Entries Tagged 'Arte Moçambique' ↓

Malenga expõe em Lisboa

O escultor e pintor Malenga avisa que expõe em Lisboa. De 2 (hoje) a 30 de Março terá apresentará as suas pinturas no “Pois Café” [na rua S. João da Praça, nº 93-95], num conjunto que intitula “Auge Latente“. Quem tiver disponibilidade poderá ir lá hoje, às 18 h., para a inauguração.

O contacto do artista é: [e-mail:artemakonde@yahoo.com.br]

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Matias Ntundo e a xilogravura moçambicana

E o recente livro “Fábulas de Cabo Delgado” com imagens de Matias Ntundu, o célebre xilogravador de Cabo Delgado, acordou na estante este pequeno opúsculo que acompanhou uma exposição em Maputo, no longínquo 1982, do trabalho de Maya Zucher (a capa reproduz a sua xilogravura “Luz e Força”). Esta foi uma artista suíça que trabalhou em Moçambique sob os auspícios da Associação de Amizade Franco-Moçambicana desde 1979, tendo desenvolvido trabalhos de activismo cultural ( introdução e desenvolvimento de tapeçaria e xilogravura) em Cabo Delgado, Zambézia e Nampula. E foi nesse âmbito que se registou a iniciação da técnica da xilogravura nas cooperativas artísticas do Cabo Delgado – e é desse processo, bem como da sua articulação com a arte (então militante) da artista que o opúsculo trata. Conta com um texto introdutório de Eugénio de Lemos e Malangatana (muito provavelmente um dos iniciais textos comuns que viriam a tornar-se conhecidos sob o pseudónimo Rhandzarte) e com uma explanação da própria sobre o processo de ensino artístico, ligado à produção do “Homem Novo” – também por esse testemunho o texto surge hoje, na sua candura, como um documento interessantíssimo ainda que breve.

Mas para além disso traz-nos esta memória sobre o começo de uma prática artística que veio a tornar-se algo conhecida no país, em particular através da obra de Matias Ntundu e seus vizinhos artistas da aldeia de Nanbimba. Aqui deixo duas imagens particularmente significativas desse processo de transferência tecnológica, memória dos participantes e uma das primeiras xilogravuras moçambicanas.

Os cooperativistas Leonardo Mário e José Tangawizi da Aldeia Comunal Nandimba, imprimindo as suas primeiras xilogravuras em Janeiro de 1982

A Terceira Xilogravura feita por Matias Ntundu Mzaanhoka – 1982″

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Arte Africana em Lisboa

(por AL apressada)


Do nosso leitor Nuno Salgueiro Lobo vem-me a informação que a galeria lisboeta Influx Contemporary exibe actualmente uma exposição colectiva de artistas Africanos contemporâneos, oriundos de diversos países, incluindo Angola e Mocambique.

Pretende-se com esta exposição estimular um outro olhar sobre a Arte Africana:

A maioria das pessoas ainda associa a expressão ‘arte
africana’ às formas ‘tradicionais’, a chamada (erradamente)
de ‘arte primitiva’ ou tribal: objectos utilizados em cultos e
rituais ancestrais que encerram em si uma aura de
misticismo e espiritualidade. ‘Arte africana’ normalmente
significa ‘passado’.
Mas, as coisas em África mudaram muito entretanto…

Pelo que me foi dado ver no site da galeria, vale com certeza a pena dar um salto ao Lumiar.

Malangatana em Évora

Na galeria Kulungwana (na estação dos CFM) uma mostra colectiva organizada por Berry Bickle serve para assinalar o fim das férias, uma mescla heterogénea que bem merece a visita: Idasse, Shikhani, Sitoe, a própria Berry Bickle, Famós, Victor Sousa, Jorge Dias, Ulisses Oviedo e Malangatana. Gostei particularmente dos “rizomas” de Jorge Dias, um inteligente regresso às suas instalações, e da surpreendente (para ele excêntrica) obra de Sitoe.

Bem estava Malangatana, ali avisando que está de viagem até à Universidade de Évora, onde receberá o doutoramento honoris causa em meados deste mês. Apadrinhado por Marcelo Rebelo de Sousa, seu conhecimento bem antigo. Aqui fica a reprodução de um quadro dessa década

["Nu com Crucifixo", 1960]

Nota: Imagem reproduzida de Okwui Enwezor (org.), The Short Century. Independence and Liberation Movements in Africa, 1945-1994 (Prestel, 2001). Se pressionada aumenta, para melhor visibilidade.

Gemuce na Escócia

Nos últimos meses de 2009 Gemuce foi às terras da Escócia em missão de Ajuda ao Desenvolvimento e lançou o Banco Cabaça, presumo que especializado em macrocrédito. Eis um sumário dessa ajuda à Europa:

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Acerca do Memorialismo

Novidades editoriais hoje adquiridas. Tudo coisas do memorialismo (e biografia), assunto em discussão no ma-schamba daí que apresento os livros antes de os ter lido:

Pachinuapa

[Raimundo Pachinuapa, Marina Manguedye, A Vida do Casal Pachinuapa, Maputo, JV Editores, 2009]

Moiane

[José Phahlane Moiane, Memórias de um Guerrilheiro, Maputo, King Ngungunhane Institute, 2009]

Bragança

[Sílvia Bragança, Aquino de Bragança. Batalhas Ganhas, Sonhos a Continuar, Maputo, Ndjira, 2009]

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Contos populares recriados em livro

Fabulas

Mais um livro, e apropriado à época. A Kapicua publica este “Fábulas de Cabo Delgado. Matias Ntundo Xilogravuras.”. Uma edição organizada por Gianfranco Gandolfo, contendo a recriação literária de contos populares de Cabo Delgado realizada por António Cabrita, e uma série de imagens das célebres xilogravuras de Matias Ntundo – que presumo ali surjam em forma de “ilustração” do corpo literário. A apresentação pública será no dia 16 de Dezembro mas o livro estará à venda antes dessa data.

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Bonecas de Capulana

Na Escola Portuguesa de Moçambique encontrei esta exposição das Bonecas de Capulana, de Suzete Honwana. As fotografias (telemóvel Nokia, jpt a clicar) são paupérrimas, mas quero deixar memória. Duas razões – a primeira é “leve-leve”, e particularmente em época natalícia (potlatch familiar): estas bonecas são um mimo de prenda, encantam qualquer um(a) e não são caras.

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A segunda razão é menos “leve”. Através destas bonecas Suzete Honwana vem propondo um historial do vestuário em Moçambique, e bem documentado (ver a primeira foto, bem apoiado por iconografia na peanha) – por enquanto centrado no uso dos panos, pois não tenho conhecimento da sua abordagem às fibras vegetais anteriores à disseminação dos panos orientais. Nesse âmbito, também lúdico mas não exclusivamente, histórico-antropológico esta produção de bonecas é interessantíssima.

Sei que em tempos alguém intentou levar uma exposição destas até Portugal, porventura ao Museu do Traje. Acompanhada de uma parafernália ensaística tal seria (será?) um evento a muito acarinhar.

Exposições World Press Cartoon em Maputo

CartazWPCImprensa

Uma acção dupla, em iniciativa conjunta BCI e Instituto Camões, a apresentação dos TOPs 50 de 2008 e 2009 do concurso World Press Cartoon (acesso a informação e aos vencedores). Hoje inaugura-se a dedicada a 2009, na galeria do Instituto Camões (av. Julius Nyerere). Amanhã inaugurar-se-á a relativa a 2008 na Mediateca do BCI (rua Joaquim Lapa). Ambas estarão disponíveis até 12 de Dezembro.

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Colectiva na Associação Moçambicana de Fotografia

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Bienal TDM 09: debates

No âmbito da realização da XXª edição da Bienal TDM 09, a sua Comissão organizadora preparou um conjunto de actividades paralelas ao evento de entre as quais ciclos de debate destinados a reflectir e aprofundar o conhecimento e problemática das Artes Plásticas em Moçambique. As sessões decorrerão no Museu Nacional de Arte.

1. Conversa com os artistas premiados Faizal Omar, Domingos Mabongo e Titos Pelembe
05-11-09, Quinta-feira, às 18 horas

2. A Fotografia documental e as possibilidades actuais.
Oradores: Sérgio Santimano e Luís Abelard
11-11-09, Quarta-feira, às 18 horas

3. Bienal TDM 2009: Espaços de Hoje: Desafios e Limites – Curadoria
Oradores: Jorge Dias, Gilberto Cossa e José Teixeira
12-11-09, Quinta-feira, as 18 horas

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Malangatana na Kulungwana

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Amanhã, 6 de Novembro, a partir das 17 horas. Uma actividade na galeria Kulungwana (na estação de caminhos-de-ferro) com exposição fotográfica alusiva à “Marcha Mundial pela Paz e Não-Violência” e venda de serigrafias de Malangatana, relativas a esse evento.

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Colectiva na Kulungwana

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Desde ontem na galeria Kulungwana (sita na Estação de Caminhos-de-Ferro), com obras de Idasse, Victor Sousa, Malangatana, Samate, Berry Bickle, Sitoe, Pekiwa, Cita Vissers, Jorge Dias, Martinho, Fiel, Simões e Noel Langa.

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Colectiva de Arte Infantil

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Na Fortaleza de Maputo, entre 29 de Outubro e 5 de Novembro.

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Famós no Camões

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Acabo de receber da organização um e-mail anunciando a exposição de desenho “Penúmbras [sic] da Vida“, uma individual de Famós. A exposição foi inaugurada ontem, 21 de Outubro, no Instituto Camões e estará disponível por algumas semanas (quinze dias?).

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Sitoe no Camões

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O ABM, que está lá longe em Portugal, reenviou-me um email que recebeu por via de uma empresa, a qual presumo patrocinadora, o qual contém um longo comunicado do Instituto Camões de Maputo, a explicitar que Sitoe inaugurará a individual de pintura “Celebrando Mulher” na próxima sexta-feira, 23 de Outubro. Contém 30 obras, acrílicos e óleos. Presumo que esteja à nossa disposição durante quinze dias, pelo menos.

Abraço Sitoe.

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KM 1834

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Já foi há quinze dias, mas fica aqui o registo. A curiosa iniciativa “Karl Marx dezoito trinta quatro“. Na prática Mabunda, o cada vez mais celebrizado escultor de armas recicladas e ferro-velho, transforma a sua casa em galeria e abre a porta para uma colectiva, uma óptima forma de “receber”. Não foi a primeira vez. Na altura da primeira (Março 2009) escapara-me a iniciativa

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que juntou três gerações: o próprio Mabunda, Mauro Pinto, Idasse e Reinata.

Desta vez Mabunda e Mauro Pinto repetiram e juntaram-se-lhes alguns outros artistas (ver convite). A casa cheia de obras, algumas muito recentes (fotografias frescas do Mauro – que tinha um quarto para ele - por exemplo) outras já conhecidas mas sempre a recordar (como a bela série de Berry Bickle). Estava pois a casa cheia e também de pessoas, que o sábado à tarde foi dia de KM 1834. Quem abrilhantou a cena foi o agrupamento “Sem Crítica“, com música e declamações (“coisas” como eles dizem que fazem). Deixo três pobres fotos para memória, alguns deles tocando diante do Cristo de Mabunda (no chão) e ombreando com o fantástico Músico de Titos Mabota (abaixo em grande plano)

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KM 1834 é uma bela onda. Não só por poder juntar as pessoas com as obras (e as pessoas com as pessoas, e as obras com as obras). Mas porque desinformaliza um meio que aqui tende, muitas vezes, ao pomposo. A repetir, espero. Assim para que fiquemos no meio dos estranhos mundos que nos propõem, assim pelo menos durante algum tempo saindo das nossas próprias estranhezas …

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Obra de Malangatana em Portugal

Há alguns meses estive com Malangatana, uma bela sessão onde se viu o filme de Carlos Saura sobre Portugal. Ali em casa de gente amiga, e que nos soube receber, ele estava animado. Ainda que acabasse de sair da clínica, onde tinha sofrido um breve internamento, aprestava-se para partir para Portugal para esculpir: “coisa grande, meu menino!”, anunciou em voz cheia.

Agora tenho ecos do que andou ele a fazer por lá. No Estrada Poeirenta o António Oliveira apresenta o trabalho colocado no Barreiro,

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deixa as fotografias e a descrição do monumento projectado pelo arquitecto espanhol Busquet e com desenho de escultura de Malangatana. Espero agora imagens em detalhe do que o velho mestre deixou pelo Barreiro. Porventura precisarei de lá ir – e eu nunca fui ao Barreiro.

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Amália em Moçambique III

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[Amália recebida no aeroporto por centenas de pessoas]

A evocação da visita de Amália a Moçambique desenvolveu-se em invocação. A minha boa amiga Amélia enviou-me estes preciosos recortes de jornal, relativos à digressão de Amália em 1969 [pressionados aumentam, possibilitando a sua leitura]. A diva do fado, estrela internacional, regressou a Moçambique duas décadas depois da sua última aparição. Veio como centro de uma delegação cultural, integrando o actor Jacinto Ramos e dois cavaleiros tauromáquicos, o que bem denota o conteúdo do arquipélago cultural identitário de então. Se é interessante, paralelamente, ver como a mutação sociocultural da democracia implicou a desvalorização da tourada como símbolo nacional e não de nenhum dos então célebres 3 “fs”, este facto torna explícita a dimensão de “representação”, donde de acto também político, da acção cultural em causa.

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[notícia da recepção oferecida a Amália e restante delegação cultural pelo Governador-Geral Baltazar Rebelo de Sousa]

Nada mais sei sobre esta deslocação, apenas posso especular sobre o seu contexto – o de assumir a vitalidade económica da sociedade colona, a trazer a grande artista para uma digressão desta monta, a sua óbvia integração no espírito da época, o de fazer Amália calcorrear um território assim feito, explicitado, Portugal. E um Portugal pacífico, acolhedor da Diva. E, claro, a sua inserção no esforço de guerra português, a expressa vontade do ícone nacional de prestar apoio moral às tropas portuguesas aquando da sua actuação no Norte.

Mas num outro registo, mais conjuntural, apontar a presença do governador Baltazar Rebelo de Sousa, o homem do “colonialismo de rosto humano”, e inclusive a coincidência temporal, explícita no primeiro recorte, com a sucessão da partida de Marcello Caetano e a chegada de Amália. Vivia-se a “primavera marcellista”, terá sido esta uma “acção cultural interna” também propagando esse vector? Numa África onde, pessoa do seu tempo, Amália constata ”ainda me sinto mais portuguesa”.

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[Anúncio do espectáculo de Amália em Maputo (Lourenço Marques), no pavilhão do Sporting]

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[Amália visita e actua na casa de Malangatana, emparceirando com músicos locais]

Enfim, recortes que são verdadeiros documentos desse tempo, e não só pela forma da escrita jornalística: actuações em Maputo (Lourenço Marques), Beira, Chimoio (Vila Pery) – aqui “apadrinhando” a sua ascensão a cidade, facto civilizacional - e Nampula, com relatos do seu sucesso. A visita à Gorongosa – ex-libris turístico de então, mas também símbolo de uma “África natural”. E, pois há coisas/olhares que se mantêm, a deslocação/actuação a casa do grande Malangatana (já então, como sempre, acompanhado de Oblino) para uma sessão que hoje chamaríamos de “multicultural” (e onde estava, entre outros, a poetisa Glória de Sant’Anna, recentemente falecida).

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[Amália em Nampula]

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[Entrevista no Hotel Polana, acompanhada de Maluda e da jornalista radiofónica Manuela Arraiano, ambas oriundas de Moçambique]

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[Amália na Gorongosa, depois de actuar na Beira e em Chimoio (Vila Pery)]

 
Adenda: breve memória de Amália em Nampula durante esta digressão, deixada no Petromax.
 

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Fiel dos Santos

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[Fiel dos Santos Sculpteur, Éditions de l'Oeil, 2008, 24 pp]

Livro trilingue (francês, inglês, português), com texto original de Paola Rolletta, dedicado a Fiel dos Santos publicado na colecção de livros de bolso “Les Carnets de la Création“, que esta editora vem produzindo, e que já integrara – pelo menos – 3 livros sobre fotógrafos moçambicanos (Rangel, Mauro Pinto, Luís Basto). Ao que me diz Fiel agora foram publicados mais alguns dedicados a artistas moçambicanos, os quais ainda não encontrei.

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Fiel é um membro proeminente do grupo de geração que aderiu em finais do século passado à proposta artística de transformação de armas de guerra em obras de arte, um desafio então lançado pelo Conselho Cristão de Moçambique, e que desde então se tem mantido nesta linha de trabalho, des-essencializadora do material, provocatória sobre os homens. Projecto artístico ideológico, claro, e como diz Paola Rolletta “Só quem viveu na pele a guerra e a paz é capaz de fazer desabrochar uma rosa de um rocket.” (17) Um caminho que tem vindo a colher sucesso, interno e internacional.

Mas também caminho a discutir – até que ponto não há neste manusear da matéria-prima uma sua sobrevalorização face ao produto final artístico? Conversa para outros contextos que não este, o de saudar mais este lançamento, que conta com o apoio da Embaixada de França em Moçambique – sempre atenta no apoio às artes nacionais -, e que é possível (e justificado) adquirir no Núcleo de Arte.

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Individual de Penicela no Núcleo de Arte

Interessante perceber a azáfama que vai em Maputo neste período de outras azáfamas. Exposições e outros acontecimentos ligados às artes plásticas sucedem-se. Uma expressão de alguma autonomia das dinâmicas do campo artístico nacional. E, porque os ritmos do mercado também influenciam a calendarização, um eco da consistente autonomização do campo económico (pelo menos das suas franjas mais atentas ao patrocínio ou aquisição).

Nesse ritmo, por ora trepidante, há que registar – e aconselhar a visitar – a individual de pintura de Penicela, que estará em mostra até ao final desta semana no Núcleo de Arte. Cerca de 30 obras oscilando entre o academismo – do qual a primeira obra aqui mostrada, “Moçambicanidade” será exemplo, tanto temática como esteticamente – e o aqui idiossincrático estilo recorrente do autor, do qual a segunda imagem é exemplo particular.

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[Fotografias com telemóvel] 

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Colectiva na Associação Moçambicana de Fotografia

Inaugura amanhã (18 h.), terça-feira dia 6 de Outubro, na Associação Moçambicana de Fotografia a exposição colectiva VIDA E DESTINO, que estará aberta até dia 12 de Outubro. Pretende ser uma homenagem póstuma a CABAÇA (Gregório Simões Ferreira), cujas obras serão expostas. Em seu tributo serão também apresentados trabalhos de artistas seus familiares: Alexandria, Calapino e Pekiwa.

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Colectiva Vonani Hi Hine

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(pressione na imagem para a aumentar)

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Colectiva “Karl Marx dezoito trintquatro”

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Esta é daquelas que faz crescer àgua na boca. No sábado à tarde … (pressione na imagem para a aumentar).

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Exposição Colectiva na Mediateca

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Frederico Morim no Instituto Camões

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Um ano e meio depois o Instituto Camões de Maputo apresenta uma nova exposição de Frederico Morim (a sua primeira individual aqui – e não a segunda como a divulgação anuncia). Anunciada como de arte digital, entre 30 de Setembro e 17 de Outubro estará disponível a “Time is the master but can be a disaster“  deste artista, publicitário de profissão, uma dimensão visível aqui.

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Exposição colectiva no consulado português.

Interessante iniciativa, esta transposição para sítio informático da exposição colectiva Intersecções, que integra obras de Ídasse, Malangatana, Chichorro entre outros, uma iniciativa do Consulado-Geral de Portugal em Maputo (av. Mao-Tsé-Tung). Inaugurada há já um mês estará visitável até amanhã, domingo dia eleitoral. Mais uma boa acção da actual cônsul, Graça Gonçalves Pereira.

Adenda: esta exposição foi também objecto da realização de um blog, o Intersecções.

Naftal Langa

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expõe na Kulungwana (situada na estação dos caminhos-de-ferro), a partir de 1 de Outubro, próxima quinta-feira.

Feira Nacional de Artesanato

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A anual Feira Nacional de Artesanato, uma organização do CEDARTE (Centro de Estudos e Desenvolvimento do Artesanato) começa amanhã. Na Fortaleza de Maputo.

Vai um homem na rua para encontrar um amigo, que o segura, mão no braço e, entusiasmado, lhe lê

Jazz

Vejo renderes-te a esse desejo
tocando notas musicais espirituais,
em gestos angelicais,

vejo em ti um corpo celestial,
bebo em ti o gosto da música
fazes-me sonhar,

mas que música será esta?
virá da tua mão? um simples mortal?

quem será mesmo o autor?
talvez, quem sabe,
um emprestador da mão e da voz de Deus.

[Sónia Sultuane, No Cola da Lua, edição da autora, 2009]