Archive for the ‘Arquitectura Moçambique’ Category

Cidades Africanas

Sexta-feira, Julho 30th, 2010

Num recanto de uma livraria lisboeta (no King) descubro alguns exemplares desta revista, a qual desconhecia.O nº 5 da “Ur. Cadernos da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa“, dedicado a “Cidades Africanas“. Publicada em Maio de 2005 (12 euros). Um maná para nós, interessados – profissional ou afectivamente: tem mais de 20 artigos sobre a matéria. Artigos de Cristina Delgado Henriques, Pancho Miranda Guedes, José Forjaz (e ainda uma sua entrevista concedida a Isabel Raposo), e tantos outros nomes com obras reconhecidas sobre a matéria, José Manuel Fernandes, Maria Clara Mendes, Ilídio do Amaral, Isabel Raposo, etc. Apesar da já antiguidade da revista (5 anos), valerá com toda a certeza um mergulho atento.

Depois o resmungo. Este tipo de revista não esgota, aliás as académicas custam a fazer circular. Esta, como tantas outras, foi publicada com o apoio de instituições estatais. Entre elas o IPAD (instituto português de apoio ao desenvolvimento, a chamada “cooperação”). Com toda a certeza este apoio implica a recepção de exemplares (é a prática usual). Mas estes não são distribuídos, perdendo-se assim a possibilidade de divulgar os trabalhos dos especialistas, por esse modo criando possibilidades de diálogo e, até, de trabalho comum. Nem distribuição de exemplares – há alguma lógica de apoiar isto e não o anunciar/distribuir nas faculdades de ciências sociais com as quais se tem “cooperação”? -nem tampouco a divulgação da publicação (via internet, via delegações nos países com os quais o instituto trabalha). Nada, dá-se o apoio financeiro e pronto, está concluída a função. Passam-se os anos e não muda a atitude. É, entenda-se, falta de gosto no que se faz. Nada mais.

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PANCHO GUEDES ALGARVIO

Quarta-feira, Junho 30th, 2010

por ABM (Quarta.feira, 30 de Junho de 2010)

Para os Maschambistas e aficionados de Pancho Guedes nos Algarves, noticia o Barlavento Online de hoje o seguinte:

Um encontro entre a obra do arquiteto, pintor e escultor Pancho Guedes e de um conjunto de jovens artistas portugueses nascidos nos anos 70 e 80 é a proposta da exposição “A Linha Curva, Deambulações em torno de desenhos de Pancho Guedes”, que abre no dia 2 de Julho (sexta-feira), no Posto 1 de Vilamoura.

Um dia depois, o artista volta a estar em foco com “A Voz do Mar”, uma intervenção no Promontório de Sagres, que contempla uma instalação de caráter temporário, colocada à volta de uma cavidade natural existente no terreno.

As duas exposições integram o programa “Allgarve’10”, sendo consideradas um dos momentos mais significativos do cartaz de arte contemporânea a decorrer até Novembro.

“O trabalho do Pancho Guedes está a ser redescoberto com grande intensidade por uma geração mais nova, que começou a questionar o nosso destino enquanto país, a nossa aventura ultramarina”, afirma Nuno Faria, programador de arte contemporânea do “Allgarve’10” e curador da exposição “A Linha Curva”, juntamente com Pedro Ressano Garcia.

Sobre o título da exposição, refere que “a obra do Pancho tem muito a ver com a linha curva, esta espécie de utopia arquitetónica, que estabelece uma relação com a utopia modernista de Vilamoura”.

Filipa César, Mariana Silva, Pedro N. Marques, Hugo Canoilas, Manuel Santos Maia, Miguel Rondon, Otelo Fabião, Francisco Sousa Lobo, Manuel Santos Maia foram os artistas convidados para participar na mostra, patente até 30 de Setembro.

Na exposição “A Voz do Mar”, o projeto acústico de Pancho Guedes dá a conhecer um lugar onde o mar é sentido literalmente debaixo dos pés, através da presença ritmada do som produzido pelas marés e as paredes que sobem em altura desenham um percurso até à descoberta do local.

Arquiteto, escultor, pintor e professor, Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes, conhecido como Pancho Guedes, nasceu em Portugal em 1925 e estudou em S. Tomé e Príncipe, Guiné, Lisboa, Lourenço Marques, Joanesburgo, Porto.

Foi professor e diretor do departamento de arquitetura na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.

O seu período mais criativo passou-o em Moçambique, nas décadas de 50 e 60, onde fez mais de 500 projetos para edifícios, muitos deles tendo sido construídos em Moçambique e alguns em Angola, África do Sul e Portugal.

Os seus edifícios e projetos exuberantes, ecléticos, complexos e pensativos, estando muito longe dos edifícios americanos do pós-guerra, foram reconhecidos pela sua qualidade e originalidade.

A sua obra absorve muitas influências, desde a arte de África ao surrealismo, e sintetiza-as num estilo que é reconhecivelmente seu, embora os resultados possam parecer diferentes à primeira vista.

A atividade como pintor surgiu quando estava a acabar o curso de arquitetura em Joanesburgo e participava em exposições com os artistas mais progressistas da época.

Em 1961, esteve presente na Bienal de S. Paulo, Brasil e, em 1975, na Bienal de Veneza.

É comendador da Ordem de Santiago e Espada e recebeu a Medalha de Ouro para a Arquitetura do Instituto dos Arquitetos Sul-africanos, havendo sido doutorado honoris causa pelas universidades de Pretória e Wits, na África do sul.

INFORMAÇÕES

A Linha Curva, Deambulações em torno de desenhos de Pancho Guedes
Curadoria de Nuno Faria e Pedro Ressano Garcia.
Em parceria com a Lusort, Inframoura e Câmara Municipal de Loulé.
Posto 1 – Vilamoura (Loulé) – 2 de Julho a 30 de Setembro

A Voz do Mar
Curadoria de Pedro Ressano Garcia.
Em parceria com a Direcção Regional de Cultura do Algarve.
Fortaleza de Sagres – 3 de Julho a 30 de Novembro

Hum, Pedro Ressano Garcia na “curadoria”. Será que este Ressano Garcia tem ligação com o Ressano Garcia de Ressano Garcia?


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Concurso Fotográfico sobre Pancho Guedes

Segunda-feira, Junho 7th, 2010

No sítio Pancho Guedes. A Aventura da Arquitectura, o Desafio ao Formalismo está o Regulamento do Concurso de Fotografia dedicado à obra do arquitecto bem como a Lista (e morada) de 112 das suas obras em Maputo, assim à mão de fotografar. As fotografias podem ser entregues até ao próximo dia 11 de Junho no Consulado de Portugal (Av. Mao-Tse-Tung) ou na Associação Moçambicana de Fotografia (Av. Julius Nyerere), e no próprio sítio há mais informações sobre a matéria.

Eu gostava de ter tirado esta fotografia

Adenda: A este propósito Duarte d’Oliveira lembra duas notas suas sobre Pancho Guedes como fotógrafo.

“Bebé Mamã” é o título de um pequeno livro (de 43 páginas, que reencontrei ao arrumar uma das estantes do meu escritório) editado pelo Serviço Extra-Escolar da Província de Moçambique “Para a Melhoria Educativa e Social das Populações Moçambicanas”. Não tem data de edição mas trata-se de um “Trabalho executado nas oficinas gráficas da Empresa Moderna, Lda.”, sediada em Lourenço Marques. O texto é de Deolinda Martins e as fotografias e arranjo gráfico são de A. d’Alpoim Guedes. [...] [Sobre Deolinda Martins]. Para além de informações complementares que se encontram nesse texto juntou-lhe ainda uma outra nota: Pancho Guedes – fotógrafo pela saúde da mãe moçambicana.

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O Novo “Sítio” de Pancho Guedes no Seu 85º Aniversário

Quinta-feira, Maio 13th, 2010

Hoje no Consulado de Portugal aconteceu a comemoração em Maputo do 85º aniversário de Pancho Guedes. Lançamento do guia “112 Edifícios de Pancho Guedes em Maputo. Lista e Localização“, um roteiro produzido e oferecido pelo consulado, que contém mapa e identificação nominal, com respectivo endereço, da obra do arquitecto nesta cidade. Uma publicação inestimável. Em seu complemento foi lançado um concurso fotográfico dedicado aos trabalhos de Pancho Guedes – o qual para além do fazer reviver os edifícios, de os dar a conhecer, de combater o esquecimento destrutivo a que muitos estão votados, é também forma de procurar a identificação de alguns outros que ainda não estão inventariados neste assumidamente “trabalho em progresso”.

Mas mais, foi ainda apresentado o sítio Pancho Guedes [também ainda em progresso mas já funcional], uma forma de a todos dar a (re)conhecer esse marco da arquitectura no país.

Mais uma vez, e tal como foi aventado aquando da recente visita do arquitecto a Maputo, foi referida a hipótese não só de uma homenagem académica mas também a criação de um local físico dedicado ao seu trabalho e personalidade, uma “casa de Pancho Guedes” – e para isso muito será necessária a intervenção do Estado moçambicano, bem como de instituições privadas, seduzíveis para tal objectivo. Penso que seria muito interessante a sua articulação com instituições portuguesas – e muito obviamente do instituto de acção cultural externa nacional, o Instituto Camões cuja colaboração me parecerá com todo o cabimento (palavra que também tem, como é sabido, uma dimensão semântica explicitamente orçamental).

É imprescindível sublinhar que o ânimo de toda esta actividade em torno da obra de Miranda Guedes tem sido a cônsul portuguesa em Maputo, Graça Gonçalves Pereira. Ao longo dos anos aqui no ma-schamba tenho sido muito parco em elogios pessoais. E ainda bem, pude assim guardar a quantidade disponível para lhos atribuir, até em regime de monopólio. Devidos por esta actividade de diplomacia cultural em torno de Pancho Miranda Guedes mas também por múltiplas outras actividades, públicas e administrativas. É uma personalidade fantástica e, por isso mesmo, uma excepcional diplomata. Pelo seu dinamismo e competência cativou a “comunidade” portuguesa (ou seja, os portugueses residentes) e os seus interlocutores nacionais. A gente está a gostar. Muito. Que se registe isso.

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A exposição de Pancho Miranda Guedes em Maputo

Quinta-feira, Março 25th, 2010

Convirá lembrar que continua disponível no consulado de Portugal (Av. Mao-Tse-Tung) a exposição fotográfica dedicada à obra de Pancho Miranda Guedes: “Pancho Guedes. A Aventura da Arquitectura, o Desafio ao Formalismo“, a qual foi efectivamente organizada pela cônsul Graça Gonçalves Pereira – cujo trabalho nunca será realçado em demasia - , com a colaboração de Rita Neves. O conjunto fotográfico permite – ainda que a sua apresentação sofra os efeitos da exiguidade do espaço disponível – mergulhar nos trabalhos que o mais importante arquitecto da história da cidade aqui plantou. Parece-me pois que será aconselhável a todos os amantes de Maputo uma visita, atenta, a esta exposição – que foi inaugurada na recente passagem de P.M. Guedes por Maputo. Auto-imperdoável o esquecimento, poder-se-á dizer.

O catálogo, cuja capa acima reproduzo, e que integra  um conjunto de textos (Luís Lage, José Forjaz, Malangatana, da organizadora) para além de inúmeras fotografias, inclui ainda uma separata “Edifícios em Maputo” a qual contém uma listagem das obras do arquitecto na cidade. Fica aqui a sua reprodução (pressionando as imagens elas engrandecem) – um roteiro para vários passeios.

Sim, também vem muito a propósito nesta era em que o Maputo-cimento está a mudar, radicalmente, de formato. Poder-se-á até dizer que carregar esta separata e calcorrear a cidade será uma forma, mais ou menos nostálgica consoante o que cada um pensar ser o “desenvolvimento” e o “urbanismo”, de nos despedirmos de um certo Maputo-cimento. E de, vá lá, acolhermos um outro Maputo-cimento. E que cada um escolha o que prefere admirar. Quanto ao que preferirá para viver isso não será dos amantes da arquitectura a decisão. Nunca é, diga-se, em parte alguma do mundo o é. Ou foi.

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Pancho Miranda Guedes

Quinta-feira, Março 4th, 2010

É interessante saber o arquitecto Pancho Miranda Guedes de visita ao Maputo de hoje, cidade em profunda transformação, tanto pela explosão imobiliária no Maputo-cimento dos últimos dois anos como pelo crescimento exponencial do Maputo-caniço, ocorrido nas últimas décadas, esse que menos chama a atenção dos mídia tradicionais e dos neo-meios informáticos. Para muitos o arquitecto será já um desconhecido e talvez por isso será conveniente lembrá-lo e lê-lo:

 [Pancho Guedes. Vitruvius Mozambicanus, Museu Colecção Berardo, 2009]

Ulli Beier: Quantos edifícios construíu em Lourenço Marques? Pancho Guedes: Não sei, ainda estou a organizar o meu arquivo. Parece que há trezentos ou quatrocentos edifícios em Moçambique. (…) mas ao todo desenhei mais de seiscentos, talvez setecentos edifícios.” (23-24) Olhá-lo não deverá ser num sentido museológico, conservacionista que seja, e ele próprio sabe-o: “A maior parte das minhas obras está agora morta ou ferida, vítima de acidentes e revoluções.” (31). Pelo contrário olhar a sua obra é, para arquitectos porventura mas com toda a certeza para cidadãos, uma aprendizagem das exigências, do que é a exigência de quem vive, agora que, e não só em Maputo, ”Em toda a parte as cidades estão a perder as suas personalidades e começam a parecer-se umas com as outras, quase como os aeroportos. Não é através de regras, dogmas, ditames, piruetas ou assassinatos que a cidade será devolvida aos seus cidadãos. Só através do poder da imaginação a cidade se tornará maravilhosa.” (75) Uma imaginação que terá que ser um questionamento: o do grão-edifício padronizado – cuja inevitabilidade/obrigatoriedade a sociedade urbana moçambicana parece aceitar sem angústia e, até, com orgulho, altaneira e com indiferença diante de “edifícios propositadamente estranhos, que têm a qualidade das aparições. Há algo de extraordinários neles, são desiquilibrados …” (20); o da planeamento “racionalista” – “Quando voltei a Lourenço Marques em 1950 (…) a câmara tinha imposto um plano à cidade propriamente dita, através do qual, à autoritária maneira pombalina tentava determinar a título definitivo o que poderia vir a ser construído em cada local. Felizmente, Fernando Mesquita, um conselheiro municipal iluminado, desenvolveu algumas alternativas dissidentes das quais beneficiei…” (75); e o da arrogância sociológica – “… os urbanistas seguintes … foram, na sua maioria, indiferentes ao que se passava no caniço.” (75).

Ler (e ver) Miranda Guedes é aprender também a como a tal “cidade maravilhosa” imaginada na prática se faz não na manutenção de uma qualquer “identidade” pré-determinada, em purismos sempre legitimados pelo sufixo “idade”. Sabê-la como produzida, imaginada na mistura, arrojada mas nunca auto-complacente, de referências. A tal imaginação, o tal arrojo, não como um acantonamento, sim como uma viagem: “Ulli Beier: E quando começou a fazer o tipo de edifícios a que chama Stiloguedes? Pancho Guedes: Logo no início. (…) Ulli Beier: Quando desenha edifícios que têm esses elementos estranhos, como chega até eles? (…) A imagem surge primeiro, então? Pancho Guedes: A imagem – não sei de onde vem. Neste caso em particular, chamei-lhes dedos, picos. Será uma reinterpretação de um edifício que sempre teve importância para mim? É uma casa em Lisboa, a Casa dos Bicos, que picos piramidais em toda a fachada e arcos góticos. Quase toda a superfície da parede tem estas pirâmidade salientes, em ângulos rectos. Lembro-me desta casa de quando era pequeno, e vou vê-la sempre que volto a Portugal.” (20-21-22). Enfim, conjugar para além do óbvio. Do grande. E do “cimento”. E é nisso que radica a “ident – idade”.

Deixo as imagens. Para um “quem diria?!” que venha a ser “dizer que”.

["A Ribeira Velha antes de 1755", a Casa dos Bicos é o segundo edifício desde a esquerda, com a forma aproximada da actual]

["Fachada da rua dos Bacalhoeiros, primeira metade do séc. XX"]

Nota: imagens da Casa dos Bicos reproduzidas do livro Maria da Conceição Amaral e Tiago Miranda (coords.) De Olisipo a Lisboa. A Casa dos Bicos (Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 2002)

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Pancho Miranda Guedes em Maputo

Quarta-feira, Março 3rd, 2010

["Templo decadente", escultura em madeira, 1968]

A visita de Pancho Miranda Guedes a Maputo é uma ocasião única, arquitecto mítico desta cidade que é. Amanhã (4.3) o Consulado de Portugal (Av. Mao-Tsé-Tung) inaugurará uma exposição sobre o seu trabalho, que traz o título “Pancho Guedes- a aventura da arquitectura, o desafio ao formalismo” e que estará disponível durante um mês e meio. Para quem é da cidade, para quem gosta da cidade, torna-se obrigatório ir ver.

Entretanto Miranda Guedes falará na Faculdade de Arquitectura duas vezes, hoje (3.3: 17 h.) e depois de amanhã (4.3: 10 h.). As conferências serão abertas ao público.

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A POLANA E O HOTEL POLANA

Segunda-feira, Fevereiro 15th, 2010

Construções na praia da Polana há cem anos. Ao fundo a colina da Ponta Vermelha. Note-se que a actual marginal foi roubada às colinas e que naquela altura não era possível vir da baixa para a praia da Polana a não ser a pé pela praia ou, mais tarde, pela Estrada do Caracol e pelo eléctrico que descia uma rampa atrás do Clube Naval que hoje creio que está fechada.

por ABM (Cascais, 15 de Fevereiro de 2010)

Na noite em que o Senador JPT nos brindou com a periclitâncias do termo machimbombo, eu coloquei uma outra questão: e de onde veio o nome “Polana”?

Sendo que eu nasci, cresci e vivi na Polana (bem, no dia em que nasci meus pais estavam acampados no aquartelamento de Boane, onde o pai BM era um tenente miliciano. Mas a mãe BM tinha vindo à cidade ver o filme Casablanca com uma amiga e já não foi para o cinema, foi directa para o Hospital Miguel Bombarda onde nasci às 20 horas de 30 de Janeiro de 1960).

Primeiro, um ponto de ordem. Antes da independência, aquilo a que se chamava Polana era uma área geográfica muito específica da cidade, circunscrita (e escrevo isto de cabeça) a Norte pelo Hotel Polana e pela chamada Carreira de Tiro (ainda hoje há uma farmácia com esse nome, é para aí), a nascente pelas barreiras e a Rua Friedrich Engels (acho antigamente se chamava a Rua dos Duques de Connaught mas não tenho a certeza, é aquela onde fica o Miradouro), a Sul pela Ponta Vermelha (que era literalmente uma língua de terra, do Palácio até às barreiras) e a Poente pela Maxaquene, que era mais ou menos na rua onde fica a Pastelaria Princesa.

Hoje não percebo nada. Fala-se em Polana Cimento, em Polana Caniço, não entendo muito bem a razão para o realinhamento dos bairros mas também não interessa.

O importante é que o nome está lá há muitios anos.

Mas então, de onde vem?

“Polana” não é um termo ou um nome português. Nem é referenciado em parte nenhuma na história dos portugueses.

Uma consulta na internet indica que em polaco, “polana” é o nome dado a uma clareira numa floresta – sendo que “polanski” é o nome de alguém que vive nessa clareira. Em grego, supostamente, deriva de Apollina, nome feminino do nome de (por exemplo) o deus grego Apollo, significando “sol”.

Mas poderá ser um nome africano? mais precisamente, houve um régulo chamado Polana? Numa peça publicada pelo inolvidável João Craveirinha sobre Maputo (na qual conclui que a capital de Moçambique devia ser mudada para o centro do país), o sobrinho do Sr. José Craveirinha a certa altura escreveu o seguinte:

O mesmo Lobato fazia alusão às invasões vindas do norte, dos grandes Lagos, foz do rio Nilo Branco, de que nos falaria outro grande historiador de Moçambique, Caetano Montez quando referia que: “(…) a gente do Tembe foi invasora como também o foi a de Mpfumo (…) Maputo é um ramo da dinastia do Tembe: Matola é um ramo da dinastia de Mpfumo (…)” Caetano Montez, ainda na sua obra “Os Indígenas de Moçambique”, diz (…) A casa da Matola (Matsolo) provinha de In-lha-rúti (Mpfumo), o invasor das terras da margem norte da baía, vindo com a sua gente de Psatine (Suazilândia). Seus filhos Mpfumo, Polana, Massinga e nuá-Intiuane repartiram as terras como vassalos do pai. Nuá-Intiuane (deu Tivane) ficou com as que denominariam Matola.

Segundo estas indicações, é então plausível que os terrenos onde dantes se situava a “velha” Polana, poderão ter pertencido ao tal Polana, filho do tal invasor que que veio da Suazilândia não se sabe bem quando. Mas então, cadê do Sr. Polana? Haverá registos de transacções imobiliárias dessa altura?

Na sua dissertação para o grau de Doutora pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1979, Maria Clara Mendes a certa altura refere a compra, em 1914, pelo Estado, dos terrenos compreendidos entre “a Rua de Nevala, a praia da Polana e a Rua Bérrio, que compreendem actualmente a Polana e a Sommerschield”.

Num detalhado relato sobre a construção, concluída em 1922, do Hotel Polana, a que tive acesso, é de facto referida a aquisição dos terrenos onde o hotel hoje se situa ao Estado pela Delagoa Bay Lands Syndicate, a empresa que ganhou o contrato para a sua construção.

Só que, que eu saiba, o nome Polana não é nada comum nos grupos étnicos que entravam e saiam da região da Baía – nem me parece ser particularmente “suázi”. Mas apelo aos exmos leitores que saibam alguma coisa que ajudem a fechar este puzzle.

O HOTEL POLANA

Hotel Polana, imagem de um postal da época

Sobre este tema, não vou inventar a roda, pois, enterrado algures na Geocities há um excelente artigo de José Maria Mesquitela que, com profunda vénia, cujo texto transcrevo em baixo. De notar que este texto deve datar cerca dos anos 90, antes da concessão do Hotel Polana ter sido cedida à organização Aga Khan e o seu nome ter sido alterado para Polana Serena Hotel (e lamentávelmente, o edifício pela primeira vez ter sido pintado de creme em vez do habitual branco).

O texto:

“A construção de um grande e luxuoso hotel para servir o turismo rico foi ideia que nasceu cerca de 1917 em Lourenço Marques.Como todas as iniciativas audaciosas, teve defensores e detractores. Havia altos interesses em jogo.

Longa fora a jornada, primeiro que a ideia se concretizasse e ao fazer a história do empreendimento de forma alguma se pode esquecer o nome do coronel Alexandre Lopes Galvão que por ela se bateu. Ele próprio se referiria mais tarde, a esses tempos difíceis, em carta de 26 de dezembro de 1950, que escreveu a um amigo de Lourenço Marques :

…” Chego a Lourenço Marques em 1917, verifiquei que não havia ainda um hotel para receber ´pessoas de categoria, que nos visitavam. Passei a fazer parte do Conselho de turismo, onde pontificava o comandante Augusto Cardoso, dono do Cardoso Hotel.

De variadíssimas inssistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques um hotel decente, cheguei à conclusão que o assunto não interessava ao Conselho.

Apareceu-me nessa altura Adriano Maia, que me disse que os seus amigos do Transvaal estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques, em determinadas condições. Ouvi-o, ouvi as condições, que me pareceram aceitáveis e levei o caso ao conhecimento do Massano de Amorim. Este achou bem e autorizou-me a negociar.

O Comandante Cardoso, ouvindo falar do caso, foi para o Conselho de Turismo, e diz: Ouvi dizer que há negociações para se fazer um hotel. E, olhando para mim, acrescentou: Alguém sabe dizer alguma coisa do que se passa? Resposta minha: Eu sei, mas não estou autorizado a dizê-lo. Mas como o Conselho despacha directamente com o Governador-Geral, é-lhe fácil saber o que há.

Na noite desse dia recebo no Hotel Cardoso uma carta do Comandante Cardoso dizendo cobras e Lagartos ! e cortando as relações comigo.

Mostrei a carta ao Mariano Machado e este pediu-me autorização para ir falar no assunto ao Comandante. E foi. Vem com a resposta de que jamais reataria relações comigo.

Levadas as negociações a bom termo, os capitalistas foram a Lourenço Marques e o Inspector Góis Pinto foi autorizado a lavrar o contrato.

O Comandante Cardoso perde a cabeça e faz um manifesto patriótico ap povo de Lourenço Marques, assinado por ele e pelo arrendatário Luís Boschian, Italiano.

O Massano, nessa altura, foi para o Norte da Colónia e ao chegar a Inhambane recebe um telegrama assinado pelo comandante Cardoso e creio que pelo Boscgian, protestando contra a construção do hotel. O Chefe de gabinete foi quem lhe deu conhecimento e o Massano de Amorim disse-lhe: “responda-lhe dizendo que vá ver da…”

Em resumo: se Lourenço Marques passou a ter um belo hotel, inaugurado em Março de 1922, a mim o deve.

Ficou a representar os capitalistas o velho Leão Cohen. Eu estava na África do Sul, nessa ocasião, onde tinha ido com Freire de andrade na Missão Diplomática que havia de negociar uma nova convenção. Pois ninguém se lembrou de me convidar para a inauguração, que se fez com um certo aparato. E nem ao menos o meu nome foi lembrado nos discursos laudatórios, então pronunciados.”

Alexandre Lopes Galvão

Em outubro de 1918, foi aberto um concurso pela Delagoa Bay Lands Syndicate , apresentado pelos Senhores A.W.Reid & Delbridge, arquitectos de Johannesburg e Cidade do Cabo, para a construção do Hotel Polana, ao qual concorreram sete firmas construtoras, das quais, apenas uma era Portuguesa, conforme abaixo:

- Hill Mictchelson, de Johannesburg, classificado em segundo lugar.

- Ferreira da Costa, de Lourenço Marques

- Philip Treeby, de Johannesburg

- Herbert Baker & amp; Fleming, de Johannesburg

- H.W.Spicer, de Johannesburg

- R.L.McCowat, de Johannesburg

Os planos foram postos em exposição no Conselho de Turismo, e aprovada pelo Governo a construção do novo Hotel na Polana pela Delagoa Bay Lands Syndicate, por ser a proposta mais barata apresentada. Ficou o compromisso que o Hotel seria construido em 19 meses. Os proprietários do hotel instalarão uma planta para fornecimento de luz elétrica e um frigorífico.Com isto, com mobília, ascensor para a Polana, e direitos, etc, o custo total do Hotel ficou estimado em 200 000 Libras.

O Governo garantiu ao Sindicato 6% anuais sobre o capital empregado durante dez anos, assim como garante algumas concessões.

Projecto de um arquitecto famoso

O projecto desse hotel em estilo “Palace” foi de autoria de um não menos famoso arquitecto inglês, Sir Herbert Baker, autor do projecto do majestoso edificio da “Union Buildings”, em Pretória. A sua construção foi dirigida pelo engenheiro Hugh Le May.

Inauguração

Iniciada a sua construção, devido à iniciativa do Coronel Lopes Galvão, que foi sem dúvida alguma a alma deste notável empreendimento turístico e que no governador-geral, general Massano de Amorim, encontrara sólido apoio, o Hotel Polana inaugurou-se no dia 1 de Julho de 1922.

Foi um acontecimento de grande relevo na vida da cidade. A assinalar a data, a Delagoa Bay Lands Syndicate, que se fez representar por Leão Cohen, ofereceu nesse dia um almoço solene.

Na mesa em U armada na elegante sala de jantar do Hotel Polana, sentaram-se 131 convidados. Na presidência, à cabeceira da mesa, Leão Cohen, dava a direita ao Alto Comissário, Dr. Brito Camacho, ao cônsul de Sua Majestade Britânica, Hall , e ao secretário-geral, Dr Mário Malheiros. À sua esquerda sentavam-se o inspector das Obras públicas, Eng. Monteiro de Macedo, o cônsul da França, G.Savoye, o chefe do Estado-Maior, coronel Santana Cabrita e o cônsul dos Estados Unidos, Hazeltine.

A construção acabou beirando o valor de 300.000 Libras, mas foi considerado na época uma das construções mais perfeitas e modernas e sem rival nos portos do Sul, havendo muito poucos hotéis na Europa semelhantes.

Ele tinha vida própria para a sua laboração: máquinas geradoras de electricidade e aquecimento, Frigorífico, Lavandaria eléctica, Fábrica de sodas, Telefones e água quente em todos os quartos, e para tudo ser completo, estava programado para questão de dias um serviço permanente de correios e telégrafos, permitindo assim aos seus visitantes expedir cartas, telegramas, radiogramas e até encomendas postais para todas as terras e navegação.

A inauguração do Hotel, também mexeu significativamente no movimento da cidade, pois um mês e meio depois da inauguração, os carros elétricos começaram a transitar até ao bairro da polana, com uma paragem obrigatória no Hotel.

Na área externa do hotel, tinha um lindo campo de golfe , quadras de ténis e jardim que o embelezavam.

Assumiu a gerência do hotel, o Sr. Kershaw, auxiliado por sua esposa.

O hotel deu ênfase ainda ao turismo na cidade de Lourenço Marques, que assim passava a contar com um ponto de super luxo, e delegações de vários paises, tais como a própria África do sul e países vizinhos, ou de Italianos e até Brasileiros que começaram a ser trabalhadas as excursões a Moçambique.

O Hotel muda de mãos

Em junho de 1936 o hotel mudou de mãos pela primeira vez. Tendo a Delagoa Bay Lands Syndicate posto o imóvel à venda, a oportunidade foi aproveitada pelo milionário I.W.Schlesinger, que o adquiriu pela importância de 400.000 Libras. Pouco depois a empresa foi registada sob a designação de “Polana Hotel, Lda”, sociedade com o capital de um milhão de libras.

Tempos passados, a African Consolidated Investments Corporation, uma das muitas organizações de Schlesinger, passou a ser a maior accionista da empresa exploradora do hotel, que pouco depois passou para a African Caterers, também importante organização do grupo de companhias Schlesinger.

No periodo que precedeu a II Guerra Mundial conheceu anos de prosperidade, projectanto-se internacionalmente nos mapas turísticos como um dos mais importantes de toda a Àfrica, depois de Cairo e do Carlton, de Johannesburg.

Nos seus salões se realizou o banquete de gala que as Forças Vivas de Moçambique ofereceram em honra do presidente da República Portuguesa, Marechal António Óscar de Fragoso Carmona, o primeiro Chefe de Estado que visitou oficialmente Moçambique, em 1939.

Durante a II Guerra

Quando a 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia pelo exercito alemão, rebentou a II Grande Guerra, ao Hotel Polana, pela sua privilegiada situação de hotel de luxo e ponto de reunião da nata da sociedade lourenço-marquina, coube desempenhar, pela força das circunstâncias, outro curioso papel: o de centro elegante de espionagem e de intriga Internacional.

Durante a II Guerra, o Hotel Polana gozou de reputação internacional porque, tendo Portugal proclamado a neutralidade, os agentes secretos tanto dos Aliados como das potências do Eixo (Alemanha e Itália) Puderam ali dedicar-se com certo à-vontade a práticas de espionagem e de contra-espionagem. Os espiões dos dois lados, passaram naturalmente a servir-se desse luxuoso hotel de uma cidade portuária para campo de sua acção.

Assim, agentes secretos Sul-Africanos, Ingleses, Americanos, alemães e Italianos, cumprimentavam-se cerimoniosamente quando se cruzavam nos seus longos corredores, nos seus salões ou no “Bar”.

Um dos agentes mais notáveis que por ali passou foi o tenente-coronel J. Stevenson-Hamilton, então fiscal de caça do Kruger Park. Em suas memórias, descreve a missão mais agradável, quando teve que se infiltrar em Lourenço Marques, instalado no Hotel Polana, quando descobriu que, em principio de Junho de 1940, quando correu um boato que os Alemães haviam invadido e tomado Lourenço Marques e se preparavam para invadir a África do Sul via Komatipoort, que se tratava de um boato propositadamente implantado por agentes alemães que operavam em Lourenço Marques, numa rede de espionagem bastante eficiente. possuiam emissoras clandestinas que mantinham os submarinos nazis que operavam no Canal de Moçambique bem informados dos movimentos dos navios aliados no porto de Lourenço Marques.

O chefe dos espiões era um importante membro da Gestapo. O “Quartel-General “era o Hotel Polana.

O Hotel na mão dos Portugueses

Em 1963, John Schlesinger, filho e herdeiro do milionário que havia adquirido em 1936 o famoso estabelecimento hoteleiro, vendeu-o a uma empresa onde os capitais Portugueses eram solidamente presentes, entre eles um dos dos acionistas era o Eng. Manuel Arouzo, que foi o braço forte do Hotel durante anos, até que um problema com o seu procurador o fez sair da sociedade.

Nesta fase foi ampliado e construída a sua piscina tão tradicional e ainda um novo anexo, o Polana-Mar, que assim atendia à demanda que cada vez mais se avolumava

O Hotel manteve o seu glamour, sempre foi frequentado pela nata da Sociedade Lourenço-Marquina, assim como por todos os turistas de peso que visitavam constantemente Lourenço Marques.

O Hotel Polana confundia sua Imagem com a da Capital de Moçambique.

O Hotel e a Independência

Com a Independência de Moçambique, após 1975, o Hotel entrou em declínio,por falta de clientes e pela degradação pela óbvia falta de pessoal e respectiva manutenção, permanecendo durante 20 anos praticamente abandonado.

Em 1994, um grupo Sul-Africano adquire o Hotel, remontando às suas origens de fundação, e com as melhoras que já sinalizava Moçambique, deu continuidade ao seu estatuto de um dos melhores hotéis de cinco estrelas do continente africano. Desde o hall, revestido a mármore, aos jardins generosos em estrelícias e coqueiros, nada é deixado ao acaso neste escaninho luxuoso, que se prepara para nova reestruturação. Curiosamente, não é apenas procurado por viajantes exigentes, mas também pelos próprios maputenses, devido à cozinha requintada e à pastelaria – o chá com scones e o cozido ao domingo são dois clássicos –, à piscina – a mais cobiçada de Maputo – e até ao ginásio. É ainda um dos lugares da cidade que são frequentados para ver e ser visto.

A IPE -Investimentos e Participações Empresariais está, em parceria com o Grupo Pestana, a negociar a compra do Hotel Polana. O grupo que detém a maioria do capital do prestigiado Hotel Moçambicano encontra-se com sérias dificuldades financeiras e pretende vender a sua participação. Caso o negócio se concretize, o Grupo Hoteleiro Português, que tem já vários empreendimentos turísticos em Moçambique, será responsável pela gestão e o controlo do Hotel Polana.

A holding do Estado português tem cerca de 1,6 milhões de contos investidos em Moçambique, nomeadamente nos sectores agro-industrial, ambiente, financeiro e em infra-estruturas industriais. Caso a co-aquisição do Polana venha a concretizar-se, o investimento do IPE deverá subir para cerca de 2,4 milhões de contos.”

E aqui está mais uma “maschambada”.


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O hotel na “Casa do Capitão”, em Inhambane

Terça-feira, Janeiro 26th, 2010

O texto dedicado ao novo hotel na “Casa do Capitão” na baía de Inhambane foi de novo aumentado, com imagens que recebemos do Rui Monteiro.

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Ainda a “Casa do Capitão” em Inhambane

Sexta-feira, Janeiro 22nd, 2010

Na sequência da conversa que tem decorrido na respectiva caixa de comentários o texto “A Casa do Capitão, na Baía de Inhambane” foi actualizado com novas fotografias.

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A Casa do Capitão, na baía de Inhambane

Domingo, Janeiro 17th, 2010

Aqui,

que estava assim,

constrói-se deste modo

para ficar desta forma

Sabedores da construção do hotel (e timesharing), propagandeado em Maputo, logo que chegados a Inhambane apressámo-nos a ir ver o resultado. Fico, ao volante, balbuciando “Meu Deus!! … [nestas alturas dá-me para o deísmo, mas em molde de ateu, vituperando este deus preguiçoso e incompetente que nos rege o devir] … Meu Deus!, isto parece, isto parece …” e logo no banco de trás a Carolina, nos seus sete anos desconhecedora de debates arquitectónicos, urbanísticos, culturais ou ecológicos, remata “pai, isto parece o serviço!”.

Adenda: na caixa de comentários surgiram (legítimas) dúvidas sobre o que aqui tentei demonstrar. Como acima refiro a minha filha esgotou-me a argumentação sobre o assunto. Deixo mais uma pobre fotografia, que é o máximo que posso tentar para elucidar os visitantes [e, já agora, os futuros "timesharers"]

 

[pressionando as fotografias elas aumentam]

Adenda: Nos comentários ao texto o Rui Monteiro argumenta sobre o assunto e lamenta a inexistência de fotografias da “casa do capitão”, disponibilizando-se para as ceder. Eu aí explico porque não considerei relevante colocá-las, nem mesmo fotografá-las. Ainda assim, e enquanto ele não envia as suas coloco as minhas duas fotografias em que o velho edifício surge. A segunda dará uma pequena amostra da sua escala face ao empreendimento. Mas não dão, reconheça-se, sequer uma pálida ideia do que nesse edifício (a antiga casa) será feito.

 

 

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Segunda Adenda: o Rui Monteiro - e agradeço-lhe - enviou fotografias do interior da construção, no contexto da antiga “Casa do Capitão”, que possibilitam uma outra panorâmica do edifício. Mandou ainda duas, as finais, sobre a “Casa” propriamente dita e sua porta, mantida.

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Terceira Adenda: Um texto no PembaAtoll dedicado a este tema, e que me parece de bastante interesse.

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Livro sobre Arquitectura em Moçambique

Quinta-feira, Dezembro 3rd, 2009

Moderno Tropical

[Ana Magalhães, Inês Gonçalves, Moderno Tropical. Arquitectura em Angola e Moçambique, 1948-1975, Lisboa, Tinta-da-China, 2009]

Em Portugal acaba de ser publicado este livro, cuja sessão de apresentação pública ocorreu ontem. Nada mais sei. Mas será daqueles livros de “comprar sem ver”, entenda-se sem sequer folhear. Tamanha a cobiça! Espero que venha a ser distribuído aqui. Quando o conseguir mostrarei mais …

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Gabriel Teixeira, Francisco e Nuno Craveiro Lopes e Moçambique

Sexta-feira, Novembro 27th, 2009

1956 Craveiro Lopes e Gabriel Teixeira(Na foto acima, Francisco Craveiro Lopes, então Presidente da República Portuguesa, de farda branca e óculos. De fato e chapéu à civil à direita na foto está Gabriel Teixeira, então Governador Geral de Moçambique. Numa visita ao Parque Nacional da Gorongosa, integrada numa visita de Estado à Província e à União Sul Africana, Julho e Agosto de 1956)

por ABM (Cascais, 26 de Novembro de 2009)

Parte da beleza de escrever num meio destes é que há pessoas de boa vontade que lêem alguns escritos e não só comentam e discutem, o que é interessante, mas nalguns casos dão outros contributos.

Numa crónica que preparei ontem sobre Gabriel Teixeira, um dos problemas que tive foi que, apesar de uma longa pesquisa na internet, não consegui encontrar uma -uma só que fosse – fotografia do distinto oficial e governante de Moçambique português. Felizmente, lá longe por detrás dos coqueiros e dos leões e búfalos da Serra da Gorongosa, o meu muito caro Dr. Vasco Galante  teve a iniciativa de enviar a foto acima, onde se pode ver o então governador Gabriel Teixeira. Muito grato e obrigado. Ajudou a compor a história de mais maneiras do que pensa. Continue a ler e vai ver como.

A “aparição” de Craveiro Lopes na fotografia acima apresentada motiva-me a mencionar algumas peças de trívia moçambicana que o tempo quase que apagou e que fazem parte do fabrico do Moçambique actual.

Francisco Craveiro Lopes foi presidente de Portugal entre Carmona e Américo Tomás. A sua presidência foi no mínimo penosa, por várias razões. São legendárias as suas ambivalências em relação a Salazar e aos destinos por que o seu país navegava. No fim, Salazar mandou-lhe uma simples nota indicando que a União Nacional (que era ele) seleccionara o mais dócil e ultra Américo Tomás para “concorrer” para a eleição de 1958 – a famosa eleição em que concorreu o General Humberto Delgado.

Tudo indica que Craveiro Lopes era um homem bom e decente, com um distinto currículo. O seu pai fora um general e governador da Índia e formou-se no Colégio Militar. Antes dele houve mais. Mais importante, foi um homem que se apercebeu, por mais suavemente que fosse, que algo corria mal na sua república, o que era mais do que se pode dizer de muito boa gente na altura. Foi o único presidente que activamente conspirou contra o regime que Salazar impora aos portugueses. Foi por isso alvo das maiores infâmias por parte dos correlegionários do regime. A ligação acima dá alguns detalhes e testemunhos sobre o que isso foi.

O que pouca gente sabe é que a primeira vez que Craveiro Lopes apareceu no cenário nacional foi pelo que fez em Moçambique, quando, em plena I Guerra Mundial, esteve na fronteira entre o Norte de Moçambique e o então Tanganica alemão, na qualidade de Aspirante de Cavalaria e distinguiu-se no combate aos alemães em 1915 e 1916, nomeadamente em Newala e Quionga. Após voltar à Europa em 1917 para se casar e tirar um curso de aviador, voltou a Moçambique em 1918 por algum tempo.

Craveiro Lopes teve quatro filhos, tudo boa gente mas aqui mencionarei apenas o seu filho Nuno, que viveu durante muitos anos em Moçambique e que, para além de opositor ao regime, foi um arquitecto que deixou obra interessante quer em Portugal quer em Moçambique, para onde veio viver em 1952 e trabalhar como responsável pelo Gabinete de Urbanização e Obras Públicas. A igreja de Santo António da Polana e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus no Chibuto são de sua autoria.

Igreja sto ant Polana

Aliás há uma história interessante sobre Nuno Craveiro Lopes e a Igreja de Santo António da Polana. No seu projecto original, aquela horrível casa onde viviam (vivem?) os padres, e que foi erguida mesmo ao lado do ainda hoje arrojado edifício, ficava muito mais longe. Mas os senhores padres não se viam a andar a pé para entrar no templo e mandaram “encostar” a casa à igreja e fazer um túnel de acesso entre os dois edifícios para não molharem a batina, o que enfureceu o arquitecto (ele deve ter desmaiado quando fizeram o ainda mais arrepiante “salão de festas” por detrás, um armazém, basicamente, onde fui inúmeras vezes ao cinema – por cinco escudos via o filme e ainda comia uma bola de Berlim e bebia uma Coca-Cola).

Outro incidente igualmente grave foi que, no projecto original da igreja em si, tal como concebido por Craveiro Lopes, o altar-mor ficava não onde está hoje mas no centro da igreja, directamente debaixo da cúpula do espremedor de limão, onde o efeito da luz ao meio dia era mágico. E o chão da igreja era para ser feito em mármore branco. Ou seja, nas cerimónias os crentes ficariam sentados todos em círculo à volta do altar-mor, iluminado pelos vitrais coloridos de cima, o que é conceptualmente muito mais belo e dinâmico que a chachada que acabou por ser imposta no fim.

LM Igreja S A da Polana

Mas os srs. padres no fim mais uma vez deram a volta. Até hoje, aquilo ficou organizado em estilo teatro, o altar-mor encostado à parede e o povão crente sentado de frente.

Altar mor da Igreja st ant Polana


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Maputo 2009

Terça-feira, Novembro 17th, 2009

Nyerere demolição 1

[Av. Julius Nyerere, Novembro 2009]

 

Esta é uma das imagens de Maputo 2009, ano da explosão do imobiliário na capital, da substituição das antigas casas em troca de modernos (entenda-se, altos) edifícios. A cidade não voltará a ser o que era, o primado do volume já consagrado nos projectos urbanísticos tardo-coloniais está aí, acompanhando o crescimento de investidores. É certo que o relativo imobilismo da construção de prédios nas zonas centrais da cidade não poderia ser eterno. E que muito do parque imobiliário estava decadente ou desadequado. Mas é com alguma angústia que se poderá prever a extrema densificação do urbanização, o tal endeusamento do volume. E, não só por razões estéticas, também pela erupção da previsível barreira entre a cidade e o mar e rio, já aí. Para além da multiplicação de utentes, não acompanhada de estruturas rodoviárias.

Em lado nenhum o negócio imobiliário conhece barreiras – que não sejam as da falta de financiamento. Não será em Moçambique coisa diferente. Mas sobreviverão algumas zonas ex-libris de uma cidade que é lindissima? Sê-lo-á no futuro? Ou apenas mais uma mescla de torres de vidro (para o ar condicionado), sonhos dos arquitectos do apenas-hoje, ou de Maputos Shoppings e Mesquitas “Velhas”?

Restará alguma nesga de céu?

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Eu, o Povo, de Mutimati Barnabé João

Sexta-feira, Setembro 25th, 2009

mutimati-eu-o-povo

 

A surpresa de encontrar em Portugal esta nova edição do célebre e lendário “Eu, o Povo“, de Mutimati Barnabé João (António Quadros), uma publicação em colecção de bolso da Biblioteca de Editores Independentes (2008). Com um interessante prefácio de José Forjaz, narrando da sua origem, e um hermético (percebi nacos, e com toda a certeza não o fundamental) posfácio de Daniel Jonas (e que tal levantar o pé na densidade quando se escreve para uma colecção de bolso?).

Sobre o mítico livro, apropriação criacionista da identidade moçambicana por parte de Quadros, muito ouvi falar. Transpira o tempo de então, o 1975 ideologizado colectivista. Mas acima de tudo o voluntarista tempo de então. Talvez seja esse mesmo voluntarismo, essa vontade de crer, que tenha levado a crer ter sido um “povo”, um guerrilheiro, a escrever estes poemas – consta (acredito porque mo contaram) que só tendo sido levado o texto a Jorge Rebelo, ele próprio poeta, ele negou essa hipótese ao ler “Tenho um espinho no pé direito. / Descalço a alpercata. / Esta terra é estéril. Queima. Está na agonia.” (O estrume). Pois, disse, “alpercata só um português utilizaria”. Ao reler agora os poemas ocorre-me imaginar o espírito do leitor de então que não descodificava de imediato a operação autoral.

Alguns destes poemas são ainda recorrentemente ditos, mostrando o como produziram uma época, que tem permanências. É o caso de “Relatório” (Faz favor dá ordem para pôr dentro outro Irmão / Camarada Comandante) ou (não é hoje tão explícito?) “Camarada Inimigo” (Este inimigo deixa muita informação e rasto / Não pode ser um inimigo assim tanto) ou ”Eu, o Povo” (A táctica colonialista é deixar o Povo no natural / Fazendo do Povo um inimigo da natureza). É disso que se faz o encanto que neles encontro. Como neste, o meu preferido espelho desse tempo:

 

Operação da guerra da libertação

 

Esta árvore amiga é o inimigo
Destroncar esta árvore é uma operação contra o inimigo.

Escolhemos um inimigo, inimigo, à medida da nossa grandeza
Um inimigo do tamanho da nossa tarefa
Que vai dar muita chatice a cair, e táctica e estratégia
E vai ser derrubado melhor que em pé
Pois se que esta terra é boa para uma árvore tão alta
Há-de ser muito boa para dar machamba.

Vais ser ataque de serrote ou machada ou enxada na raiz?
Vai cair para o lado do vento?
Vai ser de cinto de fogo ou trotil mesmo?
Vai ser com as mãos fazendo força, camaradas?

Onde há uma árvore maior do que a força do Povo?

Se vier o velho, a mulher, o menino, todos um e um e um
Riscar com a unha do dedo pequeno, lamber com a língua
Nove milhões de pequenas carícias e pouca força
Esta árvore cai mesmo.

Por onde passa o Exército da Libertação
Fica um rasto verde e cheiroso e o caminho aberto
Para passar a Liberdade e o Futuro.

É fácil ver quem passou aqui.


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Moçambique. Imagens da Arte Colonial, de Fernando Couto

Quinta-feira, Abril 9th, 2009

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Referi abaixo este Moçambique. Imagens da Arte Colonial, livro organizado por Fernando Couto e editado pela Ndjira em 1998. A obra reproduz 86 fotografias do espólio de Carlos Alberto Vieira, fundamentalmente dedicadas a obras arquitectónicas, monumentos, algumas vistas aéreas urbanísticas e arte sacra. Se a selecção não é exaustiva cobre o país [17 fotos de Maputo, 2 de Zavala, 2 de Xai-Xai, 2 de Inhambane, 4 da Beira, 2 de Quelimane, 10 de Tete, 2 de Angoche, 2 de Nampula, 32 da Ilha de Moçambique, 4 da Cabaceira Grande, 5 do Ilha do Ibo, 1 da Ilha da Quirimba, 1 de Pemba].

Não sei se ainda estará disponível - na altura a edição atingiu 1500 exemplares, número aqui apreciável. Mas será, com toda a certeza, interessante recuperar a obra, introduzindo-lhe o que então foi impossível integrar, uma identificação mais completa das obras apresentadas – autoria e data da instalação das peças, datação das fotografias. Com toda a certeza um projecto nada irrealizável. E que em nada choca com as recentes edições em Portugal de livros sobre o espólio do fotógrafo Carlos Alberto Vieira, tanto porque são estes de maior abrangência temática como pelo facto de também essas edições não apostarem na identificação exaustiva dos objectos retratados.


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Vasco da Gama

Quarta-feira, Abril 8th, 2009

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Evocando a aguada que Gama fez na região de Inhambane (10 de Janeiro de 1498) ali foi instalada uma estátua durante o período colonial (não conheço nem data nem autoria). Apeada aquando da independência está desde há muito acantonada no pátio traseiro de um edifício municipal.

É óbvio e normal que signifique bem mais para portugueses do que para Estado e sociedade moçambicanos. Não só porque Gama se destaca na galeria de heróis identitários portugueses. Mas, e talvez fundamentalmente, porque a historiografia oficial moçambicana continua a reproduzir a mitificação histórica portuguesa (tardo oitocentista e muito Estado Novo) dos “quinhentos anos de colonização” - assim fazendo, inevitavelmente de Gama o “primeiro colono”.

Não me parece que a estátua tenha particular relevo artístico. Mas está lá, valendo como exemplar da arte (oficial) colonial. Recordo o que deste conjunto disseram José Forjaz: “A qualidade artística destas peças é muito diversa e vai do medíocre, ou mesmo francamente mau, à de grande valor estético. Não é, portanto, significativo observar cada peça por si só.” (in Fernando Couto, Moçambique. Imagens da Arte Colonial, Ndjira, 1998, p.7) e Fernando Couto: “Ainda que concebidas e realizadas por uma outra cultura, estas obras fazem, hoje, parte, do património histórico moçambicano, são parte de Moçambique e devem, por isso, ser objecto de preservação e valorização.” (Fernando Couto, Moçambique. Imagens da Arte Colonial, Ndjira, 1998, p.5).

Tendo em conta os precedentes de integração museológica dos exemplares de arte oficial colonial em Maputo (Fortaleza e Museu Nacional de Arte) e na Ilha de Moçambique (Museu da Ilha), não parece haver impedimentos práticos ou conceptuais para a salvaguarda desta estátua. O museu de Inhambane seria um bom destino, ainda para mais constituído por uma colecção suficientemente heterogénea para que não tenha a sua coerência agredida por esta obra.


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Obras Públicas em Moçambique, de André Faria Ferreira

Quinta-feira, Fevereiro 12th, 2009

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Com relação à edição de um livro sobre a arquitectura tardo-colonial em Moçambique João Almeida esclarece que o livro recentemente editado é Obras Públicas em Moçambique. Inventário da Produção Arquitectónica Executada Entre 1933 e 1961 de André Faria Ferreira (Edições Universitárias Lusófonas; p.v.p. 35 euros; ISNB:978-972-8881-50-4).

Fica-se ainda na expectativa da publicação da tese de António Albuquerque, “Arquitectura Moderna em Moçambique. Inquérito à Produção Arquitectónica em Moçambique nos Últimos Vinte e Cinco Anos do Império Colonial Português, 1949-1974“.


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Notas sobre posts antigos (dicionários e arquitectura em Moçambique)

Quarta-feira, Fevereiro 11th, 2009

Comentários em posts antigos são particularmente agradáveis. Alguns pedem informações.

1. Vários visitantes perguntam onde adquirir os dicionários de português-macua e macua-português, produzidos por A. Pires Prata. Confesso que não sei, nem me lembro onde obtive os meus. Se algum visitante souber poderá deixar indicação nos comentários?

Recordo que o dicionário “Macua-Português” foi editado (1990) pelo Instituto de Investigação Científica e Tropical (Lisboa), sendo provável que se encontre nos depósitos da instituição. Quanto ao ”Português-Macua” foi editado (sem indicação de data) pela Sociedade Missionária Portuguesa, pelo que através desta ou de instituições católicas deverá ser possível obtê-lo.

2. Há anos referi a existência de um trabalho académico “Arquitectura Moderna em Moçambique.Inquérito à Produção Arquitectónica em Moçambique nos Últimos Vinte e Cinco Anos do Império Colonial Português. 1949-1974″, da autoria de António Albuquerque. Na altura falava-se aqui da vontade em proceder à sua edição e da dificuldade em contactar o seu autor. Agora encontro um comentário avisando da publicação do citado trabalho – e através deste noto um outro comentário do próprio autor, já com um ano, disponibilizando-se a facilitar a consulta do trabalho. Será que alguém poderá dar mais informações sobre a referida publicação?

3. Sobre os cursos de escrita criativa de Luís Carmelo pouco sei. Ouvi que, hoje em dia, os realiza via internet através do Instituto Camões – e que são muito interessantes.


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Reabilitação patrimonial

Sábado, Maio 31st, 2008

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[Maio 2008]


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Ilha de Moçambique: prédio no macuti

Sábado, Maio 31st, 2008

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[Maio 2008]


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O Fim da Praia do Wimbe

Terça-feira, Fevereiro 26th, 2008

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Qual The Artist Formerly Known as Prince, mas não como se crisálida, que não será de borboletas o futuro feito. Sim, dentro de pouco poderemos falar sobre The Beach Formerly Known as Wimbe.

Praia ícone em Moçambique, um pouco pela beleza natural, amena enseada olhando a baía de Pemba, mesmo ladeando-lhe a barra. Englobando aquela meia-dúzia de praias mais célebres desde o tempo colonial, talvez não tanto pela sua excelência – que partilham com tantos outros recantos da costa – mas pela antiguidade das suas infraestruturas turísticas: Tofo, Ponta do Ouro, Bilene, Zalala, Fernão Veloso. E o Wimbe, claro.

Ainda assim o Wimbe tem uma excelência única, exactamente o aconchego, a  baía como horizonte, a (ainda) pacatez sob o arvoredo.

Memórias a manter, a guardar, agora que tudo isso mudará. Tive o “privilégio” de ver o novo projecto turístico para a praia, que gente ufana me mostrou, dessas crentes no progresso e isso, desenvolvimento turístico chamam-lhe e até acreditam. Na praia! exactamente na praia, no seio do arvoredo protector (a sul do Nautilus, para quem conhece) vão espetar um hotel, a deslizar para a água.

Este será uma construção da Vovó Donalda e do Tio Patinhas, puro Walt Disney. Tem a forma de um barco, como se paquete. Honestamente julguei que estivessem a brincar quando me mostraram as coloridas fotocópias. “Mas quem é que faz uma merda destas?” – perguntei, malcriadíssimo, ainda surpreeendido pois acreditava já ter visto tudo o que é possível nisto do campeonato do mau-gosto dos arquitectos em Moçambique (a colecção de cromos Sommerschield B – Bairro do Triunfo seria um must como programa cómico num sítio onde se saiba soletrar b-o-m-g-o-s-t-o). “Investidores moçambicanos“, dizem-me com orgulho, até nacionalista, ainda que ali um pouco desapontado dada a minha truculência, “arquitecto indiano … da Índia“.

Um arquitecto indiano aqui arribado para brincar ao Huguinho, Zezinho e Luisinho. Uns investidores moçambicanos a derrubarem o arvoredo protector, a alteraram a enseada, a assumirem a linha de água. Em suma, uma aliança internacional para foder o Wimbe. Será só cupidez e ignorância? Ou é mesmo má-vontade demencial?


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De regresso aos blogs:

Domingo, Novembro 4th, 2007

O fim do Xitonhana: um abraço ao António, que sei por vezes aqui. “Ilha de Moçambique”, poema de Mia Couto. “Mesquita Grande” da Ilha, de Rui Knopfli, no Petromax. O texto de Mia Couto apresentando “A Ciência de Deus e o Sexo das Borboletas, de Daniel da Costa, transcrito no Mãos de Moçambique. Postais antigos de Moçambique no Kafe Kultura A propósito do Prémio Boa Governação José Medeiros Ferreira anuncia relato de uma conversa com Joaquim Chissano, havida em 1976 na ONU. Será aquando da entrega do Prémio. Fica-se à espera, presume-se que significativa a conversa, interessante o relato. [via Lusofolia] O nada lento minguar da economia do continente africano, em estudo da Oxfam [meros 15% ao ano na última década e meia ...]via Causa Africana. O shoppingcentrismo e seu mais moderno mamarracho, devastando a Baixa de Maputo, segundo o Chapa 100 O Machado da Graça, implacável sobre o processo de recenseamento eleitoral em curso (?). Nota sobre o genocídio ucraniano nos anos 30.


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Segunda-feira, Junho 18th, 2007

Pois muito se tem falado da reabilitação de edifícios na Ilha de Moçambique, pelo que será de recordar a excelente intervenção que o Millenium BIM fez na sua agência na cidade de pedra-e-cal. Exemplo da participação empresarial no cuidar da Ilha.


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Janela da Moda

Segunda-feira, Março 26th, 2007


(Morrumbala. Marco 2007)


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