Entries Tagged 'Aldino Muianga' ↓

Reedição de Xitala Mati

A segunda edição, vinte anos depois, de Xitala Mati, o livro inaugural de Aldino Muianga, que à época veio suceder aos seus textos de “Charrua”, então como Khambira Khambiray. Dez pequenos contos a avisarem que estava aqui uma das mais interessantes vozes literarias mocambicanas, como se veio a comprovar. A ler, mesmo.

Pessoa discreta talvez isso explique alguma menor atenção que se lhe tem dado. Uma colectânea, para uso externo e tradução, não seria isso uma boa ideia? Merecida ideia, isso é-o com toda a certeza.

O livro, que já está à venda (165 meticais, acessível), é hoje apresentado. Uma edição da Associação de Escritores Moçambicanos (AEMO). Louve-se, o objecto apresenta-se bem, decente capa (fotografia de Ricardo Rangel), bom papel e razoável impressão (salvando as ilustrações de Victor Sousa). Pena a desatenta revisão, algumas gralhas, ainda que poucas, a surgirem numa reedição é coisa triste. Refiro estas qualidades dado o já nem tão recente hábito de se botarem péssimos objectos no mercado (vício no qual a Imprensa Universitária reina).

Aldino Muianga

Muianga é um nome não muito conhecido por cá. E nada exportado. Escrita serena, pausada, dizem-na condigna à personalidade do autor - que não conheço. Sem grandes riscos, também.
Pequenas histórias, muito realistas. Sem heroísmos ou sofrimentos de maíscula, ausentes as grandes causas ou cosmologias que tudo explicam. E vá-se o fatalismo, dá-nos essa pequena gente no seu andar, coisas da terra em dia-a-dia. Com dores, e muitas, claro está. Mas também com os sorrisos a perpassarem aquilo que nos diz. Moçambique.
Acabo agora, já atrasado, “O domador de burros”. Que anda junto a “Magustana” e a “A noiva de Kebera”. Livros onde o autor é mais Muianga. Para quem lê para conhecer e sentir um pouco vá até eles. Justificam muito mais do que a atenção que lhe tem sido dada no conjunto da literatura moçambicana.
Ah. Os especialistas que lhe façam a crítica à escrita. Mas garanto: é muito melhor do que as infaustas capas que sempre a recobrem. Que coisa!