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polissemia?

(Quelimane, 2006)

Design: ANC / Unwembi Communications (1994)

faz parte da minha biografia. E como os meus exemplares estão em Lisboa, reproduzo-o do catálogo “Upfront and Personal. Three Decades of Political Graphics”, editado pelo British Council.

Cartaz

Intermark E.E., encomenda FAO/UN, 1983

[reproduzido de Upfront and Personal. Three Decades of Political Graphics. From the United Kingdom plus Southern African Political Graphics, British Council South Africa, 2004]

Uma belissima exposição de grafismo socio-político dos últimos trinta anos, incluindo material do Reino Unido, Botswana, África do Sul e Moçambique: “Upfront and Personal. Three Decades of Political Graphics from the United Kingdom plus Southern Africa Political Graphics”, uma produção do British Council. Exposição originalmente dedicada ao material britânico e sul-africano e que tem vindo a ser complementada (e bem, em particular no caso moçambicano) com material dos países na qual ela é apresentada.

A exposição é muito bem conseguida. Mas, e em particular no caso britânico, é politicamente enviesada, ou seja há um total predomínio do grafismo socio-político de esquerda, como se essa técnica comunicacional não fosse utilizada em todos os locais do espectro ideológico. A mim parece censura. Uma censura do comissariado do British Council. Típico de alguma esquerda, estas derivas censórias (um censor é sempre ignorante, claro). Mas não só.

É também um caso típico do apagamento das forças mais conservadoras para “africano ver”, um processo que procura apresentar as sociedades dos ex-colonizadores como desprovidos daquilo que mais rapida e superficialmente possa aqui ser associado ao regime colonial, ou aos seus herdeiros.

“Public relations” que é generalizado aos ex-colonizadores, tiques que se reconhecem de imediato. Aparentando pontes ideológicas entre as sociedades, falsas não porque ideológicas mas porque escondendo as diferentes realidades, as diferentes complexidades. Enfim, uma exposição de grafismo socio-político que é ela própria, e falo no material britânico em particular, um caso de grafismo político. (Ou seja, uma censura não apenas ignorante. Uma enviesamento que é arma política: o “sempre simpático” neo-colonialismo da esquerda europeia).

Enfim, um piscar de olhos à opinião pública dos países receptores da exposição? Talvez. Mas, curiosamente, mais abrangentes são as exposições relativas ao material desses países. Enfim, as eternas contradições que os “mais papistas que o Papa” provocam.

Mas esta crítica não impede de a considerar uma exposição a não perder. Até 8 de Outubro no Centro de Estudos Brasileiros. E ainda de assinalar, guloso, a distribuição gratuita de catálogos exaustivos e de muito boa qualidade. Bela oferta do BC.

[prefácio de José Forjaz; noções gerais sobre o problema da visão das cores; cor e representação: teoria da cor; a percepção visual; o olho humano e a visão da cor; a mão; a imagem sonora]

António Quadros, Curso de Comunicação Gráfica, Maputo, Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico, UEM, 1998

[oferta de Luís Lage]

Texto de António Quadros, homem que foi de plurais actividades, e grande poeta. Deixo o poema que finda esta publicação.

Palavra de Ordem:
Matar a Árvore!

Campo de jogar à bola
machamba de fraca espiga
eis as palavras de ouro!

Desde a Machava à Matola
a árvore é inimiga
e aqui tem o seu matadouro.

Num futuro, já de luto
com sêde, fome e sol quente
buscaremos sombra e fruto
na estupidez do presente…

25 de Junho: dia da Independência de Moçambique

1. Dia de constituição da Frelimo (1962).


FRELIMO/KATIKA KUPIGANA NA/UKOLONI NA UBEBERU/25 SETEMBRO, offset 2 cores, Frelimo, Dar-es-Salaam 19 (AHM 80)

retirado de B. Salstrom, A. Sopa (1988), Catálogo dos Cartazes de Moçambique, AHM

2. Independência antecedida da viagem de Samora Machel “De Norte a Sul de Moçambique” - a célebre viagem “do Rovuma ao Maputo”

retirado de A. SOPA (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

3. Declaração da Independência de Moçambique (1975)

25 de JUNHO DE 1975 / INDEPENDÊNCIA DE MOÇAMBIQUE, offset 2 cores, José Freire, DNPP, Maputo 1975 (AHM 96)

retirado de B. Salstrom, A. Sopa (1988), Catálogo dos Cartazes de Moçambique, AHM
Discurso no estádio da Machava, proclamando a independência de Moçambique (colecção Telecine), retirado de A. Sopa (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

A mudança de bandeiras: “Independência de Moçambique” de Dino Jehá, retirado de F. Ribeiro (coord.) (2003), Exposição Moçambique: Vida e História em Psikhelekedana