Archive for the ‘Mia Couto’ Category

Expresso em Moçambique

Quinta-feira, Julho 29th, 2010

Só agora, e por via de uma oferta do “nosso” PSB, tive acesso a esta edição da revista “Única” (Expresso, 5.6.2010), dedicada a África a propósito do Mundial de futebol na África do Sul. O meu interesse prendia-se pela inclusão da reportagem “Moçambique, o País dos Mil Caminhos”, de Ricardo Marques. Um jornalista de quem li, já há anos, o livro Moçambique, o Regresso dos Soldados, reportagem sobre as viagens de saudade dos soldados portugueses que aqui fizeram a guerra. Livro agradável e provido de um bom olhar sobre o real, entenda-se uma atitude nua de paternalismos, culpabilizações, exaltações e/ou saudosismos, algo rara em patrícios mas ainda mais em jornalistas. Agora, e de novo, o Ricardo Marques meteu uma boa lente para viajar no país. Ou seja, tem a arte de escrever sobre Moçambique sem fazer actuar a panóplia de preconceitos recorrentes. Uma pena que não esteja disponível na internet – ainda para mais sendo texto de jornal, em assim sendo tornado supra-perecível. Algo que um jornal como o “Expresso” poderia resolver, dignificando os textos dos seus repórteres. Mas visitável é a galeria de fotos da reportagem, da autoria do confrade António Silva.

Na mesma publicação encontro um artigo de Mia Couto, “Esta África que não é“. Também indisponível na internet, mas neste caso provavelmente virá a ser integrado em futura colectânea de textos do autor. Uma frase cristalina, arguta: “A ideia do bom selvagem foi incorporada na vista que os africanos têm de si mesmos“. É apenas uma generalização, mas assim assumida. Total concordância com ela. Obstáculo, legitimador, de entendimento e acção. E, quantas vezes, partilhada pelo exo-africanos, uma (afinal não tão) estranha simbiose.

jpt
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COM 35 ANOS DE USO

Sábado, Julho 3rd, 2010

por ABM (Sábado, 3 de Julho de 2010)

No dia em que moçambicanos um pouco por toda a parte celebravam 35 anos de independência, o jornal angolano Zwela Angola noticiou a efeméride com um artigo até interessante e bem escrito, texto que no entanto refere ter ido buscar a uma tal Opera Mundi, que é um portal brasileiro, por sinal até muito interessante. É tão bom, tão bom, que até já tem a sua própria entrevista ao Mia Couto, esta feita por e-mail.

E ainda tem uma recensão ao livro do Mia Venenos de Deus, Remédios do Diabo. Com o título “romance de Mia Couto leva personagem e leitor à loucura, como os ‘tresandarilhos’ “. Um título sugestivo, sem dúvida.

Claro que deu um tiro no pé ao capear um texto sobre as cerimónias de despedida do escritor José Saramago com o título “Portugal recebe com honras militares corpo de Saramago”.

Portugal inteiro recebeu? com honras militares? O José Saramago? em Lisboa? o quê? aqueles tropas a quem mandaram tirar o caixão do avião e meter no carro funerário? só se foi isso. Mas acho que os caras da Opera Mundi se espalharam ligeiramente nesta.

O que me chamou a atenção para esta peça do Zwela Angola, no entanto, não foi o texto mais ou menos laudatório.

Foi a escolha da bandeira acima para ilustrar e capear o artigo alusivo à independência moçambicana em 1975.

Agora…hum…será que os nossos brothers angolanos não poderiam ter assinalado o mais nobre feriado moçambicano com uma bandeira menos rota? o país ainda está em convalescença e ainda não tem petróleo (vai ter em breve, segundo as minhas fontes) mas há por aí bandeiras em bom estado e à mão de semear.

Aliás, agora com três voos por semana entre Luanda e Maputo, surgiu a oportunidade de os angolanos finalmente conhecerem o novo Moçambique. Da última vez que estiveram lá, era 1895 e estavam na primeira e na segunda linha do quadrado de Marracuene. Do que li, então salvaram o pêlo aos portugueses e o Sul de Moçambique dos britânicos.

Hoje heróis todos eles, claro.

Presumo.


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Mia Couto e as concepções políticas africanas

Sexta-feira, Maio 8th, 2009

É no Entre as Brumas da Memória que encontro (elogiosa) referência a este texto de Mia Couto. Fico estupefacto: com a argumentação de Mia Couto – talvez apenas “mais um artigo” -, e com a aceitação que tem, esta talvez pelo acriticismo que as unanimidades tendem a recolher, em particular quando as causas parecem justas.

O Mia quer abordar as concepções de cidadania e de poder vigentes nos países africanos e em Moçambique em particular. Que são elas contextuais deveria ser óbvio (mas não é, e daí o mérito da sua interrogação). Particulares produtos históricos, frutos de reflexões locais, acima de tudo constituídas em processos políticos conflituais. Por isso tantas das ineficiências quando se transportam, como se intocáveis, conceitos políticos para aplicar em práticas diferenciadas. Nada disso é novo para quem pensa, tudo isso é desconhecido por quem se esforça por não pensar.

Mas o que Mia faz é tornear essa dimensão, e refugiar-se numa “culturalização” da questão, encontrando no celebrado “véu da cultura” uma razão para as diversas práticas e concepções políticas, para os défices que considera encontrar. Confesso o meu espanto, até por vindo de quem vem, diante disto:

“A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra “democracia”? Num idioma em que “Presidente” se diz “Deus”? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é “hossi”. Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados, traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa.”.

Francamente. Não temos nós, falantes de português, o “senhor” como terminologia da divindade, do rei, do nobre e amo, do chefe, até do mero interlocutor? Não é explícito para quem utiliza o “senhor” sobre quem refere? Não é o termo utilizado contextualmente, com perfeito e estratégico conhecimento dos locutores, associado ao seu manuseamento através de entoações, mímicas, diminutivos [o "chô", o "sôr", p.ex.]?

Ora se para nós, falantes de português, a palavra que também refere a divindade tem uma extensão semântica que muito bem entendemos (de tal modo que nem atentamos que a utilizamos para um espectro tão alargado de interlocutores) como presumir que os falantes de outras línguas que têm similares processos de extensão semântica o fazem sob o signo da confusão?

Ou seja, utilizamos nós a nossa língua através de categorias lógicas e os outros (neste caso os falantes do sul de Moçambique) estão submersos numa mentalidade pré-lógica, incapaz?

Um momento (muito) menos feliz. Desconseguido, por assim dizer.


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Terra Sonâmbula

Sexta-feira, Maio 30th, 2008

 

Ontem aqui houve estreia – num aparte: não seria altura de acabar com a pinderiquice das “ante-estreias” a la xenon?, meia-dúzia de vestidos compridos, um ou outro grilo andante, tapete vermelho já algo acinzentado e os tipos da inenarrável tvzine a coleccionarem minifotos de pessoas a quem não conhecem o nome? e o resto da rapaziada em dia normal, na chamussa e afins (sofríveis) e no vinho (mui decente), (sor)rindo destes sem-propósitos? Ainda não deu para ver que não pega o modelo? para aligeirar a coisa?

Adiante ontem houve estreia do Terra Sonâmbula, de Teresa Prata, co-produção luso-moçambicana – a primeira verdadeira co-produção luso-moçambicana, discursou o co-produtor moçambicano Camilo de Sousa, o que nele é significativo. Camilo é um tipo muito afável mas convicto, como o anunciou na TVM nas comemorações dos trinta anos de independência, que a maioria dos portugueses ainda está em guerra com Moçambique. Nesse registo é agradável ter notícia de que encontrou algum(ns) patrício(s) que dessa já desistiram (“maus fígados, jpt …” hão-de resmungar ao ler, “o caraças!” [ou aparentadas fonias] seria a minha resposta se ouvindo os resmungos).

O filme é de festival, objecto bonito, sensível, até mensageiro. Certo que quando vou a um filme português todas as minhas expectativas baixam. Mas também por isso posso ser surpreendido como ontem. Lento como um livro – e por demais preso ao texto, um tricô de analepses que é questão de argumentista, mas são opções. Estéticas para os autores, dolorosas para os espectadores. Mas bonito, que a beleza pode ter a dor lá. Vive também dos actores – excelente Aladino Jasse, excelente mesmo, idem para o cameo de Filimone Meigos tal como a grande Magaia. Mas também muito frágeis outros, de cá e de lá. Em registo que exige autores isso desiquilibra.

Finalmente, em filme que se anseia objecto estético não tem qualquer justificação um registo sonoro tão pobre, a exigir uma supra-atenção para entender os diálogos, a requerer legendagem imediata. Inenarrável descuido.

Estrelas (a la crítico de cinema)?: três (uma retirada por causa do tal não-som, outra por incongruências de realização – um cabrito que se desloca no ar, gente que não corre no mato por terror das minas e no plano a seguir faz o oposto, minudências assim). Portanto? A ver.


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A Ilha de Moçambique de Mia Couto

Quinta-feira, Maio 1st, 2008

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Ilha de Moçambique

Não é a pedra.
O que me fascina
é o que a pedra diz.

A voz cristalizada,
o segredo da rocha rumo ao pó.

E escutar a multidão
de empedernidos seres
que a meu pé se vão afeiçoando.

A pedra grávida
a pedra solteira,
a que canta, na solidão,
o destino de ser ilha.
O poeta quer escrever
a voz na pedra.

Mas a vida de suas mãos migra
e levanta voo na palavra.

Uns dizem: na pedra nasceu uma figueira.

Eu digo: na figueira nasceu uma pedra.

(Mia Couto, idades, cidades, divindades, Maputo, Ndjira, 2008)


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O preço dos livros

Segunda-feira, Março 31st, 2008

É o fim da minha bibliofilia. A surpresa, entrar na livraria e ver dois novos livros, um de poesia de Mia CoutoIdades, Cidades, Divindades“, o outro a novela ”Hinyambaan” de João Paulo Borges Coelho

Deste último ainda lamento o descuido gráfico - as obras dos autores moçambicanos da editora Caminho/Ndjira estiveram durante anos condenadas a serem publicadas com capas de estilo “étnico”, nestes casos um afro-hippie muito anos 60 (não discuto a qualidade do trabalho de ilustração – do qual não gosto, mas isso é apenas o meu gosto – mas sim a sua pertinência ideológica). Assim como se o Roth ou o Vidal tivessem que ser editados sob motivos ameríndios new age ou os latino-americanos com reconstruções pré-colombianas. Finalmente foram libertadas desse espartilho. Mas agora ao ver a capa deste “Hinyambaan” vejo uma tolice – para além de feia basta ler para perceber a preguiça do ilustrador. Ou seja, não leu, nem o resumo. A editora a trabalhar mal. Em época de mudança a começar mal.

Mas o fundamental está noutro local. Custo de ambos os livros: 550 meticais (25 dolares). Em dois ou três meses as novas edições da Ndjira dobraram o preço (preço normal anterior 275, 300 meticais). A excelente colectânea de poesia de Fernando Couto, saída recentemente, bem maior do que o livro de Mia Couto custa 300 meticais. As reedições das obras de Mia Couto e Paulina Chiziane que a Ndjira está a fazer custam abaixo dos 300 meticais. Ou seja, se a Ndjira pode produzir livros em edição moçambicana (não sei onde as imprime) a preços bem mais baixos por que importa as edições conjuntas Caminho/Ndjira, nas quais só muda o logotipo e o nome da editora, colocando os livros tão mais caros?

30 a 50% de aumento no preço de capa em três meses? É uma decisão empresarial, não posso protestar, apenas lamentar. Mas a 25 dolares cada livrinho paro. Se comprava tudo o que saía de ficção e poesia nem pensar em continuar, não posso. É o fim da minha bibliofilia. Alguém me empresta os livros? Nem que seja para reproduzir as capas e colocá-las aqui…


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Quinta-feira, Novembro 22nd, 2007

Cardoso era um defensor da fronteira que nos separa do crime, dos negócios sujos, dos que vendem a pátria e a consciência. (…) O sentimento que nos fica é o de estarmos a ser cercados pela selvajaria, pela ausência de escrúpulos dos que enriquecem à custa de tudo e de todos. Dos que acumulam fortunas à custa da droga, do roubo, do branqueamento de dinheiro e do tráfico de armas. E o fazem, tantas vezes, sob o olhar passivo de quem devia garantir a ordem e punir a barbárie.”

(Mensagem na cerimónia fúnebre de Carlos Cardoso, Maputo, Novembro de 2000)


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De regresso aos blogs:

Domingo, Novembro 4th, 2007

O fim do Xitonhana: um abraço ao António, que sei por vezes aqui. “Ilha de Moçambique”, poema de Mia Couto. “Mesquita Grande” da Ilha, de Rui Knopfli, no Petromax. O texto de Mia Couto apresentando “A Ciência de Deus e o Sexo das Borboletas, de Daniel da Costa, transcrito no Mãos de Moçambique. Postais antigos de Moçambique no Kafe Kultura A propósito do Prémio Boa Governação José Medeiros Ferreira anuncia relato de uma conversa com Joaquim Chissano, havida em 1976 na ONU. Será aquando da entrega do Prémio. Fica-se à espera, presume-se que significativa a conversa, interessante o relato. [via Lusofolia] O nada lento minguar da economia do continente africano, em estudo da Oxfam [meros 15% ao ano na última década e meia ...]via Causa Africana. O shoppingcentrismo e seu mais moderno mamarracho, devastando a Baixa de Maputo, segundo o Chapa 100 O Machado da Graça, implacável sobre o processo de recenseamento eleitoral em curso (?). Nota sobre o genocídio ucraniano nos anos 30.


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Quarta-feira, Abril 25th, 2007

A lembrar-me que ha exactamente oito anos assisti ao lancamento deste livro.


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Terça-feira, Janeiro 9th, 2007

No Agreste foram deixados elos (sim, elos) para uma entrevista de Mia Couto no Brasil.


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Segunda-feira, Julho 3rd, 2006

Chega-me via e-mail (presumo que numa corrente), mas vem apropriada a citação:

” (…) O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas que são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (…)

(Mia Couto, O Fio das Missangas , Lisboa, Editorial Caminho)


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A Fome em Moçambique

Quinta-feira, Novembro 10th, 2005

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Está aí, coisa da seca persistente. A do ano passado, a que parece continuar este ano. Fome dita a Sul. Mas também a Norte. Essa que encontrei no litoral do norte nos meados deste ano, já então grandes distribuições de farinha para populações muito carenciadas. Da seca à pouca produção, daí à inexistência de reservas familiares. 650 mil sofredores, aventa o governo, 800 mil em perigo enchem-se os jornais. E, provavelmente, mais, muitos mais. No combate da vida, contra este nada. E, também, contra o silêncio.

Entretanto sobre o assunto um texto de Mia Couto. Excelente. Sobre a fome e sobre o pensar: “Outra Fome” ["Mais", Outubro 2005]

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Sexta-feira, Abril 1st, 2005
Para quem não tem acompanhado: Mia Couto no Ideias Para Debate [e neste último pequeno texto em cúmulo de elegância].

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Domingo, Março 27th, 2005
O meu colega Patrício Langa colocou um excelente texto no Ideias Para Debate: Os Alienados do Mia, uma reflexão obrigatória para quem se interesse sobre a sempre referida “moçambicanidade”. Assim, no súbito do in-blog, um passo à frente na discussão sobre processos de produção identitária.

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A Morte de uma Revista

Quinta-feira, Dezembro 16th, 2004

Chegou-me ontem às mãos a nova Proler, o nº 12.

Incluindo um texto de Armando Jorge Lopes, bem actual, “Língua, Língua: homogeneizar, heterogeneizar?”, um artigo de Russel Hamilton sobre José Craveirinha, a continuação do dossier que Artur Minzo apresentou sobre a relação da literatura oral e da escrita. E uma muito bela entrevista a Mia Couto, na qual ele fala de literatura (“Os meus adversários moram todos dentro de mim”), de pluri-identidades (“a literatura tem a grande capacidade de viajar pelas identidades que existem dentro de nós, cada um de nós é uma mistura”) e da (sua) cidadania, a qual exerce, muito e de modo corajoso, diga-se (“…ficar calado não me apetece”).

A Proler, cume da imprensa cultural em Moçambique, anuncia o seu encerramento, após 13 edições (12+especial Craveirinha). Compreendo o seu final, mas lamento-o, empobrecerá a sério a reduzida divulgação cultural aqui. A revista do Francisco Noa tem alguns anos e uma particularidade: foi melhorando, conteúdo e grafismo, ao longo do tempo. E isso é de referir. Fácil é ter umas ideias e alguns fundos e avançar. Para depois ir minguando, à falta de energia. Difícil foi construir este projecto, passo a passo, dificuldade a dificuldade (e tantas foram). E, egoísta, lamento-o pessoalmente, em 40 anos a Proler foi o único sítio que me pediu para publicar textos meus. E, imagine-se, pagou-mos.


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