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com Jall Sinth Hussein

A sair para Norte e com o entusiasmo de sempre. Mas com a saudade daquele norte nordeste, de me encontrar com esses que se deixam a dizer

Nós os de rosto demorado como o dos velhos
nós com o peso de um deus amordaçado sobre os ombros
nós que olhamos as coisas e as choramos
e que somos semelhantes a uma promessa perdida
não dobraremos perante a mais pequena pressa
.

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Jall Sinth Hussein, Poemas do Índico, Vila Nova de Famalicão, Amores Perfeitos, 2004

Poemas do Índico


Jall Sinth Hussein, Poemas do Índico, uma edição Amores Perfeitos.

Abaixo transcrevo excerto do prefácio, da autoria de António Jacinto Pascoal, a quem mais uma vez agradeço a simpatia para com o Ma-Schamba.

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Jall Sinth Mussa Hussein (? – 1982) nasceu em Muipiti, na Ilha de Moçambique, filho de dois indianos a que, à época, se chamava de monhés. Não sabemos a data de seu nascimento, mas segundo aquilo que meu pai nos contou, terá morrido em 1982, em Maputo. Meu pai, militar de carreira, cumpria o serviço militar em Moçambique, tendo passado por Tete, Nampula e Lourenço Marques. Visitava regularmente a ilha, onde fazia praia junto ao forte, e foi aí que, um dia, terá conhecido Jall. (…)

Neste livro reúne-se o conjunto dos tercetos que Jall intitulou de Basma que é uma palavra de origem turcomana ligada à estamparia de tecidos (recorde-se que Jall era dono de um bazar), bem como uma série de poemas sob o nome de O Que Dizem as Coisas. Os dois livros fazem parte de uma unidade que uma folha branca escrita a lápis designou por Poemas do Índico. E de facto, há uma coerência temática na obra deste indiano, em que a obrigação de estar atento ao real e à fusão com os elementos da natureza são temas recorrentes. Estamos em crer que este livro transmite a herança duma cultura fronteiriça oriental no limiar do Ocidente, possuindo uma sensibilidade e uma nobreza comum a imensas obras de ressonância árabe e asiática que celebram o amor pela vida como o mais alto valor na vida. (…)

A obra de Jall Hussein é um hino à dignidade, à luta e à liberdade humanas, numa espécie de diluição do homem com os elementos da natureza. As referências constantes a autores orientais, o referente do Índico, a forma poética que remete para o hai-ku japonês, e os poemas de filiação taoista e helénica prefiguram uma poesia que busca a essência do mundo e as grandes preocupações do homem, sem deixar de estar atenta às fragilidades e aos aspectos mais ínfimos da condição humana. É, por isso, uma poesia universal, plena de um discurso hierático, mística e clássica, revelando as necessidades mínimas da linguagem.

António Jacinto Pascoal