Archive for the ‘Ungulani Ba Ka Khosa’ Category

A nova Índico

Quarta-feira, Maio 5th, 2010

[Índico, Série III, nº.1, Maio-Junho 2010]

Este é o primeiro número da nova série (a terceira) da Índico, a revista das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). Que passou a ser editada por Nelson Saúte, o qual logo a tornou algo distinta. Se a série anterior era muito capaz, enquanto mera revista de bordo, o novo formato eleva a Índico à revista cultural moçambicana, com toda a certeza a coleccionar (assinar?, ou a ir pedir às delegações da LAM?), algo que muito faltava no país. Veja-se este primeiro número, que surge com artigos evocando o mundial de futebol que o vizinho albergará e o trigésimo aniversário da companhia, neste caso com texto de José Luís Cabaço. Mas depois, e para além de alguns textos de ocasião sobre destinos turísticos, surge o núcleo duro. Luís Bernardo Honwana revelando-se como surpreendente fotógrafo. E textos de Eduardo White, Marcelo Panguana, Mia Couto, Nelson Saúte, Paulina Chiziane, Júlio Carrilho, Ungulani Ba Ka Khosa, uma selecção nacional das letras moçambicanas. E um cuidado, sempre discutível mas cuidado, roteiro da capital. Para além de escaparates dedicados à edição livreira e musical, bem como aos ateliers de artistas plásticos.

A desejar bons mares e bons ares à Índico. Para que assim se mantenha.

jpt


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Choriro, de Ungulani Ba Ka Khosa

Sábado, Novembro 21st, 2009

Khosa Choriro

[Ungulani Ba Ka Khosa, Choriro, Alcance, 2009]

Lançamento esta semana em Maputo. Como é habitual no caso de Ungulani, escritor com particular enraizamento na cidade, aconteceu uma enchente – e uma simpática editora ainda algo inexperiente nestas coisas, a deixar surpreender-se pela dimensão do momento, de repente sem livros para vender no lançamento. 100 exemplares disponíveis para um lançamente do Khosa? Enfim, pormenores, até porque correu bem, muita gente feliz com livro debaixo do braço.

O livro é romance histórico, a reconstrução do vale do Zambeze desde XVI. Terrenos difíceis, ainda que o grande sucesso de Ungulani seja exactamente a (alegórica) reconstrução ficcional da chefatura de Ngungunhane. Aurélio Rocha apresentou, louvando a qualidade histórica do livro – a mim isso assusta-me, quero mais do que realismo historiográfico (ainda que Rocha não o tenha reduzido a isso, isto são mais fantasmas meus)- Os dois amigos comuns que já leram o livro estavam muito satisfeitos, agradados com a conquista. Sim, que desde a “Orgia dos Loucos” é o grande livro de Khosa, afiançaram. O regresso, finalmente. Para ler, já!

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Novo livro de Ungulani Ba Ka Khosa

Quarta-feira, Novembro 18th, 2009

Lançamento hoje às 18 h. (no Restaurante Zambi – um muito recomendável local gastronómico, já agora, não passe a publicidade que é descarada ainda que gratuita) do novo livro de Ungulani Ba Ka Khosa, “Choriro“. Logo à noite mostrarei a capa.

Aproveito para lembrar que por razões endo-maschambianas tenho-me abstido aqui de comentar coisas relativas à literatura moçambicana (os veteranos leitores do blog saberão do porquê do silêncio deste “branco desmiolado, descobridor de África qual “Vasco da Gama”, mentiroso, e que deveria ser expulso do país para os orientes onde lhe cortariam a cabeça”). Por isso não tenho referido o intenso processo de reedições de ficção (e até de poesia) nem o surgimento de novas editoras. Nem tampouco a edição de novos livros e, até, de novos autores, estes principalmente em colectâneas. Basta procurar (fisicamente aconselho a Minerva Central e a Mabuko, as mais activas livrarias maputenses no momento; na internet há ainda um grande deficit de apresentação, pese embora o saudável esforço da veterana Ndjira ). Fica esta nota-excepção, empurrada pelo meu apreço pelo Khosa.

[Breve nota informativa sobre livro e autor no Notícias.]

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Sobre Ungulani Ba Ka Khosa

Quarta-feira, Maio 30th, 2007

A propósito do Prémio José Craveirinha recentemente atribuído a Ungulani Ba Ka Khosa Vicenzo Barca, o tradutor de Khosa para italiano, enviou-me esta simpática mensagem sobre o escritor. Aqui a partilho, sem deixar de notar que discordo em grande parte das ideias expressas – se Khosa já foi “criança terrível” das letras moçambicanas não mais o é. E tem sido reconhecido internamente. O problema da sua divulgação interna tem a ver com as questões da recepção da literatura moçambicana – Mia e Paulina, por diferentes razões, um pouco à parte. Mas aqui ficam as palavras de Vicenzo Barca, e os meus muitos agradecimentos pela sua passagem por aqui -”Tenho a honra de ser o tradutor italiano do Ungulani, que conheci pessoalmente o ano passado numa visita que fiz a Moçambique. Aqui já saiu o “Ualalapi” e estou a terminar a tradução de “Os sobreviventes da noite” que sairá em novembro 2007 pela Ed. Lavoro de Roma. È pena que este Autor não tenha no seu próprio país o reconhecimento que merece, pela sua grande sensibilidade e inteligência, pela rica textura das suas narrativas e pela capacidade e generosidade que tem em falar com os jovens moçambicanos que gostam de literatura, animando-os. “Infelizmente” as suas posições muitas vezes não coincidem com as oficiais, o que, a meu ver, prejudica muito a promoção dos seus livros, mas o Ungulani é um escritor e uma pessoa de valor, embora não apareça muito e não saiba talvez “vender” a sua imagem, como nos nossos tempos é preciso fazer. Obrigado e parabens ao nosso amigo!”


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Terça-feira, Maio 15th, 2007

Hoje anunciam o prémio Jose Craveirinha, o mais distinto das letras moçambicanas. Ou muito me engano ou ouvir-se-á falar deste livro

Ungulani Ba Ka Khosa, Os Sobreviventes da Noite, Maputo, Imprensa Universitaria, 2005

então o regresso de Ungulani Ba Ka Khosa. Livro do qual bastante haverá para dizer por quem de direito (ou seja, todos o que o leram). E que vale, acima de tudo, por ter sido o efectivo regresso de Ungulani.

(parabéns? ou dará azar?)

Adenda: parabéns.


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Quarta-feira, Agosto 16th, 2006

Nataniel Ngomane fala da obra de Ungulani Ba Ka Khosa (A Orgia dos Loucos e Ualalapi). Hoje, às 18 horas, na AEMO.


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O último discurso de Ngungunhanhe

Terça-feira, Maio 18th, 2004

Estes homens da cor de cabrito esfolado que hoje aplaudis entrarão nas vossas aldeias com o barulho das suas armas e o chicote do comprimento da jibóia. Chamarão pessoa por pessoa, registando-vos em papéis que … vos aprisionarão. Os nomes que vêem dos vossos antepassados esquecidos morrerão por todo o sempre, porque dar-vos-ão os nomes que bem lhes aprouver, chamando-vos merda e vocês agradecendo. Exigir-vos-ão papéis até na retrete, como se não bastasse a palavra, a palavra que vem dos nossos antepassados, a palavra que impôs a ordem nestas terras sem ordem, a palavra que tirou crianças dos ventres das vossas mães e mulheres. O papel com rabiscos norteará a vossa vida e a vossa morte, filhos das trevas“.

[O último discurso de Ngungunhanhe, segundo Ungulani Ba Ka Khosa, Ualalapi, Associação dos Escritores Moçambicanos, 2ª edição, p. 118]


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Khosa Ainda

Segunda-feira, Maio 3rd, 2004
“…Os que nada tinham olhavam para os outros e refugiavam-se no interior das cubatas, esperando que melhores dias chegassem. Luandle, que nada tinha além da terra seca e morta, olhava com dó o filho que se alimentava de areia e ervas nunca comidas que mataram famílias inteiras e obrigaram os homens idosos a voltarem à prática dos tempos imemoriais em que tudo experimentaram, autorizando depois as mulheres e as crianças a comerem antes de descobrirem que os macacos bem serviam de guias em certos produtos. E
já que os macacos emigraram os homens tiveram que experimentar tudo,
arriscando-se à morte ou a uma diarreia interminável…”

(Ungulani Ba Ka Khosa, Orgia dos Loucos)


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Quinta-feira, Abril 8th, 2004
Por onde anda esta prosa?

“…afora os curandeiros que afirmaram, depois, aos que os quiseram ouvir, que o cimento é o refúgio dos espíritos dos brancos, e que passarão ainda muitas luas antes dos pretos se apropriarem desse mundo compacto, cheio de compartimentos e de segredos e de locais onde se caga sem que a casa cheire a merda” ?

(Ungulani Ba Ka Khosa, “A Solidão do Senhor Matias”, Orgia dos Loucos)


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Terça-feira, Abril 6th, 2004
Khosa, já agora.

Que papel terá um grão de areia na construção da duna, no uivar das areias, no tumulto que se levanta no deserto? Que papel terá a folha que cai sem amparo e é calcada impiedosamente por ignotos que passam? (…)” perguntava ele, Khosa, nas Histórias de Amor e Espanto. Perguntas de sempre e de todo o local, e de tão difícil resposta. Mas também perguntas de um sempre especial neste local, e nesse aí, nesse então, bem mais difíceis do que qualquer resposta.

Tempos locais onde quando Khosa escreveu lá no Ualalapi:

“-Dizem que morreu de doença, pois há várias noites que não tirava os olhos do tecto da sua casa.
- Uma morte desumana para um nguni.
- Há quem afirme que o pai morreu da mesma forma.
- Não era o desejo deles, Mputa.
- Conheço poucos reis que morreram em batalhas.
- Mas todos afirmam que é a melhor morte.
- Quando se dirigem aos guerreiros.
- Pensas muito depressa
.
(…)”


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Khosa

Segunda-feira, Abril 5th, 2004
O Khosa reeditou o Ualalapi e, ainda bem porque há muito esgotado, o Orgia dos Loucos.

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