Abaixo abordei (estreia na horta) o candidato yankee (gringo, em português) Barack Obama. E hoje belo jantar, queijos vários e vinhos “lá de cima”, dele cheio. Importante, decerto, no sítio onde está. No resto, diante desses que o iconizam para auto-posicionamento (e auto-legitimação, nunca esquecer), tipo “pago sem ver”, pokeristas católicos (coisa de milénios ou chegada em pleno XX, soam iguais) - coisa de culpas sonegadas -, só sorrio, compungido. Meu afastamento, algo que já referira
E (não sei meter youtubismos - será que funciona?)
sublinho hoje, aqui, ainda mais forte e de muito mais antes. Sem gringuismos. Nem outros “ismos”. Pois só um sol por aí. Por aqui. (Mas tantos palavrões sob ele. E, nunca esquecer, tantos pruridos. Em todos. Mas mais exactamente nesses.).
“Expões-te demasiado” avisa ciclicamente um talentoso amigo (desses da “plataforma livro”). Talvez. Por isso alguns me desprezam e outros me atacam. Ignoro-os, em particular aquando no meu maravilhoso país. Esse mesmo, esse onde logo à chegada basta ir comprar o primeiro jornal para deparar e, de imediato, trémulo, comprar oum dazed and confused a tocar desde então.
A canção continua a mesma, ó Zé, escadaria acima para o céu.
Este secador tem pelo menos quarenta anos de utilização corrente. É-me um ícone. (Devo ser muito reaccionário, anti-industrialista, por nutrir tal sentimento).
É (quase)Natal e os bloguistas ficam bem dispostos e trocam cadeias de passatempos. Agora é o Lutz do Quase em Português que me desafia a mostrar cinco filmes de que tenha gostado. Há muitos, claro, e a lista variaria consoante o momento. Escolho cinco dos filmes que me marcaram mesmo. Não será uma lista de excelências, mas sim uma lista de experiências. Alguns já referi quando aqui deixei a minha deprimida autobiografia na véspera dos meus quarenta anos.
2. A Queda do Império Romano de Anthony Mann. O filme será uma vera pepineira, se revisto, típico filme histórico de Hollywood. Mas lembro-me de o ver, menino de 8 anos no Monumental, tarde de cinema com a minha mãe. E da espantada e profunda sensação de algo diferente. Era esta senhora. E ainda é.
3. The Magnificent Seven, de John Sturgess. Verão de 1972, São Martinho do Porto. Estou a passar férias com o meu irmão João, mulher e bebé. Tenho 8 anos. Eles saem à noite para ir ao cinema e ficamos em casa (o único ano em que ficámos na casa perto da cancela do caminho-de-ferro) com a(s) empregada(s?). De súbito ele volta, que o “filme é para 10 anos” e eu, pequenino “mas só tenho 8 anos” e ele sorrindo, que não faz mal. Não me esquecerei da excitação, do entusiasmo, aquilo de ir ao cinema à noite. E do pasmo diante de tão soberba cowboiada. Aliás tudo isso volta quando revejo o filme.
4. Solaris, de Andrei Tarkovski. Eu tinha dez ou onze anos. Mas não era a única criança. Os meus pais levaram-me ao Caleidoscópio ver o filme, na outra sala estava o 2001. Ali se anunciava que era a oposição entre a ficção científica socialista (Lem e Tarkovski) e a capitalista (Clarke e Kubrick), e havia corrida aos filmes. Sem qualquer dúvida, era o país que era uma criança, não só eu. Lembro-me que me apertavam os sapatos e, muito, daquele abismo. Alguma coisa devo ter transparecido, já não me levaram ao 2001, que só vi adolescente.
5. Apocalypse Now, de F.F. Coppola. Desde a adolescência psicotrópica, influenciável pelo “Charlie don’t surf”. Sem precisar de versões extensas …
Kiff, the Riff, cheirou o pai misturado com um pote de coca. Ha alguns anos, depois das gargalhadas, ter-me-ia imediatamente a teclar sobre as dimensoes antropologicas do man, a aspiracao da alma e poderes antepassados (neste caso ate presumindo a felicidade do defunto aspirado), coisas do ritualismo canibalesco e necrofilo, linhagens patrilineares e varonis, etc e tal. E ja para nao falar em ideias sobre auto-construcoes iconograficas, o ultimo dos moicanos on stage, etc. e tal.
Mas agora, blogo-reformado so cito o meu (muito mais jovem) colega: “é a exotizacao dos brancos“.
E pronto, reformado global, vou (so) ouvir o JJ Cale. Depois isto.
A fabulosa colecção Falcão, onde pontificava o “valente ribatejano”, o luso-britânico Major Jaime Eduardo de Cook e Alvega, noutras paragens também conhecido pelo seu pseudónimo
Determinado blog eslavo, ao que parece muito em voga, decidiu uma soez invectiva ao Ma-Schamba. Respondo-lhe à letra, em perfeita simetria de atrevimento. Olho por olho, dente por dente. Qual Átila (ou Talião).
[Rita Hayworth. Early Publicity Portrait, Kobal Collection. Imagem reproduzida de Neil Grant, Rita Hayworth in her own words, Paul Hamlyn Publishing Limited, 1992, p. 14]
Lisa (Grace Kelly) é a dócil (e por isso perigosa) princesa de New York que quer domar Jeff (James Stewart), um caminhando-para-velho Lancelot, ambivalente pois renitente. Súbito, cúmplice, Lisa participa numa missão perigosa, indo a casa do vendedor (Raymond Burr) provocar-lhe reacção denunciadora, momento de frisson para todos. Quando, afinal sã e salva, ofegante da emoção, Lisa regressa ao apartamento Jeff olha-a assim.
Há mais de vinte anos que esta imagem me persegue. Pois este nada-mais-que-sopro do “Rear Window” é a maior expressão do amor da história do cinema. Um prodígio de representação. Talvez Hitchcock. Mas creio que acima de tudo Jimmy Stewart.