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Sobre a selecção, ponto final.

(Morris, Goscinny)

Nisto sou Roy Bean. Alcatrão e penas, já. Esse pezinho-mole Madaíl à frente…

A selecção portuguesa, como se à mesa do café

De manhã deixo homenagem no Ma-schamba a quem foi e deveria ter continuado a ser seleccionador nacional.
[Já agora treinador de federação! De uma escola de treinadores que já teve mais sucessos do que qualquer outro desporto colectivo português, à excepção do simpático mas paroquial hóquei em patins - acabo de ver a lendária reviravolta no França-Inglaterra, a França há anos vitoriosa com “Treinadores de Federação”, uma continuidade! Porque têm uma Politica e não uma mera gestão de cabotagem]
De manhã, dizia eu, singela homenagem. Logo simpática visita deixou comentário pelo qual depreendo julgar que esteja eu a falar de um amigo. Não conheço A. Oliveira. É mesmo questão de princípio. Até porque a bola é espelho da sociedade, daí o seu encanto. O acaso oscilando (n)uma estrutura.
A propósito disto deixo umas notas:
1. Ontem Portugal-Grécia, em desespero entra o menino C. Ronaldo, logo a meter bolas sobre bolas na área, para ninguém. Gritos ao meu lado, que “o puto não larga a bola” (falso, fartou-se de a largar) “egoísta”, “lento”, “não olha”, “é um menino”.
Irrito-me, com gente que nem conheço, e pergunto ríspido: “alguém sabe quanto tempo é que o puto já jogou com o Pauleta?”, sabendo eu que muito pouco, ele sempre suplente, entrando quando o goleador saía. Claro que ninguém sabia.
Hoje procuro nos jornais: o total de minutos juntos em jogo? Nem o B. Prata do Público, quem hoje melhor escreve sobre futebol em Portugal o diz. Não há estatísticas mas eu arrisco, nem um jogo inteiro. Não se conhecem!
2. Após a final da Taça de Inglaterra (que ainda é o jogo do ano) o Mail & Guardian deu uma página inteira à transcrição deste artigo do Guardian britânico (24.05.04). Entre outras coisas diz-se lá:
Man of Matthews magic makes this the Ronaldo final Young Portuguese claims title deeds with performance of elusive dribbling and outlandish trickery that evoke memories of 1953
The last time a player with a No7 on his back so compelled the attention during an FA Cup final, the match came to be known by his name. As a competitive spectacle Saturday’s contest between Manchester United and Millwall was not in the same universe as the Stanley Matthews Final of 1953. But how glorious it was to watch a right-winger so in love with the game, so inspired by the occasion, so eager to deploy his extraordinary gifts in the service of his team. Cristiano Ronaldo is the latest in a long line of distinguished wingers to have plied their trade in the red shirt of Old Trafford and by the time he has finished he may well find himself standing shoulder to shoulder with the very greatest. (…).
Like Matthews, Ronaldo is a dribbler. He takes the ball to the defender, lets him sniff it and then whips it away. But, whereas Matthews celebrated his 38th birthday in the February before the 1953 Cup final, Ronaldo was a mere 19 last February. The great Englishman, who made his league debut at 17, was relying purely on guile and touch and timing by the time he finally picked up his Cup winner’s medal. The swiftness and arrogance of youth were the keys to the Portuguese prodigy’s performance on Saturday. (…)”
Ingleses a comparar C. Ronaldo a Stan Matthews? É preciso não conhecer nada de ingleses para não parar tudo, mas tudo mesmo. E deixar passar o menino.
3. Paulo Futre também não era titular no Saltillo Band! Era muito novo…
4. Eriksson (estrondoso e histórico azar hoje, um lugar na história do futebol, bem mais do que qualquer vitória) tem bem mais avançados por onde escolher. Escolheu Rooney para titular. Tem 18 anos. Não é um C. Ronaldo, mas é titular. Da Inglaterra. Conhece e conhecem-no.
5. Meu caro Azenhas do Mar eu não conheço o A. Oliveira. Sou só treinador de bancada.
E tudo isto independentemente das vitórias que a minha selecção venha a ter (que espero venha a ter) nesta maluquice colectiva (e minha) que é o Euro-04.

Ontem pelo Belo Horizonte a ver casa amiga, quem sabe se futuro refúgio?, a nascer. Depois, e cruzada a barragem só para quem não a conhecia, almoçarada lá na futura KaNoa, ali a Mailane, olhando os libombos ainda pequenos. Até enfartado, já no lusco-fusco regresso à electricidade, acho que veloz em demasia apesar da família. Coisas da consciência colectiva.

No caminho telefone, convite para ver o evento em sessão oferecida por empresa patrocinadora. Hotel Terminus, hei-de ir, ecrã na piscinazita. “Estamos a organizar um concurso, entre quem acertar no resultado sorteamos um scanner”. Aposto logo, “0-4″. “Se acertares não te entrego o scanner”, resposta pronta, ainda que com sorrisos audíveis. Coisas da consciência colectiva.

Produzida. Mesmo que digam o contrário.

Triste

deve estar este profissional. Para ele as minhas saudações. E a esperança numa boa campanha para o Mundial-2006.

O esférico é redondo, o tapete relvado é verde, são onze jogadores para cada lado…o apito arbitral silva.

Bandeirismo

Informam os jornais portugueses (e também sucedâneos webloguísticos) que grassa surto de bandeirismo em Portugal.
Felizmente não tenho notícias de doença na minha família e amigos mais chegados. Mas isso não reduz a minha preocupação e solidariedade. Espero que o clima mude rápido e que as febres deixem de atacar.
Espero também política de saúde pública. Que sejam tratados os pântanos, assim afastando as condições para a propagação da doença. Têm a palavra e a responsabilidade as autoridades competentes, as primeiras das quais serão os Ministérios da Saúde e o do Ambiente. E caso falhem deverão ser responsabilizados os seus titulares. Sem delongas.

Sobre o Euro: em conversa com o Tugir

Sobre o Euro-2004 diz-me, com a simpatia habitual, o LNT no Tugir que “É que, caro JPT, o Euro 2004 fazia sentido num contexto global de desenvolvimento. Deixou de fazer quando o objectivo passou a ser só o próprio campeonato.”
Aceito essa afirmação. Que tem lógica. Mas face a essa ideia como debater a pertinência do Euro-2004? Eu só vejo duas formas:
1. aceito a realidade de que “o Euro faz sentido num contexto global de desenvolvimento do país”. E parto dessa ideia para a discussão. Cada um terá a sua noção de “desenvolvimento”, cada um de nós terá as suas ideias sobre as articulações possíveis entre esse “desenvolvimento” próprio ou um em “abstracto” e o Euro. E cada um de nós botará a sua opinião, somando-lhe umas ideias mais ou menos sonantes a “puxar a brasa à sua sardinha”.
Eu tenho uma, apenas exemplo. Em Leiria (ali entre os estádios de Lisboa e de Coimbra) o União de Leiria fez três anos espantosos. Três treinadores do melhor (Manuel José, José Mourinho e Manuel Cajuda), bons jogadores, equipas a jogar futebol bonito, e excelentes resultados desportivos, 5º e 6º lugar, ida à Europa. E uma média de espectadores inferior a 1000. Um estádio de 30 000 espectadores? [repito: entre Coimbra e Lisboa] Para quê se é óbvio que o público não é ali elástico?
Meu caro, este registo é-me absolutamente insuficiente. Daqui eu só posso esperar conclusões muito pouco analíticas, preconceituosas. Tipo encarar a referida articulação com o desenvolvimento concebendo-o como derivado da indústria da construção civil (tipo, crise económica, baixe-se a sisa, conhece?). Ou mais preconceituosas ainda, tipo, um “desenvolvimento” ligado aos complexos câmaras/clubes-construtoras e suas influências nos aparelhos políticos centrais. Aliado a um contexto político onde o mito da “obra” domina. Tudo preconceito, porque tudo proveniente do diz-que-diz. Sem ironia.
Ou
2. “o Euro 2004 fazia sentido num contexto global de desenvolvimento” pois foi estudado enquanto tal. Há (houve) uma reflexão articulada, relativamente sistémica que aponta os efeitos potenciadores de desenvolvimento do Euro-2004 no país. E é essa reflexão prévia à candidatura, ao dossier de encargos, que deverá ser a base para uma discussão sobre a legitimidade (pesei a palavra) desta operação.
Não me refiro a um conjunto de entrevistas ou declarações dos vários responsáveis (”bom para o turismo, bom para a imagem, a afirmação, etc.”), no domínio das generalidades. Não me refiro ao caderno de encargos e receitas previstas, que desenvolvimento não é lucro ou prejuízo final.
Refiro-me a um plano conjunto que tenha projectado, detalhada e sistematicamente, o papel do Euro no desenvolvimento do país. Não que acredite num estatuto demiúrgico de um plano prospectivo. Mas porque será sobre esse plano que se poderá discutir da racionalidade ou não da operação. E sobre a sua justeza. E sobre o que falhou ou não. (Até porque senão o seu “o objectivo passou a ser só o próprio campeonato” assume estatuto de infalsificável, donde de nada me serve)
Existe essa abordagem prévia? Esse estudo de desenvolvimento? Essa base para uma discussão séria e o menos preconceituosa possível? Documento único ou plural. Passível de ser criticado à luz da altura. Passível de servir para identificar as articulações que não foram feitas. Passível de ser criticado à luz de hoje.
É que se há, e caro LNT isto é dúvida de emigrante, muito gostaria eu de ter acesso. Para o poder ler como “estudo de caso”. Como cidadão e como aprendiz destas coisas do desenvolvimento.
E também para poder discutir entre amigos deixando cair os lugares-comuns e as “bocas” aos grupos mafiosos que mais parecem os feiticeiros, todos falamos deles mas parece que nunca se vêm, donde não devem existir. Ainda que eficientes. Tal e qual os feiticeiros.
Abraço, e desculpe o longo mugir.
Nota final: respondeu o LNT, simpática e venenosamente. Enviando-me ao documento matriz e anunciando-me outros. Eu e a minha mania de botar, lá me fui eu meter numa carga de trabalhos! Se os perceber hei-de voltar ao assunto, dentro de algum (muito, acho) tempo. Porque sobre tais projectos decerto que haverá muito a dizer (para quem saiba da poda, claro está). Os meus agradecimentos (ainda que assustados).

Sociólogos. Emigrar é isto, desactualizar. Relativamente à santa terrinha, claro está, que outras actualidades se vão ganhando.

Vem isto a propósito de…pois logo neste fim-de-semana em que, decerto desactualizado, me atrevi a aqui elogiar o sociólogo Santos Silva sou confrontado com o desenvolvimento das ciências sociais portuguesas e com as inevitáveis ultrapassagens (teóricas, estatutárias) que isso sempre comporta:O sociólogo António Silva e Costa fez, em Braga, uma declaração surpreendente. “[O Euro] foi verdadeiramente uma vitória. É, porventura, o acontecimento mais importante que o país tem desde os Descobrimentos, muito mais do que a Expo 98, porque a cultura não move ninguém…”, atirou, em jeito de desafio, durante o debate “2004: O Ano Português do Futebol”, que decorreu anteontem à noite, em Braga, no âmbito do V Congresso Português de Sociologia.

Deverei apagar o apontamento de sábado? Mascarar-me de muito em cima do acontecimento? Afirmar-me vero académico? Ou desnudar-me assim provinciano, atrasado, ultrapassado? Que grande azar!

Nota: abençoada lógica. Então não é que enquanto escrevia isto me lembrei que foram os governos de Augusto Santos Silva que conseguiram o euro para a Nação. Afinal fica o apontamento. Está concordante. Estou actualizado…

Selecção Nacional de Futebol(Bis)

No dia 1 de Abril botei isto e não era mentira; hoje repito-o, pois não tenho mais nada para acrescentar. E juro que não me vou irritar mais com a bola.
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[espero vir a engolir este apontamento…]
1. O futebol é um exagero português. O Euro-04 é uma imbecilidade portuguesa.
2. O presidente da federação é uma incongruência. Sempre o foi, mas a barracada coreana demonstrou aos mais distraídos a sua ridícula incompetência. E a sua indignidade arrogante: não se demitiu e respondeu às críticas com um relatório de 69 pontos. Um insulto para os aficionados, um escárnio para quem lhe financia a aventura organizativa.
Para sobreviver - apenas para isso - foi buscar Scolari. Prova disso é que já tinha outro treinador convidado. A contratação de Scolari foi em desespero de causa.
3. A selecção jogava melhor (e já eram apenas jogos-treino) com Agostinho Oliveira. Jogava melhor, rematava mais (Scolari chegou e disse que era preciso rematar mais, e vê-se o resultado) e até marcava mais.
Mais de um ano depois a selecção joga mal, sempre. Há tontos, como Gabriel Alves, que dizem que em Maio o seleccionador “terá vinte dias para preparar a equipa”: vinte dias? E até agora, que se fez?
Se o homem fosse português todos exigiriam a demissão de Scolari. Há muito.Como é estrangeiro aguentam, na expectativa.
4. Como cidadão e como emigrante prefiro o provincianismo a qualquer xenofobia. Mas não há dúvida, toda esta tontice destapa um país de provincianos.
PS. Madaíl foi governador-civil e deputado da República. E voltará a sê-lo, acredito. Pois opróbrio não é do léxico político.

(Mais) um sorriso no Euro. Quem não está em Lisboa (ou perto das Amoreiras) vá aqui sorrir este sorriso. Obrigado Povo de Bahá

Provincianos [espero vir a engolir este apontamento…]

1. O futebol é um exagero português. O Euro-04 é uma imbecilidade portuguesa.

2. O presidente da federação é uma incongruência. Sempre o foi, mas a barracada coreana demonstrou aos mais distraídos a sua ridícula incompetência. E a sua indignidade arrogante: não se demitiu e respondeu às críticas com um relatório de 69 pontos. Um insulto para os aficionados, um escárnio para quem lhe financia a aventura organizativa.

Para sobreviver - apenas para isso - foi buscar Scolari. Prova disso é que já tinha outro treinador convidado. A contratação de Scolari foi em desespero de causa.

3. A selecção jogava melhor (e já eram apenas jogos-treino) com Nelo Vingada. Jogava melhor, rematava mais (Scolari chegou e disse que era preciso rematar mais, e vê-se o resultado) e até marcava mais.

Mais de um ano depois a selecção joga mal, sempre. Há tontos, como Gabriel Alves, que dizem que em Maio o seleccionador “terá vinte dias para preparar a equipa”: vinte dias? E até agora, que se fez? Se o homem fosse português todos exigiriam a demissão de Scolari. Há muito. Como é estrangeiro aguentam, na expectativa.

4. Como cidadão e como emigrante prefiro o provincianismo a qualquer xenofobia. Mas não há dúvida, toda esta tontice destapa um país de provincianos.

PS. Madaíl foi governador-civil e deputado da República. E voltará a sê-lo, acredito. Pois opróbrio não é do léxico político.