Archive for the ‘Sérgio Santimano’ Category

Exposição de António Leitão Marques

Quarta-feira, Março 3rd, 2010

Abre hoje, 3.3., no Instituto Camões uma exposição do fotógrafo português – oriundo de Moçambique – António Leitão Marques, intitulada “Moçambique, Labirinto da Saudade“. Nada mais sei sobre o que integra (nem quanto tempo estará disponível). Mas posso presumir que valerá visitá-la. Aqui deixo duas belissimas e já antigas fotografias suas (empobrecidas nas reproduções) que possuo em livro publicado em 1997.

["Cantina no Chiúre"]

["O Padrão e o Fortim da Ilha de Moçambique"]

As fotografias foram retiradas deste livro, que contém trabalhos de vários autores entre os quais, dedicados a Moçambique, os de António Leitão Marques, Sérgio Santimano e Faizal Sheikh.

[Encontros de Fotografia 1997, Língua Franca]

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Fotografias de vida

Terça-feira, Dezembro 1st, 2009

Sergio Niassa

[Sérgio Santimano, Macalange, Niassa oriental, 2001]

Todos teremos imagens de vida. E nessas, talvez, fotografias de vida. Esta é uma das fotografias da minha vida. Ao revê-la exposta, agora na Bienal TDM 2009, logo a paixão disse “presente”. É paixão, não tem qualquer argumentação que a ancore. “Bigger than life” dizia-se do cinema quando ele o era, “Deeper than life” direi eu desta “(Mulher de) Macalange” encontrada no seu quotidiano percurso ao celeiro pelo Sérgio Santimano.

A fotografia moçambicana produziu alguns símbolos – e nesse sentido produziu a nação, construíu a identidade por via simbólica. Para cada era haverá um ou outro ícone particular: “os lavabos” e o “ferro em brasa” de Ricardo Rangel, o “banho dos soldados” de Kok Nam (que abaixo deixo), são fotos que considero particularmente relevantes. E se Rangel foi um grande reporter-narrador de Moçambique já a Kok Nam vejo-o, fundamentalmente, como um pintor de ícones – algo que obrigará à recolha da sua obra em livro, o que tarda -, bem adequado à época do seu apogeu fotógrafo, a do voluntarismo pós-independência.

Kok Banho
[Kok Nam, "Sem título, Rio Révue, Manica, 1981". Reproduzida em Bruno Z'Graggen, Grant Lee Neunburg (orgs.) Iluminando Vidas. Ricardo Rangel e a Fotografia Moçambicana, Christoph Merian Verlag, 2002]

Ricardo Ferro em Brasa
[Ricardo Rangel, (rapaz marcado com ferro). Reproduzida em Ricardo Rangel Fotógrafo, Éditions de l'Oeil, 2004]

Ricardo Lavabos
[Ricardo Rangel, "Casas de Banho. Onde só o negro podia ser criado e só o branco era um homem, Lourenço Marques, 1957". Reproduzida em Bruno Z'Graggen, Grant Lee Neunburg (orgs.) Iluminando Vidas. Ricardo Rangel e a Fotografia Moçambicana, Christoph Merian Verlag, 2002]

Mas para mim, indivíduo aqui imigrado, há 3 fotografias moçambicanas que me são cruciais, que me construíram a auto-imagem, meio auto-reconhecimento, meio auto-embelezamento: uma “Aldeia Comunal” de Kok Nam (que vi na sua exposição individual da Photofesta, e que nunca consegui recuperar), a crucial Apetecido Quintal de Caniço (reproduzida abaixo) de Rangel, e esta “Macalange“. Um trio que faz o “meu” Moçambique. Ou melhor, me faz em Moçambique.

Ricardo Apetecido Quintal de Caniço
[Ricardo Rangel, "Apetecido Quintal de Caniço". Reproduzida em Ricardo Rangel, Pão Nosso de Cada Noite, Marimbique, 2004]

A (Mulher de)”Macalange” de Sérgio Santimano pertence a uma exposição individual dedicada à província do Niassa, que tem sido apresentada de forma itinerante. E está reproduzida – é apenas assim que a possuo – no livro “Terra Incógnita“, publicado na Suécia em 2006, contendo fotografias de Sérgio Santimano e textos de Albino Magaia, Luís Carlos Patraquim, Bosse Hammarstrom, Henning Mankell

 Sergio Niassa Capa

É fruto de um longo trabalho de pesquisa, repetidas viagens à província. Um projecto possibilitado pelo apoio da “cooperação” sueca, penso que inscrito num esforço de testemunhar o papel desenvolvimentista que esta teve (e penso ainda ter) na província - o que marcará o livro, que tem como ponto fraco algum excesso de imagens (algumas pobres páginas com oito fotos cada), talvez no intuito de mostrar trabalho. Do patrocinador, do fotógrafo.

Mas esse é ponto fraco. De resto o livro é bem apetecível. Pois se “Fotografar é assumir uma responsabilidade. As imagens que ficam para trás são rastos importantes para o futuro.” (Mankell) o que Santimano deixa, responsavelmente, não é apenas um conjunto de postais sobre a beleza natural do Niassa (ainda que aqui e ali ela surja, avassaladora). É o mundo humano, feito do camponês, como o espantoso “homem emergindo do rio, que não é Narciso” (Patraquim?). Mas também, e nisso rompendo com  o constante e atávico olhar exoticizador dos fotógrafos em bolandas, com um mergulho no trabalho industrial do Niassa, de trazer a sua densidade, beleza. Essa a ”responsabilidade” do Sérgio Santimano, a de afastar sem hesitação a folclorização. Do Niassa, do mundo. E, só assim, de o representar.

Também por isso, talvez por isso, toda a minha paixão por esta (Mulher de)”Macalange“.

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Bienal TDM 09: debates

Terça-feira, Novembro 10th, 2009

No âmbito da realização da XXª edição da Bienal TDM 09, a sua Comissão organizadora preparou um conjunto de actividades paralelas ao evento de entre as quais ciclos de debate destinados a reflectir e aprofundar o conhecimento e problemática das Artes Plásticas em Moçambique. As sessões decorrerão no Museu Nacional de Arte.

1. Conversa com os artistas premiados Faizal Omar, Domingos Mabongo e Titos Pelembe
05-11-09, Quinta-feira, às 18 horas

2. A Fotografia documental e as possibilidades actuais.
Oradores: Sérgio Santimano e Luís Abelard
11-11-09, Quarta-feira, às 18 horas

3. Bienal TDM 2009: Espaços de Hoje: Desafios e Limites – Curadoria
Oradores: Jorge Dias, Gilberto Cossa e José Teixeira
12-11-09, Quinta-feira, as 18 horas

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Exposição de Sérgio Santimano em Lisboa

Domingo, Setembro 7th, 2008

46_1.jpg

Até 25 de Setembro poderá ser vista esta “Terra Incógnita” de Sérgio Santimano, dedicada ao Niassa.


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A Ilha em Lisboa

Segunda-feira, Julho 7th, 2008

Inauguração no dia 9 de Julho, próxima quarta-feira, às 19.30. Em Lisboa, na Fábrica de Braço de Prata (aos Olivais), com a presença dos seus autores Sérgio Santimano e Luís Abelard: “Ilha de Moçambique a preto e cor“. E lá estará durante o mês de Julho.

(Luis Abelard)

(Sérgio Santimano)


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Quarta-feira, Setembro 19th, 2007

Uma crítica a “Campo de Trânsito” de João Paulo Borges Coelho, assinada por Teresa Sá Couto. Um livro de que se tem falado bem menos do que esperei.

Sobre a apresentação na Ilha da exposição “A Ilha de Moçambique a Preto e Cor”, de Luís Abelard e Sérgio Santimano, no 2+2=5.

Paulo Varela Gomes sobre os Olivais, um texto no Blitz de 1985.


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A Ilha de Moçambique a Preto e Cor

Sexta-feira, Agosto 31st, 2007


(A Ilha de Moçambique a Preto e Cor, exposição fotográfica de Luis Abelard e Sérgio Santimano. Esta semana na rua das Arcadas, Ilha)
(Luis Abelard)


(Sérgio Santimano)


(olhando fotos)

(Ma-Okhwiri, revelando fotos)


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Segunda-feira, Maio 2nd, 2005

Moçambique. A Ilha a Preto & Cor é uma exposição fotográfica, trabalho de Luís Abélard e Sérgio Santimano. Estará patente na Fortaleza de Sagres até Junho próximo, actividade integrada nas animações do Faro Capital Nacional da Cultura 2005.

Depois, espera-se, será apresentada em Moçambique. Talvez ainda este ano. Até lá, portanto. Se entretanto nada então pilharei o decente catálogo aqui deixando amostra.

Adenda Cultural: Para quem for a Sagres ver a exposição, que o justifica, não posso deixar de me repetir, aconselho vivamente uma pequena saltada a Vila do Bispo, até à instituição Café Correia (encerra(va?) aos sábados), dedicando-se porventura às melhores lulas recheadas do mundo.


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Semana de fotografias

Quinta-feira, Maio 20th, 2004
(Depois de tantos anos a ver onde ponho os pés acho que posso pôr a pata na poça).

1. Uma mostra colectiva de fotografias obtidas durante o Festival do Baluarte na Ilha de Moçambique, durante a sua primeira edição, no ano passado.

Organizada para publicitar a segunda edição, a ocorrer no último fim-de-semana de Junho. Publicitar e angariar apoios empresariais. O festival é uma iniciativa digna, este ano virão mais de cem artistas da Reunião e de Mayotte. Animação cultural, turismo, criação de um ritmo cíclico de visitas. É o caminho para a vida da Ilha, e para a sua publicitação.

Volto à mostra, um bocado desigual, que isto de misturar grandes profissionais com amadores e ainda com curiosos, fica assim um bazar para pedir apoio. Que o arranje, pelo menos. O grande Sérgio Santimano, com um punhado de belissimas fotos espessas. O Jorge Neto do Africanidades, então por cá (e que pena que não nos tivessemos cruzado) e o meu amigo Luís Abelard, a jogar no movimento. E ainda dois fotógrafos franceses, não retive o nome.

Mostra desiquilibrada. Mas boas fotos, ainda que de campeonatos diferentes. E é sempre a Ilha. Mas mesmo que tenha sido organizada para pedir apoios este já não é tempo para fazer as coisas coisas assim. Nem se distribui uma mísera fotocópia para que saibamos quem lá está nas paredes, que já nem se pede o desdobrável de alcunha “catálogo”. Não há dinheiro? Cortassem as chamussas.

2. Uns dias depois exposição de Martin Hansen acompanhado de uma pequena colectiva das suas alunas. Fotografia digital. Nem falo das fotos, que são o mais importante (e por isso aí está o elo para o sítio do fotógrafo, posto no Ma-Schamba há meses, logo que dele tomei conhecimento).

Acho absolutamente inacreditável que se faça uma exposição em Maputo e que toda a informação disponível seja em inglês. Pruridos tardo-coloniais aqui do tuga, temeroso de um Mozambique futuro? Nada mesmo! Nada mesmo! Desgosta-me sim a arrogância de quem aqui expõe e não se digna a traduzir para uma língua nacional: “To whom it is codfish is enough”. Não há atrasos que justifiquem isto, apenas desinteresse. Mesmo que a exposição seja virada para um “beautiful people” cuja beleza é (apenas) o esbranquiçado da pele. Haja, pelo menos, o simulacro do respeito. Seja lá onde se expõe.

“An Eye for diversity”? A diferença dos outros…traduz-se por via destes passos.

Nem os franceses por cá fazem isso.

Enfim, o elo está aí, as fotografias são bonitas. Bonitas, pronto.


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