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Da irritação com a "Elisão"

[Bocado de texto há muito prometido no Quase em Português]

Nada me irrita tanto no bloguismo como as pilhas de posts retratando ou analisando as namoradas da América, discursos orlando o Desejo, a Libido, a Elisão, o Belo, o Perfeito, o Contorno, o Insondável, o Intangível e outras Iniciais. Ainda há pouco tempo soavam teclas e teclas sobre se sim ou não uma quatorzinha pode ser desejável (”pode” no Ser, “pode” no Dever Ser). Em tanta blogosemiologice há mesmo só uma coisa, um desapego às pessoas como sinal de distinção (erudição?) [como excepção, um pouco lateral pois não pró-semiológica, o Paulo Querido que um dia se apaixonou e nos chateou a todos com o romance. Aleluia, um bloguista que se distingue, estrategicamente ou não, desta forma.], um absoluto ethos burguês que nem se auto-questiona (aprecie-se o estrangeirismo, sff, também ele prestigiante).

Pois, com possível excepção dos pornógrafos (para os quais não tenho erecção, perdão, atenção), ninguém fala, com a tal “profundidade”, sobre a Celeste do escritório, a D. Arminda, quarentona bojuda do banco do bairro, a aluna Mariazinha, a Natasha caixa do supermercado, a colega não sei quantas, e todos os etcs que imaginarem. Ou mesmo sobre os respectivos parceiros.

[Nota: é óbvio que a minha amostra é limitada. E tiro desta tirada os blogs causa-gay, pois não frequento. Mas muito me surpreenderia que estes fossem diferentes, não imagino que aí as estratégias de prestígio sejam diferentes]

Certo que também não me ponho aqui a dissertar sobre o que o meu rabo do olho perscruta ou narrando algumas conversas, inóquas frise-se, mais arrastadas. Não só porque, como se mostra acima, falar publicamente de mulheres é muito povo, deslustra o status pois claro. Mas também porque cá em casa está uma senhora. A qual um dia, imagine-se, poderá vir até ao Ma-Schamba [ainda que ache que ela se incomodaria menos com um texto sobre as possibilidades tacteis das mamas de uma Yvette qualquer do que discursos sobre a simbologia dos seios [silicónicos, claro] de uma ex-capa de calendário hoje muito em voga].

Mas para que não se diga que não gosto de cinema, e dos seus “imaginários” (a distinção, de novo) aqui deixo, sem elisões e sem ironias, uma rapariga cheia de Iniciais, e que aparenta (nada sabemos para além das aparências, diziam alguns filósofos) ser engraçada. Ou seja, valer a pena no Tangível.

Economia e Cinema: perguntas de ignorante

Muito pouco percebo de cinema. E ainda menos de Economia. Deles apenas conheço três dogmas: que John Ford “faz(ia) westerns”; que Katherine Hepburn foi a mulher mais bela da História. E que há uma Lei de Oferta e da Procura.

Com esta base sempre me pergunto. Se um distribuidor/exibidor português deseja comprar (procura) um filme e para isso tem que o acompanhar de uma série que não necessita isso não é uma ofensa à Oferta e Procura? Cartel?

Haverá liberais (económicos e cinefilos) em Portugal? E noutros locais?

Lusofonia: conclusão

conclusão sobre o que tenho vindo a escrever sobre Lusofonia.

Cinema Paraíso

É uma das actividades do café matinal no fim-de-semana, assim feito mais extenso pelo descuidado das horas. Seja no (já?) velho “Nautilus”, ali ao Piri-Piri, seja no d’agora “Pérola de Maputo”, esse na nova Baixa, as esplanadas são circundadas por amáveis vendedores, ao ombro carregando sacos de dezenas ou talvez centenas de dvds piratas, o novo artesanato, ali remexidos até nada distraidamente por clientes quase ensonados. Claro, quem resiste?, cinco filmes por suporte, e tudo a módicas quantias. Até agora só cedi nos disney e isso, que a Carolina já me faz ruir os princípios, uma ameaça para o futuro cada vez mais imediato.

Mas este fim-de-semana deixei-me seduzir, os últimos de hollywood, esses bem frescos, os dos cartazes alhures, mesmo nos corredores dos oscares. E até, imagine-se, o Scorsese do ano. Como resistir?

Tive sorte, logo nesta minha primeira vez encontrei dessas cópias lendárias, de cujo registo se passa, até em surdina, o saber de boca em boca. São as das novidades, uma tal urgência no mercado que se filmam os filmes em plena sala de cinema, assim reproduzindo a imagem do ecrã alheio e o som envolvente. E deste modo nos trazem também o registo de outros amantes cinéfilos, como nós, recortados no ecrã, feitos sombras a entrarem na sala, a procurarem lugares, a mudarem até. Espectador-figurante, um apelo à semiologia, desafios à reflexão ensaística.

Mas não hesitei, do princípio ao fim sofri o novo “Alexandre”, aquele magno. Som e cores atrofiados e tudo, claro! Mas sem dúvida, melhor a cópia empastelada do que o original pastel. Uma lendária pepineira, atroz - até o truque do geronte Laurence Olivier a narrar em flash-back, essa velha escapatória para dar sentido a uma história que não se consegue filmar (original novel by R. Chandler, como única excepção).

E uma questão, valerá a pena narrar Alexandre Magno sem lhe abordar o episódio realmente relevante da sua vida, a sua grande herança para a civilização: o desatar do nó górdio?

PS de outra coisa: quem tiver o azar de ver o filme repare como todos os actores principais falam um inglês com o sotaque padrão lá da terra deles. Com excepção das duas mulheres, a pérfida e misteriosa mãe (uma rapariga interessante, diga-se) e a pérfida e misteriosa mulher (uma rapariga talentosa, diga-se). Nestas o sotaque, o inglês estranho e agreste, denota as tais perfídias e mistérios.

Não há dúvida, este cinema é uma arte infantil. Para crianças retardadas, claro.

Está um homem a ler blogs na manhãzinha e tem cada associação de memórias!, assim um velho single lá de casa a vir-me aos ouvidos. E eu a gostar tudo.

Wandrin’ Star (Lee Marvin)

I was born under a wandrin’ star,
I was born under a wandrin’ star.
Wheels are made for rollin’
mules are made to pack.
I’ve never seen a sight that didn’t look better looking back.
I was born under a wandrin’ star.

Mud can make you prisoner, and the plains can bake you dry.
Snow can burn your eyes, but only people make you cry.
Home is made for comin’ from, for dreams of goin’ to,
which with any luck will never come true.

I was born under a wandrin’ star,
I was born under a wandrin’ star

A tal recente infecção plantou-me diante da TV, que nem ler conseguia. Na TV5 Afrique, já agora um excelente canal generalista, vi um excelente documentário: Louis de Funes ou le pouvoir de faire rire”.


Até amarguei, com tantas saudades desse tempo em que o adorei.

Valeu por esta enésima vez. Adoro este filme!!

Cada um com o seu Brando. Eu já tinha colocado o meu e entretanto o Machado da Graça enviara-me o seu, o que o Ma-schamba agradece. Ei-lo:

A idade não perdoa. Envelheceu, e muito mal.

Fim de semana de gripe

Há coisas que não envelhecem
e outras mesmo imortais …

Na Paixão de Mel Gibson a Monica Bellucci protagoniza.

E como se pode polemizar quando a Belucci está?

Quando tal acontece haverá algo mais sob o firmamento?

Mogambo.


Ontem pela enésima vez a TCM (re)transmitiu-o. Aqui entre nós, apesar de tudo continuo a achá-lo irresistível.