“…a harmonia nas nossas famílias, e portanto na nossa sociedade, pressupõe que se distanciem os idênticos e se aproximem os diferentes. Ora, a lei tem tendência para denegar o papel do pai …
…Boris Cyrulnik faz notar como, pela atribuição de um abono de estudos aos jovens, o Estado curto-circuita o papel do pai, ocupa o lugar deste, desaloja-o do seu estatuto e sapa, portanto, a sua função separadora ….
O Estado é cada vez mais requerido em suprimento do pai….Se a lei designava … o pai como chefe de família, era para contrabalançar de algum modo a ordem biológica natural que outorga um privilégio exclusivo à mãe na relação com o filho. Hoje, os dois pais são chefes ao mesmo tempo, e um mais que o outro já que o pai não é pai se não for designado como tal pela mãe e se ele aceitar este lugar.”
[Françoise Héritier, "Apresentação", O Incesto, Pergaminho]
