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Arte Africana em Lisboa

(por AL apressada)


Do nosso leitor Nuno Salgueiro Lobo vem-me a informação que a galeria lisboeta Influx Contemporary exibe actualmente uma exposição colectiva de artistas Africanos contemporâneos, oriundos de diversos países, incluindo Angola e Mocambique.

Pretende-se com esta exposição estimular um outro olhar sobre a Arte Africana:

A maioria das pessoas ainda associa a expressão ‘arte
africana’ às formas ‘tradicionais’, a chamada (erradamente)
de ‘arte primitiva’ ou tribal: objectos utilizados em cultos e
rituais ancestrais que encerram em si uma aura de
misticismo e espiritualidade. ‘Arte africana’ normalmente
significa ‘passado’.
Mas, as coisas em África mudaram muito entretanto…

Pelo que me foi dado ver no site da galeria, vale com certeza a pena dar um salto ao Lumiar.

KM 1834

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Já foi há quinze dias, mas fica aqui o registo. A curiosa iniciativa “Karl Marx dezoito trinta quatro“. Na prática Mabunda, o cada vez mais celebrizado escultor de armas recicladas e ferro-velho, transforma a sua casa em galeria e abre a porta para uma colectiva, uma óptima forma de “receber”. Não foi a primeira vez. Na altura da primeira (Março 2009) escapara-me a iniciativa

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que juntou três gerações: o próprio Mabunda, Mauro Pinto, Idasse e Reinata.

Desta vez Mabunda e Mauro Pinto repetiram e juntaram-se-lhes alguns outros artistas (ver convite). A casa cheia de obras, algumas muito recentes (fotografias frescas do Mauro – que tinha um quarto para ele - por exemplo) outras já conhecidas mas sempre a recordar (como a bela série de Berry Bickle). Estava pois a casa cheia e também de pessoas, que o sábado à tarde foi dia de KM 1834. Quem abrilhantou a cena foi o agrupamento “Sem Crítica“, com música e declamações (“coisas” como eles dizem que fazem). Deixo três pobres fotos para memória, alguns deles tocando diante do Cristo de Mabunda (no chão) e ombreando com o fantástico Músico de Titos Mabota (abaixo em grande plano)

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KM 1834 é uma bela onda. Não só por poder juntar as pessoas com as obras (e as pessoas com as pessoas, e as obras com as obras). Mas porque desinformaliza um meio que aqui tende, muitas vezes, ao pomposo. A repetir, espero. Assim para que fiquemos no meio dos estranhos mundos que nos propõem, assim pelo menos durante algum tempo saindo das nossas próprias estranhezas …

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jpt


O esteta LNT não poderia ter escolhido melhor o grafismo para a campanha deste blog mudo ao rapto de criancinhas.(autoria Reinata Sadimba; obra pertencente à colecção particular do também candidato jpt).

A Estátua dos Prémios Gandula 2005

Via correio electrónico, telefone e comentários, alguns insatisfeitos premiados têm reclamado a inexistência de uma estatueta que acompanhe a distinção Gandula 2005. Óbvios efeitos da globalização pan-americana e da subjugação ao paradigma “oscar”. Mas enfim, não sendo eu mais um do que um reaccionário não vou combater a alienação alheia. Assim sendo aqui rendo-me aos anseios alheios e apresento a extraordinária estátua que simboliza o Gandula 2005

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["Admirado", Reinata]

Reinata Sadimba

Se há algum génio nas artes plásticas em Moçambique (e dado que Shikhani não esculpe, desesperemos pois) então será Reinata, tradicionalizando tudo o que nos inova, regesticulando um monstruário que só alguns poderão achar lá do Cabo Delgado, mas que é mesmo dela. Às vezes um grotesco máximo, um horror e humor a pedir alguém que mexa o suficiente nas palavras para que o possa definir.

Vem esta breve nota por causa da última exposição individual dela, “Rumo a Nova Descoberta” assim chamada, à qual ainda cheguei a tempo. Dezenas eram as obras, mas coisa suave, como se a velha atravessasse agora período de calmaria nas inquietações que lhe moldam a olaria. Será tal possível? Abundantes mulheres, um zoológico em crescendo, mas, perdoe-se-me, este assim tipo bric-a-brac.

Em suma, Reinata é Reinata, mas não saí com o deslumbre a que me habituei quando a cruzo.

Ainda assim, e fosse eu expatriado bem-pago não lhe deixaria em mãos um delicioso (pobre palavra, outra vez) auto-retrato “A Dona da Exposição”, um realismo etnográfico “Mulher pilando mapira” que está extraordinário, e o mais significante de tudo o que ali se apresentou, um “Procurando Água” que é a única peça que me lembrou com vigor a sua cosmologia.

Vêm estas reproduções para ilustrar a adenda. Reinata é nome grande. Já viajou muito, expôs, foi catalogada e fotografada. Porventura até filmada. Não é pois lamento de falta de documentação para o futuro, este que se segue. Mas Reinata é mesmo nome grande. Como é possível expôr em Maputo, terra dos poucos mecenas e decerto distraídos, nesta pobreza? E ainda para mais numa instituição estrangeira, o Centro de Estudos Brasileiros, com perfil de cooperação e divulgação. Como é possível deixar esta artista expôr acompanhada apenas de um desdobrável que nada mais é do que uma fotocópia ali impressa a pedido do visitante. Sem roteiro, sem documentação. Sem publicidade que se veja. Um desinteresse, um abandono. Assim a parecer nada mais do que uma linha no relatório de actividades lá para o fim do ano. Mas que actividade? Ligar a luz?

Dir-se-á que o que interessa são as obras. Mas, e quem não compra? E quem compra mas quer saber o mais possível. Acompanhar o mais possível. E, já agora, se o que interessa são as obras então é ir ao Museu, visitar a artista. Nada! Até dói ver uma artista destas ser assim desacarinhada. Sem miserabilismos, sem coitadismos. Mas sim porque quem expõe Reinata expõe. Como deve ser. E quem não patrocina Reinata não patrocina ninguém.