Entries Tagged 'Banda Desenhada' ↓

Jacob Zuma

Aqui ao lado, “lá em cima” como se costuma dizer, é a era de Zuma que chega. Amigos meus, gente boa e culta, dizem-me e repetem-me, à mesa, com bonomia, do seu “zumismo”. Gente, boa e culta, que continua a crer numa cartografia sacra, numa iconologia topológica - Zuma “é de esquerda”, afiançam-me(se) e nisso potenciam esperanças, e até nem tão parcas estas.

Para esses meus caros amigos “zumistas” com os quais, ao longo dos anos, tantos elogios cruzei ao grande Zapiro, insuspeito de costela direitista ou de revanchismo malaniano - julgo eu, que se calhar agora feito herege cartográfico -, aqui deixo os seus dois últimos cartoons. Sobre o ANC de hoje, sobre a África do Sul que aí vem. Mas mais do que tudo, sobre isso “da esquerda” …

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Zimbabué

Em vésperas de “eleições” - as quais a SADC se prepara, com toda a certeza, para considerar “free and fair” ainda que com alguns problemas, assim actualizando o conceito “as nossas limitações” - e enquanto Tsvangirai se refugia numa embaixada Mugabe ordena a prisão do espelho mágico.

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Uma imagem vale mil palavras? Não, mas diante do patético silêncio cúmplice dos poderes vizinhos - até de Mandela, até de Mandela … - assume contornos cruciais a contestação sul-africana ao desvario ditatorial mugabiano: a da intelligentsia local (onde os cartonistas têm sido um monumento de crítica política e social); a do lumpen local, com a recente jaquerie pró-nazi a elucidar sobre o gigantesco magma à disposição do mais vil populismo. Esse que está a chegar …

Adenda: no ma-blog estão a abundar as entradas (opinativas e/ou noticiosas) sobre o desenrolar da situação zimbabueana.

Dia histórico

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 Asterix, Asterix e Cleopatra por René Goscinny e Albert Uderzo.

Pois dia da introdução. Antes de dormir as primeiras páginas, a primeira leitura de Asterix. Este. - Depois, quando eu saio do quarto fica a adormecer com um outro livro, de princesas. De outras princesas, não da Cleopatra.

Mourir, Partir, Revenir. Le Jeu des Hirondelles

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Fim-de-semana iluminado por mais algo vindo da Flandres. De Zeina Abirached, “Mourir, Partir, Revenir. Le Jeu des Hirondelles” (Éditions Cambourakis, 2007). Uma noite “em família”, magnífica recriação do Beirute da década de 80, o (auto)concentracionário da guerra civil. Formas e ritmo angustiantes. Livro que exige ser lido …

Riyad-sur-Seine

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De Frederik Peeters e Pierre Dragon, Riyad-sur-Seine (Gallimard, 2007). Excelente policial, anunciado como o primeiro de uma trilogia sob a personagem de Pierre Dragon (homónimo do pseudónimo co-autoral). Que bela prenda que me chegou lá da Flandres.

O último soldado da I G.M.

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Naturalmente a televisão francesa atribuíu um grande destaque à morte de Lazare Ponticelli, o último combatente da I Guerra Mundial [a Grande Guerra, como se dizia em Portugal]. Para além do espanto da resistência - um veterano das trincheiras a chegar aos 110 anos (e a CFI passou emitiu ainda trechos de entrevistas realizadas nos últimos cinco anos com vários veteranos) - este recordar da Guerra de 14 lembrou-me o livro Kináni (Quem Vive?), de Cardoso Mirão, um espantoso relato da I Guerra em Moçambique, merecedor de leitura (já agora, Cardoso Mirão que aqui combateu essa guerra é tio-avô do Miguel Silva).

A homenagem nacional que agora em França foi realizada ao supra-veterano Ponticelli, e através dele a todos os combatentes da I Guerra Mundial - das mais irracionais existentes -, fez-me ainda lembrar uma velha entrada aqui, de Fevereiro de 2005, dedicada a um facto social total: O cemitério militar de Pemba.

Mas, honestamente, a minha reacção à notícia do final do contingente de 1914-18 foi ir ler o Tardi. Nada melhor para evocar a carnificina.

 

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“as coisas estão a mudar …” (?) (!)

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Hergé retoma pela terceira vez a aventura americana para a edição publicada em 1973. O texto será comprimido para evitar os cortes de palavras no fim das linhas. Mas, sobretudo, fez uma importante concessão aos editores americanos: em três quadradinhos retira os negros que entram na história. Com efeito, os americanos opunham-se ao facto de negros e brancos figurarem lado a lado numa história destinada a um público jovem.

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Na prancha 1, o bandido negro, à direita do grupo ao qual Al Capone se dirige, é substituído por um malfeitor de origem porto-riquenha. O porteiro da Petroleum & Cactus Bank na prancha 29 passou a ser branco. O mesmo tratamento foi aplicado ao bebé que chora e à mãe deste, na prancha 47.”

(Michael Farr, Tintim. O Sonho e a Realidade, Lisboa, Difusão Verbo, 2005, p. 38)

Falso post-scriptum: antes que algum desses “semiólogos” fascistas de extracção marxista por aqui passe e erga a habitual catana: “Mas nas três versões (…) Hergé persiste na condenação do linchamento e do habitual racismo das pequenas cidades americanas“. (idem)

Já agora, sobre os pobres tontos que aderem a Obama porque ele é “negro” - triste impensamento - já a “Ana” pôs o ponto final parágrafo adequado.

Brand New Madam & Eve

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Bring me my (new) Washing Machine! Inútil ir a Neilspruit?

World Press Cartoon

O Instituto Camões apresenta esta deliciosa exposição - World Press Cartoon, ali colectadas obras dos últimos três anos (2004, 2005, 2006).

Lamento a ausência de elementos informativos, tanto sobre os autores como sobre as obras - e sabendo-se que o cartoon vive muito da compreensão do contexto é óbvio que em muitos casos a inteligibilidade fica amputada.

Mas ainda assim a mostra é mais do que recomendável. Apetecível. No local pode-se adquirir (e a preço bastante decente) o livro aqui mostrado, “Os Autores World Press Cartoon 2007“, uma edição Expresso. Neste surge uma colecção bem mais vasta de obras, correspondentes a trabalhos de 2006 - infelizmente de 2004 e 2005, os outros anos expostos, não há aqui registo bibliográfico. E digo infelizmente pois no livro surge um vasto número de obras que não estão expostas e que ombreiam em qualidade com as restantes.

O conjunto é, e tal não será de estranhar, muito dedicado à política da actualidade. Mas ultrapassa-a. Desde esta verdadeira pérola, realmente política

[”Futebol”, de Dalcio, publicado em Correio Popular (29.06.06), Brasil]

até à grande caricatura

[”Fellini”, de Luka, publicado em TV Mir (27.12.06), Ucrânia]

passando pela crítica social (e neste caso muito actual, pois obra belga)

[”Discriminação + Exclusão”, de Quack, publicado em Terzake (01.06.06), Bélgica]

A exposição encerra no próximo fim-de-semana, ainda há tempo.

 

Prever (e até planear) o futuro é um desejo de quase todos, metafísicos, filósofos ou cientistas (a acreditar nesta tripartição). Desejo que de tão inalcançado se vai traduzindo em impossibilidade.Prova que é possível antever e que se o pode fazer de modo acurado e belissimo é este livro: Bilal e Christin em 1983, a perceberem que tudo ia mudar.

(entrada colocada em Maio de 2004)

Brokeback Madam

O genial Madam and Eve.

Cartoons

Um amável leitor enviou-me via email um conjunto de cartoons, alusivos aos eventos mais actuais. O humor ultrapassa opiniões, não tenho dúvidas. Um desses irresisto a colocá-lo aqui, até por razões pessoais.

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O Fim do Império Americano

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está iminente.

Memória.

Eisner


Narciso, já aqui me autobiografei exaustivamente. E já aí o referi, ao Will Eisner do Spirit e não só. Comigo desde a revista “Spirit”, seis números durados, lá pelos meados dos 70s (não tenho as referências, guardados os exemplares em Lisboa). Agora morto o autor, a vénia claro está. De admiração e gosto.