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Sérgio Zimba é um dos cartoonistas mais lidos em Moçambique, publicado na imprensa de grande divulgação, e frequentemente passado a livro, como este Mafenha (Maputo, Notícias, 1999), então o seu terceiro depois de “Riso Pela Paz” (1993) e “Lágrimas de Riso” (1995), um trajecto editorial de salientar, e tão raro aqui.

Há nesta obra um traço algo rude, um desenho agreste, a embrulhar um humor brejeiro, de tom popular, no qual se mistura o “atrevido”, cheio de alusões e explícitos sexuais, a uma candura - e nesta muito se revela o próprio autor, uma gentileza de pessoa. E nessa mescla desmontando, muito mais eficientemente do que o gosto “burguês” poderá aceitar à primeira vista, os estereótipos do novo-riquismo maputense (universal?), mas também desvendando, pelo sorriso brutal que decerto conquista a compreensão que procura, os trejeitos do quotidiano suburbano.


Mas não é só uma crítica social, há também no autor tem uma visão política cáustica, denotando um homem algo descomprometido, e também livre de um olhar mais programático (que aqui terá como arquétipo a figura “Xiconhoca”), quantas vezes auto-censor e inibidor do próprio humor.


Nele encontro ainda dois traços fundamentais: numa sociedade que, em termos de expressão pública, é muito puritana Zimba joga com o sexo, dá-nos um quotidiano em que este é força motriz, como na realidade o é apesar de todos os moralismos. E onde é também, e quantas vezes, relação de poder. E mais, Zimba escapa-se ao espartilho do português, é (provavelmente) o único homem da comunicação escrita que aqui usa de modo constante, e cúmplice, a associação do português com outra(s) língua(s).


Este é um pequeno texto que exige declaração de interesse. Como é óbvio, e pelos motivos acima assinalados, sou adepto do Sérgio Zimba. Há dias em que ele me parece ser, no âmbito da escrita, o grande olhar moçambicano sobre o real.

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