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A lisonja constante, ostensiva, contrária à evidência, das pessoas que o rodeavam, tinha feito com que ele [Imperador Nicolau] já não visse as suas contradições, já não estabelecesse correspondências entre, por um lado, as suas acções e palavras e, por outro, a realidade, a lógica e o simples bom senso, mas estava absolutamente convencido de que todas as suas ordens, mesmo que fossem disparatadas, injustas e incompatíveis entre si, se tornavam sensatas, justas e compatíveis só por serem emitidas por ele“.

[Lev Tolstoi, Khadji-Murat, Lisboa, Cavalo de Ferro, p. 110]

Ninguém sequer falava do ódio pelos russos. O sentimento que experimentavam todos os tchetchenos, das crianças aos velhos, era mais forte do que ódio. Não era ódio, mas sim uma recusa em reconhecer aqueles cães como seres humanos e era tanta a aversão, a repugnância e a perplexidade perante a crueldade absurda destas criaturas que a vontade de as destruir, tal como a vontade de destruir ratazanas, aranhas venenosas e lobos, era um sentimento tão natural como o instinto de conservação“.

[Lev Tolstoi, Khadji-Murat, Lisboa, Cavalo de Ferro, p. 124]

Ah! É preciso que eu seja sincero. Não me sinto, no fundo do meu ser, completamente liberto da noção do patriotismo. Por atavismo e por educação, persistem em mim, contra minha vontade, os restos de um sentimentalismo egoísta. Torna-se-me preciso fazer intervir a minha razão e recordar o meu dever essencial; e é então que eu digo a mim próprio, sem nenhuma reserva de consciência, que não existe no mundo razão alguma que seja superior á razão da humanidade.

Leão Tolstoi, O Que Eu Penso da Guerra (Guerra Russo-Japoneza), Lisboa, A Editora, s/d,(1904)

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