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Abril 30th, 2008 — Bloguismo Moçambique, Correntes
Com simpatia Ivone Soares, no Meu Ser Original desafia o ma-blog para se integrar na corrente “não me importo …”. Não sendo o ma-blog um blog não posso lá responder ao amável desafio. E, se o assumir como para mim enviado, já o respondi.
Tem voz o ma-blog? Ou é apenas eco? Decido que a tem. Hoje inclui 141 blogs sobre Moçambique a alimentá-lo (nem todos indexados na sua coluna da direita, pois isso não está actualizado). Está o mais exaustivo que tenho conseguido. Inclui blogs que tenham sido actualizados desde Setembro de 2007 (com uma única excepção, terminada há alguns anos), ainda que vários estejam aparentemente encerrados.
A listagem inclui objectos muito diversos, como é natural. Exemplifico (as referências seguintes são ilustrativas, não hierarquizadoras) para ilustrar a pluralização do bloguismo “moçambicano”. Mais, para os interessados a sua consulta poderá conduzir a outros blogs das mesmas áreas (ou outras) apesar da parcimónia que os bloguistas moçambicanos têm em ligar (”linkar”) outros blogs - quando têm listas de ligações costumam fazê-las a um pequeno grupo já instituído, uma espécie de “links de prestígio”.
- temáticos profissionais: A Empresa e o Direito, CEO - Economista, Fenómeno Turismo;
- monográficos: Companhia de Moçambique, Fauna Bravia, Caça e Caçadores de Moçambique, Voando em Moçambique;
- divulgação de expressões artísticas: À Sombra dos Palmares, Mãos de Moçambique, Mbila - Música de Moçambique;
- educação: Centro de Ensino à Distância - UEM, Escola Portuguesa de Moçambique;
- da diáspora moçambicana: Ponte Moçambique-Suécia, Chapa 100;
- escritores: O Tricô das Maçanicas, Meu Quintal Dividido, Tatuagens de Estrelas;
- empresariais: Kampfumo, Gil Vicente Café Bar;
- expressões religiosas: Calling Rastafari, Moçambique Islâmico;
- reflexão política: Nação Coragem, Nullius in Verba;
- paisagísticos: Quelimane, Digital no Índico;
- intervenção académica: Ideias Críticas, Olhar Sociológico;
- políticos: Manuel de Araújo, Namburete;
- de imigrantes: Mi Vida en Mozambique, ma-schamba, Lusofolia;
- de jornalistas: Pátria Que Me Pariu, Crónicas Semanais de Luís David, Nantchite;
- de activismo musical: Hip-Hop Moçambicano, Hip-Hop do Jardim, Jungle Music;
- de activismo político-social: Diário de Um Sociólogo, MozambiqueOnline Blog;
- de auto-edição literária: Ekuru Yo Ophenta, Momentos de Vida, Silvi da Selva and Me;
- de incidência regional: Beira-Amar, Angoche Parapato Oweto;
- etc.
Conclusão:
1. Não me importo com a trabalheira em montar e actualizar este portal, que demonstra (e actualiza hora a hora) o exercício por cá da palavra livre e tão plural - uma mutação na palavra pública neste contexto, acho.
2. Não me importo que esteja (sempre) incompleto. É sua característica, não defeito.
3. (mauzinho) Não me importo que alguns bloguistas, que tanto me chatearam com telefonemas, sms’s e emails para lhes anunciar os neo-blogs (e lá o fiz, com prazer blogocompanheiro), tenham sido incapazes de deixar uma nota sobre isto, que é um instrumento não pessoal, mas sim colectivo. Ou seja, não me importo que as minudências in-blog sejam como as minudências out-blog. Nem doutra forma poderiam ser.
4. Não me importo de ser um tonto, tecnologicamente incapaz de mexer no ma-Blog para o colocar, quanto a conteúdo e a estética, do modo que desejaria. E que o tornaria bem mais apelativo, estou certo.
5. Não me importo de pedir ajuda quando preciso.
6. Importo-me imenso de não ter ajuda para isto. Se alguém percebe da máquina quer dar uma mãozinha?
Março 28th, 2008 — Bloguismo Moçambique, Maputo
[fotografia de Pedro Sá da Bandeira]
O Bar Ka mpfumo, ali na Estação dos CFM - e no qual reclamo estatuto primaz pois fiz questão de inaugurar a caixa registadora - abriu o seu blog. Com alguma lógica chamado Kampfumo.
Março 16th, 2008 — Bloguismo Moçambique
tem recebido novos blogs - alguns entretanto descobertos, alguns outros que têm sido criados. Espero que muito em breve o Ma-blog venha a assumir uma forma mais duradoura.
Entretanto quero saudar o aparecimento de um novo blog, o Silvi da Selva and me, feito por um amigo que é incontornável personagem de algum Maputo, o Carlos Le(comedian).
Março 8th, 2008 — Bloguismo Moçambique, Eduardo White, Literatura Moçambique
Anos depois do encerrar o seu Apassarado o Eduardo White, por ora em Lisboa, deixa aviso de que regressa a estas blogandanças: abriu o Meu Quintal Dividido. Um abraço!
Março 3rd, 2008 — Bloguismo Moçambique
Algum tempo depois de começar a blogar contactei com o Frescos, um sítio onde se estabelecera uma selecção (uma selecção!) de blogs, predominantemente portugueses - mas não só pois incluía estrangeiros residentes (tal como portugueses no estrangeiro) -, e onde eram constantemente anunciadas as suas actualizações. Era muito útil, mas como tudo o que é bom desapareceu. Confesso que não sei se alguma vez os autores do Frescos esclareceram os critérios pelos quais se guiaram na sua selecção. Nem se foram criticados por tal - honestamente, nem sei quem eram. Depois da sua paragem contactei com outros sistemas de “rações” (feeds, dizem os do jargão), de construção individual (o Bloglines, o Kinja), úteis para a leitura dos nossos preferidos mas que são algo restritivos para uma visão mais abrangente - exactamente porque são de construção individual permitirão a leitura em “bola-de-neve” mas obscurecem bastante outros contextos. A ideia do Ma-blog é exactamente a de constituir uma visão abrangente do bloguismo em torno de Moçambique, à imagem do velho Frescos - mas dada a dimensão humanamente apreensível deste meio bloguístico, ainda que em crescendo, retirando qualquer selecção “por (meu) gosto” e apresentando-o do modo mais exaustivo possível.
Os critérios por mim propostos para este recenseamento foram os seguintes: todos os blogs escritos por moçambicanos; todos os blogs escritos em Moçambique; todos os blogs escritos no estrangeiro dedicados a questões moçambicanas. São critérios falíveis, porosos. São critérios, nada mais, a procurarem algo o mais inclusivo possível. Mas que estabeleça um quadro do bloguismo centrado em Moçambique - com tudo o que de fluído isto tem: um hipotético blog de um moçambicano exclusivamente dedicado à astronomia está “centrado em Moçambique”?
Pedi divulgação aos co-bloguistas (e não só) e ainda a sua opinião, esta sobre o como desenvolver este instrumento (ou brinquedo, depende do como se considera o bloguismo). Nas primeiras horas recebi quatro respostas: duas de bloguistas incluídos no Ma-blog, saudando a iniciativa ambos, opinando um e outro prometendo opinião para muito em breve.
E outras duas opiniões, em sentido contrário. Uma cortês, a outra desagradabilíssima. Em ambas a mesma questão, identitária: portugueses, com laços biográficos, de parentela e afectivos com Moçambique, com blogs que dedicam atenção também a matérias moçambicanas. E a reclamarem a sua integração.
Para mim isto surge num registo muito para além do bloguismo, no registo identitário. Questão recorrentemente surgida noutros contextos, em particular o literário ou artístico: quem é ou não poeta moçambicano, é assunto que já apaixonou tertúlias ou seminários. E também no âmbito político, mas aí com diferentes tons, dada a formalização institucionalizada que tal assume, toda a discussão sobre “moçambicanidade” e “cidadania” que existiu e existe. A questão identitária interessa-me imenso, enquanto matéria profissional. As (auto)reclamações, as imputações, as porosidades, as transferências, as contextualizações estratégicas, etc, etc., tudo isso me é assunto, e também quando respeita à questão nacional. Mas profissionalmente interessa-me enquanto processo, não enquanto juiz de causa ou enquanto censor. Por infinita maioria de razão muito menos me dá para tal função de atribuição ou recusa de “moçambicanidade” aos co-bloguistas. Nem o Ma-blog nem o jpt distribuem DIREs ou BIs, físicos ou espirituais - não têm vontade, nunca teriam legitimidade. O Ma-blog quer ser apenas um facilitador de conhecimento do que se faz com o bloguismo em Moçambique, com algum tipo de coerência - a qual pode ser encontrada com outros critérios, claro. O jpt quer apenas, pelos vistos, colher lenha para se queimar (ou chatear).
Ou seja, faça-se esta congregação e divulgação com os estrangeiros que cá estão ou não. Com os estrangeiros que estão “lá” ou não. Basta dizerem … mas o próximo tipo que me apareça a dizer que ele sim, merece estar no Ma-blog porque é de cá, casou com de cá, bebeu da água do chiveve ou do coco, e não porque é um desses que estão cá (Moçambique) a “melhorar as condições de vida” - como se fosse desonestidade ou crime - saiba que lhe resmungo insulto. Sem mais argumentos. Muito menos sobre se é legítimo eu fazer um agregador de blogs e colocar o meu lá - isto são blogs. Só blogs. E, neste caso, apenas ligações a blogs.
Enfim, “cenas entre tugas”, dirão alguns, sorriso aberto. Pois, quem me dera ter o Frescos…
Março 2nd, 2008 — Bloguismo Moçambique
Já ameaçara a tal novidade bloguística. Desafiei o incansável Paulo Querido, o patrono do TubarãoEsquilo para uma aventura para estes “lados”.
E o Ma-blog está aí: um portal do bloguismo relacionado com Moçambique. Coisa em primeira mão, a corresponder ao actual boom do bloguismo moçambicano. Está o Ma-blog ainda em versão experimental: diz-se assim pois aguarda opiniões e sugestões, em primeiro lugar as dos autores mas claro que também as dos leitores. Tem formulário para tal, esperando a participação. Mas já está em velocidade de cruzeiro, actualizações hora a hora, um serviço do TubarãoEsquilo à vossa disposição.
Desvanecidos agradecimentos os que dedico e devo ao Paulo Querido pela realização deste meu velho blogoanseio. E repetidos pedidos de colaboração aos co-bloguistas.
Adenda: pela divulgação do Ma-blog fico grato ao Corta-fitas, ao Alto Hama, ao you bore me to death, ao Congeminações, ao Notas, ao Da Literatura, ao Eclético, ao O Escudo, ao O País do Burro, ao Câmara Clara, ao Insónia, ao Nova Floresta, ao Avatares do Desejo, ao Digital no Índico, ao Chuinga, ao Impressões de Um Boticário de Província, ao Quase em Português, ao A Barbearia do Senhor Luís, ao Fim de Semana Alucinante, ao Elypse, ao Blasfémias, ao Palavra Aberta, ao Daedalus, ao Chez Maria, ao Cibertúlia, ao O Amigo do Povo, ao Voz em Fuga, ao 25 Centímetros de Neve, ao Forever Pemba, ao Desnorte. E também pelas ligações colocadas: Namburete, Oh, My God, no Quelimane, Angulo Recto, no Forever Pemba, no O Bico de Gás, no Beira-Amar, no Navegador Solitário, no Espreitador , no Do Rovuma ao Maputo, o O Regabofe, Comando de Agrupamento 2972, Oficina Ponto e Vírgula, Ágora Social, De África.
Também anunciado no Mas Certamente Que Sim, mas aí o agradecimento é descabido, pois o homem é o autor.
Fevereiro 23rd, 2008 — Bloguismo Moçambique
Dentro de algumas horas ou alguns dias (também) aqui será anunciada uma bela novidade bloguística, que espero (estou à espera; presumo) ser de grande interesse para os visitantes.
Estejam atentos, sff.
Janeiro 2nd, 2008 — Bloguismo Moçambique
Muito obrigado pela inclusão.
Dezembro 2nd, 2007 — Bloguismo, Bloguismo Moçambique
Há duas semanas o blog
Navegador Solitário realizou algumas entrevistas a bloguistas. Aqui ficam as minhas respostas.
1 . Como interpreta a disseminação e o interesse crescentes pelo fenómeno blogue?
O primeiro factor, que muitas vezes se não refere quando se aborda isto, tem a ver com a “disseminação” da própria internet, um instrumento interactivo extremamente poderoso. Penso que quem pertence a uma geração que comunicou em adulto ainda antes da sua emergência perceberá que este factor tecnológico foi uma revolução na palavra pública e no acesso à informação - o que, porventura, os que cresceram já com a “net” em casa e no emprego não sentirão de modo tão agudo. Neste âmbito uma análise desta questão tem que associar o bloguismo com o orkut e restantes comunidades, salas de chat e similares. São meios que não conheço, e que têm (terão) conteúdos sociológicos diferentes, mas separá-los à partida da comunicação bloguística parece-me artificial - é gente a comunicar de modo (quase)imediato muito para além do telefone e do rádio-amadorismo anteriores.
Noutro registo haverá um conjunto de factores que explicam a popularização da actividade, os quais não posso esgotar: o anseio da democratização da palavra (a universalização do “palanque do orador” londrino) - algo que está no mesmo eixo das mudanças na televisão portuguesa (falo da que conheço) desde meados de 90s, com a encenação da entrega do microfone ao povo (claques de futebol, concursos, entrevistas na rua, mesmo a mera plateia popular dos programas - não falam mas ESTÃO lá), e com a já velha ideia radiofónica de auscultar a “opinião pública” (a linha aberta para os ouvintes, o carro de exteriores); algum esgotamento ou, melhor dizendo, algum encerramento sobre si mesmos, dos orgãos de comunicação escritos - muito hierarquizados em termos geracionais, políticos ou culturais (depende do país e, até, da época); uma solidão urbana, que é visível muito em particular no mundo dos comentários, esse que é fundamental no mundo bloguístico, seja ao nível da polémica por vezes violenta (que abunda no bloguismo político) seja também no desenvolver de ambientes de extrema afectividade, por vezes estranhos aos visitantes ocasionais, que se encontram em blogs de nicho - exemplos particulares em blogs de expressão ficcional e, mais ainda, poética. Estou consciente que é uma afirmação preconceituosa esta de afirmar uma solidão prévia à expansão bloguística, talvez não se deva afirmar um deficit, talvez apenas (mas um “apenas” complexo) se trate de uma modificação dos hábitos de sociabilidade.
E, evidentemente, um generalizado culto da individualidade, de publicitação (quantas vezes exasperada) de uma autonomia desejada.
2. Quando navega na blogosfera fá-lo à vista ou prefere rumar para um destino já conhecido?
Cabotagem pura. Blogo há quatro anos, tenho um quadro cada vez mais reduzido de blogs que leio, é absolutamente impossível acompanhar o movimento - não há tempo. E, com franqueza, é difícil encontrar blogs surpreendentes. Por vezes sigo indicações de bloguistas para um texto ou outro, mas o quadro está muito demarcado. Nem sempre foi assim, claro. Quase todos os dias leio consoante o tempo, 5 a 10 blogs entre cerca de 20 que prefiro.
3. Quais as motivações que o conduziram à criação de um blog?
Em termos gerais comecei a blogar em 2003 o ano da explosão bloguística em Portugal. Um pouco moda, arrastado por nomes como Francisco José Viegas e José Pacheco Pereira, que divulgaram o instrumento a seguir ao fenómeno O Meu Pipi. Em termos individuais: sou imigrante, há alguns anos que escrevia crónicas que enviava via e-mail a amigos e conhecidos, uma espécie de blog pré-blog entregue ao domicílio - foram alguns desses amigos que me incentivaram a encetar um blog, antes mesmo de ter ouvido falar em tal coisa.
4 . Qual a sua opinião sobre a blogosfera?
Não uso a palavra “blogosfera” que simula uma entidade, e já simulou uma comunidade. Ninguém diz “telefonoesfera” e todos andam agarrrados aos telemóveis (cada vez com mais funções intercomunicacionais). Nem mesmo “midiaesfera” se vai dizendo - e aqui há uma institucionalização e uma profissionalização que permitiria falar de um efectivo contexto socio-profissional (e até cultural). Há “bloguismo”, uma actividade, com múlitplas versões, até profissionais hoje em dia. É uma actividade por enquanto maioritariamente lúdica que, fundamentalmente pelos constantes avanços tecnológicos, muito em breve dará campo para outras formas de comunicação amadora.
Não gosto da palavra “blogosfera” pois os seus utentes (da palavra) normalmente associam-na a uma postura ética, em particular no postular de um corpo de “deveres” do bloguista (morais, políticos, etc.) cujo mero postular contém um ridículo pró-censório cansativo, uma “deontologia” que me parece abusiva. E mais, os conteúdos normativos que aí surgem são normalmente egocentrados - os bloguistas assumem que a “blogosfera” deve ser algo mais ou menos como eles a exercem - e isso é muito visível no bloguismo político-opinativo (exactamente porque é um exercício bloguista que assenta no “dever ser”, no “eu acho que”), surja ele com alter ego científico (social) ou meramente político - ainda que a distinção entre ambos os campos se dilua na vertigem bloguística de comentar o dia-a-dia: no fundo a mistura da facilidade teclística com a ideologia denuncionista promove esse egocentrismo “deontológico”.
5. Os blogues poderão substituir a imprensa online?
É uma pergunta recorrente, esta da substituição da imprensa (neste caso online). Parte de um preconceito, o da sobrevalorização qualitativa e quantitativa dos bloguismo “informativo”, “noticioso”, “opinativo”, entenda-se político, uma ideia de “político” que se confunde (por pobreza) com “actualidade”. Ninguém pergunta se o bloguismo acabará com os museus ou os “sites” dos museus, com as editoras de livros, com os “sites” de música ou com o ascendente cinema na net, ou outra coisa qualquer. E essas perguntas têm tanta lógica como esta, apenas exigiriam outros tipo de leitor de blogs para a formular.
Já agora, nos blogs (
a la imprensa) não há investigação, não há reportagem (pode ser que surjam numa ínfima minoria, mas só aí). Ecoam notícias, são trampolins de opiniões - e daí a sua interligação, interalimentadora, com a imprensa. Às vezes a retórica pode surgir como profundidade de informação (e há casos excelentes nesse sentido, blogs normalmente de recensões científicas ou literato-artísticas - mas raramente nas questões da “espuma dos dias”) mas quanto muito haverá profundidade de reflexão sobre matérias alhures colectada - é normal, não há grande profissionalização.
6. Em que medida os blogues intervêm na sua vida pessoal e profissional?
Demasiado tempo gasto. Um instrumento contra as insónias. Alguns longínquos amigos em email muito de quando em vez.
7. O que é para si, um bom blog?
Cada um bloga como quer. Eu oscilo leituras entre dois tipos de bloguismo: o moçambicano e o português. Por razões sociológicas são bem diferentes: o moçambicano é muito respeitoso e doutoral, hierarquizado. Muito ético - predomina o deve ser assim ou assado. O conteúdo, a atitude, a postura são (auto)vigiados - no fundo um pouco a ideia “respeitadora” que está presente na introdução do seu questionário, “quem pugna pelas ex-colónias” (neste caso Moçambique) - aliás é interessante ver a elevada percentagem de blogs que ao longo de anos têm “Moçambique” no nome. Um nacionalismo bloguístico (não critico, constato). Está-se no domínio do bloguismo de tese, que aliás é sentido como quase obrigação (os exagerados elogios, o “desculpe-me intervir”, ou “quem sou eu” etc, ainda se vão fazendo ouvir - mas menos, basta ver os tempos iniciais do Ideias para Debate para ver como o à vontade se está a expandir) Ou seja os blogs são aqui um elemento importante de democratização do acesso à palavra pública (e isso, como estrangeiro, encanta-me). Faltará ainda democratizar a palavra.
O bloguismo português é uma confusão. Uma muito maior multiplicidade de capitais culturais a funcionar (é sociológica e historicamente compreensível). Mas acima de tudo muito menos hierarquizado - seja em que registo (música, política, literatura, imprensa, etc.) for as figuras públicas e/ou graduadas bloguistas são dissecadas (justa e injustamente) pelas opiniões que botam. Prefiro assim, anda que haja exageros.
Um bom blog para mim: bem escrito, ágil, incoerente (não há paciência para as putativas coerências diárias, as agendas bloguísticas - quem tem agenda que vá trabalhar), um toque de ironia, um toque de paixão, um “eu” sem estrado por baixo. E com a arrogância de se saber que não é o maior do bairro. Um exemplo? O Nkhululeko infelizmente em estado comatoso (espero que o André leia isto e tenha vergonha de não continuar). No contexto em que surgiu é um verdadeiro projecto de desenvolvimento, de democratização da palavra inteligente. De descontrutor de hierarquias - e não me diga que estou a ser normativo, perguntou-me pelo meu gosto, é apenas esse que lhe dou.
8. A sua participação na blogosfera tem sido gratificante?
Claro - aprendi que escrevo pior do que pensava. E que ler é muito difícil, estamos sempre a incompreendermo-nos. Depois aprendi que há gente (que não conheço pessoalmente) que é de uma gentileza enorme, ternurenta até.
Gratificante não, mas enriquecedor sim: descobri que há um submundo na internet - e também no bloguismo [em particular nos comments do bloguismo político da extrema-esquerda portuguesa] absolutamente pavoroso. Há gente horrível - os filmes americanos não são tão ficção assim, “serial killer is watching you“. Felizmente (ainda) só quer teclar.
Dezembro 1st, 2007 — Bloguismo Moçambique
Novembro 21st, 2007 — Bloguismo, Bloguismo Moçambique
Novembro 20th, 2007 — Bloguismo Moçambique
Chega-me por e-mail notícia de um local espectacular que, infelizmente, desconhecia. Gastronomia Moçambicana e Goesa, apresentada no Macua de Moçambique. A evitar perder.
Novembro 20th, 2007 — Bloguismo, Bloguismo Moçambique
Novembro 19th, 2007 — Bloguismo Moçambique
Na coluna da direita mais meia dúzia de ligações a blogs moçambicanos e/ou (também) dedicados a Moçambique.
Outubro 12th, 2007 — Bloguismo Moçambique
INDEKS Mocambique, um sitio com vasta informação sobre Moçambique. A registar.
Outubro 6th, 2007 — Bloguismo Moçambique
Setembro 29th, 2007 — Bloguismo, Bloguismo Moçambique
Esta lista de blogs em português [Top 100 África e Timor] vem ficando mais abrangente. Eu enviei para o endereço que me foi dito a lista dos endereços bloguísticos dos blogs moçambicanos que conheço. Seria interessante que os próprios autores que ainda lá não figuram os enviassem, para que fique o mais exaustiva - já agora para quê Top 100? Por enquanto uma lista o mais lata possível seria mais interessante. O estado do bloguismo em África é mais inicial, mais engraçado será conhecer o quem anda por aí do que listar a lista dos mais conhecidos (ou, dado que isto é via technorati, dos mais antigos).
Setembro 21st, 2007 — Bloguismo, Bloguismo Moçambique
Encontra-se aqui uma lista de blogs em português escritos em África, a qual está em actualização (e crescimento). Utiliza a velha contabilidade do sistema technorati, mas vale a pena para identificação do que vai havendo.
Setembro 17th, 2007 — Bloguismo Moçambique
Na coluna de elos adicionei vários blogs moçambicanos. A crescer o bloguismo por aqui …
Junho 21st, 2007 — Blogs, Bloguismo Moçambique, Politica Portuguesa
Portugal. ‘E uma questao de espirito, ou de falta dele. Falta de “democraticidade”, de apego pela democracia, pelo exercicio publico ou privado da opiniao - sendo esta desinteressada, desinteresseira, interessada ou interesseira, informada ou desinformada, esperta ou imbecil, ‘e ela, sao elas, o seu entrecruzar, que contam. Estar contra isso nao ‘e arrogancia, ‘e mero acantonamento. O acantonamento do poder, crispado. Suicidario: felizmente, pelos energumenos que la estao; infelizmente, pela democracia que assim se impotencia.
Dai esta ligacao ao Avatares do Desejo, um completamente de acordo: no apontar o dedo aos tiques persecutorios, censorios, policiescos de um presidente da camara e do seu sequito (Rui Rio et al); no detectar-lhe a osmose (o humus adubado sera o mesmo) com a directora Margarida Moreira (que confirma usar os servicos do Estado para recensear “…tudo o que tem saído na comunicação social, nos blogues, ofícios, em tomadas de posição, em artigos de opinião..” que a critique, coisa muito para alem do mero arquivo de um organismo publico)), partidaria da delacao, da denuncia anonima, da abjeccao moral (que leio ter sido chefe de gabinete de Augusto Santos Silva - a ser assim confesso o meu incomodo, como justificar um regresso aos textos de um brilhante sociologo se homem turbo deste lixo? Frise-se, um homem desonesto nao pode ser bom cientista social pois obviamente falsificara o real para acorda-lo a sua retorica. E so um homem desonesto pode, dizendo-se democrata, ancorar-se nesta gentalha).
Estes tiques do poder sao continuos. A esmagadora maioria nao vem para o publico. Lembro ha anos que um contratado de um ministerio assistiu a uma audicao parlamentar a um secretario de Estado da cooperacao (o cujo, alias, ate me foi simpatico quando o conheci aqui). Dessa reuniao fez uma analise critica e fez circular via e-mail. Foi despedido. Uma tecnica dos servicos estatais fez um mero FW desse e-mail: foi dispensada. Nao ‘e diz-que-diz: conheco todos, ate aos que nem aparecem neste breve resumo e andaram a tratar dos processos.
Da delacao lembro receber de um importantissimo mas mero director-geral um documento oficial, assim espalhado pelos arquivos de multiplos organismos estatais. A instrucao era simples, que eu “comentasse” uma carta anonima, ali reproduzida, falsificando um “pretogues” para parecer obra de mocambicano como se estes fossem o colonial Parafuso. A carta dedicava-se a vida de uma professora portuguesa, criticada entre outras coisas, lembro, por frequentar a esplanada do Hotel Polana. “Comente” tal merda, mandava o miseravel director-geral, ainda que importantissimo (desses que nao so aceitam como induzem o tratamento de “Professor” bem antes do doutoramento). “Uma carta anonima nao se le”, comentei ao “doutor”. A professora nao ficou no seu posto, claro esta. Parece que ia ao Polana …
‘E tambem por isso que nada concordo com o sumo do Eduardo Pitta: os aqueles nao sao melhorzinhos do que os aqueloutros. ‘E um ambiente, um modo de viver, um achar que (tem que ser) ‘e assim - os episodios acima sao historias daqueles e daqueloutros, os canalhas ainda sao ou sao-no outra vez ou virao a ser “directores-gerais (nao) professores”. E ‘e por isso que insisto com o Lutz: os inimigos sao estes, nao o folclore autoritario sim o real autoritario.
(o objectivo do Ma-schamba quando o reabri era nao falar de Portugal. Mas eh um bocado dificil evitar a esparrela bloguistica, caramba, o rincao geme e um tipo irrita-se, quixotesco, familia dixit.
Tem custos isto - como o de perder elos em neo-blogs mocambicanos. Cada um bloga como quer, cada um ela como quer, e ainda por cima hoje os elos nao sao o motor de leituras que foram ha anos. Sao mais um simbolo de relacionamento. Mas ao ver um blog abrir com o primeiro elo aqui a velha casa e reparar na sua queda sorrio ao chauvinismo bloguistico. Tao digno como o chauvinismo. Tao esperto como. Seja qual for o rio que banha o dono.)