Entries Tagged 'João Paulo Borges Coelho' ↓
Abril 28th, 2008 — João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique

Coisas da Feira do Livro: finalmente chega-me à mão este Histórias em Língua Portuguesa (Porto, Ambar, 2007). Histórias (aleluia, não são “estórias”) de vários autores, quatorze no total, vindos de vários países. O fio condutor é mesmo esse, o da língua, ficando assim o livro uma coisa algo bocado a bocado. Mas válida, em alguns passos mais, noutros menos.
Interesse especial aqui em Moçambique pois integra um conto de João Paulo Borges Coelho (”Maria Ernestina e as Quatro Senhoras“), inédito como presumo seja característica de todos os outros (o prefácio é de tal forma diletante que apenas o deixa deduzir). Dos outros autores referir gente de blogs: Afonso de Melo, que é uma espécie de D. Sebastião neste blog; António Gregório (que infelizmente apagou o Diário Dócil), Paulinho Assunção e Manuel Jorge Marmelo.
Vale a pena ir à Minerva esgotar a remessa.
Março 31st, 2008 — João Paulo Borges Coelho, Mia Couto
É o fim da minha bibliofilia. A surpresa, entrar na livraria e ver dois novos livros, um de poesia de Mia Couto “Idades, Cidades, Divindades“, o outro a novela ”Hinyambaan” de João Paulo Borges Coelho.
Deste último ainda lamento o descuido gráfico - as obras dos autores moçambicanos da editora Caminho/Ndjira estiveram durante anos condenadas a serem publicadas com capas de estilo “étnico”, nestes casos um afro-hippie muito anos 60 (não discuto a qualidade do trabalho de ilustração - do qual não gosto, mas isso é apenas o meu gosto - mas sim a sua pertinência ideológica). Assim como se o Roth ou o Vidal tivessem que ser editados sob motivos ameríndios new age ou os latino-americanos com reconstruções pré-colombianas. Finalmente foram libertadas desse espartilho. Mas agora ao ver a capa deste “Hinyambaan” vejo uma tolice - para além de feia basta ler para perceber a preguiça do ilustrador. Ou seja, não leu, nem o resumo. A editora a trabalhar mal. Em época de mudança a começar mal.
Mas o fundamental está noutro local. Custo de ambos os livros: 550 meticais (25 dolares). Em dois ou três meses as novas edições da Ndjira dobraram o preço (preço normal anterior 275, 300 meticais). A excelente colectânea de poesia de Fernando Couto, saída recentemente, bem maior do que o livro de Mia Couto custa 300 meticais. As reedições das obras de Mia Couto e Paulina Chiziane que a Ndjira está a fazer custam abaixo dos 300 meticais. Ou seja, se a Ndjira pode produzir livros em edição moçambicana (não sei onde as imprime) a preços bem mais baixos por que importa as edições conjuntas Caminho/Ndjira, nas quais só muda o logotipo e o nome da editora, colocando os livros tão mais caros?
30 a 50% de aumento no preço de capa em três meses? É uma decisão empresarial, não posso protestar, apenas lamentar. Mas a 25 dolares cada livrinho paro. Se comprava tudo o que saía de ficção e poesia nem pensar em continuar, não posso. É o fim da minha bibliofilia. Alguém me empresta os livros? Nem que seja para reproduzir as capas e colocá-las aqui…
Novembro 26th, 2007 — Fátima Mendonça, João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique
Fátima Mendonça emprestou ao Ma-schamba o texto “Ovídio e Kafka nas Margens do Lúrio“, com o qual apresentou “Campo de Trânsito” de João Paulo Borges Coelho (Ndjira/Caminho, 2007). Ei-lo, sendo de referir que modifiquei a pontuação, introduzindo alguns parágrafos, de molde a facilitar a leitura em ecrã. Que me desculpe a autora.

Ovídio e Kafka nas margens do Lúrio
Por Fátima Mendonça
Lisboa, 4 de Julho de 2007
Em 2005, aquando da apresentação de Setentrião na Associação dos Escritores Moçambicanos em Maputo, admiti sem constrangimento que, embora tenha o privilégio de partilhar com João Paulo Borges Coelho uma profissão (docente) em área com afinidades com a sua e, de para além disso, nos unirem laços de amizade, não me sinto na posição incómoda, de o meu papel - aqui e agora - poder ser interpretado como acto ‘tribal’, ritualizado sob a forma de panegírico. Podendo mesmo ter como agravante o facto de desde a sua revelação como escritor de ficção ter tido o privilégio de ler nos seus formatos iniciais os originais que vieram dar origem aos já com este, seis livros publicados desde 2003. Tal como disse na altura e repito aqui em espaço e a um público totalmente diferentes daqueles a que nos habituaram estes actos em Maputo, não sinto constrangimento por legitimar publicamente o meu entusiasmo pelo aparecimento, nas letras moçambicanas, de uma voz diferente, que tentarei aqui descrever, guiada pela consciência de ser, tão somente e parafraseando António Cândido, intermediária entre a obra e o leitor, sendo o meu papel secundário relativamente à obra que comento e podendo apenas servir de impulso para que os leitores participem, por conta própria, nessa extraordinária aventura de liberdade que é a literatura.
Quase 2 500 anos de reflexão a ocidente, sobre a palavra escrita e as suas potencialidades retóricas remetem-nos, hoje, para posicionamentos que privilegiam o acto de leitura como meio para completar, ou mesmo materializar, essas intenções textuais que comumente designamos por significações, sendo o seu resultado múltiplo e variado, visto que depende em grande medida do lugar em que nos colocamos enquanto agentes, mas também sujeitos dessa leitura. Este Campo de trânsito é um dos bons exemplos em que se pode apoiar esta formulação teórica. De facto creio poder antecipar diferentes situações de entendimento deste estória, consoante as e vivências pessoais de quem lê e respectivas expectativas de leitura. O que relata este livro? Onde se localizam e o que são os três espaços/campo de trânsito/campo antigo e campo novos onde decorre a narrativa? Que paralelos estabelecer entre as bizarras personagens que a modelam e o universo das nossas experiências?
Resposta tanto mais difícil quanto o autor, - com diria José Craveirinha - nos dribla permanentemente, obrigando-nos a um exercício de pesquisa que nos reenvia tanto para a memória colectiva como para o conhecimento individual da História e Geografia do país (Moçambique?) onde - supomos nós - decorrem os acontecimentos. E esta suposição decorre apenas do facto de o autor ser moçambicano e de como leitores estarmos munidos do preconceito de que o espaço da narrativa é o espaço de origem do escritor. O que também não significa que não seja. O que pretendo mostrar é que o autor se furta a essa identificação biunívoca de forma quase provocatória, utilizando alguns deliberados e ardilosos mecanismos:
Começo pelo registo do narrador entidade privilegiada deste romance pelo seu caracter omnisciente: já nas anteriores narrativas de Borges Coelho nos deparávamos com uma uma expressão linguística de cristalina limpidez, avessa a exibições exóticas, retomando um campo da literatura moçambicana (do qual andamos distraídos) que tem os seus antecedentes em textos referência como Nós Matámos o Cão Tinhoso de Luís Bernardo Honwana e Contos e Lendas de Carneiro Gonçalves, pela sua ordenação ática, reduzida à expressão do essencial, substância pura quase, que se pode dizer clássica em todos os sentidos. Neste romance vai mais longe no manejo da língua, trocando-nos a nós leitores as referências de lugar: de facto, se observarmos algum do léxico utilizado só podemos concluir que o efeito produzido é de ocultação e não de revelação.
Recusando o chamado lugar comum que desde a antiguidade se insere na lógica de encaminhamento da leitura, esta escrita introduz pois a indeterminação na construção pelo leitor do espaço da narrativa. Fugindo aos registos lexicais da língua falada em Moçambique, o autor opta sucessivamente por registos neutros que não correspondem a determinadas expectativas de leitura: onde seria normal o uso de machamba, aparece repetidas vezes horta, o mesmo acontecendo com frigorífico que substitui a moçambicana geleira; onde o mortífero crocodilo nos ajudaria a localizar a massa de água no Zambeze, surge o genérico sáurio, onde os marcados dumba-nengue ou chungamoyo nos encaminhariam para o nosso quotidiano mercado informal, dá-se preferência à neutra feira e onde nos pareceria lógico que a mulher do professor plantasse milho, surgem anódinas couves, o mesmo acontecendo com inesperadas alcachofras e espargos. Que provavelmente crescem em Moçambique mas zonas fronteiriças com o Zimbabwe mas que não correspondem a lugares comuns já consagrados na literatura moçambicana e por isso afastam a narrativa da referencialidade.
Esta estratégia de distanciamento produz pois alguns efeitos na leitura: por um lado faz o texto escapar ao fascínio antropológico que tanto parece seduzir alguns estudiosos das literaturas africanas, aspecto criticado duramente pelo escritor nigeriano Chinua Achebe, como sendo uma desvalorização destas literaturas. Obrigamo-nos assim a ler esta narrativa por aquilo o que é, ficção literária, furtando-se até à obrigatoriedade editorial dos clássicos glossários, esse exercício de tradução, inutilmente explicativo, que transforma o texto de ficção em objecto antropológico.
Por outro retira-lhe as possibilidades de relação directa com factos históricos. Sabendo nós que o autor faz investigação histórica numa área coincidente com o ambiente que envolve a trama do romance - defesa e segurança - e que por isso tem um visão privilegiada dos respectivos comportamentos individuais e colectivos, teremos de admitir que esse trabalho hermenêutico possa também servir como matéria prima de uma engenharia criativa.
Mas não me parece pacífico afirmar que este romance tem como assunto os campos de reeducação surgidos pouco depois da independência de Moçambique, na lógica de procedimentos análogos noutros lugares e épocas, baseada na crença da possibilidade da construção do Homem Novo, e que constituiriam mais tarde uma reserva de recrutamento para a Renamo. Julgo que esse facto histórico ou elementos com ele associados poderão ter funcionado como sugestão para a criação de ambientes (por ex. a forma como se fazia a chamada dos prisioneiros e a aceitação passiva da sua situação, as elucubrações ideológicas do professor, a organização burocrática do Director do campo de trânsito). Mas o romance passa ao lado da recuperação histórica desses factos porque astutamente o romancista se separa do historiador. E não me parece que o faça para evitar melindres, tratando-se embora de um assunto ainda hoje incómodo nos meios militares e políticos de Moçambique.
Fá-lo, quanto a mim, porque há no romancista que é João Paulo Borges Coelho essa capacidade essencial de galgar os limites da racionalidade manipulando sabiamente as categorias de Tempo e de Espaço de acordo com critérios só admitidos pela Arte.
Com fragmentos da História (re) institui um cenário ficcionado, onde cabem todas as situações possíveis de confronto e aliança entre os aparelhos de um Estado totalitário - no romance representados pelo Director, o Bexigoso e o Professor e os resíduos da organização social que o precedeu - representado pelo Chefe da aldeia e o agente duplo que descobrimos ser o Vendedor de chá. Estado totalitário em que a massificação - traduzida na uniformização das categorias dos prisioneiros da cada um dos campos - reduz os indivíduos a um colectivo de onde se vai ausentando a marca do humano.
Reduzidas a números ou a funções as personagens metamorfoseiam-se na consciência singular de Mundau, fundidas numa animalidade emergente a partir das mãos (as dos Director são aranhas, as dos prisioneiros do campo antigo são a lesmas, a mão mutilada da mulher do professor é uma pinça de insecto) ou a um estado natural (as mãos do chefe da aldeia são raízes e as da filha talos). E não me parece ocasional o facto de ser o estado natural - floresta animais e água - que prevalece nas descrições do narrador, sobrepondo-se na sua pujança aos humanos seres massificados ao serviço de uma Ideia.
Na visão do narrador essa organização totalitária só aparentemente está condenada, pois tal como anuncia no final, embora autodissolvida pela rebelião dos prisioneiros do Campo antigo e do Campo novo, irá renascer, restando-nos, como no início, um qualquer Mundau, culpado sem culpa e um Bexigoso acusador sem acusação. Até que uma nova ordem se instale e tudo recomece em ciclo fechado como nos Mitos: Revolução permanente ou caos niilista?
O efeito de perplexidade a que nos conduz o narrador perante a realidade descrita/narrada, que se recusa permanentemente a ser captada de forma imediata decorre quanto a mim dessa estratégia discursiva de distanciamento relativamente a qualquer possível realidade e conhecida, porque só isso vai permitir a entrada no campo das analogias. O resto e evoco de novo José Craveirinha são coincidências. Já os antigos sabiam disso e Kafka, mais próximo do nosso Tempo melhor que ninguém. Trata-se pois aqui de contar uma história verosímil - que poderia ser relatada como reportagem ou notícia -, e que poderá eventualmente ter como substracto, factos ou acontecimentos ocorridos, com recursos narrativos que a conduzem ao absurdo e a transformam numa narrativa portadora de uma forte consistência ontológica, aberta a simbologias várias, e por isso resistente a uma leitura marcada pelos pressupostos do realismo. Com uma linguagem deliberada e ostensivamente depurada, reveladora de um domínio absoluto sobre a escrita, o que vem colocar definitivamente a ficção narrativa no mesmo nível de maturidade da poesia que desde Craveirinha e Knopfli até Heliodoro Baptista, Eduardo White ou Luís Carlos Patraquim se instituiu como um dos pilares da moderna cultura letrada moçambicana.
Novembro 8th, 2007 — João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique
Leónidas Ntsato de visita à ilha Nhamichendjeze (Rio Zambeze, Província de Tete).
“Leónidas Ntsato piscou os olhos. A fita negra da margem alongava-se na vertical: à esquerda, o céu brilhante; à direita, com uma cor quase idêntica, o rio fugindo para o alto. Subindo essas íngremes águas avançava penosamente uma almadia mas estava demasiado distante para que ele pudesse reconhecer o remador. Só o seu casco escuro cuja nitidez contrastava com o reflexo trémulo que fazia nas águas - tudo vertical, as duas manchas solidárias trepando para o alto.
E assim era porque Leónidas Ntsato se encontrava deitado com a face pousada na areia da pequena praia fluvial.”
(João Paulo Borges Coelho, As Duas Sombras do Rio, Maputo, Ndjira, 2003)
Setembro 19th, 2007 — Fotografia Moçambique, Ilha de Moçambique, João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique, Luis Abelard, Paulo Varela Gomes, Sérgio Santimano
Julho 12th, 2007 — Blogs, Carlos Gil, João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique
Na apresentação do Campo de Trânsito, não muito concorrida e sem chamussas, aparece um tipo que me parece conhecido. Vindo de propósito para o evento de Almeirim (assim como da Manhiça a Maputo), não haja dúvida o Carlos Gil está na estrada outra vez. E é um gajo porreiro, pena os jantares muito concorridos nunca darem para grandes conversas. Até à próxima ó mangusso …
Junho 28th, 2007 — João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique

Lancamento em Lisboa, 4 de Julho as 18 horas, no Auditorio Caminho (?, sera assim que se chama?), na Avenida Gago Coutinho. Como nessa semana estarei em Lisboa irei, com toda a certeza, comprovar da qualidade dos ansiados rissois (havera chamussas?).
Apresentacao a cargo de Fatima Mendonca.
Junho 6th, 2007 — João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique
“Campo de Trânsito“, de João Paulo Borges Coelho. Apresentação hoje, por Mia Couto. No Centro de Estudos Brasileiros, às 17.30h.
Abril 18th, 2007 — João Paulo Borges Coelho

Ja saiu em Portugal (Caminho) o ultimo livro de Joao Paulo Borges Coelho, “Campo de Transito” (para quando ca?). Registo diferente nos anteriores caminhos do escritor, desterritorializado, como se sublinhando o absurdo que nos traz. E com gente personagem espessa dos vazios que a habitam. A ler sobre aqui ou sobre alhures, sem respostas. E sem bonitos.
“J. Mungau?”
“Sim, sou eu”, responde.
“Está detido!”
Só a um deles –o que falou – parece conhecer vagamente, dos bares ou porque tem uma figura fora do comum. Aos outros dois nunca viu.
Fica a olhar para eles, desperto agora por inteiro, e eles para ele. Deram-lhe o tempo de acordar, dão-lhe agora o tempo de absorver a noticia.
“Por ordem de quem?”
“Va, vai vestir-te se nao queres acompanhar-nos nesse estado” (…) (10)
“De que sera que me acusam?” (passim)
Abril 9th, 2007 — João Paulo Borges Coelho
Como não se vendem livros nem se divulgam escritores.

Há cerca de um ano o Prémio Literário José Craveirinha, respeitante às edições do ano transacto, foi atribuído ao livro As Visitas do Dr. Valdez, de João Paulo Borges Coelho. Os prémios valem o que valem, mas para além do dinheirinho (gentil patrocínio da HCB) são um incentivo à leitura, para novos leitores do autor, para velhos leitores do autor.
Para quem lê o que se publica a atribuição do Prémio José Craveirinha não surpreendeu. Nada mesmo. Muito dificilmente o juri escolheria outro livro. Digamos que apenas surpreendeu a sua editora, Caminho/Ndjira. Pois o livro estava aqui esgotado. E assim continuou. Para quem o procurou, nada. Para o patrocinador, que na altura aventou a ideia de adquirir as obras premiadas e as distribuir pelas escolas dos distritos, nada.
Um ano passou. A Ndjira vai reeditando outras muito dignas obras, mas da premiada não se lembra. A Caminho não envia dos exemplares editados em Portugal (e aqui vendidos mais caros do que a edição nacional). Os livreiros não encomendam a obra premiada (aliás os livreiros não publicitam as obras premiadas o que, vindo de quem vem, é uma original crítica aos críticos).
Ah, vem tudo a isto a propósito de que (ovinhos de Páscoa?) encontrei agora, o tal ano depois, alguns exemplares à venda, recentemente chegados de Portugal.
Os alunos universitários lá vão dizendo. Os que são de leituras conhecem Mia Couto, Craveirinha, Paulina Chiziane. Alguns, poucos, Khosa (será que o livro está esgotado? é que o prémio deve estar a sair, espero que a Imprensa Universitária não imite coisas destas). Depois, esporadicamente, um ou outro escritor (Albino Magaia, Aldino Muianga, Nelson Saúte, alguns outros). Nunca Borges Coelho.
O melhor mesmo é não se atribuirem prémios. Para não vermos como não se vendem livros nem se divulgam escritores.
Abril 9th, 2007 — João Paulo Borges Coelho

O Grande Hotel da Beira, já evacuado em livro de João Paulo Borges Coelho.
Fevereiro 8th, 2007 — João Paulo Borges Coelho
Releituras:

“Ainda que sonde as minúsculas tocas de onde os caranguejos espreitam, como faz o homem, à mulher movem-na menos enigmáticos propósitos. Não nos iludamos: ela procura o que comer e o que dar a comer aos seus, quem quer que sejam. Abre as suas pernas fortes, fincadas na areia da praia como os pilares de uma ponte que a sustente – coxas firmes, gémeos largos, pés seguros – e dobra o tronco para chegar ao chão. Para um lado e sobressai-lhe uma anca, para o outro e sobressai-lhe a anca oposta, numa extrema agilidade. Move-se pouco no espaço do areal, se tirarmos a sucessão lenta de poses desta sua solitária dança, menos um movimento que um conjunto de imóveis retratos. Presa que está ao trabalho de descobrir aquilo que a paisagem só aparentemente despida tem para oferecer, que requer particular argúcia. Evolui em círculos, esta mulher, e quando deixa cada lugar é porque o esgotou ou porque os minúsculos organismos encontraram um método eficaz de se dissimular, de deixar de existir aos olhos delas.“
(João Paulo Borges Coelho, “Ibo Azul”, Setentrião, Maputo, Ndjira, 2005, p. 193)
Dezembro 13th, 2006 — João Paulo Borges Coelho, Nelson Saute
E amanha, no Hotel Girassol (18 h.), o lancamento do “Maputo Blues” de Nelson Saute (Ndjira). Apresentacao de Joao Paulo Borges Coelho. Ao que julgo a entrada estara aberta, e estou crente que havera chamussas. Sera, pois, de aparecer.
Novembro 3rd, 2006 — João Paulo Borges Coelho
Setembro 29th, 2006 — João Paulo Borges Coelho