ma-schamba

14/08/2010

Ruy Duarte de Carvalho por ele próprio

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 14:07

É via Joana Lopes e também o mais-que-recomendável Buala. Cultura Contemporânea Africana que apanho Ruy Duarte de Carvalho por ele próprio (no sítio da sua editora, a Cotovia – que o tratava bem). Maneira também de avisar os leitores do ma-schamba: se nunca leram os seus livros vão à livraria (ou à estante de amigos). Valem mesmo a atenção.

jpt


  • Share/Bookmark

13/08/2010

Ruy Duarte de Carvalho entrevistado por Carlos Vaz Marques (2008)

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 2:24

O caro ABM descobre Ruy Duarte de Carvalho entrevistado por Carlos Vaz Marques em 2008, aquando do lançamento do seu livro “Desmedida“, uma recriação de uma sua viagem ao Brasil. A ouvir. Uma bela conversa. Mérito do entrevistado. E do entrevistador.

jpt


  • Share/Bookmark

12/08/2010

Morreu Ruy Duarte de Carvalho

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 18:06

Acabo de saber que morreu o Ruy Duarte de Carvalho. Antropólogo, cineasta, escritor. De quando em vez aqui deixei modestas referências à sua obra. Até resmungos sobre a urgência em premiá-lo, entenda-se isso como urgência em ler os seus livros. Os quais adoro, é o termo correcto. [Também por isso o primeiro post do ma-schamba é uma citação de um texto seu].

Conheci-o há uma década, uns breves dias desses encontros académicos. Era ele um daqueles casos, raros, em que a excelência da escrita é acompanhada pela do homem que escreve.

Quem olhará os pastores, agora?

jpt


  • Share/Bookmark

03/12/2009

Hoje Seis anos de ma-schamba

Filed under: Ma-Schamba,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 0:01

 Lavoura

“…a lances de catana e de machado desfaz a rama e a trama dos espaços virgens. Prepara um espaço para a nova lavra, esgotado o humus de uma lavra antiga. Alarga a circunferência de chão raso. Devolve o sol à terra e dá-lhe a mansa forma de um corpo fecundável e passivo. O tronco nu progride mata a dentro. Governa os braços firmes e velozes, confere exactidão ao gesto azado. E os fustes, gemem, fendidos pelo golpe. Martela, vigoroso, a rijeza maior de alguns dos paus, depois transforma em lenha as copas derrubadas…”

(Ruy Duarte de Carvalho, Como se o Mundo Não Tivesse Leste, Cotovia, p. 117 )


  • Share/Bookmark

02/06/2009

Prémio Camões 2009

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 11:35

O júri do Prémio Camões 2009 reúne-se hoje. Mero leitor ando há anos a dizer isto:

rdc

Ruy Duarte de Carvalho


  • Share/Bookmark

02/03/2009

O camonizável do sudeste Atlântico

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 3:37

capadesmedida

[Ruy Duarte de Carvalho, Desmedida. Crónicas do Brasil, Edições Cotovia, 2006]

Um livro mais de “viagem”, mas que também não fosse um desses registos paraliterários de errâncias e de evasões a puxar para o sério e para a auto-ajuda. Que me remetesse para os domínios em que me movo mas admitisse derivas. Tentasse evitar aquilo que também poderia ser, se a intenção fosse essa: a mais vigorosa das penetrações analíticas, uma orgásmica exposição de evidências e de equações, um desafio algébrico à plácida aritmética do senso comum. Ensaiasse tão-só, talvez, dizer do Brasil a partir de Angola …” (p. 42)

enquanto

“… só resta, a quem não se precata, fazer o luto da sua juventude, depois de, cinquentão, “quando os dentes escurecem e os cabelos embranquecem”, ter passado pela idade em que se lamenta o tempo gasto e as oportunidades que se perderam e desbarataram. Dos quarenta aos cinquenta, diz ele [Richard Burton], um homem reconhece a sua própria ignorância, depois de ter achado, entre os vinte e os trinta, que sabia tudo e não tinha mais nada para aprender. Aos trinta, com sorte e durante dez anos, poderá ter até chegado a pensar que é possível viver com confiança e fé na vida. Mas corre então o risco de deixar possuir-se por essa exaltação e mesmo com calma é aproveitar porque também não dura. A consciência de ver-se condenado a permanecer um consumado ignorante, que se lhe impõe a partir dos quarenta, pode passar a revelar-se em tudo, inclusive numa constante, surpreendente e sempre serôdia e arrasadora surpresa perante as renovadas evidências, cada vez mais irrefutáveis, daquilo que nunca quis admitir antes. Isto acrescento eu.” (40-42)


  • Share/Bookmark

15/02/2008

Prémio Literário

Filed under: Antropologia,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 18:04

Para os vizinhos também admiradores de Ruy Duarte de Carvalho (pelo menos tu, P… G.), já agora homem que por aqui viveu no início dos anos 70 e que agora poderia vir de visita (se as “redes da lusofonia cultural” se lembrassem), notícia de Prémio Literário, de homenagem, de ciclo de apresentação da obra cinematográfica, de peça de teatro nele baseada e, mais do que tudo, de novo livro (e aqui um belo texto sobre um seu belo e velho livro). Tudo mais do que merecido – e entretanto lembro a inauguração do ma-schamba.


  • Share/Bookmark

03/12/2007

Filed under: Ma-Schamba,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 6:12

Quatro anos.


  • Share/Bookmark

12/03/2007

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 2:56

Estas coisas valem o que valem. Mas já que por razões de calendário este ano Ruy Duarte de Carvalho não poderá ser divulgado, chegou o tempo de premiá-lo deste modo.


  • Share/Bookmark

29/08/2006

Alfarrabistas de Maputo: Av. Mao-Tse-Tung, ao Café Estoril.

Ruy Duarte de Carvalho, A Decisão da Idade, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1977, 3ª edição [40 meticais]

Venho de um sul

vim de leste
dimensionar a noite
em gestos largos
que inventei no sul
pastoreando mulolas e anharas
claras
como coxas recordadas em Maio.

Venho de um sul
medido claramente
em transparência de água fresca de amanhã.
De um tempo circular
liberto de estações.
De uma nação de corpos transumantes
confundidos
na cor da crosta acúlea
de um negro chão elaborado em brasa.


Paulus Guerdes (coord.), A Numeração em Moçambique. Contribuição para uma Reflexão Sobre Cultura, Língua e Educação Matemática, Maputo, Insituto Superior Pedagógico, 1993 [50 meticais]

[Numerais na língua Makonde - I (M. Viegas Guerreiro), A contagem entre os Makonde (M. Viegas Guerreiro), Numerais na língua Makonde - II (E. Mpalume & M. Mandumbwe), Numerais na língua Yao (Miguel Viana), A contagem entre os Yao (Manuel Amaral), Numerais na língua Nyanja (Missionários da Companhia de Jesus), Sentido numérico Cheua (A. Rita-Ferreira), Numerais na língua Nyungwe (Victor Courtois), Numerais em Makhuwa-Lóhmé, Cóti e Árabe (António Pires Prata), Numerais na língua Sena (J. Torrend), Numerais na língua Shona (Ndau) (D. Dale), Numerais na língua Tshwa (J.A. Person), Numerais na língua Chope (Luís Feliciano dos Santos), Numerais na língua Tonga e o "sentido matemático" (Henri Junod), Numerais na língua Changana (Armando Ribeiro), Numerais em Tsonga (Changana) (Bento Sitoe), Numerais na língua Ronga (José Quintão), Numerais na língua Swazi (D. Ziervogel), Numerais na língua Zulu (Clement Doke). E entre vários outros textos analíticos ainda de salientar Métodos Populares de Contagem em Moçambique (Abdulcarimo Ismael & Evaristo Uaila)]


  • Share/Bookmark

13/06/2006

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 14:51

Ruy Duarte de Carvalho: sobre Lavra (Cotovia, 2005) ver texto no Insónia, agradecendo a Henrique Fialho a chamada de atenção.


  • Share/Bookmark

Filed under: Citações,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 2:53


 

 

 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Os Papéis do Inglês, Lisboa, Cotovia, 2000

II

A hesitação coloca-se ao nível da experiência. É ela que constitui o mais importante do material, do capital acumulado. Mas ela, a experiência, constitui-se a partir das referências. As do mundo e do tempo anteriores. E é a esse mundo anterior que a ordem das coisas, e da própria experiência, me impõe dar testemunho. Não viesse eu de fora e a experiência seria a da existência comum, não se revelaria como experiência, nem se revelaria sequer, estaria integrada na existência. E, assim, se me sentisse impelido a dar testemunho de alguma experiência, tratar-se-ia daquela que, fora dessa existência, me tivesse sido dado acometer. A experiência, assim, só faz sentido quando referida, à partida e à chegada, ao que lhe é exterior. Sem o antes não poderia ter tido lugar, sem o depois perderia o sentido. E a contradição maior reside no seguinte: tratando-se de uma experiência total, o seu saldo efectivo estaria em dar-lhe continuidade. E ela assim deixaria de o ser, transformar-se-ia em rotina, existência.

coisas que só se revelam
a quem não é do lugar
porém exigem estar
até sentir com elas
o tempo do lugar
que não se dá a ler
só de as olhar
e nem a quem
faz parte do lugar
partir de novo então
para captar
da mesma forma e algures
o tempo que a haver
só noutro lugar


  • Share/Bookmark

12/06/2006

Filed under: Citações,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 11:46

 

 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Os Papéis do Inglês, Lisboa, Cotovia, 2000

II

A hesitação coloca-se ao nível da experiência. É ela que constitui o mais importante do material, do capital acumulado. Mas ela, a experiência, constitui-se a partir das referências. As do mundo e do tempo anteriores. E é a esse mundo anterior que a ordem das coisas, e da própria experiência, me impõe dar testemunho. Não viesse eu de fora e a experiência seria a da existência comum, não se revelaria como experiência, nem se revelaria sequer, estaria integrada na existência. E, assim, se me sentisse impelido a dar testemunho de alguma experiência, tratar-se-ia daquela que, fora dessa existência, me tivesse sido dado acometer. A experiência, assim, só faz sentido quando referida, à partida e à chegada, ao que lhe é exterior. Sem o antes não poderia ter tido lugar, sem o depois perderia o sentido. E a contradição maior reside no seguinte: tratando-se de uma experiência total, o seu saldo efectivo estaria em dar-lhe continuidade. E ela assim deixaria de o ser, transformar-se-ia em rotina, existência.

coisas que só se revelam
a quem não é do lugar
porém exigem estar
até sentir com elas
o tempo do lugar
que não se dá a ler
só de as olhar
e nem a quem
faz parte do lugar
partir de novo então
para captar
da mesma forma e algures
o tempo que a haver
só noutro lugar


  • Share/Bookmark

11/06/2006

Angola de Ruy Duarte de Carvalho

Filed under: Citações,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 11:41


 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Os Papéis do Inglês, Lisboa, Cotovia, 2000

Ontem à tarde ocorreu uma configuração na paisagem de que nunca mais me vou esquecer. Todo este tempo tem sido de chuva e fui aferindo daqui, todas as tardes, os caminhos da água que inexoravelmente nos iam envolvendo umas vezes pelo sul e depois a rodar para leste, outras pelo norte, uma massa pesada e compacta de céu muito escuro que de oriente se estendia até muito longe, uma barreira azul-cobalto por detrás das nuvens mais próximas e das suas bordaduras, dos seus debruns, brancos e explosivos. Só longínquo ocidente preservava uma faixa de céu limpo, que o sol atingiu quando ia a pôr-se e de onde irrompeu então essa luz verde, rasante e limpíssima, que acontece às vezes e incandesce mais do que ilumina. As superfícies brancas da lona da tenda e da chapa do jipe, o ocre do chão, as ramas dos mutiatis, as pedras e as roupas do Paulino e do sobrinho, tudo irradiava uma espantosa luminosidade autónoma. De costas para o ocidente, era o espectáculo destas fontes de inverosímil luz contra a barreira de chuva a leste, painel total. A envolver o acampamento todo, o jipe dum lado, a tenda do outro, duas árvores no meio e entre e para além delas as pedras que nos servem de cozinha e as pessoas nelas, havia não apenas um, mas dois arcos-íris, altos no céu, concêntricos e assentes no perfil do verde da mata próxima. E tudo exactamente no centro dos dois arcos. Uma coisa assim perfeita, concertada, determinada, irreal, e tão completamente ordenada em função daquele local, eclodia perfeita qual aparição e seria puro vício de prevenção não lhe conferir um estatuto de sinal. Mas era como numa gravura abusiva e kitsch, inverosímil e quase obscena pela artificialidade da composição e pelo excesso impudico da cor.” (182-183)

 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Como Se o Mundo Não Tivesse Leste, Lisboa, Cotovia, 2003

Um homem não deixa nunca sem mágoa um espaço que inventou e o inventou, uma nação que urdiu para si por escolha e amor ao chão.” (43)

Já vive no mundo que não se distingue. Se é vivo, se é morto, se é Deus, se é palavra, se é gesto, se é alma, não lhe dá cuidado. É o mundo, e se é mundo progride em silêncio, porque é o silêncio que governa tudo.” (156)

 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Vou Lá Visitar Pastores, Lisboa, Cotovia, 1999

Quererás tu, ou poderá interessar-te, ou ajudar-te, saber o que ando eu próprio para aqui a fazer; investido há mais de cinco anos num projecto que ninguém me encomendou e a tentar por todos os meios torná-lo socialmente rentável sem perder no entanto de vista que se trata de facto de um projecto pessoal que em plena consciência me atrevo a manter e a sustentar apenas porque através dele não descuro, antes reforço, as obrigações e actuações que entendo inerentes ao meu lugar cívico, sem prejuízo, antes com benefício, para a comunidade em que ocupo o lugar de cidadão em condições de agir segundo os seus próprios recursos e instrumentos?” (101)

 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Observação Directa, Lisboa, Cotovia, 2000

//
andou anos a dizer que a uma paisagem, para tê-la,
só podendo partilhá-la, até que aprendou a partilhar
com a própria paisagem
a amarelidade, em si, do amarelo dela
.


 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Actas da Maianga, Lisboa, Cotovia, 2003

Proclama-se pois a determinação de repor um passado, de reabilitar uma “cultura” nossa, e investe-se em conformidade, mas o que se “repõe” não corresponde afinal a passado nenhum nem a qualquer presente que não seja o da representação que um certo presente faz daquilo que hoje lhe ocorre poder ser um passado adequado às estratégias que o presente lhe dita. O equívoco, assim, proposto como testemunho.” (233)

 

 

 

 

Ruy Duarte de Carvalho, Aviso à Navegação, Luanda, Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1997

Nunca me ocorreu falar em nome fosse de quem fosse e pessoalmente ponho séria e constantemente em dúvida a fundamentação de qualquer filosofia, modo ou dispositivo de representatividade. Mas do ponto de vista da minha actuação cívica, e aqui não é o antropólogo que se manifesta mas o cidadão angolano, só posso justificar-me, perante as populações e perante mim mesmo, se continuar a trabalhar para que a “sociedade global” tenha em conta a diversidade dos interesses e das lógicas que a nossa realidade comporta e se aperceba de que, por exemplo, numa era em que tanto se fala de direitos humanos, não cabe certamente num tal espírito de cruzada o sacrifício do direito de certas populações preservarem a capacidade de se resolverem quando os processos donde emanam os discursos sobre os direitos do homem conduzem à desestruturação e à destruição totais.” (134-135)


  • Share/Bookmark

01/12/2005

Efemérides

não sou lá muito disso, acima de tudo uma canseira. E até assim para o seco (“hoje é o dia de falar de … porque tem que ser”). Mas neste caso, neste seu verdadeiro sentido de “tábuas astronómicas que indicam a posição dos planetas para cada dia do ano”, é no Da Literatura que me acordo do meu desnorte [o cujo, caso diferente tivesse sido o clic-clic, ter-se-ia estancado ainda que insone].

O dia em que nasci meu pai cantava
versos que inventam os pastores do monte
com palavras de lã fiada fina
cordeiro lírio neve tojo fonte

esta é uma velha história de família
para dizer como ele e eu chegámos
à raiz mais profunda do afecto
do qual nunca jamais nos separámos

nem Deus feito menino teve um pai
que o abraçasse e lhe cantasse assim
desde a primeira hora até ao fim

fui vê-lo ao hospital quando morria
olhos parados num sorriso leve
tojo cordeiro lírio fonte neve

Antes expliquei-me sobre este Fernando Assis Pacheco, do “Respiração Assistida” único seu livro que aqui tenho: aqui e com outro poema.

Agora podia continuar a teclar, a “postar” poemas. Mas vão ler.


  • Share/Bookmark

03/03/2005

falaste? turvaste a água!

Filed under: Citações,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 9:19

é morte de homem?
a que cheira então?

isso que fede é o cheiro da injúria, da afronta
da escória da memória.

falaste, soltaste a língua
abriste a palavra aos outros:

vem-te à boca agora
o hálito alheio

e respiras o sabor
do que tinhas engolido.

vai à lenha e volta
a novidade espera.

onde ir à água que a não deixes turva
e aonde te vais mostrar
que não te exponhas ao mundo?

da rama estéril, quem fala?
a inveja visa é lá, é onde tem.

*

hálito alheio:
memória da escória

[Ruy Duarte de Carvalho, Observação Directa]


  • Share/Bookmark

01/03/2004

A Schamba

Filed under: Citações,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 12:01

Sobre a terra trabalha, e como ninguém, o senhor “Carvalho”.

“…a lances de catana e de machado desfaz a rama e a trama dos espaços virgens. Prepara um espaço para a nova lavra, esgotado o humus de uma lavra antiga. Alarga a circunferência de chão raso. Devolve o sol à terra e dá-lhe a mansa forma de um corpo fecundável e passivo. O tronco nu progride mata a dentro. Governa os braços firmes e velozes, confere exactidão ao gesto azado. E os fustes, gemem, fendidos pelo golpe. Martela, vigoroso, a rijeza maior de alguns dos paus, depois transforma em lenha as copas derrubadas…”

E assim continua por páginas várias, possuidor que é de incontáveis artes e engenhos, decerto porque de pactos com os seus diabos.

(“Como se o Mundo Não Tivesse Leste”, Cotovia, 117 )


  • Share/Bookmark

29/02/2004

A Schamba

Filed under: Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 23:00

Sobre a terra trabalha, e como ninguém, o senhor “Carvalho”.“…a lances de catana e de machado desfaz a rama e a trama dos espaços virgens. Prepara um espaço para a nova lavra, esgotado o humus de uma lavra antiga. Alarga a circunferência de chão raso. Devolve o sol à terra e dá-lhe a mansa forma de um corpo fecundável e passivo. O tronco nu progride mata a dentro. Governa os braços firmes e velozes, confere exactidão ao gesto azado. E os fustes, gemem, fendidos pelo golpe. Martela, vigoroso, a rijeza maior de alguns dos paus, depois transforma em lenha as copas derrubadas…”

E assim continua por páginas várias, possuidor que é de incontáveis artes e engenhos, decerto porque de pactos com os seus diabos.

(“Como se o Mundo Não Tivesse Leste“, Cotovia, 117 )


  • Share/Bookmark

03/12/2003

Lavoura

Filed under: Citações,Ruy Duarte de Carvalho — jpt @ 11:26

“…a lances de catana e de machado desfaz a rama e a trama dos espaços virgens. Prepara um espaço para a nova lavra, esgotado o humus de uma lavra antiga. Alarga a circunferência de chão raso. Devolve o sol à terra e dá-lhe a mansa forma de um corpo fecundável e passivo. O tronco nu progride mata a dentro. Governa os braços firmes e velozes, confere exactidão ao gesto azado. E os fustes, gemem, fendidos pelo golpe. Martela, vigoroso, a rijeza maior de alguns dos paus, depois transforma em lenha as copas derrubadas…”

(Ruy Duarte de Carvalho, Como se o Mundo Não Tivesse Leste, Cotovia, p. 117 )


  • Share/Bookmark

Powered by WordPress