O Francisco mostra a sua Ilha de Moçambique. E também a mais esquecida beleza de Nampula.
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Março 28th, 2008 — Ilha de Moçambique
Aníbal Cavaco Silva na Ilha de Moçambique
Março 26th, 2008 — Cooperação, Ilha de Moçambique, Portugal-Moçambique
LNT pede-me notícias da visita do presidente Cavaco Silva a Moçambique. Presumo que a imprensa portuguesa faça a cobertura - eu, avisadamente, olharia a Lusa, cujo jornalista Pedro Figueiredo me parece bem menos folclórico do que os jornalistas habitualmente comitivos [a vantagem do jornalista oficial sobre os jornalistas oficiosos, porventura].
[”Posição da Ilha de Moçambique”, imagem recolhida de Raquel Soeiro de Brito, No Trilho dos Descobrimentos. Estudos Geográficos, Lisboa, CNCDP, 1977, p. 213]
Mas posso adiantar que hoje Aníbal Cavaco Silva visita a Ilha de Moçambique. Espero que vinculando a “cooperação” portuguesa a um efectivo e competente esforço, o qual está planeado, nessa região - economicamente deprimida e cujo grande simbolismo é também um recurso económico. Lembro que em 1997 o presidente Jorge Sampaio não foi à Ilha também porque não havia nenhum plano de cooperação plausível para aquela região (considerando então que não havia razões políticas para a deslocação). E que em 1998 o primeiro-ministro António Guterres foi lá apesar de não haver nenhum plano de cooperação plausível para aquela região (óbvios diferentes entendimentos sobre o conteúdo de uma visita de Estado a Moçambique).
Sobre a ilha já deixei aqui dois longos textos (I e II) - que são o melhor do Ma-schamba. E uma série alargada de entradas. Para além de sublinhar a esperança não me alongo mais, LNT - ali é o sítio onde combato o meu cepticismo. Rejuvenesço, por assim dizer.
Hoje é também dia de orgulho. Pois o grupo Anuaril Hassanate Bairro 16 de Junho (aldeia Mesquita Gulamo), do qual sou presidente

foi chamado para actuar na recepção ao meu presidente da República. De orgulho um pouco triste: sou mais uma vez um presidente absentista. E hoje gostava de não o ser.
Sobre a Ilha de Moçambique
Março 13th, 2008 — Ilha de Moçambique
Abaixo referi o destrutivo temporal na Ilha de Moçambique. Aí mesmo o visitante i.s.g. - o qual me avisa de que “nos conhecemos de modo irrelevante“, assim esbroando ego alheio - deixou comentário que subo a post.
Alguém despedaçou a tua carne
de novo
e não foram homens antigos de cruz ao peito
nem aqueles de máquinas fotográficas
nem os outros
(quaisquer que eles sejam).
Minha Ilha.
Foi um vento grande
um demónio (dizem os mais velhos)
o céu líquido precipitado no teu corpo
(como já estava ferido o teu corpo!)
e foi um mundo de nuvens
a colorir o teu azul
tanto que doeu demais.Mas
após o espanto
das tuas pedras
das velas
do macúti
das gentes
e desse mar de brilho
vai renascer um sorriso doce.
Vais continuar a ser um pedaço de chão
e alma
a navegar.
Mesmo em sangue
vais acordar sempre para o sol.
Eu sei.
És a minha Ilha
mesmo de corpo assim
rasgado.
Destruições na Ilha de Moçambique
Março 8th, 2008 — Ilha de Moçambique
Tempestade muito violenta na Ilha - que tendo amainado um pouco ainda não terminou. Chegam-me, por via daqueles que ainda têm carga nos telemóveis, relatos - avultadas destruições nos bairros de macuti e também na pedra-e-cal. Barcos de pesca afundados, casas destruídas, árvores derrubadas e, fundamentalmente, muitas casas sem telhados. A Ilha sem electricidade e, muito provavelmente (ainda não mo confirmaram), sem água. “A Ilha a sofrer”, dizem-me do Lumbo, também basto batido.
Amigos com prejuízos, ainda que felizmente sem notícias de desastres pessoais. Amigos e colaboradores olhando as casas descobertas, esses tectos de zinco que tanto investimento familiar implicam. Coisa que parecerá pouco na grande escala económica, mas que tanto implica nos parcos orçamentos familiares. Que fazer? A mobilizar ajuda.
A poesia e a ilha de Moçambique
Fevereiro 28th, 2008 — Ilha de Moçambique
No Petromax muito atenção poética sobre a Ilha de Moçambique.
Eduardo White e a Ilha de Moçambique
Fevereiro 26th, 2008 — Eduardo White, Ilha de Moçambique, Literatura Moçambique
De Eduardo White não tenho notícias há muito - em Portugal, sussurram-no alguns conhecidos comuns. Aqui deixo um texto dele (ele que, infelizmente, se desmaschambou) sobre a Ilha de Moçambique. A lembrar-me que o conheci em tempos de abrir janelas sobre o Índico …
A ILHA
Um pássaro revolve as asas por dentro do azul esbatido do mar. Traça a casa líquida que às estrelas, certamente, o seu piar vai dar. A história é-lhe longe, são formas entrecortadas sobre a espuma amarelecida dos navios cargueiros, que beijam lentos o horizonte e movem silenciosos outras cargas. A ilha suspende-se entre o vento e um negro reluzente cruza a praia com os olhos lavrando as areias. Não sei se reza, mas que pensa é mais que evidente. Testemunham os brancos cabelos e as mazelas no caqui dos desbotados calções. Cheira a marisco a brisa que inalam as narinas dentro desta paisagem e a cânfora, alguma, das memórias que ela desenha. As redes que sobre o chão encontramos estendidas, são cartas oceânicas que escreve o fundo do mar. Do texto salta a prata dos peixes, o verde amaciado das algas e uma estrela imóvel que explode por dentro a terra toda a girar. Claro que a areia as grava. Nossa forma de escrita mais milenar que a geringonça mágica de Gutemberg, porque Deus descansa aqui ao cair da noite. Silenciosamente medita por entre as lágrimas das tartarugas que junto a ele vêm desovar ou de um negro macúa, estirado sobre o desgosto, a chorar um amor que por teimosia não quer morrer. Vão longe a navegar os versos da miséria que do Luís de Camões a história quis esconder. Os ducados que nunca teve, nem para voltar nem para morrer, servem outros democráticos reinados e engordam a mesa dos que ainda julgam que poeta bom só miserável pode escrever. Lêem e estudam o que os poemas não dizem, sábios doutores esses universos etários, e nem com verdade podem, entretanto, entender o que eles explodem e dóiem e fazem crescer no coração esquecido dos seus autores. Por isso a Ilha é calma. Tonta de tanta quietude e talvez será o que querem dizer as faces delicadas das suas negras, as mãos talhadas dos seus ourives e os olhos aluadores e viajantes das suas crianças. Por isso o meu velho Camões, macúa zarolho só por ter visto sempre demais, terá talvez aqui amado seu negro, seus humanos adamastores e com eles provado essa fatalidade incontornável, de ser poeta sem ilha na ilha extensa dos que aqui, até hoje, não sabem ler.
Eduardo White
presidente absentista
Dezembro 12th, 2007 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Hoje e amanhã mini Karama do Anuaril Hassanate Bairro 16 de Junho (aldeia Mesquita Gulamo), com visita do Anuaril Hassanate de Angoche. O festival na Ilha será no sábado. (que faço eu aqui?).
Outubro 11th, 2007 — Cinema, Ilha de Moçambique

Há já mais de um ano que muito se falou na Ilha de Moçambique da realização ali da super-produção cinematográfica Toussaint Louverture. Azáfama, entusiasmo, alguns investimentos privados (pequenos em termos absolutos, importantes para quem os fez) na expectativa de receber tamanha actividade, sonhos de lucro e de divulgação. Depois, infelizmente, tal não se concretizou. Lamentos, causas anunciadas, que os americanos tinham medo da malária, receavam a hipótese de um tsunami, que não havia condições logísticas, que o governo não teria facilitado. Enfim a frustração económica e existencial deu azo a múltiplas tentativas de explicação.
Afinal razões mais explícitas terão sido causa de tal desenlace. Danny Glover e Hugo Chavez, belos espíritos encontrados pelos vistos, e 20 milhões de USD dados pelo governo chaveziano para a realização do filme - por lá.
Azar!
Outubro 7th, 2007 — Fotografia Moçambique, Ilha de Moçambique, José Cabral, Postais Moçambique
Ultimamente muito tenho escrito/ecoado sobre a Ilha de Moçambique. Então aqui fica uma fotografia retratando a “Ilha de Moçambique“, segundo o Zé Cabral. Ou, uma lição sobre como desmontar o exótico.
O postal pertence a “Évora/Ilha de Moçambique” (8 postais; cx. com duas fotos). Fotografias de José Cabral (1997-1998); Edição da Câmara Municipal de Évora, s/d (1999?) .
[entrada colocada em Junho de 2004]
“Évora/Ilha de Moçambique”, de José Cabral
Outubro 6th, 2007 — Fotografia Moçambique, Ilha de Moçambique, José Cabral, Postais Moçambique
“Ilha de Moçambique” (Julho 1998)
“Praça do Giraldo” (Set. 1997)
“Évora/Ilha de Moçambique” (8 postais; cx. com duas fotos); Fotografias de José Cabral (1997-1998). Edição da Câmara Municipal de Évora, s/d (1999?)
[tua oferta, Zé. Obrigado]
(entrada colocada em Maio de 2004)
Outubro 4th, 2007 — Ilha de Moçambique, Imprensa Portuguesa, Portugal-África
1. Reunião hoje com colega de equipa, regressado agora do distrito da Gorongosa, antes de avançarmos todos os outros para vários distritos do centro. Ali a paisagem mostra bem os efeitos dos fogos, talvez queimadas descontroladas a devastarem o terreno, talvez outras coisas também. Pergunto-lhe, como se distraído mas sei que corrosivo, “e o parque, sempre é verdade que arderam 80%?”. Estupefacto ele, sem saber de onde me vem a ideia, que nem pensar, que nesse caso já não haveria parque. Pois claro …
2. Há algum tempo cruzei uma jornalista portuguesa lá na Ilha. Que queria falar sobre a cultura, coisa de entrevista. Ainda bem, havia ali gente de comum conhecimento a impecilhar, escapuli-me por outro caminho. No dia seguinte um meu amigo veio-me com ela, para a tal “entrevista”. Lisboeta, penacho de quem escreve para muitos, atrevida num “já percebi que não gosta de jornalistas“, diz-me. Mal-criada, nem mais. “Pois“, digo-lhe para desagrado do meu amigo ali a ser simpático, “vocês folclorizam e superficializam tudo“. Esgarzito e ainda assim a primeira pergunta, “o que é que falta na Ilha?”. Guardei o “vá à merda” e fui quase-acabando, “por que é que não começa por perguntar o que há na Ilha?”. Nunca há-de perceber…
3. Há anos atrás um jornal patrício, sempre repetente nestas coisas, dizia que a segunda causa da morte em África era a queda de cocos na cabeça das pessoas. Pois se o tinham dito à rapariga, perdão, à jornalista.
4. Em breve, mais conclusões sobre o tráfico de orgãos em Moçambique, coisa do mesmo jornal, diga-se. E agora de outros, ao que ameaçam. Pois se até para romances de aventura serve.
Depois um tipo tem maus fígados, dizem.
Setembro 19th, 2007 — Fotografia Moçambique, Ilha de Moçambique, João Paulo Borges Coelho, Literatura Moçambique, Luis Abelard, Paulo Varela Gomes, Sérgio Santimano
Uma crítica a “Campo de Trânsito” de João Paulo Borges Coelho, assinada por Teresa Sá Couto. Um livro de que se tem falado bem menos do que esperei.
Sobre a apresentação na Ilha da exposição “A Ilha de Moçambique a Preto e Cor”, de Luís Abelard e Sérgio Santimano, no 2+2=5.
Paulo Varela Gomes sobre os Olivais, um texto no Blitz de 1985.
Setembro 16th, 2007 — Bloguismo, Ilha de Moçambique
Tiago Pinhal a descansar na Ilha de Moçambique: Que Isto (não) Seja Esquecido.
Grupo Anuaril Hassanate, bairro 16 de Junho
Setembro 14th, 2007 — Ilha de Moçambique, Música Moçambique
Grupo Anuaril Hassanate, Bairro 16 de Junho. Actuação durante a tomada de posse dos novos corpos dirigentes, Ilha de Moçambique, Agosto de 2007. Fotografias de Luis Abelard.
Setembro 13th, 2007 — Ilha de Moçambique
Um pouco por todo o país o medo do tsunami anunciado - a população a evacuar a Costa do Sol, a visitar a praça do Destacamento Feminino (vulgo Maringué) esperando a onda, são relatos daqui. Durante o jantar chegou-me um sms de amigo da Ilha de Moçambique:
“Esta noite o preço do chapa da Ilha para o Lumbo subiu de 5 para 15 meticais - da Ilha as pessoas estão a fugir para o Lumbo“. Um êxodo, ao que me contam no telefone. E, como me dizia amigo aqui em Maputo: “parece que o mercado selvagem funciona bem“.



