O Dilema de Agamemnon e outras coisas dos blogs
“Ainda tens blogue? Isso é tão primeira década do século…”, no ABC do PPM.
Manuel Maria Carrilho num excelente “Indignados … e depois”. Um excerto: ”
“Tudo hoje aponta, a meu ver, para o facto de a crise que estamos a viver exigir uma revolução no modo de fazer política. Mas uma revolução que aumente a sua eficácia, e esse é sem dúvida o grande problema que os movimentos de “indignados” enfrentam. Porque é bom não ter ilusões: a indignação, apesar de ser um forte detonador mediático, é na verdade um fraco operador político. A razão é que, por um lado, ela combina bem demais com a insatisfação típica do individualismo contemporâneo e da sua interminável reivindicação de direitos. E, por outro lado, porque ela se apoia mais em sentimentos do que em ideias, e acredita mais em palavras do que em programas.”
No meio do folclorismo e do linearismo da palavra pública Carrilho é um teclado raro. Único?
“Se a palavra perde o acento, os novos dicionários (consulte-se o mais recente Houaiss, em dois gordos volumes já sob a designação de “Atual”) reservam um parêntese para explicar que aquele “o” vale “ó”. Ou seja: o que a própria palavra indicava sem dúvidas agora vai exigir um professor aplicado ou um dicionário à mão. Excelente negócio.”, em “Nem Saramago escapa”, artigo de Nuno Pacheco no jornal Público, transcrito no ILC Contra o Acordo Ortográfico.
Já agora, face a tanta contestação a este serôdio produto Acordo Ortográfico (campanhas de cidadania, refutação por parte da elite intelectual e artística, recusa de jornais de referência), que tem a dizer Francisco José Viegas, secretário de estado da Cultura?. Sim, é um adepto do acordo, foi-o dizendo ao longos dos anos. Mas como governante, que diz à sociedade? Ou por outra forma, para além do respeito e da amizade (e do confradismo bloguístico) que lhe dedico: o acordo é uma decisão política criticável (em meu entender, que é claro que não é absoluto, inculta). E ao governante cumpre deixar cair a cabeça no cepo, auto-imolando-se para defender o disparate por outros cometido, e por ele defendida. E a nós, cidadãos, cumpre decepá-lo. Se Agamémnon sacrificou a filha em busca de bons ventos bem que podemos sacrificar um confrade em busca dos nossos acentos.
A Líbia como mundo tribal, mero objecto dos líderes da Santa Aliança, diz-nos José Pacheco Pereira. Não me chega.
Homenagem a Eugénio Lisboa, um homem (também) daqui. Sobre EL ainda um texto Francisco Seixas da Costa.
Eu Quero Emigrar: Web site que proporciona aos clientes acompanhamento e ajuda em todo o processo de emigração, repara o Paulo Pinto Mascarenhas, algo sintomático sobre a situação de Portugal.
Recordo que há cerca de duas semanas deixei no meu mural do facebook um “estado” (de espírito), explicitando que não tenho contactos nem conhecimentos que possam facilitar a obtenção de empregos/trabalhos aqui em Moçambique para candidatos a imigrantes portugueses. Isto devido aos constantes pedidos de ajuda/informação que vinha recebendo nos últimos meses, algo potenciado pelas ligações via facebook e blog. Mas continuam, na última sexta-feira estando no meu gabinete a escrever deixei o “chat” do facebook disponível. Em 50 minutos três pessoas (uma amiga, um natural de Moçambique até com conhecimentos comuns, um “amigo-FB”) surgiram a pedir informações. A coisa está frenética.
As Crónicas do Planeta Oval, de Pedro Picoito no Cachimbo de Magritte foi o melhor que li em português sobre o Mundial de râguebi. Obrigado.
“A Mascote”, de Fernando Sousa no Delito de Opinião, uma dolorosa memória sobre a guerra colonial em Moçambique. Tem subtexto? Terá, mas essa é a condição do memorialismo.
“Algumas ideias sobre a Europa”, de Luis Naves no Forte Apache. Bem calibradas. E também a fazer-me lembrar o “Porreiro, pá!” do Tratado de Lisboa.
“Compreender a Dívida Pública”, porque é tudo muito mais complexo do que o clubismo diz. Encontra-se no Klepsýdra.
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