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Colectiva

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Está em exposição no Centro Cultural Franco-Moçambicano e hoje, às 18 h, por lá haverá debate sobre mais esta exposição organizada pelo MUVART (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique [elo com história do movimento]). Em podendo assistir e participar o desafio é estimulante.

Já por aqui o disse, do interesse e carinho pela emergência do MUVART, das experiências de arte contemporânea que o movimento tem provocado. Num processo que não se esgota nos seus participantes, com particular relevo para o mais-velho Rosa, que até lhe é antecessor. À sua maneira, radicalmente individualista, prosaicamente anti-mercado. Tudo isso provado na sua recente individual, na Casa de Cultura do Alto-Maé, da qual infelizmente não retive nenhuma imagem: não tinha qualquer material de apoio (e eu sem máquina, ali avisado de surpresa), exposição de curta duração, âmbito reduzido. A fazer perder de vista uma mão-cheia de peças bem interessantes, em particular dois “quadros”, falsos mimetismos, de excelência.

Do movimento MUVART mais haverá a dizer, começando a sua internacionalização, desde Jorge Dias em Lagos, Portugal, com 15 peças (ainda em exposição) à hipótese de Gemuce seguir a Dakar. E da participação alargada na colectiva lusófona que António Pinto Ribeiro organiza, e cuja itinerância aqui será inaugurada no Abril. E ainda da próxima grande internacional, a apresentar em Setembro.

Múltiplas razões para acompanhar este andar. Para mim uma muito em especial, para além da amizade: do “desafricanizar” da arte, da ruptura com o que aos artistas aqui é imposto, tanto por mercados de fora como pelos essencialistas de aqui, todos buscando, mercados subalternos ou ideólogos do presente, matéria-prima para discursos ditos identitários.

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Sónia Sultuane: “De Dentro Para Fora”

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David Mbondzo: “Lado A”

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Tembo: “Forma e Conteúdo”

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Muiengua: “Elementos Extruturados” (sic)

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Mouzinho: “Campo Flutuante e Inconsciente do Significado”.

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[grupo, CCF-M, dia da inauguração]

Desta exposição, com curadoria de Jorge Dias, ele ideólogo do movimento, Sónia Sultuane, a poetisa que já colaborou poeticamente na anterior colectiva “Humano”, apresenta o seu primeiro trabalho individual. A mim que me perdoem, palavroso ainda. Mbonzo coloca o trabalho que mais me interessa, visualmente. Mas também como proposta, no que pretende com este “Lado A” “Trago máscaras por serem formas que escondem a verdadeira ou falsa imagem do “eu“”, assim também no não-visual a fugir às dicotomias. Muiengua [e é já altura de acertar em definitivo com a grafia do nome, em cada momento surge diferente] regressa com “Elementos Extruturados” (caramba, não há ninguém que possa fazer a revisão, limpar os erros ortográficos?), que já tinha apresentado e impressionado na colectiva Upanamo na Associação Moçambicana de Fotografia em Agosto. Regressa e prejudica, aumentou a instalação (mais 4 colunas?) mas nada mais. E encerrando a instalação na pequena sala que lhe coube fica um apertado do não-respirar nada voluntário. Algo que lembra o facto do “Franco”, sendo o melhor local cultural da cidade, não ter uma sala de exposições – nesse sentido foi distraído o trabalho de recuperação do edifício e instalação de um centro cultural. Em lado nenhum, e com tanto espaço, se pode expôr com qualidade. Com os jovens Tembo e Mouzinho, tal com Mbonzo ainda alunos da Escola de Artes Visuais e aqui a estrearem-se em exposição, fico desarmado, nada me ocorre para além das discordâncias conceptuais. Talvez o incentivo de quem está a andar, a fazer brotar um processo.

Mas francamente, haverá pior para uma produção do que apenas gabar-lhe o facto de existir? De processuar? Acho que esta é uma encruzilhada para o MUVART, já andou o suficiente para não se justificar apenas o olhar simpático, o incentivo. A colectiva do ano passado, a colectiva Jorge Dias-Gemuce deste ano, puseram a fasquia alta. Chegou a altura de bater. Exigir. Provocar.

(texto retocado, integrando ainda novas ligações)

Convite

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Hoje (mau dia, mau dia) “Hora Q“, colectiva organizada pelo MUVART. Participação de David Mbozo, Tembo, Luis Muiênga, Mouzinho e Sónia Sultuane.

Às 18 horas, no Centro Cultural Franco-Moçambicano.

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Na Associação Moçambicana de Fotografia a 3ª colectiva deste grupo de artistas, constituído por antigos alunos da Escola de Artes Visuais, associação de geração, jovens ainda, no chegarem-se à trintena de anos.

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Uma mostra-venda a integrar Pinto, o qual nos últimos anos se tem afirmado no desenho, e nesta expressão coleccionado sucessivos prémios nacionais, que apresentou obras da série (fase?) anteriormente exposta na sua individual no Instituto Camões. E com a qual também se apresentou ao concurso da Bienal TDM. Nada de novo, portanto. Chalucuane e King Nuvunga obtiveram muito sucesso nesta mostra de inverno, um público sensível à competência na área que gosto, como leigo, de referir como “africana”. Ainda que em ambos os casos algo depurada, não excedentários naquelas constantes que animam o padrão corrente.

De Sérgio Mutlabye retirei o maior prazer. Do pequeno decorativo

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["O Pequeno Acrobata"]

a um “Beijo” que já quer bem mais.
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Em algumas das obras de Mutlabye, como em alguns outros ceramistas, é um pouco do mundo terrível e grotesco, até obscuro, dos velhos mestres pintores que baixa à terra. No seu caso com uma doçura que me desarma, até pelo inesperado consenso que consegue.

Aliás, e hei-de insistir nesta ideia, hoje em dia é na cerâmica que se encontra maior atrevimento, risco, nas artes plásticas moçambicanas. E de onde retiro maior gozo. Enquanto espero que tais caminhos transpirem para outras expressões, em geral bastante padronizadas, acorrentadas por uma mistura de conservadorismo e mercantilismo. Não critico. Apenas, no meu pequeno gosto de leigo, constato.

Por último uma obra de Luis Muiéngua, talvez o fenómeno mais interessante desta mostra.

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Muiéngua apresentou esta proto-instalação. Decerto concebida como una mas apresentada, por ulteriores considerações, como uma série de oito obras individuais.

Culminámos em pequena conversa sobre isto. Aqui a lembro pois parece chegado o momento de convencer os mecenas locais a patrocinarem instalações únicas, perecíveis ou não (esta é, ou pode ser, perene). Em particular os mecenas empresariais, com disponibilidade para intervir e já com enormes acervos de obras em suporte tradicional [os quais, diz-se, levantam já problemas de inventariação e restauro, mas isso é outra conversa. Ainda que urgente]. Mas, porventura, ainda com alguma insensibilidade para estas outras expressões, aqui ainda em circuito inicial.