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Clint – o homem da luz


[Blood Work]

Agora que espero Invictus, de Clint Eastwood a angústia assalta-me. Coisa da idade, a descrença. Essa que me leva a duvidar (a desesperar?) de que ali cumprirei as minhas expectativas. Pois não poderiam elas ser mais altas. Como?, se se trata do modelo de realizador (o homem que sempre alumia), do melhor dos políticos (e dos homens?), do maior dos jogos?

Por isso vou acalmando a expectativa na companhia deste magnífico livro, que mão muito amiga me trouxe há algum tempo e que vivamente recomendo:

[Maria João Madeira (org.), Clint Eastwood: Um Homem com Passado, Lisboa, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, 2008]

Nele uma bela entrevista a Clint Eastwood (realizada por Nicolas Saada e Serge Toubiana), um conjunto de suas declarações sobre vários dos seus filmes (seleccionadas pela organizadora do livro), uma excelente “cinebiografia” do mestre também da autoria de M.J. Madeira (“O Contador de Histórias”), a sua cinematografia. E múltiplas fotografias. E ainda sete outros textos – os quais ainda não terminei – dedicados a Eastwood, e que chegam com a autoria de Manuel Cintra Ferreira, Fabien Gaffez, João Bonifácio, Vasco Câmara, Kent Jones, Luis Miguel Oliveira, Joana Ascensão (neste último caso um belíssimo texto em fotogramas) . Edição da Cinemateca, quem não tem o livro (nem as minhas maravilhosas amigas ofertadoras) faça o favor de ir lá comprar.

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Tecnocracia

clint

Queria sobretudo proteger-me dos quadros dos estúdios e das suas eternas discussões. Têm sempre tantas ideias sobre a forma como se devem fazer os filmes. (…) Quando estamos ligados a um estúdio, temos que aturar uma enorme quantidade de pretensos especialistas, que não sabem grande coisa do cinema, nem da sua história. Os jovens quadros da indústria não conhecem um décimo dos filmes de que lhe falamos, de pequenos filmes ou até de filmes médios. (…) Essas pessoas, os quadros, os que decidem, só se preocupam com o presente. Não sabem nada de história. Mas como é que se pode trabalhar no presente se se ignora o passado? Isso não impede de fazer coisas, de filmar imensos filmes … que até podem ter êxito, com um pouco de sorte. Mas acho que se perde muito ignorando tudo o que está para trás.” (42)

[Maria João Madeira (org.), Clint Eastwood: Um Homem Com Passado, Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, 2008]

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Será Amor?

Uma magnífica sexta-feira à noite revendo este “”White Hunter, Black Heart” de Clint Eastwood. E compreendo que nos filmes dele (até naquele “Madison County”) fico feliz, suspendo todo o juizo crítico. Ora, não é isso o amor?