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Maio 9th, 2009 — Pedro Sá da Bandeira

Pedro Sá da Bandeira está a apresentar a exposição “Dança – 30 anos depois”, baseada na Companhia Nacional de Canto e Dança. No Instituto Camões até 22 de Maio.
A exposição foi pensada para se integrar no 30º aniversário da Companhia, com riscos de se tornar qual “retrato oficial”. Mas o repórter conjugou-se com a costela de etnógrafo do quotidiano do PSB. E disso resultou a fuga ao estereotipado olhar sobre a dança, a tal deriva oficialista. O compadre PSB meteu a mão nas entranhas alheias, bastidores e esquissos, incorrecções técnicas e improvisos. E assim deixou a memória da dança, viva de pujante.
Não há duas sem três, diz-se. Fica comprometido PSB a uma futura (e terceira) exposição sobre o Moçambique que olhou. Agora que se prepara para partir que monte uma retrospectiva do que aqui foi fazendo. E regresse para a mostrar.
[A imagem reproduzida é um excerto do folheto da exposição. Amputada para evitar o design que, em muito, o prejudica. Caramba, um fotógrafo destes merecerá um lettering decente. Pelo menos...]
Fevereiro 2nd, 2009 — Fotografia Moçambique, Pedro Sá da Bandeira
O novo sítio do fotógrafo Pedro Sá da Bandeira.
Outubro 28th, 2008 — Fotografia Moçambique, Pedro Sá da Bandeira
O sítio de Pedro Sá da Bandeira, fotógrafo português actualmente a residir em Maputo.
Fevereiro 13th, 2008 — Daniel da Costa, Fotografia Moçambique, Pedro Sá da Bandeira

“Vai Fazer Bom Preço” é a exposição que o fotógrafo português, cá residente, Pedro Sá da Bandeira está a apresentar no Instituto Camões (até 8 de Março). São 24 fotografias – cujas reproduções aqui são empobrecedoras – em estilo de retrato-pose mostrando 24 vendedores de rua – a maioria ambulantes, alguns nem tanto, que bem conheço o seu poiso certo. Estimulante exposição: por um lado a mostrar o modo inteligente, nada exótico ou exotizante, com que o fotógrafo se animou na cidade e com a gente nela, como a capta sem subterfúgios “poetizadores”; por um outro lado porque neste olhar cara-a-cara, apenas aparentemente despido, deixa um documento da paisagem humana (um olhar etnográfico, se se quiser) dos tempos que passam; finalmente, porque este mostrar os vendedores, nomeando-os (nome e local de trabalho) sem os empacotar (“artística” ou “poeticamente”), é um óbvio manifesto, um combate ao anonimato social de uma classe de trabalhadores que o são (anónimos) por excelência, ostracizados e estigmatizados – estigma auto-reproduzido, pouco atreitos a serem fotografados e mostrados pela exo-desvalorização individual que assumem como própria.
Uma bela iniciativa muito bem captada pelo Daniel da Costa que, no texto de apresentação, deixa: “Os seus olhos [do fotógrafo] são alérgicos às feridas. Em silêncio, tratou de eliminar da moldura uma boa parte dessa imagem e arregaçou as mangas de novo. Foi à procura do outro lado da história, um lado real, sem o cliché do costume, mas algo ausente dos nossos álbuns. (…) A objectiva entendeu assim dar a César o que é de César. Devolveu ao vendedor ambulante o segundo pé e a dignidade que lhe é roubada todos os dias um pouco.”

A visitar por todos – em particular pelos que têm, seja por profissão seja por aspiração, a ideia de representar (até analiticamente) a gente que faz o real. A ver se despem um pouco o seu ver.
Acho que podia ter havido um maior arrojo no acto de expor – sem colocar em questão o central do projecto. Espero que isso venha a acontecer nas próximas apresentações desta exposição, que presumo virem a acontecer nas cidades a centro e norte do país.