O blog dourado

Levanto um ponto surgido nesta caixa de comentários – e que eu já questionara noutros locais como aqui. Tem a ver com o caso Blog Dourado: o encerramento pelo blogger de um blog português por “ordem” judicial de um tribunal português.

O caso foi saudado: o blog em causa não corresponde ao “padrão” estético do topo do bloguismo político português, que oscila entre a aparência de gravitas militante e a invocação estilística do defunto “Independente” (até misturando, numa alquimia que em sendo dourada não é de ouro). Afundado no higienismo – a ideologia dominante – o eixo bloguista não se incomoda com a exclusão de um blog “feio” (não fui ver, as descrições são menosprezadoras). Algum dele, na pista de se tornar filiação, sucedâneo ou filial do jornalismo, ensaia a sua institucionalização legitimadora [o que será perfeitamente legítimo, nem todos têm os mesmos objectivos nisto, e o lúdico não é vinculativo; mas é também, num outro nível, sinal da ideologia higienista que vai dominando, do "com licença" de chapéu na mão].

Assim sendo o bloguismo político padrão justifica a decisão judicial - um pomposo texto perfeitamente indigente, qual seu representante, ascende à infoaudiência do institucional Expresso [expressando apenas a apologia do burguesote "bom-gosto" e a distracção espantada dos filhos de agricultores aquando na casa da filha do capataz: foda-se, a blogosfera portuguesa está cheia de blogs explicitamente fascistas, o que viola a lei; dois dos colectivos portugueses com mais "credibilidade" (sic) publicam textos anti-semitas e continuam "credíveis"; e há a lata de escrever uma tralha justificativa daquelas? É o higienismo a la carte, mimetizando a burguesia de toga (e alguma da esbórnia dos seus filhos). Nada mais]. É o reino do impensamento. Parolo.

Eu não sou jurista, não percebo do labirinto formal e interpretativo. Mas de gente tão ciosa de seus valores estéticos e morais esperaria que soubessem responder a uma simples pergunta: quem é que tem tutela para me encerrar o blog? Entenda-se, a jurisdição. E com que fundamento?

Se me explicarem juridicamente agradeço. Enquanto isso continuarei a insultar – de imbecil para baixo – os higiénicos blogadores. Encerrados não no malvado senso comum, mas sim no muito pior lugar-comum. Expresso, ou outro.

Adenda: Aqui estão ligações relativas ao assunto: particular interesse nas questões levantadas neste local. E, pelos vistos, quanto à utilidade deste tipo de acções eliminatórias (o que é outro assunto) já jcd tinha rematado.

29 comments ↓

#1 Paulo Querido on 07.15.08 at 17:13


jpt,
1. as aspas em “ordem” correspondem a quê? Trata-se de uma providência cautelar emitida por um tribunal. É uma decisão legítima de um árbitro legítimo. Não compreendo as suas dúvidas.
2. não tenho de concordar ou discordar do encerramento do blogue em questão. A minha opinião está já expressa e resume-se nisto: o blogue não tinha ponta por onde se lhe pegar, era mais um no monte, a decisão do autarca tirou-o desse doce anonimato e transformou-o num caso nacional. Depois, nem o homem esteve à altura do acontecimento, nem o acontecimento dignificou quem o provocou.
Daqui pode concluir:
a) não me interessam particularmente blogue ou autarca; b) a decisão do tribunal é legítima.

3. Não compreendo essa do “higienismo”: se há tendências reconhecíveis na blogosfera portuguesa, o higienismo não é uma delas.

4. O jpt parece pensar que todos nos devíamos sentir incomodados com a “exclusão” de um blogue. Porquê?

5. Considerando eu perfeitamente aceitável, além de legítimo, que as pessoas queiram institucionalizar uma actividade, venho descansá-lo: o objectivo do ptblogs não é institucionalizar o bloguismo nem erradicar o lúdico. Muito pelo contrário.

#2 jpt on 07.15.08 at 18:12


1. As aspas correspondem a uma interrogação, à interrogação: “ordem” a quem? com que fundamento? Não discuto a legitimidade da queixa (eu disse no seu blog que muito concordava com a [não-estratégica] indignação do autarca e com a sua reacção) nem da actuação do tribunal. Mas continuo a perguntar: “ordem” a quem?
2. como decerto bi-leu (no Certamente e aqui) eu nem fui ver o blog em causa. Aliás, não é dele que se trata.
Insisto ainda num ponto, e aqui reside a minha dúvida que V. não alivia: a decisão do tribunal é legítima? Mas aplica-se onde?
4. Longe de mim achar que todos deviam algo. a. Aprendi aquando o antigo presidente da camara de lisboa anunciou a sua disponibilidade para pagar consultorias ao partido Nova Democracia caso este o apoiasse eleitoralmente e o bloguismo político português emudeceu, que não vale a pena achar que “blogoalguém” deve fazer/sentir/dizer algo. Nem aqui nem nos outros blogs – não vale a pena.
b. o seu “porquê” traduz-me que naõ me fiz entender (a questão 1 também). Vou tentar ser explícito: a libertação de Bettencourt implicou uma série de posts e comentários (eu dei um passeio longo aí pela blogosfera) afirmando que Uribe é corrupto e assassino. Se o tribunal da Colombia for convocado e der uma “ordem” jurídica (sem aspas?) para o encerramento dos blogs em causa concorda-se? Encerra-se?
Há imensos casos de “uribes” acusados aí no bloguismo, poupo a continuação dos exemplos.
Eu acabei de postar, muito justificadamente, que o deputado Bernardino Soares é um filho da puta. (Não vou repetir o exemplo do Marc Batta, não acha). Sentindo-se insultado o prestável deputado põe-me um processo para me fechar o estaminé. Onde? Na cidade sede do wordpress? Na cidade sede do Tubarão Esquilo? Em Maputo, onde resido? Em Lisboa (ou na Póvoa do Varzim, onde o tribunal é lesto)? Ou em Harare, onde se sente em casa? [Não é, decerto, um caso de tribunal de Haia] – insisto, não sou jurista, gostava de saber quem tem a tutela sobre isto.
Ou seja eu não exijo que nos sintamos ofendidos pela “ordem” de encerrar um blog. Mas fico estupefacto que ninguém pergunte o fundamento da autoridade para tal. Pelo menos não li.
5. EStá explícito no texto – o direito à associação. Mas permito-me interpretar o implícito na institucionalização. É um nicho de bloguismo, muito legitimamente procurando um caminho. Mas quer uma “cara lavada”. Tudo bem, também me lavo. MAs é signficante.
3. O bloguismo político português é muito higiénico, meu entender. Mas leio-o cada vez menos, porventura estarei errado. O sil~encio diante disto (ou este tipo de silêncio) parece-me óbvio sinal disso

#3 jpt on 07.15.08 at 18:23


Ainda: V. está como eu, com as dúvidas do leigo em Leis. Mas não me esqueço do diálogo sobre a matéria que tivemos no Certamente. Onde me disse que, assim sendo, no aparente vácuo legal, o critério de encerramento de um blog ficaria subordinado à decisão da empresa (Blogger neste caso). Assim sendo, “ordem” bem aspeada, sff.

#4 Paulo Querido on 07.15.08 at 18:34


1. a ordem foi dada pelo Tribunal à empresa Google, Inc, na qualidade de proprietária do domínio que a providência cautelar quis encerrar.
(Nota: a providência pede apenas isso: que o domínio, e com ele os conteúdos considerados difamatórios, seja retirado do acesso público)

2. Aplica-se no subdomínio referido (povoaonline.blospot.com). Ou seja, e isto resulta do que li e da minha qualidade de não-jurista, se aqueles conteúdos estiverem duplicados noutros locais (como efectivamente estão), a providência cautelar em questão não é extensível a eles.
As imagens, por exemplo, continuam disponíveis no endereços originais.

4. b. não tenho opinião. Calculo que existiria um sururu do camandro se uma coisa dessas acontecesse.

Também gostava de saber quem tem a tutela sobre o caso que coloca como hipótese. A territorialidade da pessoa jurídica que registou o seu domínio não conta, tal como não conta a geografia do servidor (mudou de país e continente nos últimos seis meses aí umas 3 vezes). Contará apenas a aplicabilidade da decisão. Mas a extra-territorialidade das decisões judiciais é um facto. Há extradições e há pedidos de cumprimento entre países que estabelecem acordos. Digo eu em linguagem vulgar.

5. Ainda bem que o acha significante. Isso o movimento gostará de ser. Não gostará se ser visto como limitador de coisa alguma, porque não verdade não o é. Pelo contrário.

#5 gaf on 07.15.08 at 20:16


Dou razão a Paulo Querido no tocante à necessidade de uma tutela jurídica e de uma moldura penal para os conteúdos difamatórios ou caluniosos nos termos da lei. Mas CASO A CASO e, nos casos mais graves, as medidas legais poderão incluir a CENSURA (o único caso em que a admito). Se isso é viável ou não com a indefinição territorial e com a disparidade das legislações envolvidas, isso é que já não sei e gostava de saber.
Sublinho NOS TERMOS DA LEI, porque o resto – associações inter-bloguísticas de bons costumes, boas maneiras, controlo (de qualidade, de decência, de urbanidade, de higiene, de credibilidade, de limpeza de sangue?) cheira-me a inquisição intelectual. Quem é quem para controlar o “valor” ou o “não-valor” de um conteúdo bloguístico? Que leiam, critiquem, ridicularizem, exprobrem, mas que se fiquem por aí, não queiram excluir ninguém (na prática já acontece) porque então lá se vai a única vantagem da comunicação bloguística: a quase total liberdade de expressão. Ilustro com um exemplo sintomático de PQ: «…enfiados contributos duvidosos, quando não indesejáveis e ilegais, e que são os principais responsáveis pela imagem negativa que “alguma comunicação social” (nunca imaginei escrever esta frase…) passa do meio». O que são “contributos indesejáveis e duvidosos?” Quem decide que o são?
Na prática já há uma censura dessas – a censura do silêncio – a pairar sobre a blogosfera. Digamos que há um lobby de blogs com 1500 ou 2000 visitantes cada que, se não te linkam, não te referem, não te acolhem na “grande casa”,não vais a lado nenhum, não passas dos vinte visitantes, quer os teus contributos sejam ou não “indesejáveis ou duvidosos”. Saem por vezes do gueto os temáticos ou os inoperantes poéticos.

#6 Paulo Querido on 07.15.08 at 20:40


gaf, não fale de cor. Leia antes. Leia aqui: PTBlogs.

O movimento pretende uma associação ou outro tipo de organização de pessoas. Das pessoas que queiram aderir. Não pretende decretar nada. Pretende fornecer quadros de boas práticas que possam contribuir para a credibilização.
NÃO PRETENDE CONTROLAR OU IMPÔR COISA ALGUMA e LUTAREI CONTRA ESTE TIPO DE INTOXICAÇÃO, seja ela deliberada (não me parece o seu caso) ou decorrente de ignorância (como parece o seu caso).

Meta a expressão “inquisição intelectual” — precisamente aí, onde pensou.

a única vantagem da comunicação bloguística: a quase total liberdade de expressão” — quem é você para dizer qual é a única vantagem da comunicação bloguística? Deus Blog? Bah, lá vem outro a armar-se em bom para cima dos outros, a questionar o que julga ser uma pretensa autoridade. Nm toa a gente funciona nesse quadro.

Recomendo-lhe a leitura de uma qualquer FAQ sobre as vantagens que a ferramenta blogue veio trazer ao cidadão. Leia um pouco sobre a web social, ou web 2.0. Informe-se — você está manifestamente de horizontes ciberculturais muito fechados. Não há mal nenhum na ignorância, evidentemente. Apenas não conseguirá manter uma conversa sobre o assunto.

Na prática já há uma censura dessas – a censura do silêncio – a pairar sobre a blogosfera” — ok, quando cheguei aqui, parei e desatei a rir. Afinal o seu não é um comentário sério. É apenas mais um arroto. OK, fechei a conversa aqui.

Os blogues não se medem ao visitantes — foda-se, ao menos podia saber isso.

#7 gaf on 07.15.08 at 20:56


Paulo Querido, já me classificou, zurziu, disse que a minha cibercultura é nula (por acaso é, nem sei o que isso é), já me apodou de ignorante, já controlou o meu valor (desvalor), recusa-se a responder às minhas perguntas porque está acima disso tudo, já disse que eu não fiz mas arrotei um comentário, deliberou (e desatou a rir) que eu não poderia ter disto isto: “a única vantagem da comunicação bloguística: a quase total liberdade de expressão” (explicou porquê?), já me emprateleirou cá de uma maneira que eu, humildemente, declaro: sim, chefe, está apto para ser presidente da tal “associação”, e eu, idiota, declaro que não tenho nível para ser sócio dela. Foda-se digo eu.

#8 jpt on 07.15.08 at 21:13


1. PQ: acho que chegámos ao primeiro ponto que eu quis levantar. Claro que há Direito Internacional. Mas como aplicá-lo aqui? Em que moldes: tudo parece muito cristalino (paroquial) quando é um tipo do municipio a protestar com outro do municipio e o tribunal da comarca reage. Mas é uma mera aparência. Daí o meu espanto. E a minha irritação [confesso, até um bocado atrapalhado, que depois dos comentários, e não por causa deles, fui ver o blog do texto do Expresso e constatei que é TE. Não tinha reparado. Não é crucial, o TE não obriga a solidariedade (justiça lhe seja feita) mas hrrmm ..., eu podia ter sido mais simpático] com aquilo que continuo a chamar impensamento.
2. O segundo ponto a que quero chegar – sempre baseado na minha total ignorância jurídica – é que me parece que ao aceitarmos a tutela jurídica nos arriscamos não só a ter as empresas (blogger et al) a decidir quais as “ordens” que cumprem (o que subverte, julgo eu, a tal Ordem jurídica, no sentido amplo esta). Teremos também de decidir quais os locus de jurisprudência aceitável: não no sentido de Póvoa de Varzim sim, Paio Pires não. Mas no sentido de escolher quais os países e os códigos que seriam aceitáveis (lá está, seria um escãndalo aceitar o tribunal pró-uribiano). Ou seja o higienismo esteta (vs povoaonline) é uma armadilha, o gosto (classista, entenda), a estética (o tal “centrão” que falei na caixa de comentários abaixo) é uma armadilha sob o ponto de vista de princípios.
Não me quero alongar, para não parecer que estou a brincar com palavras, mas como pode o tribunal da Póvoa dar um “ordem” a uma transnacional?

3. Não tenho nada contra o PTblogs (até já lá andei a correr a ler um pouco, a ver se entro). O que refiro é ser isso um exemplo de uma tentativa de institucionalização de uma imagem de seriedade, de compromisso com uma postura correcta – mesmo que fluída, ampla, aberta a diferentes “teclares”. De quem quer garantir credibilidade. E isso não é “natural”/”inocente”. tem significado: de auto-avaliação; de interpretação do contexto no qual decorre. É isso que me interessa. No fundo, não só mas também, a preocupação expressa pela citação escolhida pelo GAF: o que é que interessa a imagem transmitida pela comunicação social? Interessa! Então interprete-se como e porquê – é normal, até salutar, que interesse a quem é jornalista, quem trabalha com informação (no sentido de noticiosa, pois na prática todos trabalhamos com informação, claro). Ou quem ambiciona articular com a comunicação social. Para quem não, só pode sorrir diante dessa preocupação

[haverá pior juiz da qualidade do que os jornais? refiro o caso legalmente consignado, decerto, de publicação de falsas informações: três jornais diários portugueses editam diariamente mentiras (quantas vezes o Aimar já aterrou na Portela) (Caneira chega amanhã) e ninguém intervém. Dir-se-á que é futebol: mas é mentira publicada, ao serviço de interesses comerciais (de venda de papel, de venda de jogadores, etc.) -sem que organismos de classe se afastem dessa prática ilícita, o explicitem ao público (e aos tribunais). Apenas o impensamento impede de destruir essa corporação, de nos preocuparmos com as mensagens qualitativas veiculadas

GAF (e PQ): nada do que eu escrevi vem contra a existência de uma auto-responsabilização, de uma moldura penal contra difamação (e plágios e outras tralhas), e até de uma estética dominante [PQ lembra-se de eu ter dito que não queria o banner do Obvious porque aparecia ciclicamente um tipo musculado, tipo anúncio prostituto gay?
claro que aceito uma estética que é a minha, mas que reconheço relativamente dominante: em formas e conteúdos].
O que disse está claro acima – aceitou-se uma decisão que era de fácil julgamento, sem se pensar no que ela implica.

GAF sobre o controle bloguístico não opino. Não concordo com a sua opinião. Era o que faltava exigirmos aos grão-blogs a referência aos nossos mais pequenos blogs – essa seria também uma norma, dessas que afinal nos custam a aceitar como institucionalizadas (ou implicitas)

#9 jpt on 07.15.08 at 21:21


Estava a comentar antes da entrada do último GAF. Tenho que vos dizer (a ambos) do meu relativo agrado pelo nível de linguagem a que chegaram (chegámos). Que isto de praguejar sozinho é …. lixado. São sempre bem-vindos aqui. Mas hoje ainda mais.

PQ: noutro registo, mas tão a sério como aqui em cima. É um problema diverso do que me implicou o post, mas está-lhe, evidentemente, ligado. A questão é saber o estatuto da pretensão de “fornecer quadros de boas práticas que possam contribuir para a credibilização.” Assim de repente pode parecer algo normal, de civilidade (até democrática), pragmática – quase (quase, friso) como uma transferência tecnológica: uma tecnologia social.
Num segundo nível é algo disciplinatório, e é isso que implicou a minha referência, até crispada. Não vou começar para aqui com antropologices, mas (a mim) custa-me ver chegar em que o bloguismo português assume práticas corporativas disciplinatórias – não é a censura, não é a repressão, não é o fim do mundo. É o senso comum. Só isso.

Abraço a ambos.

#10 jpt on 07.15.08 at 21:41


PQ (não sei se ainda virá aqui): a talho de tecla lembro-me do inquinado ambiente que a reacção (corporativa) jornalística vem provocando (V. sabe-a, e aliás vem relatando as questões ligadas com o negócio dos media e os problemas graves que o bloguismo lhe parece levantar). Parece-me óbvio que isso é crucial (sem economicismo) para se perceber as causas da “má imagem veiculada” pelos media.

Mas há outro ponto: v. ecoa o artigo de Ferreira Fernandes sobre os malucos da blogosfera, as diatribes horríveis das “luísas” daqui. É certo – eu insisto há anos que os comentadores esfaimados habitam fundamentalmente os bloguistas horríveis, mas isso é outro ponto. Seria interessante que Ferreira Fernandes et al pudessem escrever outro ponto: nunca na minha vida encontrei tanta simpatia desinteressada (ok, às vezes um elo ou outro seria o objectivo, mas isso será a minoria), tanta afabilidade, tanto elogio desmesurado, como no bloguismo – talvez até por a gente nem se conhecer. Há “luísas” que acham que as bettencourts deste mundo são umas falsas? Há. Mas há imensa gente que coloca aqui uma gentileza (até com o jpt do ma-schamba) qu’a gente até se esquece que há lá fora no dia-a-dia.
Disciplinar isto?

#11 gaf on 07.15.08 at 21:44


jpt, eu não exijo nada dos grão-blogs, só constato aquilo que ME PARECE um facto: há um ou vários inner circles de grandes blogs (muitos deles de grande qualidade, na minha opinião, mas quem sou eu para decretar tal coisa) que se reproduzem entre eles e, de vez em quando, lá deixam entrar um enteado pobre. Pessoalmente, não quero entrar nessas grandes famílias. Mas temos de admitir que um blog sem leitores não passa de uma brincadeira onanista, destinada a desaparecer. Tenho uma baixa cibercultura mas ainda sei ler o contador de visitas: só cresci para a média de 50-100 visitantes (gosto de ser lido, como toda a gente, mas não faço disso cavalo de batalha) quando um grande blog, o Da Literatura, me citou e linkou (nessa semana andei nas 300). É claro que, mais importante do que ter leitores é ter tribuna livre, e se alguém tenta pressionar os blogs a assemelharem-se aos jornais e às televisões (onde há censura prévia, basta haver chefes), não estou de acordo e acho que se está a abastardar o conceito de blog. Isto em palvras simples porque vocês, na verdade, são muito à frente e eu não chego lá. O que é um blog? É uma coisa onde se chega e se escreve o que nos dá na mona, bom ou mau, com a única condição de haver “credibilidade”.E quem decide, quem é o responsável desse credibilidade? Quem escreve. Nunca ninguém de fora.

#12 jpt on 07.15.08 at 22:15


O que é um blog? Eu pus-me essa questão, em tempos, de um modo algo mais utilitário (ainda que não utilitarista): “Para que serve um blog?”. Permito-me deixar as minhas duas abordagens:

http://ma-schamba.com/bloguismo/para-que-serve-um-blog/

http://ma-schamba.com/arquivo/3801/

Mas, ainda que simpatize, com esse “escrever o que nos dá na mona” – é esse o destino do ma-schamba – tenho que aceitar que um blog pode ser muita outra coisa [eu mesmo propus um blog profissional aos meus colegas, que naõ avançou porque arranjámos outro modo]. É um meio de comunicar, se queremos ser irredutíveis não o podemos exigir aos outros.

Quanto aos grão-blogs: eu chamei-lhes “turbo-leitores”, isto disparava quando alguém referia o ma-schamba. Ok, é porreiro ter muitos leitores. Quando no weblog.com.pt um pouco por ser um grande grupo, um pouco por manipulação do sitemeter (aquilo que chamávamos o Sitemetergate – a caçarmos os googladores, método que o Adufe então divulgou) isto trepou até aos 800 e tal leitores. quase grão-blog (era eu e o meu amigo Apenas Mais Um, ali a treparmos nos tops, já misturados nos blogs dedicados a mamas e rabos femininos). Era giro, mas era uma brincadeira – e o que é isto, no nosso sentido, senão uma catarse e/ou uma brincadeira? Ou melhor é isto – não se mede mesmo a número de leitores, o que não significa que seja anti-leitores

[desculpe a arrogância de tanta auto-referência. mas não é auto-reverência...]

#13 jpt on 07.15.08 at 22:19


Ah, eu também não chego lá. Nem sei bem onde é esse lá.

#14 Paulo Querido on 07.15.08 at 22:41


gaf,

eu fiz-lhe isso tudo? Ná. Isso é você a gozar o prato. Muito bem — vou provar-lhe por acções que o que existe é a vontade do pluralismo.

Mas antes, você conseguiu atirar para cima de mim ter de explicar isto:
a única vantagem da comunicação bloguística: a quase total liberdade de expressão
Como se não fosse você a ter de explicar a frase.

Diga lá, aponte UM exemplo de um blogue, autor, gato, cão, canário, que tenha sido impedido de se expressar na blogosfera desde que esta existe. UM chega para eu capitular.

Explique onde é que essa “única vantagem” alguma vez foi cerceada, ou até teoricamente como é que se poderia fazer tal (excepto, claro, desligando a energia à escala planetária).

Agora, passo à acção. Quem é como quem diz: calo-me e deixo-o falar. À vontade. Totalmente à vontade.

jpt, em primeiro lugar: se nunca fui árbitro no weblog, onde todos estavam debaixo do mesmo tecto e o tecto era meu, na TE cada domínio e cada autor são independentes. Estão federados, se quiser, numa ideia, num conceito, que eu vou tentanto pivotear sem grande sucesso, mas não precisam os autores dos meus serviços de intermediação. Se precisarem, tentarei, claro, mas só mesmo a pedido e com grande custo, é que o faria.

É claro que aqui nada é cistalino: estamos numa fronteira. Isto ainda é o faroeste. Está todo um castelo de relações por erguer (e será erguido, não se iluda; bem sei que a costela anarca — tb tenho uma — sonhava que a web ficasse para sempre terra sem lei, mas não tenho ilusões sobre tal).

“Como pode o tribunal da Póvoa dar um “ordem” a uma transnacional?”

Pode na medida em que a transnacional tem uma janela para Portugal. É assim: o póvoa online não era propriamente um blogue de escala internacional, ou americana, mas sim um blogue português. Essa entidade transnacional tem uma política de, na medida do possível, cumprir as leis regionais. Mesmo fugindo à lei do país de origem, os EUA (e sim, isso tem acontecido ultimamente e é um pormenor deste caso que os portugeses têm ignorado, no seu umbiguismo).

Num segundo nível é algo disciplinatório” — admitindo que sim, desde que se dê à acção de disciplinar um carácter positivista, pois que é assim que o vejo, e no ptblogs idem, faço notar e sublinhar que a entidade, associação, movimento, grupo, clube ou outra figura, terá carácter facultativo e fugirá sempre de assumir posições de classe.

Isto, jpt, dita uma diferença que não permite certas leituras. O ptblogs é uma iniciativa de um grupo de cidadãos que exercem o direito de associação, não se trata de levantar um organismo de classe, de sector, um sindicato dos bloggers, ou o raio.

A leitura do “corporativo” é totalmente desajustada. Nem sequer há uma corporação, quanto mais o desejo de ser corporativo.

Nem sequer há “bloguismo” português aqui, mas um punhado de carolas que querem levar os seus blogues para além do rame rame, fazê-los evoluir na forma, no conteúdo, nos exercícios. Eventualmente, ganhar com isso mais do que sorrisos e ódios.

Você tem a noção de que a blogosfera portuguesa no seu todo tem evoluído muito menos do que a americana ou a espanhola ou a brasileira?

gaf:
só cresci para a média de 50-100 visitantes (gosto de ser lido, como toda a gente, mas não faço disso cavalo de batalha) quando um grande blog, o Da Literatura, me citou e linkou (nessa semana andei nas 300). É claro que, mais importante do que ter leitores é ter tribuna livre, e se alguém tenta pressionar os blogs a assemelharem-se aos jornais e às televisões (onde há censura prévia, basta haver chefes), não estou de acordo e acho que se está a abastardar o conceito de blog

Se quer ter leitores, ficar à espera de ser linkado por aquilo que designa de um “grande” é a pior das estratégias. Se, como diz, quer ir além da brincadeira onanista, uma forma de o fazer é procurar as práticas de escrita e de publicação que potenciam a leitura, outra forma (que se soma, não substrai) é estender a sua malha de forma activa, em vez de ficar à espera, é linkar, participar, debater. A blogosfera é um meio conversacional — converse! Tenha algo útil, importante, giro, pertinente para dizer. E tenha-o repetidamente. É assim que se faz um grande blogue, com um trabalho miudinho, permamente. Ter “audiências” dá um trabalhão do cacete, sendo poor isso que não está ao alcance de todos.

Um blog é muito mais que uma coisa onde se escreve o que nos dá na mona. O meu blogue já foi isso também. Já foi laboratório de teste. Hoje é uma tentativa séria de sobreviver para além dos títulos de media. Sabe, eu sou jornalista, sou técnico de informação, e as empresas que faziam negócio com o meu trabalho estão de pantanas, pelo que me convém à brava procurar alternativas. E os blogs são TAMBEM isso, uma ferramenta editorial. Uma máquina de escrever tanto dá para redigir poemas para a gaveta como panfletos políticos como notícias e reportagens como cartas comerciais como tratados internacionais. Não me obrigue o blogue à indigência.

#15 Paulo Querido on 07.15.08 at 22:45


Adenda esclarecedora:

Leiam o post do Luis Santos, O MEU blog. Porque raio um blogue há-de ser outra coisa que não aquilo que o autor quiser que ele seja? Um blogue pessoal ou um super hiper ultra projecto para ser o número 1 e ganhar 150.000 por ano, como o Techcrunch? (usam ambos a mesma ferramenta, que é a mesma do Ma-schamba, o WordPress).

Depois, ouçam o que diz o José cevera no último post do Atrium (tb fiz um post com isso)

#16 Paulo Querido on 07.15.08 at 22:50


Fui buscar o Luís porque ao menos o Luís mantém a sua posição sem obrigar os outros nem fazer julgamentos morais.

Eu passo repetidamente por estes travões. Há dois anos, a publicidade era vista como Satã em pessoa, algo capaz de destruir os blogues e a blogosfera. Hoje, a quantidade de blogues portugueses com publicidade é grande. A noção de que antes ter publicidade, porque ajuda a manter o meu blogger favorito em actividade, do que não ter e ele acabar por desistir, já se instalou.

Mas amigo não empata amigo. Não me queiram limitar o blogue, que eu não quero obrigar ninguém a ir comigo.

#17 jpt on 07.15.08 at 23:04


PQ:
1. aqui falta (como sempre, é condição não é defeito) a entoação. Ainda assim parece(u)-me claro que não aludi a qualquer intermediação sua (sua necessidade ou vontade). Apenas referi um meu “ora bolas, o tipo é do TE”. E sublinhei que nunca foi aludido qualquer tipo de obrigatoriedade solidária intra-TE, em termos de opinião (caramba, foi explícito). Tal como não me é pedido nenhum cuidado eu posso-o ter, não acha? Algum, pelo menos. Pois, como diz “isto não é o faroeste”.

2. a ordem dada à transnacional – ora aí está: um esclarecimento. Pode dar, tem instrumentos para isso. Ok.
Não me resolve todas as dúvidas – continuo na articulação das diferentes legislações, dos diferentes entendimentos dados à livre expressão, etc. Mas é um avanço.

3. Não tenho qualquer ideia sobre como se desenvolveu o bloguismo nos EUA e em Espanha. Acho que fui explícito sobre o que considera vir integrado na proposta de um conjunto de práticas, e sobre o que entendo como passível de ser disciplinador. Já disse que não rejeito a ideia em si, mas tem várias leituras. Ideia que terá, depois, várias práticas

Acho também que um aglomerado de bloguistas federados numa postura técnica, prática e com usos e costumes próprios, subentende objectivos e práticas relativamente similares. Nesse sentido chamei-lhe corporativo (o que não é um insulto, é uma descrição – a gente aí assusta-se com o termo, lembra-se do Salazar ou imagina mafias, mas não é isso).
De resto acho que acima já botei o suficiente sobre o que entendo da tentativa de dar um ar straight face a uma má imagem construída

4. O fundamental, aquilo em que concordamos, e que torna o resto conversa sobre diferentes interpretações é, como bem diz, o facto de um blog poder ser TAMBÉM uma outra qualquer coisa do que aquilo que um gajo acha que é. V. passa por cá de quando em vez já me deve ter lido um repetido “cada um bloga como quer” (o que quer).

[Mas se me irritam tanto os grão-bloguistas a dizerem como deve ser um post, o estilo correcto de post, também suspeito da ideia de uma "cartilha" - não no sentido irónico - do como "postar"]
Agora vou ler os artigos recomendados, obrigado

#18 jpt on 07.15.08 at 23:06


As palavras são como as castanhas de caju, a gente começa e não sabe onde vai parar: “Não me queiram limitar o blogue, que eu não quero obrigar ninguém a ir comigo.” – não foi esse o tema do post?

#19 jpt on 07.15.08 at 23:13


Só li. O Luís Santos está no mesmo registo daqui (e já emailámos os dois o suficiente para saber que será essa a minha ideia). A entrevista, da qual li os excertos apenas, refere o substrato daquilo que posso resumir, talvez injustamente, como o “ferreirafernandismo”: o Satã é o blog, que nos dá cabo da vida, e que é coito de malévolas pessoas. [num post abaixo lembrei o fim da industria musical, tal qual era]

E, claro, fala de um sector do bloguismo, proto-profissional ou com essa aspiração, neo-jornalístico se quiser, que será muito interessante. Mas que não esgota o tom bloguistico, Virá a ser importante, aceito, ou já o é. Mas há gente a olhar de outra maneira, a fzer outra coisa. Só isso

#20 gaf on 07.16.08 at 0:52


Paulo Querido, obrigado pelos seus conselhos para ter leitores, talvez um dia lá chegue. Também é evidente que vou ler o ptblogs para não ser acusado de falar de cor, mas a verdade foi que citei textualmente palavras e desígnios seus tirados do ptblogs, creio eu. Mas adianto que não quero ser profissional disto, para mim é só uma maneira de conversar e de saber que alguém me lê (que não estou sozinho). Mas continuo na minha: ninguém constrói um blog sozinho, os grandes condicionam muito o nosso número de visitas e até a nossa linguagem.
Agora diga-me: o que tem de aberrante a minha frase: “a única vantagem da comunicação bloguística: a quase total liberdade de expressão”? Já sei, talvez aquele “única” em vez de principal. Está bem, como queira. Ou então aquele “quase” que parece desnecessário, mas não é, e não foi metido só porque ficava bem na frase, mas porque eu tinha na cabeça os tais comités de vigilância que, mesmo inexistentes, existem, são como a voz social no bairro ou na aldeia, não nos obrigam a nada, só nos aconselham a termos cuidado. Acho que me expliquei, agora explique-me você: como é que os tais comités vão impedir que se enfiem nos sites “contributos duvidosos, quando não indesejáveis e ilegais”? E como se podem caracterizar esses produtos? E quem vai fazer esse trabalho e decidir em última instância? O Deus blog?
jpt, gostei muito desta conversa na caixa do seu blog, um blog médio, moçambicano – dou-lhe treze, e podia dar mais se fosse mais bem educado. Mas para o próximo período, se trabalhar e não chamar filho da puta ao Bernardino Soares, subo-lhe a nota.
PQ, portou-se bem, vai sair da minha lista negra e passa para a cinzenta. Era o momento de humor.

#21 Paulo Querido on 07.16.08 at 1:29


Mas se me irritam tanto os grão-bloguistas a dizerem como deve ser um post, o estilo correcto de post, também suspeito da ideia de uma “cartilha” – não no sentido irónico – do como “postar”

Eh, ninguém falou em estilo. Por boas práticas entendem-se coisas como: as técnicas para fazer títulos em função dos objectivos de cada post; dotar cada artigo das keywords e como as colocar e gerir (em cada editor de blogues); a distribuição da quantidade de posts ao longo das horas de um dia, que é variável em função do blogue, da sua comunidade, etc; ter os feeds para RSS bem formatados, para maximizar a distribuição por essa via… A linguagem é também ela uma ferramenta — você lê-me há muito tempo, viu-me mudar o tipo de linguagem, vê-me adequá-lo ao local onde publico, vê as minhas tentativas para acertar.

Não há aqui nada nem de condicionamento de estilo — e repito que as boas práticas são para seguir ou omitir em função, sempre, das necessidades e objecivos dos autores — nem de ditadura de gosto.

Dizer que o rosa chocante faz fundos melhores para blogues para raparigas é condicionar o estilo e cercear a criatividade da blogger que quer chegar a mais raparigas? Se acha…

como é que os tais comités vão impedir que se enfiem nos sites “contributos duvidosos, quando não indesejáveis e ilegais”?
Tais comités, aqui, já era motivo para não lhe responder, mas abri excepção.
Não vão impedir. Não querem impedir. Querem tirar os cavalinhos deles dessa chuva quando a coisa chega às sics, miguéis e flores deste mundo e do outro. Separar. Ter forma de dizer, meus senhores, esta é uma floresta variada, tem milhares de espécies, além da erva daninha há acácias e pinheiros.

E como se podem caracterizar esses produtos? E quem vai fazer esse trabalho e decidir em última instância?

Podem caracterizar-se como tudo pode ser caracterizado na vida: recorrendo aos conhecimentos acumulados, aos métodos já comprovados e a uma grande dose de bom senso.

No caso dos ilegais, metade do trabalho está feito.

Quem? O colectivo. As pessoas. Já o fazem. Eu quando olho para o Google – motor de pesquisa, vejo uma gigantesca máquina de mungir os nossos hábitos e as nossas acções, uma forma inteligente (as in, os algoritmos são produto de mentes inteligentes, não estou a falar de “inteligência artificial”, ainda) de extrair um micro-mini-miligrama de valor da pesquisa e clique de cada um de nós, aos milhões por hora, juntar tudo isso num blender e fazer sair um resultado espantoso — ou a vocês não os espantam os resultados das vossas pesquisas no Google?

Cada link meu, cada palavra sua, servem para ajudar a caracterizar um produto.

Enquanto aqui a “inteligência conectiva” de que já me falava Kerkhove (o herdeiro do McLuhan) em 98, ou o flavour mais web-socialístico-moderno da inteligência das multidões (o wisdom of crowds do Surowiecki já traduzido para portugal) são apuradas sobretudo com essa gigantesca mondadeira electrónica, no caso dos ptblogs temos a refinadora humana (vulgo, cérebro) a fazer o trabalho principal.

Traduzindo num exemplo aqui mesmo à mão: o povoa online caía nas 3 classificações, contendo contributos duvidosos (sem falar do estilo, que enfim na blogosfera há para todas as tabernas, é duvidoso no alcance, no contributo), indesejáveis (se não para o autor e algumas pessoas, para um monte de pessoas, entre as quais eu, que só vê ali chatisses e problemas e nada que justifique o tempo perdido com tudo aquilo — e classificar de indesejável não é limitar nem censurar, tende dó de mim e lêde as palavras pelo que elas são, sem inferir e incendiar) e definitivamente ilegais (ou acreditam que o autor pagou direitos de reprodução, já nem digo de usurpação, daquelas fotos??)

Tirando a parte do ilegal, defendi, defendo e continuarei a defender o direito à livre publicação de todo o tipo de opinião — incluindo a que eu (e mais pessoas) possa considerar duvidosa e indesejável. Uma coisa não anula a outra, isso é que era bom.

Mas também defendo que se deixem aparecer (e até se fomentem) mecanismos para que a sociedade (o colectivo, as pessoas, individuais e em conjunto) possa mais facilmente balizar e perceber o que é o quê.

Mais: parece-me que tem sido esse o caminho natural da espécie, ir-se aventurando pelos desconhecidos e ir balizando-os, aqui é a rua do putedo, ali é a avenida dos bancos, acolá é o bosque dos românticos, mais à frente fica o estádio e ao lado o santuário.

gaf, o Ma-schamba é um local bom para discutir. Vá-se deixando ficar como freguês. Às vezes é um bocado agreste, mas isso é lá defeito?

#22 Paulo Querido on 07.16.08 at 1:32


E arranque uma escala colorida, passar de negro a cinzento está a deprimir-me.

#23 jpt on 07.16.08 at 9:34


GAF: este é um blog português; íssimo. Feito em Moçambique.

PQ: “ter os feeds para RSS bem formatados”, dotar posts de keywords: fico já de água na boca – ainda que não perceba bem o que é. Pois sou um infoexcluído – pronto para aprender o que a minha escassa compreensão permitirá.

Repito o que disse: há blogs proto-profissionais (ou com esse desejo) e é normal (salutar, se quiser) que procurem optimizar (bela palavra) o eco que têm. E há blogs artesanais (não contra leitores, como disse acima) que têm diferentes preocupações. No caso ma-schamba aspira a ser lido, este meu último período não é blas´´e. E depois há blogs que não querem ser lidos. [há algum desvario na aspiração das audiências: há tempos li uma comunicação geral sobre spam de um co-bloguista que dizia não o apagar pois ele gera tráfego. "Tráfego"? o spam?]

Mas o que ptblogs indicia na sua apresentação não é apenas o que V. refere agora: há também um “estilo”, chamemos-lhe, uma deontologia proposta. É isso que chamou a atenção aqui

Rosa (shocking) para blogs de miudas – mas é isso mesmo, afirmar a reprodução do gosto. É a isso que chamei disciplinar. E é isso que não gosto. Se há gente que quer falar com as miudas e lhes dá o pink panther tudo bem. se quiser vender clics tudo bom, boa sorte. Mas posso interpretar e desgostar-me

Boa conversa – até já me tinha desabituado disto aqui no Ma-schamba: perdi audiência e comentadores, decerto que não só pelo “estilo” formal. Até breve

#24 jpt on 07.16.08 at 9:36


PQ isso da escala colorida era para aqui? PAra a caixa de comentários? Soubesse eu fazê-lo …

#25 Paulo Querido on 07.19.08 at 4:51


jpt, a escala de cores era para o gaf, que no comentário #20 aí m cima me passou de preto a cinzento :P Ao menos um verde, nem que seja azeitona?

Os seus feeds estão óptimos, siga o botão cor de laranja na coluna lateral.

Quanto a uma deontologia proposta: não iria tão longe, isso é coisa com um tom sério, mas admito sem rebuço a palavra. Talvez suceda na edição online o que sucedeu na edição em papel (refiro-me aos jornais). Na viragem de XIX para XX, algures (não sou historiador) cavou-se uma fronteira entre os jornais que eram publicados; séc XIX conheceu um surto de edição comparável, à escala, ao bloguismo em 2003-2008, com centenas de jornais, panfletos, folhas, etc publicadas debaixo de cada pedra); depois, houve uma separação clara. Hoje temos os pros, mas claro que as folhas não morreram. Algumas desapareceram (lei da vida) mas milhares continuam. Evoluiram. Revistas de empresa. Boletins da junta de freguesia. Gazeta do grupo desportivo. Diários de referência. Tablóides. Revistas semanais ilustradas com bués da piple. Fanzines. Tudo isto partiu do mesmo sítio, antes de se separarem.
Nos EUA temos já um corpo de blogues pro bastante grande, notório. Depois, um meio termo, gente que já vive disto ou está em trânsito opara viver disto, às centenas, aos milhares. E depois a mole, milhões que só querem mostrar a foto do cachorro aos amigos e partilhar os videos humorísticos e/ou bacanos dos youtubes.

Ele há gente para tudo — e ainda bem.

Algures por aí entrará a deontologia. Um dia. Por agora, contentava-me em ter uma associação que emitisse um comunicado sempre que Miguel Sousa Tavares e Moita Flores chamassem corja de bandidos, mafiosos e pedófilos aos bloggers, um clube que guiasse os que têm curiosidade/necessidade em aprender a fazer isto mais bem feito, um grupo com alguma capacidade de auto-defesa e de intervenção de forma a defender os interesses em formação desse grupo de autores que se pretende distinguir da mole e demarcar dos fins ilegais e no fio da navalha que também se observam por cá.

É isto.

#26 jpt on 07.19.08 at 5:18


Fui ver esse feedburner que está mais bonito que o próprio blog – rais parta. Uma das coisas (maldita curiosidade, defeito tipicamente feminino como bem sabemos [tenho em casa quem a diga característica essencial da inteligência]) que gostava era de saber as estatísticas do consumo destas múltiplas “rações” em que o ma-schamba está (email inclusive)

Quanto aos bloguistas: entre os Grão-profissionais, os pro-pros e os gajo/as do cachorro há os artesanais (aqui o maschamba, já agora). Que terão algo a dizer, porventura. E que são um público especial, grão-consumidor de blogs. Faz falta nessa tipologia

#27 Paulo Querido on 07.19.08 at 5:28


Ah, isso parece-lhe — aquilo é a versão para olhos humanos, depois há outra, aqui, que é a versão que as máquinas “vêem”. E que permite criar coisas como o blogservatorio (que vai ser todo remodelado em breve), o ma-blog (hei-de ressuscitá-lo, mas preciso que o jpt tenha uma conta no Google Reader onde vá juntando e gerindo os blogues adequados) e ainda o Neste momento, que também precisa de remodelação, mas essa está para as calendas (você sabe).

Dou-lhe o acesso às estatísticas disso amanhã.

Sim — há uma série de classes médias, burgueses, entre os pros e a maltosa do cachorro. Artesanais, artesãos, eu gosto do termo artesão, gosto de o aplicar a mim, se há coisa que sou é artesão, meto as mãos e faço uns bonecos assim toscos, nada da perfeição dos artistas. Está na tipologia da blogosfera, claro ;)

#28 web on 07.20.08 at 7:02


não quero meter prego nem estopo. pelo menos muito fundos: já há argumentação em qualidade, diversidade e quantidade para andar há dois dias a ler, aos bochechos e saltando de link em link – “releva jpt, por causa dos ‘elos’! é pá habituei-me aos ‘links’ e agora não despego, “saem-me” – e, aprendendo, colocando-me questões. isto é bom, contando com as lateraiz há aqui praí uma dexena ou quase de questões que se olham/têm olhado por cima do ombro, displicentemente, mas merecem mais. e tanto que vão exigi-lo, não sei se prá semana ou daqui a cinco anos. mas vão-no. a todos, mesmo que depois se siga a manada.

a pensar agora em voz escrita mas só na chicha, no que me pareceu o mais preocupante. a exemplo, na questão das competências territoriais. do poder, ou potencial utilização desse poder, das decisões judiciais. nesta matéria. confome o local-tribunal e “as partes” – que há disso, há um mundo que funciona mais ou menos bem e há outro que funciona mais ou menos mal. a pensar, lá vem o exemplo e agora vou dar-lhe nomes, se os manos Castro decidem chatear-se a sério com a bloguista Ylina (é este o nome? à volta disto) e metem uma “providência cautelar” sei lá aonde, que lá saberá o juiz porquê vem deferida à la povoaonline style: caixote do lixo para os rabiscos até agora feitos, e de castigo no canto virada para a parede, para não fazeres mais maldades, blogar, dizer mal dos manos que são mais importantes que um vereador e têm maus fígados, sei lá… imagine-se que há um tribunal que aceita o pedido de frete e um juiz o despacha favoravelmente.
que fará o ’servidor’ do blogue? – nem fui ver se é o Blogger ou não, estou a disparar no escuro mas certamente não será cubano.
provavelmente nada. o mais certo. pois Cuba não é um ‘mercado’ e, mesmo quando o for, será ridículo ao lado do chinês – exemplo não inocente pois são públicas as restrições que a Google aceitou fazer intra Grande Muralha. Google quer dizer Blooger, em chinês, parece-me. pergunto-me se a tradução é/seria a mesma rasca em hispânico caribenho.
quid iuris? e, melhor, que “consciència”?

(a insónia estival dá nisto, desculpa lá o reactivar da caixa mas é medsmo certo que “aqui e ali” ando há dois dias a acompanhar a discussão… e a olhá-la sem as minhas típicas cataratas simplificadoras)

#29 jpt on 07.20.08 at 14:10


PQ: boas notícias essas da reanimação do Ma-Blog. Insisto, acho que é coisa engraçada, e pode servir para dinamizar leitura de blogs aqui (e agregar outros itens). Tem que ficar mais belo e até funcional. [Conta no blogger? Trata-se disso via email]

Sobre as questões: PQ e seus “sequazes” têm uma visão legítima de alter-profissionalização. Acho legítimo, está insistentemente referido acima. Aquilo que pode chocar blogosensibilidades alheias é o facto de esse esforço “institucionalizador”, “formalizador” manusear uma imagem de bloguismo – que afinal lhe é mais vasta, os abrange mas neles não se esgota. Talvez seja isso o que provocou o debate

CG: não tens que pedir desculpa por ter reanimado isto (já sobre o longo “link” em detrimento do curto “elo”, uma vera irracionalidade económica, não tem desculpa). Sumarizaste isto bem: quem é que decide do silêncio. Na falta de efectivos critérios os “bem-pensantes” encolheram os ombros (ou aplaudiram) como mero reflexo das suas opções “estéticas”. Não tem mal nenhum: apenas me irrita tanta gente a opinar todos os dias, ciosos do seu bom pensamento e atenção. E depois não pescam uma …: há uma taralhouquice ontológica na blogo-opinião portuguesa que é pungente.

(mas o imediatismo do instrumento “blog” também ajuda a isso, claro)

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