Archive for the ‘Arquivo’ Category

LacriMozart

Terça-feira, Agosto 31st, 2010

(por AL lacrimosa) –


  • Share/Bookmark

Cromos Prováveis

Terça-feira, Agosto 24th, 2010

(por AL em produção fictícia) –

AVISO: qualquer semelhança com pessoas ou acontecimentos reais será pura coincidência


Era um falhado! Estacionava a vida de escombros e fracassos num buraco a que chamava casa. Ocupava os dias a desenvolver projectos que não passavam dos sites e em folhetos que lhe consumiam o capital de arranque (pouco, muito pouco, quase sempre nada). Já entrado na meia idade vivia sustentado pela família, amigos e por aqueles com quem se ia endividando. Dizia-se sonhador e aos erros consecutivos chamava opção de vida; com esse mant(r)a tapava a avalanche de fracassos que o compunham. Pode mesmo dizer-se que era bem sucedido a fracassar.

Uma outra coisa conseguia fazer com sucesso: seduzir! Protagonizava na perfeição o papel de sedutor cinéfilo. Ah!, isso sim!, saía-lhe sempre bem. Pelo menos durante algumas semanas, ou dias. As deixas, essas, eram sempre as mesmas: os cabelos dela na almofada, o corpo enrolado no lençol e outros romantismos serôdios. Adoçava a conversa com citações de filmes ou livros, inseria referências a locais e gentes interessantes com quem se tinha cruzado; contava-lhes maus comportamentos passados. Deixava-as de manhã com bilhetes de amor e o pequeno almoço preparado. Ocupava-lhes o dia com SMS delicodoces e metafóricos. Gastava os tostões cravados em jantares e vinhos gourmet, num esbanjamento de indiferença pelos bens materiais. Assim as prendia e assim lhes vampirava os corações.

Depois, tal como nos filmes que acabam com o beijo, também a ele se lhe esgotava o script, falhava-lhe a continuidade. Consumidas as deixas não se conseguia reinventar. Chegara a hora de procurar outra protagonista para as mesmas linhas cansadas. Descartava-se então da mulher conquistada, agora desorientada com o Mr Hyde que de repente se lhe revelava. Empatava uns dias. Para dar tempo a que o amo-te passasse a amei-te e que o hei-de amar-te se convertesse em amo-te. O guião, esse, continuava a ser o mesmo: os cabelos na almofada, o corpo enrolado no lençol…

Era completamente bi-dimensional, com um trompe l’oeil de profundidade. Enfim, não passava de um palhaço! Um cromo!


  • Share/Bookmark

Um Arco-íris no ar

Domingo, Agosto 8th, 2010

(por AL a vadiar) –

Despertou o meu dia alegre e luminoso. Sem sombras. Fazemo-nos à estrada e rumamos para a Ericeira. No calor da conversa duas vezes nos perdemos e, rindo, duas vezes nos encontramos. Chegamos à praia já povoada de amizades consolidadas no tempo e na memória. Aí passamos o dia, trocando conversas e fazendo chalaças. Não fora o mar gelado e o dia teria sido perfeito.

Ao fim da tarde sacudimos a areia dos corpos e vamos até à exposição dos nossos Miguéis – Maresias. Nos quadros do Miguel Barros apreciamos uma Ericeira de tela, textura e cor; com o Miguel Valle de Figueiredo aprendemos como se fotografa o intangível. Como que num reverso das duas artes – o objecto marcante e definido na pintura e a ausência de objecto na fotografia. Vale a pena ir à Ericeira e visitar a exposição!

A cereja em cima do bolo foi o excelente vinho branco da Quinta das Carrafouchas, com que se regou a exposição e com que iniciámos as “hostilidades” fluidas. O jantar foi asiático, leve e divertido. Rematámos com um concerto de excelente música ao ar livre, que se prolongou noite fora noutros folguedos. Mesmo mesmo antes de adormecer chegam-me ecos de uma promessa. Foi um dia muito bom!


  • Share/Bookmark

Luzes na madrugada

Sexta-feira, Julho 23rd, 2010

(por AL desperta) –

Acordo em sobressalto com o galope do peito. No silêncio da madrugada só a minha dor grita. Calada. Vou até à varanda do meu refúgio ver o mundo que começa a colorir-se de luz e de cores que não chegam ao mundo de cinzentos que me habita. Daqui não se vê a esquina onde dei um primeiro beijo. Fica já ali a esquina. Perto, muito perto, mas tão perdida agora para mim quanto o amor que lá estreei.


  • Share/Bookmark

Postal da Rua da Paz

Quinta-feira, Julho 22nd, 2010

(por AL refugiada) –

Downloaded de http://www.pbase.com/diasdosreis/image/98986754

Da varanda do meu refúgio olho para as vidas que na rua se tecem.  No rés-do-chão do prédio de esguelha, uma  janela aberta, vestida de cortinas de linho com entremeios de renda. Bonitas. Ela, já idosa, vai desfiando as horas do dia a costurar roupa e cansaço no parapeito. Ao fim da tarde junta-se-lhe a amiga. Mais nova, chega a cabo-verdiana ajoujada de sacos e de um dia de trabalho. Pegam-se de conversa. Do lado de dentro relatam-se os dramas diários da rua. “Foi um AVC!”, anuncia-se com espanto; ”Só um filho e um neto e veja lá a desgraça”, comisera-se; “É uma vida madrasta”, apoia-se. Do lado de fora chegam notícias das Avenidas Novas, das patroas que se prolongam em extensões de cabelos e unhas e se seduzem em carros de luxo. Trocam-se as amigas nos quotidianos e juntam-se nos insultos às vizinhas. Mastronça!, vem gritado lá de dentro; Mastronça!, ecoa gritado do lado de fora, em invectiva apontada a uma janela que permanece fechada. É uma amizade improvável debruada a mexerico e rematada em harmonia racial. Despedem-se: Até amanha!, Até amanha!. E fico eu, sozinha na varanda do meu refúgio, agradeço a serenata dos canários do prédio mais adiante, viro as costas à Rua da Paz e volto ao turbilhão da minha alma.


  • Share/Bookmark

Uma dor de alma

Quarta-feira, Julho 21st, 2010

(por AL desalmada)

Lá em baixo na rua. Um pássaro caído, de asas abertas. Fui ver. Estava morto. Espezinhado. Era eu.


  • Share/Bookmark

Memórias Perdidas

Sábado, Dezembro 5th, 2009

(por AL sentida, muito sentida) –

baobab-2

Com grande pena minha não a conheci como gostaria de ter conhecido e poucas foram as memórias que comigo partilhou. Mas a riqueza das suas histórias e a frontalidade com que as contou são-me inesquecíveis.

Fruto do seu tempo e da sua época, enfrentava inimigos e críticos de peito aberto, acção em riste e palavra pronta. Não perdoou afrontas nem insultos, mas nunca fechou a generosidade a quem dela precisava. Indiferente à popularidade da causa, empenhava-se a fundo nela se nela acreditasse. Fiel a si mesma e aos princípios pelos quais viveu, nunca se rendeu a facilitismos nem se escondeu atrás de justificações ocas. Amou África; em África nasceu, viveu, lutou e morreu… mas foi Moçambique a sua grande paixão!

Não concordei certamente com muitas das suas opiniões, mas sempre lhe reconheci a coragem com que se bateu e a honestidade com que viveu. E por isso a admirei e por isso lhe criei amizade. Senhora de uma memória de elefante leva consigo uma história que fica por contar, deixando-nos a todos por isso mais pobres.

Pessoas há que parecem maiores que a Vida. Era assim a Lucinda Serras Pires Feijão…


  • Share/Bookmark

Contrastes

Domingo, Novembro 29th, 2009

(por AL em jeito de saudade)

DSCN0778

A caminho de Timbuctu quase no fim do harmatão, surpreenderam-nos do nada em jeito de miragem. Aproximaram-se sem surpresa do LandRover verde escuro; assalaamu alaykum. Trocámos por um sorriso e um Shukran! a água fresca pelo ar condicionado. Despedimo-nos na trindade do gesto islâmico – do coração, com a palavra, no pensamento. Intemporalmente na rota do sal…

Celebrou-se esta semana o Eid ul Adha.


  • Share/Bookmark

Efeitos Especiais em Grandes Causas, ou a Ficção da Realidade

Sábado, Novembro 7th, 2009

ivory_burning

O vídeo do Out of Africa aqui postado pelo ABM trouxe-me à memória uma história engraçada e pouco conhecida.

O shooting do filme coincidiu no Quénia com a aprovação, pelo na altura Presidente Moi, da directriz das Nações Unidas que bania o comércio em marfim. O governo queniano tinha feito enormes apreensões de marfim e queria fazer uma qualquer demonstração pública e impressionante da sua destruição. Foi decidido fazer então uma enorme fogueira queimando as toneladas de marfim entretanto apreendidas. O Presidente Moi deveria aproximar uma tocha da enorme pilha, que deveria de imediato irromper em chamas altas e vigorosas, simbólicas do ímpeto anti-marfim.

Fizeram-se testes e ensaios, mas o marfim demora imenso tempo a começar a arder e tem uma combustão lenta e difícil. Assim, quando aproximavam a tocha da pilha-teste nada se passava durante uns minutos e depois lá surgia uma mísera coluna de fumo esbranquiçado e raquítico…

Foi então que alguém se lembrou que havia uma equipa de Hollywood a filmar algures no país e que seguramente dispunham de peritos em efeitos especiais. E assim foi! O filme era o Out of Africa, o ano de 1989. Neste ano de 2009 o que se elevou em fumo foram as restrições ao comércio de marfim, sem quaisquer efeitos especiais…

AL


  • Share/Bookmark

A Visita a Les Charmettes

Sexta-feira, Novembro 6th, 2009

2009.1.04 Portagem

por ABM (Cascais, 5 de Novembro de 2009)

Memoravelmente, fui há dias contactado pelo meu amigo CHA e a sua mulher, a excelente Odete, há uns dias, tendo ficado agendado um almoço em sua casa, situada num canto idílico da linda localidade de Galamares, por detrás da Serra de Sintra para quem vem de Cascais, chamado Les Charmettes.

O almoço, que durou seis horas entre divino repasto e muita conversa, foi ontem.

Para tal, tive que me meter no ABMobile e deslocar-me de Cascais para Sintra, para onde já não ia há bastante tempo.

Ora, para quem não conhece o local, havia uma excelente estrada pública que ligava Cascais (ao pé do Centro Comercial Cascais Shopping) a uma rotunda, à entrada de Sintra, que liga à estrada IC 19, que vai para Lisboa – e a Sintra.

A distância é cerca de sete quilómetros, o limite de velocidade entre 50 e 70 kms por hora. Faz-se bem.

Em boa verdade, a velha estrada ainda está lá. Só que, mercê do tesão desenvolvimentista, o neo-fontismo da Era Socratiana pós-Cavaquista, o que encontro quando chego onde eu pensava que estava a tal estrada para Sintra? nada mais nada menos que a entrada para uma fulgurante auto-estrada, novinha em folha, ainda a cheirar a novo, com três vias, limite de velocidade 120 kms por hora.

A nova auto-estrada A16. Vi qualquer coisa sobre isso na televisão mas com tanta estrada a ser inaugurada em tempo de eleições não sabia que era aquilo.

Curioso e algo impressionado, entro na nova via, acelero o ABMobile para 120 kms por hora. E nuns fulminantes três minutos e meio percorro os sete quilómetros.

Só que quando vejo ao longe o cartaz a anunciar a saída para Sintra, vejo também um sinal a anunciar… que tinha que pagar uma portagem.

Uma portagem? uma portagem? mas que brincadeira é esta? logo, vejo que a saída para Sintra estava depois da portagem. “Bolas”, pensei, já fui comido. Chateado, abrandei e aproximei-me da casota, onde estava uma daquelas meninas simpáticas, provavelmente com um Mestrado em Ciências Sociais que tinha que ganhar a vida.

Enquanto me aproximei, fiz algumas contas de cabeça. Bem, afinal quanto valia uma corrida de sete quilómetros e três minutos e meio na A16? Aahh.
Talvez um 25 cêntimos de euro. Não podia ser mais. Não era possível. Aquilo era ridículo. Qualquer dia neste país a gente paga portagem para tirar o carro da garagem. Cambada de comunistas reformados a armar em capitalistas.

Olhei para a menina e disse “bom dia, então que história é esta de portagem? quanto é?”

A menina olhou-me com um ar meio nervoso. “Noventa cêntimos”.

“NOVENTA CÊNTIMOS !?” Noventa Cêntimos, quase um euro, para andar três minutos e meio de Cascais até Sintra!? estão loucos? isto é um roubo !! que ladrões…”

A menina manteve-se calada.

“Ok. Está aqui um euro. Dê-me um recibo. Nada contra si, você só está a trabalhar aqui. Mas eu NUNCA MAIS passo por aqui. Mas onde é que está a velha estrada onde eu costumava passar sem pagar nada e que não era nada má? Não me diga que a mandaram abaixo.”

Afinal a auto-estrada A-16, como cada vez mais nesta terra, não era pública. Era uma concessão, algo muito na moda no Portugal moderno. Uma empresa obtém a concessão, o direito de a explorar durante um número de anos, enterra-se em dívidas e constrói aquilo, e em troca toda a gente que a usa paga-a, ao preço que lhes ocorre e que o governo assina logo por baixo. O princípio é nobre – excepto quando não há nenhuma alternativa, ou a alternativa de “nós povo” é um caminho de cabras aos zigue-zagues. Que, claro, é precisamente o que tende a acontecer quando aparecem estas “concessões” (que agradecem o favor de assim obrigarem o automobilista sensato a evitar perder a cabeça nas estradas “alternativas” e a pagar os seus usurários honorários.

Assim não vale a pena ser cidadão. Ou melhor, vale a pena quando apenas se se é rico.

Mas se eu fosse rico viveria em Mónaco, Manhattan ou Jupiter Island, não em Cascais. Lá há estradas muito melhores e não se paga metade dos impostos que se pagam aqui.

A Sra Dra menina deu-me o recibo e os 10 cêntimos de troco e explicou-me que concordava perfeitamente comigo e que a velha estrada ficava um quilómetro para a esquerda e que se podia usar.

“Mas quando vim para cá os velhos acessos desapareceram e na rotunda só vi sinais para esta auto-estrada” (Portugal está-se a tornar numa verdadeira “rotundocracia” rodoviária).

Ela explicou que havia uma (obscura) estradazinha escondida à direita da estrada que dizia “Linhó” e que essa estradazinha ligava à velha estrada que ligava Cascais a Sintra.

Acelarei o ABMobile e saí da auto-estrada, sentindo-me perfeitamente roubado e ludibriado.

Para gozo do exmos leitores Maschambianos, o recibo do que paguei está no cimo deste texto.

Nos meus tempos de residência nos EUA, era obrigatório os operadores das estradas concessionárias a) meterem uma placa em todas as entradas das suas estradas a anunciar que aquilo era a pagar, e b) as municipalidades indicavam as estradas alternativas.

Neste caso, a velha e excelente (e free) estrada para Sintra pura e simplesmente desapareceu do mapa.

Crápulas. Todos eles.

Eu sei o que alguns dos exmos leitores estão a pensar: “mas, ABM, 90 cêntimos é troco. Não faz muita diferença. Um gelado custa 2 euros.”

Talvez. mas não é assim que eu penso. E neste caso, pelas razões explanadas, ainda pior.

Quando saía da estrada, danado, ainda pensei: “bolas, agora só faltava mesmo era despedirem o Paulo Bento do Sporting”.


  • Share/Bookmark

Política africana

Quarta-feira, Junho 30th, 2004

Prezado/a leitor/a se está disposto a ler sobre política a sério visite sff este texto e o anterior. Se não conhecia a casa em causa aviso que lhe é costume a inteligência e cultura.

Sigamos, agora sobre o Santana eu acho que…bem…enfim.

Bem, decidirei depois da bola. Aliás, será ele aplaudido em Alvalade ou vaiado? Sim, sim, é essa a verdadeira questão. O efectivo barómetro!

Ou será que se esqueceram? Atolados nos Campos de Belém?


  • Share/Bookmark

Gravura 2: Igreja Nossa Senhora da Conceição em Inhambane

Sexta-feira, Maio 28th, 2004

“Igreja da Nossa Senhora da Conceição em Inhambane”

Autoria: Alberto


  • Share/Bookmark

Azul Cobalto

Domingo, Maio 23rd, 2004

Se há blog que não precisa de elogios é o Azul Cobalto. Parabéns pelo ano. E obrigado pela cor.


  • Share/Bookmark

O Diálogo na Arquitectura

Terça-feira, Maio 4th, 2004

Não resisto a partilhar este texto delicioso do Sérgio Faria, inspirado num termo recorrente da gíria dos arquitectos.

Acho uma gracinha o jargão dos arquitetos para justificar uma obra invasiva: eles dizem que a obra “dialoga”. Já disse o carnavalesco Ohtakinho Trinta, nosso Frank Gehry, que seu Hotel Renaissance “dialoga” com as árvores da Alameda Santos [SP]. E que seu Palácio da Carambola “dialoga” com os entornos da Zona Oeste. Pois na apresentação de seu projeto, o Paulo Mendes da Rocha informou que o mondrongo da Praça do Patriarca “dialogava” com a vizinha igreja de Santo Antonio, tombada pelo Condephaat. Se “dialogava” mesmo, eu imagino o diálogo:

- E aí, Santo Antonio?
- Fala, Paulo
- Gostou do meu projeto?
- Ele esconde a minha igreja, Paulo
- Não é bem assim, ele dialoga…
- Vai tomar no seu cu, Paulo.

[copiado aqui] Para ver o “mamarracho” directamente invectivado ver aqui.


  • Share/Bookmark