadora de piano”, assinando incansavelmente autógrafos aos múltiplos adeptos que acorriam, impiedosamente.

Após o apito final, satisfeitos com a vitória alcançada, os adeptos de camarote deliciaram-se com as iguarias servidas, em particular com as competentes chamussas (ou chamuças?). Nessa mole contava-se este jpt, com o seu Nokia.

Entretanto, lá fora, na já noite, os adeptos agregavam-se na expectativa de ver sair os ídolos, na ânsia de um vislumbre, de uma recordação, enquanto debatiam velhas e menos velhas memórias.

Agora só lhe falta, caro leitor, ir comprar o livro.

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Finta-finta

 

Os atletas moçambicanos que deixaram legado por esse mundo fora. Pela pena da Paola Rolleta, jornalista italiana amante da nossa língua e mui querida amiga. Bravo bella!

AL


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António Cabrita sobre “Cidade dos Espelhos”

Aqui fica a capa do “Cidade dos Espelhos”, de João Paulo Borges Coelho, feita pelo Luís Moreira (que não vejo para aí há vinte anos). E a ligação ao texto “Cidade Sitiada”, que o António Cabrita fez para apresentar o livro, há poucos dias aqui em Maputo.

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Rescaldo de uma visita a Portugal

Uma muito boa ida a Portugal, a família está muito bem (o que me destorna Atlas) e ainda lá me restam dois punhados de amigos (o que dá alento [ou alma, na linguagem da superstição]). Um breve rescaldo do que encontrei:

 

A crise está(-me) vasta e não pude comprar livros. Mas vi nas livrarias este vol. I das obras de Bulgákov. Tradução de Nina Guerra e GAF, que continuam a civilizar o país com a tradução dos escritores russos de XIX e XX, antes deles inaceitavelmente intraduzidos. Fiquei invejoso, o contentamento da posse chegará (?) em próxima visita.

As mesmas razões afastaram-me do A Cauda do Escorpião – o Adeus a Moçambique, de Giancarlo Coccia, recente publicação que para mim foi uma novidade. O Herdeiro de Aécio aborda o livro, muito criticamente, minorando o meu lamento.

Toda a gente fala da crise do capitalismo financeiro. Eu ainda resmungo com o industrial. O “indivíduo fruidor”, da mescla vigente e dominante entre pós-marxismo e pós-catolicismo, só é quando rodeado de uma miríade de “gadgets” (termo inglês que significa penduricalhos). Mas o material desta produção industrial é mau, supra-perecível, daí que nos esvaímos em constantes actualizações e substituições. A minha máquina, com meia dúzia de anos (“tão antiga?”, “vive em África? sabe? … a humidade, o pó!…”) avariou, a reparação tem o custo de uma nova. A máquina do meu pai (que não é Nikon, já agora) é mais velha do que eu e ainda fotografaria, se houvesse rolos. Conclusão: “não há dinheiro não há palhaço”, deixo de ter máquina fotográfica. Um dia, quem sabe?, se isto me melhorar, comprarei outra. Que não será Nikon.

Fui lá. Depois falei disso. Como seria de prever arquitectos e amigos de arquitectos defendem o “Arco do Triunfo de Cascais” que Gonçalo Byrne construíu ali na baía. Dizem que “recuperou” e “marcou” e mais não-sei-o-quê. Dizem ainda, e vindo de quem vem é um argumento delicioso, que “os apartamentos são caríssimos e estão todos vendidos”. Que jeito dá a mercadocracia em algumas situações. O monstro está acima retratado (clicando ele aumenta), não me aproximei mais. Por mero pavor.


Quinze anos depois voltei ao VilaLisa, mítico local na Mexilhoeira Grande (entre Lagos e Portimão). O meu entusiasmo pela comida reduziu-se muito, entretanto. Mas ali recordei-me glutão. Ainda vale a pena.

 

A parede que está ali ao fundo é a actual Escola Secundária D. Leonor (Lisboa). O edifício antigo continua, mas cresceu-lhe este gânglio em forma de paralelepípedo. Ou será tumor? Dizem-me que agora é assim … que se recuperam as escolas.

Novo governo, crise generalizada. Como durante anos trabalhei em “cooperação” (Ajuda Pública ao Desenvolvimento) pergunto “que vai acontecer à cooperação?”, gente nova e abordagens são esperadas. As notícias e as perspectivas são … uma dor de alma.

 

A retrospectiva de Pedro Cabrita Reis no Centro Cultural de Belém. Esmagadora.

(Numa sala ao lado uma individual de fotografia, de Alfredo Jaar, “Cem Vezes Nguyen”, é uma fraude. Não há um qualquer antropólogo que tenha lido alguma coisa sobre “histórias de vida”, sobre representação e isso, que pontapeie  o rei-fotógrafo que tão nu se passeia?).

Li jornais (sempre vão sendo mais baratos). O Guia de Futebol 2011-2012 do Record é melhor do que os Cadernos de A Bola.

O jornal i, que quando apareceu tanto prometia, piorou. Não vende, dizem. E perdeu muitos jornalistas. Ainda assim vou comprando. Os amigos, feitos vizinhos, acusam-me de direitista, “servo do grande capital” por ler tal pasquim. Respondo-lhes que o jornal está cheio de textos de bloguistas de esquerda e até de neo-comunistas e velho-comunistas. Não acreditam. É a força dos preconceitos.

 

Há quase vinte anos o então director do Público afrontou as manifestações dos estudantes invectivando essa mole como “geração rasca”, algo que ficou célebre. Não eram apenas os fundos das costas que eram mostrados, eram também os trocadilhos com o nome da então ministra da Educação que serviam como se argumentos políticos. Agora apanho no mesmo jornal um patético texto de Santana Castilho (Publico, 3.8). Castilho, que cheguei a encontrar aqui em finais de 90s, penso que ligado à cooperação com o então ISPU, despeja um incomensurável fel (“eu é que devia ser ministro”) e dedica-se a jogos com o nome do agora ministro da Educação. Estará o Público na época dos “colunistas rascas”?

Helena Matos (texto só para assinantes):

“... não tenho qualquer interesse ou simpatia por sociedades secretas ou discretas e numa democracia nem percebo a sua razão de ser. Irrita-me solenemente a presunção dumas pessoas que a si mesmas se definem como homens bons e sobretudo todos aqueles rituais de igreja a fazer de conta que não é igreja, mais os aventais e os martelos que me parecem muito, mas mesmo muito rídiculos (…) os aventais da maçonaria movem-se cada vez mais no domínio do material. Não há na política deste país negócio obscuro, tráfico de influências, cumplicidades entre o público e o privado que não nos levem à irmandade dos aventais. Para cúmulo somos também informados de que os membros dos serviços de informações têm outras lealdades para lá daquelas que devem ao país e que inevitavelmente conduzem a esse enredo de lojas, grémios e orientes.

Se alguns milhares de homens deste país se sentem felizes por andar de avental, chamando-se irmãos e dizendo-se homens bons, essa é sinceramente uma coisa que não nos diz respeito e a mim me causa particular fastio. Mas a democracia que somos tem o dever de investigar o tráfico de influências em que justa ou injustamente a maçonaria surge no cerne e muito particularmente os partidos, sobretudo o PS e o PSD, têm de ser capazes de olhar para dentro e analisar as consequências para si e para o país das cumplicidades maçónicas de muitos dos seus dirigentes..

(…) Preocupemo-nos com os aventais que (…) se tornaram no símbolo daquilo que em Portugal o poder não pode e muito menos deve ser.

Sim. Por todo o lado a maçonaria. Na política – onde o inenarrável caso da votação em Fernando Nobre para presidente da AR, com apelo a solidariedades maçónicas passou como “natural” . Como é possível que um deputado apele ou actue através de solidariedades que não são públicas e escrutinadas? No PS e no actual governo, resmungam. Nas universidades, dizem-me. Com ascensões incompreensíveis, com pequenos e médios poderes (nas administrações das entidades académicas, na selecção de projectos e bolsas, etc). Até tipos que foram meus professores, uma escumalha.

À chegada a Lisboa vi isto:

António Reis, veterano deputado socialista. Que aqui recorda ter sido “presidente do conselho de ética da AR”. Que disserta na televisão pública (acompanhado por um arremedo de jornalista, cheia de salamaleques, dando-lhe verdadeira passadeira) sobre o que é ser maçónico. Que recrutam na elite (sorrio, um tipo do PS!, a recrutar na elite). Que são procurados pelos políticos, que querem aderir para “colher os ensinamentos” que ali se redistribuem (não podiam ir à internet? A uns cursos de verão? por correspondência?). E o serviço público leva-o ao colo, na legitimação. Para os pacóvios se contentarem.

Que fazer com estas redes, esconsas, apropriadoras, adversas à sociedade aberta (explícita), democrática? Adversárias do desenvolvimento? Combatê-las? Como, se o teu vizinho é maçónico? Se o teu querido amigo os defende? Se o(s) teu(s) novo(s) ministro(s) também? Se a tua própria família te diz “não te metas com eles, cala-te”?

Há pelo menos uma coisa, fácil. Nunca votar em quem tem maçónicos. Como no partido deste infecto que recruta na elite …

Entretanto, vim-me embora.

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Dicionário dos Nomes Geográficos de Moçambique

Teclado amigo deu-me conhecimento do “Dicionário de Nomes Geográficos de Moçambique – sua origem”, de António Carlos Pereira Cabral, uma edição de 1975 que está totalmente digitalizada, assim acessível. Uma pérola.

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Pássaros de Moçambique

[Memórias do Instituto de Investigação Científica de Moçambique, Vol. 11, 1971, Série A (Ciências Biológicas)]

Coisas que se encontram por aí. Esta é uma bela velha revista, há alguns anos adquirida numa feira do livro universitária, em pleno “campus”. Tem um pequeno artigo dedicado ao Chameleontidae (um pequeno imigrante proveniente da África do Sul) e um soberbo “A handlist of the birds of Southern Mozambique. Part II (Passeriformes)”, de P.A. Clancey (Director, Durban Museum, Durban), 167 páginas com inúmeras ilustrações. Aqui deixo pequena amostra, com o xirico simbólico a encimar. E com aves da Gorongosa e da Zambézia, para mostrar que a pesquisa foi abrangente. [Recordo que pressionando as imagens elas acrescem].

Uma delícia. Para os (poucos, presumo) interessados deixo um aviso. Olhem para o chão quando passarem para as bancas dos alfarrabistas. Pois as sobras destas edições (literalmente) ainda por aí andam, de quando em quando.

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36 livros em Moçambique nos 36 anos de Moçambique, a propósito do questionário livresco que por aí anda

 

Anda por blogo-aí um inquérito sobre leituras, daquelas correntes convivenciais tipo “passa ao outro e não ao mesmo“. Como a mim ninguém me liga, calimerizo, respondo por iniciativa própria. Moçambique faz 36 anos esta semana e por isso ficam (também) os meus (36) livros preferidos sobre Moçambique, (d)aqueles com os quais fiz o meu Moçambique.

1 – Existe um livro que leste e releste várias vezes?

“As Duas Sombras do Rio”, de João Paulo Borges Coelho.

2 – Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Só cá em casa tenho estantes desses. Um? “Moçambique“, de António Enes.

3 – Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Nunca faria tal coisa. Se estivesse moribundo ia morrer.

4 – Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

A Sociedade Chope“, de David Webster (ainda).

5- Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?

De sempre? “O Jogador“, de Dostoievski. Aqui?

Nada nos é belo se for demasiadamente claro. Nada interessará.

Portanto, arrumo, aqui, as ferramentas deste trabalho, desta paixão que tenho pelas visões que encerro, pelo motor que as leva à minuciosa observação dos espaços. E ainda assim sinto que me pesa tanto inconhecimento, tanta denotada fragilidade. Eu nada sabia desta remota possibilidade, deste lírico fervor que guardo pela imaginação. Gostaria imenso de falar-me disto, destas alegrias pacientes de que sou um exímio fazedor. Como sucedo que olho para o que a pensar direi melhor.

Vou fechar a janela amarela que tenho virada para Oriente. Vou restabelecer outro milagre de sonhar.

(Eduardo White, Janela Para Oriente)

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Sim. Aventuras. [A pergunta está mal escrita ... o que lia? então segue-se:].

Questão: o que é ser criança? Emílio Salgari (preferia o “Corsário Negro”), Edgar Pierre Jacobs (Blake & Mortimore), Karl May, Condessa de Ségur, Julio Verne, Enid Blyton (mais “As Aventuras dos Cinco”), Uderzo e Goscinny (Asterix), Herge (Tintin), Jacques Martin (Alix), Jean Graton (Michel Vaillant), Major Alvega, revistas Tintin semanal, Colecção Apache, Colecção Combate, colecção Condor, Morris (Lucky Luke), Henrique Galvão, Paul Féval, colecção Fauna (Verbo Editora).

Resposta: é ler até chegar a Thor Heyerdhal (“A Expedição Rá“).

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Já li muitos assim mas ponho o “O Advogado de Inhassunge“, de Luís Loforte. Pois não só o li como ainda tive que ouvir o sarcasmo do autor, invectivando a minha falta de interesse na sua obra.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Por razões da efeméride desta semana ficam 36 livros, os livros que fizeram o meu Moçambique:

  • Anónimo, A Guerra dos Reis Vátuas …
  • João Paulo Borges Coelho,As Duas Sombras do Rio
  • João Paulo Borges Coelho, As Visitas do Dr. Valdez
  • João Paulo Borges Coelho, Índicos Indícios I. Setentrião / Índicos Indícios II. Meridião (dois livros que são um, dividido por razões editoriais)
  • Bernardo G. de Brito, O Naufrágio de Sepúlveda
  • José Capela, Donas, Senhores e Escravos
  • Júlio Carrilho, Luís Lage et al, Traditional Informal Settlements in Mozambique: from Lichinga to Maputo
  • Rafael da Conceição, Entre o Mar e a Terra. Situações Identitárias no Norte de Moçambique
  • José Craveirinha, Xigubo
  • Teresa Cruz e Silva, Igrejas Protestantes e Consciência Política no Sul de Moçambique: o caso da Missão Suíça (1930-1974)
  • Jorge Dias, Os Macondes de Moçambique (em particular a reedição do primeiro volume, 1999, com prefácio de Rui M. Pereira)
  • Fernando Florêncio, Ao Encontro dos Mambos. Autoridades Tradicionais vaNdau e Estado em Moçambique
  • Carlos Fortuna, O Fio da Meada : o algodão de Moçambique, Portugal e a economia-mundo, 1860-1960
  • Christian Geffray, Nem Pai Nem Mãe. Crítica do Parentesco: o caso Macua
  • Christian Geffray, A Causa das Armas. Antropologia da Guerra Contemporânea em Moçambique
  • Patrick Harries, Work, Culture and Identity. Migrant Laborers in Mozambique and South Africa, c. 1860-1910
  • Alcinda Honwana, Espíritos Vivos, Tradições Modernas. Possessão de Espíritos e Reintegração Social Pós-Guerra no Sul de Moçambique
  • Luís Bernardo Honwana, Nós Matámos o Cão Tinhoso
  • Allen Isaacman, Cotton is the Mother of Poverty. Peasants, Work, and Rural Struggle in Colonial Mozambique, 1938-1961
  • Henri Junod, Usos e Costumes dos Bantu
  • Ungulani Ba Ka Khossa, A Orgia dos Loucos
  • Rui Knopfli, Mangas Verdes Com Sal
  • Ana Loforte, Género e Poder Entre os Tsonga de Moçambique
  • Eduardo Medeiros, História do Cabo Delgado e do Niassa (c. 1836-1929)
  • A. J. Mello Machado, Entre os Macuas de Angoche
  • José Negrão, Cem Anos de Economia da Família Rural Africana
  • Diocleciano Fernandes das Neves, Das Terras do Império Vátua às Praças da República Boer
  • Francisco Noa, Império, Mito e Miopia
  • Eduardo Pitta, Persona
  • Ricardo Rangel, Pão Nosso de Cada Noite
  • Frei João dos Santos, Etiópia Oriental
  • Nelson Saúte e António Sopa (orgs.), Ilha de Moçambique Pela Voz dos Poetas
  • Nelson Saúte (org.), As Mãos dos Pretos. Antologia do Conto Moçambicano
  • Nelson Saúte (org.), Nunca Mais é Sábado. Antologia de Poesia Moçambicana
  • Nelson Saúte, Os Narradores da Sobrevivência
  • Karl Weule, Resultados Científicos da Minha Viagem de Pesquisas Etnográficas no Sudeste da África Oriental

9. Que livro estás a ler neste momento?

Pouco daqui. Mas alguns a propósito daqui. “Mulheres de Atenas” de Ana Lúcia Curado, “A Fruição da Arte, Hoje” de Idalina Sardinha, “Judas, o Obscuro” de Thomas Hardy, “Sonetos” de Bocage, “Natural Symbols” de Mary Douglas, ” Camões e a Identidade Nacional” (colectânea de discursos de 10 de Junho de Vergílio Ferreira, Jorge de Sena, Fernando Namora, Vitorino Magalhães Godinho, David Mourão Ferreira, Eduardo Lourenço, Agustina Bessa-Luís, José Azeredo Perdigão), “Obras Completas II 1952-1974” de Jorge Luís Borges, “O Meu Cinzeiro Azul” de Henrique Fialho, “A Invenção das Ilhas” de Virgílio de Lemos.

10. Indica dez amigos para o Meme Literário:

Ana Leão, Fernando Florêncio, Miguel Vale de Figueiredo, Pedro Sá da Bandeira,  Um Voo Cego a Nada, PembaAtoll, Mãos de Moçambique, On The Road Again, Chuinga, Raposas a Sul.

[ok, já posso ir acabar de arrumar as estantes]

Adenda: meter-me numa brincadeira destas de fazer uma lista dos livros que fizeram o meu Moçambique e não a encabeçar com o “Antropologia e Desenvolvimento. As Aldeias Comunais de Moçambique” de Adolfo Yañez Casal diz mais da minha desarrumação do que outra coisa qualquer. Fica então para a próxima lista, tipo “os 37 livros nos 73 anos” …

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Mia Couto

O blogo-veterano Orlando Braga acaba de criar no facebook um grupo de apoio à atribuição do Prémio Camões a Mia Couto, o qual vai rapidamente crescendo. Acredito que chegando isto aos ouvidos do escritor fique ele até encabulado, naquele seu jeito algo atrapalhado. Mas Mia Couto é um escritor de leitores, estes têm-lhe afecto, não só às suas obras. E assim entendo o referido grupo, um sítio onde se juntam (virtualmente) os afectuosos leitores dos seus livros. Então para eles fica aqui uma prenda, as capas nas estantes cá de casa. Até para conferir(mos) o que falta …

[Cada Homem é Uma Raça, Caminho, 1990]

[A Chuva Pasmada, Ndjira]

[Contos do Nascer da Terra, Ndjira, 1997]

[Estórias Abensonhadas, Ndjira, 2ª edição, 1997 (1994). Ilustrações de João Nasi Pereira]

[Ilha da Inhaca. Mitos e Lendas na Gestão Tradicional de Recursos Naturais, Impacto, 2001. Coordenação de Mia Couto]

[Idades Cidades Divindades, Ndjira, 2007]

[Jesusálem, Ndjira, 2009]

[Mar me quer, Ndjira, 1998]

[Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos, Ndjira, 2001]

[O Fio das Missangas, Ndjira, 2004]

[O País do Queixa-Andar, Ndjira, 2003]

[O Último Vôo do Flamingo, Ndjira, 2000]

[E se Obama Fosse Africano? e Outras Intervenções, Caminho, 2ª edição, 2009]

[O Pátio das Sombras, Escola Portuguesa de Moçambique/Fundació Contes pel Món, 2009. Desenhos de Malangatana]

[Pensando Igual, Moçambique Editora, 2005 (com Moacyr Scliar e Alberto da Costa Silva]

[Pensatempos. Textos de Opinião, Ndjira, 2005]

[Raíz de Orvalho e Outros Poemas, Ndjira, 2ª edição, 1999 (1983)]

[Terra Sonâmbula, Ndjira, 1996]

[Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, Ndjira,  2ª edição, 2002]

[A Varanda do Frangipani, Caminho, 1996]

[Venenos de Deus Remédios do Diabo, Ndjira, 2008]

[Vinte e Zinco, Ndjira, 1999]

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Crónicas da Minha Tia de África, de Elisa Santos

 

Hoje, quinta-feira 17 de Março às 18:00 h., será apresentado na  livraria Minerva Central o livro “Crónicas da minha Tia de África” (editora Turbina), um conjunto de textos de Elisa Santos que integra desenhos de Pinto e fotografias de Mauro Pinto. Elisa Santos é uma patrícia que aqui viveu alguns anos, estando agora em Angola (país de onde se deslocou para aqui apresentar o livro). Por cá desenvolveu intensa actividade no meio artístico (e dizem-me que foi a responsável anónima do Arte em Movimento, blog dedicado à actividade artística em Moçambique). Agora partilha, em registo de comunicação com um sobrinho, as suas experiências em África.

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Sitio com documentação sobre História de Moçambique

Mozambique History Net, local organizado pelo conhecido investigador Colin Darch. Nele se podem encontrar digitalizados vários livros, publicações e recortes de imprensa sobre Moçambique, respeitantes, grosso modo, ao período entre o início da década de 1960 e o Acordo de Paz (1992). Particular atenção sobre a história política (algo que os próprios limites temporais denotam). A vasculhar, como se torna óbvio.

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A passagem do ano

[Margaret Kalk (org.), A Natural History of Inhaca Island, Witwatersrand University Press, 1995]

Numa época na qual é habitual julgar o ser similar (ou até subordinado) ao ter é notório que este Ter (ser) passa ainda pelo “andar”. Ou seja, é-se se se for, se em determinados momentos do ano se andar para junto do mar, onde se transpira com abundância, se é ferido pela luz solar e onde se mostram os refegos e furúnculos próprios e apreciam as cicatrizes e tatuagens alheias, e todas essas chagas em vice-versa. Seja isso na costa do sol maputense, aos milhares, ou em refúgios quase-secretos nas águas do cabo delgado, os propósitos são os mesmos. O melhor disso mesmo é podermos enviar, com frequência, sms (ou até mensagens para o facebook, se tivermos “daqueles” telefones), a informar de quantas laurentinas premiuns já bebemos, de quanto azul é o paraíso solar só nosso, ou as formas das mamas face às quais nos babamos, e outras coisas que tais. Enfim, fazer os outros ser (ter) menos dado o nosso tanto ter (ser). Andar …

Não tenho paciência para estas vertigens solares alheias. Não quero saber da “alegria” alheia – que aliás reputo de alienadora. Nos próximos dias, ar condicionado ligado, vou-me dedicar à leitura deste livro colectivo, 394 grandes páginas dedicadas à ilha defronte, adiada há muito. Não estarei nem aqui nem no trampolim facebook – onde poderão mostrar as vossas aventuras, na praia, na neve, nas montanhas, nas discotecas. Estarei, de forma ainda mais literal, dedicado ao saber.

Sejam. Aliás, andem. Tenham, em suma.


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Os italianos em Moçambique

[Augusto MassariOs Italianos em Moçambique na Época Portuguesa (1830-1975), Maputo, Imprensa Universitária, 2005]

Livro dedicado à presença dos italianos em Moçambique, escrito por um diplomata italiano durante a sua missão no país. Interessante, informativo, ainda que a profissão se tenha imposto ao olhar. Pois filiado à actividade missionária católica e também ao nacionalismo (de retórica até serôdia): “[os missionários italianos] para além do seu trabalho de evangelização … permitiram às populações moçambicanas habitando as zonas mais arredadas e desconhecidas pelo homem europeu conhecer e apreciar a humanidade, a laboriosidade [sic], a inteligência e a alegria do povo italiano” (226) e “pondo em prática os grandes ideais de solidariedade e de amizade, típicos do povo italiano, perante as populações mais necessitadas” (131). Já não é tempo para estas formulações! Um nacionalismo católico que lhe prejudica a compreensão da história moçambicana, como neste eco anti-pombalino da historiografia portuguesa católica: “durante o período da ditadura do Marquês de Pombal, foi o seu ódio patológico contra a Companhia de Jesus” – “Ódio patológico”, porquê? – que o autor até entende como prejudicial para o “controle português da África Oriental” pois que devido a isso esse controlo se teria então restringido a “poucos senhores dos prazos, que no vale do Zambeze, conseguiram manter uma certa influência portuguesa” (8 ) [de referir a inconsistência de apresentar Pombal como no poder durante a segunda década de XVIII (7-8), o que talvez seja apenas um erro de revisão].

Parece óbvio o exagero da influência eclesiástica (e jesuítica) bem como a incompreensão da sociopolítica dos “Prazos” e das realidades políticas históricas em Moçambique, algo que até transparece na forma como escorrega na questão das terminologias administrativas portuguesas e dela retira, para o longo período XVI-meados XIX que “os portugueses tinham o controle de pouco mais de 30% do actual território moçambicano(10), um exagerado exagero.

Ainda de notar a incompreensão (ou nacionalista – de italiano – tentativa de ilegitimação) do projecto colonial modernista europeu em Portugal, ao invectivar a I república portuguesa por “o partido republicano, paradoxalmente, que fará do imperialismo um dos seus cavalos de batalha, consolidando o sentimento de afeição e de vínculo à vocação colonial da nação portuguesa” (18). Paradoxalmente porquê? Enfim, características “amadoras” da obra, somadas ao facto de indiscutir a identidade “italiana”, mas que não lhe tiram o interesse mas que fazem exigir particular distância na leitura. Em particular face à deriva nacionalista, desnecessária, a que nem o pequeno prefácio da historiadora Anna Maria Gentili está imune. Mas não é para discutir a história geral de Moçambique que se avança para um livro destes, sim para fruir o que há para saber sobre a presença de italianos aqui (ainda que a própria ideia de “italianos” seja indiscutida no livro). E para esse objectivo é muito interessante:

Anúncio fábrica “Jolanda” (1914) que virá a produzir “A Nacional”, 1ª cerveja moçambicana

O livro organiza-se cronologicamente. Começa por breve abordagem a alguns passantes de XVI, e que deixaram registo escrito: Lodovico de Varthem que aportou a Ilha de Moçambique e Sofala na primeira década e publicou em 1510 um “Itinerário”, reeditado em 1885 (citado em 27-28); Andrea Corsali, que aportou na Ilha em 1515 (citado em 28-29). São breves incursões, como se curiosidades, em relatos típicos da época, sempre saborosos de ler.

João Albasini, comerciante e caçador, diplomata e autoridade política.

Depois são abordados os percursos de duas famílias ainda presentes na paisagem moçambicana, os “pioneiros” como lhe chama o autor. Os Fornasini e os Albasini, oriundas de indivíduos que chegaram cerca de 1830, famílias que durante várias gerações tiveram membros com renome e interessantes percursos. Neste âmbito Massari refere até que João António Fornasini, segunda geração aqui, mulato – miscigenação que não ocupa o autor, nem relativamente à dimensão “italiana” das personagens nem tampouco quanto às características mais porosas da hierarquia sociopolítica de então face a décadas posteriores - que chegou a governador interino do distrito de Inhambane e seu capitão-mor (décadas de 80 e 90 de XIX), teria sucedido a José Loforte, durante décadas capitão-mor da pequena vila, e que seria também ele de origem italiana – e também fonte de uma reconhecida e alargada família local. Mas o autor não adianta mais dados, para essa “italianização” das famílias históricas da sociedade crioula moçambicana.

Hotel Cardoso, década de 1920

Um terceiro período abrange o processo de formação urbana, com a corrida aos minérios preciosos na África do Sul e Rodésia do Sul, com a construção dos caminhos-de-ferro LM-Pretória (terminado em 1895) e Beira-Salisbury (terminado em 1898), implicando a chegada de operários especializados e de pequenos comerciantes, alguns dos quais se fixaram, principalmente na capital (onde o primeiro consulado italiano se firmou em 1905, demonstrando o crescimento estável dessa comunidade). E logo depois com o sucesso de alguns comerciantes e industriais que marcam a paisagem urbana e social da cidade: Giuseppe Cavallari, fundador da “A Nacional” a primeira marca de cerveja moçambicana, que resultaria da fábrica Jolanda. Os Sorgentini que ficaram proprietários e desenvolveram o Hotel Cardoso. Os Buffa-Buccellato que construiram a primeira pista de patinagem e o Varietà. E na Beira o Hotel Savoy de José de Martini e o Cosmopolitan Hotel de Pedro Tognoli. E a “Branca das Mãos de Ouro”, Branca Berg, das primeiras europeias residentes na então Lourenço Marques, mulher do espectáculo, cantora, empresária hoteleira, jogadora, muito provavelmente prostituta de elite – um historial, de que há memória histórica, e que se impõe de imediato como personagem para futuras ficções, literárias ou cinematográficas.

Mandimba, 1926, missonários italianos na 1ª igreja católica no Niassa

Um quarto processo, de tentativa de implantação de interesses italianos (lombardos) no norte do país, em Cabo Delgado e fundamentalmente no Niassa, vocacionados para a agricultura, e com apoios económicos e políticos de Itália, que terão sossobrado com a crise de 1929 (a imagem  da capa é a da reprodução de um jornal italiano que refere a “colónia italiana em terras de África”). Tudo isso em articulação com os missionários italianos que chegaram em 1925 com o intuito de se estabelecerem no Niassa. Era um projecto com contornos políticos de expansão italiana, ainda que pouco sistematizados – Massari, narra risonhamente, que os missionários da Consolata, foram recebidos no porto da Beira por uma orquestra cujo maestro local, italiano (adstrito à hotelaria local), fez tocar o hino da juventude do partido governamental, de Mussolini. É talvez o ponto mais interessante do livro, esta abordagem aos processos estratégicos da missão da Consolata em penetrar no Niassa, articulados (mesmo que de forma algo fluída) com os interesses agrários e políticos de sectores italianos pró-coloniais e agrários. Isto durante a década de 20, aquando do espírito colonial italiano virado para a África Oriental. E enfrentados com profunda desconfiança por clero e administração portuguesa, o que permite um entendimento algo mais trabalhado sobre as relações entre missões católicas e Estado português de então.

Tulio Cianetti, ex-ministro de Mussolini, dono da Sociedade Industrial do Maputo, recebe homenagem em Bela Vista

Um quarto momento do livro é dedicado aos efeitos da II Guerra Mundial. O refúgio no porto de Lourenço Marques do navio Gerusalemme, ali fundeado com a sua tripulação durante 3 anos e meio, e o afundamento do navio britânico Nova Scotia ao largo da costa e cujos sobreviventes foram transportados para Moçambique, aqui tendo ficado por anos, em ambos os casos implicando alguns processos de integração, episódica ou perene. Para além desses episódios marítimos (também muito propícios a narrativas) dois elementos surgem no pós-guerra. A presença de alguns refugiados italianos, oriundos do regime derrubado, associados a uma alguma disponibilidade de capital e estatuto social e facilmente integrados no âmbito do Estado Novo.

E a chegada das novas missões católicas, capuchinhas, dehonistas e comonianas, que viriam a marcar a paisagem cultural e até política da colónia e do futuro país. Como o veio a fazer este futuramente célebre padre Prosperini (falecido em 2004) depois de fundar a União Geral das Cooperativas. Condignamente homenageado no final do livro.

Prosperino de Montescaglioso, Morrumbala
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A Guerra dos Reis Vátuas

[Anónimo, A Guerra dos Reis Vátuas do Cabo Natal, do Maxacane da Matola, do Macasssane do Maputo e demais Reinos Vizinhos contra o Presídio da Baía de Lourenço Marques, Maputo, Arquivo Histórico de Moçambique, 1995 (1986)]

Abaixo o ABM insurge-se contra a mitificação da história, em particular face aos recorrentes adornos nacionalistas. E denuncia, como ponta-de-lança iluminista, a falsa fortaleza, construída em 1940. Época, ao que sei, em que o castelo de Lisboa, dito de S. Jorge, foi edificado. Ou melhor dizendo, reedificado.

ABM refere ainda o episódio da morte do governador da fortaleza de LM em 1833, Dionísio Ribeiro. Isso remete para este livro que narra detalhadamente os acontecimentos. O texto será da autoria de António José Nobre, um comerciante português residente que foi acusado de cumplicidade e julgado pelo facto, tendo sido inocentado. Este relato terá sido a sua defesa, considerações avançadas por Gerhard Liesegang na introdução que faz a esta edição.

É de leitura obrigatória, ilustrando as redes de poder político de então e seus conflitos, sob o poder de Dingane. E demonstrando também o conteúdo da presença portuguesa de então, um frágil e pobre entreposto. Ribeiro, “governador” nominal mas apenas chefe de um entreposto, terá morrido pela sua falta de tacto e inteligência, assumindo-se como verdadeiro poder (andou a colocar bandeiras nas casas alheias, não pagava as taxas [saguates] para o exercício de actividades económicas, etc]. E era desprovido de talentos diplomáticos. Para além disso a leitura do texto deixa indiciar algum desarranjo mental, mas isso já poderá ser versão autoral.

O texto não tem dimensão literária e não é um tratado de história. Mas possibilita para além da visão sobre as redes políticas de então no sul de Moçambique, um olhar sobre as práticas militares e entrever um pouco da pequeníssima comunidade que se radicava no que veio a ser Lourenço Marques/Maputo. Bem como, e é nisso muito informativo, a pluralidade de potentados existentes em torno da baía e a complexidade das suas articulações e conflitos, expressa também nas modalidades diferenciadas da sua relação com o poder dominante mas longínquo, o de Dingane.

Finalmente, e a propósito do texto de ABM, Dionísio Ribeiro e alguns dos seus homens foram capturados na Xefina, para onde tinham fugido. Foi trazido para a fortaleza e depois levado para o caniçal onde foi executado “…cerca de um quarto de légua, perto do caniçal e à borda do rio. Ali lhe rasgaram o peito com uma zagaia e lhe tiraram o coração …” (65). Qual a razão desta citação? Apenas para sublinhar este meu ponto, que é o que realmente me interessa: a ideia – a que ABM alude, desmistificando-a -, de que o governador da fortaleza portuguesa de Lourenço Marques em 1833 (ou em 1883, como diz a versão mais patrioteira) possa ter sido “enforcado” numa árvore fronteira à fortaleza (de sublinhada simbolização) é uma construção cujo simbolismo identifica o autor: ou um assimilado criado nas missões protestantes ou um “historiador” marxista anti-colonial anglófono. Inclino-me para a primeira versão. Identificando-lhe os constrangimentos disciplinares sofridos: alguém que aprendeu qual a forma “correcta” (britânica, cristã) da execução, a forca. Enfim, o colono ainda lá está dentro (a começar pelo deus que trouxe, mas isso é outra história).

Porque é isso o interessante. Quais são as forças intelectuais (e simbólicas) motrizes destes processos de apropriação e reconstrução da história. Seus agentes e objectivos. Em suma, a forca como castigo? Dá para rir. Ou seja, interpretar….

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Com as Mãos, de Luís Abélard

Na próxima quinta-feira, dia 23 de Setembro, o Luís faria 50 anos. Nessa data será apresentado o seu livro “Com as Mãos“, retratos de 24 artistas moçambicanos, um projecto que tanto acalentou nestes últimos tempos. O lançamento será duplo, em simultâneo. Em Lisboa na Livraria Babel, sita na Av. António Augusto de Aguiar. E no seu Maputo, às 18.30 h., na Associação Moçambicana de Fotografia. Aí ficará também a exposição fotográfica correspondente ao livro, a qual estará disponível até ao próximo dia 30 (dias úteis: 15 às 20 horas; sáb e dom: 10 às 17 horas).


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Etiópia Oriental

Recebo em casa o Jornal de Letras, edição de 28 de Julho. Contém um interessante dossiê sobre literatura de viagens (não está disponível no sítio), questões a 16 escritores sobre quais os seus livros de viagens preferidos. Cada um apontou cinco e a redacção do jornal compôs uma selecção de 15 livros dedicados a cada um dos continentes, um pouco enviesada para a literatura portuguesa actual, mas isso não lhe tira mérito. É interessante, procurar o que foi apontado, descobrir alguns, lembrar outros. Nessa minha busca noto que infelizmente ninguém lembrou este majestoso livro de Frei João dos Santos, “Etiópia Oriental e Vária História de Cousas Notáveis do Oriente“, dedicado na sua maioria à zona do Zambeze no final do século XVI. O autor, missionário de então, era um espantoso observador, o livro um prodígio de olhar e de narrativa, incontornável na história do pensamento português. E é um manancial para a leitura da história social deste país. Tudo isso não obsta a que esteja relativamente esquecido e seja de difícil acesso.

A edição que possuo é da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, publicada em 1999. Tem introdução de Manuel Lobato, e notas dele próprio e de Eduardo Medeiros. Uma preciosidade. A ver se aparece recomendada no próximo período de férias no hemisfério norte. E (re)editada num dos do sul.

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Cidades Africanas

Num recanto de uma livraria lisboeta (no King) descubro alguns exemplares desta revista, a qual desconhecia.O nº 5 da “Ur. Cadernos da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa“, dedicado a “Cidades Africanas“. Publicada em Maio de 2005 (12 euros). Um maná para nós, interessados – profissional ou afectivamente: tem mais de 20 artigos sobre a matéria. Artigos de Cristina Delgado Henriques, Pancho Miranda Guedes, José Forjaz (e ainda uma sua entrevista concedida a Isabel Raposo), e tantos outros nomes com obras reconhecidas sobre a matéria, José Manuel Fernandes, Maria Clara Mendes, Ilídio do Amaral, Isabel Raposo, etc. Apesar da já antiguidade da revista (5 anos), valerá com toda a certeza um mergulho atento.

Depois o resmungo. Este tipo de revista não esgota, aliás as académicas custam a fazer circular. Esta, como tantas outras, foi publicada com o apoio de instituições estatais. Entre elas o IPAD (instituto português de apoio ao desenvolvimento, a chamada “cooperação”). Com toda a certeza este apoio implica a recepção de exemplares (é a prática usual). Mas estes não são distribuídos, perdendo-se assim a possibilidade de divulgar os trabalhos dos especialistas, por esse modo criando possibilidades de diálogo e, até, de trabalho comum. Nem distribuição de exemplares – há alguma lógica de apoiar isto e não o anunciar/distribuir nas faculdades de ciências sociais com as quais se tem “cooperação”? -nem tampouco a divulgação da publicação (via internet, via delegações nos países com os quais o instituto trabalha). Nada, dá-se o apoio financeiro e pronto, está concluída a função. Passam-se os anos e não muda a atitude. É, entenda-se, falta de gosto no que se faz. Nada mais.

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25 de Junho: dia da independência de Moçambique

35 anos de independência de Moçambique cumprem-se agora. Há exactamente seis anos aqui coloquei esta entrada, evocando a data. São hoje tão diferentes os leitores do ma-schamba que acho justificável a repetição:

1. Dia de constituição da Frelimo (1962).

FRELIMO/KATIKA KUPIGANA NA/UKOLONI NA UBEBERU/25 SETEMBRO, offset 2 cores, Frelimo, Dar-es-Salaam 19 (AHM 80), retirado de B. Salstrom, A. Sopa (1988), Catálogo dos Cartazes de Moçambique, Arquivo Histórico de Moçambique

2. Independência antecedida da viagem de Samora Machel “De Norte a Sul de Moçambique” – a célebre viagem “do Rovuma ao Maputo

retirado de A. SOPA (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

3. Declaração da Independência de Moçambique (1975)

25 de JUNHO DE 1975 / INDEPENDÊNCIA DE MOÇAMBIQUE, offset 2 cores, José Freire, DNPP, Maputo 1975 (AHM 96), retirado de B. Salstrom, A. Sopa (1988), Catálogo dos Cartazes de Moçambique, Arquivo Histórico de Moçambique

Discurso de proclamação da independência de Moçambique no estádio da Machava  (colecção Telecine), retirado de A. Sopa (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

A mudança de bandeiras:  ”Independência de Moçambique” de Dino Jehá, retirado de F. Ribeiro (coord.) (2003), Exposição Moçambique: Vida e História em Psikhelekedana.

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