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Maio 9th, 2009 — Ilha de Moçambique, Isabel Osório

Foi na Ilha de Moçambique que encontrei um curioso livro, editado em 2008 pela Editorial Minerva. Trata-se de uma colectânea de fotógrafos amadores que se apresentam em formato bloguístico (ou fotobloguístico), condignamente impressa, o Fragmentos de Emoção. Como será normal num projecto que integra trabalhos de cinquenta fotógrafos o livro é bastante heterogéneo, nas temáticas e abordagens.
Lá está representada a Ilha de Moçambique, através das fotografias da Isabel Osório. Esperando eu que essa primeira edição sirva de trampolim para um trabalho - exposição, álbum - da Okhwiri, que sobre a Ilha construíu um belíssimo trabalho fotográfico. E que tem a “obrigação” de o partilhar.
Maio 9th, 2009 — Ilha de Moçambique
A excelência na Ilha, em acomodações e programas, está no Terraço das Quitandas. Louvar quem para isso trabalhou. E o quis.
Maio 7th, 2009 — Ilha de Moçambique, Paternidade

Ela - “Pai, esta vista é completamente boa”.
Maio 7th, 2009 — Eduardo White, Ilha de Moçambique

“Eu gostava de poder fugir a esta realidade tão fulminante. Dizem-me os amigos para enfrentar o problema, para agarrar o touro pelos cornos. Aliás, dizem-no sempre quando isto não é o que se passa com eles.
(…)
Penso, como consequência, em partir. Para onde? Não sei, se tivesse dinheiro era para uma ilha. A minha ilha, Moçambique. É bela. Antiga. Magistral.
Vejo-a:
(…)
A ilha suspende-se entre o vento e um negro reluzente cruza a praia com os olhos lavrando as areias. Não sei se reza, mas que pensa é mais que evidente. Testemunham os brancos cabelos e as mazelas no caqui dos desbotados calções. Cheira a marisco a brisa que inalam as narinas dentro desta paisagem e a cânfora, alguma, das memórias que ela desenha.
As redes que sobre o chão encontro estendidas, são cartas oceânicas que escreve o fundo do mar. Do texto salta a prata dos peixes, o verde amaciado das algas e uma estrela imóvel que explode, por dentro, a terra toda a girar. Claro que a areia as grava. Nossa forma de escrita mais milenar que a geringonça mágica de Gutemberg. Porque Deus descansa aqui, ao cair da noite. Silenciosamente medita por entre as lágrimas das tartarugas que junto a ele vêm desovar, ou de um negro mácua, estirado sobre o desgosto, a chorar um amor que, por teimosia, não quer morrer.
(…)
Por isso a Ilha é calma. Tonta de tanta quietude e, talvez, será o que querem dizer as faces delicadas das suas negras, as mãos talhadas dos seus ourives.
Assim, o meu velho Camões, macúa zarolho só por ter visto sempre demais, terá, talvez, ali, amado seu negro, seus humanos adamastores e com eles provado essa fatalidade incontornável de ser poeta sem ilha na ilha extensa dos que nela, até hoje, não o sabem ler.
Mas era para lá que eu queria partir.”
[Eduardo White, O Manual das Mãos, Campo de Letras, 2004, pp. 61-62]
Julho 7th, 2008 — Ilha de Moçambique, Luis Abelard, Sérgio Santimano
Inauguração no dia 9 de Julho, próxima quarta-feira, às 19.30. Em Lisboa, na Fábrica de Braço de Prata (aos Olivais), com a presença dos seus autores Sérgio Santimano e Luís Abelard: “Ilha de Moçambique a preto e cor“. E lá estará durante o mês de Julho.
(Luis Abelard)
(Sérgio Santimano)
Maio 31st, 2008 — Ilha de Moçambique

[Maio de 2008]
Janina, de há muito a estrela do “Estrela Vermelha”. A face do Tufo. Vénia …
Maio 31st, 2008 — Ilha de Moçambique

[Maio 2008]
Lixeira da Ponta da Ilha. A ser transferida …
Maio 31st, 2008 — Ensino Moçambique, Ilha de Moçambique

[Maio de 2008]
Escolinha, bairro Maringué, Gembesse. Colega e seus alunos.
Maio 31st, 2008 — Ilha de Moçambique


[Maio de 2008]
Uma inovação urbanística na Ilha: a nave dos loucos. Auto-construção fronteira ao cemitério, ponta da Ilha. A imediata sensibilidade impressiona-se face às condições de vida (veja-se o tamanho das casas) dos “loucos” - não tive oportunidade de indagar se não se trata da tradicional exclusão dos “outros”, mera marginalização dos “vagabundos” a-sociados. A sensibilidade segunda sorri com a permissão de construção aos marginalizados mesmo junto à entrada da cidade (que se quer turística). Magnifíca, ainda que não estética, concepção de inclusão - e digo-o sem ironia. Ainda que solidário com a miséria visível. Pois muito antes assim do que a escondê-los.
Maio 31st, 2008 — Ilha de Moçambique

[Maio de 2008]
Grafiti no “Matadouro”: poesia popular
Maio 31st, 2008 — Ilha de Moçambique

[Sanculo, Maio de 2008]
“Escreve um texto doce. Regista uma imagem - a mais rara. Traz bocadinhos dessa luz. Quando vieres espalha tudo isso nesse sul.” - sms recebido há dias. Ando assim, até pior. É o que te consigo arranjar.
Maio 31st, 2008 — Ecologia Moçambique, Ilha de Moçambique

[Maio de 2008]
A reabilitar?
Maio 31st, 2008 — Cooperação, Ilha de Moçambique


[Maio de 2008]
Comemorações do Dia Mundial dos Museus no Museu da Ilha de Moçambique, uma actividade de quatro dias, realizada pelo seu director e pela curadora dos museus da Ilha. Aqui registo de uma das palestras da curadora Sara Teixeira. Minha homónima, minha patrícia, minha ex-colega (de quando eu fui cooperante português), mulher de mão-cheia e de grande paixão profissional pelo que vem fazendo. Com denodo animando os museus locais. E em terríveis condições logísticas existenciais.
Para ela e para as três miúdas - mais novas que a Carolina - um grande beijo. Foi um desprazer nocturno ter que ir carregar-vos os bidões de água. Sem carro numa ilha? E esta agora sem água? Vénia dobrada pelo profissionalismo e pela paixão. Redobrada pela coragem. Tridobrada pelo resto todo.
Aliás, lá de onde vimos já não há gente assim. Partiram o molde, ouvi dizer.
Sara, um abraço ao Rui.
Maio 31st, 2008 — Cooperação, Ilha de Moçambique, Portugal-Moçambique


[Maio de 2008]
A primeira pedra da Vila do Milénio, belo projecto de assentamento populacional a desenvolver muito em breve, baseado no projecto Aldeias do Milénio (Millenium Project) das Nações Unidas, uma inspiração desenvolvimentista de Jeffrey Sachs. Na sua versão moçambicana, como este projecto no Lumbo, uma obra encabeçada pelo excelente Venâncio Massingue, ministro da Ciência e da Tecnologia - prova que o desenvolvimento rural é um objecto de transferência científica e só assim se pode cumprir.
Maio 31st, 2008 — Arquitectura Moçambique, Ilha de Moçambique

[Maio 2008]
Maio 31st, 2008 — Arquitectura Moçambique, Ilha de Moçambique


[Maio 2008]
Maio 5th, 2008 — Alexandre Lobato, História Moçambique, Ilha de Moçambique, Livros Moçambique

["Ilha de Moçambique com a representação da fortaleza de São Sebastião", António Bocarro, Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, Cidades e Povoações da Índia, Goa, 1635. Ilustrações de Pedro Barreto de Resende]
“Dehérain publicou há cinquenta anos, num livro cheio de interesse - Études sur l’Afrique -, quinze páginas sobre a malograda expedição holandesa enviada em 1662 à conquista de [Ilha de ] Moçambique. Compreeendia sete navios, com 1227 homens, o que dá suficiente ideia da grande importância que lhe deu em Amsterdão o Conselho [da Companhia das Índias]. No Brasil corriam mal para os Holandeses os feitos da guerra, mercê da tenacidade com que os colonos os combatiam, mas na Índia tudo lhes corria bem. Colombo e Calecut foram tomadas em 1656, Jafanapatão em 1658 e Negapatão em 1660. Cochim, fundação do Estado da Índia, seria por nós perdida em 1663. Os Holandeses tinham decidido expulsar os portugueses do Índico, e resolveram conquistar Moçambique, porto fundamental do comércio com a África e da dominação naquele oceano. (…)
A Companhia [das Índias] armou especialmente cinco navios, destacou mais dois da linha de Java e juntou-lhes um iate que deveria ficar depois no Cabo. Um dos navios chegou porém tarde ao Cabo e não alinhou à partida. O comando foi confiado a Huybert de Lairesse e tudo se preparou no maior segredo, a fim de nada chegar ao conhecimento da espionagem portuguesa. A Fortaleza de Moçambique deveria ser tomada de surpresa; não sendo possível, recorrer-se-ia ao assalto; o último meio a adoptar seria o cerco. (…)
A viagem da Holanda ao Cabo foi trabalhosa, com algumas baixas - perto de 90 mortos. Para recompor as guarnições, Lairesse demorou-se no Cabo até 26 de Setembro de 1662, época do ano já avançada para o resto da viagem, que de regra não deve exceder Agosto. Naquele dia deixaram o Cabo, a caminho de Moçambique, 5 navios de linha e 2 ligeiros, com 1227 homens, em que 646 eram soldados.
A notícia do malogro da expedição chegou ao Cabo em Janeiro de 1663, por um dos navios da frota. Esta tinha gasto mais de um mês para atingir o cabo das Correntes. Outro mês foi gasto para atingir a baía Verhagens, que Dehérain julga ser (…) a actual baía de Mafamede (Mofomeno) [entre o cabo de S. Sebastião e Sofala].
Não faltaram temporais e ventos contrários; os mantimentos começaram a escassear; apareceram as doenças. Lairesse resolveu retroceder para sul do cabo das Correntes para repousar as tripulações e andou para trás em 24 horas o caminho que para diante lhe consumira cinco semanas. Ancoraram num ponto da costa a que chamaram Baracatta, e não está identificado, e aí estiveram os navios mais de um mês, ameaçados de caírem sobre a costa. Tinham morrido 114 homens e 218 estavam doentes. Lairesse decidiu desistir.
Dehérain estranha, com justa razão, que Lairesse se tivesse metido tão aventurosamente ao Índico sem respeitar o regime das monções. E foram inegàvelmente os ventos que salvaram Moçambique. A praça dificilmente poderia resistir, e, tomada, seria quase impossível reavê-la, porque o tratado de paz luso-holandês de 6 de Agosto de 1661 entraria em vigor com o status quo da data da ratificação, e possessões portuguesas que tivessem sido conquistadas pela Holanda permaneceriam em seu poder. Por isso a Companhia tanto recomendara a Lairesse que andasse ligeiro.” (meu sublinhado, jpt)

[Alexandre Lobato, Quatro Estudos e Uma Evocação Para a História de Lourenço Marques, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, 1961, pp. 25-28]

[Gravura reproduzida de Rafael Moreira (coord.), A Arquitectura Militar na Expansão Portuguesa, Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1994]
Maio 1st, 2008 — Ilha de Moçambique, Literatura Moçambique, Livros Moçambique, Mia Couto

Ilha de Moçambique
Não é a pedra.
O que me fascina
é o que a pedra diz.
A voz cristalizada,
o segredo da rocha rumo ao pó.
E escutar a multidão
de empedernidos seres
que a meu pé se vão afeiçoando.
A pedra grávida
a pedra solteira,
a que canta, na solidão,
o destino de ser ilha.
O poeta quer escrever
a voz na pedra.
Mas a vida de suas mãos migra
e levanta voo na palavra.
Uns dizem: na pedra nasceu uma figueira.
Eu digo: na figueira nasceu uma pedra.
(Mia Couto, idades, cidades, divindades, Maputo, Ndjira, 2008)
Abril 28th, 2008 — Ilha de Moçambique
Dinheiro japonês e português, sob a tutela da UNESCO. As obras de reabilitação da Fortaleza da Ilha de Moçambique - que aqui referi - vão finalmente avançar.
Março 28th, 2008 — Ilha de Moçambique
O Francisco mostra a sua Ilha de Moçambique. E também a mais esquecida beleza de Nampula.