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ainda os tumultos de Maputo

Hoje
aromas chamanculos
politizam os fogões
da polana

[”Primeiro aniversário” (1977) em Carlos Cardoso, Directo ao Assunto]

“Cardoso era um defensor da fronteira que nos separa do crime, dos negócios sujos, dos que vendem a pátria e a consciência. (…) O sentimento que nos fica é o de estarmos a ser cercados pela selvajaria, pela ausência de escrúpulos dos que enriquecem à custa de tudo e de todos. Dos que acumulam fortunas à custa da droga, do roubo, do branqueamento de dinheiro e do tráfico de armas. E o fazem, tantas vezes, sob o olhar passivo de quem devia garantir a ordem e punir a barbárie.”

(Mensagem na cerimónia fúnebre de Carlos Cardoso, Maputo, Novembro de 2000)

Continuando

Hoje
aromas chamanculos
politizam os fogões
da polana

(”Primeiro aniversário”, 1977)

Eh, todos aí
vamos deslobolar este país

(”Discurso Novo da Mulher”, 1978)

Cumprem regulosamente
a espia sobre as nossas aspirações
e chamam analfabetos
aos nossos gostos e opiniões

São redondamente regulosos
os régulos
do carimbo

(1978)

(Ao Miguéis [Lopes Junior?])

Os semi-utópicos que trazemos no peito
aqui no lado esquerdo do trump-trump da vida
e dos vulcões
Este arsenal de guerra parado
à espera
nos discursos da nossa vontade
apenas semidita
Mas olha
não dura muito o lobolo do compromisso
nas verdades intuídas pela paixão.

Eh! escravos do slogan,
respeito.
Há sangue nosso na estrada

(1977)

[Carlos Cardoso, Directo ao Assunto]

Carlos Cardoso e António Siba Siba Macuacua

Diz-me quem sabe da matéria que a Femina é a melhor revista feminina sul-africana.

Neste último mês de Janeiro inclui uma entrevista com Nina Berg, viúva de Carlos Cardoso, uma memória muito pessoal da vida em comum e um pouco da personalidade do jornalista. Uma inesperada, mas forte, forma de o lembrar quatro anos já passados após o seu assassinato. E recordando (e talvez disso informando as leitoras sul-africanas) que o executor-mor, o famigerado Anibalzinho, escapou de novo, hoje preso no Canadá enquanto se espera a sua extradição (e novo julgamento) . Assim não deixando esquecer.

Por razões óbvias a memória do assassinato de Carlos Cardoso associa-se sempre ao do economista António Siba Siba Macuacua,

ocorrido há já três anos e meio e ainda sem apuramento de responsabilidades. Também para não deixar esquecer.

Ainda que lhe falte o capítulo final, um anúncio tão antecipado, tão evidente, que será desnecessário parafrasear Gabriel Garcia Marquez.