Mãos amigas trouxeram-me o filme. Que delas voou para o DVD. Tinha maus pressentimentos face a ele: a história de Nelson Mandela, o melhor dos políticos (dos homens?), e do mundial de râguebi, o melhor dos jogos, pelas mãos e olhos de Clint Eastwood, o melhor dos cineastas (e único alter ego). Expectativas muito altas, medo de me desapontar. Mas não, não se tratou de um desapontamento. Foi apenas um engano, trouxeram-me outro filme, enganaram-se na capa.
E por isso levei com uma grande pepineira! Trouxeram-me, afinal, um tele-filme com os maus tiques todos, as analepses para evitar o génio narrativo, as câmara-lentas para nos “fazer-sentir” (a câmara-lenta em cinema é o equivalente ao baralho marcado da mesa de jogo, com hipotética excepção do que às vezes aconteceu a Sam Peckinpah), uns excertos de râguebi ridiculamente mal jogado, por “jogadores” quase tão preguiçosos como o raio do argumentista (há uns pontapés de abertura que fariam rir um espectador menos furibundo), uma sucessão de inanidades, tudo previsível. Salva-se apenas o sotaque do actor que representa Nelson Mandela, um tal de Morgan Freeman. Actor que merecerá, pareceu-me, sair do registo televisivo e começar a fazer verdadeiros filmes de cinema.
O que terá acontecido? O que explicará isto? Pirataria?
jpt





