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mas parece que nem todos …

“As palavras com o prefixo pós- têm um prazo de validade mais curto que as palavras com o sufixo -ismo.” - na série coisas que todo o antropólogo deve saber, no Devagar do João Vasconcelos.

Análise social

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(a limpar velhos arquivos no computador e uma preciosidade destas …!?)

Notícia relevante sobre o reforço do acervo da Biblioteca Central de Estudos Africanos, a cargo do Centro de Estudos Africanos de Lisboa.

José Cutileiro sobre nações


E não só para perceber isso do Kosovo (agora em intervalo mediático), também para entender isso dos “tribalismos” omnicontinentais, será muito de visitar este pequeno e magistral “Vida e Morte dos Outros. A Comunidade Internacional e o Fim da Jugoslávia“, de José Cutileiro (Lisboa, Instituto de Ciências Sociais, 2003) - as publicações do Instituto são muito mal distribuídas e não vale a pena ir à sede comprá-las, que aí é uma amostra do Estado no seu pior, o/a senhor(a) das vendas nunca está ou sempre foi almoçar ou já saiu ou está doente ou qualquer coisa assim. Mas o livro (tal como muitos outros do ICS) vale o esforço de ser procurado.

Quanto menor fosse a percentagem de gente da principal nação, maior a fragilidade da entidade política a que aquela pertencia. Números para vários países da Europa referentes a 1964 mostram que só em dez de entre eles essa percentagem estava abaixo de 90% (Portugal tinha a mais alta: 99,7%). Dos quatro do fim da tabela - Checoslováquia, com 65,6 % de checos; URSS, com 54,8% de russos; Bélgica, com 52,9% de flamengos; e a Jugoslávia, com 41,9% de sérvios (já só 36,3% em 1981) apenas a Bélgica sobrevive ainda, escorada pela União Europeia.” (p. 24 - meu sublinhado)

Mais restrito a “questão jugoslava” José Cutileiro (aqui também na condição de informadissimo ex-coordenador da Conferência de Paz da Jugoslávia da Comunidade Europeia, em 1992) deixa algo hoje já sabido, mas durante bastante tempo muito esquecido:

A guerra da Croácia é instrutiva por várias razões. Primeiro, porque foi causada pelo confronto de dois nacionalismos e não apenas por um deles, o que se aplica mutatis mutandis às outras guerras e guerrilhas da crise jugoslava. Segundo, porque durante os meses de guerra o medo recíproco se transformou em ódio recíproco - para os Croatas todos os Sérvios passaram a ser chetniks, para os Sérvios todos os Croatas passaram a ser ustase - e levou à prática de barbaridades pelos dois lados. (…) As duas regiões da antiga Jugoslávia sob administração internacional - Bósnia-Herzegovina e Kosovo - não são directamente comparáveis ao que era a Krajina entre 1992 e 1995, nem é fácil imaginar uma operação político-militar que os deixasse etnicamente puros. Mas levarão muito tempo, se lá chegarem, a poderem governar-se sem tutela da chamada “comunidade internacional“.” (p. 50)

Finalmente, e ainda que Cutileiro trace o complexo feixe de causas que provocaram todo aquele desenlace, convém lembrar dois desses vectores, pois ensinam bastante sobre este processo histórico e outros, passados e futuros:

Na Europa, já vimos que a Comunidade Europeia julgara ingenuamente poder resolver a crise jugoslava, dedicando-lhe exortações, dinheiro, diplomacia e uma Conferência de Paz. Cada um dos grandes Estados membros, porém, tinha a sua agenda própria. A Alemanha fizera da independência da Croácia causa sua e cavalo de batalha“, (p.50)

arrastando os restantes países-membros dada a contemporaneidade com o processo negocial de Maastricht. E

Em geral, na ex-Jugoslávia em crise e em guerra dos anos noventa, a Igreja Católica, tal como a Igreja Ortodoxa sérvia, não deu contribuições importantes para a paz.” (p. 50)

Adenda: muito gentil, Cristiana Bastos, actual responsável pela Imprensa do ICS, informa-me que as publicações do ICS podem ser adquiridas na página informática do organismo.

Pau que nasce torto, tarde ou nunca se endireita” - provérbio português; axiologia da ciência política.

livros

Palmira F. da Silva, do De Rerum Natura, José Carlos Matias, no O Sínico e o FNV do grão-blog Mar Salgado desafiam para que aqui bote das minhas últimas leituras. Como leio vários livros ao mesmo tempo não sei bem a ordem das conclusões (e abandonos). Mas aqui vai(ão) resposta(s), com agradecimentos pela curiosidade. E como foram várias os desafios junto às respostas requeridas a lista das prendas e compras de primeiro dia em Lisboa:

Narrativas, Crónicas, Memórias:

1. Niassa (Francisco Camacho): um “southern” inofensivo, até aprazível se em zapping;
2. O Aprendiz (Miguel César): as memórias de um moçambicano de ascendência portuguesa, com ênfase na adesão pós-independência. Imenso interesse pelo empenho emocional, mas nulo em (auto)análise - o que só lhe incrementa o interesse (releitura);
3. O Fio das Missangas (Mia Couto): tenho imensas dificuldades na leitura do autor, o que muito vai para além do respeito, simpatia e admiração pela pessoa, e pela sua coragem moral (e até física). Daí o ter-me atrasado na leitura deste pequeno livro, obra formalmente menor. Mas que é uma surpresa - muito contrariamente à imagem que tantos têm de Mia esta colecção de pequeníssimos contos é pura provocação, suaves como o exigem as provocações eficientes. A ler e a recomendar.
4. Aventuras de um Nabogador (Onésimo Teotónio Almeida) - o habitual gosto de vida do autor, agora com um toque pícaro (para mim) surpreendente; sou fã (ou fan?).
5. Avenida Paulista (João Pereira Coutinho): cronista célebre em Portugal após a minha saída, e dado que não leio os jornais da terra desperta-me curiosidade. Há tempos tinha aqui comprado o “Vida Independente”, que me deixou francamente desiludido, incompreendendo do seu sucesso - ou antevendo que já estou eu demasiado longe para aderir. Este conjunto de textos é bem mais interessante, talvez porque “para fora”. Mas o tom é algo recorrente, parece-me que as gerações anteriores tiveram maiores idiossincracias.

Narrativas com rodapés:

1. Comunidades Imaginadas (B. Anderson) - relendo um já clássico sobre nacionalismos;
2. A Diferença (Michel Wieviorka) - outra releitura profissional (e também para aferir as tralhas sobre os multiculturalismos, que servem para tantas blogosuperficialidades);
3. Marxist Modern. An Ethnographic History of the Ethiopian Revolution (D.L. Donham) - uma fabulosa (e invejável) história etnográfica da “revolução” etíope. Imperdível.
4. A Persistência da Raça (Peter Fry) - Fry é interessantíssimo a falar das comparações entre os colonialismos inglês e português, muito para além das tropelias intelectuais marxistas dos 60s em diante. E é crucial no anti-correctismo em linguagem antropológica. Mas acima de tudo neste livro tem um artigo que me é fetiche - cristalino ali o paradoxo do antropólogo opinativo. Obrigatório ler, para nunca repetir.
5. Junod e as Sociedades Africanas. Impacto dos Missionários Suíços na África Austral (Patrick Harries) - um livro competentissimo, sobre o ambiente de formação científica na Suíça oitocentista, sobre o caldo moral e científico que construíu a antropologia tardo-oitocentista. E sobre a obra espantosa deste “pai fundador” da Antropologia e seus fantásticos trabalhos etnográficos nos actuais Moçambique e África do Sul.

Prendas recebidas à chegada:

1. Ana Martins, O Nono Brasão - livro publicado pela filha (14 anos) de uns queridissimos amigos (dela seria “tio” se nós fossemos pirosos arrivistas). A partilhar o orgulho pela cria que medrou;
2. Lewis Wolpert, The Unnatural Nature of Science
3. Rogério Ribeiro, Desenho
4. Mark Twain, Contos Satíricos
5. Carlos Gil, Xicuembo

Compras de primeiro dia:

a. narrativas:

Fiódor Dostoiévski, Gente Pobre
Fiódor Dostoiévski, A Submissa e Outras Histórias
Samuel Butler, Erewhon
Adolfo Bioy Casares, Diário da Guerra dos Porcos
Eduardo Pitta, Cidade Proibida
Luís Carmelo, Máscaras de Amsterdão
Luigi Pirandello, Um, Ninguém e Cem Mil
Tolstoi, Anna Karénina

b. narrativas com rodapés:

Emmanuel Levinas, Da Evasão
Rui Bebiano, O Poder da Imaginação. Juventude, Rebeldia e Resistência nos Anos 60
José Policarpo, Cardeal Cerejeira (fabuloso)
Luís Carmelo, Anjos e Meteoros. Ensaios Sobre a Instantaneidade
Pascal Bruckner, A Euforia Perpétua. Ensaio Sobre o Dever da Felicidade
Michel Foucault, É Preciso Defender a Sociedade
S. M. Eisenstadt, Múltiplas Modernidades
Amartya Sen, Identidade e Violência

Nota: como estes desafios já foram de algum tempo não os vou reproduzir, pode ser que já estejam fora-de-moda. Mas se algum dos leitores habituais do ma-schamba quiser assumi-los será um prazer - sejam bloguistas activos (de blog próprio montado) ou passivos (então deixem aí nos comentários, eu subi-los-ei a texto).

Em adição ao que andei auto-comentando:

“Humilhada em 1870-71, a França encontra-se ávida de “seriedade”. Não tinha sido o sistema teutónico a prevalecer, mas sim a superioridade prussiana em matéria de ensino e de pensamento sistemáticos, tanto na área da ciência como das humanidades. O Gymnasium alemão, as universidades após as reformas de Humboldt e os padrões que regiam a investigação e as publicações eruditas haviam encorajado um tipo de mentalidade que sublinhava a frivolidade, o amadorismo e os caprichos dos costumes intelectuais e académicos do Segundo Império. A preeminência militar fora um resultado lógico dos hábitos de rigor analítico encarnados por Hegel (…). Alexandre Dumas, em 1873: “Já não se pretende ser espirituoso, ligeiro, libertino, escarnecedor, céptico e tolo.” A França deve agora confrontar o “muito sério”. Se não conseguir fazê-lo perecerá.

(…) As duas vozes dominantes, os Mestres deste renascimento, serão Ernest Renan e Hippolyte Taine. (…) Renan faz do “sejamos sérios” a pedra-de-toque do ensino secundário e superior.” (83-84)

(George Steiner, As Lições dos Mestres, Lisboa, Gradiva, 2005. Tradução de Rui Pires Cabral)

Vendedores de palavras de ordem e pseudofilósofos familiarizaram o Ocidente com a ideia de que o homem branco foi como uma lepra na pele da terra, de que a sua civilização equivaleu a uma impostura monstruosa, ou no melhor dos casos, a um disfarce cruel e astucioso da exploração militar e económica. Ouvimos dizerem-nos, num tom de histeria punitiva, ora que a nossa cultura está condenada – o que corresponde ao modelo spengleriano de um apocalipse racional – ora que só poderá ressuscitar através de uma transfusão violenta das energias, dos estilos de sensibilidade, representativos por excelência dos povos do “terceiro mundo”. A estes pertenceria a verdadeira “alma”, e a beleza da negritude e do Eros. Trata-se de um neoprimitivismo (ou masoquismo penitencial) cujas raízes mergulham no coração da crise do Ocidente, e devendo ser compreendido ao mesmo tempo em termos psíquicos e sociais” (70-71)

E tambem é verdade que a própria atitude de auto-acusação e de remorso que caracteriza boa parte da sensibilidade esclarecida do Ocidente actual, se revela, uma vez mais, um fenómeno cultural peculiar. (…) O reflexo de um exame de consciência em nome de absolutos éticos é, de novo, um acto caracteristicamente ocidental e pos-voltairiano.

A nossa incapacidade presente de enunciarmos com clareza estes traços manifestos, de convivermos com eles fora de uma rede de culpabilidade e impulsos masoquistas, levanta problemas graves. Na tentativa de aplacarmos* as furias do dia de hoje, denegrimos o passado. Manchamos a herança de grandeza em que, sejam quais forem as nossas limitações pessoais, somos convidados a participar pela nossa história, pelas nossas línguas, pela couraça, e se se quiser pelo fardo, da nossa pele. De resto, as evasões, as autonegações e reformulações arbitrárias da memória histórica a que a culpabilidade nos impele são, de um modo geral, inconsistentes. (…) Quase todos os gurus e publicistas ocidentais que apregoam o novo ecumenismo penitencial, que se declaram irmãos de sangue da alma sublevada e vingativa da Ásia ou da África, não vivem mais do que uma mentira retórica. No sentido mais crítico da palavra, encontram-se numa situação falsa. Em virtude das falsas fidelidades a que obriga, esta situação desgasta ainda mais as nossas reservas de inteligência e afectividade. Se quisermos compreender em que pontos, em termos políticos e sociais, o passado clássico errou, teremos que reconhecer não só a incomparavel força de criação humana desse passado, como também o que, de modo problemático mas persistente, a ele nos liga” (73-74)

*No texto traduzido “aplicarmos”, mas presumo que seja gralha

George Steiner, No Castelo do Barba Azul. Algumas Notas Para a Redefinição da Cultura, Lisboa, Relógio d’Água, 1992 (1971) [tradução de Miguel Serras Pereira] - atente-se na data da edicao original.


“If somebody uses tradition as a way of limiting your choices, in a way that’s as racist as saying you have to sit at the back of the bus” (Anthony Davis, quoted in G. Lock, Forces in Motion: The Music and Thougts of Anthony Braxton, 1988)

[S. Howe, Afrocentrism. Mythical Pasts and Imagined Homes, London/N.Y., Verso, 1998, p. 1]

Political or military commentators, like astrologers, can survive almost any mistake, because they more devoted followers do not look to them for an appraisal of the facts but for the stimulation of nationalistic loyalties. And aesthetic judgements, especially literary judgements, are often corrupted in the same way as political ones.”

[George Orwell, “Notes on nationalism”, In Defence of English Cooking, Penguin Books, 2005, p. 12]

Inventamos um mundo cada vez que escrevemos. Com efeito, trata-se, de acordo com a sua etimologia, invenire, de dar a conhecer o que já existe, aquilo que os nossos hábitos de pensar nos impedem de ver e que, todavia, é amplamente vivido na vida corrente

[Michel Maffesoli, A Transfiguração do Político, Instituto Piaget, 2002, p. 21]

Clareza de raciocínio

2. Ou assim:

For an outsider, an understanding of Turkish sport undoubtedly throws a great deal of light on other aspects of Turkish social life, and there is no sport wich carries as much symbolic “weight” in Turkey as wrestling. The sentiments evoked by wrestling are far from static or consensual. Interpretations of the symbols and imagery of wrestling can, of course, be used in different ways and appropriated as tools in hegemonic processes or their opposing counterparts. Indeed, wrestling is systematically used in the construction of myths of national strength and in a moral education in almost chivalric notions of contest and display … But wrestling can also be seen as a repository of subversive knowledge, as a recognition that all is not what it seems, that strength is not moral purity, that deceit and guile are necessary part of social life, that one frequently has to cope with losing face, that compromise is sometimes better than contest“.

(Martin Stokes, “”Strong as a Turk”: power, performance and representation in Turkish wrestling”, in MacClancy, Jeremy (ed.) Sport, Identity and Ethnicity. London: Berg, 1996, p. 22]

Intelectuais Influentes: votação

Via Henrique Raposo o acesso a uma votação lançada pela Prospect: um “top” de intelectuais influentes, onde se propõe a escolha de 5 nomes entre uma pré-selecção de 100.

Vale o que vale, mas tem piada. Ver quem está escolhido. E acabará por funcionar mais como auto-retrato do visitante. Constatar aqueles de quem se conhece apenas o nome, os outros de quem se conhece a obra. E os outros de quem nunca se ouviu falar. Os que gostamos e os que não gostamos. E também tentar, no meio daquilo, entender o que é “influência pública”. Enfim, um passatempo inteligente e agradável.

Já agora a minha mera votação: JM Coetzee (não acreditando que tenha qualquer “influência pública” realmente relevante. E que a deseje), Umberto Eco, Sunita Narain, Amartya Sen, Mario Vargas Llosa.

Estudos Africanos

O Centro de Estudos Africanos de Lisboa anuncia a abertura de um blogue, o Estudos Africanos. Ainda que a sua não autonomização face ao sítio do Centro não lhe permita acesso directo, ele está aí. Talvez actualizável, ou seja, talvez não mera página institucional.

Prémio Nobel Medicina 2005

Sendo a Medicina tão impenetrável - pelo menos para mim - é(-me) sempre algo difícil alcançar o relevo e implicações dos trabalhos anunciados. Sobre a importância do trabalho relativo à origem bacteriologica de doenças gástricas realizado pelos australianos Marshall e Warren, agora recompensado pelo Prémio Nobel da Medicina 2005, será talvez interessante para um leigo ler um belo texto de João Arriscado Nunes, “Do “nome das acções” ao “nome das coisas”: crenças e produção de objectos epistémicos nas ciências da vida e na biomedicina“, publicado no volume O Processo da Crença (Gradiva).

Dedicado ao Ideias Para Debate, agradecendo a instalação de uma ligação ao Rue Catinat:

A racionalização da actividade comunitária não tem (…) por consequência uma universalização do conhecimento relativamente às condições e às relações dessa actividade, mas, o mais das vezes, conduz ao efeito oposto. O “selvagem” sabe infinitamente mais sobre as condições económicas e sociais da sua própria existência do que o “civilizado”, no sentido corrente do termo, das suas.”

[Max Weber, Ensaio Sobre a Teoria da Acção]

As ciências devem ser poetizadas. (Novalis)

Idealismo

The great danger of idealism lies in the fact that it turns men into fools…Through the extravagant, everyday invocation of the highest ideals, reality may perish.

[Moeller Van Den Bruck, citado em Allister Sparks, The Mind of South Africa, 147]

A Etiópia em Nós

The university - then named Haile Selassie I University - was perhaps the most significant modernist institution in all of Ethiopia. The grand scheme of modernization - the march of advanced nations, followed by backward ones, along a continuum defined by different groups sucess in applying science and knowledge - had come to define reality for many of the new Ethiopian educated elite….”

On the eve of the revolution in Ethiopia, there were two great world models of modernization, two mutually exclusive paths to wealth and power for underdeveloped countries, namely, capitalism and socialism. In the stories told by apologists for each, the same factors - the market on the one hand, and planning on the other - were alternately the very secret of progress or the most basic explanation of backwardness…”

“…in the heat of revolutionary struggle, modernist discourse quickly lost contact with qualifying reality, and its binary logic took on an unhindered life of its own…”

“…the zemecha students [universitários enviados para o mundo rural para estabelecer a nova ordem revolucionária] found not support but fierce opposition from peasants. Most of the students came not only with a superiority born of modern education but with the traditional contempt of Orthodox Christian believers for so-called pagans. The mixture of these sentiments made … chiefs, who typically occupied religious as well as political roles, appear to the zemachs as especially egregious figures who oppressed their followers through superstitious beliefs…”

Student revolutionaries had their own vision of the new rural order…carrying Mao’s Little Red Book, would lecture peasants on class struggle and the necessity for collective farming, while peasant association leaders kept asking where they would get the oxen urgently needed for plowing and when fertilizer would be delivered” (Marina, David Ottaway, Ethiopia, 12)…

The difficulty is that rural people typically live in different cultural worlds than urban revolutionaries, and, as James Scott argued…”The radical intelligentsia, at least initially, is often as culturally distant, if not more distant, from the peasantry thant the dominant elites whom they wish to replace“…

[ Donald L . Donham, Marxist Modern. An Ethnographic History of the Ethiopian Revolution, pp. 25, 26, 33, 34, 36)

para muitos canadianos a sua identidade parece ser a de procurar eternamente a sua identidade, um empreendimento a la Sísifo, que lhe garante uma angústia para sempre“.

[citação de The Canadians, de Andrew Malcolm, em Onésimo Teotónio Almeida, Rio Atlântico]