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O 1 de Dezembro

(por AL porque sim) – (Se aparecer um écran preto aqui em baixo, cliquem uma ou duas vezes nele para poderem ver as imagens. Pode levar algum tempo, mas vale a pena esperar)

Porque o filme estava em mode continuo o que era irritante, retirei o video. Para ver basta clicar no link do nome do filme e vai logo para o respectivo site.

Este pequeno video é um extracto do filme Home is where you find it realizado por Alcides Soares, 16 anos, moçambicano, órfão da SIDA. Estreou em 21 de Novembro no Norris Theatre de Los Angeles no My Hero Film Festival, tendo ganho o galardão de melhor filme do festival e ainda muitos outros prémios, galardões e menções honrosas.

Calcula-se que em 2007 viviam com o HIV cerca de 33 milhões de pessoas a nível mundial, 22 milhões das quais na África subsaariana. Dados para o mesmo ano apontavam para cerca de 2.7 milhões de novos infectados por ano, dos quais 1,9 milhões seriam na África subsaariana. No ano passado registaram-se 2 milhões de mortes relacionadas com o HIV, 1.5 milhões das quais na África subsaariana. Na mesma região, a África subsaariana, em 2007 administravam-se retrovirais  a 2.1 milhões de infectados enquanto outros 7 milhões de infectados aguardavam tratamento. Resumindo, 67% dos infectados com HIV vivem na África subsaariana que contribui também com 75% das mortes por HIV/SIDA.

As leituras deste filme são múltiplas e subtis, mas hoje não cabem aqui… Porque hoje é o dia 1 de Dezembro, Dia Internacional de Luta Contra a Sida.

PS: O vídeo está em mode contínuo. Se o quiserem parar basta clicar uma vez na imagem. Para recomeçar faz-se exactamente o mesmo

Dockanema 2009

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Está a chegar o IV Dockanema, o festival anual de cinema documentário em Maputo. Esta quarta edição começa a 11 e termina a 20 deste mês. A programação será visível (espero que muito em breve) aqui.

Este ano contando com a presença do grande Ruy Duarte de Carvalho (biobibliofilmografia).

A Cosmogonia do piri-piri

 

A cosmogonia moçambicana do piri-piri, em versão filmada por Larry Hamburguer e Pipas Forjaz.

Kuxa Kanema, nova revista

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Kuxa Kanema, o primeiro número da nova revista do Instituto Nacional de Cinema, que tem como director Djalma Lourenço e director-adjunto Pedro Pimenta – o homem do Dockanema – e uma tiragem de 500 exemplares. Este número ainda muito institucional, debruçado sobre questões internas do Instituto mas já com um dossier sobre a recente “I Mostra do Cinema e Audiovisual da CPLP”, que ocorreu em Maputo a semana passada. E também com uma pequena entrevista com Gabriel Mondlane, cineasta moçambicano.

“A Bola”, de Orlando Mesquita

Já um clássico do cinema moçambicano.

3ª edição do Dockanema

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A terceira edição do Festival de Documentários de Maputo começa na próxima sexta-feira. No sítio Dockanema constará a programação.

Rangel

No Caminhos da Memória nota sobre “Ferro em Brasa”, o filme de Licínio de Azevedo sobre Ricardo Rangel.

Terra Sonâmbula

 

Ontem aqui houve estreia – num aparte: não seria altura de acabar com a pinderiquice das “ante-estreias” a la xenon?, meia-dúzia de vestidos compridos, um ou outro grilo andante, tapete vermelho já algo acinzentado e os tipos da inenarrável tvzine a coleccionarem minifotos de pessoas a quem não conhecem o nome? e o resto da rapaziada em dia normal, na chamussa e afins (sofríveis) e no vinho (mui decente), (sor)rindo destes sem-propósitos? Ainda não deu para ver que não pega o modelo? para aligeirar a coisa?

Adiante ontem houve estreia do Terra Sonâmbula, de Teresa Prata, co-produção luso-moçambicana – a primeira verdadeira co-produção luso-moçambicana, discursou o co-produtor moçambicano Camilo de Sousa, o que nele é significativo. Camilo é um tipo muito afável mas convicto, como o anunciou na TVM nas comemorações dos trinta anos de independência, que a maioria dos portugueses ainda está em guerra com Moçambique. Nesse registo é agradável ter notícia de que encontrou algum(ns) patrício(s) que dessa já desistiram (“maus fígados, jpt …” hão-de resmungar ao ler, “o caraças!” [ou aparentadas fonias] seria a minha resposta se ouvindo os resmungos).

O filme é de festival, objecto bonito, sensível, até mensageiro. Certo que quando vou a um filme português todas as minhas expectativas baixam. Mas também por isso posso ser surpreendido como ontem. Lento como um livro – e por demais preso ao texto, um tricô de analepses que é questão de argumentista, mas são opções. Estéticas para os autores, dolorosas para os espectadores. Mas bonito, que a beleza pode ter a dor lá. Vive também dos actores – excelente Aladino Jasse, excelente mesmo, idem para o cameo de Filimone Meigos tal como a grande Magaia. Mas também muito frágeis outros, de cá e de lá. Em registo que exige autores isso desiquilibra.

Finalmente, em filme que se anseia objecto estético não tem qualquer justificação um registo sonoro tão pobre, a exigir uma supra-atenção para entender os diálogos, a requerer legendagem imediata. Inenarrável descuido.

Estrelas (a la crítico de cinema)?: três (uma retirada por causa do tal não-som, outra por incongruências de realização – um cabrito que se desloca no ar, gente que não corre no mato por terror das minas e no plano a seguir faz o oposto, minudências assim). Portanto? A ver.

Ciclo de Cinema Europeu

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Começa hoje o 7º ciclo de cinema europeu, a decorrer no Centro Cultural Franco-Moçambicano e no Auditório Municipal da Matola. A selecção promete.

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(Pressionar na imagem para a tornar mais legível).

Os motores de busca trazem tanta gente ao ma-schamba em busca do dockanema que mais vale deixar aqui a ligação para a página do evento: Dockanema.

Jornadas do Cinema Etnográfico


Inscritas nas actividades do Docknamena, uma organizacao em articulação com o Departamento de Arqueologia e Antropologia da UEM. Para além de antropólogos e historiadores mocambicanos as jornadas contarão com a participação das antropólogas cineastas Catarina Alves Costa (portuguesa) e Nadine Wanono (francesa).

Após o sucesso do primeiro Docknanema, no ano passado, arranca hoje a segunda edição do Festival do Filme Documentário em Maputo. De 14 a 23 de Setembro uma barrigada de cinema. Deve quem pode …

Irritou-me, sim, o filme com a guerra em Moçambique por fundo:” Creio que ele quis provar que, bem vistas as coisas, acabamos sempre por ter de entrar na ordem …”

(Baudelaire citado por Bourdieu, As Regras da Arte, Lisboa, Presença, 1996, p. 86)


(Cinema de Mopeia. Marco 2007)

Adicionando a este meu texto, sobre o “Jardim de Outro Homem”, de Sol de Carvalho:

“O erotismo, encoberto ou declarado, em fantasia ou em actos, encontra-se intimamente ligado ao acto de ensinar, à fenomenologia da relação entre Mestre e díscipulo. Este facto elementar tem sido trivializado através de uma fixação no assédio sexual. Mas continua a ser central. Como poderia ser de outro modo.” (30-31) “Já vimos … que o eros, a sexualidade declarada ou dissimulada, pode impregnar as relações de poder entre Mestre e discípulo. O desejo de agradar ao Mestre, de “atrair o seu olhar amoroso” está tão presente no Banquete e na Última Ceia como em qualquer seminário ou lição particular. Quer se trate de ballet, de futebol ou de papirologia, as lições e sessões de treino são um híbrido complexo de amor e de ameaça, de imitação e de rejeição.” (87) “Eros e ensino são inextrincáveis. A afirmação é verdadeira antes de Platão e depois de Heidegger. As modulações do desejo espiritual e sexual, da dominação e da submissão, a interacção da inveja e da fé, são de uma complexidade, de uma delicadeza que desafia a análise exacta (…). Os componentes são mais subtis que a mera questão do género, que as demarcações entre homo e heterossexualidade, entre as relações convencionalmente consideradas lícitas e as proibidas com os mais jovens. As inversões de papéis ocorrem constantemente (…). A própria possesão física consumada é um aspecto secundário quando comparado com o acto de ensinar e tudo o que ele implica – essa asssustadora interferência na alma, no desenvolvimento, de outro ser humano. Um Mestre é o amante ciumento de uma potencialidade.” (117)

(George Steiner, As Lições dos Mestres, Lisboa, Gradiva, 2005. Tradução de Rui Pires Cabral).

Em “O Jardim de Outro HomemSol de Carvalho conta uma história em cinema. Mais do que isso, em tratando-se de cinema moçambicano, Sol tem uma grande vitória, escapa ao cinema quase etnográfico, aquilo da população na tela(genuína, claro, porque é população e portanto verdadeira, porque natural, não poluída, porque povo, ideologia que está sempre presente e que parece mal anunciar em tom crítico), a “representar”, não a representar mas a “representar” um colectivo (será meu deficit cultural, mas nunca vi nenhum filme que tenha posto burgueses a representar-se), coisa muito incensada, até esquecendo as décadas passadas sobre mediterrânicos a fazer bem coisas similares. Enfim, projectos ideológicos que vão obrigando a elogiar estopadas pueris – na recente estreia de “O Grande Bazar” atrevi-me a dizer do paupérrimo que aquilo era e fui alvo de zanga patrioteira dos meus circundantes. Que tinham toda a razão, decerto, pois logo o filme (mais a sua representação e argumento) foram premiados no estrangeiro. Enfim, tudo isto como catarse.

Sol fez um filme de cinema, contou uma história. No fim a acção acelera e aquilo complica-se um bocado (para mim, leigo, devido aos actores, nota-se o hiato entre Evaristo Abreu e as restantes envolvidas nas cenas finais), mas não seja por isso, vale bem a pena. Óptimo.

Fico, sinceramente, à espera de um novo passo, de um argumento sem causa – agora coitada da aluna, perseguida pelo professor conspíquo que não a classifica, impedindo-lhe o acesso aos estudos de medicina (ou seja, a fazer o bem – as burguesas de XIX tratavam das crianças, dos doentes e dos velhos; depois passaram a dedicar-se à enfermagem, o privado tornado público; depois à assistência social, e agora em tempos de igualdade, já são médicas. A ideologia do “género”, cega, fica contente), se ela “não se lhe entregar”, violência da qual se safa in extremis por um rebate de consciência, tudo apoiado por algumas mulheres: a professora boazinha, parece que francesa, noblesse oblige, a amiga, a avó, a irmã da amiga – uma guerra de sexos (a mais o malandro produtor de moda, Luís Sarmento, lúbrico em hotéis de 5 estrelas, e o outro professor a satisfazer-se na sala de professores). No fundo, um preto-e-branco onde apenas destoam, como gente, a mãe (a Magaia, que enche sempre) e o próprio professor, cujo desenho começa por ser complexo, como o são homens e mulheres, para acabar por ser um espantalho, simbolizando o mal. E assim se dedica o filme às mulheres moçambicanas que lutam …

Há assédio sexual nas escolas, e tal é muito denunciado. E um filme destes será uma boa propaganda contra tal. Ainda bem, e espero que tenha efeitos.

No resto, quanto ao cinema, ainda por cima porque sou professor, gostava muito mais de assistir a um filme sobre o erotismo entre as pessoas (e também entre alunos e professores, claro), o “vai-que-não-vai”, algo sobre as complexidades dos poços que somos. E sem dedicatórias.

Até lá hei-de rever este filme. Com agrado.

DOCKANEMA 2006 (PROGRAMA MUSICAL)

DOCKANEMA 2006 (PROGRAMA)

De 15 a 24 a decorrer em simultâneo no Centro Cultural Universitário, no Teatro Avenida, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, no ISPU e no Matola 700. Aqui fica o programa dos 3 primeiros dias.Sexta 15:

CCUEM -

18.30. – Abertura do Festival
- Junod 43’ (Moçambique) – Camilo de Sousa
- Ferro em Brasa 48’ (Moçambique)- Licinio Azevedo

Sábado 16:

CCFM -

14.30 – Master Class “ O Documentário como Dever de Memória”, Susana de Sousa Dias
16.00 – Natureza Morta 72’ (Portugal/França), Susana de Sousa Dias
18.30 – A Casa da Mãe 76’(África do Sul), François Verster
20.00 – O Milagre de Candeal 126’ (Espanha), Fernando Trueba

CCUEM

16.00 – Junod 43’ (Moçambique), Camilo de Sousa +
Ferro em Brasa 48’ (Moçambique), Licinio Azevedo

18.00 – Uma Fábrica Decente-90’(França/Finlândia), Thomas Balmès

TEATRO AVENIDA

18.00 – Bissau D’Isabel -52’ (Guiné Bissau), Sana Na N’hadaBatuque +
A Alma do Povo -52’ (Cabo Verde), Julião Silva Tavares
20.30 – Casa do Gilson, Nossa Casa -69’ (Brasil/Moçambique) Chico Carneiro

MATOLA 700

16.00 – A Negação do Brasil-92’ (Brasil) Joel Zito Araújo

Domingo, 17

CCFM

16.00 – MAHALEO 102’(Madagasacar), Cesar Paes
19.00 – “Além –mar” , As Folhas Sempre Regressam á Raíz, 52’ (Holanda), Ike Bertels
20.00 – Cruijff – En un Momento Dado – 91’ (Holanda) Ramon Gieling

CCUEM

16.00 – O Pesadelo de Darwin -107’ (França/Áustria), Hubert Sauper
18.00 – A Forma da Lua-92’(Holanda), Leonard Helmrich

TEATRO AVENIDA

18.00 – Um Sabor de Accra-20’ (Ghana), Ruth Ayisi/Matthieu Bron + Saudade em Dacar – 48’ (Senegal), Laurence Gavron + Mionga Ki Ôbo – Mar e Selva -52’ (S.Tomé), Ângelo Torres
20.30 – A Negação do Brasil-92’ (Brasil), Joel Zito Araújo

MATOLA 700

16.00 – O Milagre de Candeal 126’ (Espanha), Fernando Trueba
18.15 – A Casa da Mãe 76’(África do Sul), François Verster

1º Dockanema – Festival do Filme Documentário de Maputo


70 filmes entre 15 a 24 de Setembro próximos, uma organização da Ébano e da Amocine. (pressionar a imagem para tornar o texto legível)

Sol de Carvalho, realizador moçambicano, escolheu Paris para surgir também bloguista moçambicano: Damalisco.

Filme Muvart

Ontem apresentação aqui do filme “Muvart“, a primeira obra de José Nhamtumbo, co-produção de Lisboa Filmes (o Luís Correia andou por cá há tempos, sem que nos tivessemos encontrado) e Avades Oy. Bom filme, bem pensado, bem filmado e muito bem montado, sobre a emergência do Muvart, das ideias e andanças dos seus membros. E excelência na malícia como é contada a epopeia de recolha de patrocínios necessários à primeira participação dos membros do movimento na Feira de Arte de Lisboa (Novembro de 2004), os silêncios dos “mecenas”, as “demoras”, as manobras dilatórias. Coisas de atitude. Coisas do poder.

Belissima estreia de Nhamtumbo. Até ali a mostrar-se companheiro de geração e de vontades dos membros do Muvart. Uma pequena nota, lateral: se o argumento, assumido, é a vontade de romper estereótipos a banda sonora, timbila em ritmo tradicional, surge paradoxal. E os paradoxos são bons. Mas quando voluntários.

Toussaint Louverture na Ilha de Moçambique

Há dias estive na Ilha de Moçambique e ali pude ouvir algumas expectantes conversas sobre a muito próxima rodagem por lá do filme Toussaint, a protagonizar por Danny Glover, dedicado à grande figura haitiana. É super-produção, com tudo o que de capital, animação e promoção turística isso significará para a Ilha, essa que, lentamente é certo, se vai renovando. Excelente notícia.

Também excelsa é a notícia de que estrelando o filme estará uma das mulheres mais belas, essa que provavelmente provocará uma peregrinação, perdão, reportagem do Ma-Schamba ao local da rodagem.

E aqui a deixo, como afirmação de incoerência ideológica – já que sou ferozmente adversário do postar beldades cinematográficas, em especial quando acompanhadas com tardo-barthesianos textitos sobre o desejo, a beleza, o abstracto e, até, a elisão. Aquilo a que eu resmungo (à falta de melhor?) como o “bloguismo glabro” (devo a mim mesmo um texto sobre tal tralha).

Mas haverá alguma coerência ideológica (blogoideológica) que resista a Angela Basset?

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Marrabentando, as Histórias Que a Minha Guitarra Canta


Soube-o atrasado, foi agora aqui apresentado o documentário “Marrabentando. As Histórias que a Minha Guitarra Canta“, da autoria de Karen Boswall. Ancorado em duas histórias de vida, as dos músicos António Marcos e Dilon Djindji.

Lamentavelmente não tive conhecimento das projecções, primeiro no Gwaza Muthini em Marracuene, depois no Círculo na Mafalala, e ontem no obrigatório Franco-Moçambicano – muito boa onda, até nem subliminar, isto de não estrear o filme no cimento chic. Fica-se à espera do DVD, ou de uma futura projecção, para poder captar alguns percursos deste estilo. E expectante se o filme trará pistas para a polémica nacional sobre o estatuto da marrabenta, e seus efeitos na produção e recepção da música.