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Novembro 26th, 2007 — Desenvolvimento
Maio 20th, 2005 — Desenvolvimento
O subdesenvolvimento é isto. Não falar.
Ainda crescimento e educação, mas para além disso
Dezembro 15th, 2004 — Desenvolvimento
1. Eu não afirmo que o investimento na educação seja universalmente precedente, e causa do crescimento económico. Foi afirmado uma relação causal empírica, procurei (e demorei) afirmar que quanto muito serão, neste caso, concomitantes. (JM sublinha 10 anos de crescimento económico, eu claro que concordo, mas vou dizendo que são 30 anos - incluindo os da guerra - de acelerado crescimento educacional: e isto num país ainda muito pobre e ainda com baixa escolaridade).
2. Sublinho que a essas precedências causais torço o nariz. Um pouco similar é o postulado mainstream actual, o qual afirma a democracia como causa do desenvolvimento. Também aqui acho muito forçado a universalização. Afirmo-o aqui para reforçar a minha reacção ao texto de JM. Não lhe quero inverter causalidades, discordo do exemplo empírico escolhido e, mais do que tudo, da abordagem.
3. Enquanto meio para o crescimento económico (e eu fujo a encher o Ma-Schamba com a questão da relação nada linear crescimento-desenvolvimento, aqui não é o meu local de trabalho) posso interrogar-me se uma sociedade sem recursos endógenos ou exógenos pode investir na educação. Aí JM terá razão. Mas também poderemos questionar se uma sociedade sem recursos humanos formados pode produzir e integrar/reproduzir a riqueza produzida? Não falo de “pescadinhas de rabo na boca”, soluções eunucas. Falo de que me choca a linearidade causal.
4. Há uma dimensão implícita no texto de JM, e também no meu exemplo paralelo. É a educação um meio ou um fim, um instrumento ou um valor em si? Ou, para retomar a dicotomia a que eu apelei, é a democracia um meio ou um fim, um instrumento ou um valor em si?
5. No que toca à formulação de JM a subordinação causal não surge como mera descrição. É também uma postura intelectual. Não quero violentar o pensamento alheio, mas parece-me óbvio que o que afirma é um privilegiar do investimento social no crescimento económico em detrimento de uma política sublinhando a educação. Mais, quando diz que “os países que investem” eu não resisto a lê-lo como afirmando (e estou a interpretar o bloguista que já vou conhecendo) “os Estados que investem”.
Esta é uma posição política crítica perfeitamente legítima. Aquilo que me choca é assentar (pelo menos bloguisticamente) em generalizações apressadas que, e desculpo-me do imperativo, a ilegitimam. Torno a chamar a atenção para o comentário do Luís Aguiar-Conraria sobre os pressupostos da utilização da comparação.
6. Vai longo e não quero maçar mais. Apenas isto. Porquê tanta linha sobre blog outro? Acho piada ao Blasfémias, uma azáfama. Mas mais do que isso, é muito interessante ver um blog liberal cheio de sucesso e leitores. Eu não me revejo no liberalismo económico, talvez costela aqui ou ali, mas espinal medula social-democrata. Mas em Portugal não há tradição de pensamento e disseminação de informação sobre o liberalismo: herança católica, fascismo e coorporativismo, sua oposição muito marxizante, uma democracia estadocentrada (por herança do brevissimo período revolucionário mas acima de tudo porque sistema de reprodução política).
Daí que um blog liberal, cheio de gente de boa e rápida tecla é interessantissimo e mais do que tudo, bem-vindo. Talvez por isso me irrite tanto com a pressa linear que vou aqui e ali descobrindo - ainda que não esteja a exigir uma revista filial de universidades inglesas, claro está.
Ma-Schamba
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dezembro 15, 2004
ainda crescimento e educação, mas para além disso
Respondeu, amável, João Miranda ao que aqui deixei, meio atabalhoado. Tem razão o comentário do MiguelS, ele próprio muito mais dotado e tarimbado para falar da economia daqui, já deixei texto excessivamente longo. Mas ainda assim regresso ao tema, maçando, pois certas palavras são como as castanhas do caju. E regresso face ao texto de JM pois parece-me que não terei sido explícito, ainda que longo.
1. Eu não afirmo que o investimento na educação seja universalmente precedente, e causa do crescimento económico. Foi afirmado uma relação causal empírica, procurei (e demorei) afirmar que quanto muito serão, neste caso, concomitantes. (JM sublinha 10 anos de crescimento económico, eu claro que concordo, mas vou dizendo que são 30 anos - incluindo os da guerra - de acelerado crescimento educacional: e isto num país ainda muito pobre e ainda com baixa escolaridade).
2. Sublinho que a essas precedências causais torço o nariz. Um pouco similar é o postulado mainstream actual, o qual afirma a democracia como causa do desenvolvimento. Também aqui acho muito forçado a universalização. Afirmo-o aqui para reforçar a minha reacção ao texto de JM. Não lhe quero inverter causalidades, discordo do exemplo empírico escolhido e, mais do que tudo, da abordagem.
3. Enquanto meio para o crescimento económico (e eu fujo a encher o Ma-Schamba com a questão da relação nada linear crescimento-desenvolvimento, aqui não é o meu local de trabalho) posso interrogar-me se uma sociedade sem recursos endógenos ou exógenos pode investir na educação. Aí JM terá razão. Mas também poderemos questionar se uma sociedade sem recursos humanos formados pode produzir e integrar/reproduzir a riqueza produzida? Não falo de “pescadinhas de rabo na boca”, soluções eunucas. Falo de que me choca a linearidade causal.
4. Há uma dimensão implícita no texto de JM, e também no meu exemplo paralelo. É a educação um meio ou um fim, um instrumento ou um valor em si? Ou, para retomar a dicotomia a que eu apelei, é a democracia um meio ou um fim, um instrumento ou um valor em si?
5. No que toca à formulação de JM a subordinação causal não surge como mera descrição. É também uma postura intelectual. Não quero violentar o pensamento alheio, mas parece-me óbvio que o que afirma é um privilegiar do investimento social no crescimento económico em detrimento de uma política sublinhando a educação. Mais, quando diz que “os países que investem” eu não resisto a lê-lo como afirmando (e estou a interpretar o bloguista que já vou conhecendo) “os Estados que investem”.
Esta é uma posição política crítica perfeitamente legítima. Aquilo que me choca é assentar (pelo menos bloguisticamente) em generalizações apressadas que, e desculpo-me do imperativo, a ilegitimam. Torno a chamar a atenção para o comentário do Luís Aguiar-Conraria sobre os pressupostos da utilização da comparação.
6. Vai longo e não quero maçar mais. Apenas isto. Porquê tanta linha sobre blog outro? Acho piada ao Blasfémias, uma azáfama. Mas mais do que isso, é muito interessante ver um blog liberal cheio de sucesso e leitores. Eu não me revejo no liberalismo económico, talvez costela aqui ou ali, mas espinal medula social-democrata. Mas em Portugal não há tradição de pensamento e disseminação de informação sobre o liberalismo: herança católica, fascismo e coorporativismo, sua oposição muito marxizante, uma democracia estadocentrada (por herança do brevissimo período revolucionário mas acima de tudo porque sistema de reprodução política).
Daí que um blog liberal, cheio de gente de boa e rápida tecla é interessantissimo e mais do que tudo, bem-vindo. Talvez por isso me irrite tanto com a pressa linear que vou aqui e ali descobrindo - ainda que não esteja a exigir uma revista filial de universidades inglesas, claro está.
Crescimento e Educação II
Dezembro 15th, 2004 — Desenvolvimento
JM baseia o seu raciocínio numa consideração. Moçambique tem uma baixa taxa de escolaridade. Portanto pressupõe uma não aposta na educação. Relaciona isto com o facto de que Moçambique ter um elevado crescimento económico (10%). E assume o corolário lógico, que logo generaliza (”globaliza”?), a educação não é anterior ao crescimento económico.
Não vou aqui discutir essa tese. Mas o caso empírico que serve, indutivamente, para provar a afirmação de JM.
1. Moçambique tem uma baixa taxa de escolaridade, mas isso não implica uma não-aposta. Recorro, sumariamente, à história. À época da independência a população escolarizada era mínima. Sei que dizer isso para leitores portugueses é estar a chamar o coro dos “eu tinha colegas negros no liceu”. Honestamente não vale a pena discutir com esses, ainda hoje vêm o mundo do tamanho do seu quintal de então (onde, dizem, tratavam bem os empregados) e da sua sala de aula. E 30 ou 40 anos depois ainda não cresceram.
Com os que vale a pena argumentar poder-se-á resumir: o ensino (tal como a sociedade) era muito racializado; a população negra que ascendia ao ensino secundário era da camada “assimilada” (pouco mais de 1% da população) e mesmo nesta nem todos o conseguiam. Esta chegada ao ensino secundário foi tardia, na sua maioria nos anos 60. As causas desta barreira racial não são estranhas: a criação de uma camada negra formada era vista como inútil (racismo explícito), perigosa (criação de mentes independentistas ou rebeldes), contraproducente (criação de uma concorrência no mercado de trabalho face aos portugueses - aliás houve uma política de branquização dos serviços no LM de finais de XIX, em prejuízo de uma pequenissima camada “crioula” então existente) e desnecessária (não esquecer que a própria população portuguesa era muito pouco escolarizada: “o vinho é que induca”).
O ensino avançado restringia-se a essa pequena parcela de filhos de “assimilados”, do qual uma ínfima parte ascendeu à universidade. Havia ainda um ensino proporcionado em especial pela Igreja Católica, que tendo dimensão quantitativa (muito propalado no mito colonial, e ainda hoje) se restringia, na sua maioria, a uma espécie de 3ª classe muito rudimentar. Refiro ainda outras missões cristãs, de difícil relacionamento com o Estado de então, e com políticas mais extensivas de ensino.
Na independência escasseiam os quadros. Retiram-se (por vontade própria e muito por indução) os portugueses.
Daí em diante houve um esforço na criação de um sistema educativo. Até com uma crença, que hoje parecerá estranha, nas capacidades endógenas, cria-se no final do subdesenvolvimento em vinte anos. Um típico voluntarismo revolucionário.
Depois a guerra civil. Múltiplas causas. E um dos efeitos será o da destruição do sistema educativo entretanto criado. Pela guerra, pela deslocação de populações. Mas também pelo facto de que o professor rural, tal como o enfermeiro, era o símbolo do Estado, o funcionário do Estado no mundo rural. Donde o primeiro alvo.
Após a paz de 1992 retoma-se a construção de um sistema de educação generalizado. Julgo que cerca de 1997 a cobertura estava já ao nível de 1983, quando os efeitos da guerra começaram a implicar a sua retracção. Tem continuado a crescer, ainda que com enormes lacunas. Na segunda metade de 90 criaram-se 7 Institutos do Magistério Primário, procurando aumentar número e qualificações dos professores. Alarga-se a formação de professores do ensino secundário ao centro e norte. Etc, etc.
Também o ensino superior foi crescendo em número, sendo descentralizado. Crescem as universidades privadas, que contam com apoios indirectos do Estado. Em suma, há uma verdadeira aposta na educação. Digo-o consciente do gigantesco deficit que o sistema de educação moçambicano tem. Mas esse deficit não pode ser considerado uma não-aposta. Deve é ser considerada uma aposta realizada a partir de condições muito frágeis, muito incipientes. E num país com muito poucos recursos, e muito dependente nesta matéria da ajuda externa. E nessa condição ser uma política passível de críticas. Mas isso são contas de outro rosário, não aqui, não meu.
Ou seja, a base do raciocínio de JM, a não aposta na educação porque há baixa taxa de escolaridade é totalmente falsa.
E atenção, seguindo-lhe a metodologia de raciocínio. Se um exemplo de JM serve para provar a sua tese, será que afirmar-lhe a inexactidão empírica é suficiente para a infirmar?
2. A economia cresce 10%, é fantástico. Mas as estatísticas são muito falíveis, os sistemas de recolha de informação são muito frágeis, como em grande parte da África subsahariana. É voz corrente, ainda, que as estatísticas moçambicanas foram durante anos a fio subavaliadas, no sentido de garantirem posições privilegiadas na recepção de ajuda internacional. Mais, aquilo que é economia “formal” e “informal” e suas interrelações é muito fluído, no ano-a-ano. Portanto é possível relativizar o tal crescimento. [E isto não nos poderá surpreender, sabendo o local estratégico que o INE português constitui].
Mas mais importante, este crescimento económico assenta em alguns, e muito poucos projectos. A instalação de uma fábrica de alumínio em Maputo, a Mozal, implicou um crescimento macroecómico na ordem daquilo que JM fala, e o seu desenvolvimento continua a influenciar os agregados macroeconómicos. O reestabelecimento da produção de Cahora-Bassa (aliás associado ao funcionalmento da Mozal) inflaccionou estes números. Há, aceite-se, uma lenta melhoria económica do país (notícia de agora, a produção de açúcar a níveis do tempo colonial). Mas os números não são assim tão mágicos, reflectem o impacto de poucas unidades de capital estrangeiro (e exportável, atenção) numa economia praticamente desindustrializada. Não estou a criticar o modelo, estou a constatar.
Ou seja, falar de um grande crescimento económico deverá acompanhar duas questões. Sobre a natureza dos números, o seu efectivo fundamento. E, acima de tudo, sobre o seu impacto social. Quando falo de “social” não estou a falar de redistribuição, pobrezinhos e etc. Estou a falar do seu impacto na sociedade, e nas suas modalidades de reprodução.
Ou seja, o segundo termo da equação de JM é muito discutível [eu não sou economista, não posso mergulhar nesta contra-argumentação com tanto arreganho como no ponto anterior]. Se um exemplo de JM serve para provar a sua tese, então afirmar-lhe um exemplo discutível servirá para lhe provar o contrário?
3. A articulação entre educação e crescimento tem aqui um exemplo interessante. Já aqui falei da Mozal, fábrica de alumínio de aparência sul-africana, bandeira australiana, capital da Mitsubishi, mas verdadeira sede alemã. O seu impacto na economia (os tais números) do país foi gigantesco. É uma unidade fabril moderna, ao que parece de ponta - um colega meu, o excelente Paulo Granjo do ICS está a trabalhar sobre ela, e muito mais poderia dizer do que eu. Mas aqui o que será interessante é notar que para uma fábrica de ponta, com processos tecnológicos e organizativos radicalmente novos no país (e salários elevados para este mercado) foram recrutados operários com ensino secundário e licenciaturas - eu próprio tive um aluno de ciências jurídicas que lá é operário. Porque essa escolarização era preferencial para a selecção de futuros operários a trabalharem com metodologias inovadoras no país.
(isto está um bocado mal mastigado, mas hoje terá que ficar assim, que é de madrugada já)
Dezembro 14th, 2004 — Desenvolvimento
Antes do Crescimento e Educação, e enquanto alerto para que abaixo dois Blogo-Titãs se cruzaram nos comentários, assim honrando a modesta horta, gostaria de recomendar este texto sobre o tremor de terra em Portugal de hoje. Muito educativo.
Crescimento e Educação
Dezembro 13th, 2004 — Desenvolvimento
1. Há alguns dias que tenho grandes dificuldades em comentar no sistema blogspot, recebo negativas mal-criadas deste teor: “Open proxy detected. Comment posting disabled. If you think you have received this message in error, please contact the webmaster.” Como o Blasfémias tem um ritmo trepidante de colocações julgo que quando conseguir meter algo por lá o texto em causa já estará no limbo do pé de ecrã. Daí que o aborde aqui. Reza assim:
“Moçambique tem das mais baixas taxas de escolaridade do mundo.
Moçambique tem das mais altas taxas de crescimento económico do mundo (na casa dos 10% ao longo dos últimos anos).
Conclusão: os países não ficam ricos porque apostam na educação. Os países apostam na educação quando ficam ricos.”
2. Para mim JM é um caso complicado na blogosfera portuguesa. Lendo-o há meses, desde os tempos do seu blog individual, confesso que ainda não o percebi. Bloguista talentoso é-o, verve e acutilância, síntese e provocação. Mas é a sério ou é a brincar? A sociobiologia light, os simplismos sobre o liberalismo, as analogias históricas, tudo isto é assim mesmo ou são só carolos para “abrir cabeças”, pedradas na pasmaceira? Confesso-me confuso, medíocre intérprete. Mas custa-me crer num projecto a tão longo prazo de ironia grosseira [leia-se “grossa”] de aparência intelectual (até porque me parece pouco eficaz quanto a “abrir cabeças”). Cada vez mais me convenço em que tudo aquilo é a sério. Se calhar este meu pendor para uma versão “séria” está influenciada pelo actual (e sério) relativo mal-estar de alguns membros do Blasfémias, o qual espero seja em breve ultrapassado. Que aquele postar contínuo já faz parte da blogoespreitadela quotidiana.
3. Isto não é uma questão pessoal, eu leio JM porque gosto de o ler. Se não gostasse ia à minha vida, lia outras coisas, não se justificaria andar para aqui a escrever sobre tudo isto.
Mas tem a ver com o que acho disto tudo, do bloguismo. Há bloguistas que se levam a sério, alguns exageradamente a sério. Outros surgem ligeiros, outros irónicos e, o supra-sumo, auto-irónicos. Há ainda outros insuportavelmente ligeiros.
Cá em casa mora um que tem dias de insuportável auto-convencimento, preocupado com os males do mundo (mais do seu país) e convicto de que a sua palavra vale de algo, heurístico curandeiro. Soberba diria, se católico. Mera estupidez diz, quando mais bem-dormido. Mas entendendo eu um blog como um diário também lhe aceito as variações do humor, e que cada um tem o direito de se achar importante ou desimportante, útil ou inútil, clarividente ou tralalá. E de mudar de ideias ao longo do(s) dia(s).
4. Regresso a JM, porque ilustre blogard. E ao seu post de hoje. Da síntese sobre Moçambique retira uma tese (oops, dialéctica, os alemães, os alemães…): o investimento na educação é exógeno ao crescimento económico.
Ora veja-se, a síntese não vale um caracol. É errada nos seus termos. Absolutos. E relativos (não, não é o temido relativismo, é contextualização, história - e atenção, contextualizar com a história não é historicismo).
[Agora vou à clínica com a miúda, lá para a madrugada continuarei]
[Lamento, fica para logo de manhã]
Bazaruto Goes Beverly Hills [?]
Dezembro 7th, 2004 — Desenvolvimento, Ecologia Moçambique
Retirei a notícia daqui.
Bazaruto Goes Beverly Hills
Business Day (Johannesburg)
November 24, 2004
Developers target the rich and famous for island residential project.
MOZAMBIQUE’s Bazaruto Island will soon feature an exclusive residential development aimed at the world’s rich and famous.
It will be the first residential development on the island and the last, because Bazaruto is a nature reserve.
Because of this the resale values of the properties will run into millions of dollars.
Oprah Winfrey, Will Smith and John Travolta are among the potential buyers said to be interested in the development.
Developers Jean Reyneke and Chris Krause, directors of Bazaruto Holdings, will be launching The Palms at Bazaruto today but say it is an invitation-only launch.
Reyneke says the development will comprise 24 stands ranging from 2500m’ to 3500m’ in size and priced from R4,5m.
The buyers will then be given a list of architects and guidelines for the houses they want built, but the common theme will be “colonial maritime”.
Reyneke says the style of properties will be similar to those in Martha’s Vineyard in the US and that the development is aimed at the top 10% of the market.
“We want to recreate The Hamptons in Mozambique,” Reyneke says.
Reyneke says there are 160 palm trees in the central communal area of the site. “It’s the only part of the island where there are natural palm trees.”
Although the land is purchased on a 99-year lease, the owners will receive title deeds once they build their homes.
“We are already doing presales. All the elite in Africa are buying plots,” says Reyneke.
Some of the interested parties include African presidents, as well as businessmen from SA, the Emirates and the rest of Africa.
The Palms is also being marketed in Europe and the US. “In the US we are marketing it directly to people like Oprah Winfrey, Will Smith and John Travolta. The agency I’m using in the US is the Ferrari family, who lease properties to all the A-list stars.”
Reyneke says The Palms is an exclusive development because Bazaruto along with the other four islands off the Mozambican coast have been declared nature reserves and no further development will be allowed. The only other major development on Bazaruto is the five-star Indigo Bay Hotel.
Reyneke says there is also easy access to the island. “There is a brand new tarred 1500m airstrip on the island which can handle corporate jets and other aircraft. The flight from Johannesburg is only two hours long ,” he says.
He says there are also daily scheduled flights with South African firm Pelican Air to the island. He says most people fly to Vilanculos and then either charter a boat or travel by ferry.
***
Pois:
“We want to recreate The Hamptons in Mozambique” em “colonial maritime”. apesar de “We are already doing presales. All the elite in Africa are buying plots”, enfim vão ter que gramar com a vizinhança.
E já agora, aquilo é uma reserva marítima. A primeira vez que eu e a Inês fomos a Magaruque nos dois primeiros dias éramos os únicos hóspedes. Uma maravilha, natural e romântica. Mas ainda assim, tão vazio, do lado do continente havia óleo dos barcos à tona de água. Como será pós-The Hamptons? Apesar do “colonial maritime”?
Desenvolvimento (outro bis, também porque me apetece).
Agosto 11th, 2004 — Desenvolvimento, Literatura
Agosto 2nd, 2004 — Ciências Sociais, Desenvolvimento, Mundo
É um passo, mas não um pequeno passo. É um grande passo. Não irá resolver tudo, claro. Nem nada o fará. Talvez nem tenha os efeitos grandiloquentes que se antecipam. Mas é um extraordinário momento. Talvez o mais importante dos últimos anos - ainda que os media ocidentais não lhe irão dar essa dimensão, coisa pouca decerto.
É um grande momento para o desenvolvimento das áreas mais miseráveis do mundo. Falo com uma alegria gradualista, entenda-se, sem sonhar com amanhãs dourados. Mas sonhando com amanhãs em que haja menos fome e menos dor. Menos morte adiável.
É também um grande momento para o desenvolvimento do “mundo ocidental”. Desenvolvimento ético e alimentar. Porque é uma decisão menos omnívora do que a estrutura de pensamento que o domina, esse contrato social entre grande capital e populações. Omnívoro não, antes vampírico, canibal.
Curiosidade: ver como os “movimentos sociais” aí de cima vão reagir. Entender onde se lhes acaba a “esquerda”.
E, já que ando em releituras, aqui fica trecho muito apropriado (nem de propósito):
“Nada e mais doloroso na sociedade humana, e daí mais difícil de conseguir, do que a mudança das estruturas de direitos…Direitos e privilégios são o mote das revoluções” (R. Dahrendorf, Ensaios Sobre o Liberalismo, Fragmentos, 1993, 24). É isso que aqui estou a saudar.
Posso estar a ser ingénuo, mas esta é a melhor segunda-feira de manhã de que me lembro.
[Ah, e porque a minha alegria não é utópica, quanta mais amazónia cortada para pastarem as vacas agora liberalizadas? Quantos mais machambeiros sem-terra, esta agora bem mais apetecível à agro-indústria?]
Julho 13th, 2004 — Antropologia, Desenvolvimento
Pois…
“A importação em grande escala de produtos estrangeiros permite às massas de hoje gozar os luxos dos ricos de ontem. Estes produtos são o fruto do trabalho desenvolvido nos países mais pobres, tendo as diferenças internas nos padrões de vida dos habitantes dos países industrializados diminuído, pelo menos nas fases iniciais, à custa do crescimento do abismo existente entre o consumo das regiões e nações e o do Terceiro Mundo“
(J. Goody, Cozinha, Culinária e Classes, Lx., Celta, 1998:3)
