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Julho 8th, 2004 — Euro-2004
De Mavalane a casa e ainda nem tomei banho…e fico-me, sorrindo, mas triste, com esta ideia.
Não sei quantos reais leitores passam por aqui. De alguns amigos certo, de uns poucos comentadores idem. Mas quantos mais?
Enchi o Ma-schamba de feitiço, curandeiros, dizendo-os em apoio à selecção da bola portuguea.
Antecipei-me (mas era um a priori muito fácil) ao misticismo que caiu sobre Portugal. Não a magia mariana (Fátima, que horror), mas mesmo o tão vilipendiado “paganismo” (a palavra está aqui pesada, para traduzir todos esses preconceitos que escondem as semelhanças tão evidentes).
Não sei quantos reais leitores passam por aqui, disse. Repito. Mas nem um me comentou “V. está parvo?”.
Da minha ironia aqui (pouco vista é certo), de todas as bandeiras (que alguns intelectuais assumiram como “recuperação moderna dos símbolos nacionais, antes cativados pelo serôdio Estado Novo” - meu Deus, diz o ateu, estupefacto com o argumento), de todas as velas, das idas a Fátima (viva Jorge Andrade, o central iluminista “que tinha mais que fazer”), das rezas nos estádios, da senhora de caravaggio, das ironias com gravatas e camisas da sorte, das ausências ou presenças benéficas no estádio, de tudo isso fica uma ideia sobre o meu Portugal
A que há uma profunda ideia de que os actos humanos influem à distância no devir das coisas, neste caso num jogo de bola. Não a crença religiosa, da intervenção divina no destino (com muitas matizes, mas sempre presente). Não a crença científica da manipulação causal influenciando efeitos. Apenas a da indução aleatória.
Amante de futebol torci pela selecção. Fiquei doente nas derrotas. Ia-me dando uma coisa má no jogo com a Inglaterra.
Mas não posso deixar de sorrir, amargo, com todo esse misticismo. Sociologicamente transversal.
Um misticismo cuja comunhão com mistificação não é apenas etimológica. Comunhão essa que é política, e não apenas no sentido etimológico.
E nem um “V(s). não está(ão) parvo(s)”?
Julho 8th, 2004 — Euro-2004, Sociedade portuguesa
Há momentos assim. Súbito, e quando menos se espera, a vergonha de ser português.
De vergonha, de repúdio por uma ordem jurídica imbecil, laxista. De uma corja de profissionais e legisladores eunucos, preguiçosos, miserandos. De vergonha de ser daí, de um país incivilizado.
Onde alguém pode estar preso mais que um ano sem ser acusado. E onde, ao mesmo tempo, num extremo de incoerência teórica, filosófica, prática, um qualquer filho-da-mãe pode cometer um público desmando e sair incólume. Garantido no garantismo, nos aparentes direitos do cidadão.
Esse garantismo que logo no caso a seguir será violado à última. Consoante as preguiças do Legislador.
Este indivíduo [abaixo transcrito] vai ter lucros, simbólicos, afectivos e se calhar económicos. Vai lucrar com a sua indecência. Mas acima de tudo vai lucrar com a sua ilegalidade.
Uma ordem jurídica que é incapaz, que está desarmada, de punir severamente um troglodita destes, não é ordem. Durante anos discute-se a violência no futebol, durante anos se preparou o Euro. Ninguém legislou contra uma invasão de campo? Porquê? Estiveram “ausentes do plenário, reunidos em comissão”?
Há dias como estes. Por causa de um quase nada, envergonho-me de onde venho. Da sua incivilização. Da sua falta de amor-próprio.
Imagine o leitor este exemplo ficcional: o jogador Paíto, internacional moçambicano ao serviço do Sporting rescinde contrato e assina pelo Benfica; passados anos vem ao estádio da Machava jogar pela sua selecção, um encontro decisivo (p.ex. apuramento para o CAN, Campeonato de África das Nações). Em momento culminante do jogo, súbito aqui o Zé Teixeira, em acesso furibundo de idiotice, entra em campo, finta a polícia, e vai agredir/gozar/perturbar o jogador.
Se chegaram até aqui, façam ainda o favor de imaginar a trabalheira que advogados variados, embaixada, consulado, amigos, conhecidos e colegas, mais o psicólogo, o psiquiatra e o padre contratados, todos eles juntos, iriam ter para safar o tal idiota Zé Teixeira dos trabalhos em que se tinha metido.
Lá embaixo terminei um texto com uma bela e festiva foto alusiva ao Europeu, e que muito apreciei. Reza ela “ser português é um orgasmo”. Bastaram dois ou três dias para, com este caso, voltar à realidade: é um orgasmo sim, mas precoce.
CATALÃO JIMMY JUMP
De louco a herói bastou um salto
Jaume Marquet, aliás Jimmy Jump, o catalão que atirou a bandeira do FC Barcelona à cara de Figo, foi posto em liberdade pelas autoridades portuguesas e já se encontra em Espanha. Ontem, divertia-se na famosa festa de San Fermin, em Pamplona, no País Basco.
Saiu de Lisboa de carro com uma multa para pagar (a “peña” Juan Gamper, de Santander, já se ofereceu para o fazer) e para já tem escapado aos jornalistas catalães que o querem entrevistar na qualidade de novo herói dos adeptos “culé”.
Apesar das palavras em contramão do presidente Joan Laporta, recriminando a utilização do símbolo do clube naquele tipo de acções, o sentimento geral na Catalunha é de puro agradecimento ao “louco” Jimmy, um saltador de barreiras, como se auto-intitula, apesar de parecer muito pouco provável que tenha entrado no Estádio da Luz sem bilhete, como querem os jornais fazer crer.
Para Jimmy Jump - na vida real trabalha numa imobiliária -, tudo faz parte de uma lenda. “O salto é o meu tesouro, a fama a minha liberdade, a força minha lei, o vento a minha única pátria”. O poema, da sua autoria, serve de introdução ao seu “site” na Internet.
Pai orgulhoso
Na ausência de Jimmy, contactámos o pai em Barcelona, que pediu aos portugueses para não levarem o filho a mal: “Ele não tem nada contra a selecção portuguesa. Só contra Figo. Este plano já estava formado há muito tempo e nunca pensou em fazer mal a alguém. Queria apenas atirar à cara de Figo a sua própria vergonha.”
Contou ainda que este ímpeto anormal de Jaume já vem da infância: “Sempre foi muito traquinas. O que faz é inato. Em pequeno, frequentou um colégio da Opus Dei e os padres não o deixaram acompanhar os colegas a Roma para ver o Papa. Tinham medo do que podia fazer.”
Defende que o filho “não é um louco” e diz sentir-se orgulhoso, “independentemente do que alguns dizem”. “Não faz mal a ninguém e todos se divertem”, sublinha. Pois, todos menos Luís Figo, pelo menos.
Julho 6th, 2004 — Euro-2004, Icones
Das desventuras televisivas nos grandes momentos desportivos portugueses esta saltou-me logo à memória.
Nos Jogos Olímpicos de Montreal (1976) tudo era Carlos Lopes. Há décadas que Portugal não ganhava nenhuma medalha olímpica. E, ainda por cima, as longínguas derradeiras vinham da pouco conhecida e muito elitista vela. Hoje é difícil recordar a importância que uma medalha olímpica tinha nesses tempos, tempos de inêxito, sorumbáticos. Um país virgem de vitórias, era o que era.
Ainda no tiro veio uma medalha de prata, totalmente inesperada, mas que pouco mais foi do que o aperitivo para a vitória no atletismo, então a começar a ser desporto de todos. O país Portugal parou para ver o seu Campeão. Lopes perdeu para Viren, o finlandês sprinter, espantoso corredor de então.
Terrível desilusão. Passados minutos a RTP interrompeu a emissão para “compromissos publicitários”, a render o peixe, que anunciantes e empresa esperariam ser aquele momento de glória e contavam, certeiramente, que todos estaríamos presos à espera da bandeira a subir (ainda que sem hino, que o 2º lugar não o dá).
A pior campanha publicitária de sempre. Pois o anúncio do

impediu-nos de ver em directo a “cerimónia protocolar” dos 10 000 metros, o grande Lopes lá em cima, ainda que à direita do vencedor. E como ele tinha sido esperado.
Vinte e oito anos depois posso afiançar, sob palavra de honra, que nunca comprei ou consumi uma caixa que fosse do Atum Tenório.
Julho 6th, 2004 — Euro-2004, Sociedade portuguesa
Permanências. Recorrências. Até ininteligências. Vitória da Grécia. Consta que o povo reagiu bem, tamanho o ânimo acumulado que sobrou para aguentar. Com elegância e sem choros de “morte na praia”, que ninguém se afogou.
Mas nem todos. Quem escreve e fala público protesta. Como se a posse da palavra pública lhes exija algum tosco “dever nacional”.
Feito troiano esse coro, lúgubre, grita tragédia, a morte da bola. Até traição, apontando o “cavalo” defensivo dos gregos. Cobardia deles, claro está. Outros rogam imprecações, amaldiçoam a protecção dos deuses helénicos: nestes dias de racionalismo chamam-lhe, envergonhados, motivação.
[é muito interessante ver como na actualidade as imputações causais mágico-religiosas foram substituídas pelas psicologistas, estas cheios de aparência científica]
Um carpir que me regressa aos antepassados. A lamúria aquando dessa outra grande e inesperada derrota. Também ela injusta. O adversário não corria, (só) se defendia e, pérfido, atacava de um só golpe, traiçoeiro. Sem qualquer mérito diante do nosso Cavaleiro.

Julho 5th, 2004 — Euro-2004
A Vitória é Divina. A Derrota é Humana, (talvez) demasiado Humana. Viva Figo.
Julho 4th, 2004 — Euro-2004, Sociedade portuguesa
Querem sociologizar a bola? Então…olhar para trás que o presente não é tudo.
Na 2ª metade dos 1970s, quando finalmente o país se abriu ao mundo e ao século XX, em Portugal havia ídolos do “lá fora”:

Agostinho, um campeão do povo ainda que parco em títulos absolutos, que a grandeza vinha-lhe da têmpera mais do que das vitórias;
Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho (ou Garrancho), Xana e Livramento, campeões num hóquei a que só nós dávamos toda a importância, mas que até por isso era gigante, porque era “nosso”. Outros tempos, não há dúvida.

De repente veio Carlos Lopes, o primeiro a ganhar coisas grandes. A orgulhar num país pobre e ignorante.
Confundido no fim da longa imbecilidade paroquial/imperial e na curta ignorância revolucionária.
Foi nesse país que Lopes veio mostrar que se podia vencer, veio fazer sonhar ganhar. Que efeito a sua saga teve sobre uma população ainda de “chapéu na mão”: o querer de um homem humilde; o duro, longo, e or-ga-ni-za-do trabalho; a esperança e o sofrimento [o atropelamento pré-Olimpíadas de 1984 tem contornos completamente lendários] ; o mestre-pai sabedor, rigído mas amigo (Moniz Pereira, um ícone da competência humanista); e finalmente, até já inesperada, a recompensa da vitória total, do sucesso, da liberdade.
Um efeito que Mamede quase teve,

afinal campeão odiado por trair as aspirações ao sonho dos portugueses, pois tão igual ao comum era ele, tão pouco enorme parecia no momento decisivo. [A grandeza do falhar não colhe junto de quem sonha subir].
E também o efeito que Eriksson veio ter no início dos anos 80, terminando definitivamente (apesar de Pedroto) o paradigma do “brilharete” :

re?)ensinou o país a competir ao ataque. Matando (em parte) a pequenez circundante, injectando ambição.
E, depois, Rosa Mota, a libertar as mulheres (seria possível que hoje alguém imbecilizasse “quotas para homens” se não fossem todas as vitórias da “menina da foz”?).

E, só depois, as vitórias da bola. Acima de tudo o título de 91, já o crisma dos “meninos de Queirós”, feitos símbolos de um novo país, o da “democracia de sucesso”. Organizámos e ganhámos. Batota claro, todos sabiam, a começar por Queirós, que os avançados eram mais velhos (Toni e Gil eram sobre-21, como o futuro veio a provar, se dúvidas houvesse). Aquilo tudo, visto a frio, foi uma vergonha. Mas foi uma mudança.
Lembro o estádio da Luz, ainda o dos 120 000 lugares, apinhado de um público diferente, não aquele que pouco antes acompanhara as aventuras europeias de Benfica e Porto. Pois a festa do campeonato foi a das cores diferentes, a de um entusiasmo nada doentio, assumido por jovens e mulheres, estas definitivamente fugidas dos carros onde até então tricotavam as tardes de domingo, esperando de transístor ligado o regresso dos maridos “bons chefes de família”.
O mundial de 91 foi o da juvenilização e da feminização do público da bola. A haver uma “revolução cultural” ela brotou aí. E foi, exactamente por isso, um radical impulso na futebolização nacional, sempre em crescendo desde então.
Em 1996, o Euro desses “meninos”, já se vivia a euforia da bola conjugada com as televisões privadas. Nessa campanha inglesa surgiu uma novidade, o da popularização do discurso. A filmagem constante dos adeptos a emoldurar horas e horas televisivas em torno do futebol, o microfone à disposição dos “populares”, a sensação de que todos podem opinar (gritar, balbuciar) na tv, agora sim o ecrã total. E, elevado ao cúmulo, a filmagem ritual das festividades rituais, o supra-boçalismo do “quem não salta é ….”qualquer coisa”". A ilusão do microfone aberto, a encenação da comunhão colectiva.
Os ingredientes estavam aí todos. Daqui de longe não vejo nada de novo. Em natureza, que em grau parece não haver limites nesse país, no meu país. Ou talvez haja, agora traços de um misticismo total, assumido, colectivo. Diferente da promessa individual da romagem mariana. Explicitando agora a crença, num país onde antes sapos mortos e alhos variados seguiam envergonhadamente escondidos nos intra-muros.
Alienação nesta futebolização? Também alienação. Mas muita mudança, que nada é preto ou branco, e as gentes não tão estúpidas que não percebam o fim do jogo.
Mas acima de tudo desruralização. Um povo que deixa de ser pastoril, um povo ainda de fundo lavrador e pastor agora finalmente em “desmacambuzização”*. E, apesar da perfídia da futebolização nacional, isto é muito, mas muito bom:
*”macambuzi” significa pastor em algumas línguas bantús, presumo que por swahilização, assim sendo decerto que por influência árabe. Dizer mais?
Julho 4th, 2004 — Euro-2004, Imprensa Portuguesa
(um canto, o jogador corpo reclinado, a mão sobre sobre a bola, um óbvio “canto curto” de marcação rápida: no sofá onde nos acotovelamos entre beatas, garrafas e acepipes vários, grito à passagem para uma tonta “câmara lenta” - “o jogo está a correr…”, e logo logo, golo, ouço-o até no rádio da rua)
Uma “repetição” num canto, toda a gente sabe que não se faz. Nunca. E principalmente numa meia-final do euro, não falo do marítimo-penafiel (é sabida a tradição da rtp-madeira em falhar os golos nos Barreiros). Mas não o sabe
Rogério Borges, o realizador que
esteve até ao momento à frente de nove jogos da competição e terá a seu cargo a partida da final no estádio da Luz. E mais, ainda tem a desfaçatez de se justificar: “
Houve uma bola fora e nestes momentos tentamos passar repetições, que fazem parte do espectáculo” (!!!!, pois!!!). “
Mas trabalhamos em cima de brasas, as escolhas têm que ser feitas em segundos” (pois, isso já se sabe). E, cúmulo, culmina “
Quando acabou o jogo estava um bocado frustrado por não ter televisionado o golo todo de Maniche” [um bocado???!!!!].
Em qualquer país civilizado este homem seria imediatamente preso, depositado nas masmorras das Berlengas locais, onde durante alguns anos seria roído por ratazanas, torturas, fomes e tuberculoses variadas, até que por indeterminada decisão seria estrangulado ou decapitado, os restos mortais esquecidos em vala comum. A família, confiscados todos os seus bens, definharia num sítio ermo em total miséria, propícia esta ao alquebrar moral de qualquer filho varão, impedindo-lhe devaneios de conspirações vingativas. Atingida a idade adulta seria, ainda assim, desterrado nos mais desgraçados locais para que febres ou atentados viessem a exterminar o nome de família.
Em Portugal o tal de Borges estará amanhã pronto a repetir dislates.
(sobre o indivíduo ver
excelente texto, abaixo transcrito, do Cidadão Manuel Correia Fernandes. Haja gente assim.)
As Deficientes Transmissões
Sábado, 03 de Julho de 2004
Público
As televisões têm que estar atentas ao fenómeno do futebol e tirar dele o maior rendimento. Mas devem fazê-lo com sentido profissional e com qualidade de espectáculo. Que não são a mesma coisa. O primeiro mede-se pelas regras que são impostas; o segundo pelo atenção a avaliação do público espectador. Um bom profissional pode não ser um bom informador ou disponibilizador de boa informação. Pode fazer o que deve (isto é, o que lhe mandam), mas não o fazer bem, ou pode isso não ser o bem. Ou fazer bem, mas não mostrar o que deve.
Nas transmissões dos jogos do Europeu temos assistido a processos verdadeiramente inconcebíveis. Substitui-se o essencial pelo acessório; o geral pelo pormenor, as jogadas fundamentais por um pequeno nada que apenas interessou à avidez vácua do homem da câmara ou à pretensão exibicionista do seleccionador de imagens. Desta forma, ao longo de um desafio, vemos dúzias de cuspidelas, centenas de costas de jogadores, não raros palavrões agressivos e malcriados, saltos de treinadores, os grandes gestos universais. Deixamos de ver jogadas interessantes para nos ser mostrado um inútil pormenor técnico. Já se têm dado casos em que, para apresentar pela terceira vez uma repetição, se esquece que o jogo está em andamento e às vezes em lances perigosos ou interessantes.
Nisto, parece que a pior estação tenha sido até agora a RTP, que abusa destes processos, talvez porque possa dispor de mais meios técnicos. O que mostra que nem sempre a técnica é produtora de qualidade ou de sensibilidade televisiva.
Ora importa pensar que também neste aspecto o futebol é um jogo de equipa, e não uma exibição de pormenores individuais. Tudo o que é excesso de individualismo prejudica o espectáculo. As condições dos estádios agora (o que não acontecia em alguns estádios dos clubes portugueses, cujas transmissões eram ridículas e desgostantes pela má colocação das câmaras) permitem planos que ajudam o espectador a avaliar o jogo de conjunto. Os planos de pormenor devem reduzir-se ao necessário para esclarecer uma jogada, para confirmar ou infirmar um julgamento do árbitro ou outro dado que seja relevante, por exemplo, da reacção da assistência, e como regra fora do andamento da partida.
O que vemos durante as transmissões ronda o imbecil: um jogador não pode dar um pontapé que não vá uma câmara atrás dele; quando a jogada se desenrola junto às linhas laterais, lá tem que correr a câmara ali colocada atrás dos pés do jogador, em vez de mostrar o desenrolar global da jogada, cujo sentido ou intencionalidade se perde. Parece verificar-se uma busca de originalidade pacóvia nestes procedimentos. Não falemos já daqueles planos tirados do topo dos campos, que podem ser óptimos para mostrar marcas publicitárias, mas são inúteis e deploráveis como esclarecimento do espectador, porque fazem perder a noção do sentido dos movimentos e provocam a ilusão na avaliação do lance ou do movimento da equipa.
O futebol é um jogo de equipa, de conjunto, de interacção. A televisão tem obrigação de ser fiel a essa sua qualidade. Desviar para o pormenor é desvirtuar a beleza do jogo.
Por isso proponho: Reduzam os meios e invistam na qualidade; prefiram o geral ao particular, a visão de conjunto ao excesso de individualismo. Ponham menos câmaras no estádio, para que cada uma faça melhor o que deve; substituam a quantidade pela qualidade. Talvez assim se encontre mais gente agradada com as transmissões futebolísticas.
NOTA - Este texto foi escrito antes de a RTP não ter transmitido em directo o segundo golo de Portugal contra a Holanda. Apenas o mais grave de um erro de todos os dias.
Manuel Correia Fernandes
Julho 4th, 2004 — Euro-2004, Sociedade portuguesa
Telejornal de 3 de Julho de 2004, edição das 20 horas, RTP, televisão pública, Estado com seus defeitos, é certo, mas funções e obrigações. No rodapé passa notícia: “Presidente da República recebe segunda-feira Heróis Nacionais”, a selecção nacional de futebol, entenda-se.
Foda-se!!!!
Julho 4th, 2004 — Euro-2004
Custa-me que os leitores do Ma-schamba, os regulares em especial, duvidem. Mais nada peço, apenas a certeza.
Junho 30th, 2004 — Euro-2004, Sociedade portuguesa
O que é o pânico?a. dilúvio fora de estação, imediato corte de energia, retoma, queda de raio, corte de energia, retoma, tvcabo cheia de problemas, quase invisível captação, “só podemos arranjar a avaria depois da chuva terminar”, isto tudo a duas horas do jogo, a duas horas….Arranjam? Vemos aos piquinhos? Vai-se a electricidade outra vez?
ou
b. a televisão está ligada, ainda que quase invisível, e há um enorme (ENORME) bocado a estação pública portuguesa (RTP-África) transmite, filmado de helicóptero, o percurso rodoviário de um autocarro contendo a selecção nacional de futebol entre o (hoje em dia) arrabalde Alcochete e o estádio de futebol. E eu sou português.
Pânico. O que é o pânico?
[Uma tostazita com presunto (hoje há imensos acepipes cá em casa), um gole na cervejita (um apressado teclar de blog)….] Reflexão, resposta:
A Carolina está em pânico com a trovoadona, aninhada ao colo da mãe (estremosa, um presépio não fora a minha cerveja). E eu estou tão em pânico como ela (alínea b.). Mas disfarço, a mãe Marília está longe, não tenho colo que me sossegue. Mas que esses gauleses são loucos são.
Junho 26th, 2004 — Euro-2004
(Mais) um sorriso no Euro. Quem não está em Lisboa (ou perto das Amoreiras) vá
aqui sorrir este sorriso. Obrigado
Povo de Bahá
Junho 25th, 2004 — Euro-2004, Portugal-Moçambique
“…Estou a falar dessa coisa do futebol. Do Euro 2004.
Embora eu não seja apreciador de futebol, como sabes, também não tenho nada contra quem gosta de jogar ou assistir. E, portanto, acho perfeitamente natural que muitos moçambicanos estejam entusiasmados a ver os jogos na televisão.
O que já acho menos agradável é notar que grande parte dos moçambicanos parece ter feito sua a equipa de Portugal. E não é por ter alguma coisa contra esse país. Muito pelo contrário é um país de que gosto. Só que esta adesão generalizada dos moçambicanos no apoio à equipa portuguesa me parece um cortão umbilical mal cortado. Ou, talvez, cortado e voltado a amarrar
….”
Machado da Graça,
Correio da Manhã, nº 1855, 24.06.04
Comentar criticando este trecho, com o qual discordo não palavra por palavra, não letra por letra, sim de haste de letra a traço de letra, exige mais do que eu posso dar a um blog. Exigiria um livro talvez, se quisesse ser comentário mesmo.
Assim só para o café a tomar deixo-te, Machado (como é bom variar, referir alguém sem ter que fazer a “ligação” informática), duas pequenas ideias:
- que no processo da construção de uma “moçambicanidade” o jogo de identidades/alteridades já não se depara com o polo antagónico “Portugal” como norteador.
Épocas…crescimento…história…nacionalismo…pós-colonialismo…(outros)neo-colonialismos. [repito-me: tanta coisa para dizer]
- que será interessante ires ler na biografia do Mário Coluna o episódio em que ele foi interrogado pela PIDE: vê as causas e interroga o argumento d’hoje.
Abraço, até ao tal café.
Junho 24th, 2004 — Euro-2004
Já o disse, Valdir Peres visitou-me. E, decerto que agradado com mesa e conversa, ficou. Está aí no quarto dos hóspedes. Educado aceitei a estadia. Prometeu (avisou, melhor dizendo) que partirá amanhã. Rumo a Joanesburgo.
Quando ele se ausenta, pouco tempo que estou de cicerone, fico no futebol. Resmungando-lhe o patrício Scolari. Sobre este tudo está dito. Não acompanhou os jogos nem os treinos - Mourinho foi implacável no seu uso da verdade. O Scolari ridículo ao dizer que não conhecia os jogadores. O homem foi relapso ao trabalho. Foi preconceituoso, ainda que o pobre uso da língua por parte dos jornalistas o diga “teimoso”.
De todos os preconceitos preguiçosos de Scolari o público se apercebeu. E contra eles se rebelou. Agora, até já brilhando pelas vitórias e pela mediocridade dos meros assessores de imagem em que se transformaram a maioria dos jornalistas desportivos, Scolari tem a equipa que o povo exigiu. Ainda não joga exactamente como o povo quer (como bem diz Mourinho). Mas mais um joguinho ou dois e vai lá.
O único recuo que o homem não faz é o impossível. Baía não está (bem, Meira também devia estar, mas isso só virá à baila em caso de duplo impedimento de centrais, vade retro). Porque o caso deles são exactamente iguais: sobre Baía e sobre os outros jogadores quem tinha razão éramos todos nós, não o seleccionador, arrotando a sua arrogante prebenda.
Imune à preguiça de Scolari, Valdir Peres continua por cá. A comer-me o caranguejo e o camarão, sorrindo, mais para o calado. A ver se se vai embora amanhã. Cabisbaixo.
Mas até agora as pedras nada dizem.
Junho 24th, 2004 — Euro-2004, Futebol
O Futebol não é importante, não estrutura o futuro, não ensina o passado, não desvenda o presente. Mas a este alegra-o (ou entristece-o).
Daí o prazer que retiro de uma derrota alemã. Sempre. Porque lhes entristece um bocado o presente. Ou muito.
Preconceito meu? Sim, claro. Mas não só. Reacção à arrogância, à superioridade que do alemão desponta. Não lhes é universal? Claro que não. Mas (muito) recorrente. De uma superioridade racional. De uma superioridade de princípios. Talvez não moral, pois o longo século XX alemão não lhes permitirá a reclamação de uma superioridade moral. Mas de superioridade de princípios activos.
Estou no futebol, apenas. Nesse imperfeito espelho das coisas. O jogador alemão de que mais me lembro é
Karl Heinz Rumenigge. O avançado que no Mundial de 1982 dizia aos jornalistas que todas as mães alemãs gostariam de ter um filho como ele: alto, louro, olhos azuis. A FIFA mandou-o para casa, para pensar nos ecos da filhadaputice que tinha dito? Não, nada disso. Foi até à final. (Hoje, com toda a luta contra o racismo no desporto, talvez tivesse sido diferente).
O jogo alemão de que mais me lembro é um
Alemanha-Portugal (6.9.97). Apuramento para o Mundial de França, se Portugal ganhasse eliminaria a Alemanha, com todos os prejuízos para a organização que se podiam prever. Este foi o jogo em que Rui Costa foi expulso quando ia ser substituído, Portugal ganhava 1-0. O homem ia saindo algo lento mas nada demais. Nunca tinha visto nada semelhante, nunca mais vi nada assim. O árbitro era (claro) francês: Marc Batta. Ali a corporização explícita do eixo euro-estruturante Berlim-Vichy, perdão, Bona-Paris.
Depois dessa infame roubalheira Batta viria nesse ano a apitar a
final da Taça Uefa. Condigna recompensa aos bons serviços prestados. A quem já tinha carregado os anfitriões ingleses às meias-finais do Euro-96,
roubando descaradamente a Espanha. Um bom árbitro para as ocasiões, n’est-ce pas? O homem a chamar para os momentos difíceis.
O evento desportivo alemão de que mais me lembro é o da escolha do país hospedeiro do Mundial-2006. No final aparentemente a candidatura alemã estava perdida. Mas na votação supresa geral: o velhote representante da Oceânia votou contrário às instruções da sua federação, favorecendo a Alemanha, assim invertendo o resultado, possibilitando uma vitória tangencial. Logo foi ele suspenso na sua sede, mas qual o problema? Acautelado estava já o final da carreira no dirigismo, tão óbvia e escandalosa malandrice aquilo foi.
Hoje os alemães amantes de futebol estão tristes? (nem deviam, bastava um árbitro honesto no jogo com a Letónia, que marcasse as grandes penalidades contra a Alemanha, e hoje já estariam livres de ilusões). Pois ainda bem! Aleluia. Que merecem todas as tristezas. Das da bola, digo.
Mas preparemo-nos. No próximo Mundial, em casa, sob a capa daquela magnífica organização, dos princípios, do rigor, vai ser um fartar vilanagem. Vilanagem técnico-científica, não o festim amador a que estamos habituados entre a rapaziada.
Viva a Letónia. Viva a Checa. Viva a Holanda.
E viva o Becker, a avisar o mundo que não lhes entregassem os Jogos Olímpicos, que lhes viria o fundo ao de cima. E viva os beckeres que por lá ainda devem ser muitos. Esperemos! Esperemos! Roguemos.
Junho 23rd, 2004 — Euro-2004
Esta noite fui visitado pelo Valdir Peres. Falámos até de madrugada. Estou preocupado. Muito.
Junho 20th, 2004 — Euro-2004
Irritou-se Luís Figo com as críticas que a ele e a outros dos “mais velhos” são feitas. [artigo abaixo transcrito]
Não gosto da forma, mas concordo em absoluto com o que disse. Nem discuto se deve ou não ser titular (Deve!!!!). Mas irrita-me, enoja-me, essa gente cuja forma de amar os seus ídolos é esgravatar-lhe os pés gritando ser barro o que boa e sofrida carne é.
Mole mesquinha, frustrada. Onanista de alma. Que tanto gozam o sucesso dos seus como se comprazem no seu falhanço, este o bálsamo para a inveja que logo têm de qualquer vizinho que suba um bocadinho para lá da taberna do bairro.
Figo foi há anos para Barcelona. Juntou ao grande talento um grande trabalho. Alma ou raça, chamam a isso. Por lá assumiram o profissional como um deles, reconhecendo-o. Quando ele que era o melhor quis ser pago como os melhores negaram-se. Porque tinham determinado que “ele era um deles”. Cumprindo o contrato foi embora, para onde pagam ao profissional como a um dos melhores, que o é. Mercenário, “pesetero” chamaram-lhe os antigos patrões.
Ele explicou, é um português, o seu clube é o Sporting, foi apenas profissional (como sempre o foi, e bem), chamar-lhe ali “traidor” é um contra-senso. Não só porque o futebol é negócio. Mas porque ele não traíu ninguém. Mudou de patrão. A fidelidade que lhe exigiam só em Lisboa o poderiam ter pedido. E ainda assim…
Qual a reacção do tuga de merda? Engrandece-se com estas declarações, num “assim sim”? Não, resmunga-lhe o êxito que ele próprio não tem na vida, a Mariazinha a infernizar-lhe a vida em casa, ou o Sr. Santos lá no emprego. Assume-se ele próprio catalão, chama-lhe pesetero, chama-lhe traidor. Porque todo o Figo lhe dá a alegria do triunfo de um dos seus e a tristeza, horrível, do espelho da sua mediocridade.
E agora dizem-no “prima dona”, “acabado”. Mas não se lembram da estrela, milionária, carregada de triunfos, a rojar-se no chão lá na anarquia da Coreia, lesionado a correr atrás da bola como mais ninguém? O que mais queria ganhar, ele que tão mais tinha ganho do que todos os outros. “Prima dona”?
Resmungam-lhe os patrícios a inveja que sempre tiveram a todos os campeões. Nem à Rosa Mota perdoavam, despejando diante do marido-treinador. A salvo dessa má-língua apenas o gigante Agostinho. Ainda que se rissem da bicicleta no portão da maison. Mas perdoavam porque ele nunca mais acabava, quarentão sem fraquejar, e depois morreu. E porque tão simples, tão simples, que o julgavam ainda como no princípio, ainda o simplório de brejenjas.
Que isto todos os que sobem acima do seu lugar têm defeito, a cada um como cada qual, tugazinho conservador, tugazinha invejoso, tugazinho “tudo como Deus manda”, a ordem natural das coisas.
Viva Figo!!!
E espero, e exijo, que dentro de alguns anos, quando ele quiser, já mais velho, mais lento, mais cansado e magoado de todas as porradas, regresse ao Sporting para terminar a carreira. E que todos nem discutem, libertem logo o nº 7. Para ele. Porque o futebol é ele.
E que eu esteja lá com a Carolina. E com mais alguém se brotar. Para lhes mostrar que há gente. De talento e trabalho. Livre, por isso.
E nesses dias, lá na bola, lhe(s) ensinar o que há de mais precioso: o que desde que se vá em pé “Que se Foda a Taça!!”
Viva Figo!!
Portugal joga amanhã contra a Espanha
Luís Figo pede mais respeito pelos “históricos”Publico19 Junho 2004Luís Figo pediu hoje respeito pelos jogadores mais antigos da selecção portuguesa, na véspera do jogo decisivo contra a Espanha, que Portugal precisa de vencer para chegar aos quartos-de-final do Euro 2004.
“Não tenho razão de queixa de ninguém, pois cada um pode opinar sobre o que bem entender, mas não admito que pessoas de outras actividades não tenham respeito para comigo, pois eu também não opino sobre agricultura, pescas ou cinema“, afirmou o jogador do Real Madrid.
“Tento estar um pouco à margem, mas às vezes certas coisas fartam um pouco. Somos ser humanos e queremos algum respeito, eu e vários companheiros que estão há mais tempo na selecção“, explicou Figo.
O médio português não estranhou as provocações que vieram de Espanha: “Não me surpreende que isto aconteça, pois é normal em jogos importantes, que podem decidir-se em pequenos pormenores. Estão a tentar desestabilizar e desconcentrar. Há coisas vindas de Espanha e outras de Portugal que tentam criar conflitos entre nós, só temos é de ser fortes“, enfatizou o número sete da selecção, que conta 106 internacionalizações “AA”.
Do primeiro para o segundo jogo Scolari procedeu a quatro alterações no onze e Figo ficou como único sobrevivente da “geração de ouro” do futebol português, que conquistou dois títulos mundiais de juniores em 1989 e 1991.”Em termos tácticos e técnicos não entro, pois não vou comentar as opções do treinador. Estou aqui para jogar e mais nada do que isso”, disse.
Quanto à entrada de Deco para o lugar de Rui Costa, Figo considerou que o médio do FC Porto “é sempre uma mais-valia para qualquer equipa, como são todos os elementos que não puderam actuar frente à Rússia.”
Já quanto as palavras de Scolari, que utilizou termos como “guerra” e jogo de “vida ou morte” para qualificar o encontro de amanhã frente à Espanha, Figo afirmou que se lhes está a tentar dar a conotação errada: “É apenas uma forma de expressar o grande significado do jogo, nada mais do que isso”.
A finalizar, Luís Figo sossegou os jornalistas espanhóis quanto à arbitragem de Anders Frisk diz: “Não têm de recear nada, pois nós não temos tanta força como pensam. Em termos gerais somos sempre prejudicados.”
Junho 19th, 2004 — Euro-2004
está tudo tratado
e por quem sabe
Junho 18th, 2004 — Euro-2004
Outro olivalense a querer-se anónimo, sobre a vitória frente à ex-pérfida Rússia:
“e que tenho para dizer?que, as nossas mulheres estarão mais felizes e mais bonitas - para quem as cobiça (com ou sem propriedade), que os homens estarão mais machos, que Isto (não ouso escrever País, e muito menos Nação, - senão fujo, ou grito vivas à Globalização, introduzida pela Gabriela, Cravo e Canela) deve estar de alegrete, e com razão (porque os rapazes esforçaram-se, e nós merecemos), mas, o que é que Este Fado tem a ver com estas alegrias fátuas? tudo né?nunca mais aprendemos a valorizar o trabalho, continuamos a adiar…por ausência de seleccionador, que tenhamos Tomates para enfrentar a Fúria Espanhola, e que os nossos jogadores disfarcem a incompetencia do treinador e da FPF“.
E eu remato, que à falta de coisa mesmo brinquemos às Aljubarrotas. Até à rouquidão, está claro…
Junho 16th, 2004 — Euro-2004
JÁ TRATEI DE TUDO
Junho 14th, 2004 — Euro-2004
(Morris, Goscinny)
Nisto sou
Roy Bean. Alcatrão e penas, já. Esse pezinho-mole Madaíl à frente…