Archive for the ‘EUA’ Category

HOMENAGEM AOS AÇORES

Domingo, Junho 27th, 2010

por ABM (Domingo, 27 de Junho de 2010)

Apesar da minha vertente africana, pai e mãe (e linhagem até aos colonos originais das ilhas no séc. XV e XVI) nasceram e cresceram na ilha açoriana de São Miguel, sobre a qual as únicas coisas que eu sabia até aos doze anos, para além duma hilariante visita do meu avô paterno MIM a Moçambique em 1968, eram um cartaz promocional da ilha igual à fotografia acima exibida e que estava na cozinha dos BM, e o misterioso sotaque dos meus pais, que os acompanhou até ao dia em que morreram – e que é particular à Ilha de São Miguel, e tão diferente do sotaque falado na cidade de Lourenço Marques.

Em Moçambique, o sotaque do pai BM era legendário e a sua proveniência gentilmente parodiada. Lembro-me de, antes da independência, a revista Tempo, na sua versão light antes de 1975, ter feito, no fim das suas edições, uma espécie de “dicionário” de termos. com a respectiva explicação, que usavam para fazer algum comentário local. Para a entrada “açoriano”, a tradução era “Botelho de Melo”.

As duas melhores amigas da mãe BM em mais que vinte anos de África, eram duas açoreanas, Conceição e Maiana, com quem manteve contacto até falecer em 2005 nos Estados Unidos.

Quando vivi década e meia na costa Leste dos Estados Unidos, tive então o raro privilégio de conviver com tanta gente de lá, no que é considerada ainda a “décima Ilha”. E que incluíram alguns mais conhecidos: a Natália, o Onésimo, o Martins Garcia, o Cristóvão de Aguiar, o Adelino Ferreira (director do Portuguese Times, onde escrevi durante mais que duas décadas, para ver se não me esquecia de como se falava e escrevia em língua portuguesa) etc.

E com este sotaque, ao mesmo tempo tão familiar e tão peculiar dos micaelenses, um vulto tão familiar em casa.

Definitivamente, uma forma tão diferente e tão peculiar de se ser português.

E em particular com o sentido de humor, sentido aestético e a maneira de estar dos açorianos, que não tem igual em quase parte nenhuma. Eu acho que o próprio Fernando Pessoa, cuja mãe era uma açoriana da Ilha Terceira, subestimava esse efeito, preferindo elaborar referências místicas sobre a sua proveniência beirã e judia, notoriamente mais diluída. Mas não conheço muito que tenha sido escrito sobre a sua mãe, que viveu até 1925 (morreu na Amadora) e que era de Angra do Heroísmo, cidade onde Pessoa esteve em Maio de 1902 para visitar a família materna. Escreve-se tanto sobre o homem mas a mãe a relação com a mãe, e a terra da mãe, quase népia. O primeiro poema conhecido de Fernando Pessoa? dedicado à sua mãe, que o guardou para a posteridade:

À MINHA QUERIDA MÃE

Eis me aqui em Portugal
Nas terras onde eu nasci.
Por muito que goste delas,
Ainda gosto mais de ti.

(26-7-1895)

Mãe açoriana é outra loiça.

Para quem não conhece o sotaque e humor de São Miguel, que eu conheço relativamente bem, aqui fica um saborzinho num domingo de início de verão, com estas duas jóias. Na primeira, uma paródia à série “Doutor House”. Na segunda, um micaelense conta detalhes de uma visita à América.

Bom fim de semana.

E vivam os açorianos, incluindo o que fez estes filmes.


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O CENTURIÃO CAÍDO

Sexta-feira, Junho 25th, 2010

A afegã mais famosa do mundo

por ABM (Sexta-feira, 25 de Junho de 2010)

Esta crónica quase descarrilou com o anúncio vindo de Mónaco, informando que o monarca reinante daquele magnífico paraíso fiscal a uns quilómetros de Nice, Alberto, 52 anos, vai casar com a antiga nadadora sul-africana Charlene Wittosck. Os Maschambeiros, embevecidos, aplaudem.

O tema desta crónica, no entanto, é o General Stanley McChrytal, até ontem o chefe pouco contestado do esforço de guerra norte-americano (e “aliado”, o que inclui 266 portugueses que por lá andam a expensas do Estado português). Até ontem, porque Barack Obama, que parece ainda estar a testar as águas enquanto supremo chefe das forças armadas norte-americanas, foi à televisão e anunciou que mandava substituir McChrystal pelo mais consensual General Petraeus na condução do que é que seja que os americanos pretendem fazer no Afeganistão.

O que é curioso, por duas razões.

Primeira Razão

A primeira, é que, para Obama, a questão da guerra, iniciada de forma quase imprudente pelo seu muito criticado antecessor, fora um tema central da sua candidatura. Ele era, afinal, o candidato do bom senso e até da Paz. Na Suécia, o Comité Nobel até se lembrou de lhe atribuir o prémio da Paz, deixando muitos de boca aberta com o gesto, até certo ponto até o próprio Barack, que, preocupado com o sentido em que as coisas andavam domesticamente, fez um discurso quase bélico perante a sua algo atónita audiência.

Ora, sendo um tópico central da sua candidatura, teria que ser um ponto fulcral das suas decisões assim que tomou posse como presidente dos Estados Unidos.

E, até certo ponto, foi. Sob a providencial e algo inesperada liderança de Petraeus (uma escolha resultante do total desespero da equipa de George Bush) os americanos passaram a gestão da guerra e do país aos iraquianos, que efectivamente passou a ser uma guerra civil, em parte alimentada por vizinhos poderosos e desconfortáveis por ter um Iraque que se dá com os Estados Unidos, à sua porta.

Mas nessa altura já todos percebiam que o grande problema iria ser no Afeganistão. Obama decidiu mudar o foco da guerra americana para aquele país, aumentando significativamente o número de tropas e orçamento para fazer frente aos radicais islâmicos que lutavam pelo controlo do terreno, contra um governo assediado, liderado pelo presidente Karzai.

Sendo uma guerra supostamente baseada numa coligação internacional e com contornos diplomáticos e sociais muito complexos, para não falar de que seriam certamente os norte-americanos o principal financiador e sustentáculo de todo o aparato, a escolha de McChrystal, um cowboy militar irreverente e desde o primeiro momento defensor de uma guerra sem quartel aos rebeldes taliban, baseada numa luta incessante através de equipas de black-ops (cujo número no terreno quadruplicou), deixou alguns de boca aberta.

No espaço de um ano, a coligação internacional efectivamente desmantelou-se, o número de civis mortos por “engano” ascendeu a níveis difíceis de aceitar, e no fim o próprio McChrystal teve que cingir os seus homens de agirem da forma como estavam a agir, pois os próprios americanos (para não falar dos afegãos) consideravam a sua actuação inaceitável. Desprezava a diplomacia e os líderes da sua coligação, que a todos chamava de “mariconços” sem excepção. E em vez de lidar com Karzai, cujo desempenho tem sido cada vez mais posto em causa, confraternizava com ele.

Mas há muito mais. McChrystal desprezava o seu chefe e quase todos os que o rodeavam.

O que me traz à segunda razão.

Segunda Razão

O que acabou por trazer abaixo o comandante em chefe das tropas americanas no Afeganistão não foi tudo o que disse ou fez. Pese a impressão que todos temos de que o presidente dos Estados Unidos é das pessoas mais bem informadas no planeta, o que o fez decidir substituir McChrystal (a primeira substituição a este nível desde que Harry Truman despediu o General MacCarthur no fim da guerra da Coreia nos anos 50) foi um artigo escrito para uma revista americana, o Rolling Stone Magazine.

Na edição que vai ser publicada nos Estados Unidos hoje, dia 25 de Junho.

E que, para os Maschambianos que lêm inglês e que terão a paciência de o ler, pois é um pouquinho longo, pode ser descarregado aqui.

Mas que garanto que mais do que vale a pena ler pois está soberbamente escrito. E é quase inacreditável.

Claramente, tragicamente, Obama enganou-se na pessoa que escolheu para esta missão crucial para os Estados Unidos.

No fim, com a sua arrogância, McChrystal prestou um mau serviço ao seu presidente e ao seu país, e por extensão a todos nós. A guerra no Afeganistão não é uma guerra qualquer. Se o Médio Oriente permanece o foco de tensão global, um Afeganistão dominado por fundamentalistas islâmicos poderá ser – e já foi – uma ameaça séria à estabilidade do mundo. Por isso é que há 266 portugueses (heróis todos eles) naquele esforço e por isso é que vale a pena, e faz sentido, eles estarem lá. Eu duvido da inocência do acesso de um jornalista do Rolling Stone Magazine ao seu círculo restrito. Provavelmente McChrystal já sabia que tinha os dias contados e, na sua maneira narcisista e exagerada de gerir as suas relações, quis sair batendo com a porta. Lamentavelmente.

O seu substituto, o General Petraeus, não cometerá os mesmos erros.


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A DESGRAÇA AO VIVO

Sábado, Junho 12th, 2010

Free Webcam Chat at Ustream

por ABM (12 de Junho de 2010)

Se o exmo leitor não tiver mais nada que fazer hoje, poderá achar interessante assistir ao vivo, enquanto bebe um cafézinho, a não sei quantos mil metros de profundidade, ao maior derrame de rama de petróleo na história da Humanidade, algures no golfo do México, cortesia da empresa British Petroleum. A emissão vem-nos pela mão da cadeia norte-americana PBS.

Claro que isto tudo pode ser resolvido, se todos nós passarmos a andar a pé e a não desperdiçar electricidade e a consumir desenfreadamente.

Mas fazer isso não é civilizado, pois não? então de vez em quando a consequência é o que se vê ali em cima.

Um repucho de petróleo em bruto, ao vivo e a côres.


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SZUBIN VS. BACHIR, EPISÓDIO 2

Quinta-feira, Junho 10th, 2010

por ABM (10 de Junho de 2010)

Após o quase bombástico anúncio há uns dias atrás, pelo governo dos Estados Unidos da América, de que Mohamed Bachir Suleman, cidadão moçambicano nascido em Nampula, um dos mais visíveis homens de negócios de Maputo e proprietário do emblemático Maputo Shopping Center, situado no outro lado do velho edifício da Capitania do Porto na baixa da capital, era um dos principais traficantes de droga no Sul de África, com ramificações internacionais, os relativamente pacatos habitantes da cidade aguardaram, expectantes, o que vinha a seguir.

O que veio a seguir fala muito da discrição e circunspecção com que se fazem as coisas na relativamente pacata cidade. Perante um muro de silêncio oficial, a Procuradoria Geral da República informou que iria proceder a averiguações para apurar a veracidade das acusações norte-americanas. A embaixada americana no local, que já devia estar careca de saber o que se passa, remeteu qualquer esclarecimento para um (para os moçambicanos) ministério em Washington, que nos EUA dá pelo nome de Departamento do Tesouro.

E, nas suas instalações, convidou a imprensa local para uma espécie de conferência de imprensa via satélite com o homem que, no tal Depto do Tesouro, poderia dizer algo mais sobre as gravíssimas acusações feitas contra Bachir: Adam Szubin.

A conferência realizou-se ontem a meio da tarde, em duas salas, uma para o que considera os jornalistas VIP’s locais e a outra para o que sobrava. Só os VIPs é que podiam fazer perguntas. Desde uma sala presume-se que em Washington, onde ainda era de manhã, o Sr Szubin desiludiu os jornalistas, que esperavam dados concretos sobre as actividades criminosas apontadas pelo seu Gabinete a Bachir e aos seus grupos, pois a sua frase mais memorável, e que repetiu várias vezes durante a conversa, foi I cannot comment.

Assim, independentemente de manobras de trocas de informações de bastidores que possam estar a acontecer neste momento, qualquer acto acusatório contra Bachir, a ocorrer, terá que vir das autoridades policiais e judiciárias moçambicanas.

O que pode ser complexo, por várias razões.

A mais óbvia é que, se os americanos têm razão, Bachir teria construido e ainda gere um verdadeiro império do crime debaixo das barbas de tudo e todos, sem que aparentemente ninguém tenha visto ou soubesse de nada. E isto é o equivalente de atravessar a 25 de Setembro em Maputo (para os ex, a Av. Da República) de ponta a ponta num Porsche encarnado novinho em folha a 240 kms por hora, numa segunda-feira de manhã e ninguém o ver passar.

O que é que pode fazer alguém supor que agora as coisas serão diferentes, especialmente se os americanos, publicamente, limitam-se a fazer acusações?

A segunda é que, como alguma imprensa tem insistido, Bachir é um assumido fiel do partido continuamente no poder há mais que 35 anos, e que venceu a última eleição presidencial numa proporção histórica de 80-20 contra a oposição. Visivel e materialmente, apoiou Joaquim Chissano na parte final do seu mandato, e foi e é um entusiástico apoiante do actual presidente. Os acessos de que dispõe e os relacionamentos tidos desde 1995 não são de descurar. Nesse contexto, a prossecução de uma investigação pode revelar-se logisticamente tortuosa e politicamente incómoda. Mas uma confirmação das alegações feitas será difícil de gerir, quer a Frelimo deixe cair Bachir, quer o apoie. De momento, apesar das declarações indecifráveis de Alfredo Gamito (no sentido de que o seu partido tem milhões de membros e que Bachir será apenas mais um…) o sentido das coisas é aguardar o desenrolar dos eventos.

Em terceiro lugar, e o que confundiu muita gente, foi a verdadeira natureza e o alcance do que os norte-americanos fizeram. Na sua conferência, Szubin relegou a actuação do seu governo para o plano quase puramente administrativo. Formalmente, tirando o âmbito preciso das medidas anunciadas, e o impacto político, não tem alcance algum em Moçambique. Nem mesmo sequer nos Estados Unidos. E, essencialmente, poucos entenderam do que afinal se tratava.

Mas convém entender um pouco o que é isto que aconteceu.

Os Estados Unidos, que, entre outras guerras, conduzem um duro combate há muitos anos contra o tráfico de droga a nível interno e internacional, dispõem de um muito sofisticado arsenal para conduzir esse combate.

Parte desse arsenal inclui a detecção, acompanhamento e apresamento dos fundos milionários gerados pelo negócio ilícito da droga, incluindo o combate à lavagem desse dinheiro. “Lavar” dinheiro acaba em geral por ser um ponto fraco do ciclo de enriquecimento provocado por esta actividade, dependendo dos volumes envolvidos e do país em causa. Moçambique não é famoso pelo seu combate a este problema. Mas também não é conhecido por não o ser.

Este processo é gerido em Washington a partir de um gabinete do ministério americano das Finanças, o Office of Foreign Assets Control (Mais conhecido por OFAC). O seu produto mais visível é a famosa Lista OFAC e a regulamentação que lhe está associada, imposta pelo governo norte-americano. Se alguém que estiver na Lista efectuar alguma transacção que, directa ou indirectamente caia sob a alçada do governo americano, esses valores podem ser congelados e confiscados. As empresas que facultam essas operações estão sujeitas a pesadas multas e processos em tribunal.

Claro que, neste caso, o elemento-chave é a acusação de alto perfil que foi feita pelo Director da OFAC a Bachir.

Adam Szubin não é uma pessoa qualquer. Licenciado em direito cum laude pela Harvard Law School em 1999, uma das mais bem quotadas nos Estados Unidos, ele começou a trabalhar como advogado representando o governo federal americano nos tribunais. Mas após os ataques de 11 de Setembro de 2001, ele envolveu-se em dois conhecidos casos em que duas organizações de caridade haviam processado o governo americano, que acabara de congelar todos os seus fundos sob a suspeita de estas organizações estarem a apoiar os esforços da Al-Khaeda e dos palestinianos do Hamas. O caso prolongou-se por mais que um ano, mas Szubin no fim ganhou o processo.

Mais importante, nos variados contactos feitos com as agências secretas e nas infindáveis horas que gastou (fechado numa sala em local secreto, sem acesso a telefones e com um computador especial à prova de violações) adquiriu valiosa experiência na prossecução deste tipo de crime. Em 1 de Agosto de 2006, foi nomeado director do OFAC, que emprega hoje em dia cerca de 160 pessoas e age em cumprimento de cerca de duas dúzias de programas de sanções contra países como o Irão, Myamar, o Sudão, o Zimbabué e para uma longa lista de indivíduos conhecidos pelas suas actividades terroristas ou criminais.

A tarefa de Szubin e da sua equipa é facilitada pelo facto de que muitas transacções no mundo são efectuadas em dólares americanos e através do sistema SWIFT (System of Worldwide International Funds Transfer). Cujo epicentro fica na cidade de Nova Iorque. Com um sofisticado sistema informático, todas as transacções são monitorizadas e os dados comparados com os que constam na Lista OFAC.

Para dar um exemplo, a Lista, que pode ser consultada por qualquer pessoa (os Maschambianos podem obter a lista completa aqui) esta tarde continha os seguintes dados relativos a Moçambique:

GRUPO MBS – KAYUM CENTRE, Avenida Karl Marx 1464/82, Maputo, Mozambique; P.O.
Box 2274, Maputo, Mozambique; Numero Unico de Identificacao Tributaria (NUIT)
300000436 (Mozambique) [SDNTK]

GRUPO MBS LDA (a.k.a. GRUPO MBS LIMITADA), Avenida Vlademir Lenin 2836, Maputo,
Mozambique; Avenida Karl Marx 1464/82, Maputo, Mozambique; P.O. Box 2274,
Maputo, Mozambique; Avenida 24 de Julho, Maputo, Mozambique; Benefica, Maputo,
Mozambique; Numero Unico de Identificacao Tributaria (NUIT) 300000436
(Mozambique) [SDNTK]

MAPUTO SHOPPING CENTRE, Rua Marques de Pombal 85, Maputo, Mozambique [SDNTK]

SULEIMAN, Momad Bachir (a.k.a. SULEMAN, Mohamed Bachir; a.k.a. SULEMAN, Momade
Bachir; a.k.a. SULEMANE, Mohamed Bachir), c/o GRUPO MBS – KAYUM CENTRE, Maputo,
Mozambique; c/o GRUPO MBS LIMITADA, Maputo, Mozambique; c/o MAPUTO SHOPPING
CENTRE, Maputo, Mozambique; DOB 28 Apr 1958; POB Nampula, Mozambique; Passport
AC036215 (Mozambique); alt. Passport AB030890 (Mozambique); alt. Passport
AA109572 (Mozambique); alt. Passport AA261051 (Mozambique); alt. Passport
AA291051 (Mozambique) (individual) [SDNTK]

Claro que a Lista OFAC, que vale o que vale, contém informação que não acaba, incluindo um nome sonante da Guiné-Bissau, um ex-vice-almirante. Só que no caso da Guiné-Bissau não me lembro sequer de ouvir um pio sobre o assunto.

No fim do dia, o mais significativo, ou mais descontado, do que foi dito na conversa com os jornalistas moçambicanos, foi a afirmação de Adam Szubin de que o seu Gabinete raramente se enganava e que nunca na sua existência retirou um nome colocado na Lista OFAC que foi identificado nos termos da legislação Foreign Narcotics Kingpin Designation Act (21 U.S.C, ‘1901-1908, 8 U.S.C. ‘1182 e Ordem Executiva Número 12978 de 21 de Outubro de 1995). Baseado na qual, e nos dados a que terá tido acesso, nomeou o Sr. Bachir.

Falta agora ver se ele tem razão.


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GRANDES DISCURSOS DA HISTÓRIA

Sexta-feira, Fevereiro 19th, 2010

por ABM (Alcoentre, 19 de Fevereiro de 2010)

O “Prémio Maschamba 2010″ para os melhores excertos de discursos feitos por grandes líderes mundiais nos últimos 50 anos vai para o último discurso.


JOHN FITZGERALD KENNEDY, 27 de Janeiro de 1961

(dirigido aos jornalistas e à imprensa em Washington. Kennedy foi assassinado em 22 de Novembro de 1963)


RICHARD MILHOUSE NIXON, 17 de Novembro de 1973

(defendendo-se em relação ao escândalo de Watergate. Nixon demitiu-se da presidência dos EUA em 9 de Agosto de 1974)

BILL CLINTON, 26 de Janeiro de 1998

(defendendo-se de acusações de que teria tido relações sexuais na Casa Branca com uma jovem de 25 anos, Monica Lewinski. Apesar do desgaste, concluiu o segundo mandato)

JOSÉ SÓCRATES, 18 de Fevereiro de 2010

(defendendo-se de persistentes indícios, baseados em gravações captadas pela polícia, de que engendrou uma conspiração contra meios de comunicação social portugueses para eliminar opiniões contrárias às suas)


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Best New Song

Sexta-feira, Dezembro 11th, 2009

MEDAL Nobel-Prize

por ABM (Cascais, 11 de Dezembro de 2009)

Com o JPT em trânsito para a Europa e a Sra Baronesa para o seu retiro de verão em Goa, a loja ficou mais vazia esta semana.

Mas o mundo não parou. Ontem, sentado enquanto bebericava um espesso café com leite, assisti ao vivo na BBC à cerimónia de entrega, pelo Comité Nobel, do Prémio da Paz ao actual presidente dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama.

Como muitos dos exmos leitores, cresci com os sucessivos anúncios das entregas dos prémios Nobel a uma variedade de personalidades, quase sempre tudo boa gente, merecedoras dos mais rasgados elogios, nunca deixando de achar curiosa a particularidade de ser uma prerrogativa da Suécia, um relativamente pequeno país escandinavo mais conhecido pelo seu clima inclemente, pela beleza das suas mulheres e pela qualidade dos seus automóveis (Saab e Volvo), gerir e atribuir estes prémios em relação à nata da raça humana. Fazem-no há mais que cem anos e toda a gente leva aquilo muito a sério.

Uma curta pesquisa leva-nos ao seu criador, Alfred Nobel, que na primeira chance pirou-se da Suécia e foi viver para a mais mediterrânica San Remo, com uns saltos a Paris, e ao seu testamento, onde, para além de umas massas valentes para um conjunto de pessoas de que hoje não reza a história (incluindo uns pós para os seus criados e o seu jardineiro – simpático) deixou um fundo estimado, na moeda actual, em cerca de 250 milhões de USD.

Isto supostamente porque Nobel, que enriquecera obscenamente com o negócio dos armamentos e explosivos, ficara horrorizado com a constatação do que se pensava de si quando, aquando da morte do seu irmão Ludwig em 1888, um jornal de Paris por engano ter publicado o seu obituário, intitulando-o le marchand de la mort est mort, elogiando-o mordazmente pelo seu feito de ter “encontrado melhores formas de matar mais gente mais depressa que nunca dantes na história”.

Seja como for, Nobel canalizou a maior parte do seu património para instituir os prémios (apenas cinco no início) que, depois de uma série de peripécias, começaram a ser atribuídos em 1901.

A nomeação de Barack Obama para o prémio Nobel da Paz de 2009 a meu ver só pode ser contabilizada contra o credo que Obama defende desde que decidiu concorrer para a presidência dos Estados Unidos e o que a sua eleição significou para o mundo, após dois mandatos de George W. Bush e o seu quase narcisismo nacionalista (para não falar do resto, incluindo a actual recessão). Pois que – como o próprio ocupou boa parte do seu discurso de aceitação a explicar, algo eloquentemente – nem ele tem obra feita, nem se pode omitir que é um presidente e comandante-em-chefe de um dos mais poderosos exércitos na história do mundo, envolvido em duas guerras violentas neste momento e a congeminar outras tantas.

Mais do que tudo, Obama sobressai pelos valores internacionais que defendeu – internacionalismo, cooperação, de querer tentar fazer coisas novas, de promover valores fundamentais por que, aliás, os Estados Unidos se bateram praticamente desde que ascenderam à cena internacional entre a I e a II Guerras mundiais, tais como a democracia e os direitos humanos. E uma causa relativamente nova – a preservação do ambiente.

Num mundo cada vez mais globalizado e à beira de um ataque de nervos após oito anos de Bush, ainda por cima vindo do primeiro presidente mulato de um país que até recentemente lutava contra os demónios da descriminação racial e com uma história atribulada no cumprimento da sua promessa de igualdade para todos e ascendência com base no mérito, o surgimento algo inesperado deste homem na cena internacional – um mundo cada vez mais globalizado de cidadãos não brancos, terá sido uma inspiração para muitos. Vagamente reminiscente do que foi a atribuição do mesmo prémio ao grande Nelson Mandela (conjuntamente, para quem já não se lembra, a um muito menos celebrado mas igualmente meritório Frederick de Klerk) em 1993.

Mas, convenha-se dizer, se isto fossem os Prémios MTV, Obama nesta altura teria ganho apenas o prémio “Best New Song”.

Ademais, não sei se repararam que no seu longo discurso ele não disse praticamente nada sobre o Médio Oriente, a quase permanente dor de cabeça do mundo desde que acabou a II Guerra Mundial e que promete novas violências.

A ver vamos no que isto vai dar.


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O Meu Primeiro Halloween

Sábado, Outubro 31st, 2009

lua-de-novembro

por ABM (Cascais, noite de Halloween, 31 de Outubro de 2009)

Quando em 1977 emigrei para os Estados Unidos da América, depois da sequência de eventos que levou ao que então eu me apercebia que iria ser um muito longo exílio de Moçambique (foi), saí da Estação B de Coimbra no dia 20 de Setembro no comboio Foguete com destino a Lisboa, em seguida voei para Ponta Delgada, onde tinha que cumprir algumas formalidades finais do processo de emigração junto do consulado norte-americano e aguardar luz verde para poder voar para a cidade de Boston. No dia 20 de Outubro ao fim da tarde – uma quinta-feira outonal – o voo TAP 312 aterrou no Aeroporto de Logan, repleto de emigrantes portugueses e açorianos, cheios de sacos com roupa, chouriços e agasalhos, provocando o desdenho das fleugmáticas hospedeiras.

Ao contrário da impossibilidade do regresso a Moçambique, algo involuntário mas sugestivo do fim de um capítulo, a ida para os Estados Unidos fora intencional, planeada e benvinda, pois, mais do que tudo, representava a possibilidade de retomar uma normalidade que já começava a parecer mítica. Em Portugal sentira-me um refugiado que não era benvindo nem assistido. Literalmente toda a agente que eu conhecera até então estava asilada, refugiada, pendurada e em parte incerta do planeta. Desenrascava-se e sobrevivia-se, sem qualquer perspectiva de futuro. Apesar do pronunciamento anti-comunista em Novembro de 75, quem fosse mais do que “socialista” era “fascista” e a liberdade adquirida era a liberdade de insultar tudo e todos e de poder ver um filme pornográfico num cinema perto de casa. Nessa altura até Sá Carneiro dizia que era socialista e que queria construir uma sociedade sem classes. Aquilo tudo parecia-me ser uma vasta, longa, chata, incompreensível anedota latina.

Cedo descobri que não gostava de revoluções de partir a loiça, com tropa fandanga na rua, gente rasca bem falante, oportunistas falhados em pontas de pés à busca de cunhas e favores, putas, peregrinos de Fátima em joelhos e revistas aos carros na EN1 à procura de armas, cartazes revolucionários e muito, muito sujo, tudo espapaçado nas paredes e nas ruas, comunistas de Mercedes Benz, frio, escuro e penumbra. Tudo à beira de um ataque de nervos, tudo à procura de algo em troco de nada, o povo, ainda algo macambúzio, expectante quanto às promessas da Nova Ordem, agora democrática, descolonizada, igualitária e “europeia”. Ah as promessas! pois não era que tudo o que havia de mau em Portugal fora culpa da longa noite salazarista.

Aprendi nessa altura especialmente a não gostar daquelas revoluções onde se fala muito e faz-se pouco, aquelas que nos deixavam no meio da rua à noite, à chuva, sós, a segurar na mão enregelada um saco de plástico contendo tudo o que nos pertence e que ainda nos desconfia de ladrões e ideologicamente polutos – o que no meu caso, com 15 anos, era ficção científica.

Nos EUA todos eram imigrantes ou filhos de imigrantes. Havia a promessa da inclusão, a garantia da oportunidade – e da estabilidade. Curiosamente, encontrei no ethos norte americano uma cultura de tratamento igual para todos. Lá não havia generais nem doutores nem empresários de sucesso, havia o igualitário you . Valorizava-se o mérito, a honestidade, a pontualidade, a disciplina, o dinheiro. Em média a diferença entre as pessoas era na quantia de dinheiro a que tinham acesso (cash – e em dívidas, o que foi uma novidade para mim). Havia de tudo e tudo me parecia ser barato e acessível sendo apenas necessário trabalhar e ganhar um salário. Havia casas para alugar, supermercados cheios de tudo e empregos para quem quisesse trabalhar. Em Portugal não havia.

Nos EUA de 1977 ninguém sabia que Portugal se havia separado de Espanha em 1640 – e ninguém parecia querer saber. África ficava em Marte, Moçambique em Saturno, e os negros americanos ainda não se rotulavam como african-americans. Eram apenas cidadãos americanos de pele mais escura que eram vergonhosamente discriminados pelos brancos numa espécie de apartheid com paredes invisíveis.

Nos EUA, as revoluções fazem-se todos os dias, entre o café da manhã e a hora de ir para a cama, pelas pessoas. Não havia “ismos”, nem militares a mandar, nem Conselhos da Revolução, nem constituições a dizer que todos tínhamos direito à saúde, paz, pão e habitação. Não havia canções revolucionárias (só para chatear, esta do Zéca Afonso transpira dos tempos que passou em Moçambique) nem slogans na rádio, nem jornais panfletários. Passavam a majestosa abertura de John Williams para o Episódio 3 de Star Wars e os sucessos dos Bee Gees.

Era outro mundo.

Uma semana depois de chegar aos EUA, quando a mãe BM chegou a Boston no mesmo voo dos Açores, já tinhamos arranjado emprego, escolas, carro, casa, mobília, até uma televisão a cores (uma RCA) e uma torradeira daquelas que só os americanos podiam inventar, que fazia 4 torradas ao mesmo tempo. Quando ela entrou no pequeno apartamento que já tínhamos decorado modestamente, ela chorou durante meia hora, pois depois de Moçambique, há dois anos que vivia acampada em quartos de casas de estranhos contrariados sem saber o dia de amanhã.

Na segunda-feira seguinte era dia 31 de Outubro. No liceu local eu re-iniciara os estudos (inacreditavelmente, começara quatro anos antes no Liceu António Enes, depois Liceu Salazar/5 de Outubro em Maputo e em Coimbra no Liceu Infanta Dona Maria – sem chumbar um ano). Aí avisaram-me que este era dia de Halloween e se eu me queria ir juntar aos colegas à tarde para fazer trick or treating . Trique ou triting? do que é que eles estavam a falar? claro que esta, que é a parte principal do Halloween, que hoje, um tanto enigmaticamente, se comemora em Portugal, não se faz, e que consiste em ir de porta a porta pela vizinhança, mascarado de bruxo ou de abóbora, a pedir um trick (uma habilidade, que ninguém fazia) ou treat (um rebuçado ou chocolate). As pessoas preparavam-se de antemão de forma a que nessa noite tenham em casa um caixote cheio de rebuçados e chocolates que dão aos míudos que batem incessantemente à porta. À noite a televisão passava uns velhos filmes estilo “sexta feira, dia 13″ com muito sangue, gritaria e facadas no peito, que os miúdos vêm juntos, também aos gritos. Nessa noite cheguei a casa com um enorme saco cheio de treats.

Confesso que na altura achei aquilo tudo completamente estranho. Mas com o tempo a tradição entrou na família, tal como o feriado do Thanksgiving, daqui a três semanas e meia.

Uns anos mais tarde passei a associar a noite de Halloween a um evento bem mais triste, pois foi nessa noite, em 1982, que o meu colega moçambicano, o Rui Abreu, se suicidou na cidade norte-americana de Cleveland, não muito longe de onde eu vivia. A mãe dele, Mercedes, de Tete, faz anos no dia seguinte, 1 de Novembro.


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George Bush e Barack Obama

Sexta-feira, Outubro 30th, 2009

(por ABM) Cascais, 28 de Outubro de 2009

Este é o segundo de dois programas que recomendo vivamente que veja.

O contexto é este: a maior parte de nós que assistimos à eleição histórica de Barack Hussein Obama para a presidência dos Estados Unidos da América associa a esse evento duas coisas: a saída de George Bush 2 da cena, uma maior moralização da política externa norte americana, e a promessa de uma saída mais limpa dos exércitos norte-americanos do Médio Oriente. Enquanto isso, a economia americana, dramaticamente nos últimos meses do segundo mandato de Bush, quase entrou em colapso – e com ela o resto do mundo.

Mas há uma muito mais importante história que aqui é escalpada: a do que aconteceu ao défice norte-americano. Como ele cresceu, onde ele está, e com o que é que os EUA e o resto do mundo se confrontam neste momento e no futuro. Isolado, só este tópico vai ser um dos maiores, senão o maior, desafio para Barack Obama – já o é. Ao ponto que, cedo no seu mandato, alguns assistiram com alguma surpresa a um presidente Obama a dizer na televisão que o maior problema de longe dos Estados Unidos era … a questão do sistema de saúde nos EUA.

O sistema de saúde?? então e as guerras, o Irão, Israel, etc?

Este programa indica-nos que, para além das demais prendinhas deixadas por Bush, foi uma quase incompreensível série de medidas de simultaneamente a) aumentar dramaticamente a despesa do governo com duas guerras (Iraque e Afeganistão) e um brutal aumento nas despesas do governo com um plano médico para a terceira idade e b) dois cortes muito significativos nos impostos. O buraco foi sendo pago pela compra de dívida do governo por estrangeiros, de que se destaca a … China (eu se tivesse que inventar isto não conseguia). Ou seja, os norte-americanos devem montanhas e montanhas de deinheiro ao estrangeiro. Por causa disso o mapa financeiro do mundo mudou radicalmente e o valor do dólar oscila como erva ao vento.

Acho que sem se entender esta dinâmica, não se conseguirá entender o que foi que Obama encontrou e com que tem que lidar nestes próximos tempos. Pois antes de ser líder mundial, ele é presidente dos EUA.

Conseguirá Barack Obama aligeirar os efeitos quase devastadores do que Bush fez? como dizem os árabés, inshallah. Ou nós, oxalá.

Este programa, da PBS, foi para o ar em 29 de Março de 2009, mas mantém toda a actualidade. Em inglês, dura 54 minutos. Veja enquanto bebe um cházinho de tília.


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O Segundo 11 de Setembro

Sexta-feira, Outubro 30th, 2009

por ABM (Cascais, 29 de Outubro de 2009)

Enquanto me vou aprendendo e surpreendendo com o que existe na internet, tento utilizar o que encontro para tentar melhor entender o mundo que nos rodeia, o que acontece e porquê.

Há cerca de um ano, pouca gente se apercebeu de que o mundo esteve a um fio de cabelo de uma catástrofe económica (e, logo, política e social, eventualmente militar) sem precedente na história da humanidade. Curiosamente, o início e o desenrolar desse desastre oribinou nos sagrados corredores do capitalismo norte-americano: Wall Street, Nova Iorque, e Washington, a capital federal dos Estados Unidos.

Alguns dos leitores do Maschamba, que tem uma firme “verve” cultural e histórica, poderão à primeira pensar que perceberam o que aconteceu, ou então que não perceberam mas não querem perceber, ou que não perceberam, ou que nem são capazes de o fazer.

Ou ainda que isto pode não interessar.

Deixem-me dizer o seguinte de forma clara: o que aconteceu nos sete meses entre Março e Outubro de 2008 – e cujos efeitos ainda nem de perto estão resolvidos em todos os cantos do mundo – vai ser tópico de conversa durante décadas. Os vossos filhos e netos um dia vão perguntar-vos o que é que aconteceu em 2008.

E nós estávamos cá.

Porque nunca na minha vida – e eu tenho quase 50 anos de idade e já assisti a guerras, descolonizações, recessões, todo o tipo de tragédias – estivemos todos nós tão perto, tão perto de, de um momento para o outro, passarmos de uma vida de relativo conforto e de expectativa de normalidade, para o maior caos, miséria e total desorientação.

Todos nós, onde quer que estivéssemos.

Talvez por isso valha a pena ver o que foi, e como foi, desde a falência da firma de investimento Bear Stearns, à falência da firma Lehman Brothers, e o que aconteceu logo a seguir.

O vídeo que está em cima, em inglês e que dura uns “meros” 56 minutos e 23 segundos, com a maior das clarezas, calmamente e com uma qualidade fenomenal, explica tudo. Foi produzido para a cadeia de televisão pública norte-americana PBS (sim, há uma nos EUA) e exibido no programa Frontline, um dos meus favoritos de sempre.

De vez em quando valer a pena tentar perceber o que se passa com a economia. A cultura enche-nos o espírito e a alma. A economia ajuda-nos a pôr o pão na mesa para nós e as nossas famílias.

Esta é uma lição de humildade e também de como todos dependemos uns dos outros. Frequentemente de formas que nem sonhamos.

Na realidade o título acima é apenas uma leve provocação. Na verdade, o ataque terrorista ocorrido no dia 11 de Setembro de 2001 foi um piquenique de crianças comparado com o que aconteceu em 2008.


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Obama e o Tibete

Terça-feira, Outubro 6th, 2009

Há um ano, enjoado com a “esquerda obamista” lusa (e a outra, lá-de-fora; e o racismo negro virado obamista) pus-me a resmungar contra os obamistas – para ter a prova de que estou fora de Portugal há muito: bem que fui gozado por não saber quem era Rui Tavares, o obamista de referência de então, hoje mais célebre pois já eurodeputado do Bloco de Esquerda, a simpática agremiação política portuguesa nada estalinista nem trotskista, ou por outra, nada neo-comunista que tanto atrai o voto dos militantes impensadores portugueses, e acolhe seus filhos e irmãos mais novos nas colónias de férias dos “pioneiros” de hoje.

Quando agora leio que o fantástico Obama se recusa a receber o líder anti-colonial Dalai Lama não posso, entre outras coisas, de lembrar os ruis tavares, os bloquistas de esquerda, os ex (e espero que não futuros) presidentes jorges sampaios. Entre eles há os parvos. Uma pequena minoria. E os patifes. A maioria. É, consta, a maioria de “esquerda”. Sinistra, literalmente.

jpt


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Frank Zappa

Sábado, Outubro 3rd, 2009

Isto do facebook trouxe-me o mundo youtube. Absolutamente espantosos 22 minutos de Frank Zappa – para quem tenha paciência.

jpt


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Obama no Gana

Terça-feira, Agosto 4th, 2009

Estava em férias e não li na altura, só hoje. Aqui fica o discurso de Obama no Gana, para consultas futuras. É um discurso presidencial. Mas é bem mais do que isso.


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Gelados Obama / Obama Ice Cream

Domingo, Janeiro 25th, 2009

gelados-obama.jpg

Tchova Geladaria, Maputo, hoje mesmo.


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O radicalismo reaccionário de fachada liberal

Domingo, Setembro 7th, 2008

É normal que se atente nas eleições americanas. Mesmo gente que nunca olha para a política externa. Os EUA são importantíssimos. E produzem (muita) imagem. Nisso é pena mas é recorrente que os blogo-portugueses assumam partido, assim egocentricamente usando as eleições na maior potência mundial para afixarem os seus marcadores coloridos – no caso dos blogo-moçambicanos é (este ano) mais fácil, a rapaziada é obamista porque Obama é negro (se fosse moçambicano chamar-lhe-iam “mulato” e usariam os palavrões adjectivantes do costume, mas neste caso não dá jeito).

No primeiro caso é, em absoluto, o castafiorismo comentador, nada mais. Da parvoíce luso-obamista já rezei o suficiente. Mas não vai só: um tipo vê este tipo de núcleos republicanos e interroga-se como podem os “liberais” portugueses excitarem-se tanto no seu republicanismo militante. Optar por um dos lados? É normal, dada a tal importância e tamanha imagem. Excitarem-se no tecladismo? Só mesmo pelo mais radical dos anti-liberalismos (o “radicalismo euro-reaccionário de fachada liberal”, diria Cunhal se tivesse sido bloguista). E diria bem.


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“obamista”, ou da palermice

Sábado, Agosto 30th, 2008

um tipo num blog (diário pessoal) mete o que quer. Um tipo que é pago para opinar num jornal (e de “referência”) tem algo mais … assim tipo responsabilidade social, dir-se-ia. Breves dias em Portugal deixam-me entender que há algumas vozes novas (pelo menos para mim) no grupo dos fazedores de opiniâo. Descobre-se (ou reconhece-se) um nome e logo o encontramos nos jornais, na tv, o prestígio está ganho.

Neste verão é Rui Tavares. A esquerda que ri, presumo. Leio-lhe no Público a opinião, decerto que abrilhantada com o brilho do intelectual: “sou um obamista“. Não se trata de discutir a falência do modelo bush, do cristo-reaccionarismo americano da ultima década, de entender a necessidade de alguma mudança por lá, da esperança numa outra política externa, mais complexa, e noutra interna, alimentando (ressuscitando?) o peso mundial de um modelo de sociedade social – e não a tralha omnívora a que alguns chamam (porquê?) neo-liberalismo (uma palhaçada intelectual que alimenta a “direita” bloguística portuguesa, de prosápias intelectuais mas muito dados a abridged versions ou “ensaios” – na lógica portuguesa da palavra). Nâo se trata disso, trata-se de uma esquerda moribunda, incapaz de se entender sem o farol americano (anti-americanista, agora obamista). O domínio radical do impensamento: o mundo visto do club med, o pequeno-burguês não vai mais longe por mais andanças que faça. É o novo-riquismo de batina académica …

Um gajo declara-se obamista: adepto “ista” de quem tem “director de fé”, de quem acredita no que vem na bíblia, de quem abre um congresso político com a mulher e as duas meninas dizendo-lhe (e à tv) que o amam muito – “ah, mas é na América, tem que ser assim!!” dirão, na explanação da sua profunda desonestidade intelectual (e não só – insisto, os textos nos jornais são pagos, é uma actividade laboral, a desonestidade no trabalho é igual para todos). Ou seja um qualquer McCain diz coisas de que não gostamos e desvenda a sua demoníaca essência! Um qualquer Obama diz coisas de que não gostamos e evidencia a mera necessidade de adequar a forma do discurso ao público.

É esta a esquerda que escreve em Portugal, enquanto ri – que é “ista” do irracionalismo dos “gurus” cristãos, que é “ista” da demagogia populista mais baixa, que é “ista” do “criaccionismo” ainda que subtil, que é “ista” do primeiro-damismo mais imbecil.

Que a esquerda política de cagança académica morrera já se sabia. Que os jornais acolhem os despojos também. Um tipo não se deve irritar. Apenas se enoja, nisto de vir de ano a ano, encontrar as novas  caras. E entristece-se quando as poucas vozes que vão indo ainda dão cobertura a esta paródia.

Adenda: é evidente que não é com esta gente que se deve discutir a questão racial, o “agora é a nossa vez”. Pois interrogar isso exigirá querer interrogar. Sem ser “ista”. Para quem tiver a decência (no fundo não é nada mais do que isso) de não ser “ista” d’algo procure no youtube a cerimónia dos oscares pré-obama (oscar a hale berry, denzel washington, sidney poitier e … robert redford). Analisem: agora é a nossa vez. E pensem, o mundo não é só hollywood. Mas repito, não vale a pena discutir essas coisas com esses macainistas/obamistas.

Adenda Segunda: Rui Tavares teve a gentileza de deixar na caixa de comentários o artigo que referi, e que assim transcrevo.

Para quem tiver paciência visite a caixa de comentários: pois aí tenho que matizar um argumento contra Rui Tavares; e porque não concordo nada com os comentários aí deixados por alguns comentadores residentes do ma-schamba.

“Roosevelt contra Roosevelt
28 Agosto 2008 | por Rui Tavares
É justo anunciar à partida que sou um obamaníaco e não avalio as eleições americanas com equidistância. Mas ganhei também o direito de me gabar: até agora tenho acertado aqui nas minhas previsões para as eleições americanas. Em pleno escândalo do reverendo Wright, sob a impressão geral de que a candidatura de Barack Obama acabara de ser destruída pelo seu desbocado pastor protestante, uma decisão do Partido Democrata sobre as primárias da Florida e do Michigan acabara (do meu ponto de vista) de lhe possibilitar a vitória. Pouco depois, houve um sobressalto geral com a ponta final de Hillary Clinton, numa altura em que me parecia que na verdade Obama já tinha essa vitória na mão.

Isso foi nas primárias democratas; agora estamos na campanha para as eleições gerais e o candidato republicano, John McCain, acabou de ultrapassar Obama nas sondagens. A percepção geral é a de que Obama está em queda quando deveria estar muito à frente. É mais uma vez o momento indicado para relançar o meu palpite: salvo escândalo ou guerra, continuo a apostar numa vitória de Obama.

Em primeiro lugar, não faz sentido esperar que os democratas ganhem por muito. Há trinta anos que eles não ganham eleições presidenciais “normais”. Bill Clinton ganhou na primeira vez com o voto adversário dividido (entre Ross Perot e George Bush pai) e na segunda vez já como presidente. Mas Al Gore e John Kerry ficaram a poucos votos de ganhar e é a partir desse pecúlio que Obama poderá construir uma vitória, ampliando o número de estados competitivos que poderão cair para o seu lado. Por isso não é de esperar uma grande distância nas sondagens nacionais, embora seja possível que ela venha a ocorrer depois nos votos do Colégio Eleitoral, que são distribuídos por estado.

***

Em segundo lugar, as diferenças entre candidatos. John McCain costuma dar como seu presidente ideal o republicano (e progressista) Theodore Roosevelt, cujo militarismo e voluntarismo aprecia e em cuja “obra” — o Canal do Panamá — ele próprio nasceu, literalmente. É duvidoso que o erudito e poliglota Theodore Roosevelt atacasse os seus adversários por serem “intelectuais e elitistas”, como McCain faz e é a moda da direita à escala internacional. Mas é verdade que John McCain é, ao menos, um político mais inspirador do que George W. Bush.

Mas não é de um Theodore Roosevelt que os americanos precisam agora. De quem eles precisam é de um Franklin Delano Roosevelt, seu sobrinho, o democrata que foi presidente quatro vezes depois da Grande Depressão. Tal como agora, Franklin Roosevelt apareceu numa altura em que a doutrina económica dominante se revelara disfuncional e os seus fundamentos morais aberrantes. Tal como Obama, Franklin Roosevelt apareceu com um discurso moderado e unificador, mas foi levado pelas circunstâncias a simplesmente refundar as estruturas do país. Foi ele que criou a Segurança Social nos EUA, e a criou de maneira a impedir que “um político qualquer a possa desmantelar”, como dizia e com razão (George W. Bush tentou e não conseguiu).

A Grande Depressão colocara a nu que a liberdade não se pode resumir à não-interferência do Estado. Liberdade é também liberdade para construir uma vida. Quem vive na pobreza ou no medo do desemprego não vive em liberdade. Distribuir liberdade por todos implica lutar por justiça social e segurança económica. Não precisamos de uma Grande Depressão para saber isso. Na verdade, o susto que já levamos deve chegar para os americanos perceberem que é preciso um caminho novo.”


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Barack Obama em Maputo

Sábado, Julho 19th, 2008

Abaixo abordei (estreia na horta) o candidato yankee (gringo, em português) Barack Obama. E hoje belo jantar, queijos vários e vinhos “lá de cima”, dele cheio. Importante, decerto, no sítio onde está. No resto, diante desses que o iconizam para auto-posicionamento (e auto-legitimação, nunca esquecer), tipo “pago sem ver”, pokeristas católicos (coisa de milénios ou chegada em pleno XX, soam iguais) – coisa de culpas sonegadas -, só sorrio, compungido. Meu afastamento, algo que já referira

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aqui.

E (não sei meter youtubismos – será que funciona?)

sublinho hoje, aqui, ainda mais forte e de muito mais antes. Sem gringuismos. Nem outros “ismos”. Pois só um sol por aí. Por aqui. (Mas tantos palavrões sob ele. E, nunca esquecer, tantos pruridos. Em todos. Mas mais exactamente nesses.).


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Eleições nos EUA e a religião

Domingo, Abril 20th, 2008

Telejornal português de ontem. Peça sobre a religião e a campanha presidencial americana. Ali relatada a figura dos “directores de fé” dos candidatos democráticos (juro que ouvi. E que não consumo psicotrópicos, apenas analgésicos para a ciática). Ali ecoada a realidade de que estes candidatos se referiram à religião já por centenas de vezes. Ali retransmitidos trechos de entrevistas de ambos: Clinton afirmando que tem vindo a estar, várias vezes, com o Espírito Santo; Obama, veemente, dizendo (é certo que com nuance retórica) que o que está escrito na Bíblia corresponde, substancialmente, à verdade. Depois a jornalista remata dizendo que à direita McCain pouco fala de religião (não infirma a presença de um “director de fé”, apenas deixa presumir).

As “esquerdas” africanas e europeias – racistas e genderistas – nem comentam. Blog para que te quero? A imbecilidade pega-se? Nada – é mesmo mera desonestidade intelectual. Em alguns, concedo, o desejo de não envelhecer, de flanarem nas aparências de hoje. Mas nada mais.


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“as coisas estão a mudar …” (?) (!)

Quarta-feira, Março 5th, 2008

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Hergé retoma pela terceira vez a aventura americana para a edição publicada em 1973. O texto será comprimido para evitar os cortes de palavras no fim das linhas. Mas, sobretudo, fez uma importante concessão aos editores americanos: em três quadradinhos retira os negros que entram na história. Com efeito, os americanos opunham-se ao facto de negros e brancos figurarem lado a lado numa história destinada a um público jovem.

tintinnaamerica.jpg

Na prancha 1, o bandido negro, à direita do grupo ao qual Al Capone se dirige, é substituído por um malfeitor de origem porto-riquenha. O porteiro da Petroleum & Cactus Bank na prancha 29 passou a ser branco. O mesmo tratamento foi aplicado ao bebé que chora e à mãe deste, na prancha 47.”

(Michael Farr, Tintim. O Sonho e a Realidade, Lisboa, Difusão Verbo, 2005, p. 38)

Falso post-scriptum: antes que algum desses “semiólogos” fascistas de extracção marxista por aqui passe e erga a habitual catana: “Mas nas três versões (…) Hergé persiste na condenação do linchamento e do habitual racismo das pequenas cidades americanas“. (idem)

Já agora, sobre os pobres tontos que aderem a Obama porque ele é “negro” – triste impensamento – já a “Ana” pôs o ponto final parágrafo adequado.


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Domingo, Janeiro 6th, 2008
O que venho blogolendo sobre Obama, o americano candidato às eleições presidenciais deste ano, ancora no mais absoluto vácuo racional. Por um lado há pessoas que pensam como se fossem americanos (“temos [repare-se no "nós"] um homem branco no poder desde XVIII“) – tontice que se explicará por excesso de consumo de cinema americano, esse que disponibiliza uma imensa galeria de alter egos [como se fará este plural?] à disposição. Por outro porque o pai do homem nasceu em África ele é “nosso, africano“. Quando isto vem de gente que trabalha com as questões sociais eu não percebo para que serve estudar.
Entretanto sobre as eleições americanas eu oscilo. Espero que ganhe ou o McCain ou o Edwards – porque os antepassados deles nasceram na Europa e, portanto, são também nossos, europeus. E porque são homens, tal como eu. Se não forem eles a ganhar espero que, pelo menos, não tenhamos (bis, tenhamos) um presidente como o Obama (um africano) nem, ainda pior, a Clinton (uma mulher) – e digo isto ainda que alguns dos meus antepassados tenham sido mulheres.

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Quarta-feira, Fevereiro 28th, 2007
E ja agora, por falar em “indústria” (e em cinema), recordo a sorte de ver na mesma semana (facilidades da tvcabo) esta dupla de Redford:

Brubaker (1980) e

The Last Castle (2001) – fantástica ultima cena.

Como é arte não se pode inscrever em nenhum contexto, seja social, seja histórico. E não há nenhum fio condutor. Agora eu, como sou de esquerda (apesar de achar isto da “arte”), vou ali dizer mal dos EUA – sigam as minhas “tags”. De noite regressarei para escrever sobre a maravilhosa sessão dos óscares, essa grande comemoração da “indústria”.


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Quarta-feira, Fevereiro 28th, 2007
Uma exposicao na AMF, antes ver Tomo no CCP, um pre-jantar no Mundo’s, ai mesa cheia de amigos, um novo bloguista na cidade, nos os dois a falarmos de blogs portugueses, os amigos (“nao ha paciencia para estas conversas”) gozando com os maluquinhos das teclas e dai a cutucarem-me de direitista, entre-ironias, foi pequeno passo.

Por isso, depois, vou dar uma voltita pelos blogs, que e coisa cada vez mais rara. Aqui o direitista, pro-americano ate, completamente clinteastwoodesco entre outras coisas, repara que, ano apos ano, os bloguistas de esquerda (e os esquerdistas tambem, ja agora) mergulham na oscarizacao. O ano inteiro no anti-bushismo. Mas tambem o ano inteiro no anti-capitalismo americano, no anti-industria americana, no anti-imperialismo (perdao, globalizacao) americano. Depois, parentesis, loas `a “industria”, se esta a do cinema (entao quando ela doura Scorsese, quao credora se trata). Como gostam de cinema la usam o bisturi para cortar o real ao seu gosto, e nem tratam da linguagem. E depois do parentesis la regressam. Teclam, teclam, teclam, como o coelho das pilhas.

Este direitista nao tem paciencia. Nem respeito.


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Segunda-feira, Novembro 28th, 2005

Da tortura

Vindo da revista em papel aqui deixo as ligações, especialmente para os que se julgam mais pró-americanos:

Torture’s Terrible Toll, artigo de John McCain (senador americano).

The Debate Over Torture, reportagem de Evan Thomas e Michael Hirsh.

Ou será a Newsweek um orgão de anti-americanismo? Isto, nos dias que correm, nunca se sabe.


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Civilização

Quinta-feira, Novembro 17th, 2005

O que aqui se passou é uma questão civilizacional. Com tudo o que de problemático tem tal conceito. De evolucionista, de preconceituoso. De normativo. Assim seja. Pois é, realmente, disso que se trata. Obliterar isso, varrer isso para debaixo do “nós vs eles”, da “direita e esquerda”, do “democratismo” vs “anti-americanismo” é mero regresso à barbárie. E em muitos casos de manutenção na barbárie.


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Sobre os blogs portugueses e New Orleans

Domingo, Setembro 4th, 2005

De ligações [links] em ligações apanhei algumas pérolas, algumas em blogs que já nem visito habitualmente.

Uma (não recordo onde) considerando que os negros americanos são pobres porque são negros. O que não deixa de ser verdade, o que demonstra que a amplitude da língua. Ainda que eu também ache que os negros americanos são negros porque são pobres.

Uma outra (recordo-me bem, mas já nem ponho ligação), excelente. Dizendo que se houver um terramoto em Lisboa (longe vá o agoiro) não deverá haver ajuda do Estado (e da UE) às vítimas pois estas são responsáveis por terem escolhido viver num local perigoso.

Estes são os bloguismos célebres e acarinhados no meu país. Claro que há crise no país. E grande.


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Escatologia

Quarta-feira, Fevereiro 2nd, 2005
Most notably in recent times, James Watt, Ronald Reagan’s unlamented secretary of the interior, a deeply conservative thinker and prominent member of the Pentecostal Assembly of God, stated that we need not worry unduly about environmental deterioration (and should therefore not invest much governmental time, money, or legislation in such questions) because the world will surely end before any deep damage can be done“.
(S. J. Gould, Questioning the Millennium, Vintage, 1998, p.20)

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