Há cinco anos que leio blogs e deu-me para dar um (longo) passeio pela lista de elos e não só, a ver como anda o bloguismo (em) português. Diferenças e parecenças com o dantes. Poucas na técnica – falo do “mainstream” -, para além do irritante “youtubismo” (uma seca) o formato é o mesmo. Nos blogs portugueses uma distinção fundamental: desvaneceu-se o aparato de “comunidade”. Pois não vi anúncios de almoços e jantares de blogs, em tempos tão habituais, coisas então da sua ritualização. E, efeito da mesma des-entidade, se há anos havia um constante comentar do que outros bloguistas diziam, crítica e contra-crítica, elo e contra-elo, muito menos há agora. Ou seja, há menos indutores, menor topo de pirâmide. Certo que os ainda há – um texto anódino sobre Carla Bruni ainda tem ecos – mas bem menos e com menos intensidade. Vai-se directo aos jornais e à TV, bota-se o desabafo opinativo directo, sem blogomediadores.
Nem pior nem melhor (perde-se a picardia, que era o piri-piri, para o cozido a fonte costuma ser suficiente). Apenas mais dependentes do jornalismo, portanto do rame-rame. Talvez por isso há quem pense em pagamentos à comunicação social: pouco aprenderam com o desabar do comércio musical.

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Não ando por bloguismos há tanto tempo, mas numa coisa não estou muito de acordo: talvez tenha desaparecido o «aparato» de comunidade mas ela existe e é das coisas mais interesantes.
Há almoços e jantares, sim, mas combinados por «mail» e que não são depois «mostrados» nos blogues – talvez seja essa a diferença.
Pois, essa é uma área que não conheço. Mas o que refiro, como notou, é que desapareceu o aparato, a ritualização pública. Ou seja, não é um desaparecimento mas uma mutação: talvez como as entre-conversas – como digo, reduziram, não desapareceram: acabo de passar por uma longa série e nem uma crítica ao JPP (uma ruptura epistemológica, dir–se-ia, no lusoblog). Uma ou outra ao Vital Moreira, mas sem grande arreganho, coisa pouca. E quase nada mais. A conversa mudou – talvez para melhor, se calhar.
Já agora, continuo. Tem razão: há menos conversas cruzadas (apenas nalguns blogues que o fazem mais ou menos por brincadeira), mas, por outro lado, há uns ataques bravos.
Acabo de passar por um (o Brumas e A Terceira Noite foram objecto de uma ofensiva de dois blogues de V. Dias) e nunca tinha visto tanta agressividade (e até insultos que não passaram na moderação de comentários). Aliás, penso que muitas das discussões passaram dos «posts» para os Comentários, com grande prejuízo em termos de consistência e seriedade.
1. Entre-conversas: eu dou o meu exemplo, praticamente deixei de referir conversas alheias. Leio muito menos blogs, comento muito menos, quase nunca refiro – tem a ver comigo e não com o interesse dos blogs, friso. Também aqui o ma-schamba se esvaziou de comentários e deixou de ser ecoado. Mais o registo de diário, que sempre foi o que esperei e que quase nunca consegui.
Há algum (pouco) tempo encontrei um amigo que vive longe e ele disse-me que tinha deixado de ler o meu blog, que largava quando eu referia outros blogs (preferia o daqui e não o entrecruzar). E deu-me para lembrar que para um leitor não-bloguista o labirinto bloguistico deve ser bem menos interessante do que para o bloguista.
2. Comentários: eu acho que são do mais interessante do bloguismo (Ainda que a “aristocracia bloguística” os despreze). Em 2005 e 2006 havia bastantes comentadores aqui e houve conversas (e até alguma pancadaria) muito interessante. (e continuo a maçar o bom do Lutz do Quase em Português, que tem um belo blog chat, ainda que menos activo do que “nos bons velhos tempos”)
Eu não concordo muito com a moderação de comentários -ainda que já tenha apagado comentários de um comentador que me tomou de ponta (até com ameaças pessoais). Mas foi caso único. E foi porque ele(s?) era um chato, nada mais. Como vê discordo sem fundamentalismos.
E também acho que o tom das caixas de comentários dependem muito do tom dos blogs, já postei sobre isso. Também aqui sem fundamentalismos – há o caso limite do belo Da Literatura que foi colonizado por uma cambada de imbecis e que teve de encerrar os comentários. Mas, grosso modo, é a agressividade (nada irenista) do bloguista que leva ao despautério – diga-se que aqui o mais desagradável ainda é o bloguista proprietário, que às vezes teclou ríspido demais
E quanto aos insultos, farto-me de reclamar o direito ao insulto. Sem fundamentalismos, algum exagero neste blog fui que o cometi, em tempos meti um insulto geneológico a um bloguista. Fui bem criticado, mas honestamente não acho que o intraduzível deva ser traduzido. Porque não pode. E para quê um blog diário se não o é?
Fui ver o seu blog – em tempos o Pedro Mexia (acho que foi ele) dizia que se irritava com os blogs de causa, que então fossem para o escritório ter causas (mais ou menos isto). Parece-me, ainda que cada um blogue como quer, que V. chocou com blogs de causa, e é muito difícil gerir diálogo com tais “instituições”. Eu deixei de os ler – mesmo quando, como o Blasfémias, albergam alguns dos meus bloguistas preferidos, não se ganha muito com visitar trinhceiras (próprias ou alheias)
(outra vez sem grandes certezas: tantos posts sobre a ilha de moçambique não farão disto uma causa do ma-schamba?)
e desculpe-me tanto erro, nem o teclar rápido o justifica.
O «Brumas» talvez seja também um blogue «de causas» (em termos genéricos, de modo algum institucionais) – mas não só: é também, e só durará enquanto for, puro divertimento.
Quem anda à chuva, molha-se e, por isso, não devo queixa-me se outros, os tais das causas organizadas, me atacam. Mas vou aprendendo, deixando de ler e, principalmente, de responder.
Bom Domingo aí por Moçambique, onde, afinal, vivi os primeiros e excelentes anos da minha vida.
Abraço
5 anos de blogosfera dão para fazer uma boa radiografia do “sistema”. Tenho k concordar que estamos (bloguistas) cada vez mais virtualizados e mais jornalisticos. Enfim, é a blogosfera. No Brasil há uma maior diversidade e o exemplo deve ser seguido.
Um abraço
Concordo que não há “comunidade” bloguística declarada, cada qual se vai fechando mais em si. Mas só aparentemente, porque todos escrevemos “em diálogo”,sabemos que fulano e beltrano (amigos ou inimigos) nos vão ler e mandamos-lhe o recado, mesmo que seja em forma de notícia neutra de jornal. Eu já tive respostas muito cifradas a coisas que escrevi, e talvez só eu e esse bloguista o saibamos,logo a comunidade existe. Existe também na lista de links de cada qual (não no meu caso, em que é descuidada e peca por defeito, quase não ligo a isso, o ma-schamba andou um ano sem figurar na minha lista e lia-o todos os dias). O que já se vê menos é a remissão para outros blogues, o amiguismo ou o inimiguismo, embora eu goste de linkar a quem me refiro por uma questão de clareza. Tenho também a impressão de que já há poucos projectos bloguísticos coerentes, cada qual escreve o que o comove ou indigna de momento, seja o que for, ou põe uma música qualquer ou uma fotografia qualquer,um vídeo, desaparece a olhos vistos o trabalho temático, enfim, a seriedade. É verdade, jpt, eu que o diga, que sou o típico bloguista baldas, embora goste muito disto e de continuar a ler os outros, mais do que escrever.
JL, se me permite (feito “blogo-mais-velho) o melhor é não responder, blogar por-si como sendo blogar para-si (ainda que de vez em quando apeteça ir picar ali ou acolá). E, principalmente fora do espectro político-opinativo, há coisas bem interessantes para referir: para quê perder tempo?
[isto é até à minha próxima irritação, claro está]
cumprimentos daqui
BM não conheço em extensão os blogs brasileiros, fui conhecendo os que aqui vinham. Em tempos andei por alguns, mas apanhei algumas vias muito infanto-superficiais e fui desistindo. No português há muita coisa boa (ainda que fique “muito bem” o blaseísmo de o negar): tanto no político como no temático. O que se foi perdendo (ou não conheço eu), e infelizmente, foi o de escrita – talvez passados a outros suportes, talvez desiludidos com pouco relevo. Talvez esgotados
O que será importante, acho eu, é fugir aos domínio dos grão-blogs. Não por defeito destes, mas porque muito do melhor (particularmente o temático) está alhures: há blogs de música, de bd, de literatura muito interessantes.
Por cá é algo diferente – muito jornalístico, muito opinativo, muito politizado (e também muito hip-hop). Mas o contexto é diferente, é natural que seja tempo da disseminação da opinião política. Monotonamente muito parecido com o digest noticioso: um pouco por influência do Carlos Serra, um pouco pelo que disse acima. Mas “há-de mudar”
Obrigada pelos conselhos.
Mas também é agradável blogar para-outros, sobretudo com-outros. O que é preciso é ir escolhendo, excluindo ou incluindo.
Eu tenho uma experiência recente muito diferente, nos «Caminhos da Memória» (esse sim um blogue de «causas», embora não políticas no sentido estrito), que é colectiva, que envolve muita gente e que é muito gratificante.
Tendo portanto a pensar que o andamento depende da música…
GAF, eu nunca acreditei muito numa “comunidade” bloguística (e então no sentido “moral” que alguns lhe davam há 4-5 anos ainda menos). Mas com toda a certeza que há entre-leitores e, nisso, o “recadismo”: que tende para o hermético vácuo, e perde sentido.
Do amiguismo tem outra coisa: é o estatuto que cada um dá à sua chafarica. Aqui tenho alguns blogoamigos (gente que conheço de blog, apenas ou que aqui conheci) Pratico um completo amiguismo com eles. E também tenho alguns amigos da vida que têm blogs (e que por aqui têm andado, nos comentários, nos elos, etc). Ainda mais amiguismo pratico. Nem vejo como não – a “responsabilidade” do ma-schamba é apenas não caluniar ninguém, de resto abraços e elogios aos meus, e pronto. Há gente que vê isso como mal, reclamando uma objectividade nos juízos, nas opiniões. Mas isto é o meu brinquedo, como questionar a minha escolha de com quem quero brincar? No caso contrário acho que se quer fazer um upgrading disto, legítimo a quem o consegue, tonto no caso do amador à tecla na proto-alvorada.
Noutro ponto refere o que chamo “usos e costumes” do bloguismo: eu continuo muito fiel ao elo dedicado, quando significante (p.ex. V. foi um dos que referiu a Bruni, mas era irrelevante para a matéria, até porque eu nem criticava). E continuo fiel à reciprocidade dos elos – blog que me liga tem ligação. Boas-maneiras (e aí sim, um sentimento de comunidade: “olha, mais um maluquinho a abrir um blog”, digo logo), mas também forma de ir conhecendo outros blogs (esses, e outros que eles ligam). Há muita tralha que chega assim, mas a tralha tralha desaparece rapidamente.
Eu sempre ambicionei ter um projecto bloguistico coerente. Nunca consegui. TAmbém, como montou o Paulo Querido aqui, isto é “um blog de jpt”. Como poderia ser coerente?
JL, blogar com-outros (eu sofro de ter um blog falsamente colectivo, duas vezes abandonado pela co-autora), blogar para-outros com toda a certeza. Mas blogar vs-outros não vale a pena, era isso que eu queria significar. No 2º ou 3º post aqui pus o lema que era isso mesmo que significava, que é que me interessa o que diz o outro? Mas acabei em imensas resmunguices. Inúteis. (algumas muito divertidas, confesso)
Mas essas são outras “causas”, não no sentido afectivo-ideológico que eu lhes dava. Ainda que, às vezes, sejam essas as mais criticáveis.
Parabéns pelo aniversário blogístico. Apesar de tudo o que diz, a blogoesfera foi (e é) uma coisa gira. Continuo a achar que há blogues com boas ideias, bem escritas, que nos permitem blogoconhecer vidas e lugares a que não chegaríamos de outro modo. Como o Ma-schamba, por exemplo.
Beijos
OBrigado. Não se trata exactamente de um “aniversário bloguístico” – comecei a ler blogs há mais ou menos cinco anos, cerca do inverno (verão aí) de 2003. E não terei sido explícito – nada do que quis dizer implica pouco interesse (d)nos blogs alheios. Apenas me parece haver (normais/pacíficas) mudanças de comportamentos colectivos. E algum esgotamento (pelo menos para mim) no bloguismo estritamente político – porque excessivamente reprodutor da imprensa.
jpt, eu fui o primeirinho, uns dias antes, a pôr a Bruni em grande destaque,pondo-a a cantar a “Fernande” de Brassens, uma canção muito masculina, anticlerical e antipatriótica,o que na boca dela – o novo “símbolo” do patriotismo frncês e uma mulher muito feminina – soa a ridículo. Mas lá que gosto dela, gosto, mais do que do marido…
O seu a seu dono, então. Mas até me serve para exemplo para ilustrar estas dificuldades dos labirintos bloguísticos, das entreconversas. Especialmente, repito, para os leitores não-bloguistas. Cumprimentos
E há? leitores não-bloguistas?
pensei que isto era hobby de um punhado gente em movimento circular, embrulhados uns nos outros (já menos, pois como dizes entreolha-se e entrefala-se menos)
Há. Há os googledores, que são a maioria dos leitores deste blog. E há os leitores silenciosos (que não têm elo para deixar nos comentários ….) que de vez em quando se anunciam – a mim de viva voz. Se vir o tempo de vida activa de um post (que o contador de clics te dá) e o número de visitas via contador, isto aqui deve ter 50-70 leitores reais. Prá aí uma metade não terá blog. É uma boa mesa de café, um jantar alargado – e nessa dimensão também não justificará grandes declarações de princípios e reclamações com o mal dos mundos. É mesmo uma conversa
(já vi que te foram boas as férias, ó marujo)
Comunidade bloguista? Pois, caro JPT, a sua posição de que isso é uma falácia para se servirem os a que jeito der, é antiga e tem o meu acordo. Em geral, essa dita “comunidade” só serve para outros atacarem, de assentada, a liberdade que a edição digital confere ou, para os que usam essa ferramenta e sentem que já são jornalistas.
O que um blogue tem de melhor é que podemos escrever sobre o que quisermos, quando quisermos e da forma que quisermos desde que leis respeitadas, mas… até quando?
Até quando quisermos, sim, claro, ou …, ou até que ganhos com este tipo de edição sejam suficientes para se viver…, fazendo fretes, é claro.
Blogues de causas? Não me afligem. Blogues temáticos, muito menos. A distinção que faço é os que gosto e os que nem por isso. Nenhuma mais.
Quanto ao cavalheirismo, JPT, acho que sim…mas porra o que é que isso diz a esta malta de hoje, bloguista ou não?
Abraço
CAA: “malta de hoje” sou eu … bem, pelo menos assim o espero.
Blogs temáticos agradam-me. De causas também … quando as causas são temas.
Quanto à “comunidade”: ela era reclamada pelos bloguistas há uns anos, penso que desapareceu tal ideia (e ainda bem); e não acredito (aí, em Portugal) que haja vontade “global” (haverá, porventura, um ou outro gabiru) de atacar a “liberdade editorial digital”. O que haverá é a vontade de regular (aliás muito na moda) a edição individual (se até as pataniscas e os galheteiros quanto mais a palavra pública). ~Pode ser irritante, poderá ser. Mas é epifenómeno.
Mais ainda, é assunto mais relacionado com os blogs polemistas – centrado no político (francamente o mais desinteressante: viu quantos blogs postaram sobre o debate “o estado da nação” aí? renhanhanhan). E o bloguismo não se esgota, nem por sombras, nisso (repito-me). Sobre essa vontade reguladora do bloguismo deixei na caixa de comentário do Paulo Querido a minha estupefacção: como mandam fechar, quem manda fechar, quais os critérios?: não sou jurista (e eles são especialistas em imbróglios) mas parece-me um belo imbróglio. P. ex. quem me manda(ria) encerrar? Eu digo e redigo: o senhor Marc Batta é um agente do eixo Vichy-Berlim, um escroque fascista-nazi ao serviço dos interesses económicos do Ruhr. Quem me pode mandar encerrar?
A embaixadora portuguesa manda umas bocas anti-semitas, o ídolo liberal luso também. Quem os pode mandar encerrar?
Em meu entender ninguém. Quem tem poder sobre o éter? Só Deus, não é assim? De resto, diferentes leis sobre este Sol. Se aceitamos todas ninguém fala (se entende) É o Babel jurídico.
Daí que, caro CAA, não se preocupe, ninguém quer calar o bloguismo. Só os bloguistas, que isso seria a glória (comunitária)
A minha opinião sobre esse outro tema – o do sempre perseguido controlo dos blogues:
- é evidente que SÓ o tribunal tem o direito de suspender, fechar ou chamar à pedra um blogue, de anónimo ou não, por queixa legítima dos visados ofendidos e que se sintam caluniados.
- Os anónimos, quando fazem ataques pessoais infundados e injuriam ou caluniam não passam de cobardes e de seres pidescos.
-O mau uso da liberdade de expressão não pode ser pretexto para a anulação dessa liberdade. O “mau uso” é uma consequência tão natural e legítima como o “bom uso”, e o que é “mau uso” para uns é “bom uso” para outros, parece que se chama a isto democracia.
- Espanta-me que o sr. Paulo Querido, se bem percebi, confunda “mau uso” com “ataque pessoal / político” (ainda por cima com o pessoal no mesmo saco do político???).
Caro GAF eu não discordo do que diz sobre quem pode mandar encerrar um blog. Numa primeira análise. Mas repito (+/-) o que deixei na caixa de comentários alheia: que tribunal me pode mandar encerrar? sob que lei estou? Um bloguista escreve sobre uma série de coisas que estão sob várias leis diferenciadas: na outra caixa dei exemplos quase caricaturais mas correspondem ao que me parece ser o cerne disto: qual é a territorialidade do blog, donde qual é a tutela jurídica? Quais são os limites (externos) à minha “liberdade de expressão”: a lei portuguesa? a lei moçambicana? sudanesa? húngara? israelita (lá dei exemplos de posts com imagens de maomé na mesquita, críticas a ferenc meszaros, e do anti-semitismo escarrapachado em dois ilustres blogs portugueses). E agora com o meu novo exemplo, estou limitado pela lei francesa, alemã (ou, dado que falo do monstro Batta, pela lei da FIFA?). É muito bonito dizer que é um tribunal quem manda encerrar um blog mas dado que a internet não reside algures (ou reside) sob que lei estamos? Se calhar é uma questão bizantina, mas parece-me que o “higienismo bloguístico” que transpirou neste recente “Blog Dourado” acaba por desembocar na absolutização de uma determinada ordem jurídic-moral (portuguesa? ocidental?). Como descalçarão a bota os ilustres multiculturalistas relativistas? (principalmente quando a ordem do mesmo-vizinho é, afinal, diferente da “nossa”)
jpt, essas são questões muito pertinentes, e confesso que nunca tinha pensado na extra-territorialidade da coisa. Que nos explique quem for jurista e saiba do assunto.
pois, já fiz essa pergunta em algumas caixas de comentários, com poucos resultados – seja em termos de resposta, seja em termos de interesse. Honestamente parece-me um desinteresse fruto do paroquialismo (muito “actualizado”, muito “cosmopolita”, muito “website anglófono”) do bloguismo português. Cheio de arrebitado higienismo, sem discutir as “boas-maneiras”, o “bom-senso”, a “honestidade” e a “decência” – é essa a tralha intelectual do país, é esse o verdadeiro “centrão”. Um paneleirice, enfim.
Acho que vou puxar isto para post: será que algum higienista virá responder?
[...] um ponto surgido nesta caixa de comentários – e que eu já questionara noutros locais como aqui. Tem a ver com o caso Blog Dourado: o [...]
Foi, e é, sempre, ler os seus textos.
Vá lá, quem aguenta meia década, “aguenta” outra meia ; )
Abraço
*sempre muito bom – perdoe-me.
obrigado jp. e é bom saber que ainda há leitores-veteranos deste recanto. até breve
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