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O aniversário

Confirmo: foi um jantar muito agradável.

Memórias dos operários de Verão.

Nunca esquecer

“Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio

Capicua. Sem novidades. Para além da vida. E alguma banda sonora.

Diário

Andas quezilento” é com o que fico de um recente jantar, opinião ponderada (e apoiada) de boa amiga. Prometo calar-me, de ora em diante. Não julgar os alheios nem mesmo os com quem choco. Aceitar os sem “sem fé nem lei” como coisa da vida, disfarçados de ateus e libertários, até com toque de boémia como se esta coisa libertária, disfarce com que seguem sem outro fundamento que o da auto-permissão.

Vou sozinho ver a selecção à esplanada, acompanhando prego e chouriço, tuguismo viriato radical. Na minha mesa senta-se um amigo. Pouco depois chega um casal e ele faz menção de nos apresentar. O tipo chegado conhece-me - eu nem o reconheci ali no imediato - lá do norte, uns quinze anos antes. Dele lembrarei uma má onda, grosseiro, ordinário. Muito. Não a largou. Ao “este é o jpt” responde lesto, no arrastar marialva do sotaque, “conheço bem o personagem … aquele que trabalhou no consulado” - algo que nunca fiz, mas é uma confusão que aprendi recorrente em determinado grupo étnico de estrangeiros, erro muito freudiano. E afasta-se, (como se?) enojado. O meu amigo levanta-se e segue-o para a outra mesa. No fim do jogo não se despedirá, porventura alquebrado com a derrota, concedo(-lhe).

Andas quezilento“, é o que me diz uma boa amiga. E por isso mesmo, só por causa dela, nem disse nem digo nada. Sigo. Sem fé e com lei. Ateu não libertário. Trôpego às vezes. Mas nunca filho-da-puta.

Mesmo se quezilento.

Tara! Home. I’ll go home. And I’ll think of some way to get him back. After all… tomorrow is another day. - inverto. Amanhã (daqui a bocadinho) é outro dia. E hei-de ir à rua. Espero encontrar quem não tenho visto. Sem (des)culpas. Que da idade não é, certamente, que há outros mais velhos … Só pode ser mau-feitio. Ou mau formato … Que se lixe, de volta à cidade.

Envelhecer! Sentimos dia a dia
A idade aniquilar-nos lentamente,
É vermos um deserto à nossa frente
E atrás de nós, exausta, a poesia …

É ver fugir aos poucos a alegria
Que a vida nos trouxera antigamente;
É nem saber se acorda o sol ardente,
Quando a alma dorme escurecida e fria.

É começar a ter, nalguns instantes,
Saudades de alguém que fomos antes,
Viver lembrando aquilo que morreu …

É perguntar, em busca de conselho
Fugindo à voz fatídica do espelho,
A si mesmo e com medo: Quem Sou Eu?

(Pedro Homem de Mello)

- post vindo da minha mãe

Totem

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No blog colectivo anónimo memorialista Olivesaria evocam as experiências escolares em 1978 - chamam-lhe “As Tardes dos Viveiros”.

Este blog é um diário

Imediatamente abaixo referi um texto de Carlos Serra. Nele se gerou uma longa troca de comentários. Um comentador - que sendo anónimo o é por razões bem mais justificadas do que o corrente lumpen anónimo que habita nas caixas de comentários -, meu antigo aluno, acusa-me de ser homófobo nas salas de aula. Pedi-lhe que me informasse, pela via que entender, do teor dessas minhas atitudes.

Elas poderão ser contra-interpretadas. Eu posso-lhes dar outro sentido, outros também o poderão fazer. Outros ainda atribuir-lhes-ão o mesmo sentido do aquele que o comentador afirma. E até outros significados. Mas isso nunca fará esquecer o facto de eu ter ferido a sensibilidade de alguém no meu exercício profissional, ainda para mais no seio de uma relação tradicional e institucionalmente assimétrica como o é a relação docente-discente.

Não conheço ainda (mas espero vir a conhecer) o exacto conteúdo daquilo que o meu ex-aluno refere. Mas nisto das sensibilidades pessoais pouco há de “certo” e “errado”, dificilmente se poderá apelar a um “ponto de vista superior”, de suprema racionalidade, que sobre a sua justeza arbitre. Assim sendo nunca poderei, em perfeita consciência, contra-argumentar. É(-me) óbvio que independentemente da minha opinião, da minha interpretação, da minha retórica (a posteriori) o agressor fui eu. O ónus da incorrecção, do impensamento, da insensibilidade, é meu. Sobre mim incorre (est)a vergonha. A exigir-me um doloroso (e envergonhado) “mea maxima culpa“.

Espero que o meu ex-aluno me transmita o conteúdo do acontecido. Porque isso poderá ser contra-argumentado, contra-interpretado. Talvez (espero) permitindo matizar a sua opinião, a sua interpretação. Ou talvez não (temo). Mas nunca, claro, apagando o que acima digo. Porque uma coisa é um diálogo sobre determinada acontecimento, situação ou argumento, outra coisa é a aceitação da legitimidade da ocorrência de algo que é entendível como uma agressão (se voluntária ou involuntária é, neste caso, algo perfeitamente secundário).

É-me ainda referida a autoria de textos homofóbicos. Com isso não posso concordar. Das atitudes, contextualmente enquadradas e irrepetíveis para posterior consideração, já referi o quanto me é crise as suas possíveis interpretações. Mas os textos não. Ainda que eles não sejam separáveis do seu autor - sê-lo-ão no caso de grandes artistas, mas decerto que não no deste bloguista - eles são interpretáveis, contra-interpretáveis, revisitáveis. Racionalmente apreensíveis, assim discutíveis. E, francamente, concorde-se ou não com eles, apreciem-se ou não, não posso concordar que neles se encontrem traços fóbicos. Ou seja, nesse domínio sinto-me absolutamente livre para contra-argumentar, e considerar essa imputação uma tresleitura.

Este blog é um diário. Terrível nos dias em que o espelho não me mostra, afinal, tão belo.

Hoje tem data

19 de fevereiro, essa que se tornou especial, ano após ano. De a meio do dia me lembar do “mais um ano…”. Há 11 anos que vivo em Maputo. Vim por 3. Vou indo …

(dir-se-á “vou indo”?)

Escrevo à mão, o que me é raro, tão raro que já sou incapaz de textos definitivos quando assim. Uma velha caneta de tinta permanente, oferta paternal (eu em saudades? pois se 19 de Fevereiro). Empapo de suor as páginas e esborrato a escrita, página sobre página, como me lerei? Tenho o polegar direito preso, como se espartilhado entre falange e falangeta (e já não sei o resto, esquecida a ladaínha) - demasiado computador, nem preciso da médica para o dizer…

 

Nisto de escrever à mão, nisto de data de efeméride, regresso a anos atrás. E daí ao meu país (blogopaís também). Um país livre, finalmente livre da maldita culpa, essa ideia com que a igreja o impregnou séculos a fio. Um primeiro-ministro que mal amanhou o seu cursito, homem de andar a ganhar uns tacos por fora, ilegais, tipo de uns acordos de deontologia desonesta, e agora é uma referência. À culpa diz nada, até aplaudido por quem tecla. E se ele assim, boas notícias para todos nós, pois morta a culpa. A puta da culpa.

Tempo para voltar. Que num país desculpado até para um merdas como eu há lugar. E, se calhar, com uma pitada de cagança mais outra de atrevimento, até vou a referência. Pois como aquilo vai quem não o pode sonhar?

.

ombro-a-ombro

dona-amalia.jpg

…..Ora eis que embora outro dia

quando o vento nem bulia

e o céu o mar prolongava

à proa de outro veleiro

velava outro marinheiro

que, estando triste, cantava

que, estando triste, cantava

(”Fado Português”, José Régio/Alain Oulman)

Um sms que, de tão noctívago, não te enviei

Uma quinzena desse falso mas dito “mato” a ouvir os desvalidos - viúvas e orfãos do Moçambique rural -, assustando-me com os motins muito à porta de casa. Agora, logo logo, aniversário burguês mais lauto jantar cá em casa e mais casamento chic de Polana. Um must de irreal. E nisto não temos desculpa para reais. Upa, pois! Sem olhar para trás. Beijos - ainda assim tristes. Pois sendo assim isto tudo como podem eles alguma vez ser de outro modo?

Então que tal foram as férias?” durante o abraço duplo daqui ou o beijo duplo das realmente educadas, “Um bom ano!” no “até breve.”


Foram muito boas.

Então que tal foram as férias?” durante o abraço duplo daqui ou o beijo duplo das realmente educadas, “Um bom ano!”, no “até breve.”

Foram muito boas.