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Ético, não émico

A Gente Não Lê (Carlos Tê / Rui Veloso)
[A minha versão preferida é a de Isabel Silvestre]

Música para esta tag e para algumas categorias aqui: onde há más fotografias e esforçada verborreia ocorridas aquando cruzando gente que trabalha até rebentar. E que costuma rebentar nova…

A Gente Não Lê

Ai senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
Rezar o terço ao fim da tarde
Só para espantar a solidão
Rogar a deus que nos guarde
Confiar-lhe o destino na mão

Que adianta saber as marés
Os frutos e as sementeiras
Tratar por tu os ofícios
Entender o suão e os animais
Falar o dialecto da terra
Conhecer-lhe o corpo pelos sinais

E do resto entender mal
Soletrar assinar em cruz
Não ver os vultos furtivos
Que nos tramam por trás da luz

Ai senhor das furnas
Que escuro vai dentro de nós
A gente morre logo ao nascer
Com olhos rasos de lezíria
De boca em boca passar o saber
Com os provérbios que ficam na gíria

De que nos vale esta pureza
Sem ler fica-se pederneira
Agita-se a solidão cá no fundo
Fica-se sentado à soleira
A ouvir os ruídos do mundo
E a entendê-los à nossa maneira

Carregar a superstição
De ser pequeno ser ninguém
E não quebrar a tradição
Que dos nossos avós já vem

E, para quem leu ou ouviu a correr, há refrão, minha inovação:

Carregar a superstição / De ser pequeno ser ninguém

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