Ídasse
Nascido em 1955, hoje com três décadas de carreira, várias vezes premiado pelas instâncias nacionais, inúmeras presenças em exposições internacionais, individuais e colectivas, neste âmbito também como curador. A sua obra abarca o desenho e a pintura, áreas onde é mais reconhecido, e também a cerâmica e a escultura, em madeira e pedra. Mas a apresentação do trabalho de Ídasse, que porventura o tornará o mais representativo artista plástico moçambicano da sua geração, não radica no sumariar do seu percurso profissional. A espessura da sua obra habita na sua sageza, única. Notável na forma como tem desnudado um gigantesco feixe de expressões, rondando o figurativo, e de emoções, entre o amor e o pavor. Nessa complexidade, em nele sereníssima, convocando como mais ninguém o pode fazer o fundo mitológico, ontológico, da cultura do seu sul. “Sou um aldeão”, disse-se um dia. Sabendo bem, por artes suas, que é nesse assim que se transforma em artista do mundo, homem de todo-o-lado.
Idasse321[@]gmail.com
Gemuce
Nascido em 1963, formou-se em Belas Artes na então União Soviética e pós-graduou-se em gestão cultural na França. Como pintor (aguarelas, acrílicos, óleos) cedo se afirmou em Moçambique como um nome incontornável no paisagismo, no figurativo, terrenos onde continua a ser referência fundamental. Mas a sua inquietude estética e irreverência ideológica implicaram a coexistência dessa vertente mais “académica” com expressões mais contemporâneas, afirmando-se desde finais da década de 1990 como vulto motriz de importantes rupturas artísticas no país. A sua adesão à vídeo-art, a sua expressão recorrente através de instalações e “acontecimentos”, aliadas ao seu prestígio de pintor e à sua actividade de docência colocam-no no topo das referências junto das gerações mais novas. Para mais tem vindo a ser elemento crucial, como participante, gestor e ideólogo, nos movimentos artísticos que revolucionaram o panorama das artes plásticas moçambicanas: primeiro a Associação Artística Arte Feliz, e depois o Movimento de Arte Contemporânea (MUVART).
E-mail: gemucarte[@]gmail.com
Pekiwa
Nascido em 1977 provém de uma genealogia de artistas-escultores. Seu pai, o célebre escultor Ghowane, a iniciou. Seu tio paterno é Simões. E seu primo direito é Alexandria. Todos os quatro são importantíssimas referências na escultura nacional. Pekiwa é já dono de um trajecto rico, que tem recolhido expressão institucional através dos prémios obtidos. Se há artista moçambicano que possa acolher o epíteto pós-moderno será ele. Calcorreia o país, em busca de indícios históricos e culturais, e nele recolhe ideais e materiais já usados. E, com veemência única, funde-os. Sínteses únicas as suas, nisso convocando múltiplos passados na constituição do seu presente esculpido. Sem medo de criar o belo, sem nojo ao horror, em harmonias de grande escala. São rupturas únicas, as esculturas de Pekiwa. Sem precisarem de se anunciarem como tal. Apenas pelo facto de nos acompanharem, a isso nos obrigarem.
E-mail: pekiwa77[@]yahoo.com
(textos deixado na Índico, Maio-Junho 2010)
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