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Um tipo tem direito a ser foleiro?

Na noite da Ilha um sms de Maputo: “morreu o EPC”, e pronto eu a voltar a menino, na rua dos cafes de S. Martinho, sempre no cafe do Careca (que o Samar foi mais adolescente), aquele tipo baixo e gordo, sempre carregadissimo de livros, uma ou outra pita meio hippie, volta e meia metendo conversa com a mesa dos pais (onde pontificava o adoravel Silvino Cordeiro, pai da Graca de quem vim a ser colega), aceite nisso por ser “o filho do Jacinto Prado Coelho” - esse que antes de morrer deu uma entrevista ao entao novo JL a dizer assim como “no fim da vida concluo que as qualidades morais sao bem mais importantes do que as qualidades intelectuais”, ou ate mesmo dos manos. E ‘e so isso, estou na Ilha, um sms de Maputo, “morreu o EPC”, de quem nunca li um livro, talvez uma duzia de cronicas, e volto ao menino pequenino, dos Asterix, do Karl May e das caricas, no sitio onde mais feliz fui.


(Kevin Spacey como Lester Burnham em American Beauty)

“Good. I’m looking for the least possible amount of responsibility”

- o dia foi-me salvo no Peao.

Grupo Cultural Anuaril Hassanate, Mesquita Gulamo

Prazer e ate comoção são os sentimentos que me invadem durante o longo fim-de-semana, de tão longe informado que fui da minha eleição, sem prévia candidatura entenda-se, como Presidente do Grupo Cultural Hassanate Mesquita Gulamo (aldeia fronteira à Ilha de Moçambique).

Enquanto Presidente JPT nada prometo, a não ser o maior empenho no desenvolvimento das actividades culturais em que todos estamos empenhados. Serei apenas um entre iguais. Asante …

(para os leitores mais apressados, atreitos a leituras mais assim … este evento não tem qualquer ligaçãao a recentes polémicas pictóricas na Ilha de Moçambique, aqui ecoadas).

Interregno sentimental. Crueldade alheia, isto de estar ao blog e receber um telefonema de 11 000 kms longe, só para informar que “vamos ali jantar umas lulas recheadas no Café Correia“.

Se quem nem sabe o que é te faz sentir uma excrescência, coisa a não cortar talvez porque um dia terá sido sinal de beleza … olha, deixa isso, deixa cair a noite no índico e molha-te. A ti e aos pés …… quando chegas a casa, só o fastio te levará a quem se dá por efemérides. E lembra alguém que um dia te mandou assim. A ver vamos, lá em Gaza.

Dez anos em Mocambique, cumpro hoje. Foi depressa.

Os miúdos seguem-no enquanto repetem “pwapo”, “pwapo”, sorridentes, brincando. Os homens, maduros de jovens, respeitam-no de “pwapo”, interpelam-no como “pwapo” e, até, pedem-lhe pequenos algos via “pwapo”. Costas já bem voltadas ele encontra espelho, outro, vero, não metáfora. Olha-se cabelo, olha-se barba rala, olha-se olhos, olha “pwapo”. Olha o agora, o já, “pwapo”. Escreve-o, “pwapo”. Escreve-se “pwapo”.

O jpt é um piroso

(Monapo, Janeiro 2007)

Objectivamente 2006 foi um ano o pior de todos. 2007 há-de melhorar, pelo menos até ao “…um pouco normal”.

Exposição MUSART 2006

Encerrada a exposição colectiva Muvart 2006 o Museu Nacional de Arte inaugura hoje (18 h., a exigir ubiquidade) a anual do concurso MUSART, este a necessitar de revitalização, minha opinião. Sobre o assunto aqui fica o texto de apresentação, meu teclado:

Eis a exposição anual do concurso MUSART (2006), a iniciativa que o Museu Nacional de Arte vem tornando uma instituição no seio das artes plásticas moçambicanas. Nesta edição serão apresentadas pouco mais de uma vintena de obras, resultantes de uma selecção realizada entre uma centena de peças apresentadas a concurso. O conjunto abarca, de modo quantitativamente diverso, as expressões desenho, escultura, fotografia e pintura – sendo que esta descrição não é neutral, mas sim uma proposta para que aqui se ultrapasse a tradicional e constante divisão entre “cerâmica” (que ainda aqui surge como categoria regulamentar individualizada) e “escultura”, considerando a prática da primeira como modo de escultura, divergindo não na expressão mas sim nos materiais usados.

Para esta edição anual a organização entendeu não atribuir prémios finais, ainda que concedendo algumas menções honrosas. Claro que a subjectividade de critérios se impõe nestas realizações, que júris diferentes teriam diferentes entendimentos, seja ao nível da consagração, seja ao nível da selecção. No entanto o que será de realçar foi a vontade de constituir a exposição, de molde a sedimentar a realização da anual MUSART, fruto de um concurso aberto, explicitamente aberto – lembremo-nos que aceitando obras de artistas plásticos moçambicanos e estrangeiros, residentes e não-residentes, ou seja, procurando constituir um momento único de apresentação, divulgação das correntes artísticas em cenário, mas também um momento único de diálogo entre práticas artísticas diversificadas.

De certa forma correspondendo ao que se afigura constituir o panorama actual das artes plásticas moçambicanas, a exposição centra-se num conjunto de obras apresentadas a concurso sob os itens “cerâmica”, indiciando assim a pujança que esta prática vem adquirindo, e “pintura”, cuja energia é tradicionalmente notória. Mas é de referir que a representação nas áreas de “fotografia” e “escultura” (esta última entendida no seu sentido tradicional e, ainda, regulamentar) são praticamente simbólicas, atendendo à escassez de candidaturas apresentadas.

Este perfil, em quantidade e conteúdo, da exposição possível para o MUSART 2006, aliada à anterior decisão de não realizar a exposição de 2005, obriga a uma reflexão. Urge imprimir uma nova dimensão a este concurso, entendendo-o como momento crucial da actividade das artes plásticas nacionais. Expor no Museu Nacional de Arte, inserido em colectivas, deve ser dignificado, presume-se até que entendido como corolário das actividades individuais – algo a associar com os critérios de escolha para as individuais ou pequenas colectivas a realizar na galeria temporária do MNA. Nesse sentido a organização do MUSART propõe-se sublinhar esforços junto dos artistas, mais veteranos ou menos, praticantes das múltiplas formas de expressão plástica, para que se congreguem nesta anual. Para isso se exigindo a divulgação institucional (junto das associações e núcleos artísticos, formais ou informais, das escolas artísticas, e outros contextos) mas também os mecanismos corporativos, apelando à cumplicidade da comunidade artística enquanto motor da participação neste evento anual, sem barreiras de estilos ou gerações. Assim reclamando ao Museu o que ele tanto pretende, a presença e participação de todos. Assim concordando no que todos concordam.


Vida Velha (signos de uma derrota).

A xi mazi xa xitsongo xinga zunga a mudjansi

(uma agulha pequena pode coser um sobretudo)

Sento-me para um rápido almoço, casal amigo (casal amigo, casal refúgio). Riem-se, “estás na boca do mundo” avisam, que até gente que de mim gosta vai comentando ser eu um escroque moral - talvez eles não queiram significar isso, mas sê-lo-ia a meus olhos se boatassem eles a verdade. Mas se aos 42 dos meus mais próximos aos mais distantes corre essa imagem não será ela verdadeira? Ou fico-me, afinal desalinhado, a protestar com a sala torta?Pequeno mundo, sim. De merda. Mas também pequeno homem, com toda a certeza. Do mesmo.

úlcera. bálsamos nenhuns. andar assim, ardor e azia. esperando sara.