Archive for the ‘Desporto’ Category

A Trompa Escatológica

Sexta-feira, Setembro 3rd, 2010

Contra a trompa do apocalipse em tempos resmunguei – logo fui acusado de vil e odioso português (com matizes de colono, acho). Agora reconforto-me com o anúncio de que a UEFA proibiu a utilização do corno-do-mal nos estádios europeus – era esse mesmo o meu propósito. E quão raro é isso de ver os propósitos próprios tornados alheios.

Afinal o mundo não vai acabar! [E alguns problemas identitários continuarão a ser vividos, aleluia].

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CONTROLO ANTI-DOPING

Quarta-feira, Setembro 1st, 2010

Kornelia Ender a sair da piscina

por ABM (1 de Setembro de 2010)

Um dos mistérios em redor dos eventos na Covilhã aquando da deslocacão da equipa de controlo anti-doping para atestar da condição da selecção nacional de futebol é que se sabe que o controlo foi feito.

E que o seleccionador, Carlos Queiroz, terá constestado as circunstâncias ou a perturbação causada pela referida visita.

Alguns dos exmos leitores e calhar não sabem do que se está a falar. Afinal, recolher umas amostras de urina não parece ser complicado à partida.

Talvez sim, talvez não.

Vou explicar.

Nos meus tempos de desportista de competição, há uns séculos atrás, apesar de agora se saber que havia em abundância aquilo que hoje se considera doping em quantidades apreciáveis – até na natação, o desporto que eu praticava – não havia nem organismos nem protocolos para o seu controlo a nível nacional. E mesmo a nível interncaional, era extremamente raro.

A piscina fica na estrutura situada em baixo à esquerda do estádio olímpico de Montréâl

A única vez que fui sujeito a um controlo anti-doping foi no verão de 1976, durante os jogos olímpicos de Montréal. Eu tinha 16 anos e, com quatro colegas, representava a natação portuguesa de então.

O que aconteceu foi que, de manhã disputavam-se as provas eliminatórias, e à tarde às provas finais.

Numa das eliminatórias, de manhã, logo após uma prova, apareceu um tipo à borda da piscina mal eu acabara de nadar, e mandou-me acompanhá-lo.

Pelo caminho, informou-se que eu seria sujeito a um controlo anti-doping.

Eu nem sabia do que ele estava a falar mas segui-o.

Levou-me para uma sala espaçosa e sem janelas, onde havia umas cadeiras e uma televisão a transmitir as provas na piscina ali ao lado, e fechou-me lá.

Indicou-me que o procedimento era que eu teria que urinar para uma pipeta em frente a ele e depois podia ir-me juntar de novo ao resto da equipa.

Dali a uns minutos, para minha surpresa, acompanhada por uma mulher, entrou na mesma sala a nadadora alemã-oriental Kornelia Ender (a menina na foto acima).

Eu sabia quem era Kornelia Ender pois vira fotos dela e lembro-me de a minha irmã Cló, que nadara também, falara sobre ela mais que uma vez. Era na altura uma legenda da natação mundial, com recordes mundiais batidos e parte daquela geração de atletas de craveira mundial que a RDA usava e abusava para puxar o lustre na podridão que era o seu regime. Posteriormente se comprovou que, como vários outros atletas, Kornelia Ender se dopou até dizer chega.

Mas na altura isso eram só rumores. Em parte por constatação visual simples. Ao pé das outras nadadoras, as atletas da RDA eram umas bestas humanas. Ao pé dos homens elas pareciam ser umas bestas.

E ali estávamos os dois, sentados, de fato de banho e toalha, sózinhos e vigiados pelos dois funcionários através de um vidro (eles estavam numa sala contígua).

Falámos pouco. O inglês dela era uma desgraça e eu não falava uma palavra de alemão.

Obviamente, ambos sofríamos do mesmo pequeno problema: antes de nadar nas provas, um dos rituais normais é ir ao quarto de banho e fazer-se chi-chi. Ora, tendo acabado as provas há minutos, não havia nada na bexiga para espremer para a pipeta que os diligentes funcionários tinham na mão à espera para fazer o seu trabalho.

Mas sem chi-chi na pipeta, não se saía dali.

Não que isso fosse um problema. Se fosse preciso ficávamos lá fechados o dia inteiro.

Para ajudar, os senhores da brigada anti-doping tinham disponibilizado um frigorífico cheio de águas, sumos e até cerveja.

Levou-me umas três horas para que a minha bexiga produzisse algo que se assemelhasse com a quantidade mínima para encher a pipeta. A Kornelia tinha o mesmo problema.

Mas quando fiz o sinal ao jovem para avançarmos com a colheita, ele explicou-me que eu teria que fazer o chi-chi directamente em frente a ele, eu de pé com a pipeta, e ele sentado à minha frente a olhar para a piloca.

Bem, eu não sei quantos exmos Leitores já passaram por uma destas, mas no momento crucial tive um bloqueio mental e passou-me a vontade de urinar (que para começar já era ténue).

Voltei para a sala, onde ainda estava a Kornelia e onde, já algo farto daquilo tudo, emborquei mais um sumo de laranja.

Passou mais uma hora, e finalmente, depois de um esforço hercúleo, lá enchi a pipeta, o fulano a olhar atentamente para o jorrozinho amarelo a encher a sua pipeta.

E me deixaram ir embora.

Nunca mais me disseram nada. Na vida, só vi a Kornelia Ender mais uma vez, um ano depois, quando ela veio com o Roland Mathes (campeão da RDA e mais tarde seu marido durante alguns anos) a Portugal inaugurar a piscina do SFUAP em Almada. Sendo Almada na altura uma espécie de reduto comunista no Novo Portugal, a inauguração foi uma daquelas festas com bandeiras vermelhas do PC, o hino da internacional comunista, montes de comida e, claro, a presença dos expoentes da RDA, o país socialista irmão da Cova da Piedade. Tanto Ender como Mathes estavam ambos fora de forma, mas deu para abrilhantar a festa.

Na altura, ela não me reconheceu e eu respirei de alívio por assim ser.

Voltando à questão do episódio do controlo anti-doping na Covilhã.

Se a equipa de controlo anti-doping aparecesse no começo de um treino, é de esperar que os meninos tivessem feito previamente os seus mundanos chi-chis antes de começar. Se lhes fizessem o que foi feito a mim em 1976, então não haveria treino.

Mas não sei. Ninguém explicou ainda.


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O LINCHAMENTO DE CARLOS QUEIROZ

Quarta-feira, Setembro 1st, 2010

por ABM (1 de Setembro de 2010)

Não entendo muito de futebol.

Mas não creio ser preciso ser especialista no assunto para apreender que o que se está a passar estes dias com o actual seleccionador do futebol português.

Do pouco a que assisti nalguns programas sobre o assunto (que em Portugal abundam ad nauseam) o que ainda não se sabe nalgum detalhe é o que foi que se passou exactamente.

Aparentemente, no decurso de um exercício comum de despistagem de substâncias ilegais nos corpos dos jogadores da selecção nacional de futebol, então em estágio na cidadezinha da Covilhã, antes do campeonato mundial de futebol, terá havido alguma altercação entre o seleccionador e o chefe da equipa encarregada de efectuar a despistagem.

Tudo indica que a despistagem se efectuou.

O assunto terá então ficado por ali, até que, várias semanas depois, ele surge na imprensa, um pouco como um coelho puxado de uma cartola, num contexto em que, a vários níveis (a FPF, o braço governamental no desporto, a tal da equipa de anti-doping) subitamente o comportamento do seleccionador surge como matéria de análise e susceptível de o afastar, apesar dos termos normais de uma rescisão contratual que atribuem-lhe um valor condicente com o valor presente do seu contributo para o período remanescente do seu contrato.

A percepção geral foi que a FPF procurava uma desculpa para despedir o seleccionador sem lhe pagar uma indemnização.

Após uma semana e pouco de especulações, a montanha pariu um rato: a “penalização” amontava a um mês de suspensão, que, erradamente a meio ver, Queiroz escolheu não contestar.

No entretanto, ao dar uma daquelas entrevistas da treta do futebol, Queroz aponta o dedo a um desses vice-presidentezecos que há pelo menos dez anos se esquecera de ir embora, e que pelos vistos nunca gostou dele. Este ofende-se e instaura-lhe um processo disciplinar – agora em curso.

Para variar, e em mais uma revelação dos bizantinos mecanismos do desporto português, o tal organismo do anti-doping, insatisfeito com a bofetada da FPF, arroga-se o direito de julgar em casa própria o assunto, e impõe, por unaninmidade, uma sanção se seis meses a Queiroz, pelo mesmíssimo caso já julgado pela FPF.

Apercebemo-nos, entretanto, que a lei desportiva portuguesa vive num mundo próprio, aparte do sistema legal português, com regras e protocolos próprios.

Convém recordar que Carlos Queiroz não é um tipo qualquer. Que eu saiba é uma pessoa decente, capaz e com provas dadas naquilo que faz.

É por demais óbvio que há gente que não o quer como seleccionador, que não gosta dele e que quase tudo fará para retirar das suas mãos a responsabilidade que até este momento é contratualmente sua.

Nem que, para tal, causem sério dano ao trabalho da selecção nacional de futebol.

Mas o que me parece é que, à falta de melhor informação, ao que se está a assistir neste momento é a uma perseguição pessoal qualquer sem mérito e sem justificação.

A uma tentativa reles de linchamento de Carlos Queiroz.

Carlos Queiroz merece, e nós todos, melhor do que isto.


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Última contratação do Sporting

Terça-feira, Agosto 24th, 2010

Este é que era bem-vindo. Internacional AA.

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A ENTREVISTA

Domingo, Agosto 22nd, 2010

por ABM (21 de Agosto de 2010)

Confirmada a segunda derrota consecutiva do Sport Lisboa & Benfica no campeonato nacional de futebol português, e na face do cada vez mais complexo xadrez político nacional, o Maschamba captou mais uma gravação ilegal, esta em vídeo, de um encontro secreto de José Sócrates.

Contactado telefonicamente, o nosso comentador futebolístico, George Ribéro, na sua residência de férias em Pénis (ao pé de Óbides), ele sugeriu que o problema das águias encarnadas poderá estar localizado na baliza e sugere que, como complemento àquele senhor hespanhol que supostamente a defende, que o Benfica deveria talvez pedir à Federação Portuguesa de Futebol, autorização para, em vez de colocar a rede da baliza atrás, que lhes seja permitido colocar a rede à frente. E concluiu a sua breve análise com um comentário mistificante. Disse: “volta Quim, estás perdoado”.

Bom fim de semana.


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Sporting Clube de Portugal, “estado da arte”

Sexta-feira, Agosto 20th, 2010

(e não é um jogador de futebol. Nem vários)

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Carlos Queiroz condenado

Quinta-feira, Agosto 19th, 2010

O seleccionador português de futebol sénior ter-se-à irritado com o horário matutino dos testes de anti-doping que iam fazer aos seus seleccionados e mandou o funcionário público responsável por tais necessários serviços para determinado sítio. Falou como os homens portugueses falam entre si, que a recorrência do “palavrão” é praticamente universal, variando fundamentalmente a entoação [ao meu pai ouvi alguns irados "patifes" e "malandros", o seu cume, que eram bem mais peludos do que o até cinéfilo "motherfucker" queiroziano] – ela sim, verdadeiramente significante. Mas, face ao actual ambiente moral (aka, político) português, insultar um responsável dos serviços públicos (ainda que indirectamente – o homem estava ausente) implica uma condenação: suspensão do trabalho (que é um direito, diga-se) e uma multa.

Lembro que por mais importante (e digno) que seja o posto de responsável pelos serviços públicos da luta contra a droga desportiva não é mais importante do que o de um deputado da república (ou será preciso ir ver a lista das precedências no protocolo de Estado?). Ora o cidadão José Socrates rematou há pouco para o deputado Louçã (sim, este credor de algumas “bocas”, concedo) um qualquer “mansa é a tua tia”. Em plena assembleia, diga-se. Quantos dias levou? Quantos euros? Ou isso – os insultos aos eleitos do povo, e na sua presença para mais – não interessa ao antigo presidente da Associação Desportiva de Fafe, elevado a secretário de estado dos desportos (ou seja, que deles emana, depende)? Uma Lily Allen para os laurentinos, sff.

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Coração

Domingo, Agosto 15th, 2010

Pode-se gostar ou não do Bibliotecário de Babel. Mas há momentos em que é indiscutível que José Mário Silva ascende ao génio. Como aqui.

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Vuvuzelas proibidas em França

Sexta-feira, Agosto 13th, 2010

Notícia de hoje mesmo. As vuvuzelas foram proibidas no futebol francês. Não posso deixar de lamentar essa barreira a esse simpático instrumento, criação moçambicana – contrariamente ao apregoado por recentes mitos apropriadores. Como está provado no logotipo acima mostrado, o do popular (e até institucional) restaurante maputense “Piripiri”.

[Imagem obtida aqui.]

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VAIPRAKONADATUATIAMEUKABRÃO

Quarta-feira, Agosto 11th, 2010

Carlos Queiroz e Eusébio da Silva Pereira

por George Ribéro, título e edição por ABM (11 de Agosto de 2010)

Definitivamente, Carlos Queiroz e a Federação Portuguesa de Futebol não se têm dado bem.

Penso que será tudo uma questão de mentalidades.

Recapitulemos um pouco.

Em 1989 e 1991, Portugal foi campeão do Mundo de Juniores (Sub-20) ao vencer na primeira final, na Arábia Saudita, a Nigéria por 2-0, tendo em 1991, em Lisboa, vencido o Brasil nas grandes penalidades.

Em ambos os Mundiais, o treinador de Portugal foi Carlos Queiroz.

Ficou então provado que Carlos Queiroz era excelente a formar jovens jogadores de craveira mundial.

Mas muitos torceram o nariz quando Queiroz foi o eleito para treinar a equipa principal de Portugal. Afinal, ia lidar com adultos. Portugal perdeu com a Itália e não foi apurado para o Mundial 94 nos EUA. Na altura, Queiroz disse em alto e bom som que a FPF precisava de uma vassourada para tirar de lá os podres do futebol Português.

Logo a seguir, e até 1996, treinou o Sporting Clube de Portugal, tendo ganho uma Taça de Portugal.

Partiu depois para o estrangeiro, onde treinou várias equipas, como a selecção dos EUA em 1997, os Emiratos Árabes Unidos em 1998, a selecção da África do Sul de 2000 a 2002, tendo apurado a selecção africana para o Mundial 2002, e equipas como o Nagoya do Japão, os MetroStars dos EUA e, finalmente, como adjunto de Sir Ferguson no Manchester United, com um intervalo de um ano para treinar o Real Madrid, em 2003.

Ou seja, experiência “adulta” não lhe falta, sendo sobejamente conhecido e respeitado a nível mundial.

Estava Queiroz tão bem em Manchester, quando em 2008 aceita o convite para treinar a selecção nacional, para mim um desafio enorme, não pelo valor dos jogadores portugueses, mas pelos tais podres que ainda existem na Federação Portuguesa de Futebol. Cá para nós, os tugas só gostam de complicar e gostam de se pôr em bicos de pés quando a coisa corre bem e assobiar para o ar quando acontece … borrada. Lembram-se de Saltillo e Coreia? Pois…

A ideia inicial era apurar Portugal para o Mundial de 2010 na África do Sul e Queiroz fez a vontade. Pelo meio, aconteceram coisas estranhas, como a lesão de Nani, que viajou para a África do Sul e depois regressou a Portugal. Uma escassa semana depois, já estava fino e pronto para outra. Estranho. Mas quem sou eu para duvidar da lesão do jogador, penso que no ombro?

Obscuro para quase todos nós na altura, emerge há dias que, durante o estágio na Covilhã, uns senhores do CNAD – Concelho Nacional Anti Dopagem, decidiram fazer umas análises a alguns jogadores portugueses. Os relatos indicam que Carlos Queiroz não ficou agradado com a visita desses senhores. Afinal, estavam em pleno estágio e a concentração é muito importante. Por sua vez, o CNAD tem o direito e dever de fazer o seu trabalho para prevenir possíveis escândalos durante o Mundial. Então, ao que tudo indica, Carlos Queiroz terá dito algo como “Vai mas é fazer análises para a c… da tua mãe”, uma linguagem escandalosa enquanto cabeçalho de jornal, mas, para quem acompanha o futebol, perfeitamente normal no quotidiano do mundo futebolístico.

Penso que a FPF, sentindo os ventos internos, e mortinha por despedir o treinador (sem pagar) decidiu abrir um inquérito aos acontecimentos, entretanto relatados pelos profissionais do CNAD, cuja versão foi a divulgada. Assim, caso Queiroz fosse considerado culpado, por conduta imprópria, não haveria lugar a uma indemnização que se diz rondar os 3.5 milhões de euros.

Muita massa.

Queiroz, moçambicano de Nampula (o Super Macua) não é propriamente mentecapto e contra atacou com testemunhas de peso como, entre outros, Pinto da Costa, Alex Ferguson, Figo e Filipe Vieira. Já estou a ver o Figo a dizer quantas vezes já lhe chamaram filho da puta, cabrão e outras coisas piores, mesmo entre colegas. Seria bonito afinar cada vez que lhe chamavam um desses nomes mais “floridos” por falhar um penalty ou um passe.

Moral da história: Quem está ligado ao futebol sabe que todo o impropério que vai de filho da puta para baixo, não é verdadeiro, não há comunicação.

Tentar afastar o Queiroz com uma desculpa dessas é no mínimo ridículo. É querer maliciosamente envenenar a imagem do homem e tentar escapar de pagar o que contratualmente lhe é devido.

Queiroz pode não ser um Mourinho. Há quem diga que é melhor como director técnico que como treinador de campo e aí posso até concordar mas, caramba, o homem apurou Portugal para o Mundial 2010, apurou a África do Sul para o Mundial de 2002, deu DOIS títulos mundiais a Portugal (Sub-20), treinou grandes equipas e afinal, não presta para Portugal?

Mostrem-me lá esse caixote do lixo.

Vamos ver no que dá este inquérito. Mas cá para mim, Queiroz na selecção, só por birra ou para obrigar a Federação a pagar a tal pipa de massa. Esse dinheiro até dá para comprar uma ilha em Moçambique (em concessão devidamente autorizada, entenda-se), porque não?

Uma coisa é certa: Carlos Queiroz não ficará desempregado por muito tempo.

Pergunto: Se Portugal tem ido mais longe no Mundial da África do Sul, estaríamos nós agora a assistir a esta patética novela ou estariam a esta hora os senhores do CNAD a fazer análises … noutro “sitio” qualquer?


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O Ataque da ZON na África Austral

Sexta-feira, Agosto 6th, 2010

Esta fotografia foi tirada nas instalações do Núcleo Sportinguista de Moçambique alguns minutos antes do Sporting-FC Nordsjaelland (5.8.2010) e retrata, para além do afamado leão (ao qual um popular que se associou ao evento surge a tirar a febre), alguns prestigiados sportinguistas de Maputo, cabeças de quatro mui louváveis instituições de cariz cultural e comensal. Mas a fotografia é também testemunha de um relevante acontecimento económico: ao que tudo indica o referido Núcleo, por via das artes e saberes dos seus membros, acolheu a primeira retransmisão em todo o território nacional através de descodificador da ZON, empresa que em Moçambique será conhecida, tal como em Angola, como ZAP.

Em traços lineares o que se trata é da chegada à África Austral da guerra que tem sido travada em Portugal entre a MEO (PT) e a ZON. Tendo esta última garantido os direitos de transmissão dos jogos de futebol do campeonato português (agora conhecida por Liga Zon Sagres) tal significa que em todo o Moçambique para assistir aos jogos portugueses será necessário aderir ao seu serviço (ZAP), adquirindo descodificador e serviço – tal com em Angola, Suazilândia ou África do Sul. Na prática para as famílias interessadas (ou aquelas onde haja interessados) isto significará transitar da TVCabo (Grupo Visabeira) ou da DSTV para o novo operador que agora se vem instalar. Ao que consta os primeiros descodificadores estarão disponíveis em Moçambique em princípios de Setembro. Esta mudança, abrupta, ainda não tem sido comentada na praça pública e julgo que causará, nos primeiros meses, algum “frisson”.

De qualquer forma, e como sempre (com ocasionais excepções no respeitante ao futebol), o Sporting esteve à frente.

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O Império Romano e o Campeonato Mundial de Futebol

Quarta-feira, Agosto 4th, 2010

Agora que o ABM regressou, em rescaldo ao Mundial de futebol sinto-me legitimado para mais uma entrada sobre o assunto, que tinha ficado para trás. Sobre as relações entre o Império Romano e o campeonato mundial de futebol. Permanências históricas que me surgiram quando, chegado a Lisboa, encontrei no jornal “A Bola” uma fotografia mostrando Juan Carlos Bourbón, rei de Espanha, saudando Vicente Del Bosque, centurião, perdão, seleccionador espanhol. E não resisti a recortá-la, pois logo me lembrei de Julius Cesar, primeiro imperador* de Roma, aquando das suas campanhas de pacificação na Hispânia.

 

* O leitor Lowlander, aqui comentador residente, lembra-me (nos comentários), e com toda a razão, que Júlio César nunca chegou a ser imperador em Roma. Na caixa de comentários estão algumas ligações sobre a matéria, comprovando que assim é no sentido que hoje damos à palavra (posto). Corrijo o texto chamando-lhe o primeiro (e último) proto-imperador de Roma.

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RESCALDO DO MUNDIAL E ANTEVISÃO DE 2014

Quarta-feira, Agosto 4th, 2010

por George Ribéro, editado por ABM (4 de Agosto de 2010)

Atrasadamente, um texto de George Ribéro sobre o rescaldo do Mundial de Futebol e alguns resquícios do que ali aconteceu.

Segue-se o texto.

O Mundial 2010 já acabou, mas sobra sempre algumas coisas dignas de registo, senão vejamos:

A Espanha é campeã do Mundo mas nada que o polvo Paul não soubesse desde o início. Agora, a Espanha quer comprar o Paul a todo o custo, porque acha que é um novo símbolo de Espanha. Um dos grandes símbolos do Real Madrid, o avançado Raul, vai jogar para o Schalke 04 da Alemanha,. Será que vai aproveitar para visitar o polvo Paul e agradecer a confiança depositada na equipa espanhuela?

A Alemanha, danada porque foi eliminada precisamente pelos espanhuelos, não quer sequer ouvir falar de tal possível venda. Os espanhóis levam a taça mas não levam o Paul. Ah, como os compreendo.

Por falar em taça, lembro a piada que por aí corre segundo a qual o Acordo de Tordesilhas, assinado em 1494, diz que tudo o que for conquistado pela Espanha a leste do meridiano de 46 graus, é de facto propriedade de Portugal. Assim, caso a Espanha honre a sua palavra e acordos, ficam os portugueses a aguardar o envio da Taça por FedEx ou DHL para Portugal.

O Maradona voltou para a Argentina com umas trombas de todo tamanho. Pois, se calhar fumou alguma coisa a mais e chocou contra um elefante, ainda em terras africanas, levando a tromba do pobre elefante que agora deve andar por lá, sem ela. Se calhar há outros elefantes também sem a tromba. O que a Federação Argentina de Futebol veio primeiro dizer é que queria o Maradona por mais quatro anos. Achei muito bem porque ele é sem dúvida uma figura simpática, um símbolo da Argentina e uma referência para o futebol mundial. Só não descobrira se a Federação o queria para treinador ou para outra função. Depois se viu que não o queria para nada mas não sabia como desatar o laço. Maradona foi visto à uns dias atrás a visitar o Hugo Chaves e aproveitou para enviar um abraço ao seu bom amigo Fidel ali ao lado em Cuba. No fim, o esquema para o colocar fora como treinador da Argentina foi cortar nos adjuntos. Pois parece que com menos de 45 adjuntos, ele não ficava com o lugar.

O craque alemão Ballack, que esteve em África mas não foi convocado por estar lesionado, vai deixar a equipa inglesa do Chelsea e voltar às origens, o Bayer de Leverkusen. Vai levar muita experiência para aquela equipa e ensinar como se dá uma valente cacetada bem disfarçada (pensa ele). De qualquer maneira, tem já 33 anos de idade e está hora de outras correrias.

Mesmo sendo o finalista derrotado, a selecção da Holanda foi bem recebida pelo seu povo. Parece que o consumo de algumas ervas subiu em flecha, coisa normal ou pelo menos aceite naqueles lados (e outros, mais perto das capitais Cêpêélepê). De qualquer maneira, é de louvar o agradecimento dos holandeses, pois afinal os jogadores laranjas deram tudo para dignificar o País das tulipas. É outra mentalidade.

O Francês de descendência africana (para não variar) Thierry Henry não vai mais jogar pelo seu País. Aliás, nem vai jogar mais pelas baguettes, nem vai jogar mais pelo Barcelona. Ficou muito afectado pelo facto de todos terem visto a mãozinha marota no golo contra os irlandeses e agora vai jogar pelos Red Bulls de New York. Sim, vai jogar em terras do Tio Sam, mais precisamente por uma equipa de futebol de Nova Iorque que tem nome de equipa de basquetebol. Acho que já lhe avisaram que por lá, também não se joga futebol com as mãos, isso é só para o basebol e o basquetebol. A não ser que apareça pela frente alguma equipa equipada com as cores da Irlanda. Naquelas paragens isso é bem possível e já está avisado que a comunidade de ascendência irlandesa, que é numerosa naquela cidade, não o vai deixar em paz um minuto que seja. Aliás, já há apostas em como o primeiro golo do Henry será com a mão.

Já que estamos com franceses, uma comissão quis ouvir o que na verdade se passou com os jogadores franceses durante o Mundial. Até Sarkozy se meteu na conversa, mas afinal parece que aprenderam umas coisas com os tugas, pois ficou tudo em águas de bacalhau. A saída do treinador francês não conta pois ele já tinha saído ou já estava de malas feitas ainda o mundial não tinha acabado.

Numa reviravolta inesperada, Cristiano Ronaldo já é pai. Parabéns. Segundo se consta e ao contrário de certas bocas, o rebento “afenal” terá sido feito pela via tradicional (coitus profundos repetidus) quando o jogador esteve de visita aos EUA no verão passado. Uma tal Neireda, antiga namorada do CR, assegurou há dias atrás que com ela, ao contrário das suas prestações pela equipa das quinas, o Ronaldo sempre cumpriu. Prontes, a gente na tem que duvidar, né?

Agora vai deixar o menino com a família e vai trabalhar para Madrid, coitado. Vida de emigrante é assim, muito dura mas sempre vai ganhando uns cobres. Os tempos que correm são muito difíceis e há que nos sujeitarmos.

O Sporting venceu no fim de semana passado o torneio nos EUA e praticou um futebol que já não se via há bastantes anos pelos lados de Alvalade. Foram dois excelentes jogos, com equipas inglesas (Manchester City – vitória e Tottenham – empate). Este ano promete, agora que se viu livre de uma maçã podre de nome João Moutinho, agora a vestir a camisola dos dragões. E andou um pai (Sporting) a criar um filho (Moutinho) para isto…

Algures em Portugal, para não desfazer a novidade, já alguém colocou num aquário um polvo no meio de dois pequenos tanques, um com a bandeira do Benfica e outro com a bandeira do Porto. Dizem que o polvo escolheu o do Benfica para campeão nacional de 2011 mas eu não acho que esteja correcto. Afinal este polvo não é o Paul, é um polvo da Costa da Caparica e como todos sabem, 95% dos seus habitantes são benfiquistas, enquanto que outros 95% torcem pelo Brasil, váleu galera?

Assim, o polvo tuga, com medo de ir parar a uma deliciosa salada de … polvo, escolheu o Benfica. Pudera, chama-se a isto, puro instinto de sobrevivência e sendo assim, não podemos levar a mal. Então e o Sporting? Não, definitivamente, este polvo não é sequer familia do Paul.
Nunca mais soubemos nada dos nossos amigos norte coreanos. Será que já chegaram ao seu País? Não parece que tenham regressado de barco … a remos.

Quanto à Silly Season, como dizem os Americanos no que toca a transferências no início de cada época, parece que está tudo à espera do mês de Agosto. Sabemos que o Gutti, também do Real Madrid (e cá para nós, não penso que seja um grande jogador) vai jogar para o Besiktas da Turquia e ao que tudo indica o portista Bruno Alves vai deixar a Foz do Porto e praias vizinhas, e vai para o Zenit da Rússia. Ele que gosta tanto de praia, lá sabe … quanto vai ganhar. Falta o Raul Meireles e o Fábio Coentrao para não falar de alguns meninos que juram que não querem sair mas que se não saírem, armam uma guerra. Estou a falar do Fucile, do Veloso e do Cardozo. Engraçado que o que se diz é politicamente correcto mas não é o que na verdade se quer dizer ou fazer. Complicado? Nem por isso.

E prontes, é só para verem que basta uma estadia em a África para a vida de todos mudarem e saírem do marasmo. Pelo que vejo, a maioria abriu os olhos. Até um simples polvo ficou para a história.

Vem aí o próximo mundial, o Brasil 2014. Muito samba, muita picanha, muita cerveja, muito futebol, uma presidenta e outras coisas, mas espero que a final de 1950 não se repita. É que o calendário Maia parou em Dezembro de 2012, ano em que o mundo vai acabar por causa de terremotos, tsunamis e outros desastres naturais derivados do posicionamento dos astros por essa altura e do qual vai resultar num buraco negro e zero de gravidade. Recentemente, foi exibido um filme sobre este tema. Acontece que agora vêm uns entendidos na matéria dizerem que os meses dos Maias tinham só 26 ou 28 dias ou coisa parecida. Como o nosso mês tem (agora) 30 ou 31 dias, excepto o de Fevereiro, afinal o fim do mundo poderá ser mais lá para 2013 ou até 2014.

Se o Uruguai voltar a vencer o Brasil na final, como o fez em 1950, então está certo, será mesmo o fim do mundo … pelo menos para os brasileiros. Sim, porque a Espanha e Portugal vão arrancar para a candidatura Ibérica para o Mundial de 2018 e eu quero lá estar. Espero que então, o polvo Paul ainda esteja bem de saúde e aposte em … Portugal ou … Moçambique?


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Queiroz. Madaíl. E Laurentino Dias.

Sexta-feira, Julho 30th, 2010

Diz a imprensa portuguesa que o secretário de estado dos desportos, Laurentino Dias – indivíduo que surgiu na vida pública como presidente de um clube de futebol ascendendo à primeira divisão e posteriormente mergulhado nas impossibilidades do profissionalismo, o que muito diz das capacidades e do perfil do dito presidente – se indignou, considerando um “caso muito sério”, uma hipotética altercação entre Carlos Queiroz e os médicos do Instituto Nacional do Desporto que foram controlar os seleccionados portugueses. O jornal “i” (não vale a pena colocar ligações aos jornais, são supra-perecíveis) adianta que Queiroz teria dito algo como “o Luís Horta que vá para a c… da mãe dele” (referindo-se ao director do referido instituto estatal). Não sei se é verdade mas os rumores indicam que o episódio servirá de causa para o despedimento do seleccionador.

É inenarrável. Sendo verdade o acontecido Queiroz não obstou a nenhuma actividade, insultou um indivíduo (aliás ausente). Regressamos pois ao paradigma DREN, o poder socialista entende passível de despedimento (ou reenvio à proveniência) quem insulta à distância. Se o alvo é Sócrates ou Luís Horta não interessa, vai para a rua.

Entretanto recordo dois pontos, ambos a seu tempo expressos na comunicação social. Gilberto Madaíl, e a direcção a que preside, gostaria de demitir Queiroz – o afinal incompetente seleccionador pois não conseguiu ser campeão do mundo – mas não o faz pois não tem condições financeiras para pagar o contrato que firmou, livremente, há dois anos. Ou seja, um clamoroso erro de decisão que tolhe a liberdade da federação em actuar como agora considera necessário. Algum “incómodo” por parte do secretário Laurentino Dias? Nada. E  também não se incomoda com a memória do presidente da federação Gilberto Madaíl no seu regresso da barracada do mundial da Coreia do Sul e Japão. Então compelido pela opinião pública a explicar o que tão mal acontecera o antigo associado de Valentim Loureiro, ex-deputado e governador-civil, leu à imprensa com notório enfado acintoso o seu extenso relatório, vácuo e redondo, que consistia em exactamente 69 pontos, terminando a leitura com um explícito sorriso de menosprezo. Ou seja, para Dias, o vate de Fafe, o insulto a um qualquer funcionário é “muito grave” mas aquele evidente e grosseiro insulto a toda a opinião pública interessada nada contou, nada conta. Há os insultáveis (a merda do povo, digno de um qualquer manguito em forma de sessenta-e-nove e vão-se foder) e os ininsultáveis (os seus mandarins, os quais não se podem mandar para a “c… da mãe”).

A gente, preocupada com o filho do Ronaldo e ainda doridos da derrota futebolística, esquece-se. Esquece-se do porquê da “intocabilidade” de alguns, da perenidade de Madaíl e quejandos, das diferentes sensibilidades e “indignações”. Pois esquecemos a campanha para a organização do Euro-2004, do ministro da tutela de então, da aliança político-camarária-construtora civil para a monstruosidade dos 10 estádios construídos e de todo o mais despesismo de então (dito “desenvolvimentista” com toda a sem-vergonha). De como tudo isso, de como esse “complexo económico-político” serviu de trampolim para alguns e, mais do que tudo, de algum. E assim sendo esquecemos, até confundimos quem pode ser insultável ou não o pode ser. Esquecemos de quem urge despedir.

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A Dor de Um Pai

Quinta-feira, Julho 29th, 2010

Guio na segunda circular lisboeta, no banco de trás a princesa, oito anos já feitos, educada sob os mais importantes valores. Cruzamos o estádio de Alvalade e ela, pensativa, convicta, inocente e sincera, remata: “pai, o estádio do Sporting parece mesmo uma retrete“.

A meu lado a mãe, agnóstica, ri …

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