Archive for the ‘Arte Moçambique’ Category

Kulungwana

Terça-feira, Agosto 17th, 2010

A página da Kulungwana. Associação para o Desenvolvimento Cultural – aquela que tem a galeria na estação dos caminhos-de-ferro em Maputo. Nela constam informações “eventos e exposições organizados pela Kulungwana e … as biografias dos artistas que participaram nestas exposições, bem como imagems das suas obras. Além de informações sobre as [suas] actividades proporciona ainda informação relativa a outras entidades activas na área da cultura, nomeadamente museus, centros culturais, teatros e outros.” Directamente para os favoritos, é a minha proposta.

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Arte, em Moçambique e em Portugal

Domingo, Agosto 15th, 2010

Como de costume a Bienal do Muvart provoca conversas com os artistas. Ontem no Museu Nacional de Arte decorreu a primeira com Vera Albuquerque e Maimuna Adam [no próximo sábado a conversa ocorrerá no atelier de Fornasini]. Um pequeno grupo discutindo arte pública e os trabalhos das artistas. Mas também, e como quase sempre quando aqui se aborda a “arte contemporânea”, se levantou a questão “arte”, do que é isso, o que a define ou substancializa.

Não serei eu, que apenas a olho, e sem particulares instrumentos de pensamento, que me porei a dissertar sobre isso em cima de um qualquer estrado. Não me parece que haja algo de intrínseco que a defina, uma qualquer característica própria, recenseável, que possa ser afixada. E  procurada por qualquer catalogador, qual detective. Isso de “arte” não passará de um consenso, consoante “quem está”. Atribuímos ou não o epíteto. Sossego-me assim.

Mas também me irrita muito, ainda que de um modo não normativo, a extrema arrogância do impensamento que remete a característica “artística”, o seu fundamento, para o acto intencional do autor. Isso do, explícita ou implicitamente, se afirmar que é arte o que o intenta. Um falso relativismo, que não é mais do que um falso intelectualismo, forjado e sustentado na “autoridade” – não tanto dos (candidatos a) artistas mas fundamentalmente na autoridade estatutária (ditatorial) dos “intelectuais”: críticos, galeristas (funcionários) públicos ou privados, curadores [funções, aliás, que se misturam recorrentemente - hoje "galeras-me" amanhã "curo-te", para a semana "criticamo-nos"]. Caímos, quase sempre, no domínio da sociologia. E, mais profundamente, no campo da ideologia, do “correctismo”. Nunca do intelectualismo, sempre a questionar a sua própria produção.

Um caso típico deste “arrivismo” (ditadura intelectual) nesta muito bem conseguida Bienal – está de parabens o MUVART, e em particular Jorge Dias -, e nisso “obra” excêntrica porque contrastante com as restantes devido ao seu radical défice de suporte programático é um filme de Jorge Rocha, “Arroz de condelipas e omelete de algas“: alguém a cozinhar o arroz e a omelete, com o argumento de que a receita é nova. Meu argumento de crítica? Fuck (ou seja, foda-se)! Ao nível da “obra” apresentada.

O problema geral reside sistematicamente na base intelectual do pretendido: um falso (porque paradoxal) relativismo. Um aparente sem limites que não passa de uma acantonar ideológico. Ou seja a conjugação de olhares, de obras, é muitas vezes (claro que nem sempre) sustentado por abordagens intelectuais (normalmente a cargo de curadores) com textos a la carte, com retóricas falíveis que procuraram justificar a posteriori as obras colectadas, não surgindo assim como programas mas sim como justificatórias. Por vezes isso surge mesmo com textos teoricamente esburacados, não apenas manipulatórios: recordo que as duas itinerantes “contemporâneas” que mais recentemente passaram em Maputo, de origem institucional portuguesa, surgiam sustentadas com textos teoricamente muito frágeis: um, trabalhando “identidades raciais” de modo totalmente descontrolado, de um modo que faria corar qualquer candidato a licenciado em Antropologia; um outro que definia “pós-colonialismo” como marco de calendário, algo espantoso. Isto produzido ao mais alto nível do país. Mas mais do que a ”plasticidade” conceptual é o autoritarismo ideológico deste meio profissional, disfarçado de relativismo que se sublinha. Da minha recente ida a Portugal três exemplos

Uma apresentação de Carolina Caycedo no Centro Cultural de Belém, obras de 2007-2009. É o “valor estético”, esse velho mito, destes nylons cosidos à mão que os levou àquelas paredes? Nada, nem foi essa a intenção da artista. São as frases, os slogans: “não pagues impostos“, “nem deus, nem patrão, nem marido“, etc. Peço desculpa da minudência, as obras são dos últimos três anos. Dá para ver o carácter de ladainha envelhecida do discurso? Já agora, e porque não é obviamente a dimensão paradoxal discursiva que a artista intende, dá para ver o vazio intelectual de quem afixa “confiem uns nos outros“ conluiado com ”não paguem impostos“. Dá para ver o registo do impensamento atrás da “atitude”? Ou a equação “anarquismo=arte” é a “essência substantiva” de arte, esta afinal intrinsecamente definível por via da adesão a uma corrente política?

[Pedi na recepção do CCB um local onde deixar a minha pateada diante desta indigência. A recepcionista ficou aflita (não conhecia a palavra "pateada") e, depois de esclarecida, lá me propôs o "livro de honra", ao qual humildemente me recusei, ou o "livro de reclamações", manifesto exagero. Ou seja, o pessoal entra e sai, e cala-se. Pior, concorda - ainda que de impostos em dia, cônjuge pela mão, e desconfiando do mariola do lado. É "arte", um bocadinho ao domingo à tarde ... depois a vida continua, "Malato ao fim dia, Domingo Desportivo depois de jantar". Arte Contemporânea?]

Segui à Fundação Calouste Gulbenkian. Ali encontrei isto

Liberdade Quando o Povo” [das razões do letreiro da obra na Gulbenkian ser trilingue (inglês, português e espanhol) mas encimado com o título em versão inglesa em maiúsculas só me pode ocorrer de que é uma surpreendente mostra de que o provincianismo atacou a prestigiada fundação sediada na capital portuguesa], uma obra Barthélémy Toguo – um artista muito interessante, diga-se.

A obra, mas mais do que ela própria a sua selecção (ou encomenda), é paradigmática de um “olhar arte” que é um nada relativista (afinal) “definir arte”. Como se vê na fraca fotografia estamos diante de um monte de entulho submergindo homens, expressos em hirtos braços de manequins (o tom piroso da obra é lateral ao meu resmungo). No centro está um poste encimado pela bandeira nacional do país representado, no qual, como ali é realisticamente mostrado, o povo (os tais bracinhos) é esmagado pela tirania (o tal entulho). Arte, apesar dos bracinhos de manequim. Olhando um futuro sem entulho.

Agradou-me esta intervenção no parque da Gulbenkian. E, enquanto em família fotografava a obra (a petiz Pimentel Teixeira aparece lá atrás), perguntei-me: isto podia representar os nómadas ciganos em Portugal desde há décadas esmagados pela política e polícia estatal portuguesa, sempre sedentarizando-os (submergindo-os a um literal – os andares dos prédios de habitação social - e também a um metafórico entulho – a agressão cultural). Caberia com toda a certeza no próximo ciclo Gulbenkian, ou numa sequela em outros locais, porventura menos importantes.

Mas se alguém juntasse um entulho similar e pusesse como seu suporte discursivo (porque é sempre disso que se trata) ” subúrbio pequeno-burguês destruído pela heroína consumida pelos seus descendentes, traficada por ciganos” [os pirosos bracinhos de manequim porventura picotados qual junkies, que estamos no regime realista]  isso não seria considerado pela intelligentsia artística como arte, seria obscurantismo, preconceito, reaccionarismo, implicaria esgares e risos, até reclamações de superioridade cognitiva (estética?). Ou seja, sob a ditadura curadorística (aliás, curandeirística) “arte” sim, mas apenas segundo o obscurantismo sociológico (ideológico) a que se adere.

Finalmente, visitei “Tudo o Que é Sólido Dissolve-se no Ar: o Social na Colecção Berardo” (uma vantagem, textos trilingues – português, inglês, francês – mas encimados com versão maiúscula em português. Afinal é em Lisboa.). Não vou dissertar sobre as razões que justificam aquela particular recolecção do acervo local, ou seja quais as ligações encontradas naquelas obras que “convocam problemáticas do quotidiano que enunciam uma crítica do real” (texto do desdobrável que acompanha a exposição). Tudo bem, mas também não adianta muito sobre os critérios.  Dá para tudo, no fundo (na prática, se quisermos, o que não o faz?). Mas fiquei com uma dúvida, à qual nem meus livros nem o google me conseguem responder. A exposição é apresentada pela instância curadora como partindo do “Manifesto do Partido Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels, o título é uma citação da obra. De início surgem uns painéis de teóricos (e práticos) revolucionários, o substrato teórico deste olhar crítico. Um desses painéis de arautos do marxismo revolucionário é este

Quem é este Max Weber? Interessa-me. Pois se é aquele que eu conheço, ali metido entre os revolucionários marxistas, sem um rodapé que seja de contextualização, justificação, discernindo olhares, é o caso típico do texto (congregação) a la carte, aposteriorística, que vai montando e remontando, congregando e recongregando. E que permite juntar coisas sem mais. A tal aparência relativista, no fundo.

Ou então é outro Max Weber. E há que o conhecer – mais que não seja a frase é muito interessante.

Adenda 1: VA, comentadora residente do ma-schamba usa esta caixa de comentários para me esclarecer sobre o “Max Weber” em causa, assim me sossegando (apesar do homem não ser um teórico dos alvores revolucionários). São as vantagens do bloguismo.

Adenda 2: Dada a necessária adenda 1 regresso ao texto e vejo que me faltou a conclusão que quis colocar. Ancorar uma concepção de “arte” numa particular noção de “emancipação” como sua justificação é arte sacra. Daí o reaccionarismo radical que habita tantas das aparentes rupturas. Aqui gostaria de dar um exemplo, até já antigo: trazer, expondo-o, um lavatório ao Maputo da primeira década de XXI. “A burguesia já foi espantada” deste modo há muito tempo. Reproduzir esse “ecce homo” agora, aqui, é nada mais do que neo-colonialismo (“para quem é [ex-colonizado] basta”). Ou puro conservadorismo.

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4ª Exposição Arte Contemporânea (MUVART)

Quarta-feira, Agosto 11th, 2010

O tempo passa. Amanhã no Museu Nacional de Arte acontece a inauguração da 4ª edição (bienal) da Exposição de Arte Contemporânea, agora já tradicional organização do MUVART (Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique), movimento que é ele próprio o mais relevante acontecimento das artes plásticas que ocorreu no país na última década. Ainda não fui ver o que se preparou nesta “Rotura e Desconversão“, darei eco a partir de amanhã.

Adenda: a nota informativa da organização

O Movimento de Arte Contemporânea de Moçambique – MUVART, uma associação de artistas contemporâneos de Moçambique e o TUNDURO – Festival Internacional de Artes, apresenta a exposição internacional de Arte Contemporânea no Museu Nacional de arte.

A exposição “Rotura e Desconversão” reúne 17 artistas de 6 países do programa do MUVART “Expo Arte Contemporânea Moçambique” existe há 6 anos, com carácter de uma bienal. Este evento, pretende sensibilizar, teorizar, e estimular a produção da arte contemporânea através da sua circulação dentro e fora do pais. É a IV edição e tem como objectivo, a troca de experiências entre os artistas participantes, a circulação das produções actuais, possibilitando deste modo o conhecimento, a informação e debate sobre a arte contemporânea.

Através do trabalho dos artistas aqui apresentados, a exposição da conhecer os contornos que a arte contemporânea está a tomar em Moçambique. Estes trabalhos estão virados para uma arte transnacional e dialogam com universos multiculturais. Os artistas têm vindo a abrir mão de opções estéticas, matrizes nacionalistas e narrativas sócio-político-cultural, escolhendo um percurso individual e subjectivo na produção das artes visuais. Estes mesmos artistas procuram e encontram seus pares em outras geografias de matriz cultural diferente.

De Moçambique estão presentes os artistas, Sónia Sultuane, Maimuna Adam, Gemuce e Marcos Muthewuye, membros do MUVART, que questionam a dinâmica da produção artística e a sua teorização em Moçambique. Os artistas Titos Mabota, Gonçalo Mabunda, Branquinho, Fornasini, Vinno Mussagi e Famós representam uma parte da produção artística que consideramos significativa no panorama actual da arte no país e internacionalmente. Do Brasil vêm as artistas Isa Bandeira e Vera de Albuquerque com a actividade artística na cidade de São Paulo, trabalham com diferentes suportes de arte. A artista Soledad Johansen do Chile, vive e trabalha na cidade de Maputo e desenvolve actualmente um projecto intitulado “Corpos Flexíveis”. O artista Fred Morim de Angola vive e trabalha na cidade Maputo e apresenta trabalhos no âmbito do projecto “Mundo 100 Valores”. Dos Estados Unidos da América estão presentes os artistas Evans Plummer e Mike Bancroft que trabalham num projecto onde questionam mecanismos e espaços de circulação da arte pública e de Portugal o artista Jorge Rocha com o projecto de “Culinária expansiva” que usa a Web como suporte da sua obra de arte.

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Individual de Vinga

Quinta-feira, Agosto 5th, 2010

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As Fichas da Índico (1)

Quarta-feira, Junho 30th, 2010

Ídasse

Nascido em 1955, hoje com três décadas de carreira, várias vezes premiado pelas instâncias nacionais, inúmeras presenças em exposições internacionais, individuais e colectivas, neste âmbito também como curador. A sua obra abarca o desenho e a pintura, áreas onde é mais reconhecido, e também a cerâmica e a escultura, em madeira e pedra. Mas a apresentação do trabalho de Ídasse, que porventura o tornará o mais representativo artista plástico moçambicano da sua geração, não radica no sumariar do seu percurso profissional. A espessura da sua obra habita na sua sageza, única. Notável na forma como tem desnudado um gigantesco feixe de expressões, rondando o figurativo, e de emoções, entre o amor e o pavor. Nessa complexidade, em nele sereníssima, convocando como mais ninguém o pode fazer o fundo mitológico, ontológico, da cultura do seu sul. “Sou um aldeão”, disse-se um dia. Sabendo bem, por artes suas, que é nesse assim que se transforma em artista do mundo, homem de todo-o-lado.

Idasse321[@]gmail.com

Gemuce

Nascido em 1963, formou-se em Belas Artes na então União Soviética e pós-graduou-se em gestão cultural na França. Como pintor (aguarelas, acrílicos, óleos) cedo se afirmou em Moçambique como um nome incontornável no paisagismo, no figurativo, terrenos onde continua a ser referência fundamental. Mas a sua inquietude estética e irreverência ideológica implicaram a coexistência dessa vertente mais “académica” com expressões mais contemporâneas, afirmando-se desde finais da década de 1990 como vulto motriz de importantes rupturas artísticas no país. A sua adesão à vídeo-art, a sua expressão recorrente através de instalações e “acontecimentos”, aliadas ao seu prestígio de pintor e à sua actividade de docência colocam-no no topo das referências junto das gerações mais novas. Para mais tem vindo a ser elemento crucial, como participante, gestor e ideólogo, nos movimentos artísticos que revolucionaram o panorama das artes plásticas moçambicanas: primeiro a Associação Artística Arte Feliz, e depois o Movimento de Arte Contemporânea (MUVART).

E-mail: gemucarte[@]gmail.com

Pekiwa

Nascido em 1977 provém de uma genealogia de artistas-escultores. Seu pai, o célebre escultor Ghowane, a iniciou. Seu tio paterno é Simões. E seu primo direito é Alexandria. Todos os quatro são importantíssimas referências na escultura nacional. Pekiwa é já dono de um trajecto rico, que tem recolhido expressão institucional através dos prémios obtidos. Se há artista moçambicano que possa acolher o epíteto pós-moderno será ele. Calcorreia o país, em busca de indícios históricos e culturais, e nele recolhe ideais e materiais já usados. E, com veemência única, funde-os. Sínteses únicas as suas, nisso convocando múltiplos passados na constituição do seu presente esculpido. Sem medo de criar o belo, sem nojo ao horror, em harmonias de grande escala. São rupturas únicas, as esculturas de Pekiwa. Sem precisarem de se anunciarem como tal. Apenas pelo facto de nos acompanharem, a isso nos obrigarem.

E-mail: pekiwa77[@]yahoo.com

(textos deixado na Índico, Maio-Junho 2010)

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25 de Junho: dia da independência de Moçambique

Quinta-feira, Junho 24th, 2010

35 anos de independência de Moçambique cumprem-se agora. Há exactamente seis anos aqui coloquei esta entrada, evocando a data. São hoje tão diferentes os leitores do ma-schamba que acho justificável a repetição:

1. Dia de constituição da Frelimo (1962).

FRELIMO/KATIKA KUPIGANA NA/UKOLONI NA UBEBERU/25 SETEMBRO, offset 2 cores, Frelimo, Dar-es-Salaam 19 (AHM 80), retirado de B. Salstrom, A. Sopa (1988), Catálogo dos Cartazes de Moçambique, Arquivo Histórico de Moçambique

2. Independência antecedida da viagem de Samora Machel “De Norte a Sul de Moçambique” – a célebre viagem “do Rovuma ao Maputo

retirado de A. SOPA (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

3. Declaração da Independência de Moçambique (1975)

25 de JUNHO DE 1975 / INDEPENDÊNCIA DE MOÇAMBIQUE, offset 2 cores, José Freire, DNPP, Maputo 1975 (AHM 96), retirado de B. Salstrom, A. Sopa (1988), Catálogo dos Cartazes de Moçambique, Arquivo Histórico de Moçambique

Discurso de proclamação da independência de Moçambique no estádio da Machava  (colecção Telecine), retirado de A. Sopa (coord.) (2001), Samora. Homem do Povo, Maputo, Maguezo Editores

A mudança de bandeiras:  ”Independência de Moçambique” de Dino Jehá, retirado de F. Ribeiro (coord.) (2003), Exposição Moçambique: Vida e História em Psikhelekedana.

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Matias Ntundo

Quarta-feira, Junho 9th, 2010

Inaugurou ontem na Fortaleza de Maputo uma exposição de gravuras de Matias Ntundo. Impressionantes como sempre, e a exigirem uma revisita sem a azáfama destas ocasiões. Mas aviso para se aprestarem na deslocação, de molde a ainda poderem comprar as célebres xilogravuras do artista – e a preços mais do que acessíveis. Para além disso poderão adquirir este excelente Matias Ntundo. Gravuras 1982-2010, preciosíssimo catálogo organizado por Gianfranco Gandolfo, também autor do texto introdutório, uma edição da Kapicua. (Saem parabéns nada protocolares para o Gianfranco e para o editor, José Capão, que livros com este alcance e qualidade ainda não são habituais na produção nacional).

Para exemplo dos interessados esta foi uma das obras que trouxe para casa, um já célebre ícone.

["Depois do massacre de Mueda, o padre português dá o baptismo às pessoas em perigo de morte", 1985]

Recordo ainda que muito recentemente a mesma editora publicou o Fábulas de Cabo Delgado, recolha de Gianfranco Gandolfo, reescrita de António Cabrita, com gravuras do artista. E aqui estão dois livros que são obrigatórias aquisições, sem dúvidas ou hesitações.*

*No ma-schamba (quase) sempre se compram os livros que se recomendam.

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MOÇAMBIQUE NO CASINO DO ESTORIL (e mais qualquer coisinha)

Quinta-feira, Maio 20th, 2010

por ABM (20 de Maio de 2010)

Cito o Diário de Notícias de hoje:

Inaugura-se hoje às 21.30, na Galeria de Arte do Casino Estoril, uma exposição de pintura, escultura, desenho e gravura de artistas moçambicanos, que se insere no programa comemorativo do 35.º aniversário da independência de Moçambique.

Nesta exposição vão participar trabalhos de Álvaro Passos, Bertina Lopes, Frank Ntaluma, Heitor Pais, Joaquim Canotilho, José Júlio, José Pádua, Lara Guerra, Lívio de Morais, Malangatana Valente, Mankeu, Naftal Langa, Reinata Sadimba, Roberto Chichorro, Shikani e Teresa Rosa de Oliveira. Assinale-se que foi na Galeria de Arte do Casino que em 1983, de 23 de Setembro a 10 de Outubro, se realizou o primeiro grande evento cultural em Portugal, depois da independência daquele país, chamado de Semana de Moçambique. Em Fevereiro de 1991, voltava a ser realizada outra grande exposição, intitulada “Pintores e Escultores de Moçambique”, com a participação de pintores nascidos em Portugal mas residentes em Moçambique.
Esta exposição manter-se-á patente ao público todos os dias, das 15.00 às 24.00, até 2 de Junho.

O que me mistificou mesmo foi início do texto do DN: a utilização do reflexivo “inaugura-se”. A exposição inaugura-se. A si própria. Ou talvez, “alguém que não se sabe bem quem é mas que não deve ser nem importante nem de outro modo mencionável senão apareceria nesta parte do texto onde está escrito “inaugura-se”, vai inaugurar a exposição”.

Quer dizer, estes usos são comuns: “realiza-se” e “assinale-se” são usadas com frequência, se bem que toda a gente sabe que nada se realiza, alguém tem que realizar, nada se assinala, alguém tem que assinalar.

Creio que é correcto mas fica estranho. É um pouco datado. Não? ainda me lembro de um episódio dos tempos idos em que quem escrevinhava nos jornais de referência usava o “nós” e vez de “eu”, presumo agora que tentando elevar-se com referência a um colectivo, que se presume que seja o (insignificante) escrivão e um seu colega ou, hiperbolizando, o jornal.

Ou seja, o colectivo valia mais que o individual.

Educado durante alguns anos nas garras das máfias culturais lourenço marquinas e mais tarde (cruzes canhoto) conimbricenses, quando cheguei aos Estados Unidos com 17 anos de idade, a Universidade de Brown, para onde fui estudar, mandou-me tirar um curso de escrita em língua inglesa, pois o estatuto de refugiado de Moçambique lusófono assim o recomendava. Com a maior das descontracções, imediatamente metamorfoseei a minha experiência luso-globalizada e procedi a usar o we (nós) quando na realidade me estava a referir à minha própria insignificância terrena. Durante meses, o meu tutor, um jovem mestre em inglês a ganhar a vida tormentando meia dúzia de nós (curiosamente, os meus colegas eram norte-americanos de origem, o que me deixou perplexo), bombardeou-me de forma inclemente com a sua canetinha encarnada (lá não há complexos com o uso da esferográfica vermelha), fazendo círculozinhos quase perfeitamente redondos nos textos que eu tinha que escrever, sempre que eu usava o we e punha à frente we, who? (nós? quem?). O meu vício era total e eu desesperava.

Até que um dia eu lhe tentei explicar, no meu elementar vernacular inglês de então que, na pórtuguize cultura, quando alguém escreve “nós” num texto, na verdade toda a gente que lê sabe mais ou menos que “nós” é quem escreve o texto. “Não sei. É uma coisa dos portugueses”.

Ele olhou para mim e perguntou simplesmente: “porquê? vocês pensam que são todos o rei?”

Pois, realmente.

A partir desse dia acabou o nós.


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Exposição de Ciro Pereira

Terça-feira, Maio 4th, 2010

Um individual de Ciro Pereira no Instituto Camões. Abertura esta semana, presumo que estará à nossa disposição durante pelo menos durante quinze dias.

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O Mestre e o Aprendiz

Quarta-feira, Março 24th, 2010

Shikhani com Tchalata.

Galeria e Biografia de Shikhani.
Texto sobre Tchalata.

PSB


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Malenga expõe em Lisboa

Terça-feira, Março 2nd, 2010

O escultor e pintor Malenga avisa que expõe em Lisboa. De 2 (hoje) a 30 de Março terá apresentará as suas pinturas no “Pois Café” [na rua S. João da Praça, nº 93-95], num conjunto que intitula “Auge Latente“. Quem tiver disponibilidade poderá ir lá hoje, às 18 h., para a inauguração.

O contacto do artista é: [e-mail:artemakonde@yahoo.com.br]

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Matias Ntundo e a xilogravura moçambicana

Sexta-feira, Fevereiro 19th, 2010

E o recente livro “Fábulas de Cabo Delgado” com imagens de Matias Ntundu, o célebre xilogravador de Cabo Delgado, acordou na estante este pequeno opúsculo que acompanhou uma exposição em Maputo, no longínquo 1982, do trabalho de Maya Zucher (a capa reproduz a sua xilogravura “Luz e Força”). Esta foi uma artista suíça que trabalhou em Moçambique sob os auspícios da Associação de Amizade Franco-Moçambicana desde 1979, tendo desenvolvido trabalhos de activismo cultural ( introdução e desenvolvimento de tapeçaria e xilogravura) em Cabo Delgado, Zambézia e Nampula. E foi nesse âmbito que se registou a iniciação da técnica da xilogravura nas cooperativas artísticas do Cabo Delgado – e é desse processo, bem como da sua articulação com a arte (então militante) da artista que o opúsculo trata. Conta com um texto introdutório de Eugénio de Lemos e Malangatana (muito provavelmente um dos iniciais textos comuns que viriam a tornar-se conhecidos sob o pseudónimo Rhandzarte) e com uma explanação da própria sobre o processo de ensino artístico, ligado à produção do “Homem Novo” – também por esse testemunho o texto surge hoje, na sua candura, como um documento interessantíssimo ainda que breve.

Mas para além disso traz-nos esta memória sobre o começo de uma prática artística que veio a tornar-se algo conhecida no país, em particular através da obra de Matias Ntundu e seus vizinhos artistas da aldeia de Nanbimba. Aqui deixo duas imagens particularmente significativas desse processo de transferência tecnológica, memória dos participantes e uma das primeiras xilogravuras moçambicanas.

Os cooperativistas Leonardo Mário e José Tangawizi da Aldeia Comunal Nandimba, imprimindo as suas primeiras xilogravuras em Janeiro de 1982

A Terceira Xilogravura feita por Matias Ntundu Mzaanhoka – 1982″

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Arte Africana em Lisboa

Quarta-feira, Fevereiro 17th, 2010

(por AL apressada)


Do nosso leitor Nuno Salgueiro Lobo vem-me a informação que a galeria lisboeta Influx Contemporary exibe actualmente uma exposição colectiva de artistas Africanos contemporâneos, oriundos de diversos países, incluindo Angola e Mocambique.

Pretende-se com esta exposição estimular um outro olhar sobre a Arte Africana:

A maioria das pessoas ainda associa a expressão ‘arte
africana’ às formas ‘tradicionais’, a chamada (erradamente)
de ‘arte primitiva’ ou tribal: objectos utilizados em cultos e
rituais ancestrais que encerram em si uma aura de
misticismo e espiritualidade. ‘Arte africana’ normalmente
significa ‘passado’.
Mas, as coisas em África mudaram muito entretanto…

Pelo que me foi dado ver no site da galeria, vale com certeza a pena dar um salto ao Lumiar.


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Malangatana em Évora

Terça-feira, Fevereiro 2nd, 2010

Na galeria Kulungwana (na estação dos CFM) uma mostra colectiva organizada por Berry Bickle serve para assinalar o fim das férias, uma mescla heterogénea que bem merece a visita: Idasse, Shikhani, Sitoe, a própria Berry Bickle, Famós, Victor Sousa, Jorge Dias, Ulisses Oviedo e Malangatana. Gostei particularmente dos “rizomas” de Jorge Dias, um inteligente regresso às suas instalações, e da surpreendente (para ele excêntrica) obra de Sitoe.

Bem estava Malangatana, ali avisando que está de viagem até à Universidade de Évora, onde receberá o doutoramento honoris causa em meados deste mês. Apadrinhado por Marcelo Rebelo de Sousa, seu conhecimento bem antigo. Aqui fica a reprodução de um quadro dessa década

["Nu com Crucifixo", 1960]

Nota: Imagem reproduzida de Okwui Enwezor (org.), The Short Century. Independence and Liberation Movements in Africa, 1945-1994 (Prestel, 2001). Se pressionada aumenta, para melhor visibilidade.


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Gemuce na Escócia

Quinta-feira, Janeiro 28th, 2010

Nos últimos meses de 2009 Gemuce foi às terras da Escócia em missão de Ajuda ao Desenvolvimento e lançou o Banco Cabaça, presumo que especializado em macrocrédito. Eis um sumário dessa ajuda à Europa:

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Acerca do Memorialismo

Quinta-feira, Janeiro 14th, 2010

Novidades editoriais hoje adquiridas. Tudo coisas do memorialismo (e biografia), assunto em discussão no ma-schamba daí que apresento os livros antes de os ter lido:

Pachinuapa

[Raimundo Pachinuapa, Marina Manguedye, A Vida do Casal Pachinuapa, Maputo, JV Editores, 2009]

Moiane

[José Phahlane Moiane, Memórias de um Guerrilheiro, Maputo, King Ngungunhane Institute, 2009]

Bragança

[Sílvia Bragança, Aquino de Bragança. Batalhas Ganhas, Sonhos a Continuar, Maputo, Ndjira, 2009]

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Contos populares recriados em livro

Segunda-feira, Dezembro 7th, 2009

Fabulas

Mais um livro, e apropriado à época. A Kapicua publica este “Fábulas de Cabo Delgado. Matias Ntundo Xilogravuras.”. Uma edição organizada por Gianfranco Gandolfo, contendo a recriação literária de contos populares de Cabo Delgado realizada por António Cabrita, e uma série de imagens das célebres xilogravuras de Matias Ntundo – que presumo ali surjam em forma de “ilustração” do corpo literário. A apresentação pública será no dia 16 de Dezembro mas o livro estará à venda antes dessa data.

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Bonecas de Capulana

Domingo, Dezembro 6th, 2009

Na Escola Portuguesa de Moçambique encontrei esta exposição das Bonecas de Capulana, de Suzete Honwana. As fotografias (telemóvel Nokia, jpt a clicar) são paupérrimas, mas quero deixar memória. Duas razões – a primeira é “leve-leve”, e particularmente em época natalícia (potlatch familiar): estas bonecas são um mimo de prenda, encantam qualquer um(a) e não são caras.

EPM Bonecas et al 010

EPM Bonecas et al 009

A segunda razão é menos “leve”. Através destas bonecas Suzete Honwana vem propondo um historial do vestuário em Moçambique, e bem documentado (ver a primeira foto, bem apoiado por iconografia na peanha) – por enquanto centrado no uso dos panos, pois não tenho conhecimento da sua abordagem às fibras vegetais anteriores à disseminação dos panos orientais. Nesse âmbito, também lúdico mas não exclusivamente, histórico-antropológico esta produção de bonecas é interessantíssima.

Sei que em tempos alguém intentou levar uma exposição destas até Portugal, porventura ao Museu do Traje. Acompanhada de uma parafernália ensaística tal seria (será?) um evento a muito acarinhar.


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Exposições World Press Cartoon em Maputo

Quarta-feira, Novembro 18th, 2009

CartazWPCImprensa

Uma acção dupla, em iniciativa conjunta BCI e Instituto Camões, a apresentação dos TOPs 50 de 2008 e 2009 do concurso World Press Cartoon (acesso a informação e aos vencedores). Hoje inaugura-se a dedicada a 2009, na galeria do Instituto Camões (av. Julius Nyerere). Amanhã inaugurar-se-á a relativa a 2008 na Mediateca do BCI (rua Joaquim Lapa). Ambas estarão disponíveis até 12 de Dezembro.

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Colectiva na Associação Moçambicana de Fotografia

Terça-feira, Novembro 10th, 2009

idasse et al Amf

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Bienal TDM 09: debates

Terça-feira, Novembro 10th, 2009

No âmbito da realização da XXª edição da Bienal TDM 09, a sua Comissão organizadora preparou um conjunto de actividades paralelas ao evento de entre as quais ciclos de debate destinados a reflectir e aprofundar o conhecimento e problemática das Artes Plásticas em Moçambique. As sessões decorrerão no Museu Nacional de Arte.

1. Conversa com os artistas premiados Faizal Omar, Domingos Mabongo e Titos Pelembe
05-11-09, Quinta-feira, às 18 horas

2. A Fotografia documental e as possibilidades actuais.
Oradores: Sérgio Santimano e Luís Abelard
11-11-09, Quarta-feira, às 18 horas

3. Bienal TDM 2009: Espaços de Hoje: Desafios e Limites – Curadoria
Oradores: Jorge Dias, Gilberto Cossa e José Teixeira
12-11-09, Quinta-feira, as 18 horas

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Malangatana na Kulungwana

Quinta-feira, Novembro 5th, 2009

malanganta na kulungwana marcha

Amanhã, 6 de Novembro, a partir das 17 horas. Uma actividade na galeria Kulungwana (na estação de caminhos-de-ferro) com exposição fotográfica alusiva à “Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência” e venda de serigrafias de Malangatana, relativas a esse evento.

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Colectiva na Kulungwana

Quinta-feira, Novembro 5th, 2009

Miniatura Convite

Desde ontem na galeria Kulungwana (sita na Estação de Caminhos-de-Ferro), com obras de Idasse, Victor Sousa, Malangatana, Samate, Berry Bickle, Sitoe, Pekiwa, Cita Vissers, Jorge Dias, Martinho, Fiel, Simões e Noel Langa.

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Colectiva de Arte Infantil

Quinta-feira, Outubro 29th, 2009

cartaz-exposicao

Na Fortaleza de Maputo, entre 29 de Outubro e 5 de Novembro.

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Famós no Camões

Quinta-feira, Outubro 22nd, 2009

convitefamos09net

Acabo de receber da organização um e-mail anunciando a exposição de desenho “Penúmbras [sic] da Vida“, uma individual de Famós. A exposição foi inaugurada ontem, 21 de Outubro, no Instituto Camões e estará disponível por algumas semanas (quinze dias?).

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