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Kheto na Associacao Mocambicana de Fotografia. Figurativo a la impressionista, pendor retratista folclorico (etnografico, se se preferir), ou seja usos e costumes. O monocromatismo que o invadiu ha anos. Confesso que prefiro o meu D. Quixote, para outros o Pessoa, para ele “O Estrangeiro”.A EDM patrocina a exposicao, no ambito da comemoracao dos seus 30 anos. Um pouco a imagem do mecenato da MCEL, quando aprenderao as grandes empresas a patrocinar com discricao, a nao invadir o trabalho do artista (o “catalogo” fica penoso) - serao precisos mil anos como para a relva britanica?

“Linha Imaginária” - continuam os passos iniciais de VideoArte em Moçambique: hoje, amanhã e depois no Instituto Cultural Alemanha-Moçambique

Desenhos de Prisão, de Malangatana

Desenhos de Prisão“, exposição de Malangantana, apresentada na Fortaleza, possibilitando um bom catálogo (150 meticais). Produto de um trabalho de registo fotográfico, informático e (presumo, pois o texto não é absolutamente explícito) de restauro da obra de Malangatana, e no seu seio deste particular conjunto de desenhos produzidos nos calabouços de então.

Numa das alas da Fortaleza, está exposta uma selecção de desenhos desse conjunto. Impressiva e impressionante. O catálogo reproduz mais 93 desenhos, de prisão ou (alguns) alusivos a esse periodo. É desse conjunto excedentário que aqui reproduzo cinco, talvez menos denunciatórios do que os que foram expostos, mas porventura tão significantes - e a selecção apresentada denota uma hierarquização de temáticas que me parece linear.

Este trabalho (recuperação de obra, produção de exposição, produção de catálogo) resulta de um projecto da Fundação Mário Soares, com apoio da Fundação Ilídio Pinho. Registe-se, pois louvável. Bastante louvável, a intenção e a competência. Neste âmbito que a primeira página do catálogo integre um texto alusivo da autoria do patrono da Fundação surge natural, até obrigatório de costumeiro que é. Mas que o mesmo catálogo seja encetado por uma fotografia de Mário Soares de mãos dadas com Samora Machel parece descabido. Há deselegâncias que parecem oportunismo. E vice-versa. E, pior do que tudo, que desmerecem o meritório.

“Barco Mensageiro”, de Pekiwa

A exposição “Barco Mensageiro” de Pekiwa (Centro Cultural Franco-Moçambicano), com algumas das mais interessantes realizações aqui apresentadas nos últimos tempos, na continuidade do que o artista nos vem habituando - aliás, algumas peças não são inéditas. Motivos, técnicas, modelos, materiais. Dentro de meses Pekiwa regressará à Ilha de Moçambique, em mais uma estadia inspiratória, conforme tem procurado e bem se nota nesta mostra.


(”O Mocho”, canda reciclada)


(”A Deusa do Mar”, canda reciclada)

[sobre a inexistência de material enquadrador, separável, catálogo, ou outro qualquer suporte, já nem vale a pena referir. Não é hábito no CCF-M, tornou-se norma. Uma pena. E, assuma-se, uma bazarismo.]

CONVITE - NUCLEO DE ARTE

Exhibition from Botswana
My Word

Featuring Artists:
Sederine Mothibatsela
Steve Jobson
Mike Robinson
Jeremias Brochot

Inauguration: Wednesday - May 2, 2007 6pm
Exhbition: May 2 – 11, 2007

Nucleo de Arte
Rua da Argelia, 194
nucleodarte@yahoo.com.br

(um dia preenchido no extra-trabalho. Mas, já agora, alguém me poderá explicar por que é que o Núcleo de Arte faz os convites em inglês lá porque tem uma exposição de artistas tswanas? para provincianismo não está mal …)

Catálogo de “Viagem. Ilha de Moçambique”

Uma descoberta nos alfarrabistas de Maputo (a comprar em pacote, 100 meticais para este exemplar acompanhado de duas revistas institucionais, no meu caso dedicadas ao nobel de Saramago e uma outra a (ja) velhas loas a Timor Lorosae, assim ja credoras dos sorrisos que as futurologias “bem intencionadas” encomendadas merecem, pelo menos quando envelhecem).

Este e um pequeno mas belo catalogo da exposicao “Viagem. Ilha de Mocambique“, uma colectiva integrando trabalhos da Lugar do Desenho (Armando Alves, Francisco Laranjo, Julio Resende, Manuel Casal Aguiar, Marta Resende, Victor Costa, Zulmiro de Carvalho), produzidos por ocasiao de uma visita de trabalho em 1999, apresentados em 2004 numa itinerancia palopiana apoiada pelo Instituto Camoes, e que julgo ter tocado a Ilha. Exemplar enquadrado por poetas respeitaveis, em poemas alusivos ao local representado (Camoes, Nuno Bermudes, Knopfli, Virgilio de Lemos, Eduardo Pitta, Patraquim, Adelino Timoteo, Nelson Saute), extractos de um diario na Ilha (1995) de Mia Couto, uma nota historica sobre a Ilha, de Antonio Sopa. E um texto de Paulo Dentinho, entao correspondente da RTP em Mocambique, e organizador da visita de trabalho.

(lembro-me ter encontrado este grupo em plena Ilha). Mas nao so por essa memoria esta aquisicao, este e realmente um belo exemplar, a merecer o pequeno gasto monetario.

(Armando Alves, Ilha de Mocambique, 2003)

(Francisco Laranjo, Agua e Claro-Escuro, 2003)

(Julio Resende, Mocambique, 2003)

(Marta Resende, Mocambique 2000)

(Victor Costa, Sinais do Forte, 2000)

(Zulmiro de Carvalho, Muipiti, 1999)

No CCF-M uma interessante exposicao de desenhos de Simon Kohn, comigo a sentir-me mais reconfortado nas obras do inicio da decada do que nas mais actuais.

De tanto repetido ja nem valera a pena insistir. O CCF-M tem as melhores instalacoes culturais de Maputo. Mas nao tem sala de exposicoes, ninguem a arquitectou aquando da reabilitacao do edificio e assim ficou, um mero hall a que se juntam pequenas salas. As exposicoes sofrem com isso. Mas muito mais sofrem com o habitual descuido com que sao montadas. Neste caso encavalitamento de obras, uma serie exagerada quantitativamente. Os desenhos numerados mas nao identificados. Nenhum material informativo sobre autor, obras, exposicao. A habitual modorra, o fastio de quem faz.

Lisboa-Maputo-Luanda, exposição na Cordoaria Nacional em Lisboa. Com moçambicanos, Anésia, Gemuce, Jorge Dias, Marcos Bonifácio e Tembo. Até finais de Abril.

A minha Árvore de Natal.

Exposição MUSART 2006

Encerrada a exposição colectiva Muvart 2006 o Museu Nacional de Arte inaugura hoje (18 h., a exigir ubiquidade) a anual do concurso MUSART, este a necessitar de revitalização, minha opinião. Sobre o assunto aqui fica o texto de apresentação, meu teclado:

Eis a exposição anual do concurso MUSART (2006), a iniciativa que o Museu Nacional de Arte vem tornando uma instituição no seio das artes plásticas moçambicanas. Nesta edição serão apresentadas pouco mais de uma vintena de obras, resultantes de uma selecção realizada entre uma centena de peças apresentadas a concurso. O conjunto abarca, de modo quantitativamente diverso, as expressões desenho, escultura, fotografia e pintura – sendo que esta descrição não é neutral, mas sim uma proposta para que aqui se ultrapasse a tradicional e constante divisão entre “cerâmica” (que ainda aqui surge como categoria regulamentar individualizada) e “escultura”, considerando a prática da primeira como modo de escultura, divergindo não na expressão mas sim nos materiais usados.

Para esta edição anual a organização entendeu não atribuir prémios finais, ainda que concedendo algumas menções honrosas. Claro que a subjectividade de critérios se impõe nestas realizações, que júris diferentes teriam diferentes entendimentos, seja ao nível da consagração, seja ao nível da selecção. No entanto o que será de realçar foi a vontade de constituir a exposição, de molde a sedimentar a realização da anual MUSART, fruto de um concurso aberto, explicitamente aberto – lembremo-nos que aceitando obras de artistas plásticos moçambicanos e estrangeiros, residentes e não-residentes, ou seja, procurando constituir um momento único de apresentação, divulgação das correntes artísticas em cenário, mas também um momento único de diálogo entre práticas artísticas diversificadas.

De certa forma correspondendo ao que se afigura constituir o panorama actual das artes plásticas moçambicanas, a exposição centra-se num conjunto de obras apresentadas a concurso sob os itens “cerâmica”, indiciando assim a pujança que esta prática vem adquirindo, e “pintura”, cuja energia é tradicionalmente notória. Mas é de referir que a representação nas áreas de “fotografia” e “escultura” (esta última entendida no seu sentido tradicional e, ainda, regulamentar) são praticamente simbólicas, atendendo à escassez de candidaturas apresentadas.

Este perfil, em quantidade e conteúdo, da exposição possível para o MUSART 2006, aliada à anterior decisão de não realizar a exposição de 2005, obriga a uma reflexão. Urge imprimir uma nova dimensão a este concurso, entendendo-o como momento crucial da actividade das artes plásticas nacionais. Expor no Museu Nacional de Arte, inserido em colectivas, deve ser dignificado, presume-se até que entendido como corolário das actividades individuais – algo a associar com os critérios de escolha para as individuais ou pequenas colectivas a realizar na galeria temporária do MNA. Nesse sentido a organização do MUSART propõe-se sublinhar esforços junto dos artistas, mais veteranos ou menos, praticantes das múltiplas formas de expressão plástica, para que se congreguem nesta anual. Para isso se exigindo a divulgação institucional (junto das associações e núcleos artísticos, formais ou informais, das escolas artísticas, e outros contextos) mas também os mecanismos corporativos, apelando à cumplicidade da comunidade artística enquanto motor da participação neste evento anual, sem barreiras de estilos ou gerações. Assim reclamando ao Museu o que ele tanto pretende, a presença e participação de todos. Assim concordando no que todos concordam.

O Mural de Bento Mukezwane e Ciro Pereira

afinal ficou. O ar condicionado acabou por não ser instalado. In extremis, intervenção de quem de direito. Está lá um buraco, o destinado ao tubo. Mas reparável. Trabalho para Ciro.

O não dia-a-dia

O mural de Bento Mukezwane e Ciro Pereira (1998) no campus da UEM escavacado para se instalar um ar condicionado. Não é só um mural. É o único que Bento pintou, antes do estúpido cancro o matar tão novo. Para um ar condicionado?

Bertina, a Pintora

[Um texto de Paola Rolleta, a quem muito agradeço esta oferta ao Ma-Schamba. Publicado no Savana, edição de 27.01.2006.]

Bertina, a Pintora

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Energia imparável é o comentário mais óbvio que se pode fazer quando se fala de Bertina Lopes. Uma exposição em Rimini a inaugurar no próximo dia 4 de Março, uma outra em Roma em meados de Maio, e outros mil projectos em carteira desta senhora das artes plásticas moçambicana que nasceu no final dos anos 20 do século passado.

Um texto de um jornal deve ser justificado por um acontecimento especial, um “gancho” como se diz na gíria. O gancho para esta pequena homenagem a esta grande mulher foi-me dado há algumas semanas quando, neste semanário, foi publicado um artigo sobre o fundador do jornal “Tribuna”, João Reis, recentemente falecido. Reis era proprietário de uma loja de livros de arte, discos de música clássica e jazz, jogos de sociedade, reproduções de quadros, a Poliarte, que estava nas arcadas no Prédio EMOSE, na baixa de Maputo. João Reis apoiava os jovens artistas locais, e organizava exposições de pintura. Justamente em 1956, Bertina participou pela primeira vez com os seus quadros numa exposição colectiva faz agora cinquenta anos. O que justifica estas linhas.

A mãe dos pintores moçambicanos

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(Olhos brancos de farinha de milho, 1965, óleo sobre tela)

Na história da pintura, muitas vezes o seu nome é posto ao lado da mexicana e grande artista, Frida Khalo. Duas vidas certamente diferentes, mas com traços comuns muito fortes, e sobretudo com qualidades pictóricas e humanas muito peculiares.

É chamada por toda a gente Mama B. Mãe foi de dois filhos, o Virgílio e o Eugênio. E foi considerada a mãe dos pintores moçambicanos todos. É Bertina Lopes, a artista luso-moçambicana que vive há quarenta anos em Roma, com Franco, seu marido italiano. Proibiu-nos de chamá-la apenas moçambicana. Não quer. “Nas minhas veias corre sangue português, do meu pai, e sangue africano, da minha mãe. Desde sempre queria que todos me chamassem luso-moçambicana, só nos últimos anos consegui ter reconhecido esse meu direito”, afirma com um brilho malandro nos olhos negros marcados com uma linha de kajal.

Ela é mãe e pai das artes plásticas moçambicanas”, disse-nos Malangatana. “Foi das primeiras a exprimir as inquietações na sociedade portuguesa. Levantava problemas sócio-políticos sem fazer com que a pintura se tornasse panfleto. Quer gostassem quer não da pessoa, todos ficavam impressionados por ela como criadora. Porque era fácil compreender a sua obra, caracterizada – ainda hoje - por uma forte expressividade. Talvez não gostassem dos títulos (por exemplo, Grito grande, Olhos brancos de farinha de milho) que ela escolhia para as suas obras, mas sentiam a obra na carne e na alma.”

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[Bertina Lopes com José Craveirinha e Rui Nogar; fotografia de Ricardo Rangel]

Voltou a Lourenço Marques em 1953, depois de uma temporada em Lisboa onde foi estudar Belas Artes. Voltou e começou a dar aulas de desenho na Escola Técnica General Machado. Eram os tempos de Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli. Casou com o poeta Virgílio de Lemos, o pai dos seus filhos. “ Embora com carácter diferente, muitas vezes os quadros pareciam ilustrações dos poemas do Virgílio e vice-versa”, diz Malangatana.

Embaixada paralela

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(Como um grande amor [autoretrato com o marido], 1967, óleo sobre tela)

Bertina recebe na sua casa-atelier todos os “palopes” que passam pela capital italiana. O terraço, com vista fabulosa dos telhados de Roma inclusive da Basílica de São Pedro, tornou-se uma espécie de “embaixada paralela”. Todos deixam a sua assinatura, nas paredes, repletas de homens políticos, artistas, músicos, enfim de toda a gente que por lá passa.

Um pedaço dos palopes em território neutro, a Itália. Está lá o poema que lhe dedicou Graça Machel, a flor de Joaquim Chissano, o charuto de Mário Soares, os agradecimentos de Carlos Veiga… e todos os outros que passaram e passam por lá a tomar um “espumantinho erótico”.

Bertina conta anedotas, sorri à vida, leva tudo com a ligeireza sonhadora dos grandes artistas e fala uma língua que é só dela: o “bertinês”, uma mistura de português e italiano, como a definiu o escritor italiano Carlo Levi. Quando fala, usa sempre um tom baixo e arrastado, como se tivesse sempre que traduzir não apenas as palavras mas aquilo que sente na alma: as reacções agressivas - que são uma caractéristica dela - se apagam logo graças ao sorriso de menina brincalhona e das boas maneiras de senhora requintada.

Bertina é uma pessoa generosa. “No meio artístico e social de Moçambique é carinhosamente chamada Mama B”, escreveu Joaquim Chissano, “porque nela está corporizado o mito e a essência do nosso ser colectivo, o modelo e exemplo a seguir pelas novas gerações, a fonte inesgotável de inspiração nos nossos esforços de reconstrução e desenvolvimento nacional, de consolidação da tolerância e reconciliação, de trabalho árduo por um futuro melhor, em que estejam garantidos o pão, a paz, a harmonia e o bem-estar para todos.”

O antigo presidente de Moçambique esqueceu de dizer que Mama B é assim chamada também em Itália onde conta com 57 “filhochos”, (filhotes). A pena dela é que apenas uma traz o seu nome. “Bertine era a mulher do médico que me fez nascer. Mas como era um nome estrangeiro o governo não deixou registar o nome. Os meus pais decidiram então me chamar Bertina.”

Bertina à medida que a idade avança não deixa de ensinar a arte de viver com o sorriso apesar da dor, a arte da curiosidade, da generosidade, e sobretudo a grande arte de não se levar demasiado a sério, a ironia, e a arte e o prazer da convivência natural e social.

Ela nunca esqueceu de onde veio, nunca esqueceu a luta do seu povo e a luta dela ao lado, embora geograficamente distante, da sua gente. No ano passado foi madrinha de uma exposição de artistas deficientes, “Abaixo o cinzento”, para angariar fundos para o DREAM, o programa de luta contra o SIDA levado a cabo pela Comunidade de Santo Egídio em Moçambique.

Nunca se divorciou do seu país”, comentou Malangatana. A lembrança faz parte da sua obra de arte e da sua vida. “A minha casa era, desde a minha chegada a Roma, o ponto de encontro dos refugiados, dos exilados”, e recorda como ela, na época da ditadura era “deportada” enquanto a irmã mais velha era deputada nas Nações Unidas.

Entre outros, em 1991 Bertina recebeu o Prémio Mundial “Carson” da Raquel Carson Memorial Foundation de Nova Iorque pelo seus méritos artísticos e humanitários e pela sua fidelidade às origens africanas embora no contexto de uma refinada esperiência pessoal internacional.

Jazz inspirador

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(Fanisse era minha avó [de um poema de José Craveirinha], 1967, collage e óleo sobre tela)

Uma das fases mais recentes da pintura da Bertina tem o jazz como elemento inspirador. As telas de Bertina a quererem ser partituras de jazz, como um símbolo activo da síntese mais ambiciosa e qualitativamente elevada, entre diversas culturas e etnias, jogadas no harmonioso signo de uma arte já livre de qualquer exagero nacional-cultural e político.

A força da pintura e da escultura (particularmente interessante aquela que dedicou ao antigo presidente e amigo Samora Machel, Quem nunca morre e de tudo se lembra, é o povo) vivida entre dois continentes, reside neste seu “estar fora”, num espaço pictórico totalmente autónomo das escolas e totalmente dentro da vida, percorrendo o espaço “para encontrar um espaço para África”. Grande capacidade da artista de absorver e metabolizar escolas e tendências sem nunca prescindir das suas raizes e da sua personalidade.

Mas a sua terra natal não se lembra tanto dela como ela se lembra de Moçambique. Há vários anos que não é organizada uma exposição da obra dela. Há pelo menos um banco que possui muitos quadros de Bertina, talvez a maior exposição permanente da artista nesta cidade. Infelizmente não está à vista de toda a gente. Malangatana acha que era tempo de Moçambique organizar uma.

Caleidoscópios

Luciana Stegagno Picchio escreveu que “a própria aventura do informal, que Europa e América enfrentam a nível puramente cerebral e visivo ou mesmo apenas gestual, é vivida por Bertina, africana de Europa, como recuperação de gestos e signos que em África, antes que em qualquer lugar, o tempo tinha isolado e mudado em metáforas: o nó, a rede, o olho, a serpente, o totem.

Já passaram muitos anos das primeiras pinturas figurativas, repletas de grandes olhos de africanos chocados com a violência do mundo. E passaram também alguns anos dos “totem” repletos das cores fantásticas da liber-tação. Passou também a fase espacial.

No século XXI, Mama B de Maputo, de Lisboa, de Roma, tem como motivo criativo a difusão da cor, quase violenta, em telas sempre maiores, caleidoscópios de cores brilhantes, úteros luminosos e fortes onde se vê nítida a vida e a alegria de viver.

Adenda (Jpt): Sobre Bertina Lopes consultar aqui, aqui ou aqui.

As seguintes (pobres) reproduções são minha opção para ilustração no blog, retiradas do catálogo 9 Artistas de Moçambique, Maputo, Museu Nacional de Arte, 1992, e entretanto substituídas pelas imagens originalmente colocadas no artigo.

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(”As Luzes e as Chaminés das Fábricas“, 1988, óleo sobre tela)

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(”Mafalala“, s/d, óleo sobre tela)

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(”Os Três Momentos“, 1991, óleo sobre tela)

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(”Raíz Antiga“, 1988, óleo sobre tela)

Mural de Malangatana

O Mural de Malangatana no edifício do Centro de Estudos Africanos, ali à frente do meu estaminé, reproduzido em postal da Universidade. E com meus desejos que o mural vizinho, realizado em 1998 por Bento Carlos Mukezwane, falecido no ano seguinte, e por Ciro Pereira venha a ter a mesma divulgação.Até pela merecedora memória do Bento.

Um livro sobre arte maconde, a chegar-se aos conteúdos e a trazer entrevistas com vários artistas. Bastante interessante, do melhor que tenho lido, mais até por trazer a fala de quem esculpe, grava e molda, tão raras lhes são as palavras públicas. Ainda assim confesso que não me enche, podia ser bem mais profundo no sobre a arte. E muito mais profundo no quem são os artistas. Mas está feito, e bem. Para inveja de quem não o escreveu.

Uma pequena nota, sem nenhuns purismos , e ainda menores fundamentalismos. Porque raio publica a Ndjira (e a Caminho) o livro “Mestres Macondes” com o título “Makonde Masters”? Mercado? Que coisa. Bastava manter o K e mudar o grafismo da capa para deixar um bem-esgalhado “Mestres Makondes Masters”. Well, I think…