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Maio 4th, 2008 — Antropologia, Hugh Tracey, Música Moçambique

Os interessados encontrarão o disco aqui, mais um dos trabalhos de Hugh Tracey [obra consultável na International Library of African Music]. Este disco - enquanto objecto muito prejudicado por uma inenarrável introdução histórica a Moçambique, pejada de grosseiras incorrecções, coisa óbvia de anglófono marxista dos 1960s, preconceituoso e ignorante - é um magestoso documento: 25 gravações, obtidas durante duas décadas em gravações em Moçambique ou na África do Sul. Oriundas de oito grupos linguísticos (Chopi, Ndau, Ronga, Hlanganu, Gitonga, Tswa, Hlengwe, Nyungwe) e de duas abordagens musicais (heptatónica Nyungwe Shona, a hexatónica de todos os outros). Peças únicas dos maestros lendários das décadas em causa da dança de timbila; de dança mandowa, da dança masesa, da dança ndzumba, da dança makarito, do cancioneiro kwaya, ecos da expansão da mbira, etc.
Um documento estimável. E inestimável. E de fruição … (dedicado ao aficionado 25 cms de Neve).
Maio 1st, 2008 — Antropologia, Jill Dias
Raul Iturra, meu antigo professor e figura incontornável no processo de desenvolvimento da Antropologia em Portugal, aqui deixou na caixa de comentários o seu penhorado testemunho sobre Jill Dias. Está assim:
I dare say to have been a personal friend of Rosemary and husband Alberto, or Jill Dias as every one says. Professor Jill Dias not only knew how to teach aswell as how to write, but knew very well to be a discrete friend, a good colleague with a beutiful mind, as clear as all the books she wrotte for us, a large masterpiece which will keep Prof. Jill Dias alive. She is now alonside her Mother and her Husband, with sparkling blue eyes, taking care of us. Both Jill and Alberto helped me to organize our Department of Anthropology at ISCTE. We have not lost a friend, we have won an angel on earth flying into Eternity. An Eternity which is already in our libraries and in the mind of hundreds of Anthropologists in Portugal and in the UK.
I have already said that we have not lost a friend, we have won a dear friend who is going to be with us for all eternity on her clever books, her clear explanations to the minds of several new Anthropologists in Portugal and the UK. She has already entered Eternity through her discretion, always smiling face and her devotion to our science. As former President of the Portuguese Association of Anthropologists - APA - which she supported very much and as founder of the Department of Social Anthropology at ISCTE, I feel to need to say that there have not been Department at ISCTE, had it not her foundation be supported by the former Under Secretary of Education in 1983, Prof. Alberto Romão Dias and her wife Rosemary (Jill) Dias. An innate worker, she lives now in the inmensity of her research, materialized in very many books as in our minds and souls. A Viva Jill Dias is convenient to express over here.
Prof. Dr. Raúl Iturra
Cambridge Uniceristy’s Senate Member-UK, CEAS Member,ISCTE-Lisbon CNRS Member-Paris, Aministy International Activist
Maio 1st, 2008 — Antropologia, Jill Dias

Na notícia da morte de Jill Dias (1944 - 2008) - antropóloga catedrática da Universidade Nova de Lisboa, investigadora do Instituto de Investigação Científica e Tropical, nome crucial nos estudos portugueses sobre África durante as últimas décadas - deixo-me a folhear, relendo-lhe trechos, este sumptuoso e até encantatório (mas um encantamento feito na sapiência) “África. Nas Vésperas do Mundo Moderno” (Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1992). Um seu texto para uma exposição produzida por outro grande nome, Benjamim Enes Pereira. Com eles colaborando outro grande nome, Rui Pereira. Afinal há já muito tempo.
Abril 16th, 2008 — Antropologia, Ciências Sociais Moçambique
SEMINÁRIOS DE ARQUEOLOGIA E ANTROPOLOGIA
PODER, PRAZER E GARRAFAS: PISTAS PARA A LEITURA DO 5 DE FEVEREIRO E DOS LINCHAMENTOS
Paulo Granjo
Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa
Comentarista convidado:
Carlos Serra
Centro de Estudos Africanos, Universidade Eduardo Mondlane
Sexta-feira, 18/04/2008, 9 h.
LOCAL: SALA 206, 1º Andar F.L.C.S., Campus Universitário
Março 19th, 2008 — Antropologia, Politica Portuguesa

“As tendências e as aspirações renovadoras e progressistas da época não tardam a confrontar-se com bloqueios cruzados, que provêm, quer do sistema político, quer da estrutura económico-social, quer da cultura burguesa, quer do campo intelectual propriamente dito. Vistos da perspectiva da intelligentsia nacional - uma perspectiva unilateral que essa mesma intelligentsia conseguirá transmutar ideologicamente, com grande efeito para a posteridade, em a perspectiva global -, os bloqueios induzem ao desânimo e à desistência, ou ao afastamento da acção prática, ou a complexos compromissos com a situação (de que a trajectória política de Oliveira Martins se tornará paradigma), ou ao enfileiramento no optimismo alternativo do movimento republicano.” (meu negrito)
Augusto Santos Silva, “O Povo nos seus lugares. O clima moral da primeira etnografia portuguesa.”, Palavras Para Um País, Oeiras, Celta, 1997, p. 116
Março 16th, 2008 — Antropologia, Ciências Sociais Moçambique
Notícia de um encontro de Antropologia, a decorrer em breve.
Março 5th, 2008 — Antropologia
Universidade Eduardo Mondlane
Departamento de Arqueologia e Antropologia
Reflections on a History of African Divination Scholarship
Philip M. Peek
Drew University, USA
Quinta-feira, 05/03/08, 09.30 horas
Local: sala 206, 1º andar, FLECS, campus
Breve Informação biográfica
Philip Peek é professor de Antropologia na Universidade de Drew desde 1972. Envolveu-se em estudos africanos e afro-americanos desde 1964/66. Foi mestrado na Universidade de California-Berkeley e doutorado pela Universidade de Indiana. Conduziu pesquisas no Delta do Niger. Posteriormente na Eritreia, Costa do Marfim e Gana. Muitas das suas publicações foram na área das artes verbais e visuais bem como nos sistemas de advinhação Editou African Divination System: Way of Knowing. As suas publicações mais recentes são obras/volumes co-editadas como:
- Ways of the Rivers: Arts and Environment of the Niger Delta
- African Folklore: An Encyclopedia
- Divination and Healing: Potent Vision
Março 5th, 2008 — Antropologia, Ciências Sociais
Fevereiro 15th, 2008 — Antropologia, Literatura, Ruy Duarte de Carvalho
Para os vizinhos também admiradores de Ruy Duarte de Carvalho (pelo menos tu, P… G.), já agora homem que por aqui viveu no início dos anos 70 e que agora poderia vir de visita (se as “redes da lusofonia cultural” se lembrassem), notícia de Prémio Literário, de homenagem, de ciclo de apresentação da obra cinematográfica, de peça de teatro nele baseada e, mais do que tudo, de novo livro (e aqui um belo texto sobre um seu belo e velho livro). Tudo mais do que merecido - e entretanto lembro a inauguração do ma-schamba.
Fevereiro 15th, 2008 — Antropologia
O Boletim electronico da Associacao Portuguesa de Antropologia - de periodicidade semestral. Coisas simples (e ate bonitas) que por ca poderiamos (poderemos) fazer.
Fevereiro 11th, 2008 — Antropologia
Ainda que de Marc Augé se possa dizer isto…

“É muito possível, de facto, que dentro de alguns anos ou algumas décadas se veja menos na literatura antropológica uma análise de formas sociais desaparecidas do que um documento sobre o mundo planetário em vias de nascer.”
[Marc Augé, Para Que Vivemos?, Lisboa, 90 Graus Editora, 2006 (2003), p. 33]
(um pouco também para o leitor fc e, apesar dele, para quem ele trabalha - que aqui não vem)
Dezembro 3rd, 2007 — Africa Austral, Antropologia, Racismo
[bis de entrada colocada em Abril de 2007]

“Depois da minha saída do Zimbabue, em 1993, a crença em raças assumiu a forma de um racismo governamental pouco disfarçado. O presidente Mugabe tomara atitudes fortemente xenófobas, sobretudo em relação à Grã-Bretanha. Ao abrir a Feira de Livros em Harare em 1993, lançou a sua primeira ofensiva. Referindo-se a um stand de livros organizado pelo movimento homossexual (Gays and Lesbians of Zimbabwe - GALZ), xingou os homossexuais de “pior que porcos” e acusou os colonialistas de terem trazido esse “mal” para a África. Em seguida, iniciou uma “reforma agraria” que consistiu na expulsão dos brancos das suas fazendas. Nisso ele foi abordado por bandos de soi-disant (antigos combatentes da guerra da independência - muitos nasceram depois do fim da guerra, em 1980), que expulsaram fisicamente os brancos das suas fazendas …
A maioria dos analistas da situação em Zimbabue sugere que Mugabe jogou a carta da raça (played the race card) como uma tatica cínica para se manter no poder. Não penso da mesma maneira. Entendo que ele, como a maioria dos zimbabuanos, acreditando em raças e na diferenca fundamental entre “africanos” e “europeus”, enxerga a sociedade através do prisma da raça e interpreta o que vê em função dela.”
(Peter Fry, A Persistência da Raça. Ensaios Antropológicos Sobre o Brasil e a África Austral, Rio de Janeiro, Civilização Editora, 2005, pp. 30-31)
(já agora)
Setembro 19th, 2007 — Antropologia
Universidade Eduardo Mondlane
Departamento de Arqueologia e Antropologia
SEMINÁRIOS DE ARQUEOLOGIA E ANTROPOLOGIA
Saber Prático de Saúde, Racionalidades
Leigas de Saúde em Portugal
LUISA FERREIRA SILVA
Universidade Aberta & Cemri Portugal
Juventude Responsável e Sexo Seguro em Moçambique: um estudo sobre o papel das identidades alternativas e noçoes de género na promoção de sexo seguro numa zona de elevado risco de HIV
CHRISTIAN GROES-GREEN
Mailman School of Public Health
Columbia University
Quinta-feira, 20/08/07, 10.00 horas
LOCAL: SALA CP 2501
Novo Complexo Pedagógico, Campus Universitário Principal
Agosto 31st, 2007 — Antropologia, Ciências Sociais Moçambique
Dois textos fora de blogs.
Junho 22nd, 2007 — Antropologia
Só agora me chega:

Ana Bénard da Costa, O Preço da Sombra. Sobrevivência e Reprodução Social Entre Famílias de Maputo, Lisboa, Livros Horizonte, 2007
“Numa época em que as imagens de Africa, outrora exóticas, dos espaços virgens e dos mistérios das savanas e das selvas profundas, foram substituídas no imaginário dos ocidentais por estereótipos de pobreza, exclusão social, corrupção, guerra e violência, este livro revela-nos outras realidades, bem mais complexas e bem mais próximas de nós. Falando de famílias que vivem na periferia de Maputo e procurando saber como vivem e de que vivem, Ana Bénard da Costa penetra no interior dos seres humanos e nas suas relações sociais. Falando de outras famílias, Ana Bénard da Costa fala-nos também das nossas famílias e de questões universais que se relacionam com afectos, interesses, reciprocidades, oportunismo, identidades, religião, economia e de como tudo isso se interrelaciona num processo complexo e pleno de contradições nesta era de mudanças rápidas e de globalização.” - é o que conta a badana (bem, em registo electrónico não sei bem o que será a badana …). A ler, desde já.
Maio 20th, 2007 — Antropologia
Maio 1st, 2007 — Antropologia, Ciências Sociais Moçambique
(texto modificado, acrescentado)
Sei que é um bocado hermético o que deixo a seguir, acho que nem aqueles que assim visados, e que aqui visitam, o perceberão. Portanto, um texto inútil: mas irrita-me a patrimonialização das relações - está inscrita no português, e nada subterrânea, “o meu amigo”, “o meu tio”, “o meu vizinho”. Mas não é só por via disso que isto surge. Agitar as amizades (”nossas”) ou conhecimentos (”nossos”), afixá-la/os, como mero património é desagradável. Como marcador identitário, como estratégia identitária, é repelente. Não moralmente repelente, mas sim intelectualmente.
Vai esta repelência intelectual (não moral, repito, que para isso há bem pior) também associada a quem se demarca por um sítio. Por quem usa os locais calcorreados como se seus, por quem patrimonializa os territórios - claro é que não falo de propriedade fundiária. Aqui ainda por cima não escondido pelo uso de português, pois o “meu local x” é ênfase rara, caímos quase sempre no “eu sou de ..” ou no “eu estou em …”. Mas isso não impede o uso dos sítios como distinção, estratégia patrimonial. Tudo isto culminando nuns “eu que ando por X, vejam, e que sou amigo de Y”.
Nessa ânsia patrimonial, publicitando, suportando-se, nos “amigos deles” “nos locais deles”, óbvia é a coisificação do que (momentaneamente) os rodeia. Sempre me interrogo, na tal ânsia de ascensão assim tornando, reduzindo, em coisas havidas as gentes e os contextos que cruzam, como os podem compreender? Pois logo se impõe o que na academia se chama reificação, e no vulgo fussanguice. Enfim, seja qual for o nome dado resta uma mera estratégia incompreensiva. Por mais louros que recolha.
Diz-se disto name-dropping, quando se trata de aspirantes às elites urbanas. Mas também, e é disso que aqui falo, há essa gente que vai nesse caminho no bico-dos-pés mas por outras vias, e que assim acaba a hastear o resto real que diz seu como exótico, mostrando-se-nos nele. Uma mera estrategia ascencional assim via “exotic-dropping“. Aí cai a repelência. Fica, meramente, o ridículo. Que me envergonha.
Abril 17th, 2007 — Africa Austral, Antropologia, Racismo

“Depois da minha saída do Zimbabue, em 1993, a crença em raças assumiu a forma de um racismo governamental pouco disfarçado. O presidente Mugabe tomara atitudes fortemente xenófobas, sobretudo em relação à Grã-Bretanha. Ao abrir a Feira de Livros em Harare em 1993, lançou a sua primeira ofensiva. Referindo-se a um stand de livros organizado pelo movimento homossexual (Gays and Lesbians of Zimbabwe - GALZ), xingou os homossexuais de “pior que porcos” e acusou os colonialistas de terem trazido esse “mal” para a África. Em seguida, iniciou uma “reforma agraria” que consistiu na expulsão dos brancos das suas fazendas. Nisso ele foi abordado por bandos de soi-disant (antigos combatentes da guerra da independência - muitos nasceram depois do fim da guerra, em 1980), que expulsaram fisicamente os brancos das suas fazendas …
A maioria dos analistas da situação em Zimbabue sugere que Mugabe jogou a carta da raça (played the race card) como uma tatica cínica para se manter no poder. Não penso da mesma maneira. Entendo que ele, como a maioria dos zimbabuanos, acreditando em raças e na diferenca fundamental entre “africanos” e “europeus”, enxerga a sociedade através do prisma da raça e interpreta o que vê em função dela.”
(Peter Fry, A Persistência da Raça. Ensaios Antropológicos Sobre o Brasil e a África Austral, Rio de Janeiro, Civilização Editora, 2005, pp. 30-31)
(já agora)
Fevereiro 8th, 2007 — Antropologia, Ciências Sociais Moçambique, Ilha de Moçambique
Um livro novo, fruto de uma tese de doutoramento em antropologia, sobre Moçambique. Logo que o vejo, tendo ouvido falar da pesquisa, compro-o – minha cara auto-prenda de Natal, aquisição do 24.12. Promete, o tema, a vastidão da pesquisa. E coisa grande – quase 450 paginas de texto, quase 200 notas de rodapé. Logo nesse dia começo a leitura, o livro inicia-se, e muito bem, pela transcrição de uma entrevista. E logo, logo o meu “ai, meu deus, onde é que isto vai parar” – a nota 4 reza assim: “
como se pode depreender pela leitura da entrevista … fala um português quase perfeito, embora com um forte sotaque moçambicano”.
Como? Ok, é relevante ter a entrevistada um sotaque moçambicano? Aceito, mas expliquem-me qual a relevância (background escolar presumido, origem social. Ou noutros registos de pesquisa, formas de apropriação da língua. Mas se é doutoramento então que se expliquem estas coisas, só aparentemente neutrais). Mas também posso perguntar, o que é um “português quase perfeito”? para mais em registo oral, de entrevista transcrita.
Mas muito mais do que tudo, o que é um sotaque moçambicano? “Forte” ainda por cima?
Tudo isto abrindo uma tese de doutoramento? Mês e meio depois ainda não avancei. Não porque duvide da excelência do que se seguirá. Mas porque esmoreci, coisas do meu sotaque. E por falar em sotaques, lá vai
(Ilha de Moçambique, Janeiro 2007, inscrição mural em “português quase perfeito, embora com forte sotaque macua, variante naharra”)
a ver se se marca golo contra estes estereótipos (em português da Madeira?, ainda que quase perfeito?).
Dezembro 4th, 2006 — Antropologia