Entries Tagged 'Ecologia Moçambique' ↓

A Gorongosa

Para quem não teve oportunidade de ver aqui fica a sinopse (dita “trailer”) do belíssimo documentário produzido pelo canal National Geographic, para que atente em futuras reposições – enquanto não perco a esperança de aqui ter mais entradas dedicadas ao Parque.

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Nota sobre um fóssil no Niassa

VBM, leitora amiga do ma-schamba, manda-nos notícia do jornal Público: “Fóssil de antepassado comum a todos os mamíferos descoberto em Moçambique (cerca do Lago Niassa). Coisa de 250 milhões de anos – encontrado no chamado Graben de Metangula, local que aprendo na notícia será o único no país com fósseis anteriores a 65 milhões de anos. Acima o dito cujo, que após a sua análise, regressará com destino ao Museu Nacional de Geologia (na Av. 24 de Julho, Maputo) diz a notícia. E eu fico em dúvida, então um fóssil por ser pedra fica na Geologia ou na História Natural (museus de …)?

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O hotel na “Casa do Capitão”, em Inhambane

O texto dedicado ao novo hotel na “Casa do Capitão” na baía de Inhambane foi de novo aumentado, com imagens que recebemos do Rui Monteiro.

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Ainda a “Casa do Capitão” em Inhambane

Na sequência da conversa que tem decorrido na respectiva caixa de comentários o texto “A Casa do Capitão, na Baía de Inhambane” foi actualizado com novas fotografias.

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A Casa do Capitão, na baía de Inhambane

Aqui,

que estava assim,

constrói-se deste modo

para ficar desta forma

Sabedores da construção do hotel (e timesharing), propagandeado em Maputo, logo que chegados a Inhambane apressámo-nos a ir ver o resultado. Fico, ao volante, balbuciando “Meu Deus!! … [nestas alturas dá-me para o deísmo, mas em molde de ateu, vituperando este deus preguiçoso e incompetente que nos rege o devir] … Meu Deus!, isto parece, isto parece …” e logo no banco de trás a Carolina, nos seus sete anos desconhecedora de debates arquitectónicos, urbanísticos, culturais ou ecológicos, remata “pai, isto parece o serviço!”.

Adenda: na caixa de comentários surgiram (legítimas) dúvidas sobre o que aqui tentei demonstrar. Como acima refiro a minha filha esgotou-me a argumentação sobre o assunto. Deixo mais uma pobre fotografia, que é o máximo que posso tentar para elucidar os visitantes [e, já agora, os futuros "timesharers"]

 

[pressionando as fotografias elas aumentam]

Adenda: Nos comentários ao texto o Rui Monteiro argumenta sobre o assunto e lamenta a inexistência de fotografias da “casa do capitão”, disponibilizando-se para as ceder. Eu aí explico porque não considerei relevante colocá-las, nem mesmo fotografá-las. Ainda assim, e enquanto ele não envia as suas coloco as minhas duas fotografias em que o velho edifício surge. A segunda dará uma pequena amostra da sua escala face ao empreendimento. Mas não dão, reconheça-se, sequer uma pálida ideia do que nesse edifício (a antiga casa) será feito.

 

 

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Segunda Adenda: o Rui Monteiro - e agradeço-lhe - enviou fotografias do interior da construção, no contexto da antiga “Casa do Capitão”, que possibilitam uma outra panorâmica do edifício. Mandou ainda duas, as finais, sobre a “Casa” propriamente dita e sua porta, mantida.

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Terceira Adenda: Um texto no PembaAtoll dedicado a este tema, e que me parece de bastante interesse.

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Lago Urema: Uma Catástrofe no Nosso Tempo?

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(Lago Urema, uma foto de Envirotrade, via Panoramio)

por ABM (Cascais, 16 de Novembro de 2009)

Na morfologia da parte de Moçambique que integra o actual Parque Nacional da Gorongosa, há, a uns quilómetros a Norte do rio Pungué, uma depressão no terreno que deu origem ao Lago Urema, outrora um vasto depósito de água, alimentado da Serra a Leste e das zonas circundantes, que constituiu e constitui a principal fonte de água para toda a fauna ali existente, e cuja existência os especialistas do Parque consideram essencial para a preservação do eco-sistema local.

Só que, segundo uma recente análise conduzida no local, mercê dos movimentos de terras causados pelas populações a montante dos cursos de água que desaguam no Lago, via a agricultura e deflorestação, esses cursos têm vindo a trazer terra para a depressão na sequência das chuvas e enxurradas, contribuindo para o seu assoreamento.

Assim, nos trinta anos que decorreram entre 1974 e 2004, a sua profundidade média caíu de 1.5 para 0.5 metros e a sua área decresceu de 22 para 10 quilómetros quadrados.

Se nada se fizer, o Lago pura e simplesmente deixará de existir dentro de menos que 20 anos, sendo o impacto na fauna da região quase de proporções bíblicas, referiu Franziska Steinbruch, uma cientista que acompanha o Parque.

Do que depreendo, muitas das medidas que têm que ser tomadas para reverter a situação, passam por um conjunto de acções que incluem a sensibilização das populações para pararem de fazer com que o assoreamento continue, e presumo que umas obras para preservar o Lago. Mas do que li, até este momento ainda nada foi feito.

O que, a continuar, será mais uma catástrofe moçambicana no nosso tempo.

Exposição de fotografia de Jean-Paul Vermelen

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45 fotografias de Jean-Paul Vermelen sobre o parque da Gorongosa, dito “O Santuário Selvagem“, o processo de renovação da fauna e ainda sobre a zona tampão. No “Franco” entre 20 e 31 de Outubro próximos.

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O Bom Povo Moçambicano

De ABM – Este é o primeiro post feito do lado de “cá”, após desafio do senhor dono deste blogue que muito me honra.

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O mundo já está assim: durante a noite do dia 17 de Setembro, o Goddard Space Flight Centre, da americana NASA, através do seu sistema MODIS ( Moderate Resolution Imaging Spectiradiometer) e a partir do satélite artifical Aqua, que todos os dias orbita por cima de todo o planeta e fotografa a sua superfície usando cerca de 36 diferentes comprimentos de onda, tirou a fotografia que se reproduz, do centro-Norte de Moçambique, apanhando naturalmente os países vizinhos.

Se o exmo leitor olhar cuidadosamente, cada pontinho vermelho é quase certamente uma queimada da floresta. E veja quantas há.  Parece uma árvore de Natal. Esta foto é a de menor resolução, o site da NASA tem a mesma foto com oito vezes esta resolução.

A queimada é uma forma tardicional do agricultor rural africano preparar o terreno para cultivo. Portanto a boa notícia é que se vai plantar e portanto vai haver colheita – e comida. A má notícia é que li algures que as queimadas poluem desalmadamente e destróem indiscriminadamente os habitats de plantas e animais, sendo que as autoridades moçambicanas andam a ver se sensibilizam as pessoas para usar outros meios de preparar os terrenos (quais, é um mistério para mim).

Portanto a novidade é que, por enquanto, a olhar para o que se viu na noite de dia 17 (a imagem foi publicada hoje) Moçambique está a arder e ainda há muito por fazer.

A B de Melo

Mamãe eu quero uma machamba de jetrofa / …

Mangal do Sanculo

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 [Maio de 2008]

A reabilitar?

Beijo-de-mulata

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Aprendizagem de fim-de-semana (Mailane).

Embondeiro bebé

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Socialização: levando os bebés à sombra do embondeiro bebé … Actividades de fim-de-semana (pomar de Mailane)

O Fim da Praia do Wimbe

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Qual The Artist Formerly Known as Prince, mas não como se crisálida, que não será de borboletas o futuro feito. Sim, dentro de pouco poderemos falar sobre The Beach Formerly Known as Wimbe.

Praia ícone em Moçambique, um pouco pela beleza natural, amena enseada olhando a baía de Pemba, mesmo ladeando-lhe a barra. Englobando aquela meia-dúzia de praias mais célebres desde o tempo colonial, talvez não tanto pela sua excelência – que partilham com tantos outros recantos da costa – mas pela antiguidade das suas infraestruturas turísticas: Tofo, Ponta do Ouro, Bilene, Zalala, Fernão Veloso. E o Wimbe, claro.

Ainda assim o Wimbe tem uma excelência única, exactamente o aconchego, a  baía como horizonte, a (ainda) pacatez sob o arvoredo.

Memórias a manter, a guardar, agora que tudo isso mudará. Tive o “privilégio” de ver o novo projecto turístico para a praia, que gente ufana me mostrou, dessas crentes no progresso e isso, desenvolvimento turístico chamam-lhe e até acreditam. Na praia! exactamente na praia, no seio do arvoredo protector (a sul do Nautilus, para quem conhece) vão espetar um hotel, a deslizar para a água.

Este será uma construção da Vovó Donalda e do Tio Patinhas, puro Walt Disney. Tem a forma de um barco, como se paquete. Honestamente julguei que estivessem a brincar quando me mostraram as coloridas fotocópias. “Mas quem é que faz uma merda destas?” – perguntei, malcriadíssimo, ainda surpreeendido pois acreditava já ter visto tudo o que é possível nisto do campeonato do mau-gosto dos arquitectos em Moçambique (a colecção de cromos Sommerschield B – Bairro do Triunfo seria um must como programa cómico num sítio onde se saiba soletrar b-o-m-g-o-s-t-o). “Investidores moçambicanos“, dizem-me com orgulho, até nacionalista, ainda que ali um pouco desapontado dada a minha truculência, “arquitecto indiano … da Índia“.

Um arquitecto indiano aqui arribado para brincar ao Huguinho, Zezinho e Luisinho. Uns investidores moçambicanos a derrubarem o arvoredo protector, a alteraram a enseada, a assumirem a linha de água. Em suma, uma aliança internacional para foder o Wimbe. Será só cupidez e ignorância? Ou é mesmo má-vontade demencial?

Zambeze em Chimuara

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Sim, o “mighty Zambezi” em Chimuara. Sim, eu sei que as águas subiram ali, entrando nas barracas de comércio – as quais continuaram a funcionar, mas isso é outra história … O que eu continuo a não perceber, por mais anos que me passem, é como é que ninguém se lembra de colocar um contentor para o lixo. Não há administração por lá?

As cheias no Zambeze (e o que está para vir?)

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Telefona-me amigo a desmarcar encontro. Chego eu da Zambézia e para lá segue ele, ao encontro das cheias. Que o ocuparão nos próximos tempos - a barragem de Kariba vai aumentar as descargas dentro de muito poucos dias (amanhã?) e espera-se maior afluxo de águas por cá, talvez dentro de uma semana. Se o Zambeze já está como o vi – à vista desarmada tal como 2001, bem pior do que o ano passado, anos de cheias em que por ele andei - temo que venha bem pior agora. Para mais esperam-se agora cheias no norte da Zambézia, o Licungo transbordável [já agora, as minhas memórias das cheias do Zambeze e do Licungo de 2001 estão aqui].

No recato de Maputo alguns, ironizando, ainda encaixam as cheias com as vontades de receber/dar “ajuda”, assim invectivando receptores e doadores – será invisível a água?

No recato do burguês alguns continuam a vituperar os renitentes que não saem das áreas alagadiças. Será invisível o rude devir dos machambeiros?

No centro do país janto com quem muito percebe da terra e do como produzir. Pergunto-lhe a sua opinião sobre estes rumores de que a gestão do “grande rio” e dos seus transbordos procura afastar os camponeses das melhores terras de aluvião. “Nada”, diz. E complementa, dessa para mim sempre suspeita visão maquiavélica da História, “isso é conversa de quem não percebe”. Insiste, na bacia do rio há milhões de hectares “fillet mignon” que não estão explorados. Para instalar o grande capital agrícola não seriam precisos tais maquiavelismos.

Zambeze

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Estão as águas subidas ainda que nestes dias descendo. Mas nelas sempre habita a promessa de mais o serem. Eu estou de regresso ao Zambeze, agora para outras águas, digo-me. (há noites em que à noite temo o abutrismo…)

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Turismo em Moçambique


Recorte do jornal Público, edição de 29 de Dezembro de 2007. Aqui apresentados algumas selecções de destinos turísticos mundiais, realizadas na imprensa internacional. Significativa presença moçambicana. O New York Times coloca o país como o 31º melhor destino turístico; o Guardian elege-o como destino ecológico; o Lonely Planet coloca-o na bluelist, entre os sete melhores destinos, e a National Geographic Traveler coloca Bazaruto como a 56ª melhor ilha. Tudo isto aparenta a hipótese de um incremento da actividade.

Há muito para oferecer. E há muito para melhorar – dos ecos que vou ouvindo, de moçambicanos em particular, o que urge melhorar é a atitude das pequenas autoridades locais. Excessivamente habituadas a pressionar os “vindouros”. E, também, os “industriais” de turismo na presença dos turistas. Pressiona os tais “vindouros” que eles destroem, no boca-a-boca, todas estas boas referências.

Once I had a forest in Africa – Dondo (Novembro 2007).

De súbito, terminado o almoço, um pequeno passeio na propriedade. Num dos cantos uma língua de floresta original, coisa de atravessar em pouco tempo. Tropical, húmida. Assombroso. Mas também devastador, isto de ver e sentir como tudo foi no que é hoje o à nossa volta. Antes dos gafanhotos bípedes.

Incêndios na Gorongosa

E como tenho tendência para a repetição (a idade, a idade), vou ali atrás só para informar os leitores dos jornais de referência portugueses: no ano passado não ardeu 83% da superfície do parque nacional da Gorongosa. Se os fogos e o abate florestal não fossem um drama divertir-me-ia este tipo de borregadas jornalísticas. Assim não tem piada nenhuma. É pura molenguice.

Zambeze nas cheias

Talvez baste olhar para este “Water Resources of Mozambique” (1999), da autoria da Direcção Nacional de Águas e do Instituto da Água (apoiada pela cooperação Portugal-Moçambique), para que os leigos se deitem a prever onde poderão surgir cheias no país. As cíclicas, pão nosso de cada década de quem se sustenta nas terras de aluvião.

Ou as escatológicas, como o foram as narradas com detalhe (e profusão fotográfica, ainda que neste respeitante com material algo repetitivo) neste “Moçambique 2000. As Águas da Morte”, de Jossias Filipe (Moçambique Editora, 2003), trazendo-nos à memória o dia-a-dia desse tétrico episódio do nosso quotidiano, o qual nunca poderíamos ter previsto naquele tão chuvoso 20 de Dezembro de 1999, quando o céu começou a desabar e que J. Filipe recorda, fazendo-nos ressuscitar as sensações de impotência avassaladora que se sucederam.

Saltaram estes livros das estantes a propósito das recentes cheias do Zambeze. Sobre as suas causas tem havido alguma polémica, lançada no Xitizap e ecoada na imprensa. Mas sobre isso nem opino, tão leigo sou (ainda que esteja algo descrente de tamanha malevolência alheia, pois não crendo no Grande Arquitecto do Bem também me custa persignar-me à passagem do Grande PCA do Mal, esse diabo agora sempre tão apregoado).

Do que sei é que cheias houve e, de novo, bastantes refugiados. A esse propósito outro livro sobre cheias em Moçambique se me impôs,

este “Mozambique & The Great Flood of 2000” de Frances Christie & Joseph Hanlon, (Oxford, James Currey, 2001). Menos impressionista do que o livro de J. Filipe este traz-nos também a história das cheias de 2000, com particular ênfase nas formas havidas de organização da acção de emergência que culminaram em que “Local preparation and international solidarity prevented the Mozambique floods of January – March 2000 from becoming a catastrophe. Although 700 people died, 45,000 were rescued. There were no major outbreaks of disease and no serious malnutrition in accommodation centres and isolated locations holding up to 500,000 people who had to flee their homes.” (p. 2). No rescaldo de tamanho desastre, ainda que sublinhando o trabalho positivo de emergência então feito, este livro culmina com recomendações, mais para o Estado moçambicano (então apanhado em contra-mão) e para as agências humanitárias. Vale a pena lembrá-las, vale mesmo a pena lembrá-las:

These floods were the worst in at least 150 years on the Limpopo River and the worst in Mozambique in a long time, because they were widespread, of such a long duration, and involved such large quantities of water. But changing land use patters and global warming suggest that such serious floods may recur sooner in the future. And even if floods this bad return only once in 50 years, it seems likely that serious but less damaging or less widespread floods will occur even more frequently. And Mozambique is prone to drought and cyclones, so other kinds of disasters will also occur.Although the cost of this flood was perhaps 20 per cent of Mozambique’s annual GDP, any kind of disaster and emergency preparation for the future must compete against other development expenditure in one of the world’s poorest countries. Every dollar spent on flood defences is a dollar not spent on education or agricultural extension. Similarly, every day of emergency training is a day in which senior officials are not carrying out their normal tasks. Nor are people going to move to less productive land just to avoid another flood that may not come in their lifetime. So the actions which Mozambique can take are clearly circumscribed by its poverty.

At the same time, Mozambique cannot depend on this level of international support, which was driven by very special conditions: the location of the flood, Mozambique’s being fashionable with donors, and nothing else going on the world. During a new Middle East War when Mozambique is no longer the donor darling, a flood on the Zambeze River would still generate support, but not on the same scale. How, then, is Mozambique to be better prepared and less dependent?

Mozambique needs to improve its own disaster preparedness and mitigation systems. At a local level, major new construction is too costly. But evacuation routes and refugees need to be clearly marked. That must be linked to a better and clearer warning system. Such a system must give people sufficient warning to prepare. But it must also sound the alarm in such a way that people can safely wait until the very last minute before fleeing.

At national level, the need is for a more effective and flexible coordination system that has credibility and support from ministers and national directors. The Mozambican reality is that system cannot be the international textbook emergency commission which takes over in the event of a crisis; instead it must be a system that empowers existing senior officials such as governors to take the correct actions in an emergency. But it does requires that at every level – ministry, province, district, and municipality – there is a identified person who is the emergency contact person, and it must be a person who is senior enough to have direct access to the decision maker – minister, governor, district administrator or municipal president. It also requires the incorporation of new communicational systems, particularly the e-mail and mobile telephones that played such a key role in this flood. At local level, President Joaquim Chissano’s suggestion that primary school teachers be used as flood wardens seems particularly relevant.

In parallel with a more effective Mozambican disaster administration can the international community be convinced to listen more and relinquish more control to Mozambican officials?” (pp. 151-2)

Vale a pena lembrar, vale também a pena afirmar que as cheias de 2007, ainda que de menor dimensão das de 2000, encontraram uma organização bem mais ágil e competente no que respeitou à ajuda de emergência. Na sua preparação, na sua coordenação, na sua atribuição. Um serviço do Estado, o INGC, esteve muito à altura das necessidades. E, entre outras organizações, a Cruz Vermelha de Moçambique demonstrou uma grande capacidade de actuação. A louvar.

Há semanas li no jornal Domingo um panegírico às organizações nacionais envolvidas nas operações de emergência, de alerta e de ajuda subsequente. A subscrever o elogio, ainda que a retórica em causa desgoste (o patrioteirismo sempre me arrepia, seja la no meu pais, seja alheio). Duas coisas me chamaram a atenção, a afirmação de que ninguém morreu nestas cheias. Não é isso verdade, morreu pouca gente, fruto das campanhas de aviso ao longo do rio, mas ainda assim alguns morrerem (“Morreu alguém na vossa povoação?”, perguntava alguém em Mopeia, “Sim, duas mulheres e uma criança”, “Levados pela água?”, “não, estavam na água e foram comidos pelos crocodilos…”, é um mero exemplo probatório). Não o refiro como qualquer homenagem, ninguém merece ser homenageado pelo simples facto de morrer. Não para honrar qualquer memória, como o poderei fazer se desconheço pessoas e factos? Lembro as algumas mortes para melhor homenagear instituições e organizações que tão bem trabalharam para minorar o desastre, e que não merecem exageros que lhes minorem o mérito, apenas o instrumentalizem.

Finalmente dizia a tal coluna que toda esta acção se devia a “alguns renitentes” que se recusavam a sair das zonas inundáveis. “Renitentes”, palavra de semântica carregada, pejorativa. Menosprezando esses renitentes, paupérrimos agricultores pescadores que estão renitentes em abandonar as águas do peixe e as terras do aluvião. Que estão renitentes em trocá-las pelas pobres terras (mais) altas. Que estão renitentes em deixar as famílias nessas terras (mais) altas e irem viver nas machambas antigas, a horas de distância, para poderem produzir o pouco do seu dia-a-dia, do quinhão a quinhão. Voltando semana a semana, em curtas visitas aos filhos deixados à guarda dos irmãos mais velhos (e assim retirados das machambas) ou com os velhos avós, se estes já entrevados.

Ao ler esse “renitentes” lá se encontra o eco de tanta incompreensão da realidade, tanto desprezo pelo povo. E, ainda que hoje, tantos renitentes conversos, continua a espantar-me tamanho desprezo pelas gentes vindo de gente que se formou e o apregoa nesses livros de Marx, que neles burilou a sede de poder. Um (nao)espanto deste estrangeiro ateu, sem lerias de “amor ao proximo”, leitor de Celine face a esses leitores de Marx. Se calhar afinal pouco celiniano, se calhar eles nada marxistas.

Então estes são os alguns renitentes, estas as suas “algumas caras”. É deles o Zambeze e os Zambezes do mundo. Convem olhar. Ou ha alguma renitencia nisso?

(miudo em Charre)

(mulher em Charre)

(Mopeia)

(chefe de campo em Mopeia e seus adjuntos)

(Mopeia?)

(Chupanga)

(Charre)

(Chupanga)

(o grupo de Mama Amanda, Chupanga)

(pescador em Chupanga)

(putos, Mopeia)

(velha, Mopeia-sede)

(Sena, grupo de responsaveis)

(Chupanga?)

(a capulana de Raul Domingos)

(Mopeia, fotografia dedicada a Machado da Graca)

(interprete da associacao das igrejas cristas, Chupanga)

Estavam aqui.

E quando saírem muitos deles vão aceitar o reassentamento em zonas altas. Porque “estão cansados de sofrer”. Renitentes ao sofrimento. Um abraço.

Preservação

(Tchuma Tchato. Fotografia de Fernando Costa)

Há dias que se ouve isto sobre a explosão do paiol de Malhazine. (via Diario de Um Sociologo).

Passo em frente: dois meses complicados – umas cheias de causalidade muito problematica, um litoral maputense inundado após vários (e até já antigos, e até já ma-schambados) avisos nesse sentido, um paiol re-rebentando.

Enormes desafios à gestão do social. Entenda-se, enormes desafios também técnicos. Não tecnocráticos, mas também técnicos. As técnicas são plurais, chocam com plurais interesses, efectivam-se sob plurais opções. A competência técnica é factor de ordem. Plural. A ordem é plural.

A razão é plural. É razões.

O Milho Na Terra das Cheias.

(Do Zero a Morrumbala. Marco 2007)

Mutarara nas cheias

(Zambeze, visto de Mutarara. Marco 2007)

Sobre as cheias do Zambeze e inevitavel ler o Xitizap #31.

Já há 285 000 desalojados.

Abate generalizado de árvores

Por todo o lado, disse-o eu, observando à vista desarmada a razia florestal que ocorre em Moçambique. Carlos Serra deixa-nos pistas para seguirmos trabalho da BBC sobre a hecatombe em curso. O último Savana (jornal obviamente decadente, pois não só desprovido de parque gráfico como do hoje corriqueiro acesso informático) denuncia a pilhagem via reportagem “Take Away Chinês”. Haverá alguma árvore de pé antes de se tomarem efectivas medidas? Há alguns anos diziam-me no Niassa que a fronteira Malawi-Moçambique era visível de avião, seguia a linha das árvores, lá sim, aqui não. Ou seja, sendo optimista, é possível evitar o drama, basta olhar o (pobre) vizinho.(a questão ecológica é interessante se vista através do bloguismo em português. Fundamentalmente ou está presente em blogs dedicados (de causa) ou é ridicularizada em blogs liberalhos, gente tão vácua, imbecil e mal-educada – não no sentido de urbanidade, sim no sentido de educação intelectual, saber e emoção. Nos liberalhos reina a arreigada crença que a empresa humana, desde que liberta dos constrangimentos irracionais provenientes do anti-indivíduo Estado, é virtuosa. Como tal é ontologicamente impossível a decadência natural por via da empresa humana, quanto muito será aparente, episódica. Nisto tudo de somenos importância, mas surpreendente, é a atenção e o tempo dispendido por tanta gente isenta de atracção por Testemunhas de Jeová ou esquerdalhos, em ler a tralha liberal caviar que pulula no Atlântico em português.)

Carvão Vegetal

Por todo o lado …

antes abordei esta insuportavel realidade: a globalização das práticas culturais afrikaans, aka, a condução na areia. A maioria dos praticantes são dessa etnia, mas por razões socioeconomicas, pois a adesão à condução nas praias expande-se mais lesta do que a leitura dos evangelhos e do corão. Atente-se, os carros são levados para a praia não para desvendar selvagens destinos nem para transportar os barcos de recreio, mas apenas para evitar transportar os colemans (e suas bebidas espirituosas) aqueles vinte ou cinquenta metros.A utilização de veículos motorizados nas praias é proibida em Moçambique (tal como o é na África do Sul – aliás, aquando das minhas observações participantes junto daquela etnia alguns desses nativos me informaram-me que um dos atractivos da costa mocambicana para os turistas sul-africanos é a facilidade de utilização dos carros nos areais). As autoridades vão fazendo algum controle (quando fazem), mas debatem-se sempre com falta de recursos, humanos e de transporte. Por que não confiscar os carros encontrados bronzeando-se à beira-mar? Sempre seriam dois (Xn) coelhos de uma cajadada.

Inhassoro, manhã solarenga, Dezembro de 2006…

Ei-los

É aqui mesmo …

molhando os pés …


o cabo-de-mar

Ok, lá terá que ser … (We Shall return?)

Continuemos: Inhassoro, manhã solarenga, Dezembro de 2006…

Mas … logo de seguida, e mais lestos do que o disparo do turista …

Se do mar vem a força contra o que os homens fizeram cidade, do campo vêm os homens que farão cidade.